Eu e Leo fomos padrinhos de casamento de um amigo muito querido dele (e meu também). Normalmente eu arrancaria os cabelos decidindo a roupa, porque a cerimônia estava marcada para as cinco da tarde (não, não foi aquele casamento ao qual eu estou planejando ir maquiada de zumbi e lavar o rosto depois das fotos).
Mas dessa vez o feminismo não permitiu a agressão aos poucos cabelos que me restam. Afinal, fui convidada porque os noivos gostam de mim, não porque eu seja a Miss Universo.
O que não quer dizer que eu pretendia ia de chinelo e calça de moletom. As pessoas confundem “não se preocupar com a aparência” com o total desprezo à higiene e às convenções sociais. Eu só decidi não esquentar a cabeça.
(O que não quer dizer que o convite não fosse importante para mim. Era, muito. Tanto era que eu e o Maridinho fizemos questão de dar um presente legal. Tanto era que viajamos até BH para comparecer, mesmo estando superocupados. Tanto era que ficamos até a festa acabar para levar os noivos ao hotel.)
O que fiz foi simplificar. Eu tenho a sorte de ter uma irmã do mesmo tamanho que eu, então peguei o vestido emprestado. Sequei o cabelo em casa. Não usei acessórios (nem bolsa). Segurei a mão na maquiagem (e fiquem meus amigos avisados que, após o próximo casamento, não me sentirei mais obrigada a pintar a cara para comparecer a eventos).
Fiquei pronta rapidinho e sem despesa alguma. Chegamos adiantados à cerimônia. Reencontramos um monte de amigos. Batemos papo adoidado. Não gastei um único segundo pensando em retocar o batom. Me diverti a valer e foi muito, muito bom!
O único senão foi o diabólico sapato de salto alto e bico fino. Eu sei, “é lindo”. Mas 1) o salão da festa já estava decorado, então os noivos não precisavam que eu fosse mais um enfeite; 2) por que o valor “beleza” é superior ao valor “conforto”, ou melhor, ao valor “não ter os dedos dos pés em constante estado de esmagamento e o tendão de Aquiles em carne viva”?
A gente não precisa só de uma revista feminina feminista. A gente precisa também de estilistas feministas, urgente!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O Caso da Bolsa
Estou planejando mais um passo na minha libertação: eliminar as bolsas.
Vamos falar a verdade, povo: a tal da bolsa é muito chata. Ela imobiliza um braço. Ela pesa no ombro. Ela tem de combinar com a roupa. Ela atiça os batedores de carteira. Concordo que ela tem lá sua utilidade, mas será mesmo necessária? Afinal, o Maridinho não usa bolsa e se vira muito bem. Ele põe chave, carteira e celular... nos bolsos! Por que diabos tanta roupa feminina não tem bolso? Será um lobby dos produtores de bolsas?
Concordo que algumas bolsas têm alças longas, que você pode cruzar no corpo, o que permite o uso das duas mãos. Mas são poucas. E concordo que dá para levar coisas importantes, como documentos grandes e remédios, na bolsa. Mas a gente não carrega documentos grandes e remédios o tempo todo, né? Então por que não usar a bolsa (de alças longas, que você pode cruzar no corpo, o que permite o uso das duas mãos) só quando necessário?
As mulheres gostam de bolsa, né? Porque é bonito. É enfeite. “Compõe”. E dá-lhe a gastar dinheiro em variadas bolsas, porque ter uma só não pode – “o que é que os outros vão dizer?” (Não tenho idéia do que os outros vão dizer. Que você só tem uma bolsa? Quem é essa pessoa que fica reparando em bolsas alheias? Get a life.). Ah, também não pode porque você precisa de uma bolsa específica para cada ocasião (óia os olhinhos do capitalismo brilhando).
Nesse fim-de-semana, fui a casamento e cinema sem bolsa. Foi fantástico. Me senti livre, leve e solta. É verdade que no casamento me aproveitei dos bolsos do terno do Maridinho, mas no cinema eu enfiei chaves, documento e dinheiro nos bolsos da calça jeans. Gostei tanto que eu estou querendo adotar.
Na minha atual bolsa gigante eu levo chaves, remédios diversos, celular, óculos escuros e caneta. Lá dentro também vai uma bolsinha com pasta e escova de dentes, base em pó, batom, brilho, lápis de olho, lixa e band-aid. Meu plano de ação é o seguinte: cortar um pedaço das cartelas de remédio e guardá-las na carteira; colocar nos bolsos a carteira, junto com o celular e as chaves; pôr no rosto os óculos escuros. As maquiagens e a lixa, que eu não uso mais, ficam em casa; o band-aid vai pra dentro da carteira; e a pasta e a escova de dentes eu deixo no trabalho, já que é lá que eu escovo os dentes depois do almoço mesmo.
E aí fico precisando só um guarda-roupa decente, com roupas que tenham... bolsos!
(Enquanto isso vou dar um jeito de arrumar uma bolsinha míni de alça longa que cruza no corpo.)
Vamos falar a verdade, povo: a tal da bolsa é muito chata. Ela imobiliza um braço. Ela pesa no ombro. Ela tem de combinar com a roupa. Ela atiça os batedores de carteira. Concordo que ela tem lá sua utilidade, mas será mesmo necessária? Afinal, o Maridinho não usa bolsa e se vira muito bem. Ele põe chave, carteira e celular... nos bolsos! Por que diabos tanta roupa feminina não tem bolso? Será um lobby dos produtores de bolsas?
Concordo que algumas bolsas têm alças longas, que você pode cruzar no corpo, o que permite o uso das duas mãos. Mas são poucas. E concordo que dá para levar coisas importantes, como documentos grandes e remédios, na bolsa. Mas a gente não carrega documentos grandes e remédios o tempo todo, né? Então por que não usar a bolsa (de alças longas, que você pode cruzar no corpo, o que permite o uso das duas mãos) só quando necessário?
As mulheres gostam de bolsa, né? Porque é bonito. É enfeite. “Compõe”. E dá-lhe a gastar dinheiro em variadas bolsas, porque ter uma só não pode – “o que é que os outros vão dizer?” (Não tenho idéia do que os outros vão dizer. Que você só tem uma bolsa? Quem é essa pessoa que fica reparando em bolsas alheias? Get a life.). Ah, também não pode porque você precisa de uma bolsa específica para cada ocasião (óia os olhinhos do capitalismo brilhando).
Nesse fim-de-semana, fui a casamento e cinema sem bolsa. Foi fantástico. Me senti livre, leve e solta. É verdade que no casamento me aproveitei dos bolsos do terno do Maridinho, mas no cinema eu enfiei chaves, documento e dinheiro nos bolsos da calça jeans. Gostei tanto que eu estou querendo adotar.
Na minha atual bolsa gigante eu levo chaves, remédios diversos, celular, óculos escuros e caneta. Lá dentro também vai uma bolsinha com pasta e escova de dentes, base em pó, batom, brilho, lápis de olho, lixa e band-aid. Meu plano de ação é o seguinte: cortar um pedaço das cartelas de remédio e guardá-las na carteira; colocar nos bolsos a carteira, junto com o celular e as chaves; pôr no rosto os óculos escuros. As maquiagens e a lixa, que eu não uso mais, ficam em casa; o band-aid vai pra dentro da carteira; e a pasta e a escova de dentes eu deixo no trabalho, já que é lá que eu escovo os dentes depois do almoço mesmo.
E aí fico precisando só um guarda-roupa decente, com roupas que tenham... bolsos!
(Enquanto isso vou dar um jeito de arrumar uma bolsinha míni de alça longa que cruza no corpo.)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
O Caso do Elogio ao Pão-Durismo
Eu sempre fui pão-dura. Aprendi com mamã, aquela mulher sem vaidade e sem dó do consumismo (acabo de perceber que as duas coisas andam muito juntas).
Por pão-durismo entenda-se que eu não acho que comprar seja diversão, nem que a última versão de um objeto que eu já tenho seja uma necessidade (Ok, tem uma exceção: comprar livros é diversão pura. Principalmente depois que descobri a alegria dos baratíssimos volumes gentilmente usados .)
É verdade que passei por uma fase consumista uns meses atrás. Ela foi boa enquanto durou. Mas eu descobri que (surpresa!) a aquisição de bens proporciona uma alegria momentânea, mas não felicidade duradoura (pelo menos pra mim). E que dá o maior trabalho guardar, conservar e proteger a bagulhada toda. Então voltei saltitante às minhas origens.
O pão-durismo é um incompreendido em nossa sociedade de consumo. Ele não é a escravidão à moeda, mas a liberdade. Com um dinheirinho guardado, você é livre para aproveitar um monte de oportunidades. Se você não precisa de uma fortuna para se manter, pode optar por um trabalho que pague menos, mas empolgue mais, ou parar de trabalhar para estudar, ou parar de trabalhar ponto (se aquele dinheirinho guardado era respeitável).
O pão-durismo é ecológico e solidário. Ele recicla caixas, roupas, móveis, presentes que você não gostou. Ele pega emprestado ao invés de comprar, e empresta ao invés de incentivar que você compre.
O pão-durismo é criativo. Menos itens quer dizer mais combinações inesperadas. Menos cores quer dizer que tudo vai com tudo. O pão-durismo é minimalista e elegante: seu credo é “menos é mais”.
E o pão-durismo é feminista, né? Não torrar dinheiro em cosméticos, acessórios, roupas da moda e salão de beleza agradaria profundamente à Simone de Beauvoir.
Ser pão-duro com o dinheiro não significa ser pão-duro com as idéias, nem com as emoções, nem com o entusiasmo.
Muito antes pelo contrário.
Por pão-durismo entenda-se que eu não acho que comprar seja diversão, nem que a última versão de um objeto que eu já tenho seja uma necessidade (Ok, tem uma exceção: comprar livros é diversão pura. Principalmente depois que descobri a alegria dos baratíssimos volumes gentilmente usados .)
É verdade que passei por uma fase consumista uns meses atrás. Ela foi boa enquanto durou. Mas eu descobri que (surpresa!) a aquisição de bens proporciona uma alegria momentânea, mas não felicidade duradoura (pelo menos pra mim). E que dá o maior trabalho guardar, conservar e proteger a bagulhada toda. Então voltei saltitante às minhas origens.
O pão-durismo é um incompreendido em nossa sociedade de consumo. Ele não é a escravidão à moeda, mas a liberdade. Com um dinheirinho guardado, você é livre para aproveitar um monte de oportunidades. Se você não precisa de uma fortuna para se manter, pode optar por um trabalho que pague menos, mas empolgue mais, ou parar de trabalhar para estudar, ou parar de trabalhar ponto (se aquele dinheirinho guardado era respeitável).
O pão-durismo é ecológico e solidário. Ele recicla caixas, roupas, móveis, presentes que você não gostou. Ele pega emprestado ao invés de comprar, e empresta ao invés de incentivar que você compre.
O pão-durismo é criativo. Menos itens quer dizer mais combinações inesperadas. Menos cores quer dizer que tudo vai com tudo. O pão-durismo é minimalista e elegante: seu credo é “menos é mais”.
E o pão-durismo é feminista, né? Não torrar dinheiro em cosméticos, acessórios, roupas da moda e salão de beleza agradaria profundamente à Simone de Beauvoir.
Ser pão-duro com o dinheiro não significa ser pão-duro com as idéias, nem com as emoções, nem com o entusiasmo.
Muito antes pelo contrário.
Assinar:
Postagens (Atom)