Sabe aquele jogo que você não tem como sair vencedora? Pois é, um desses jogos é o "Jogo da Aparência das Mulheres de Opinião".
Quando um homem emite seu entendimento, ninguém se preocupa com a cara ou o corpo dele. Quando é uma mulher, peraí: vamos analisar o visual dela primeiro. Rápidos exemplos práticos: se ela se preocupa com a aparência e faz uma plástica, como a Marta Suplicy ou a Dilma, ela é fútil e superficial; se ela não liga, como a Marina Silva ou... alguém mais?, ela é desleixada e pouco feminina. Estão vendo? A gente não tem como ganhar!
Quando a mulher em questão está falando sobre a aparência das mulheres em geral, a briga esquenta mais ainda. É por isso que eu não queria colocar a minha foto aqui, pelo menos por enquanto, porque a minha briga atual são as exigências da sociedade em relação à beleza feminina. Ponho foto, e vai ter gente dizendo, conforme o gosto do freguês, "ela é feia, então ela é contra o embelezamento porque não adianta pra ela" ou "ela é bonita, então ela é contra o embelezamento porque não precisa dele". (O subtexto, claro, sendo que o que nós mulheres buscamos é sacanear umas às outras.) Ou seja: qualquer que seja minha aparência, ela vai desautorizar minha fala. Então no momento vocês não vão conhecer minha carinha.
Aproveitando o tema e alguns comentários, eu não acho que exista exatamente uma oposição "vaidade" X "feminismo". A escritora de "O Mito da Beleza", Naomi Wolf, um livro feminista fantástico, por exemplo, é linda e arrumada. O que acontece é que eu ando muito desconfiada da vaidade feminina (e não das mulheres que são vaidosas). Ando achando que a vaidade que a sociedade nos prega, e que tem tudo a ver com consumismo, é um presente de grego. Eu percebo que o mundo recompensa as mulheres vaidosas, mas ando remoendo se a recompensa não é mesquinha. Eu acho a maior parte dos tratamentos de beleza deliciosos, sou uma expert em maquiagem e sempre andei na moda, mas algo anda me dizendo que estive usando meus poderes para o (meu próprio) mal.
Eu até gostaria de ser convencida do contrário. Tenho um monte de pincéis da MAC que eu quase não usei.
sábado, 12 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O Caso da Renegociação
Uma coisa que eu percebo que está meio bagunçada na cabeça de quase todo mundo (na minha, inclusive) é como ficam os papéis das mulheres/homens depois do feminismo.
Antes era fácil: a mulher cuidava da casa, o homem trabalhava. A mulher se ocupava das necessidades dos filhos, o homem era o provedor. As pessoas sabiam o que era esperado delas, e isso era reconfortante - a não ser, claro, que você não concordasse com o papel que te davam, e aí você estava ferrado.
Acho que, nessa divisão de tarefas, o homem levava vantagem, simplesmente porque era ele que tinha o poder de decisão. Como "cabeça do casal", no fim das contas a última palavra era dele. Inclusive para terminar o casamento, porque afinal ele tinha emprego e podia se sustentar. A mulher que quisesse se separar ia viver de quê, brisa?
Então faz sentido que, nesse contexto, a beleza da mulher fosse importante. Afinal, ela tinha de agradar para conquistar e manter o maridinho provedor. Já eles não precisavam ser belos, porque eles faziam o dinheiro!
Aí veio o feminismo e a pílula, o direito ao voto e ao mercado de trabalho e a revolução sexual, e as coisas viraram de ponta-cabeça.
Em tese, deveria ocorrer uma redistribuição de tarefas, certo? Se a mulher trabalha também, o homem se livra da obrigação de ser o único provedor, e em troca passsa a ser co-responsável pela esfera privada, o lar e os filhos.
Mas não foi o que ocorreu. Em parte porque muitos homens não quiseram (e até eu, que sou mais boba, se estivesse na posição deles também ia resistir); em parte porque muitas mulheres também não. É difícil abrir mão dos papéis que séculos de civilização nos ensinaram.
Resultado: um monte de mulher sobrecarregada, "supermãe", que trabalha, cuida da casa, cuida dos filhos e ainda (desaforo!) tem de ser linda. Uns homens que acham isso ótimo, outros que "ajudam" em casa, e outros que até tentam participar meio-a-meio, mas às vezes dão de cara com a resistência da esposa, que acha que ele vai quebrar o bebê ou não dá conta de fazer as compras do mês tão bem quanto ela faz.
Tudo isso é meio inconsciente e inteiramente compreensível. Estamos todos lutando para nos ajustar às nossas novas funções. Muitas vezes a mulher que trabalha é filha e neta de donas-de-casa, que ensinam, no mínimo pelo exemplo, que ela é indispensável e insubstituível na cozinha e no berçário. Só que, quando a mulher abarca o mercado de trabalho sem querer ou conseguir se livrar dos papéis que ela já tinha, será que ela está fazendo um bom negócio? Não quer dizer que ela não dê conta: ela dá, sim. Mas a que preço? Será que ela não fica estressada e cansada? Será que ela não ensina para seus filhos homens que eles não têm de se preocupar com a esfera privada, porque a esposa dele, além de trabalhar, vai dar conta de tudo?
Tem solução para essa bagunça? Tem, sim. O jeito é renegociar os papéis. O que é chato, trabalhoso, confuso e muitas vezes frustrante? Ô, se é. Mas, sinceramente, eu não vejo outra saída.
Renegociar significa, claro, dar um passo atrás e analisar o que a gente faz, o que a gente não faz, qual o sentido desses atos e o que funciona pra gente. Mas não precisa ser tudo de uma vez: é um processo. E também significa escutar o outro e suas razões e sentidos.
É difícil, mas eu acho que funciona.
* * *
PS: a renegociação também é interna: agora que eu, mulher, trabalho e sou dona do meu próprio nariz, será que a minha aparência continua tão importante assim? Eu preciso ser bela? Por que a minha rotina de beleza é tão mais trabalhosa e toma tão mais tempo do que a rotina de beleza dos homens belos? O que ela me impede de fazer (molhar o cabelo por causa da escova, correr por causa dos saltos, estudar mais uma hora porque as unhas devem ser feitas)? Posso me expressar por outras maneiras além de por meio da minha aparência? O que aconteceria se eu ficasse (gulp!) feia? Eu ia perder amigos, emprego, marido? Já me ocorreu que a minha definição de "bela" talvez seja diferente da definição deles?
Olha, eu não estou dizendo que você é feia-boba-chata porque você é vaidosa, e eu sou esperta-legal-feminista porque estou tentando não ser. Só estou pedindo pra gente refletir sobre o assunto.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O Caso dos Cabeulos
Na cidade onde eu moro faz um calor desgraçado. E meu cabelo tá caindo que é uma coisa. E em fevereiro vou passar um mês fora, e já me avisaram que lá o racionamento de água é coisa séria, então os banhos tem de ser rápidos mesmo.
Solução racional para todos esses problemas? Cortar o cabelo, claro. Curto.
Eu já quis cortar o cabelo curtinho outras vezes, mas sempre encontrava uma grande barreira: e se eu ficar... (gulp) feia? Ah, o horror. Então eu continuava com o cabelo comprido, que é a "moldura do rosto", o "signo da feminilidade" etc. etc. Vocês se lembram na cena do livro "Mulherzinhas" (que também teve várias versões cinematográficas ótimas) em que a Jo vendia o cabelo para pagar a passagem da mãe para visitar o pai ferido na guerra, e uma das irmãs gritava: "Mas Jo, era sua única beleza!"? Pois é. Eu não podia cortar o cabelo, porque e se ele fosse minha única beleza? (Sim, eu cortaria para minha mãe visitar meu pai ferido, ou vice-versa, mas essa oportunidade nunca se me apresentou.)
Como agora estou na fase em que não me preocupo mais com a minha única beleza, porque afinal de contas eu não sou enfeite e não preciso ficar deleitando os olhos de ninguém, ontem fui ao salão e disse: quero cortar curto.
(Devo fazer um parênteses para contar como, anteriormente, era a saga toda vez que eu queria mudar o corte: eu folheava um monte de revistas femininas; olhava na internet; pesquisava se o cabelo que eu estava querendo ia valorizar o formato do meu rosto; confirmava se o formato do meu rosto era aquele mesmo; calculava se o novo visual ia me deixar mais bela/sexy/atraente; imaginava se eu ia ter de mudar a maquaigem para ressaltar mais os olhos ou a pele; e levava várias fotos para o salão.
Isso quando eu não queria trocar a cor também.)
A cabeleireira me deu umas revistas de cortes para eu escolher um, porque "curto", para quem corta cabelo, pode significar mil coisas. Dei uma olhadinha e gostei logo de um corte simpático cujo modelo tinha o cabelo da cor do meu.
Enquanto eu cortava, o pessoal do salão perguntou se o meu marido não ia reclamar. Tão normal isso, as pessoas acharem que a mulher é propriedade do homem, e que ele tem direito a decidir ou criticar a aparência dela. O que até faz sentido, né? Afinal, se mulher é enfeite, seu principal valor reside em sua beleza, e ai dela se modificar ou estragar essa característica.
Eu gostaria de ter respondido "no meu cabelo mando eu", mas confesso que só disse que o Maridinho achava tudo o que eu fazia bonito. O que é verdade, mas não ajuda em nada mulheres que têm namorados/maridos mala. (Se bem que talvez ajude, se elas perceberem que essa é uma atitude normal e saudável, e que eles ficarem dizendo que querem que elas façam escova definitiva não é prova de amor, não.)
De volta ao cabelo: escolhi o corte simpático, mas saí do salão parecendo a Odette Roitman, claro. Nem esquentei. Antes eu ficaria aflita, e lavaria o cabelo correndo para ficar menos com cara de mulher chata e rica, mas agora tenho coisas mais importantes a fazer. (Ok, irmãzinhas: chata eu já sei que sou mesmo, mas estou tentando disfarçar.)
Fiquei diferente de cabelo curto? Fiquei. De vez em quando passo por um espelho e tomo um sustinho. Acho que fiquei engraçada, ao invés de mais bela/sexy/atraente. E isso é legal. Ando tentando tomar decisões práticas e não estéticas, porque acho que o valor da praticidade é maior - sem falar que a estética é subjetiva e móvel, e aflitivamente ligada aos interesses da indústria do consumo.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O Caso do Terceiro Concurso de Blogueiras da Lola
Olha que legal: estou participando do Terceiro Concurso de Blogueiras do Escreva, Lola, Escreva. A idéia não é ganhar (Qual seria o prêmio em um concurso sobre o tema Maternidade? Um neném? He.), mas ter o blogue divulgado. Bom, né?
O Terceiro Concurso de Blogueiras já produziu um resultado: o Maridinho leu várias postagens concorrentes e anunciou que não quer ter menines. Foi uma mudança de política interna, porque antes ele achava que, como filhos mudam mais a vida da mulher do que do que a do homem (porque afinal ela é que engravida e amamenta), eu é que ia decidir sobre a nossa m/paternidade.
Mas eu nem pisquei, porque isso é um não-problema. Eu deixei para decidir depois, né? Preferencialmente antes dos 50. Muita água vai rolar até lá. Afinal, eu me livrei daquele detalhezinho bobo, o relógio biológico, com a decisão de adotar.
(Eu entendo perfeitamente que as pessoas queiram passar seus genes para a frente. Mas, sinceramente, não acho que meus genes estejam com essa bola toda, não. Eu e o Maridinho somos míopes; ele tem hipotireoidismo, eu tenho colesterol suspeito. É verdade que a altura e o senso de direção do Maridinho são caracteres a se preservar, mas provavelmente a minha falta e noção geográfica e meu pouco mais de metro e meio iam neutralizar essas vantagens evolutivas. E nos acho bem inteligentes, mas não há qualquer garantia que os herdeiros também sejam. Na verdade, estou certa de que eles vão odiar ler. E, independentemente da quantidade de neurônios, é claro que eles vão querer passar os carnavais na Bahia ouvindo axé, véi. Ou pagode, só pra contrariar, trocadilho incluso.)
sábado, 5 de dezembro de 2009
O Caso da Viagem no Brasil
Para minha grande alegria e imensa satisfação, sexta-feira foi o último dia de batente antes de três semanas de férias (até o Natal). Ueba! Eu gosto de trabalhar e gosto do salário que recebo, mas também acho que pausas eventuais são tudo de bom.
Pela primeira vez desde o final de 2005, meu último dia de trabalho não significou correr para casa, fechar as malas, ir para BH e embarcar no dia seguinte. Dessa vez a minha viagem não vai ser para outro país: vai ser no Brasil mesmo. Em minha mente! (Vocês já viram o filme chinês em que os guerreiros lutavam "em suas mentes"? Pois então!)
Estou equipadíssima (dessa vez não me preocupei com malas reduzidas): tenho "História do Brasil" do Boris Fausto, "Casa Grande & Senzala" do Gilberto Freyre, "Raízes do Brasil" do Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico!), "Formação Econômica do Brasil", do Celso Furtado e outros livros seminais que o correio está trazendo. Ah, e um atlas escolar, que comprei no supermercado por 12 reais.
Estou me divertindo pacas. É muito interessante retomar a história do Brasil com olhos de adulta, com mais senso crítico e mais conhecimento de mundo. Os fatos deixam de ser acontecimentos isolados e passam a peças de um complexo quebra-cabeça. (Embora, claro, meu cérebro de editora de "Contigo!" grave preferencialmente as fofoquinhas, como D. Pedro I ter sido pai de 18 filhos.)
Também descobri que, apesar de ser formada em duas graduações da área de Humanas, meus conhecimentos em História e Geografia são bem mequetrefes. Será que as provas abertas do vestibular da UFMG não eram tão difíceis assim ou eu é que esqueci tudo?
Pela primeira vez desde o final de 2005, meu último dia de trabalho não significou correr para casa, fechar as malas, ir para BH e embarcar no dia seguinte. Dessa vez a minha viagem não vai ser para outro país: vai ser no Brasil mesmo. Em minha mente! (Vocês já viram o filme chinês em que os guerreiros lutavam "em suas mentes"? Pois então!)
Estou equipadíssima (dessa vez não me preocupei com malas reduzidas): tenho "História do Brasil" do Boris Fausto, "Casa Grande & Senzala" do Gilberto Freyre, "Raízes do Brasil" do Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico!), "Formação Econômica do Brasil", do Celso Furtado e outros livros seminais que o correio está trazendo. Ah, e um atlas escolar, que comprei no supermercado por 12 reais.
Estou me divertindo pacas. É muito interessante retomar a história do Brasil com olhos de adulta, com mais senso crítico e mais conhecimento de mundo. Os fatos deixam de ser acontecimentos isolados e passam a peças de um complexo quebra-cabeça. (Embora, claro, meu cérebro de editora de "Contigo!" grave preferencialmente as fofoquinhas, como D. Pedro I ter sido pai de 18 filhos.)
Também descobri que, apesar de ser formada em duas graduações da área de Humanas, meus conhecimentos em História e Geografia são bem mequetrefes. Será que as provas abertas do vestibular da UFMG não eram tão difíceis assim ou eu é que esqueci tudo?
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O Caso do Ser ou Não Ser (Mãe)
Eu não penso muito em ter filhos, mas de vez em quando eu penso. E às vezes quero, às vezes não quero, e a decisão a que eu cheguei é que vou deixar a decisão pra depois, quando o Maridinho tiver passado em um concurso, e eu tiver escolhido uma carreira definitiva, e o Rio sediar as Olimpíadas e...
É verdade que eu tenho 33 anos, então não dá para deixar a decisão para um futuro muito longínquo. Mas essa questão eu já resolvi: se eu não consegui engravidar quando eu quiser, adoto. E não me digam que filho adotado não é a mesma coisa: filho é filho, uai. E o adotado tem a grande vantagem de já vir pronto. Principalmente se já tiver uns dois aninhos e começando a falar, hehe.
(Sem falar que sempre tem a chance da irmã I. - somos praticamente cópias genéticas – engravidar, não querer o bebê e me dar para criar. A chance é pequena, porque a irmã I. é diligente com métodos anticoncepcionais, e também não tenho certeza se ela ia querer bancar a Juno, mas quem sabe?)
De qualquer forma, os planos B e C não valem nada se eu não decidir colocar o plano A em ação. E aí é que mora a grande dúvida. Porque ser mãe, né? É uma responsabilidade. Pelo menos já tirei da cabeça que para ser uma boa mãe eu teria de prover os filhotes com escolas internacionais, intercâmbios variados e viagens ao exterior freqüentes (para eles praticarem línguas, pólo e iatismo, claro). E também não esquento com o fato de a minha própria genitora (aquela mulher sem vaidade) ter dito, num certo Natal, que ela não achava que eu ia ser uma boa mãe.
Ela já tinha tomado umas cervejas, e vocês sabem, in vino veritas (isto é, cachaça é soro da verdade). Mas tudo bem, porque eu acho que, pra ela, maternidade é sinônimo de cuidar da comida, da roupa e da saúde. E ela acha que, pra mim, é contar historinha, usar fantasia, dançar na mesa da sala e ensinar como funciona o sistema solar (Sim, foi esse o método que usei com a irmã I., que é oito anos mais nova que eu, com ótimos resultados. Vocês não acham que o mínimo que ela pode fazer em sinal de gratidão é me presentear com seu filho primogênito? E um suprimento vitalício de chocolate? Pois é, eu também acho). Mas é claro que eu sei que comida, roupa e saúde são importantes. E não tenho a menor intenção de deixar menines passarem fome (ainda mais estando de posse de um suprimento vitalício de chocolate).
Enfim, tá tudo organizado aqui na cabecinha. Só não apareceu ainda a janela apropriada. Porque eu tenho um monte, um monte de coisas a fazer antes de me reproduzir. Mas não se preocupem: tenho certeza de que no meu aniversário de 50 anos estarei praticamente decidida a respeito.
É verdade que eu tenho 33 anos, então não dá para deixar a decisão para um futuro muito longínquo. Mas essa questão eu já resolvi: se eu não consegui engravidar quando eu quiser, adoto. E não me digam que filho adotado não é a mesma coisa: filho é filho, uai. E o adotado tem a grande vantagem de já vir pronto. Principalmente se já tiver uns dois aninhos e começando a falar, hehe.
(Sem falar que sempre tem a chance da irmã I. - somos praticamente cópias genéticas – engravidar, não querer o bebê e me dar para criar. A chance é pequena, porque a irmã I. é diligente com métodos anticoncepcionais, e também não tenho certeza se ela ia querer bancar a Juno, mas quem sabe?)
De qualquer forma, os planos B e C não valem nada se eu não decidir colocar o plano A em ação. E aí é que mora a grande dúvida. Porque ser mãe, né? É uma responsabilidade. Pelo menos já tirei da cabeça que para ser uma boa mãe eu teria de prover os filhotes com escolas internacionais, intercâmbios variados e viagens ao exterior freqüentes (para eles praticarem línguas, pólo e iatismo, claro). E também não esquento com o fato de a minha própria genitora (aquela mulher sem vaidade) ter dito, num certo Natal, que ela não achava que eu ia ser uma boa mãe.
Ela já tinha tomado umas cervejas, e vocês sabem, in vino veritas (isto é, cachaça é soro da verdade). Mas tudo bem, porque eu acho que, pra ela, maternidade é sinônimo de cuidar da comida, da roupa e da saúde. E ela acha que, pra mim, é contar historinha, usar fantasia, dançar na mesa da sala e ensinar como funciona o sistema solar (Sim, foi esse o método que usei com a irmã I., que é oito anos mais nova que eu, com ótimos resultados. Vocês não acham que o mínimo que ela pode fazer em sinal de gratidão é me presentear com seu filho primogênito? E um suprimento vitalício de chocolate? Pois é, eu também acho). Mas é claro que eu sei que comida, roupa e saúde são importantes. E não tenho a menor intenção de deixar menines passarem fome (ainda mais estando de posse de um suprimento vitalício de chocolate).
Enfim, tá tudo organizado aqui na cabecinha. Só não apareceu ainda a janela apropriada. Porque eu tenho um monte, um monte de coisas a fazer antes de me reproduzir. Mas não se preocupem: tenho certeza de que no meu aniversário de 50 anos estarei praticamente decidida a respeito.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O Caso da Dose do Remédio
Para minha grande indignação (bem, na verdade fui eu que pedi), meu médico diminuiu a dose do meu remedinho mágico. É que eu estava muito feliz, muito desinibida, muito sem sono, muito sem fome e muito sem foco para trabalhar.
Ele disse que quem fica eufórica tende a dar livre rédea a seus desejos. Por exemplo: numa conversação, pergunta, responde e comenta. Em relação às compras, entra no vermelho sem pensar duas vezes.
Eu falei que estava gostando mais das pessoas, mas que ainda não estava inconveniente em festas. E que, em relação aos gastos, eu estava mais pão-dura, se é que isso é possível.
Ele achou que eu estava bem, e que talvez a minha nova visão de mundo fosse o meu eu normal quimicamente equilibrado, mas resolveu diminuir a dose por via das dúvidas.
Nos primeiros dias eu fiquei meio irritadiça (coisa que não acontecia há meses!) e fiz umas caretinhas, segundo o Maridinho. Mas depois relaxei. Agora estou feliz, desinibida, com a fome e o sono voltando ao habitual e trabalhando alegre e eficientemente.
E com a satisfação de ter diminuído os gastos com o remedinho, que custa uma fortuna. He.
Ele disse que quem fica eufórica tende a dar livre rédea a seus desejos. Por exemplo: numa conversação, pergunta, responde e comenta. Em relação às compras, entra no vermelho sem pensar duas vezes.
Eu falei que estava gostando mais das pessoas, mas que ainda não estava inconveniente em festas. E que, em relação aos gastos, eu estava mais pão-dura, se é que isso é possível.
Ele achou que eu estava bem, e que talvez a minha nova visão de mundo fosse o meu eu normal quimicamente equilibrado, mas resolveu diminuir a dose por via das dúvidas.
Nos primeiros dias eu fiquei meio irritadiça (coisa que não acontecia há meses!) e fiz umas caretinhas, segundo o Maridinho. Mas depois relaxei. Agora estou feliz, desinibida, com a fome e o sono voltando ao habitual e trabalhando alegre e eficientemente.
E com a satisfação de ter diminuído os gastos com o remedinho, que custa uma fortuna. He.
O Caso do Blogue Eventualmente Bilíngue
Tô sem tempo/paciência de fazer versões e traduções dos meus posts, então o blogue vai ser bilíngue quando dá. Senão eu acabo não escrevendo.
Imagino que chegando mais perto da gloriosa aventura australiana (fim de fevereiro!) o tempo/paciência devem aumentar, então hang on (güenta aí).
Imagino que chegando mais perto da gloriosa aventura australiana (fim de fevereiro!) o tempo/paciência devem aumentar, então hang on (güenta aí).
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
The Case of Baldness/O Caso da Calvície
I’m convinced I’m going bald.
It’s not an illusion: I shed hair like a Siberian Husky. It seemed to get better when I had my hair cut, but only because the strands weren’t that long.
I’ve been to dermatologists, hematologists and endocrinologists. They order exams, which come back normal, prescribe me chocolate-flavored ferritin pills, and tell me to control stress. It doesn’t work. You see, I wasn’t stressed out at all – unless about hair loss, that is.
However, since I’ve become a practical feminist, I don’t care anymore. If I go bald I go bald. I’m not going to spend time, money and hope undergoing laser treatments or hair transplants (ugh). I will elect Sinéad O’Connor and Carequinha the Clown as my idols and be done with it.
Besides, Hubby is probably not facing a hairy future either. We’ll be a happy bald couple.
* * *
Estou convencida de que estou ficando careca.
Não é impressão minha: ando soltando fios como um husky siberiano. Achei que tinha melhorado quanto cortei o cabelo, mas foi só porque os fios estavam mais curtos.
Já fui a dermatologistas, hematologistas e endocrinologistas. Eles pedem exames, que dão resultados normais, receitam pílulas de ferritina sabor chocolate, e me falam para controlar o estresse. Nada funciona. Olha só, eu nunca estive estressada – a não ser em relação à queda de cabelo, claro.
Entretanto, depois que eu virei uma feminista prática eu não ligo mais. Se eu ficar careca eu fiquei careca. Não vou gastar tempo, dinheiro e esperanças me submetendo a tratamentos a laser ou a transplantes capilares (eca). Vou adotar Sinéad O’Connor e o palhaço Carequinha como ídolos e pronto.
Além disso, provavelmente o Maridinho também não terá um futuro cabeludo. Seremos um casal careca e feliz.
It’s not an illusion: I shed hair like a Siberian Husky. It seemed to get better when I had my hair cut, but only because the strands weren’t that long.
I’ve been to dermatologists, hematologists and endocrinologists. They order exams, which come back normal, prescribe me chocolate-flavored ferritin pills, and tell me to control stress. It doesn’t work. You see, I wasn’t stressed out at all – unless about hair loss, that is.
However, since I’ve become a practical feminist, I don’t care anymore. If I go bald I go bald. I’m not going to spend time, money and hope undergoing laser treatments or hair transplants (ugh). I will elect Sinéad O’Connor and Carequinha the Clown as my idols and be done with it.
Besides, Hubby is probably not facing a hairy future either. We’ll be a happy bald couple.
* * *
Estou convencida de que estou ficando careca.
Não é impressão minha: ando soltando fios como um husky siberiano. Achei que tinha melhorado quanto cortei o cabelo, mas foi só porque os fios estavam mais curtos.
Já fui a dermatologistas, hematologistas e endocrinologistas. Eles pedem exames, que dão resultados normais, receitam pílulas de ferritina sabor chocolate, e me falam para controlar o estresse. Nada funciona. Olha só, eu nunca estive estressada – a não ser em relação à queda de cabelo, claro.
Entretanto, depois que eu virei uma feminista prática eu não ligo mais. Se eu ficar careca eu fiquei careca. Não vou gastar tempo, dinheiro e esperanças me submetendo a tratamentos a laser ou a transplantes capilares (eca). Vou adotar Sinéad O’Connor e o palhaço Carequinha como ídolos e pronto.
Além disso, provavelmente o Maridinho também não terá um futuro cabeludo. Seremos um casal careca e feliz.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
The Case of the Bilingual Blog/O Caso do Blogue Bilíngue
Since I'll be spending one month in Australia next year in a international exchange, in which I plan to dazzle the Aussies (pronounced "Ozies". Yes, like the Osbourne) with my wit, professional knowledge and impeccable English, this blog will be bilingual from now on. Don't tell me I'm horribly snobbish - believe me, I know.
Please be so kind as to point any errors or omissions.
Now let's get to business as usual.
* * *
Uma vez que eu vou passar um mês na Austrália no ano que vem em um intercâmbio internacional, no qual eu pretendo impressionar os Aussies (pronuncia-se "Ozies". Sim, como o Osbourne) com minha agudeza, conhecimento profissional e inglês impecável, este blogue será bilíngue de agora em diante. Não precisam me dizer que eu sou uma esnobe horrível - podem acreditar, eu sei.
Solicito a gentileza de apontarem quaisquer erros ou omissões.
E agora de volta à programação normal.
Please be so kind as to point any errors or omissions.
Now let's get to business as usual.
* * *
Uma vez que eu vou passar um mês na Austrália no ano que vem em um intercâmbio internacional, no qual eu pretendo impressionar os Aussies (pronuncia-se "Ozies". Sim, como o Osbourne) com minha agudeza, conhecimento profissional e inglês impecável, este blogue será bilíngue de agora em diante. Não precisam me dizer que eu sou uma esnobe horrível - podem acreditar, eu sei.
Solicito a gentileza de apontarem quaisquer erros ou omissões.
E agora de volta à programação normal.
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