Ando pensando em como a sexualidade feminina, em nossa sociedade, está ligada a uma certa aparência. Mulher sexy, segundo os filmes, a publicidade e as revistas, é aquela decotada, de cabelo com volume, de olhos e lábios destacados, de pele perfeita e cuidadíssima, e unhas longas e esmaltadas também não caem mal.
Tem algum problema com essa concepção? Bem, eu acho que tem. Porque fica parecendo que a sexualidade feminina se reduz a uma série de mecanismos para despertar o desejo masculino. Ela não existe sozinha, sabe? Ela está focada no outro. Ou seja: se uma mulher vai parar numa ilha deserta, vira imediatamente um ser assexuado, porque não tem ninguém para admirar seu babydoll.
Segundo que é uma sexualidade construída. A pele, com sua riqueza de terminações nervosas, não é sexy por si só: somente quando está hidratada, bronzeada e coberta de partículas iluminadoras. O corpo feminino também não: ele tem de estar depilado, sem marcas de idade ou maternidade. Quilinhos a mais, nem pensar. Aí entra a indústria dos cosméticos, dos tratamentos de beleza, da dieta. Ganhando os tubos para nos tornar sensuais, sendo que, bem, nós já somos. Porque a gente tem corpos!
O que eu acho mais cruel, entretanto, é que essa sexualidade tem prazo de validade. Com os anos, a aparência vai se alterando e deixa de corresponder ao padrão (a não ser que você corra atrás dela feito louca, mas aí é outra conversa). E aí, acabou? A partir do momento em que o visual não desperta mais a libido masculino? Game over? C’est fini?
Acho que não é beeeem assim, não.