Acho que estou mais sossegada porque, pela primeira vez na vida, sei para onde estou indo profissionalmente. O plano é me aposentar no cargo onde estou, com 75 anos, tendo passado a última temporada no exterior em Paris sendo a Yoda do consulado (aquela pessoa experiente e sensata para quem todo mundo corre quando os problemas aparecem).
Claro que tudo pode mudar no caminho. Claro que pode não ter vaga em Paris. Claro que eu posso querer chutar o balde e sair antes da expulsória, digo, compulsória. Mas é muito tranquilizador saber que a carreira está mais ou menos definida, que não preciso mais fazer ainda um outro concurso, que agora é trabalhar muito e bem que as coisas seguirão seu rumo.
Continuo querendo ser a funcionária do mês. Continuo tendo ideias para melhorar os processos do setor. Continuo sendo a pessoa que acha que um ligeiro ataque de labirintite, devidamente medicado com Dramin, não é razão para não ir trabalhar.
Mas não sinto mais aquela angústia do tipo "será que estou no lugar certo?". Agora eu boto fé que estou.
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quinta-feira, 12 de outubro de 2017
terça-feira, 19 de setembro de 2017
O preço dos sonhos
Sonhos têm um preço. Gostaria de dizer que não, que dá pra ter o bolo e comê-lo também, que o mundo é perfeito e maravilhoso, mas acho que a verdade é outra. Alcançar sonhos implica escolher e toda escolha gera uma perda.
Dito isso, se o sonho é dos bons, a gente paga o preço sem pensar muito e sem sentir (muita) dor. O que os outros vêem como sacrifício vira só uma maneira, muitas vezes desafiadora (e portanto divertida), de alcançar objetivos.
Sim, sei que sou privilegiada por poder escolher meus caminhos com tanta liberdade. E que dei muita sorte de ter um parceiro que tem ideais tão parecidos. Mas não foi do dia para a noite: foi todo um processo, que durou anos. Passei por mais de um período de terapia, por fases monótonas e aparentemente improdutivas, pela aprendizagem do desapego - não só de objetos, mas da ideia que eu achava que os outros tinham de ter de mim. Perdi (quase todo) o medo do ridículo. Descobri que só eu posso decidir o que acho importante.
Admito que a idade ajuda. Tenho 41 anos, uma série de experiências, uns bons anos de vida profissional, um tanto dinheiro guardado no banco. Dá para bancar escolhas que não é todo mundo que pode.
Essa introdução toda foi para contar duas historinhas. A primeira é a da filha de um professor, minha xará, que está no terceiro ano e quer fazer Artes Plásticas. Meu conselho para ela: vai atrás do sonho, mas vai pensando em pagar as contas também. É muita responsabilidade para uma carreira nos deixar plenamente satisfeitas e ainda nos garantir financeiramente. Parece contraditório com o que eu disse antes? Nem é. Acho que o maior presente que uma pessoa pode se dar é a autonomia.
A segunda historinha é a de um casal que conheci recentemente. A esposa quer pedir uma licença e se mudar para o exterior, talvez definitivamente. Ao mesmo tempo, eles estão se mudando e vendendo os móveis lindos e novinhos (alguns dos quais a gente comprou, aliás) porque vão fazer tudo planejado no novo apartamento. Então o discurso não está batendo com a prática, tanta financeira quanto psicologicamente.
E quem sou eu para dar palpite na vida alheia, dirão vocês? Ora, ninguém. Até porque nem me perguntaram. Mas, de fora, superficialmente, sabendo só um pouco do que está acontecendo, achei os episódios bastante iluminadores: as pessoas têm sonhos, mas nem sempre estão dispostas a pagar o preço.
domingo, 13 de agosto de 2017
Alegria, alegria
Ando muito contente. Gostando do trabalho novo, dos colegas novos, do ambiente novo. Trabalho mais horas e em mais quantidade do que antes, e tô curtindo. O tempo passa rápido e, quando vejo, já terminou o expediente.
Acho importante registrar os períodos em que me sinto feliz e satisfeita. É material de consulta para quando eu estiver entediada e resmunguenta.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Tarda, mas não falha
Depois de mais de um ano esperando (e resmungando), ultimamente minha vida tem sido uma sucessão feliz de eventos e comemorações: aniversário, despedida, festivais (japonês, coreano e de países do sudeste asiático), posse, happy hour, festas juninas, festa da turma, aniversário de casamento. E tudo é motivo de celebração, seja o último dia no trabalho antigo, a publicação da nomeação, o primeiro dia no trabalho novo, o crachá novo ou o curso de ambientação. Sem falar da alegria de conhecer pessoas legais com quem tenho muitos interesses em comum.
Sabe aquelas fases da vida em que tudo se encaixa e faz sentido? Então, estou assim.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
O suspense da despedida (atualizado)
Então é assim: eu não sou muito sociável no trabalho. Almoço sozinha numa boa. Não faço questão de puxar papo com os colegas. E não é sempre (ok, quase nunca) que vou às saídas coletivas.
E aí estou marcando um encontro em um barzinho para a turma do serviço se despedir de mim. Isso porque duas colegas sugeriram, e achei uma boa ideia na hora. Mas, agora, estou é achando que ninguém (ou quase ninguém) vai aparecer.
O que é... justo, né? Eu sou educadinha, mas estou longe de ser a Miss Simpatia. Fico na minha. Recuso convites. E, confesso, deixei de ir à despedida de uma das estagiárias na semana passada (mas nem a estagiária foi, então acho que é perdoável).
Logo, teremos suspense na despedida. Será que vai ter quórum? Será que não?
De qualquer forma, é uma boa lição para o meu umbiguismo.
Depois conto como foi.
* * *
Atualização em 1/6:
Foi ótimo! Apareceu mais gente do que eu esperava. Marquei às 18 e, até umas 19, ninguém tinha dado as caras. Eu já estava me consolando com uma margarita ótima quando o pessoal começou a chegar. E chegar. E chegar. Até a estagiária que faltou à própria despedida foi!
Saímos de lá meia-noite.
* * *
Atualização em 1/6:
Foi ótimo! Apareceu mais gente do que eu esperava. Marquei às 18 e, até umas 19, ninguém tinha dado as caras. Eu já estava me consolando com uma margarita ótima quando o pessoal começou a chegar. E chegar. E chegar. Até a estagiária que faltou à própria despedida foi!
Saímos de lá meia-noite.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Talk the talk, walk the walk
Daqui a pouco mudo de emprego. Vou poder morar no exterior depois de um tempo e terei colegas que pensam mais parecido comigo. Estou animadíssima.
Só tem um porém: o salário é menor. Bem menor. Metade.
Não é exatamente um problema. Depois que adotei o minimalismo e a vida simples, passei a precisar de muito menos para viver. E, consequentemente, a ter muito mais liberdade. Posso reduzir minha renda ao meio se for para ter um trabalho interessante e promissor (e sim, fora do Brasil o salário é maior).
Mas não vou mentir: preferia que a grana não diminuísse. Acho dinheiro importante, sim. Por outro lado, não faz sentido ser frugal se não for para aproveitar as oportunidades. Esse último ano que passei esperando a nomeação serviu só para aumentar as economias. Se eu pudesse trocar - devolver o dinheiro e começar o trabalho novo em junho de 2016 -, eu trocaria sem pensar duas vezes.
Então é isso: minimalismo não serve só para escrever blog. Serve para agarrar experiências também.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Não tava combinado, Rosana
Diz a lenda que, na cerimônia de casamento de dois amigos nossos, o padre disse:
"Agora, o noivo vai fazer uma declaração de amor para amor para a noiva..."
O noivo ficou roxo de vergonha.
"... ao pé do ouvido dela."
O noivo chegou pertinho da orelha da noiva e rosnou:
"Isso não tava combinado, Rosana!"
Desde então, eu e o Leo usamos essa expressão quando as coisas não correm do jeito que a gente planejou.
Pois bem, nos últimos tempos as coisas não têm corrido do jeito que a gente planejou. Explico: lá em 2011, quando decidimos sair viajando, a ideia era basicamente chacoalhar a vida e fazer tudo diferente. Voltamos ao Brasil, em 2015, no mesmo esquema. Viemos para Brasília viver de maneira mais simples e buscar outros jeitos de continuar viajando. Naquele ano mesmo saiu o edital para o concurso de Oficial de Chancelaria. Estudei, passei, e...
... estou esperando até hoje. Se eu for nomeada depois de 30 de junho, só poderei ser removida para o exterior no final de 2019. Ou seja, o que seria um rápido intervalo vira quase 5 anos.
Isso não tava combinado, Rosana!
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Apta
Fui entregar exames e documentos no Itamaraty na terça-feira. A pressão até aumentou um tantinho com a alegria e tensão do momento. Esperei um bocado, mas passei sorridente por entrevistas médica e psicológica longas e minuciosas. Fui considerada apta para a posse e saí de lá feliz e aliviada, porque sempre dá um medinho de descobrirem alguma coisa errada com a gente.
Até que tem (oi, colesterol altinho), mas nada que me impeça de trabalhar.
Até que tem (oi, colesterol altinho), mas nada que me impeça de trabalhar.
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Anticlímax
O
primeiro semestre foi cheio de emoções. Teve prova, recursos, subida de
posições, concurso de formação. O resultado final saiu no DOU em maio.
Consegui uma licença-capacitação no trabalho no começo de junho e saí de
lá achando que ela ia durar pouco, porque o MRE ia chamar para a posse
dali uns dias.
Aí,
silêncio. Sem sinal de vida do Itamaraty - nem mesmo a lista de exames
médicos. Geralmente os aprovados não são nomeados imediatamente, é
verdade, mas os professores do curso de formação juraram que eles
estavam precisando muitíssimo de gente. E já passaram quase três meses.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Vigilância constante
Já trabalhei em vários lugares diferentes. Em nenhum deles enfrentei o que acontece hoje, um fenômeno que batizei de "vigilância constante". Não passa um dia sem que uma das mulheres da sala faça um comentário, em alto e bom som, sobre a aparência de uma das outras:
"Você está com cara de cansada!"
"Emagreceu?"
"Essa saia é nova, hein!"
"Passou delineador hoje?"
"Cortou o cabelo!"
"Por que você não faz umas luzes?"
E, claro, sobre o que se come ou o que se deixa de comer:
"Você vai repetir?"
"Nossa, seu prato é tão pequeno!"
"Este cookie diet é ótimo!"
"Eu evito laticínios."
"Vou fazer um detox antes da festa."
"Hoje eu vou fechar a boca."
Talvez, para algumas pessoas, funcione como uma demonstração de cuidado e carinho. Para mim, estabelece um clima de policiamento. O que é sinto é que todas se vigiam para não saírem de um padrão determinado de beleza, juventude e magreza. Me dá uma preguiça imensa. Minha sorte me acostumei a usar o que quero (tipo roupa adequada e confortável) e dispensar o que não quero (tipo salto e esmalte) em um ambiente menos opressor. Então, mesmo quando a patrulha está especialmente atuante (tipo hoje), não me abalo.
Só me irrito.
* * *
A minha política é não fazer comentários sobre a aparência e o regime alimentar de ninguém. Já basta a mídia (e as colegas!) fazendo isso.
Acho que as pessoas devem usar o que quiserem. Esse não é o ponto. O ponto é existir um ideal estrito de beleza e comportamento, nem especialmente saudável nem especialmente vantajoso, que muitas pessoas - ok, muitas mulheres - internalizam e, não satisfeitas de seguirem, insistem que as outras sigam também. #milarga, pô.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Saiu o resultado do concurso!
E eu passei!
Estou muito feliz, e o Leo também.
Isso quer dizer que as horas de estudo, os momentos de ansiedade brava, a ameaça de início de gastrite e a viagem de aniversário cancelada valeram a pena.
Isso quer dizer que fiz 40 anos e minha vida mudou, do jeito que eu queria e imaginava (eu estava torcendo para o resultado sair antes de 30 de abril, mas um pouquinho depois também está valendo).
Estou sentindo alegria e alívio e gratidão.
Mais detalhes? Aqui.
Estou muito feliz, e o Leo também.
Isso quer dizer que as horas de estudo, os momentos de ansiedade brava, a ameaça de início de gastrite e a viagem de aniversário cancelada valeram a pena.
Isso quer dizer que fiz 40 anos e minha vida mudou, do jeito que eu queria e imaginava (eu estava torcendo para o resultado sair antes de 30 de abril, mas um pouquinho depois também está valendo).
Estou sentindo alegria e alívio e gratidão.
Mais detalhes? Aqui.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Contagem regressiva
Hoje foi meu penúltimo dia substituindo a chefe que está de férias. Mal posso esperar para o expediente acabar amanhã e eu sair da sala exclamando: "Free at last! Free at last!"
Sempre gostei dos trabalhos que tive: de uns mais, de outros menos, mas sempre levei numa boa. Dessa vez eu pude experimentar como é a situação de quem acaba fazendo o que não tem rigorosamente nada a ver com sua personalidade. Eu achava que, com esforço e boa-vontade, tudo era possível. Descobri que não é beeeeem assim, não.
Em fevereiro (início de 2016, vocês sabem), vou tentar abocanhar os projetos e atividades do setor que têm começo, meio e fim e que eu possa fazer sozinha, sem depender (muito) dos outros. Acho que não vai ser difícil, porque são justamente as coisas que ninguém quer. Aparentemente, a maior parte das pessoas gosta de compartilhar tarefas, de fazer atendimento, de um dia a dia dinâmico e surpreendente.
Eu não.
Sempre gostei dos trabalhos que tive: de uns mais, de outros menos, mas sempre levei numa boa. Dessa vez eu pude experimentar como é a situação de quem acaba fazendo o que não tem rigorosamente nada a ver com sua personalidade. Eu achava que, com esforço e boa-vontade, tudo era possível. Descobri que não é beeeeem assim, não.
Em fevereiro (início de 2016, vocês sabem), vou tentar abocanhar os projetos e atividades do setor que têm começo, meio e fim e que eu possa fazer sozinha, sem depender (muito) dos outros. Acho que não vai ser difícil, porque são justamente as coisas que ninguém quer. Aparentemente, a maior parte das pessoas gosta de compartilhar tarefas, de fazer atendimento, de um dia a dia dinâmico e surpreendente.
Eu não.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
TGIF
Hoje eu fiquei muito irritada com várias coisas bobas que normalmente não me afetariam. Como o ônibus demorar 20 minutos pra passar (é janeiro e o transporte público diminuiu); o motorista fechar a porta em cima de mim enquanto eu descia (guinchei e ele abriu de novo, mas aí eu já tinha tomado a pancada); a portaria principal do trabalho estar fechada e eu ter de dar uma volta enorme (sério, são uns dez minutos a mais de caminhada, escada, caminhada, rampa, elevador); o elevador próximo à entrada secundária não estar funcionando e eu ter de andar mais um tanto para pegar outro. Sabe quando parece que nada dá certo? E isso tudo antes das 8 da manhã.
Geralmente eu estou escutando música ou lendo (sim, desenvolvi toda uma tecnologia para ler e caminhar ao mesmo tempo. Mas não atravessando a rua, gente) e não me importo com esses pequenos inconvenientes do dia a dia. O que quer dizer que o trabalho, nos últimos tempos (desde a última semana de dezembro), com suas crises e dificuldades, de fato está me estressando.
Thank god it's Friday (ainda bem que é sexta-feira).
Geralmente eu estou escutando música ou lendo (sim, desenvolvi toda uma tecnologia para ler e caminhar ao mesmo tempo. Mas não atravessando a rua, gente) e não me importo com esses pequenos inconvenientes do dia a dia. O que quer dizer que o trabalho, nos últimos tempos (desde a última semana de dezembro), com suas crises e dificuldades, de fato está me estressando.
Thank god it's Friday (ainda bem que é sexta-feira).
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Workaholic, shopaholic
Finalmente consegui entender o que leva certas pessoas a se tornarem viciadas em trabalho. Acho que é uma mistura de poder para tomar decisões, pressão para apresentar resultados, dificuldade em delegar e aquela sensação que só você consegue fazer o que deve ser feito da maneira como deve ser feito.
Sim, estou substituindo a chefe no trabalho. A experiência está sendo basicamente aterrorizante.
* * *
Também consegui entender a vontade de gastar dinheiro para se sentir melhor. É uma maneira fácil e rápida de se recompensar pela ralação e pelo cansaço. Infeliz ou felizmente, estou há tanto tempo sem consumir por diversão que não consegui imaginar uma aquisição que me deixasse feliz.
Talvez eu não tenha conseguido pensar em nada porque faz bem tempo que não vejo tevê, não leio revistas e convivo pouco com gente consumista. Navego muito na internet, mas ignoro a publicidade e foco no conteúdo. E evito blogs que incentivam o consumo.
Então, basicamente, não tem ninguém me dizendo o que é que eu devo "querer".
Sim, estou substituindo a chefe no trabalho. A experiência está sendo basicamente aterrorizante.
* * *
Também consegui entender a vontade de gastar dinheiro para se sentir melhor. É uma maneira fácil e rápida de se recompensar pela ralação e pelo cansaço. Infeliz ou felizmente, estou há tanto tempo sem consumir por diversão que não consegui imaginar uma aquisição que me deixasse feliz.
Talvez eu não tenha conseguido pensar em nada porque faz bem tempo que não vejo tevê, não leio revistas e convivo pouco com gente consumista. Navego muito na internet, mas ignoro a publicidade e foco no conteúdo. E evito blogs que incentivam o consumo.
Então, basicamente, não tem ninguém me dizendo o que é que eu devo "querer".
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