quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Aula de russo (ou de humildade)

Como estava em missão, perdi as 30% das aulas do curso de russo básico. Estudei o alfabeto cirílico por conta própria e cheguei toda pimpona, crente que ia abafar.

Só que não. Aprendi (mais ou menos) o alfabeto cirílico em letra de forma, e a professora só usa cursiva. Passo metade da aula tentando decifrar que diabos está escrito no quadro-negro, e a outra metade anotando desesperadamente o som das palavras que ela fala. Chega uma hora que basicamente ergo os braços para o céu e desisto de ambas as coisas. Enquanto isso, a professora começa a ensinar conjugações (!!!).

Para completar, um dos colegas leva muito jeito e/ou já estudou russo antes, ou seja, responde todas as perguntas da professora enquanto eu arregalo os olhos. Reclamei com o Leo que o moço makes the rest of us look bad, e o Leo riu. E acrescentou: "bem-vinda a como a maioria de nós se sente." 

Confesso que costumo ser a queridinha do professor nas aulas de línguas. Gosto de idiomas e sou caxias, então faço os exercícios, pratico em casa, entrego as redações. Aí acabo me saindo melhor do que alunos que têm menos interesse. Mas, nesse curso, nem dever de casa tem! Vocês podem imaginar a minha frustração.

Outro colega também perdeu o começo do curso. Ele foi a uma aula e depois não apareceu mais. Pelo jeito percebeu que ia ser muito sofrimento.

E é. Sinto vontade de desistir também? Sinto. Mas cheguei à conclusão de que continuar frequentando as aulas vai ser bom para mim. Além de aprender um pouquinho de russo (mais do que aprenderia se não fosse!), espero introjetar o fato de que não ser uma das melhores alunas da sala não mata ninguém.

Só de raiva.

domingo, 4 de novembro de 2018

De volta!

Nem acredito que estou de volta à minha casinha!

Ficamos muito bem instalados em Munique (o chão do banheiro era aquecido; a luz do hall,  automática; a roupa de cama, deliciosa). Ou seja, não senti falta do nosso apartamento. Mas uma casa montada pela gente, com tudo que precisamos e gostamos, é outro nível de conforto, né?

O período na Alemanha foi ótimo. Tão bom que me reconciliei com o país: se aparecer Berlim, Frankfurt ou Munique no meu futuro, irei bem contente. Só não vai mais para o alto da lista porque a língua não é mais fáceis. Aliás, tomei um pito (em inglês) de uma senhora no ônibus por não falar alemão: segundo ela, já que eu ia ficar dois meses por lá, tinha que ter me virado e aprendido alguma coisa. Respondi que ela tinha razão. Meu ponto chegou e eu desci, sem ter tido a oportunidade de explicar que eu gostaria de ter estudado um pouquinho, sim, mas que o trabalho não deixou.

Entre bretzels, cerveja, sorvete e chocolate, a dieta low-carb foi para o espaço, sem o menor drama. Agora estou avaliando se vale a pena voltar para ela. Ganhei de volta os 2 quilinhos e pouco que eu tinha perdido, mas também lembrei como carboidratos são gostosos. E como não é questão de saúde, mas de vaidade mesmo, talvez ela fique guardada para quando as roupas de trabalho ameaçarem não caber mais de novo.

Estou animadíssima para voltar ao trabalho, encontrar os amigos, contar as novidades, distribuir chocolates. E terça-feira tenho aula de russo! O alemão não deu certo, o espanhol também não, mas acho que agora vai.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Um turbilhão de emoções

Minha primeira missão está sendo uma montanha-russa de sentimentos, dos melhores aos piores, tudo junto e misturado. Tem a alegria de estar trabalhando no exterior, a expectativa em conhecer a realidade do posto, a insatisfação com algumas tarefas mecânicas, o desafio de organizar as eleições. Junte-se a isso um ambiente meio tenso, colegas que não se bicam, uma chefia que está de saída e com problemas de saúde... dá pra imaginar a confusão, né?

Tenho trabalhado muito, com vontade. Foram poucos os dias em que não fiquei até mais tarde. Tenho aprendido bastante, tanto sobre as funções do ministério fora do Brasil quanto sobre a dinâmica interpessoal nos postos. Tenho lidado com ansiedade em excesso, tentando controlar coisas sobre as quais não tenho o menor controle. E tenho passeado muito - todos os fins-de-semana em que não trabalhei. A Baviera é uma região linda.

O resultado é que os dois meses na Alemanha voaram. Nem acredito que já chegou a última semana.

domingo, 23 de setembro de 2018

Minha primeira missão

Eu estava bem ansiosa para ser enviada para trabalhar no exterior. Afinal, o plano é seguir nessa carreira pelos próximos 20 ou 30 anos. Um dos objetivos, declaradíssimo, é morar fora do Brasil, mas também quero fazer um bom (de preferência ótimo) trabalho e, na medida do possível, enxergar propósito e significado no que faço.

Estou adorando Munique. É uma cidade linda, excelente para se viver, e estamos pegamos a época mais agradável do ano: temperaturas amenas e lindos dias de sol. Posso me imaginar vivendo bastante tempo aqui. Posso até me imaginar aprendendo alemão!

Quanto ao trabalho, é um pouquinho mais complicado. É claro que só fui mandada pra cá porque há menos gente do que o necessário atualmente e, portanto, serviço acumulado e muito problema para resolver. O que não me assusta, só me faz sair mais tarde todo dia, porque sempre tem mais uma coisinha que quero fazer.

Mas é um trabalho bem operacional, sabe? Não é desenvolvimento de estratégias ou rompimento de paradigmas. As grandes decisões são tomadas em Brasília, e a gente põe em prática (o que pode ser bem complicado e trabalhoso, é verdade). Isso não é necessariamente ruim: nada me impede de buscar atividades mais teóricas no meu tempo livre.

Eu não tinha ideia do que me esperava. Agora tenho, e estou achando bom.

sábado, 1 de setembro de 2018

Gastar com alegria

Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa bem pão-dura. Na minha cabeça faz sentido: porque gastar dinheiro (que não cai do céu) em coisas bobas, que vou usar só uma vez e que depois ficarão entulhando minha casa e dando trabalho?

Dito isso, como nos últimos tempos andei fazendo umas receitinhas, acabei comprando utensílios domésticos: assadeira, forma para cupcakes (que eu não uso para fazer cupcakes), balança de cozinha... Dei uma pesquisada básica (também não vou comprar na primeira loja em que entro, né?) e fiquei bem feliz com minhas aquisições. Elas têm sido muito úteis.

Também tenho gastado um dinheirinho a mais com ingredientes. Nada extravagante, mas diferente da rotina.

Confesso que já tinha até me esquecido de que comprar pode dar alegria. Pois dá, sim.

domingo, 19 de agosto de 2018

Desafio: low carb na Alemanha

No começo de setembro, parto para Alemanha. Vou ficar dois meses em Munique a trabalho (e a passeio: detalhes no Lud & Leo pelo mundo, claro).

Quando comecei a cortar os carboidratos, há três semanas, nem me toquei que a viagem estava tão próxima. Quando percebi, pensei com meus botões que ficaria no esquema até embarcar. Hoje já estou planejando os petiscos de baixos carboidratos que posso levar no avião e considerando seriamente em estender esse período... indefinidamente.

Sou novidadeira, mas não costumo ser radical. Achava estilos de vida low carb muito loucos - até ler a respeito:os blogs Diet Doctor e Ciência Low Carb (de um médico brasileiro), e Why we get fat,  (em português, Por que engordamos) e Good calories, bad calories, do Gary Taubes.

Não encerrei ainda minhas pesquisas, mas a tese me parece plausível e interessante. Há quem acuse a LCHF (low carb, high fat) de ser muito restritiva: no meu caso, ando comendo mais variado do que nunca. Eu, que não passava perto dos legumes, já encarei tomate, cebola, berinjela. Incluí peixes grelhados ou assados no cardápio. Quase não como mais processados. E, como eu disse no último post, ando até cozinhando em casa.

Eu adoro (adorava?) balas, chicletes e sorvetes. Estou sem eles há três semanas e não sinto falta. Minha paixão maior, o chocolate ao leite, foi substituído por chocolate meio-amargo (e pelos maravilhosos quadrados de amendoim e chocolate).

A perda de peso foi maior na primeira semana. Depois ela ficou vagarosinha, mas na verdade eu nem tenho muito o que perder. Estou curtindo a falta de fome e as comidinhas diferentes mesmo.

Então, estou tentada a continuar. Sei que quando mudamos de ambiente é um pouco mais difícil, mas como disse a irmã Isa, que morou dois anos em Frankfurt: "Alemanha é basicamente low carb: carne e repolho!" Já a cerveja tem um bocado de carboidratos, é, mas eu nem gosto tanto de cerveja. Vou experimentar, mas não pretendo beber litros. Prefiro vinho (que na low carb pode, olha que beleza!).

Posso mudar de ideia no meio (ou no começo) da viagem? Claro que posso. Mas acho que vai ser legal tentar. 

domingo, 12 de agosto de 2018

Minhas aventuras com os baixos carboidratos

De vez em quando leio alguma coisa sobre nutrição, mas não dou muita bola porque sou basicamente saudável e minha alimentação é razoável(zinha). Mas nos últimos tempos tenho tentado (por pura vaidade) perder uns quilinhos que se instalaram na minha pessoa e não tenho tido muito sucesso. Talvez porque eu tenha paladar de criança e goste muitíssimo de balas e chocolates. Talvez porque já esteja nos 40 e poucos e o corpo mude um pouco mesmo.

No fim de julho a irmã mais nova entrou no esquema baixos carboidratos/alta gordura e avisou: olha, o trem é bom. Me indicou um site com fotos de receitas low carb lindíssimas. Quando dei de cara com os quadrados de chocolate e amendoim, não pensei duas vezes: é pra comer isso? Tô dentro! E ainda pode beber (destilados)? Sold! 

(Ok, também li uns artigos a respeito. Fiquei satisfeita ao saber que um monte de verduras e oleaginosas, além de alguns legumes e frutas, também estão na jogada. A ideia é cortar os processados e comer comida de verdade. Não parece razoável? Também me lembrei que a Lu estava fazendo e gostando.)

Então estou há duas semanas nesse esquema. Perdi 2 quilos, passei uns períodos meio enjoada (o que se resolve com sal + muitos copos d'água) e não senti a menor fome. 

Mas o que estou achando mais legal é que eu, que não cozinho nada, comecei a fazer umas receitinhas. Já fiz omelete souflée, bolinhas de queijo, torta de atum, ovos com curry, pasta de amendoim e aqueles maravilhosos quadrados de chocolate e amendoim. 

sábado, 28 de julho de 2018

A bicicletinha

Aprendi a andar de bicicleta tarde, lá pelos 12, 13 anos - em uma Caloi Ceci que minha irmã mais velha ganhou quando completou 7. (Por que ela aprendeu aos 7 e eu, que tinha 6 na época, gastei quase o dobro disso pra começar? Mistério. Jamais saberemos). 

Ou seja, aprendi em uma bike pequena e não cresci muito a partir de então. E pedalei pouquíssimas vezes nessa vida (dá pra contar nos dedos de uma mão. Sério). Quando surge uma oportunidade, é sempre em uma bicicleta imensa e pesada, o que não ajuda em nada, e eu desisto logo (ou antes mesmo de começar). 

Minha tese é que eu preciso de uma bicicleta do meu tamanho para recomeçar. E minha tese se provou correta: semana passada, ao caminhar no Eixão, encontrei uma bicicleta pequena para alugar - e aluguei. Aí rolou! Pedalei loucamente de lá pra cá. Bufei, me cansei, fiquei vermelhíssima, mas me senti realizada. É verdade: andar de bicicleta a gente nunca esquece. Memória muscular é um negócio incrível. 

Contei pros amigos minhas aventuras, e um deles ofereceu uma bicicletinha dobrável emprestada. Aceitei na hora. Hoje, eu e o Leo fomos caminhando até a casa dele e voltamos pra nossa pedalando (aqui em Brasília tem aquelas bicicletas grátis da rua, e o Leo gosta bastante delas). 

Foi ótimo. No plano piloto tem ciclovia, e ela é muito bacana: razoavelmente plana, margeada por árvores (várias floridas!) e bem-sinalizada. Para completar, é sábado e ela estava vazia. 

A prova do crime
Adorei. Quero repetir, um monte de vezes.

Obs: não quer dizer que eu ande de bicicleta bem - muito antes pelo contrário. Mas o Leo garante que é só praticar.

domingo, 22 de julho de 2018

Das ambições

Fiquei um bom tempo feliz e satisfeita e sossegada, achando que tudo estava bom e que era só correr para o abraço. Desde desde o resultado do concurso, no começo de 2016, estou assim, de boa. 

Feliz ou infelizmente, essa fase acabou.  Mudei para um setor muito mais exigente no trabalho, logo depois o colega saiu de férias (longas) e pipocaram um monte de cursos que eu queria/precisava fazer. Resultado: me cansei, me estressei, mas também me lembrei do que eu sou capaz.  Agora estou cheia de planos e projetos para o meu (reduzido) tempo livre. 

Para completar, voltei para a terapia, onde aproveito para discutir minhas ambições. Percebi que, nos últimos anos, andei adotando o ponto de vista do Leo, para quem o suficiente é suficiente. 

Como ele é uma pessoa muito feliz, concluí que agir como ele me deixaria feliz também. Funcionou... por um tempo. Só que nós somos diferentes (embora tenhamos muitos valores parecidos) e eu às vezes quero ir atrás de conquistas simplesmente pelo fato de elas estarem ali. Não significa ser ingrata e desvalorizar o que eu tenho, mas querer mais só porque eu dou conta. E não quer dizer ficar arrasada se não der certo e eu não conseguir. O importante é me movimentar. 

Sim, quero ganhar mais. Sim, quero mais responsabilidades. Sim, quero aprender mais línguas. Sim, quero começar a correr. Preciso disso? Não, mas quero assim mesmo.  

* * *

E o minimalismo? Bem, o minimalismo nos ajudar a identificar o que é importante para cada um de nós. No momento, importante é usar minhas habilidades e ver onde vou chegar. Bora lá. 

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Em busca do tempo perdido

Hoje vou fazer um teste de nivelamento de francês. Como já aconteceu da outra vez que voltei a estudar essa língua, minha sensação era de que eu tinha deixado as aulas a pouquíssimo tempo - até pegar a gramática e ver que, para meu horror, ela foi comprada em 2013, quando fiz um curso pela última vez.

Ou seja, 5 longos anos. A capacidade de autoengano do ser humano (especialmente deste ser humano específico aqui) é espetacular. Leio livros em francês de vez em quando e estive uns dias na França este ano e pronto, isso é suficiente para que eu ache que sou uma estudante regular.

Não sou. E não há nada de mal nisso, mas vamos encarar a realidade, né?

Se quero ser uma estudante regular, é só separar uns minutinhos duas vezes por semana e ir revendo os livros didáticos e a gramática (se eu relembrar o que já aprendi e esqueci, já fico bem contente).

E torcer para ter gente suficiente para abrir uma turma depois do teste de nivelamento de hoje.

* * *

Mudança de planos: não vou mais fazer mais curso de francês, vou fazer curso de alemão. Motivo: vou trabalhar dois meses em Munique no segundo semestre (sim, tenho o melhor emprego do mundo #sorrynotsorry).

É o melhor emprego do mundo, e todo mundo pode ter: oficial de chancelaria, cargo público. Da próxima vez que tiver concurso eu aviso, xá comigo.

* * *

Atualização 2: não abriram curso de alemão e o de francês não vou poder fazer, por causa do horário. Aaaargh. Pelo menos os 2 meses em Munique continuam de pé.