quarta-feira, 13 de março de 2019

Antes tarde do que nunca, ou avaliação física depois de um mês de academia

Eu não quis fazer avaliação física na hora de entrar na academia, e claro que não foi uma boa ideia. Pedi para a instrutora fazer uma ficha para eu ganhar massa muscular (porque o último médico a que fui me fez um longo discurso sobre a perda dos músculos com a idade), e o resultado é que eu fiquei com muita fome, comi a valer e ganhei um quilo em um mês.

Desconfiei que esse quilo não era de massa magra e fui fazer a avaliação, né.

A notícia boa é que eu pareço ter no máximo 25% de gordura no meu corpinho. A notícia ruim é eu tenho de fato 29% de gordura no meu corpinho.

A notícia boa é que fiz 25 flexões em um minuto (apoiada nos joelhos, tá) e isso é um resultado excelente (e que atribuo a todos os exercícios que fiz para meus bracinhos esse último mês). A notícia ruim é que eu fiz 12 abdominais em um minuto e isso é um resultado regular ("regular" quer dizer ruim na vida real).

A notícia ruim é que acharam que eu tenho um ombro mais alto que o outro. A notícia boa é que já fui ao ortopedista por causa disso, da última vez em que fiz uma avaliação física, e não tenho nenhum problema de coluna.

A notícia ruim é que não preciso de uma ficha de exercícios para ganhar massa muscular (que é a minha atual), mas de uma ficha de exercícios para perder gordura. O avaliador físico disse que, se eu adquirir músculo sem me livrar da massa gorda, eles vão ficar escondidos e eu vou ganhar medidas em vez de perder. A notícia boa é que, para alcançar minha primeira meta, que é 26% de gordura corporal, preciso perder só dois quilos.

A notícia ruim é que 70% da perda de peso vem da alimentação.

E é isso. Não tem nada de bom para contrabalançar esse fato.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Minimalismo, um balanço

Sou minimalista desde 2011. No início, eu não tinha ambições à uma conversão permanente: resolvi adotar esse estilo de vida porque era o mais prático no momento, tanto para juntar dinheiro quanto para sair viajando. Quando voltei ao Brasil, achei uma boa continuar, não só porque eu tinha me adaptado muito bem a ele, mas também porque seria útil para refazer o patrimônio. E porque meu objetivo final era eventualmente morar de novo fora do país, então quanto menos objetos para me desfazer antes da mudança, melhor.

Papo vai, papo vem, são oito anos de minimalismo. Convenhamos que é uma quantidade de tempo respeitável. O que não quer dizer que eu esteja pronta a me comprometer para o resto da vida, porque a gente nunca sabe o que pode acontecer. Mas, por enquanto, continua funcionando bem. Com ele, eu e o marido conseguimos trabalhar menos e ter mais tempo para o que gostamos de fazer. Nos preocupamos menos em guardar e cuidar de bens. E também não ficamos competindo com os outros (tipo "Quem tem o carro mais legal?" A gente nem tem carro).

Ser minimalista me trouxe muitas coisas boas: mais oportunidades, mais criatividade, mais coragem, mais dinheiro guardado. Mas, para ser sincera, também incentivou umas características não tão bonitas: egoísmo, pão-durismo. Faço as coisas do meu jeito, sem me importar com as outras pessoas. Às vezes, economizar é mais importante do que sair com os amigos. A ideia de parar de dar presentes físicos para a família, substituindo por experiências (um jantar, um passeio) se perdeu no meio do caminho; agora ninguém ganha nada (só as crianças).

Ou seja, nem tudo é perfeito-lindo-maravilhoso. Mas que o saldo é muito positivo, isso é.

terça-feira, 5 de março de 2019

Staycation

Não somos fãs do carnaval, mas gostamos do feriado. Só que este ano teve tanta coisa acontecendo que meio que nos esquecemos dele.

Quando lembramos, em cima da hora, estava fazendo um calor terrível em Brasília. Aí tivemos a ideia de ficar pela cidade, mas mudar de ambiente: passarmos um dia em um hotel com piscina e ar-condicionado.

Não foi difícil encontrar um hotelzinho bacana a preço razoável. Quando fizemos a reserva, queríamos fugir do calor, só que acabou chovendo no feriado e as temperaturas caíram bastante. Mas uma das piscinas do hotel era aquecida, então deu tudo certo. Também aproveitamos a sauna e (pasmem!) a academia (que tinha ar-condicionado, uma glória). Para completar, transformamos o café-da-manhã em brunch, já que em plena terça-feira de carnaval estava tudo fechado por aqui, e voltamos para casa alimentados, exercitados e felizes.

E foi bom que ainda testamos um apart-hotel de Brasília. Provavelmente passaremos uns dias em algum deles depois de entregar o apartamento. Para uma noite só, foi ótimo, mas para muito tempo achei enganação a denominação "apart". De apartamento não tinha nada: a diferença para um quarto clássico de hotel era a presença de uma pia de cozinha, uma geladeira e um microondas, o que é um bônus interessante, mas não o suficiente para uma pessoa ou um casal morarem por meses. O que também não é nossa intenção, então tudo bem.

domingo, 3 de março de 2019

Diarinho

Apesar de toda a ingratidão do post passado, as coisas estão andando muito bem por aqui. Reduzi o expediente; estou indo à academia todo dia (menos domingo, porque não abre) e sofrendo bem pouco com isso; fui à dentista e à olftamologista e está tudo bem (exceto o fato de que tenho miopia, astigmatismo e vista cansada, só que em doses mínimas, então vou ignorar olimpicamente a prescrição de óculos que a médica me passou). Para completar, abriu o mecanismo de remoção do primeiro semestre, e acho que tenho boas chances de conseguir uma vaga interessante.

(Uia, talvez o blog seja meu caderninho da gratidão e eu não tinha percebido.)

Ando bem agitada, e isso é legal, embora às vezes destruidor (deixei as capas - azuis - dos travesseiros no alvejante para peças coloridas durante a noite toda, e em vez de limpíssimas elas ficaram manchadas). Arrumei a gaveta do banheiro. Reorganizei os livros de papel de casa (são do concurso para diplomacia: peguei emprestado do marido de uma prima, nunca li, devolvi. Depois peguei emprestado de novo e também não li, mas no momento eles estão servido para levantar o notebook ao nível dos meus olhos, já que voltei a usar o computador de pé). 

Acho que 2019 vai ser um ano cheio de emoções. Já temos as novidades de trabalhar 6 horas e de voltar à academia, depois de muitos anos jurando que não punha mais os pés lá. E ainda estamos no carnaval!

sábado, 2 de março de 2019

Emburradíssima

Sabe o caderninho da gratidão? Durou três dias, se tanto. A verdade é que eu acho essas coisas bem piegas e sentimentais, e eu sou basicamente uma pessoa sarcástica e impaciente. E ingrata, obviamente.

Li com toda boa-vontade os livros de psicologia positiva e felicidade baseada na ciência. Quer saber? Alguns aspectos fazem sentido, outros não. Uma questão complicada é a insistência de que a felicidade é principalmente interior, e o que o ser humano pode escolher ser feliz. E as injustiças e desigualdades? Vamos ignorá-las e ir ali meditar?

Outra grande discussão é se alcançar felicidade é mesmo a finalidade última da vida humana. Não há objetivos mais importantes? E se eu quero sofrer aqui no cantinho, pode?

No momento, minha gratidão vai para o fato de que posso arrancar à vontade páginas do caderninho que minha irmã mais nova me deu e ele não se desmancha. Vou transformá-lo no caderninho do "deixa eu viver minha vida".

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Vida nova, parte II

Hoje eram cinco da tarde e eu já tinha trabalhado, ido à academia, tomado banho e feito umas mudanças em casa: troquei roupa de cama e capas de almofadas e mudei a mesa de lugar para fazer refeições olhando a árvore que tem do lado de fora da janela.

Acho que a animação é resultado do expediente reduzido, dos exercícios físicos e do fato que tenho tentado evitar chegar em casa e grudar no computador (porque aí o tempo passa, o dia acaba e tenho a impressão não fiz nada de útil).

Em relação à decoração, meu apartamento é bem sóbrio. Já veio com as paredes pintadas de cinza (um mais claro, outro mais escuro); nossos móveis são pretos ou brancos. Até a bicicleta ergométrica, que de vez em quando aparece na sala, obedece a esse esquema tonal.

Eu gosto, e acho relaxante: é um ambiente bem limpo, beirando o minimalista. Só que de uns tempos para cá estou sentindo falta de cor.

Não que eu vá pendurar um Ronaldo Fraga na parede. Mas acho que umas almofadas mais coloridas, uma toalha menos escura, uma caneca um pouco diferente vão deixar a sala mais alegre e meus dias mais leves.

Minha louça é branca, minhas canecas (de chá, não de café, que ninguém toma aqui em casa) são pretas. Fica lindo em cima da minha toalha preta com desenhos geométricos em cinza. Mas, como eu disse, uma hora tanta sobriedade deixou de ser estimulante e passou a ser entendiante.

Aí andei pelo casa botando cor onde era fácil; coloquei a mesa paralela à janela para ver o verde; e até abri a mão - comprei uma caneca nova. Ela é azul-turquesa por fora e amarelo-limão por dentro. Como tomo chá o dia todo, a impressão que eu tenho é que estou bebendo cores.

Ah, e desenterrei o diário da gratidão.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Vida nova

Quinta-feira passada comecei meu expediente de 6 horas e, para não perder o embalo, já me matriculei na academia com o Leo.

Fazer 6 horas é maravilhoso. Chego às 8, saio às 14 e vou almoçar.

Fazer academia não é tão maravilhoso, mas é bem menos odiento do que imaginei. Ajuda ter companhia e conseguir ir em um horário semi-vazio (3 da tarde).

O plano é bater ponto lá todo dia para criar o hábito. Por enquanto, estamos conseguindo. Nos primeiros dias, ficamos doloridos por causa da falta de costume em usar os músculos (alguns a gente nem sabia que tinha), mas hoje é a quarta vez que demos as caras e estamos nos sentindo bem, obrigada.

É claro que estou indignada porque até agora não vi nenhuma diferença no meu corpinho.

* * *

Ainda não sei bem o que fazer com as horas que ganhei. Por enquanto, além da academia, o objetivo é ir ao dentista, olftamologista, dermatologista e mais outros istas que aparecerem.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Maldita academia

Se não me engano, 2009 foi o último ano em que frequentei uma academia de ginástica. Ficava no clube ao lado do prédio onde eu morava era bem razoável, mas mesmo assim eu ia com muita má vontade porque basicamente o d e i o academia.

Em 2010, depois de ler muitos textos feministas, concluí que eu tinha uma preocupação exagerada com minha aparência e podia usar esse tempo e esforço de maneiras mais legais. Larguei a academia com muitíssima alegria porque, cá pra nós, eu só ia por vaidade mesmo. E fazia aquelas avaliações físicas toscas nas quais me diziam que eu tinha um ombro mais alto que o outro (fui ao ortopedista: ele me garantiu que não, revirando os olhos quando eu  expliquei que o causador da consulta tinha sido o treinador da academia).

Dito isso, todos os livros sobre a felicidade, saúde e bom envelhecimento que eu leio garantem que atividade física é fundamental. E que, infelizmente, atividade física não se resume às lépidas caminhadas que eu costumo fazer. Depois que passa dos 40 anos, o corpo humano vai perdendo cada vez mais massa muscular e, para combater esse triste fato, temos de levantar peso.

Por isso, muito a contragosto e torcendo muito o nariz, fui conhecer uma academia que fica perto da minha casa. Até que é bonitinha. É bem iluminada, tem o pé direito alto e os equipamentos de tortura, ops, de ginástica parecem novos e bem-cuidados. Mas, ainda assim, não é um lugar que me causa a mesma alegria de uma biblioteca ou de um cinema. Longe de.

A única coisa que me anima é que quando dei a ideia (num momento de insanidade, sem dúvida), o Leo topou. E como tudo que faço com o Leo, ainda que seja esperar em filas gigantes ou administrar atrasos de voos de aeroportos, é legal, tenho a pálida esperança de que no fim das contas não vai ser tão ruim.

Só um pouco.

* * *

Se tudo sair como planejado, amanhã passo a trabalhar seis horas e começo na academia. Vamovê no que isso vai dar.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Jornada de 6 horas, parte II

No ano passado cogitei reduzir meu horário de trabalho de 8 para 6 horas, mas ficou só no mundo das ideias. Este ano, após algumas reviravoltas dramáticas no trabalho, estou com a permissão na mão. Só estou aguardando as coisas se normalizarem (colega novo para ser treinado, colega antigo ainda de licença) para começar.

A dificuldade agora vai ser essa: decidir o momento certo. Ainda não sei o que fazer no maravilhoso tempo livre a mais que terei, sem esquecer que o salário diminui proporcionalmente (então, preferencialmente, nada de hobbies caros. Que eu também não queria quando tinha o salário integral, mas enfim).

Ou seja, provavelmente ficarei arranjando desculpas para continuar com o expediente integral "até tudo voltar ao normal" e "por só mais uma semana" indefinidamente.

A ver.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Se acabó!

... el curso de español. Fui bem menos sofrido do que o curso de russo, mas não foi sem seus percalços: perdi aula por estar doente, por causa de trabalho, por uma viagem de emergência. Perdi inclusive uma das provas orais (o professor vai duplicar a nota da outra). A sorte é que uma colega de trabalho querida também estava fazendo o curso e me passava a matéria que tinha sido dada quando eu não estava presente (isso quando ela também não tinha de matar aula).

Até sonhei com uma reprovação (a nota para passar é 70% e no sonho eu tirava 6,1 na prova), mas acho que não estou correndo esse risco. Tirei mais que 9 nas duas avaliações escritas e fiz todos os trabalhos. O resto da nota é a prova oral (acho que deu) e frequência (não tirei 10 nesse quesito, mas com alguns malabarismos, tipo voltar de BH a tempo de não perder aula, fiquei no limite do aceitável).

Em retrospectiva, se eu soubesse que o curso ia coincidir com um projeto gigante no trabalho, com uma licença saúde de 15 dias do colega, com uma gastrointerite e com uma urgência familiar, eu teria teria pensado duas vezes antes de me inscrever. Confesso que estou passando por um período de alta ansiedade e tendo dificuldade de lidar com imprevistos. Por outro lado, agora que passou fico muito contente de ter tido a oportunidade (uma das minhas palavras favoritas!) de fazer um semestre inteiro em um mês.

Já estou namorando o próximo curso regular de espanhol. Vai ser uma beleza fazer duas aulas por semana.

* * *
Atualização: minha nota final foi 9,53 (em 10). Estou toda-toda.