quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Caso da Massagem

Estou na onda de passar por experiências novas. Apareceu a oportunidade de receber uma massagem em um evento e embarquei - ainda mais porque era de graça.

Não, eu nunca tinha recebido uma massagem profissional na vida. Sim, talvez por isso não tenha reclamado enquanto a massagista enfiava o cotovelo nas minhas costas, puxava minhas orelhas em todas as direções e basicamente me espancava. No fim eu já estava soltando uns uis e ais, mas foi inútil. A moça (provavelmente treinada na escola alemã) não teve a menor dó e continuou soltando o braço em mim.

Ao fim de 15 minutos de tortura, senti minha pressão baixando. Dito e feito: foi levantar da cadeira de massagem para o mundo escurecer ao meu redor e os ouvidos começarem a zumbir. Sentei no chão e abaixei a cabeça, com a massagista preocupada perguntando se eu estava bem.

Os amigos que receberam a massagem adoraram. Ninguém passou mal. Falaram que massagem tem de ser assim mesmo, vigorosa. Mas que, da próxima vez, posso pedir o profissional para pegar mais leve.

Próxima vez? Ha. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Kindle proibidão

E aí meus polegares têm doído quando faço força com eles. Como tenho histórico familiar de artrite reumatoide, uma doença auto-imune tenebrosa, lá me fui para o reumatologista ver de qualé.

Chegando lá, várias velhinhas muito velhinhas aguardavam serem atendidas. Vi que de fato eu não era a paciente-tipo do médico (que por sua vez também não era dos mais jovens, o que é bom para um médico).

A notícia boa é que ele acha que eu não tenho artrite reumatoide não, porque ela poupa justamente os polegares, e não tenho outros sintomas além da dorzinha. Me passou alguns exames só para eliminar de vez a hipótese.

A má notícia é que o Leo me convenceu que eu devo ficar uns dias sem meu leitor digital, porque faço movimentos infinitamente repetitivos ao segurá-lo e apertar as teclas para mudar de página, justamente com os polegares. Gente, Lud sem o Kindle é igual Buchecha sem Claudinho, amor sem beijinho etc. etc.

Estou negociando usar o Kindle em cima da mesa e passando as páginas com o indicador, mas isso significa que não posso ler no ponto de ônibus, que é justamente quando eu mais preciso dele, porque tem chovido aqui em Brasília e os horários das linhas ficaram muito loucos.

Mas paciência. Tudo em prol da saúde. E dos polegares.

sábado, 4 de novembro de 2017

Corpinho de biquíni

Sou feminista de carteirinha. E acho uma maravilha. Me sinto muito mais livre depois de ter desconstruído um monte de exigências sociais. Não me sinto obrigada a ser mãe, nem a cobrir os (poucos, admito) fios brancos, nem a usar salto alto, nem a pintar as unhas. 

Mas... ainda me sinto obrigada a ser magra. Mesmo abandonando as revistas femininas e os blogs de moda e beleza, ainda não consegui me livrar da impressão teimosa de que ser esbelta é essencial. 

Nas últimas semanas, fui convidada para uma festa com piscina e um passeio a cachoeiras. Desenterrei o biquíni e fiquei matutando que já estive mais em forma. E olha que meu IBM é normal e tudo.  

Fiquei triste comigo mesmo. É absurdo pensar que só corpos dentro de um padrão imposto e irreal têm direito se divertir em praias e piscinas. 

Pedi socorro para a irmã mais nova, que me deu vários conselhos sobre aceitação, sendo o melhor: "Toma duas caipirinhas e pronto". Mas, obviamente, é um truque pontual. 

No fim das contas, o melhor remédio foi botar o biquíni e ir à piscina e à cachoeira com os coleguinhas. E me dar conta que existe uma infinidade de tipos de corpos, cada um com suas características. E que as pessoas estão tomando sol e nadando e mergulhando e se divertindo, e ninguém está nem aí pra mim e para meu umbigo. 

Foi muito bom. 

domingo, 22 de outubro de 2017

Jornada de 6 horas

Pensando seriamente em aderir a esse programa aí de redução de jornada e passar de 8 horas de trabalho para 6. O salário diminui proporcionalmente, mas eu ganharia 3 horas a mais de vida (2 horas de expediente + 1 hora de almoço). 

O problema é que desconfio que eu não saberia muito bem o que fazer com essas 3 horas a  mais de vida. No novo emprego, começo a trabalhar às 9 e sair às 18, em vez de 8 às 17. Achei que acordaria no horário de sempre e desenvolveria altas atividades de 7 às 8, mas na verdade apenas durmo alegremente mais uma hora. 

Então o provável é que, se rolar, vou usar essas 3 horas para dormir mais e ler mais (se é que isso é humanamente possível). O ruim é que sou chatonilda e prevejo que vou achar que estou desperdiçando meu tempo e que devia estar fazendo algo útil e produtivo. 

Como trabalhar mais 2 horas todo dia. 

Abiguinhos

Então as pesquisas sobre felicidade variam aqui e ali, mas em um ponto todas concordam: o principal ingrediente da felicidade são os laços sociais. 

Como boa introvertida-difícil-de-agradar, torci o nariz para essa conclusão. Ou melhor, achei que os poucos e bons amigos que eu tinha eram mais que suficientes. 

Aí descobri a minha turma. Simples assim. Gente que pensa parecido o suficiente para termos algo em comum, diferente o suficiente para as discussões serem boas. Um povo que dá conta de acompanhar como funciona minha cabecinha e compreende, embora não necessariamente siga, minhas escolhas. Pessoas que não se importam se meio do evento vou ali ler um pouquinho e ainda dou uma dormidinha (ok, só fiz isso uma vez, mas não teve stress). 

Acho que muita gente encontra sua turma na faculdade. Tive essa oportunidade, mas perdi a chance. Estava muito preocupada comigo mesmo e minhas próprias ideias para conseguir compartilhar. 

Agora as coisas estão fluindo. É verdade que agora eu bebo, e bebida é uma graxa social. Mas acho que os abiguinhos novos têm mérito também.