sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Desculpem a sumida, estava ocupada ali sofrendo

.. mas acho que estamos de volta à programação normal.

Estamos gostando muito da região onde estamos morando, Makati. É bem bonita, moderna e segura. Primeiro ficamos um mês em um aparthotel ótimo: o Fraser, que fechou. Aí arrumamos um apê bacaninha, também perto do trabalho, mas precisamos sair dele na segunda-feira, porque o dono volta (o bobo). Vamos terminar com duas semanas em outro aparthotel, e finalmente nos mudar para o apartamento definitivo. Ufa!

Entre a primeira e a segunda estadia, deixamos metade da bagagem na casa de um colega prestativo (e que está de férias). Sim, porque a pessoa supostamente minimalista que vos fala arrastou quatro malas de Brasília até Manila, passando por Montreal. Sim, são dois meses esperando a mudança chegar, e tem roupa do Leo na jogada, mas acho que errei a mão. Na próxima remoção quero levar 50% disso, se tanto.

Makati é cheio de restaurantes gostosinhos, que estamos explorando alegremente. É o que tem pra fazer - isso e ir aos muitos shoppings, que são arrumados e têm ar-condicionado, então vale para esticar as pernas. Continuamos não sendo muito amigos das compras, embora nossa impressão é de que aqui a oferta de produtos é maior do que no Brasil - e os preços são iguais ou menores.

No trabalho as coisas vão se ajeitando. Vou fazendo e aprendendo, e não me importo de ficar depois do expediente para colocar o trabalho em dia. Acho que no começo é assim mesmo - depois vou ficar mais ágil e vai ser tudo mais fácil.

Enquanto isso, vou passando por experiências novas, como um terremoto (5,5 no epicentro, a 150 km daqui. O prédio tremeu, as cortinas balançaram, e ficou nisso), churrasco coreano, sopa de cebola, restaurante japonês, barra de chocolate de M&M, sorvete de caramelo, pizza com molho doce.

Tô curtindo.

sábado, 7 de setembro de 2019

And... exhale

As últimas semanas foram MUITO difíceis.

A mudança de país e de trabalho geraram muita ansiedade. Dias e dias com um nó no estômago e uma sensação de aflição generalizada. Foi ruim, viu.

Não demorei para parar no médico e pedir uma medicação para controlar tanta ansiedade. A questão é que o remedinho não faz efeito imediato. No meu caso, foi um mês para começar a me sentir melhor.

Não estou ainda 100%, mas já estou aliviada (e mais adaptada). É como se eu estivesse sufocada esse tempo todo e agora consigo, finalmente, respirar.

Nos primeiros dias, se tivessem me oferecido voltar para o Brasil, eu provavelmente aceitaria. Depois, o sentimento virou "vou ficar, custe o que custar. Uma hora vai melhorar". Aquela combinação perfeita: choro, ranger de dentes (literalmente: estava tão tensa que os dentes doíam) e teimosia.

E olha, melhorou.

* * *

Como sempre, toda vez que eu passo por um período difícil, aprendo a ser um pouco mais humilde (ou menos metida). Eu não entendia os colegas que não se adaptavam ao - ou não gostavam do - exterior. 

Agora eu entendo, perfeitamente.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Dias incríveis

Despedidas em Brasília. Despedidas em BH. Lagriminhas no adeus a meus pais. Três voos para chegar ao Canadá. Acolhida pelas amigas em Montreal. Visita a Quebec. Visita a Ottawa. Risadas, sol, calor, bares, restaurantes, parques, museus.

Três voos para chegar a Manila. 12 horas de diferença de fuso. Hotel bonito, piscina, academia. Apartamento grande, dois quartos, sala, cozinha. Região surpreendente, limpa, moderna, lojas e restaurantes. 150 metros entre casa e trabalho.

Jet lag. Jet lag. Jet lag. Sem sono, sem fome.

Colegas simpáticos, gentis, solícitos. Shoppings e mais shoppings. Supermercados completos. Túneis para atravessar avenidas, com escadas rolantes. Visitas com a corretora. Apartamentos gigantes.

Jet lag. Ansiedade. Poucas horas de sono por noite.

Repartição pública, para acertar o visto. Oito quilômetros de distância, uma hora para ir, outra para voltar.

Fim de semana, que bom.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Penúltimo dia antes de zarpar

Hoje é quinta-feira, quatro de julho. Amanhã, dia 5, despachamos a mudança (eles vêm de manhã), entregamos o apartamento (eles vêm de tarde) e embarcamos para Belo Horizonte.

Os últimos dias foram uma roda-vida. Cursos no trabalho, compras de remédios, colega de férias. Despedidas muitas. Empacotamentos vários. Já estávamos sem sofá, sem rack e sem buffet; a partir de ontem, ficamos também sem geladeira e fogão. A máquina de lavar vai embora daqui a pouco.

A ansiedade melhorou depois que conversei com a psicóloga do trabalho e fiz umas sessões de meditação. Também ajudou contar para colegas, que em resumo disseram que vai dar tudo certo.

Hoje vamos a um happy hour de despedida dos amigos do ministério. Amanhã eu trabalho, mas vou tentar voltar pra casa o mais cedo possível para ajudar o Leo nos preparativos finais.

Apesar de tudo, a ficha ainda não caiu.

Acho que só vai cair depois de um mês em Manila.

O apelido da minha turma de concurso? Babychans

sábado, 29 de junho de 2019

Quando quero não me deixam

Nunca quero comprar nada (o trabalho! O custo! O entulhamento!), mas de vez em quando me convenço que uma nova aquisição vai facilitar minha vida e vou em frente.

As calças jeans que possuo estão em duas situações: largas ou apertadas. Então saí de casa com uma missão simples: comprar uma calça jeans escura e reta.

(Antes fui ao brechó Peça Rara, que é aqui perto de casa, e para meu grande despontamento eles tinham fechado a unidade na Asa Norte. Então fui ao shopping mesmo.)

Entrei em QUATRO lojas diferentes e elas só tinham modelos skinny (que eu já tenho), cigarrete (que eu não curto) ou flare (sempre preciso fazer bainha e o flare fica pela metade).

Na quinta loja, encontrei o tipo que eu queria: escuro e reto. As costuras não eram das mais certas e o preço não era dos melhores (99 reais), mas tudo bem. Catei a 40 e a 38 e fui experimentar.

A 40 ficou larga. A 38 ficou larga. Botei uma na frente da outra e vi que elas tinham exatamente o mesmo tamanho.

Fui buscar uma 38 verdadeira. Não tinha. O que tinha era uma 36 exatamente do mesmo tamanho da 38 e da 40.

Depois de muito procurar, encontrei uma 36 verdadeira. Lógico que ficou apertada. E calça jeans apertada eu já tenho.

Saí do shopping com as mãos abanando e bem frustrada. O jeito vai ser emagrecer ou engordar.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Montanha-russa de emoções

Eu me considero uma pessoa calma, mas ando desconfiada que não sou, não. Andei relendo o blog e vi que estou sempre passando por um ou outro momento de aflição.

Como vocês podem imaginar,  não tenho estado muito tranquila. Estou muito contente com a remoção, mas a ansiedade tem chegado junto. Será que vou gostar do trabalho? Será que vou me sair bem? Será que vou me adaptar à comida? Será que vamos conseguir um apê legal?

Tudo indica que as respostas serão positivas, mas, para pessoas ansiosas, a realidade não importa muito. Importante mesmo são razões imaginárias para arrancar os cabelos.

* * *

Primeiro li um monte de livros sobre morte, depois sobre velhice. Passei para os de crise de meia-idade, e agora estou lendo memórias sobre menopausa.

Eventualmente chegarei a livros sobre a minha idade, ou minha idade chegará aos livros.

terça-feira, 11 de junho de 2019

A agitação da mudança

Desde que voltamos das férias, em fim de maio e com a remoção confirmada (o resultado saiu na véspera do meu aniversário!), eu e o Leo estamos em polvorosa. Há muitas providências a serem tomadas e a gente gosta de fazer tudo com antecedência, então já viu. Temos belas listas em Excel e um calendário gigante desenhado a giz na parede da sala.

E olha que montamos nossa vida em Brasília já na expectativa da mudança. Não compramos casa nem carro. Nossos móveis são quase todos de segunda mão, porque sabíamos que íamos vendê-los todos depois. Tentamos não acumular objetos. Não temos animais de estimação. E, mesmo assim, há uma quantidade enorme de coisas a fazer.

Começamos com as consultas médicas. Elas se estendem por semanas, porque implicam em exames e retornos. Concomitantemente, vamos providenciando os "nada consta" do condomínio e da prefeitura, trocando os endereços dos bancos, atualizando as procurações. Esta semana começamos a vender os móveis, colocando anúncios na intratec do trabalho, no Facebook e na OLX. Falta pelo menos um mês para a nossa partida, mas o Leo já está negociando o sofá, o rack e a tevê. O micro-ondas já foi.

Uma mudança é sempre uma oportunidade para fazer um destralhamento maroto, mesmo para quem não é minimalista. Mais de um colega experiente disse que não é para levar tralha no contêiner: só te dá desespero na hora de abrir aquele monte de caixa, e você ainda tem de se livrar dela no destino.

Dito isso, eu já fui mais hardcore. Hoje tento equilibrar o desfazimento imediato com as necessidades futuras. Não acho que faz sentido vender o liquidificador, a batedeira e o aspirador aqui para comprar outros lá (aparentemente, eles vão funcionar nas Filipinas - se não, seria outra história). E vamos carregar os casacos pesados e botas de neve conosco, mesmo indo morar em um país tropical, porque o próximo posto pode muito bem ser Moscou ou Helsinki!

Achamos todo esse processo divertidíssimo. Afinal, estamos realizando o sonho de morar no exterior. Tem uns momentos de estresse, é verdade, mas geralmente estamos nos congratulando mutuamente e dando risadinhas de alegria.

Talvez haja até dancinhas envolvidas.

domingo, 9 de junho de 2019

Eu sou da América do Sul

Em abril e maio, passamos 5 semanas passeando pela América do Sul: Buenos Aires, Montevidéu, Colônia do Sacramento, Punta del Este, Bariloche, Puerto Varas, Santiago, Lima e Machu Picchu.

Nos esbaldamos no doce de leite e nos alfajores na Argentina e no Uruguai; na comidinha temperada peruana; nos hambúrgueres e batatas fritas, universais; e no vinho em todo lugar (menos no Peru). Pegamos uns táxis. Ficamos em bons apartamentos e hotéis. Vimos paisagens lindas.

Dito isso, como confessar sem parecer uma esnobe horrível que achei as capitais muito parecidas com as brasileiras e, consequentemente, meio sem graça? Há belos lagos, montanhas e vulcões, as pessoas foram muito gentis e adorei Machu Picchu, mas sinto que passei um bocado de tempo caminhando em ruas do centro das cidades do Brasil. Talvez a culpa seja nossa mania de andar pra tudo quanto é lado, o que nos fez enfrentar trânsito, barulho e poluição. O calorão que sentimos, bem além da previsão meteorológica, também não ajudou. E não é que eu tenha ido despreparada: li guias de viagens, passeei em blogs e assisti a videos. Mas, na hora do vamovê, faltou o encanto do diferente.

No fim das contas, agora entendo porque tantos colegas de trabalho só querem servir aqui pelos países vizinhos. É tudo bem semelhante, inclusive a língua.  Para quem não é fã do exótico, é o ideal.

O mimimi não quer dizer que jamais aceitarei um posto na América do Sul. De repente, daqui a dez ou doze anos, eu ache que ficar tão perto do Brasil (em todos os sentidos) seja um vantajão.

* * *

Estou vendo as fotos da viagem e adorando tudo. É engraçado como fotos são um versão editada da realidade: não tem carro buzinando, calçadas lotadas, calorão.

sábado, 8 de junho de 2019

A ronda dos médicos

Sou muito enrolona para ir ao médico - talvez porque minha saúde seja ótima. Ao dentista eu vou, para limpeza e elogios (faz mil anos que não tenho cáries e cuido muito bem dos meus dentinhos). Em 2012 fizemos a ronda dos médicos antes de sair viajando; e desde então, nada. Ok, fui ao reumatologista (alarme falso, que bom) e ao olftalmologista (porque a visão reclamou. Mas continuo resistindo aos óculos. E precisei fazer uma fotocoagulação com laser de argônio para corrigir uma fragilidade na retina - um processo desagradável, mas rápido).

Com a remoção chegando, partimos para um check-up geral. E dá-lhe consultas e vacinas e exames. E exames. E exames. Não sei se agora os médicos gostam mais de pedi-los, ou se depois que o paciente passa dos 40 anos o protocolo muda - só sei que tenho resultados espalhados em três clínicas de Brasília.

Pelo que deu para ver até agora, minha saúde está ótima, exatamente como eu suspeitava. Nem uma gordurinha no fígado eu tenho, apesar de minha alimentação algo duvidosa.

Só uma vitamina D baixinha, baixinha.

* * *

Como estamos indo para o sudeste asiático, o médico do Ambulatório do Viajante do HRAN recomendou vacinação contra febre tifoide, meningite ACWY e meningite B. Para hepatite A e B, primeiro vamos fazer exames de sangue para verificar se estamos imunizados.

Ambos tomamos vacinas contra hepatite antes do sabático. Curiosamente, os exames parecem indicar que eu estou imunizada e o Leo não. Vai entender.

A vacina contra meningite B é importada, custa uma fortuna e deixa o bracinho doendo por uma semana. No meu caso, tive uma reação no local e ficou vermelho e coçando também (a partir do sétimo dia até hoje, dez dias depois). Para completar, vamos ter de tomar uma segunda dose daqui a três semanas. Mas vale a pena, já que é pra proteger de uma doença que pode ser fatal.

domingo, 26 de maio de 2019

O tênis roxo congelado

Meu último tênis foi comprado na Netshoes, numa bela promoção, no fim de 2017. Chegou rápido, serviu direitinho, fiquei satisfeita.

Usei o tênis até acabar. Até levei ao sapateiro para colar uma parte que estava desmanchando, o que lhe deu uma sobrevida de uns meses, mas infelizmente a hora da aposentadoria chegou.

Fui de novo ao site do Netshoes, achei uma bela promoção, comprei. Queria um azul-turquesa como o último, mas não tinha: só azul-marinho. A descrição dizia "roxo", mas era claramente um tênis azul-marinho.

O tênis chegou. Era roxo.

Mas um roxo bem bonito, então não me importei. Me importei com o fato de ele apertar meu segundo dedinho.

(Existem dois tipos de pés, o romano e o grego. O romano tem o segundo dedo menor do que o dedão; o grego, maior. Na minha família, dizem que o segundo dedo maior é de mulher que manda no marido. Coincidência ou não, as mulheres mais mandonas da família de fato tem esse dedinho.)

O diabo é que esse é o tipo da coisa que só se percebe quando você já saiu de casa com o tênis e sujou a sola. Assim sendo, lancei-me ao Google pra ver se tinha jeito de resolver.

E tinha. Recomendação: embalar bem embaladinho o sapato em um saco plástico e deixar passar a noite no freezer. Colocar três meias. Tirar o tênis do freezer, botar no pé e caminhar com ele até descongelar.

Assim o fiz. Achei divertidíssimo usar o tênis congelado. Mesmo com as meias, dá para sentir o geladinho.

E sabem que aparentemente funcionou? Saí para caminhar com ele hoje e nenhum dedinho foi apertado. Desconfio que as meias sejam as verdadeiras heroínas da história, mas mal o freezer não fez.

* * *

Atualização: não, não funcionou. Talvez na hora em que calcei o tênis, o frio contraiu meus dedinhos (ou congelou as terminações nervosas). Afe.