quarta-feira, 24 de maio de 2017

Talk the talk, walk the walk

Daqui a pouco mudo de emprego. Vou poder morar no exterior depois de um tempo e terei colegas que pensam mais parecido comigo. Estou animadíssima. 

Só tem um porém: o salário é menor. Bem menor. Metade. 

Não é exatamente um problema. Depois que adotei o minimalismo e a vida simples, passei a precisar de muito menos para viver. E, consequentemente, a ter muito mais liberdade. Posso reduzir minha renda ao meio se for para ter um trabalho interessante e promissor (e sim, fora do Brasil o salário é maior). 

Mas não vou mentir: preferia que a grana não diminuísse. Acho dinheiro importante, sim. Por outro lado, não faz sentido ser frugal se não for para aproveitar as oportunidades. Esse último ano que passei esperando a nomeação serviu só para aumentar as economias. Se eu pudesse trocar - devolver o dinheiro e começar o trabalho novo em junho de 2016 -, eu trocaria sem pensar duas vezes. 

Então é isso: minimalismo não serve só para escrever blog. Serve para agarrar experiências também. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Não tava combinado, Rosana

Diz a lenda que, na cerimônia de casamento de dois amigos nossos, o padre disse: 

"Agora, o noivo vai fazer uma declaração de amor para amor para a noiva..."

O noivo ficou roxo de vergonha. 

"... ao pé do ouvido dela."

O noivo chegou pertinho da orelha da noiva e rosnou: 

"Isso não tava combinado, Rosana!" 

Desde então, eu e o Leo usamos essa expressão quando as coisas não correm do jeito que a gente planejou. 

Pois bem, nos últimos tempos as coisas não têm corrido do jeito que a gente planejou. Explico: lá em 2011, quando decidimos sair viajando, a ideia era basicamente chacoalhar a vida e fazer tudo diferente. Voltamos ao Brasil, em 2015, no mesmo esquema. Viemos para Brasília viver de maneira mais simples e buscar outros jeitos de continuar viajando. Naquele ano mesmo saiu o edital para o concurso de Oficial de Chancelaria. Estudei, passei, e...

... estou esperando até hoje. Se eu for nomeada depois de 30 de junho, só poderei ser removida para o exterior no final de 2019. Ou seja, o que seria um rápido intervalo vira quase 5 anos. 

Isso não tava combinado, Rosana! 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Apta

Fui entregar exames e documentos no Itamaraty na terça-feira. A pressão até aumentou um tantinho com a alegria e tensão do momento. Esperei um bocado, mas passei sorridente por entrevistas médica e psicológica longas e minuciosas. Fui considerada apta para a posse e saí de lá feliz e aliviada, porque sempre dá um medinho de descobrirem alguma coisa errada com a gente.

Até que tem (oi, colesterol altinho), mas nada que me impeça de trabalhar. 

domingo, 30 de abril de 2017

Aniversário!

Hoje faço 41 anos. É um número primo bem lindo.

Sabe quando a gente é criança e pensa no futuro? Eu me imaginava com 27 anos e até com 30 e poucos, mas nunca cheguei à década dos 40. Meus pais tinham 40, puxa. Era uma idade decrépita.

Pois agora tenho 41 e (óbvio) não me sinto nem um pouco decrépita. Aliás, daqui a pouco começo uma nova carreira. Vou apresentar documentos e exames médicos (tudo certo com a saúde, por sinal) semana que vem. O próximo passo é a nomeação.

Estou feliz e ansiosa.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Como fazer amigos e influenciar pessoas

Sou meio fraca para fazer amizades. Deve ser porque passei minha infância com o nariz enfiado em livros, então não desenvolvi habilidades sociais. Acho que até me saio bem quando sou apresentada a alguém, principalmente se temos interesses em comum, mas tenho dificuldade para desenvolver. Trocar contatos? Combinar programas? Construir um relacionamento? Aí lascou.

Geralmente não ligo muito para isso, mas logo vou mudar de emprego e encontrar uma turma nova. Pelo que vejo nos encontros em barzinho e papos no Whatsapp, são todos muito legais. Resultado: estou ansiosa para que gostem de mim.

O problema é que, além de não saber direito como transformar conhecidos em amigos, eu sou meio chata. Não consigo evitar a revirada os olhos quando escuto uma bobagem (e considero bobagem uma série de coisas). As pessoas têm medo de jogar Imagem & Ação comigo porque faço caretas de indignação quando ninguém acerta a mímica. E também sou convencida: gosto de falar dos cursos que fiz, das línguas que falo, dos países que conheço (viram? Viram? É fogo).

O jeito é tentar pensar menos no meu umbigo e me interessar mais pelo umbigo dos outros, né? E confiar que trabalhar no mesmo local vai deixar todo mundo em contato constante. Quem sabe com o tempo consigo convencer os colegas de que eu sou chata, mas tenho bom coração.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ei, mãe, quero uma bike ergométrica

(Cantar no ritmo de Terra de Gigantes, do Engenheiros do Havaí. Na letra original eles queriam uma guitarra elétrica, mas salvou-se a rima, e é isso que importa.)

Faz uns dias que comprei uma bicicleta ergométrica. Eu sei, aparelhos de ginástica doméstica são onde os sonhos de boa forma vão para morrer, mas a minha experiência é boa. Há muitos anos, quando eu ainda morava com meus pais, minha mãe comprou uma bicicleta ergométrica, e no fim das contas eu era a única pessoa que usava. Quando saí de casa para casar, eu e o Leo também tínhamos uma. Quando viemos para Brasília, a deixamos para trás, e aqui a gente se exercitava caminhando pelas superquadras.

O problema é que a cidade a cidade é muito, muito quente. Tem dias que o cristão não tem ânimo de sair de casa. Aí a solução é pedalar na bicicletinha, com o circulador de ar de um lado, a garrafinha de água gelada do outro, e um livro ou um filme na frente.

É verdade que eu pedalo no peso um (não tem peso zero). É verdade que eu me canso rápido. Mas quando estou instalada na bicicleta, não estou comendo nem dormindo, e é isso que importa.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Meu rico dinheirinho

Ando toda trabalhada no desapego e no minimalismo, mas estou bem longe de ser uma pessoa zen. Hoje estou danada da vida porque comprei uma passagem de avião, precisei remarcar, e no fim das contas não vou poder viajar. Além de perder a grana da remarcação, a passagem original dava 60% de reembolso, e a remarcada não dá absolutamente nada. Ou seja, um monte de dinheirinhos ralo abaixo. 

Tudo bem que eu controlo as finanças justamente para isso. O baque no orçamento é pequeno; o valor não vai me fazer falta. Mas, mesmo assim, acho difícil não resmungar. Até porque faz um ano que eu não arredo pé de Brasília, e justamente quando decido passar UM dia útil fora daqui, é exatamente o dia útil em que tenho de estar presente. 

Sem falar que, quando a gente faz aquele esforço para economizar uns reais aqui e outros ali, e aí vem uma pancada dessas de uma vez, dá um desânimo, viu. 

Estou aqui tentando me consolar calculando quanto vou deixar de gastar por não viajar.

sábado, 15 de abril de 2017

Notícias do front

Animadíssima porque saiu a autorização do Ministério do Planejamento para nos nomearem. Agora só falta o Itamaraty chamar. Estou aguardando ansiosamente.

Detalhe que hoje completa um ano do último dia do curso de formação. Juntamos uma turma para comemorar o evento antes de ontem e por sorte saiu a notícia que o ministro tinha assinado a autorização. Yay!

* * *

Está faltando água em Brasília: a cada 6 dias, ficamos um dia sem. Mas as obras para reativar o reservatório do prédio já começaram, e talvez passemos só mais uma semana com água estocada na banheira.

E depois as pessoas dizem: "nossa, mas você pode acabar trabalhando em cidades precárias, não?". Já trabalho: tá faltando água em Brasília, gente!

* * *

Mandamos lavar o sofá e trocamos os estofados das cadeiras, que descascaram com o calor e a secura da cidade. Botei tecido dessa vez, para não correr o mesmo risco. O vendedor jura que vai durar pelo menos cinco anos.

Pelo menos dessa vez fiquei satisfeita com os serviços. Nem precisei ligar de novo para reclamar e exigir providências. 

* * *

Faltam 15 dias para acabar o inferno astral. Se eu for nomeada nesse prazo, perdoo os machucados/cortes/desmaios do período. 

sábado, 8 de abril de 2017

Inferno astral

Esta semana arrumei um gripão que durou um monte de dias. Aí prendi o dedo na porta. Ontem me cortei raspando as pernas e hoje, para completar, tive uma queda de pressão e desmaiei (e ainda ralei o joelho na calçada, claro).

E eu nem bebo, gente. 

Inferno astral, só pode ser. Espero sobreviver até o fim do mês. 

* * *

Passei mal em um evento cultural (e culinário) em uma escola de alemão, por causa do sol de meio-dia calando e o calor abafado debaixo das tendas. Olha a solidariedade humana: juntou uma turma pra me socorrer, inclusive uma enfermeira e um médico. Me levaram para uma sala fresquinha, me deixaram deitar, me deram camisetas dobradas para eu não ficar com a cabeça no chão, me deram água gelada e ficaram me espiando até eu melhorar.

Melhor atendimento.

* * *

Foi só queda de pressão mesmo, e eu melhorei rapidinho. Já estou pronta para enfrentar os próximos desafios do período.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Recordar é viver, ou a Holanda de presente para vocês

O sabático que eu e o marido tiramos para viajar o mundo terminou em 2015, mas ele ainda está muito presente em nossas vidas, tanto na maneira como decidimos viver quanto nas conversas e recordações. 

Não bastassem as lembranças, restaram também as fotos: o Leo tirou quase 70 mil nos mais de dois anos em que estivemos passeando. Ele brinca com elas, edita, seleciona, e nos últimos tempos resolveu transformar a experiência em vários livros (muito lindos, se me permitem dizer). 

Sempre nos perguntam de que lugar gostamos mais, e é muito difícil responder. Eu geralmente digo "França", mas a verdade é que todos os destinos que conhecemos garantiram seus lugarzinhos em nossos corações. Alguns, no entanto, acabaram sendo mais especiais, até porque passamos mais tempo por lá. Um deles é a Holanda, onde ficamos um mês, bem na época das tulipas, da Páscoa e do Dia do Rei, a comemoração especial. Flores! Chocolates! Festa na rua! A gente repetiria com muito gosto. 

Nos divertimos tanto fazendo o livro da Holanda (o Leo monta, eu edito), que resolvemos fazer dele um presente para os leitores. É um arquivo pdf com texto, dicas e fotos muito legais. Para ler, é só clicar na capa (abaixo), e quem quiser pode baixar também. 


Vê se não é de ficar com saudades. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Feliz 2017!

Ano passado, meu ano só terminou em 31 de janeiro, no dia da prova para o cargo Oficial de Chancelaria. Este ano resolvi repetir a dose, porque só esta semana caiu a ficha que nossa vida em 2016 esteve muito besta simplesmente pela razão que, em vez de agir, ficamos eternamente (ok, um monte de meses) esperando. Esperando o resultado do concurso. Esperando a nomeação no concurso. Esperando o trabalho do Leo melhorar. 

Enquanto isso, não renovamos passaporte, não fizemos planos de viagem, não entramos em cursos, não iniciamos novos projetos, não nada. A perspectiva era que a vida ia se resolver logo no mês seguinte e tudo ia mudar, então de que adiantava começar? Só que a vida não se resolveu, a danada. A vida estacionou e mandou beijo. 

Esta semana decidimos que assim não pode ficar. Já ficou assim tempo demais. Andamos vivendo no passado (Ah! As lembranças do sabático!) e no futuro (Ah! Os lugares onde vamos morar!), enquanto o presente nos entediava. Está na hora de fechar o ciclo que passou e iniciar um novo. 

Então meu 2017 começou nesta quarta-feira. Feliz Ano Novo para todes! 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma ameaça eficaz

O Leo disse que eu estava muito chatonilda e que ia parar de me mimar por um mês para ver se eu aprendia a dar valor às coisas (mas foi de um jeito bem fofinho, não se preocupem). 

De fato, andei reclamando da vida e me angustiando com o futuro. Mas a perspectiva de ter de preparar meu próprio café da manhã e fazer a maior parte das tarefas domésticas (hoje é o Leo que se encarrega de tudo isso, além do controle financeiro) me livrou da resmunguice rapidinho. 

Hoje sou uma pessoa feliz, que lê muitos livros, vê muitos seriados, dorme um bocado e aproveita fase tranquila no trabalho para não me estressar. Afinal, quando eu for nomeada, vou ter muito a aprender e provavelmente me lembrarei dessa época com saudades. 

* * * 

E os estudos? Bem, descobri que o que eu gosto mesmo é de juntar material, ver vídeos de motivação, achar livros da bibliografia nos pontos de ônibus, ler sobre técnicas de estudos, visitar o instagram de pessoas que estudam e perguntar a opinião dos outros. Ou seja, fico a maior tempo na fase preparatória. 

Mas estudo um pouquinho. Semana passada fiquei competindo com um colega de trabalho a respeito de quem sabia mais a respeito de presidentes brasileiros. 

Enfim, é o que eu digo: há hobbies piores.