quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Caso da Massagem

Estou na onda de passar por experiências novas. Apareceu a oportunidade de receber uma massagem em um evento e embarquei - ainda mais porque era de graça.

Não, eu nunca tinha recebido uma massagem profissional na vida. Sim, talvez por isso não tenha reclamado enquanto a massagista enfiava o cotovelo nas minhas costas, puxava minhas orelhas em todas as direções e basicamente me espancava. No fim eu já estava soltando uns uis e ais, mas foi inútil. A moça (provavelmente treinada na escola alemã) não teve a menor dó e continuou soltando o braço em mim.

Ao fim de 15 minutos de tortura, senti minha pressão baixando. Dito e feito: foi levantar da cadeira de massagem para o mundo escurecer ao meu redor e os ouvidos começarem a zumbir. Sentei no chão e abaixei a cabeça, com a massagista preocupada perguntando se eu estava bem.

Os amigos que receberam a massagem adoraram. Ninguém passou mal. Falaram que massagem tem de ser assim mesmo, vigorosa. Mas que, da próxima vez, posso pedir o profissional para pegar mais leve.

Próxima vez? Ha. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Kindle proibidão

E aí meus polegares têm doído quando faço força com eles. Como tenho histórico familiar de artrite reumatoide, uma doença auto-imune tenebrosa, lá me fui para o reumatologista ver de qualé.

Chegando lá, várias velhinhas muito velhinhas aguardavam serem atendidas. Vi que de fato eu não era a paciente-tipo do médico (que por sua vez também não era dos mais jovens, o que é bom para um médico).

A notícia boa é que ele acha que eu não tenho artrite reumatoide não, porque ela poupa justamente os polegares, e não tenho outros sintomas além da dorzinha. Me passou alguns exames só para eliminar de vez a hipótese.

A má notícia é que o Leo me convenceu que eu devo ficar uns dias sem meu leitor digital, porque faço movimentos infinitamente repetitivos ao segurá-lo e apertar as teclas para mudar de página, justamente com os polegares. Gente, Lud sem o Kindle é igual Buchecha sem Claudinho, amor sem beijinho etc. etc.

Estou negociando usar o Kindle em cima da mesa e passando as páginas com o indicador, mas isso significa que não posso ler no ponto de ônibus, que é justamente quando eu mais preciso dele, porque tem chovido aqui em Brasília e os horários das linhas ficaram muito loucos.

Mas paciência. Tudo em prol da saúde. E dos polegares.

sábado, 4 de novembro de 2017

Corpinho de biquíni

Sou feminista de carteirinha. E acho uma maravilha. Me sinto muito mais livre depois de ter desconstruído um monte de exigências sociais. Não me sinto obrigada a ser mãe, nem a cobrir os (poucos, admito) fios brancos, nem a usar salto alto, nem a pintar as unhas. 

Mas... ainda me sinto obrigada a ser magra. Mesmo abandonando as revistas femininas e os blogs de moda e beleza, ainda não consegui me livrar da impressão teimosa de que ser esbelta é essencial. 

Nas últimas semanas, fui convidada para uma festa com piscina e um passeio a cachoeiras. Desenterrei o biquíni e fiquei matutando que já estive mais em forma. E olha que meu IBM é normal e tudo.  

Fiquei triste comigo mesmo. É absurdo pensar que só corpos dentro de um padrão imposto e irreal têm direito se divertir em praias e piscinas. 

Pedi socorro para a irmã mais nova, que me deu vários conselhos sobre aceitação, sendo o melhor: "Toma duas caipirinhas e pronto". Mas, obviamente, é um truque pontual. 

No fim das contas, o melhor remédio foi botar o biquíni e ir à piscina e à cachoeira com os coleguinhas. E me dar conta que existe uma infinidade de tipos de corpos, cada um com suas características. E que as pessoas estão tomando sol e nadando e mergulhando e se divertindo, e ninguém está nem aí pra mim e para meu umbigo. 

Foi muito bom. 

domingo, 22 de outubro de 2017

Jornada de 6 horas

Pensando seriamente em aderir a esse programa aí de redução de jornada e passar de 8 horas de trabalho para 6. O salário diminui proporcionalmente, mas eu ganharia 3 horas a mais de vida (2 horas de expediente + 1 hora de almoço). 

O problema é que desconfio que eu não saberia muito bem o que fazer com essas 3 horas a  mais de vida. No novo emprego, começo a trabalhar às 9 e sair às 18, em vez de 8 às 17. Achei que acordaria no horário de sempre e desenvolveria altas atividades de 7 às 8, mas na verdade apenas durmo alegremente mais uma hora. 

Então o provável é que, se rolar, vou usar essas 3 horas para dormir mais e ler mais (se é que isso é humanamente possível). O ruim é que sou chatonilda e prevejo que vou achar que estou desperdiçando meu tempo e que devia estar fazendo algo útil e produtivo. 

Como trabalhar mais 2 horas todo dia. 

Abiguinhos

Então as pesquisas sobre felicidade variam aqui e ali, mas em um ponto todas concordam: o principal ingrediente da felicidade são os laços sociais. 

Como boa introvertida-difícil-de-agradar, torci o nariz para essa conclusão. Ou melhor, achei que os poucos e bons amigos que eu tinha eram mais que suficientes. 

Aí descobri a minha turma. Simples assim. Gente que pensa parecido o suficiente para termos algo em comum, diferente o suficiente para as discussões serem boas. Um povo que dá conta de acompanhar como funciona minha cabecinha e compreende, embora não necessariamente siga, minhas escolhas. Pessoas que não se importam se meio do evento vou ali ler um pouquinho e ainda dou uma dormidinha (ok, só fiz isso uma vez, mas não teve stress). 

Acho que muita gente encontra sua turma na faculdade. Tive essa oportunidade, mas perdi a chance. Estava muito preocupada comigo mesmo e minhas próprias ideias para conseguir compartilhar. 

Agora as coisas estão fluindo. É verdade que agora eu bebo, e bebida é uma graxa social. Mas acho que os abiguinhos novos têm mérito também. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Aparência e essência

No trabalho, uso calças e camisas sociais e sapatos baixos. Quando saio, é jeans ou vestido discreto. Não ando de acessórios nem tenho tatuagem. Aí, as pessoas se surpreendem quando digo que já vendi tudo para viajar, que sou a favor da legalização das drogas e do aborto, feminista e ateia.

Acho engraçado. Será que tem jeito de telegrafar minhas filosofias de vida? Se eu usasse colares compridos e saias indianas e bolsas artesanais, o povo ia desconfiar mais rápido que não sou conservadora?

Já ouvi gente dizendo: "Vão te julgar de qualquer jeito, então é melhor ter controle sobre como você se apresenta". Essa é a base, aliás, desses programas "antes &depois". Os apresentadores dizem que querem ajudar as pessoas a mostrarem ao mundo seus verdadeiros eus.

O que me deixa desconfiadíssima. Primeiro que o hábito não faz o monge: a pessoa pode usar camisa de banda porque está na moda, não porque curte a música. Segundo que, em geral, ninguém espera isso dos moços. Existem algumas tribos, mas geralmente o povo espera o menino abrir a boca antes de julgar.

Meu verdadeiro eu usa roupinhas básicas, mas tem umas ideias diferentes, oras.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O futuro

Acho que estou mais sossegada porque, pela primeira vez na vida, sei para onde estou indo profissionalmente. O plano é me aposentar no cargo onde estou, com 75 anos, tendo passado a última temporada no exterior em Paris sendo a Yoda do consulado (aquela pessoa experiente e sensata para quem todo mundo corre quando os problemas aparecem).

Claro que tudo pode mudar no caminho. Claro que pode não ter vaga em Paris. Claro que eu posso querer chutar o balde e sair antes da expulsória, digo, compulsória. Mas é muito tranquilizador saber que a carreira está mais ou menos definida, que não preciso mais fazer ainda um outro concurso, que agora é trabalhar muito e bem que as coisas seguirão seu rumo.

Continuo querendo ser a funcionária do mês. Continuo tendo ideias para melhorar os processos do setor. Continuo sendo a pessoa que acha que um ligeiro ataque de labirintite, devidamente medicado com Dramin, não é razão para não ir trabalhar.

Mas não sinto mais aquela angústia do tipo "será que estou no lugar certo?". Agora eu boto fé que estou.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Como NÃO fazer uma torta de Nutella e Negresco

1. Ache essa receita linda na internet;

2. Pergunte para os amigos cozinheiros o que é queijo creme e natas batidas;

3. Descubra que se trata de cream cheese e chantilly. Ah, a ironia de entender o que são os ingredientes nas suas línguas originais, mas não em português;

4. Investigue em mais de um supermercado se dá para comprar pronto cream cheese e chantilly;

5. Leve pra casa de uma vez a Nutella e biscoitos Negresco;

6. Hesite entre o chantilly e o creme de leite fresco (que também te falaram que funciona) e não compre nenhum;

7. Decida experimentar a Nutella com um Negresco para ver se funciona;

8. Faça diversas combinações: recheie um Negresco de Nutella, recubra um Negresco com Nutella, faça palha italiana com Negresco e Nutella;

9. Não consiga decidir que combinação fica melhor;

9. Coma todo o Negresco e toda a Nutella.

FIM

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Rejuvelhecendo

Diz a lenda que, com a idade, as pessoas vão ficando mais sistemáticas e exigentes. Já sabem do que gostam, têm opiniões bem estabelecidas e sabem como o mundo funciona.

Meu caso é meio diferente. À medida em que o tempo vai passando, vou mudando de ideia e ambicionando novas experiências. Quando eu era criança, só tomava sorvete de chocolate: hoje, me empolgo com uma comidinha diferente. Na juventude, achava que sabia tudo; agora, tento ficar aberta a outras opiniões. Já fui muito na minha - era difícil me levar para uma festa. Nos últimos tempos, ando é convidando os outros para eventos.

Acho que a idade me deixou menos ansiosa e medrosa. Eu era meio tensa e muito preocupada com a minha dignidade.

Hoje me importo mais com minha felicidade mesmo.

domingo, 24 de setembro de 2017

Gentilmente usados

Ontem o Leo comentou, e eu concordei, surpreendida, que todos os nossos móveis e eletrodomésticos grandes são de segunda mão. Única exceção: a cama. Confesso que fiquei orgulhosa. 

Temos uma casa lindinha, com móveis branquinhos que combinam, um sofá bacana, uma mesa preta bonitona, um rack com pés palito, uma cozinha preto-e-branco. Demos a maior sorte porque as paredes do apartamento já estavam pintadas em tons (só dois, não cinquenta!) de cinza. Deu certinho com as nossas coisas. 

Não foi tudo baratésimo, não. Mas acho que dá pra dizer que desembolsamos uma média de 60% do que pagaríamos se tívessemos comprado tudo novo. E não acho que, nesse caso, a casa estaria mais bem equipada ou decorada!

Com a mudança, vi que a opção por móveis versáteis realmente funciona. O carrinho de aço, que servia para colocar toalhas no banheiro, migrou para sala e virou apoio para copos e taças. O pufe- baú deixou de guardar panos de prato e jogos americanos, foi para perto da porta e agora é sapateira. O aparador que servia de rack e estava cheio de livros passou a ser... um aparador de verdade. E um movelzinho baixo que compramos para a cozinha perdeu a vez assim que arranjamos um armário alto, muito mais fácil para pegar pratos e copos. Foi para a área de serviço e virou a casa dos aleatórios, como guarda-chuvas e ferramentas. 

E continuamos minimalistas, só que agora temos mais espaço. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O preço dos sonhos

Sonhos têm um preço. Gostaria de dizer que não, que dá pra ter o bolo e comê-lo também, que o mundo é perfeito e maravilhoso, mas acho que a verdade é outra. Alcançar sonhos implica escolher e toda escolha gera uma perda. 

Dito isso, se o sonho é dos bons, a gente paga o preço sem pensar muito e sem sentir (muita) dor. O que os outros vêem como sacrifício vira só uma maneira, muitas vezes desafiadora (e portanto divertida), de alcançar objetivos. 

Sim, sei que sou privilegiada por poder escolher meus caminhos com tanta liberdade. E que dei muita sorte de ter um parceiro que tem ideais tão parecidos. Mas não foi do dia para a noite: foi todo um processo, que durou anos. Passei por mais de um período de terapia, por fases monótonas e aparentemente improdutivas, pela aprendizagem do desapego - não só de objetos, mas da ideia que eu achava que os outros tinham de ter de mim. Perdi (quase todo) o medo do ridículo. Descobri que só eu posso decidir o que acho importante. 

Admito que a idade ajuda. Tenho 41 anos, uma série de experiências, uns bons anos de vida profissional, um tanto dinheiro guardado no banco. Dá para bancar escolhas que não é todo mundo que pode. 

Essa introdução toda foi para contar duas historinhas. A primeira é a da filha de um professor, minha xará, que está no terceiro ano e quer fazer Artes Plásticas. Meu conselho para ela: vai atrás do sonho, mas vai pensando em pagar as contas também. É muita responsabilidade para uma carreira nos deixar plenamente satisfeitas e ainda nos garantir financeiramente. Parece contraditório com o que eu disse antes? Nem é. Acho que o maior presente que uma pessoa pode se dar é a autonomia.

A segunda historinha é a de um casal que conheci recentemente. A esposa quer pedir uma licença e se mudar para o exterior, talvez definitivamente. Ao mesmo tempo, eles estão se mudando e vendendo os móveis lindos e novinhos (alguns dos quais a gente comprou, aliás) porque vão fazer tudo planejado no novo apartamento. Então o discurso não está batendo com a prática, tanta financeira quanto psicologicamente. 

E quem sou eu para dar palpite na vida alheia, dirão vocês? Ora, ninguém. Até porque nem me perguntaram. Mas, de fora, superficialmente, sabendo só um pouco do que está acontecendo, achei os episódios bastante iluminadores: as pessoas têm sonhos, mas nem sempre estão dispostas a pagar o preço. 

domingo, 17 de setembro de 2017

O baile de máscaras

Ontem fui a um baile de máscaras.


Decidi no dia anterior. Fiz minha própria máscara, botei um vestido que a irmã mais nova trouxe para Brasília para um casamento, calcei minhas sapatilhas pretas de festa e lá me fui, felicíssima.

Eu sou a mais da esquerda.







Os amigos estavam lindos e animados. Minha máscara era diferente e, portanto, fez sucesso.



















Fiquei contente por ter decidido ir e me divertido a valer. Não sou a mais sociável das pessoas, mas olha, existe um lugar no meu coração para comida, bebida e risadas.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O caso da casa nova

A gente se mudou. A casa nova é maior, mais fresca, mais perto do trabalho. Só tem um ponto negativo: é mais barulhenta, porque fica ao lado de uma via movimentada. Por outro lado, os ônibus que eu pego passam nessa via, então agora moro grudadinha no ponto de ônibus. Quase dá pra espiar ele vindo da janela e descer correndo.

Ontem saí de casa cedo para trabalhar e já voltei para o apê novo. O Leo tirou o dia para tomar conta da mudança. Mais uma vez vimos como é bom ter pouca coisa: a mudança de uns amigos nossos, para mais ou menos a mesma distância, custou 50% a mais. E com certeza foi mais demorada.

E mais uma vez vimos que a gente tem mais coisa do que imagina. Começamos a abrir caixas e a nos surpreender com roupas e objetos que nem lembrávamos que possuíamos. Vai rolar mais um desfazimento? Com certeza.

Só que tem o seguinte: temos altos equipamentos para climas frios. Botas forradas com solas de borracha, roupa de baixo térmica, casacões grossos. Em Brasília faz um calor danado. Estamos usando? Claro que não.

Mas tenho fé que um dia morarei em algum lugar frio-gelado-abaixo-de-zero. Aí sim, vai ser tudo muito útil.

Basicamente, vivo tentando alcançar o equilíbrio entre não acumular inutilidades e não me livrar do que um dia é quase certo que vou precisar.

domingo, 3 de setembro de 2017

Tia Patinhas

Minha irmã mais nova tem a tese de que decidimos por ideologias/estilos de vida não só racionalmente, mas também e sobretudo porque eles batem com o que somos. 

Vejam o minimalismo. Para mim, que sou pão-dura e meio preguiçosa, ele é perfeito. Comprar menos, ou parar de comprar (que é o que prefiro), dá muito menos trabalho, não só para adquirir as coisas mas para conservá-las. E, evidentemente, não se gasta quase nada, o que muito me alegra. 

No entanto, ando me perguntando se não ando levando o apego a meu rico dinheirinho longe demais. O custo das coisas é sempre minha primeira preocupação, mas deveria ser, sei lá, a segunda ou a terceira. Porque não estou quitando dívidas, nem pagando escola para um punhado de crianças, né? 

Às vezes acho que o problema é que a inflação galopa na frente da minha coragem. Eu estava pensando, por exemplo, em comprar um segundo par dos meus sapatos preferidos, oxfords que uso para trabalhar e que são muito confortáveis. Só que, claro, eles não existem mais: agora a moda são oxfords de plataforma (!), com sola branca (!!) e cores metálicas (!!!). 

Após profunda introspecção, decidi que, se eu achasse um par do jeito que eu queria, eu encarava pagar até uns 200 golpinhos. Mas o que eu achei para comprar? Sapatos de 400 REAIS! 

Não dá, gente. Não dá. 

domingo, 27 de agosto de 2017

Novo endereço

Estamos animadíssimos: vamos mudar de apartamento. Aliás, estamos percebendo uma constante em nossas vidas, desde 2010: de dois em dois anos (um pouco mais ou menos), a gente muda (de endereço, de cidade ou de país). É, gostamos de uma novidade.

Para a casa nova, vamos precisar de eletrodomésticos novos, porque a antiga tinha vindo com eles. Como sempre, a gente não se aperta: compramos na OLX geladeira, máquina de lavar e televisão, gentilmente usadas, pela metade do preço, ou quase.

Tem gente que fica horrorizada com isso. Eu já acho uma medida esperta. Está tudo em ótimo estado. A tevê estava na caixa, com as folhas de plástico protetoras grudadas ainda. A geladeira é tão boa que o moço que contratamos para fazer o frete tentou recomprá-la do Leo. E a máquina de lavar não só foi entregue como instalada pelo antigo dono, que ainda deu altas dicas de utilização.

O Leo está se revelando um ótimo mestre de obras. Descobriu que o zelador fazia pequenos serviços e o contratou para pintar paredes, trocar registros, arrancar a bancada da cozinha. O mais legal é que o moço não pode sumir, como já aconteceu com outros profissionais: ele trabalha no prédio!

Vamos mudar sem pressa porque o contrato atual ainda vale por um mês. Enquanto isso, vamos arrumando o apê novo, visualizando onde ficarão os móveis, planejando onde colocar as cortinas que a gente já tem, se despedindo da antiga vizinhança.

Principalmente dos bares, restaurantes e food trucks. Isto é, da comida. Prioridades, gente. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Casa minimalista + visitas

Quando voltamos para o Brasil, me empolguei em ter o mínimo possível de coisas. 6 cadeiras para a mesa? 4 é mais que suficiente (e quase comprei só 2). Xícaras e pires para quê? A gente não bebe café. Temos 2 canecas para chá e pronto. Mesa de escritório para estudar? Que nada, usamos a de jantar.

Tudo funciona muitíssimo bem em um apartamento pequeno, para um casal organizadinho como nós. Só que não vivemos só pra gente: recebemos visitas que ficam uns dias, amigos que vem para eventos.

Aí o jeito foi ampliar um pouco os utensílios: comprar mais uns copos, mais uns pratos (brancos), mais umas canecas (pretas). Pouca coisa, que cabe no armário que já temos, e que facilitam a vida na hora das refeições coletivas.

O negócio fica mais complexo com os móveis. Mas a gente se vira, e é uma das coisas que eu curto no minimalismo: o desafio de fazer mais com menos!

Guardamos os laptops, encostamos a mesa na parede, puxamos o sofá para trás, ressuscitamos as cadeiras que o dono do apê guardou no quartinho da bagunça, um pufe vira assento, o carrinho de toalhas vira mesa de centro, e voilà: sim, tem lugar para receber a galera!

domingo, 13 de agosto de 2017

Alegria, alegria

Ando muito contente. Gostando do trabalho novo, dos colegas novos, do ambiente novo. Trabalho mais horas e em mais quantidade do que antes, e tô curtindo. O tempo passa rápido e, quando vejo, já terminou o expediente. 

Agora tenho uma vida social intensa. A turma sai junto, almoça junto, tá todo mundo no Whats. Isso aumentou muito minha alegria. O que não surpreende: se tem uma coisa que todas as pesquisas sobre felicidade concordam é que o fator mais importante são os laços que criamos com outras pessoas.

Acho importante registrar os períodos em que me sinto feliz e satisfeita. É material de consulta para quando eu estiver entediada e resmunguenta.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Tarda, mas não falha

Depois de mais de um ano esperando (e resmungando), ultimamente minha vida tem sido uma sucessão feliz de eventos e comemorações: aniversário, despedida, festivais (japonês, coreano e de países do sudeste asiático), posse, happy hour, festas juninas, festa da turma, aniversário de casamento. E tudo é motivo de celebração, seja o último dia no trabalho antigo, a publicação da nomeação, o primeiro dia no trabalho novo, o crachá novo ou o curso de ambientação. Sem falar da alegria de conhecer pessoas legais com quem tenho muitos interesses em comum. 

Sabe aquelas fases da vida em que tudo se encaixa e faz sentido? Então, estou assim.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O suspense da despedida (atualizado)

Então é assim: eu não sou muito sociável no trabalho. Almoço sozinha numa boa. Não faço questão de puxar papo com os colegas. E não é sempre (ok, quase nunca) que vou às saídas coletivas. 

E aí estou marcando um encontro em um barzinho para a turma do serviço se despedir de mim. Isso porque duas colegas sugeriram, e achei uma boa ideia na hora. Mas, agora, estou é achando que ninguém (ou quase ninguém) vai aparecer. 

O que é... justo, né? Eu sou educadinha, mas estou longe de ser a Miss Simpatia. Fico na minha. Recuso convites. E, confesso, deixei de ir à despedida de uma das estagiárias na semana passada (mas nem a estagiária foi, então acho que é perdoável). 

Logo, teremos suspense na despedida. Será que vai ter quórum? Será que não? 

De qualquer forma, é uma boa lição para o meu umbiguismo. 

Depois conto como foi.

* * *

Atualização em 1/6:

Foi ótimo! Apareceu mais gente do que eu esperava. Marquei às 18 e, até umas 19, ninguém tinha dado as caras. Eu já estava me consolando com uma margarita ótima quando o pessoal começou a chegar. E chegar. E chegar. Até a estagiária que faltou à própria despedida foi!

Saímos de lá meia-noite.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Talk the talk, walk the walk

Daqui a pouco mudo de emprego. Vou poder morar no exterior depois de um tempo e terei colegas que pensam mais parecido comigo. Estou animadíssima. 

Só tem um porém: o salário é menor. Bem menor. Metade. 

Não é exatamente um problema. Depois que adotei o minimalismo e a vida simples, passei a precisar de muito menos para viver. E, consequentemente, a ter muito mais liberdade. Posso reduzir minha renda ao meio se for para ter um trabalho interessante e promissor (e sim, fora do Brasil o salário é maior). 

Mas não vou mentir: preferia que a grana não diminuísse. Acho dinheiro importante, sim. Por outro lado, não faz sentido ser frugal se não for para aproveitar as oportunidades. Esse último ano que passei esperando a nomeação serviu só para aumentar as economias. Se eu pudesse trocar - devolver o dinheiro e começar o trabalho novo em junho de 2016 -, eu trocaria sem pensar duas vezes. 

Então é isso: minimalismo não serve só para escrever blog. Serve para agarrar experiências também. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Não tava combinado, Rosana

Diz a lenda que, na cerimônia de casamento de dois amigos nossos, o padre disse: 

"Agora, o noivo vai fazer uma declaração de amor para amor para a noiva..."

O noivo ficou roxo de vergonha. 

"... ao pé do ouvido dela."

O noivo chegou pertinho da orelha da noiva e rosnou: 

"Isso não tava combinado, Rosana!" 

Desde então, eu e o Leo usamos essa expressão quando as coisas não correm do jeito que a gente planejou. 

Pois bem, nos últimos tempos as coisas não têm corrido do jeito que a gente planejou. Explico: lá em 2011, quando decidimos sair viajando, a ideia era basicamente chacoalhar a vida e fazer tudo diferente. Voltamos ao Brasil, em 2015, no mesmo esquema. Viemos para Brasília viver de maneira mais simples e buscar outros jeitos de continuar viajando. Naquele ano mesmo saiu o edital para o concurso de Oficial de Chancelaria. Estudei, passei, e...

... estou esperando até hoje. Se eu for nomeada depois de 30 de junho, só poderei ser removida para o exterior no final de 2019. Ou seja, o que seria um rápido intervalo vira quase 5 anos. 

Isso não tava combinado, Rosana! 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Apta

Fui entregar exames e documentos no Itamaraty na terça-feira. A pressão até aumentou um tantinho com a alegria e tensão do momento. Esperei um bocado, mas passei sorridente por entrevistas médica e psicológica longas e minuciosas. Fui considerada apta para a posse e saí de lá feliz e aliviada, porque sempre dá um medinho de descobrirem alguma coisa errada com a gente.

Até que tem (oi, colesterol altinho), mas nada que me impeça de trabalhar. 

domingo, 30 de abril de 2017

Aniversário!

Hoje faço 41 anos. É um número primo bem lindo.

Sabe quando a gente é criança e pensa no futuro? Eu me imaginava com 27 anos e até com 30 e poucos, mas nunca cheguei à década dos 40. Meus pais tinham 40, puxa. Era uma idade decrépita.

Pois agora tenho 41 e (óbvio) não me sinto nem um pouco decrépita. Aliás, daqui a pouco começo uma nova carreira. Vou apresentar documentos e exames médicos (tudo certo com a saúde, por sinal) semana que vem. O próximo passo é a nomeação.

Estou feliz e ansiosa.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Como fazer amigos e influenciar pessoas

Sou meio fraca para fazer amizades. Deve ser porque passei minha infância com o nariz enfiado em livros, então não desenvolvi habilidades sociais. Acho que até me saio bem quando sou apresentada a alguém, principalmente se temos interesses em comum, mas tenho dificuldade para desenvolver. Trocar contatos? Combinar programas? Construir um relacionamento? Aí lascou.

Geralmente não ligo muito para isso, mas logo vou mudar de emprego e encontrar uma turma nova. Pelo que vejo nos encontros em barzinho e papos no Whatsapp, são todos muito legais. Resultado: estou ansiosa para que gostem de mim.

O problema é que, além de não saber direito como transformar conhecidos em amigos, eu sou meio chata. Não consigo evitar a revirada os olhos quando escuto uma bobagem (e considero bobagem uma série de coisas). As pessoas têm medo de jogar Imagem & Ação comigo porque faço caretas de indignação quando ninguém acerta a mímica. E também sou convencida: gosto de falar dos cursos que fiz, das línguas que falo, dos países que conheço (viram? Viram? É fogo).

O jeito é tentar pensar menos no meu umbigo e me interessar mais pelo umbigo dos outros, né? E confiar que trabalhar no mesmo local vai deixar todo mundo em contato constante. Quem sabe com o tempo consigo convencer os colegas de que eu sou chata, mas tenho bom coração.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ei, mãe, quero uma bike ergométrica

(Cantar no ritmo de Terra de Gigantes, do Engenheiros do Havaí. Na letra original eles queriam uma guitarra elétrica, mas salvou-se a rima, e é isso que importa.)

Faz uns dias que comprei uma bicicleta ergométrica. Eu sei, aparelhos de ginástica doméstica são onde os sonhos de boa forma vão para morrer, mas a minha experiência é boa. Há muitos anos, quando eu ainda morava com meus pais, minha mãe comprou uma bicicleta ergométrica, e no fim das contas eu era a única pessoa que usava. Quando saí de casa para casar, eu e o Leo também tínhamos uma. Quando viemos para Brasília, a deixamos para trás, e aqui a gente se exercitava caminhando pelas superquadras.

O problema é que a cidade a cidade é muito, muito quente. Tem dias que o cristão não tem ânimo de sair de casa. Aí a solução é pedalar na bicicletinha, com o circulador de ar de um lado, a garrafinha de água gelada do outro, e um livro ou um filme na frente.

É verdade que eu pedalo no peso um (não tem peso zero). É verdade que eu me canso rápido. Mas quando estou instalada na bicicleta, não estou comendo nem dormindo, e é isso que importa.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Meu rico dinheirinho

Ando toda trabalhada no desapego e no minimalismo, mas estou bem longe de ser uma pessoa zen. Hoje estou danada da vida porque comprei uma passagem de avião, precisei remarcar, e no fim das contas não vou poder viajar. Além de perder a grana da remarcação, a passagem original dava 60% de reembolso, e a remarcada não dá absolutamente nada. Ou seja, um monte de dinheirinhos ralo abaixo. 

Tudo bem que eu controlo as finanças justamente para isso. O baque no orçamento é pequeno; o valor não vai me fazer falta. Mas, mesmo assim, acho difícil não resmungar. Até porque faz um ano que eu não arredo pé de Brasília, e justamente quando decido passar UM dia útil fora daqui, é exatamente o dia útil em que tenho de estar presente. 

Sem falar que, quando a gente faz aquele esforço para economizar uns reais aqui e outros ali, e aí vem uma pancada dessas de uma vez, dá um desânimo, viu. 

Estou aqui tentando me consolar calculando quanto vou deixar de gastar por não viajar.

sábado, 15 de abril de 2017

Notícias do front

Animadíssima porque saiu a autorização do Ministério do Planejamento para nos nomearem. Agora só falta o Itamaraty chamar. Estou aguardando ansiosamente.

Detalhe que hoje completa um ano do último dia do curso de formação. Juntamos uma turma para comemorar o evento antes de ontem e por sorte saiu a notícia que o ministro tinha assinado a autorização. Yay!

* * *

Está faltando água em Brasília: a cada 6 dias, ficamos um dia sem. Mas as obras para reativar o reservatório do prédio já começaram, e talvez passemos só mais uma semana com água estocada na banheira.

E depois as pessoas dizem: "nossa, mas você pode acabar trabalhando em cidades precárias, não?". Já trabalho: tá faltando água em Brasília, gente!

* * *

Mandamos lavar o sofá e trocamos os estofados das cadeiras, que descascaram com o calor e a secura da cidade. Botei tecido dessa vez, para não correr o mesmo risco. O vendedor jura que vai durar pelo menos cinco anos.

Pelo menos dessa vez fiquei satisfeita com os serviços. Nem precisei ligar de novo para reclamar e exigir providências. 

* * *

Faltam 15 dias para acabar o inferno astral. Se eu for nomeada nesse prazo, perdoo os machucados/cortes/desmaios do período. 

sábado, 8 de abril de 2017

Inferno astral

Esta semana arrumei um gripão que durou um monte de dias. Aí prendi o dedo na porta. Ontem me cortei raspando as pernas e hoje, para completar, tive uma queda de pressão e desmaiei (e ainda ralei o joelho na calçada, claro).

E eu nem bebo, gente. 

Inferno astral, só pode ser. Espero sobreviver até o fim do mês. 

* * *

Passei mal em um evento cultural (e culinário) em uma escola de alemão, por causa do sol de meio-dia calando e o calor abafado debaixo das tendas. Olha a solidariedade humana: juntou uma turma pra me socorrer, inclusive uma enfermeira e um médico. Me levaram para uma sala fresquinha, me deixaram deitar, me deram camisetas dobradas para eu não ficar com a cabeça no chão, me deram água gelada e ficaram me espiando até eu melhorar.

Melhor atendimento.

* * *

Foi só queda de pressão mesmo, e eu melhorei rapidinho. Já estou pronta para enfrentar os próximos desafios do período.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Recordar é viver, ou a Holanda de presente para vocês

O sabático que eu e o marido tiramos para viajar o mundo terminou em 2015, mas ele ainda está muito presente em nossas vidas, tanto na maneira como decidimos viver quanto nas conversas e recordações. 

Não bastassem as lembranças, restaram também as fotos: o Leo tirou quase 70 mil nos mais de dois anos em que estivemos passeando. Ele brinca com elas, edita, seleciona, e nos últimos tempos resolveu transformar a experiência em vários livros (muito lindos, se me permitem dizer). 

Sempre nos perguntam de que lugar gostamos mais, e é muito difícil responder. Eu geralmente digo "França", mas a verdade é que todos os destinos que conhecemos garantiram seus lugarzinhos em nossos corações. Alguns, no entanto, acabaram sendo mais especiais, até porque passamos mais tempo por lá. Um deles é a Holanda, onde ficamos um mês, bem na época das tulipas, da Páscoa e do Dia do Rei, a comemoração especial. Flores! Chocolates! Festa na rua! A gente repetiria com muito gosto. 

Nos divertimos tanto fazendo o livro da Holanda (o Leo monta, eu edito), que resolvemos fazer dele um presente para os leitores. É um arquivo pdf com texto, dicas e fotos muito legais. Para ler, é só clicar na capa (abaixo), e quem quiser pode baixar também. 


Vê se não é de ficar com saudades. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Feliz 2017!

Ano passado, meu ano só terminou em 31 de janeiro, no dia da prova para o cargo Oficial de Chancelaria. Este ano resolvi repetir a dose, porque só esta semana caiu a ficha que nossa vida em 2016 esteve muito besta simplesmente pela razão que, em vez de agir, ficamos eternamente (ok, um monte de meses) esperando. Esperando o resultado do concurso. Esperando a nomeação no concurso. Esperando o trabalho do Leo melhorar. 

Enquanto isso, não renovamos passaporte, não fizemos planos de viagem, não entramos em cursos, não iniciamos novos projetos, não nada. A perspectiva era que a vida ia se resolver logo no mês seguinte e tudo ia mudar, então de que adiantava começar? Só que a vida não se resolveu, a danada. A vida estacionou e mandou beijo. 

Esta semana decidimos que assim não pode ficar. Já ficou assim tempo demais. Andamos vivendo no passado (Ah! As lembranças do sabático!) e no futuro (Ah! Os lugares onde vamos morar!), enquanto o presente nos entediava. Está na hora de fechar o ciclo que passou e iniciar um novo. 

Então meu 2017 começou nesta quarta-feira. Feliz Ano Novo para todes! 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma ameaça eficaz

O Leo disse que eu estava muito chatonilda e que ia parar de me mimar por um mês para ver se eu aprendia a dar valor às coisas (mas foi de um jeito bem fofinho, não se preocupem). 

De fato, andei reclamando da vida e me angustiando com o futuro. Mas a perspectiva de ter de preparar meu próprio café da manhã e fazer a maior parte das tarefas domésticas (hoje é o Leo que se encarrega de tudo isso, além do controle financeiro) me livrou da resmunguice rapidinho. 

Hoje sou uma pessoa feliz, que lê muitos livros, vê muitos seriados, dorme um bocado e aproveita fase tranquila no trabalho para não me estressar. Afinal, quando eu for nomeada, vou ter muito a aprender e provavelmente me lembrarei dessa época com saudades. 

* * * 

E os estudos? Bem, descobri que o que eu gosto mesmo é de juntar material, ver vídeos de motivação, achar livros da bibliografia nos pontos de ônibus, ler sobre técnicas de estudos, visitar o instagram de pessoas que estudam e perguntar a opinião dos outros. Ou seja, fico a maior tempo na fase preparatória. 

Mas estudo um pouquinho. Semana passada fiquei competindo com um colega de trabalho a respeito de quem sabia mais a respeito de presidentes brasileiros. 

Enfim, é o que eu digo: há hobbies piores.