domingo, 27 de dezembro de 2015

Dar e receber. Ou não.

Segundo pesquisas científicas, o ser humano tem a tendência a retribuir quando ganha alguma coisa. É por isso que às vezes cartas pedindo doações vêm com presentinhos, como etiquetas personalizadas autocolantes. A tese é que, tendo recebido um item, o destinatário vai automaticamente querer dar algo de volta.

(É claro que essa tendência tem limites. Eu, por exemplo, recebia correspondências da TFP - "Tradição, Família e Propriedade" - mineira solicitando dinheiro para combater o comunismo e a homossexualidade da nossa juventude. Os rosários e as gravuras de santos gratuitos não me convenceram a contribuir para o movimento.)

Essa introdução toda é para dizer que, mesmo eu e o Leo tendo combinado com a família que não trocaríamos presentes (fora do amigo oculto), nós ganhamos presentes. E, apesar de ninguém poder reclamar que não ganhou de volta - era o combinado! -, fica aquela vontadezinha de retribuir.

E é claro que vamos retribuir. Só que não vai ser com presente-obrigatório-comprado-no-shopping-para-o-dia-25-de-dezembro. A gente prefere presente-que-é-a-cara-da-pessoa-em-data-aleatória. Ou estar-presente-nos-momentos-importantes. Porque a ideia do presente é mostrar que o presenteador gosta de você e te acha importante, não? Pois é, tem muitas maneiras de fazer isso.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Balanço de Natal

O Natal foi joia. Fomos para BH, encontramos um monte de gente, trocamos muitos abraços e tentamos não exagerar na comes e bebes. Exercício eu já sabia que não ia rolar de fazer - o único lugar pra caminhar perto da casa dos meus pais é uma avenida barulhenta e poluída, e achei mais negócio priorizar os amigos -, mas estudar eu sinceramente achava que ia dar.

Não deu.

"Não deu" é ótimo. Faz parecer que fatos externos à minha vontade me impediram. Como se os duendes tivessem me proibido ou Papai Noel, me tomado os cadernos e o computador. Só que não foi bem assim, né? No fim das contas, consegui estudar um pouco em 2 dos 7 dias de viagem, e li uma aula inteira de contabilidade pública no aeroporto. O que é melhor do que nada, mas muito pior do que eu poderia de fato ter feito.

Para completar, chegamos ontem a Brasília tarde da noite, e hoje estão rolando umas festividades muito barulhentas aqui perto de casa. De desanimar qualquer cristão.

Mas cristão desanimado não passa em concurso; cristão desanimado o leão come. Então deixa eu abafar a gritaria com o som mavioso de uma videoaula.



sábado, 19 de dezembro de 2015

As vantagens de viver sem carro

As vantagens de viver COM carro todo mundo sabe: a publicidade te conta o tempo todo. Mas viver sem carro também tem suas vantagens. Andar por aí a pé e de transporte público faz bem:

- à saúde: pego ônibus em pontos próximos ao trabalho e à minha casa, mas mesmo assim ando uns bons metros para chegar a eles. Parece pouco, mas como é todo dia, duas vezes por dia, acaba fazendo diferença. E ainda tem o supermercado (o mais próximo fica a 500 m).  Resultado: eu e o Leo estamos mais bem dispostos (e mais magros).

- à cabeça: não ter de se preocupar com a troca do óleo, com a rotação dos pneus e com o trânsito é uma maravilha. Sem precisar dirigir, dá pra ler ou olhar a paisagem. Chego ao trabalho (ou em casa) tranquilinha.

- ao bolso: não precisa nem falar. Usar ônibus, táxi e os próprios pés costuma sair muito mais em conta do que manter um carro (a não ser que você ande de táxi com muita frequência, claro).

- ao orçamento: ir ao shopping é mais demorado sem carro. Então, a não ser que a gente precise muito de alguma coisa, damos aquela enrolada e acabamos dispensando - ou esquecendo.

- ao comércio local: tudo que a gente puder resolver perto de casa a gente resolve perto de casa.

- ao trânsito: hoje tem um carro a menos nas ruas de Brasília!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O Natal e os presentes

Quando eu e o Leo decidimos apertar o cinto para economizar grana pro sabático, uma das primeiras vítimas foram os presente de Natal. Afinal, tanto nós quanto nossos familiares temos tudo de que precisamos.

(E vamos falar a verdade: sempre acertam quando te dão presentes? Não necessariamente, né. E trocar leva tempo, paciência e às vezes mais dinheiro, quando você só gosta de objetos mais caros que o original.)

No começo o povo achou meio esquisito. Hoje já se acostumaram. Presentes, a gente só dá para crianças, que de fato não têm como comprar livros e brinquedos e ficam bem felizes. Minha irmã mais velha, este ano, nos liberou até de presentear os filhos dela: diz que eles já têm (e ganham) coisa demais (e ela tem razão).

Difícil foi lidar com a tia que faz questão de dar lembrancinhas pra todo mundo. Sim, fiquei com dor na consciência de não retribuir. Mas, depois de alguns Natais, concluí que o ato traz grande alegria para ela mesma, e que não devo (nem posso!) impedi-la de fazer o que a deixa contente. Então, ela quer me presentear? Tudo bem. Eu não quero presentear ninguém? Tudo bem também.

(A pá de cal foi a vez que ela me deu um mimoso marca-livros. Eu já não tinha livros de papel há anos. Pronto, a dor na consciência evaporou.)

Com a família do Leo, a gente participa de um amigo oculto tranquilo cujo teto de valor é baixo e cujos presentes podem ser tomados pelo sorteado seguinte. É muito divertido. Já na minha família o amigo oculto é levado à sério e se espera que as pessoas dêem (e recebam) presentes "bons". Então a gente prefere ficar de fora.

Em suma, damos pouquíssimos presentes e praticamente não recebemos (se bem que às vezes minha mãe se empolga e nos dá presentes, sim, mesmo com todas as combinações). Deixamos de gastar dinheiro, mas acho que o mais legal não é nem isso. O mais legal é não precisar investir tempo, dinheiro e paciência na aquisição de presentes burocráticos, que são trocados só por obrigação (e lembrem-se que não é só comprar. Tem de embrulhar também). O mais legal é usar isso tudo em eventos, em encontros, em comida. E bebida.

(Às vezes também nos empolgamos e compramos presentes que achamos a cara da pessoa. E aí damos sem esperar nada em troca.)

O interessante é que, quando extinguimos a troca de presente, uma das razões foi porque de fato queríamos economizar (a outra é porque estávamos simplificando nossas vidas). Hoje estamos de volta e não precisamos mais. Mas estamos mantendo a simplicidade. Gostamos tanto que não queremos voltar atrás.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Tinha uma pedra no meio do caminho

Então, depois de muito choro e ranger de dentes, consegui me organizar - principalmente psicologicamente! - para estudar três horas e correr (bem devagarzinho) diariamente.

Estava eu toda contente, achando que "agora vai!", quando tive uma semana puxada no trabalho (trabalhei todo dia até as 8 da noite) e emendei com uma crise de labirintite (cuja medicação me deixou muito sonolenta e me tirou uns 10 pontos de QI, pelo menos).

Ou seja, foram duas semanas em que as corridinhas diárias viraram caminhadas eventuais e os estudos, meia hora de áudio escutado no ônibus e uns textos em inglês feitos na marra, porque a data final de entrega era ontem.

Resultado: quando as coisas entraram nos eixos, eu já estava atrasada em meu cronograma de objetivos, mas otimista quanto a recuperar o tempo perdido. Aí a vida aconteceu.

(O que me ensina uma lição: da próxima vez que eu fizer um planejamento, vou me lembrar de separar pelo menos 10% do tempo disponível para eventualidades. Se elas não acontecerem, melhor ainda.)

Me vejo diante de duas opção: a primeira é chutar o balde e largar mão de tudo (até porque semana que vem passarei em BH e o programa será altamente prejudicado). A segunda é respirar fundo, varrer os cacos do cronograma que explodiu e fazer outro, novinho, baseado na atual realidade dos fatos.

A primeira escolha me deixará feliz e aliviada por alguns dias, mas obviamente não me ajudará no longo prazo. A segunda, embora trabalhosa, é a que vai dar resultado (espera-se).

Estou me animando com o fato de que o esquema todo só vai até 31 de janeiro, a data do bendito concurso para oficial de chancelaria. Todo mundo aguenta 6 semanas de pauleira (sendo que, convenhamos, minha programação não é tão hardcore assim). Tudo bem que tem Natal e a virada do ano na jogada, mas tudo é questão de foco.

Vou tatuar na testa: PRIORIDADES.

(Metaforicamente, gente.)




quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Blogs, diários e mídias digitais

Durante muito tempo, tive um blog diarinho - e era ótimo. Eu gostava de escrever, tinha uns poucos e bons comentaristas, e deixei registrados vários anos da minha vida.

De uns tempos pra cá, os blogs - e um monte de outras ferramentas digitais - se sofisticaram loucamente, tanto em formato (designs profissionais! Montes de fotos!) quanto em conteúdo (viraram veículos de informação mesmo, inclusive remunerados). O que é ótimo, claro. Eu leio vários.

Mas, por outro lado, eu não sei mais direito "como funciona". Agora meu blog tem de ter fotos? Preciso contar cada detalhe da minha vida? Devo estar presente em múltiplas plataformas? Só posso falar de um tema?

E também rola uma leve pressão para o blog render, porque todo mundo já ouviu falar de uma blogueira que está milionária, ou que pelo menos vive disso. Ok, o Ludmilismos não tem exatamente um grande potencial capitalista, mas o Lud & Leo pelo Mundo era mais monetizável. O complicado é que a gente realmente acha que viver - e viajar! - com pouco é o que há, então esquema de anúncios e parcerias para anunciar produtos é, basicamente, uma grande contradição.

Mas enfim. Ferramentas são ferramentas, certo? Não são um fim em si mesmo. Então se eu quero escrever todo dia, registrar o que estou fazendo e aprendendo, botar umas fotos quando me der na telha, ignorar totalmente Facebook e Instragram, é isso mesmo que eu vou fazer.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Comece agora!

Nas minhas leituras sobre comportamento humano, aprendi que as resoluções futuras podem ser uma bela armadilha. Funciona assim: a gente decide começar alguma coisa na próxima segunda-feira... ou no início do ano que vem... e tem a ótima sensação que está fazendo algo a respeito, sem ter feito, na prática, absolutamente nada.

Mas a verdade é não estamos agindo. Estamos é passando a responsabilidade para nossos eus futuros, na crença de que eles (quer dizer, nós) vamos ter mais tempo, disposição ou persistência. O que não é necessariamente verdade, né?

Então o esquema é o seguinte: se eu realmente quero, devo começar agora, neste momento. Não precisa ser a todo vapor: pode ser que mês que vem eu tenha férias e, portanto, mais tempo disponível mesmo. Mas começar agora, um pouquinho todo dia, vai fazer com que, na data planejada, eu já esteja a todo vapor. E não na situação contrária, com um monte de matéria acumulada pra estudar, muitos dias sem me exercitar ou, para o povo que quer perder peso, vários quilos a mais.

Dito isso, tive uma crise de labirintite na sexta-feira e o remédio que estou tomando (e que resolveu a tontura) está me deixando sonolenta, devagar das ideias e com muita fome. Uma situação nada propícia aos estudos...

domingo, 6 de dezembro de 2015

2015, o ano que não começou. Ou terminou.

2015 foi estranhíssimo. Começou com dois meses em Paris (muito bem aproveitados), emendou com seis meses em BH (meio mal utilizados) e vai terminar com quatro meses de trabalho em uma atividade que eu não escolhi (e com a qual ainda não me reconciliei totalmente).

As minhas metas para 2015 eram poucas, e talvez por isso mesmo foram alcançadas: matar a saudades da família e dos amigos (check); voltar a caber nas roupas de trabalho (check); (re)montar o lar em Brasília (check); viver no Brasil de maneira mais simples do que antes (check). Ah, tem uma que ficou pra trás, é verdade: estudar para o concurso de oficial de chancelaria. Ela está sendo cumprida, só que aos trancos e barrancos, sofrimento exagerado e resultados duvidosos.

* * *

Em janeiro de 2015, eu estava pesando 55 kg. Hoje, estou com 48. Não entendo como consigo ser razoavelmente disciplinada na alimentação e nos exercícios e uma enrolona total quando se trata dos estudos. E isso porque eu era bem caxias no colégio/faculdade. Imagina se não fosse.

* * *

Estou muito feliz com a nossa casinha. Ela está bonita e confortável. Na sexta instalaram as últimas cortinas - e as bainhas estão todas enrugadas, então vou ter de reclamar. Gente, essa vida de consumidor é uma chatice.

* * *

O Leo tinha uma meta mais ambiciosa que as minhas: passar no concurso de ATI do MPOG. Pois bem, ele estudou direitinho e foi aprovado, para grande alegria de nós dois.

Agora o desejo dos nossos corações mudou: passou a ser que demorem bastante para chamar. O ideal seria que fosse lá no meio/final de março, porque eu só posso tirar férias depois de fevereiro, e aí a gente faria uma última viagem antes de ele começar a trabalhar. Sim, o ser humano é um eterno insatisfeito. Não, a gente não cansa de passear.

* * *

Resumindo: 2015 passou rápido como um raio, e teve cara de, sei lá, um quinto trimestre de 2014. Mas foi um ano legal (como um ano que inclua dois meses em Paris pode não ser legal?). Teve viagem, teve mudança, teve conquista, teve trabalho e um bocado de esforço.

E continua tendo. Acho que vou empurrar o início de 2016 para 1º de fevereiro, o dia seguinte ao concurso de ofchan. A partir daí eu posso comemorar e relaxar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Contraditória, eu? ou A saga dos concursos continua

Pessoa passa meses infernizando amigos e família com as belezas da carreira de oficial de Chancelaria. Pessoa sabe que a autorização saiu e fica enrolando em vez de estudar. Pessoa espera o edital, passa uma semana escolhendo cursos online, gasta uma grana em vídeos e pdfs e descobre que detesta cordialmente metade dos professores.

Pessoa se desespera porque não consegue um mísero dia de férias até a prova. Pessoa se acha muito injustiçada, esquecendo convenientemente que acaba de voltar de uma licença de dois anos e meio. Pessoa olha o número de semanas que tem pra estudar, a quantidade de matéria que tem pra estudar, e percebe que se lascou. 

Mas pessoa é uma eterna otimista.Ela tem esperança, nay, confiança de que será aprovada. 

Pessoa só gosta de um professor: Flávia Rita

(Por "pessoa" entenda-se eu.) 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A crise da meia-idade

Ano que vem eu faço 40 anos. Aguardo ansiosamente a crise da meia-idade.

É verdade que o Leo já fez 40 e passou incólume. Mas 1) o Leo não é uma pessoa crisenta e 2) ele fez 40 na Eslovênia, né.

Depois que o sabático terminou, eu fiquei com uma sensação de "já fiz tudo que eu queria da vida". O que é ruim, porque ainda tenho mais 40 anos pela frente (pelo menos).

Estou tentando arrumar uns objetivos novos, mas confesso que quase tudo empalidece diante de "vendi tudo e saí pelo mundo". Talvez fosse melhor que eu tivesse deixado essa aventura para quando eu estivesse lá pelos 70.

Em tese, uma crise faz as pessoas repensarem suas vidas e passarem a enxergar tudo de um modo novo.

É isso ou dar uma festinha.

* * *

Andei investigando, e a tal crise não é unanimidade entre os psicólogos. Há quem afirme que ela não existe. Quer dizer, as pessoas têm crises em quaisquer fases da vida, não necessariamente nesse aniversário.

Dito isso, de fato os 40 são bem propícios a fazer um balanço. A infância está longe, a adolescência já passou, a juventude deu lugar - espera-se - a uma certa maturidade. A vida da maior parte das pessoas está razoavelmente estabilizada - muita gente já tem carreira, filho e casa montada, ou não tem e não quer ter. É uma boa hora para refletir se está tudo bem e que bom é continuar como está, ou se tem algo faltando, e aí correr atrás enquanto se tem ânimo e saúde.

* * *

Mas tem o caso da velhinha americana que, tendo perdido o marido aos 60 anos, começou a aprender a tocar piano. Muita gente riu, teve dó - e, 30 anos depois, ela é uma talentosa concertista. Aqueles que riram? Continuam sem saber tocar piano.

domingo, 8 de novembro de 2015

O encanto da beleza

Nos últimos anos, andei pensando muito sobre o que é importante e o que não é. Não só pensei como agi: me livrei de um monte de coisas, comportamentos e obrigações. E fui descobrindo o que fazia sentido pra mim e o que era só "o que todo mundo faz".

Durante um tempo, decretei que toda preocupação com beleza e conforto era pura futilidade. Depois repensei isso aí. Ainda que fútil fosse, nem só de utilidades práticas e de altos estudos é feita a vida. Parte da graça está no belo, no divertido e no inútil.

Dito isso, ainda acho que, quando as decisões são refletidas e conscientes, vivemos de maneira mais autêntica e feliz. No meu caso, depois de um período de total desapego, o pêndulo, que tinha ido lá para o outro lado, voltou e ficou mais próximo ao meio. Hoje, percebo que me importo sim com a beleza do ambiente em que vivo e das roupas que eu visto.

Mas meu gosto e minhas prioridades mudaram. Quero ter coisas poucas, bonitas e de qualidade. Que durem muito e que não deem trabalho para manter. Que combinem comigo e com a vida que eu levo.

Nem sei se posso dizer que me interesso por decoração e moda - porque, no fim das contas, essas palavras acabam sendo sinônimos de tendências e novidades. Hoje eu sei do que preciso e do que gosto - e não é de montes de objetos empilhados, nem da última cor do batom.

A beleza está em muitos lugares. Não necessariamente nos lançamentos.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O antes e depois da sala

O apê já tinha móveis, mas eles eram pequenos e desconfortáveis. Então decidimos comprar outros, do jeito que a gente queria.

(O que reafirmou a sabedoria de ter vendido tudo antes de viajar. Sabe os móveis que a gente tinha? Eles simplesmente não caberiam neste apartamento.)

Como agora somos donos-de-casa experientes (e passamos por muitas casas nos últimos tempos), acho que fizemos boas escolhas. O sofá, por exemplo: não quisemos nem clarinho (que suja), nem escuro (que desbota). Fechamos no cinza médio. O tecido? Suede está na moda e é uma delícia, mas também é quente - e eu traumatizei depois de derrubar torta de limão no sofá novinho do apartamento que alugamos em Paris (passei dias esfregando vodka na camurça). Então fomos de linhão.

Mesa: já tive tampo de vidro e não quero ter nunca mais. É lindo, moderno e visualmente leve, maaas suja só de olhar (ok, só de tocar). Quisemos uma mesa de madeira. E as cadeiras pretas, revestidas de um tal de couríssimo, são moleza de limpar (e são da mesma cor da mesa, mas a textura é diferente, o que eu acho bacana).

O Leo teve a ótima ideia de comprar um buffet em vez de um rack. Ele esconde os fios da tevê, do telefone e da internet, tem lugar para guardar umas taças e travessas e, mais importante, não tem partes abertas para a poeira vermelha de Brasília se instalar.

Mas melhor que falar é mostrar, né?



O interessante é que os móveis que temos agora são, bem, mais modernos e confortáveis do que os que a gente tinha - aqueles que compramos quando nos casamos e vendemos em 2012. Eles eram bonitos mas, como foram adquiridos lááá em 2004, hoje estariam um pouco desatualizados.

O que não quer dizer que eu incentive as pessoas a saírem por aí trocando os móveis. É só pra falar que, às vezes, quando a gente abre mão de alguma coisa, pode ser que surja algo ainda melhor no futuro.

* * *

Todos os móveis da sala foram comprados pela metade do preço no OLX. Deu um trabalhinho, mas eu curti. Gostei de visitar blogs de decoração (principalmente os de gente-como-a-gente, os de faça-você-mesmo e os morando-em-lugares-pequenos), pensar nas cores e pedir dicas para a amiga arquiteta. E fiquei muito feliz toda vez que uma coisa nova chegava. Isto é, foram semanas de alegria.

domingo, 18 de outubro de 2015

A mudança chegou OU o fim do minimalismo?


- O enxoval -


Lembram do enxoval-cápsula, que ficou guardado na casa dos meus pais enquanto a gente dava uns pinotes por aí? Pois é, na terça-feira ele chegou aqui em Brasília. Por sorte, exatamente nesse dia o marceneiro tinha vindo instalar os armários que faltavam (não que eles tenha ajudado muito: são branquinhos, lindinhos e bem-feitinhos mas, como os adjetivos que estou usando indicam, pequenininhos).

Foram 15 caixas pequenas. Dentro delas, um monte de roupas, meu arquivo morto (convites de formatura, revistas com matérias que escrevi, uma pilha de comprovantes e certificados), roupa de cama, mesa e banho, pratos e copos e utensílios de cozinha.

- O minimalismo - 


Resultado: não me sinto mais uma pessoa minimalista. O armário do quarto está cheio de roupa e sapato (eu e o Leo dividimos o espaço, mas as minhas coisas ocupam mais gavetas e mais cabides). No buffet tem taças de cristal e uma bandeja de prata. E no banheiro tem três tipos de xampu (ok, um é do Leo).

- A referência - 


Só que talvez eu esteja usando as referências erradas. Talvez a comparação ideal não seja com o período do sabático (quando tudo o que eu tinha estava dentro de uma mala), mas com a minha vida pré-viagem, época na qual de fato eu possuía muito mais de tudo - e muita coisa que não usava.

- Simplicidade - 


Olhando por esse ângulo, hoje é tudo mais simples. Não temos xícaras, porque não usamos xícaras, nem pratos fundos, pela mesma razão. Cadeiras? Quatro em vez das seis de praxe. Dois quartos em vez de quatro, um banheiro em vez de três, ônibus e táxi em vez de carro.

E, puxa, é bom. Não sei se é bom pra todo mundo, mas funciona pra nós.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A experiência de comprar de segunda mão

Quando nos desfizemos do que tínhamos para viajar, vendemos e doamos tudo. Agora estou do outro lado da experiência: comprando e ganhando objetos do lar. (Por ganhando, entenda-se que eu e o Leo aproveitamos as datas festivas para pedir de presente panos de prato e chaleira elétrica. E, se alguém está se livrando de uma panela, a gente aceita com alegria.)

A parte de comprar é um pouco mais complicada. Eu contava em frequentar um monte de vendas de garagem, todas elas oferecendo coisas tão bonitas quanto as que eu vendi, mas a falta de carro atrapalhou um pouco esse plano. A ideia era pegar táxi quando fosse necessário, mas o escorpião no bolso se agita todo com a perspectiva de ir parar lá no fim da outra asa e não encontrar nada interessante.

Então fico de olho nos sites. Comecei com o Mercado Livre, sem muito resultado; aí uma tia que tinha acabado de se mudar comentou que a nora tinha vendido o que eles não queriam mais no OLX e pronto, descobri a mina de ouro.

A seção de móveis da OLX de Brasília é bem interessante. Tem bastante opção, de todos os valores. Desde conjuntos de jantar de milhares de reais a objetos bem baratinhos. Aqui sempre tem gente chegando - para trabalhar, estudar, assumir postos diplomáticos ou comissionados - e partindo - quando o curso acaba e o emprego idem.

Pela minha experiência, se dar bem nesse mercado não é difícil. São são necessárias duas coisas: paciência e um plano.

A paciência é porque a oferta de bens é limitada. Não é todo dia que a gente encontra o que quer comprar. E às vezes a gente encontra, mas alguém passa na frente, faz uma oferta antes e leva embora. Aconteceu comigo e eu fiquei bem frustrada (e era só cabides de portas, rs).

O plano é porque, sem ter uma ideia boa do que se quer, é fácil sair comprando objetos atraentes e aleatórios e e entulhar a casa. É verdade que é necessário ter um pouco de flexibilidade: ficar esperando a peça X da marca Y é meio arriscado. Mas dá pra, digamos, escolher o tamanho, duas ou três cores e ver o que aparece.

Como alugamos um apartamento mobiliado, deu pra esperar com calma e até negociar. Até agora, compramos uma mesa e quatro cadeiras, praticamente novas, por metade do preço; um sofá do jeitinho que eu queria, encomendado na fábrica pela primeira dona, com menos de um ano e por um valor ótimo; e um pufe baú em capitonê bem em conta e que o dono ainda entregou a domicílio. Ah, e um buffet que serve de rack (fica encostado na parede da tevê, que é grudada na parede e, como é um móvel alto e largo, esconde todos os fios. Muita felicidade) também pela metade do preço da loja.

Pufe baú preto (à esquerda), buffet e um pedacinho do sofá cinza (o outro pufe já estava no apartamento). 

É verdade que o OLX tem lá seus inconvenientes: às vezes você manda e-mail e o vendedor não responde. Quando responde, aí tem de negociar um horário para ir ver o bem (embora eu só vá quando o valor é mais alto. Senão, confio nas fotos). E, depois que o negócio é fechado, vem a parte do frete.

O frete é praticamente uma segunda compra: você descobre alguém que faz, de preferência indicado por alguém (obrigada, Ilka!). Aí você conta o que quer buscar, a distância entre os endereços e o número de andares (porque não é sempre que os prédios têm elevador). O fretista te dá um preço, você pede para ele baixar um pouquinho, e por aí vamos.

Estou achando a experiência bem interessante. Ok, confesso: desconfio que estou ficando viciada no OLX, porque dou uma olhadinha todo dia pra ver se surgiu algo legal. O Leo até brinca que vou ficar triste quando terminar de arrumar a casa.

domingo, 27 de setembro de 2015

Montar a casa, um processo divertido... e longo

Da outra vez que nos mudamos para Brasília, gastamos dez dias para fechar o contrato de aluguel. Dessa vez, gastamos dois. É que dessa vez a gente já conhecia a cidade, tinha a manhã e assediou os proprietário do apartamento sem dó.

Só que, naquela ocasião, recebemos a mudança rapidinho e os acertos no apartamento foram poucos: praticamente só instalar telas mosquiteiro. Agora... digamos que estamos aqui há mais de três semanas e as coisas estão se acertando, mas devagar.

Várias providências já foram tomadas, mas falta instalar os armários da cozinha e do banheiro. E dar um jeito na infiltração no teto da cozinha que apareceu ontem. E vir alguém para fazer uma boa faxina.

Nada disso depende da gente. O que podíamos fazer (limpar a casa, apertar parafusos das janelas, instalar internet, lustrar a porta, tirar pingos de tinta, colocar telas, substituir móveis), nós fizemos. Estou feliz de já ter comprado cama, mesa e sofá confortáveis. O plano inicial era fazer isso só depois que tudo na casa estivesse acertado. Ainda bem que mudamos de ideia.

Mas ainda nos resta uma quantidade razoável de decisões a tomar. Depois que os armários estiverem prontos, vamos trazer o que ficou em Belo Horizonte. Aí conseguiremos avaliar se precisaremos de mais espaço de armazenagem, e quanto. Temos bem pouca coisa, mas o apartamento tem menos armário ainda.

domingo, 20 de setembro de 2015

Diários de Brasília, setembro

Pegamos uns dias loucamente quentes em Brasília. A boa notícia é que a partir daqui só melhora. E que instalamos telas mosquiteiros em várias janelas, então tem ventinho bom refrescando a casa

* * *

Eu e o transporte público: uma beleza. O ponto é pertinho de casa. O ônibus para na frente do trabalho. Gasto 18 minutos para ir e 10 para voltar (porque na ida ele passa pela Esplanada toda, e na volta ele cai direto na Asa).

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Aguarrás, sabão de coco e cera líquida são meus novos melhores amigos. Nunca limpei, lavei e esfreguei tanto. E com alegria, o que é uma grande mudança para quem sempre detestou serviço doméstico.

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No trabalho: fazendo um monte de coisas diferentes, fora da zona de conforto, e me esforçando para experimentar de boa vontade antes de sentenciar que não gosto, não quero e não rola.

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Muito ocupada com o presente para pensar no futuro.

domingo, 13 de setembro de 2015

O discurso e a prática (da simplicidade)

Voltei do sabático decidida a continuar vivendo com menos. Menos posses, menos despesas. Menos manutenção, menos preocupação. Mais tempo, mais tranquilidade.

E rolou um choque de realidade, confesso. Continuo achando que não ter carro é uma boa, mas não é a melhor coisa do mundo quando você acaba de chegar a uma cidade e tem de visitar apartamentos para alugar, comprar mobília, botar chip no telefone, ir trabalhar. Tudo isso num calor de 35 graus e num sol de matar. E olha que uma amiga não só nos hospedou quanto nos emprestou o carro dela um montão de vezes.

Ainda assim, tivemos nossos desentendimentos com ônibus que demoravam muito a passar (depois de 50 minutos, desistimos de esperar) e com um circular cujo motorista esqueceu de mudar a direção no painel (e eu fui pro lado errado, claro). Acabamos pegando táxi algumas vezes, o que já era parte do plano, mas ficamos um pouco frustrados, porque queríamos mesmo usar o transporte público.

E aí veio o apartamento. Queríamos um apê menor do que o que tínhamos antes, com um aluguel mais baixo, com o condomínio idem. Obviamente, isso significa menos espaço, menos luxo e prédios mais simples. Visitamos apartamentos nos quais não cabia uma cama de casal no quarto (juro!), ou então só encostada na parede e debaixo da janela. E tem as cozinhas e banheiros antigões, reformados nos anos 80 e - tcharam! - sem janela. E as eternas "dependências completas de empregada", que são medonhas - e inúteis. Se eu contratar uma faxineira, ela vai usar o banheiro da casa, uai.

Demos a sorte (e o esforço - foram semanas nos sites de apartamentos, gente) de encontrar algo dentro das nossas especificações, do nosso orçamento E que não fosse medonho. O prédio não tem porteiro, nem elevador. Seus corredores bem que mereciam mais uma camada de tinta. Mas o apartamento está todo reformado, tem luz natural em todos os cômodos (pois é, isso não é regra em Brasília) e veio mobiliado: cozinha montada, cama, sofá, tevê. E fica numa quadra ótima.

Vou falar a verdade, com a mão no coração: durante o processo, teve hora que deu vontade de chutar o balde e ir visitar apartamentos lindos e caros. E entrar numa concessionária e comprar um carro (usado, claro). Mas respirei fundo e continuei com o plano. Não dá pra mudar de ideia diante dos primeiros obstáculos. Lidar com as frustrações, isso é ser adulto, né.

* * *

E não acho que simplicidade tenha que ser sinônimo de desconforto. Os móveis do apartamento, por exemplo. Seriam bons para uma temporada curta. No entanto, já que eu vou ficar muito tempo aqui, quero, sim, ficar bem-acomodada. Já basta ter de trabalhar todo dia (o que é assunto para outro post). Então vamos comprar uma cama excelente (já compramos, aliás). E um sofá maior e mais macio. E uma mesa grande, boa para estudar. E cadeiras mais ergonômicas.

Em resumo: tudo em equilíbrio. Apartamento pequeno, sim. E arrumado E gostoso de morar E pronto para receber os amigos (pufes ou tamboretes empilháveis?).

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O sonho do apartamento mobiliado: virou realidade!

No final deu tudo certo: fiz marcação cerrada no dono do apartamento reformado e mobiliado no qual estávamos interessados. Conhecemos o apartamento na quinta-feira. Na sexta, assinamos o contrato.

Primeira alegria: não ter de lidar com as imobiliárias enrolonas. Segunda alegria: nada de fiador, só caução. Terceira alegria: na sexta-feira mesmo nos mudamos para lá.

Aí as alegrias deram uma pausa. Pra começar, o dono queria instalar armários, pintar e faxinar antes de entregar ao locatário, mas a gente insistiu para se mudar de uma vez. Então o apartamento estava beeem sujo (quem conhece a poeira vermelha de Brasília vai me entender) quando chegamos. Fizemos uma limpeza (o apê tinha vassoura, rodo, balde e pano de chão), mas confesso que não é a nossa especialidade.

Para continuar, não desfizemos as bagagens. Um armário vai ser instalado e o outro precisa de pintura, e isso vai ser feito esta semana. Enquanto isso, as roupas ficam nas malas e as malas ficam no chão. Isso é bem chato.

Para completar, nos últimos dias fez um calor insuportável. Desses que nem abrir todas as janelas resolve (e olha que o apê tem um tantão de janelas, de um lado a outra da parede). Desses que você sai do banho e começa a suar. Desses que nos sentimos obrigados a pegar um táxi, ir ao Conjunto Nacional e comprar um climatizador (que estava em promoção, para minha grande alegria. Pagou o táxi e ainda sobrou).

Então ainda não posso dizer que estamos instalados. Faltam os armários, a pintura, a faxina profissional. Falta desfazer as malas. Falta receber a mini-mudança de BH (aquelas poucas caixas que ficaram na casa dos meus pais). Falta botar nossos porta-retratos na estante.

Mas olha, é coisa rápida. Mais uma semana ou duas, e vai estar tudo bem.

A sala. Adoro: os tijolinhos na parede. Detesto: os fios aparentes.
Vai mudar: a mobília. Aguardem. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O que fazer com objetos de valor afetivo?

Estou contentíssima com o fato de quem em primeiro de setembro a gente vai para Brasília. Foi ótimo ficar na casa dos meus pais, mas estou doida para recomeçar: voltar a trabalhar, alugar um apartamento, arrumar a casa e organizar a vida.

Então, além de fazer planilhas de imóveis a alugar e móveis a comprar, andei remexendo nas caixas que deixei aqui em BH. Minha mãe me ajudou a abrir tudo, separar o que eu não queria (ainda tinha o que doar, acreditam?) e reorganizar os objetos em categorias: cama, mesa, cozinha.

E me deparei com um problema: peças que eu jamais usei, mas que têm grande valor afetivo. Que minha mãe e minha avó foram me dando, durante anos, para meu enxoval. E que jamais saíram das gavetas...

Toalhas de bordado filé. Colchas de crochê. Jogos americanos com barra. Lençóis de linho. Toalhas de lavabo. Panos de bandeja. Caminhos de mesa.

Os panos de bandeja são úteis, embora hoje em dia eu só tenha uma (bandeja). Mas tudo que é crochetado é vazado, então tanto a cama quanto a mesa não ficam protegidos - de pó ou de migalhas. Toalhas de lavabo? Nunca tive um lavabo. E caminhos de mesa saíram de moda, né? Não conheço ninguém com menos de 50 anos que use.

Dito isso, minha avó tem 97 anos. Tudo que ela me deu foi feito - por ela mesma - com muitíssimo carinho. O que não é de crochê veio da minha mãe. Muitas das peças ela trouxe de viagens, e não custaram barato. Então, como é que eu vou me desfazer delas?

A única solução que me ocorreu até agora, bem meia-boca, é pedir para minha mãe me deixar guardá-las... na casa dela. Mas aí eu acho que é sacanagem. Ser minimalista às custas dos outros é trapaça.

Preciso pensar mais sobre o assunto.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O sonho do apartamento mobiliado

Eu tenho várias bonitas planilhas. Uma delas é de móveis disponíveis para alugar em Brasília. Outra é de móveis e eletrodomésticos que a gente vai precisar.

Aí, navegando por sites de anúncios variados, descobri duas maravilhas. Uma é a possibilidade de alugar diretamente do dono, me livrando da chatice e incompetência das imobiliárias brasilienses (se você conhece uma que é bacana, pode me contar. Estou ansiosa por conhecer). Outra é a existência de apartamentos mobiliados. Não estou falando de flats, apart-hotéis ou kitinettes (todos eles têm seus méritos, mas a maioria absoluta não tem fogão e/ou máquina de lavar roupa, além de serem pequetitos com força), não. Estou falando de apartamentos de verdade, de mais de 40 metros quadrados, prontinhos para morar.

Seria perfeito para mim e para o Leo: a gente poderia chegar à cidade e se instalar, sem ocupar os quartos dos amigos (porque para se mudar para um apartamento não-mobiliado você tem de comprar pelo menos cama e geladeira, e as lojas nem sempre entregam no dia seguinte) e sem gastar tempo e trabalho comprando móveis.

Só que ainda faltavam quase três semanas para irmos para Brasília. Achei dois apartamentos mobiliados legais e bem localizados e entrei em contato, mas dei com os burros n'água. Um deles, de dois quartos, foi alugado por um candidato ágil que foi pessoalmente ao local assim que os locatários antigos desocuparam o apartamento. O outro, o dono queria alugar por um ano e eu queria alugar por um mês antes de fechar um contrato longo, para ver se a gente se adaptava ao espaço reduzido (1 quarto só). Não rolou. Ou seja, é difícil fazer negócio à distância, ainda que eu tenha uma amiga em Bsb que se prontificou a dar uma olhada nos apartamentos pra gente.

Neste momento, não existe nenhum apartamento mobiliado no mercado que obedeça aos meus requisitos: 1) ser perto do trabalho; 2) ter 2 quartos; 3) ser pagável; 4) não ser medonho. Então abri de novo minhas planilhas de móveis e imóveis. O sonho do apartamento mobiliado durou pouco.


É querer muito? Foto daqui.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A mágica da arrumação, parte I

Quando ouvi falar do livro A mágica da arrumação, da Marie Kondo, torci o nariz. Não sou muito ligada em organização: sou partidária daquela tese que, se você tiver poucas coisas, elas praticamente se arrumam sozinhas. Ok, a tese é meio furada, mas me incomoda a ideia de que tudo bem ter um montão de tralha, contanto que tudo esteja em seus devidos lugares (sem falar que é uma boa desculpa para comprar mais, só que dessa vez são aquivos, caixas, latas, organizadores...).

Torci o nariz mas decidi ler, porque, se todo mundo está falando de alguma coisa quero dar meu palpite também, né? E a dona Marie me ganhou fácil, logo no segundo parágrafo do prefácio. Foi com a seguinte frase:

"Comece descartando coisas". 


É das minhas. Deixa eu ir ler o resto do livro que depois eu conto o que achei.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Ter ou não ter (carro)?

Eu costumo dizer que meu minimalismo é bem instrumental - vendemos tudo porque queríamos sair viajando, oras. Mas a simplicidade faz a gente ver as coisas de um jeito meio diferente e refletir sobre as decisões que a gente toma.

Na prática, isso significa que percebemos que várias das nossas escolhas "sobravam": a gente tinha mais carro, mais casa e mais coisas do que precisava - e usava (porque às vezes você não precisa precisa, mas usa e gosta, então está valendo).

Quando falo que nossas escolhas "sobravam", não estou usando como base de comparação o mínimo necessário, não (passei por essa fase, mas saí dela, rs). A minha base é uma vida legal, confortável e significativa, que faça sentido para nós, nossas personalidades e preferências.

A mudança - Assim, voltamos de viagem decididos a morar em um apartamento menor e a dirigir um carro mais econômico. E não é por falta de grana, não - embora, se fosse, não seria vergonha nenhuma. Ao contrário, seria inteligência (primeira regra da educação financeira: viva abaixo de seus meios). É porque de fato constatamos que é mais barato e mais fácil adquirir e manter uma casa e um carro mais simples.

Parênteses: sim, sabemos que é um privilégio poder optar por menos. Muita gente não pode se dar a esse luxo. E sim, morar longe da família facilita esse tipo de escolha - não tem a comparação diária com o carro do ano da prima fulana e o espertofone novo do tio sicrano. Fecha parênteses.

O fato de que vamos para Brasília ajuda, é claro: é possível morar razoavelmente perto do trabalho e a cidade é totalmente plana, então um motor 1.0 dá conta. Aí, de novo, não estou falando do mínimo necessário: quero um apartamento pequeno, mas com banheiro e cozinha reformados, porque as monstruosidades dos anos 60 ninguém merece; e o carro vai ter ar-condicionado, porque em Brasília faz um calor de lascar.

O carro - Conversamos com gente que entende de carro. Escutamos: "carro barato e econômico? HB20, não tem erro!". Explicamos que não achávamos que 40 mil era barato. No fim das contas, as opiniões convergiram no Palio 1.0, usado - porque preço de carro cai assim que ele sai da concessionária.

E aí toca a procurar carro (nem preciso dizer que é difícil achar o que queremos comprar pelo preço que estamos dispostos a pagar). E a botar na ponta do lápis os custos com IPVA, DPVAT, seguro e gasolina. E a lembrar da chatice das manutenções, das trocas de pneus, dos problemas mecânicos que às vezes aparecem...

A alternativa - Então a gente pensa na outra possibilidade: que tal não ter carro? Não temos filhos, nem dificuldades de locomoção. Como ainda vamos nos instalar na cidade onde vamos trabalhar, podemos nos organizar, isto é, tentar morar perto do emprego, perto do comércio, perto do transporte público.

Também estamos dispostos a não ficar pão-durando na hora de pegar táxi, seja para ir a um lugar mais distante, seja porque está chovendo. Este site calcula quanto custa manter um carro. Segundo ele, se comprássemos um Paliozinho usado por 20 mil, gastaríamos, hoje, 8 mil reais por ano com a teteia. Conforme nossos controles financeiros, antes de viajarmos, gastávamos quase 6 mil reais por ano. Então daria pra andar bem de táxi, né?

A decisão - Afinal, ter ou não ter (carro)? Não conseguimos nos decidir. Então, o que fazer? Um experimento prático, claro. Nos primeiros tempos em Brasília, vamos ficar a pé (e de ônibus, e de táxi, e de carona). Depois de algumas semanas, teremos dados suficientes para confrontarmos os pós e contras... e bater o martelo.

Será a zebrinha nossa futura melhor amiga?
Foto daqui.

domingo, 26 de julho de 2015

A tentação das roupinhas gratuitas

Minha mãe, minhas tias, minhas irmãs e eu somos mais ou menos do mesmo tamanho. Assim, quando alguém resolve fazer uma limpa no guarda-roupa, o primeiro passo é oferecer para a galera da família as peças.

Adoro quando isso acontece. É a chance de adquirir umas roupinhas novas sem ser assediada por vendedoras e, claro, sem pagar nada.

Ou seja: é uma cilada, Bino! Confesso que meu nível de exigência cai quando estou ganhando coisas. Primeiro porque o membro da família que oferece geralmente faz propaganda: "essa blusa é linda, não amassa, olha que malha gostosa"; se eu concordo e aceito, todos ficam felizes. Segundo porque, claro, não estou pagando nada.

(A gente imagina que o pão-durismo seria altamente benéfico ao minimalismo. Pois bem, nem sempre.)

O jeito, claro, é tentar ser tão seletiva como eu seria em uma loja. Começo pelas cores: se não é preto, branco, cinza, azul, vermelho ou roxo, não quero. Desse jeito já descarto pelo menos metade, porque em geral as pessoas têm guarda-roupas coloridos. Depois, pelo estilo: tem babado? Bordado? Renda? Estampas com mais de três tons? Também estou fora. Para terminar, também não costumo ser fã de saias, principalmente se são longas.

Mesmo com todos esses critérios, adquiri nove peças novas. O segredo é ter uma mãe que sabe costurar, ou seja, que faz bainhas e pences. Então, até roupas que ficam compridas e larguinhas passam no teste.

Para dizer a verdade, tem umas duas sobre as quais eu não tenho certeza absoluta, não.  Mas outra vantagem de ganhar roupinhas é que dá pra arriscar, né? É só não acumular. Me comprometo, caso só use uma vez e não goste, a passá-las pra frente.

Isto é, daqui a uns meses eu as ofereço de volta às mulheres da família.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Quem disse que a gente tem de trabalhar sentado?

Quando eu estava pensando em comprar uma esteira (desisti porque acabei ganhando uma bicicleta ergométrica), fiz um monte de pesquisas na internet. E descobri um conceito muito legal: o escritório-esteira (ou treadmill desk), a soma da parte de baixo de uma esteira com uma mesa alta. Resultado: em vez de ficar sentado, a gente trabalha (ou estuda, ou navega na internet) caminhando.



Adorei a ideia. Muita gente (eu inclusive) passa muito tempo sentada. No trabalho, no carro, nas refeições, vendo filme (ou Masterchef)... Não é legal usar uma parte deste tempo se movimentando?

Ninguém precisa se afligir pensando que tem de correr e responder e-mails ao mesmo tempo (o que deve ser impossível, inclusive). Pelo que vi, o povo anda bem devagarzinho em seus escritórios rolantes. O objetivo é abandonar o sedentarismo, não virar atleta. E também não é questão de caminhar o expediente todo: umas horinhas por dia já está bom

Não achei para comprar no Brasil, mas vi uns faça-você-mesmo bem legais na internet (como este aqui).

De qualquer forma, o projeto é para quando eu tiver uma casa minha. Por enquanto, vou ter de me contentar com minha bicicletinha ergométrica. A não ser... que eu siga o exemplo da Lu do Dia de Folga! A gente trocou umas figurinhas e ela me disse que trabalha de pé.

Outra ideia ótima, e ainda mais fácil de implementar. Precisei só de um aparador e de uma pilha de revista velhas (e da ausência da minha mãe, que não vai gostar de ver seus porta-retratos desalojados).

Coloquei o laptop em cima das revistas e o mouse em uma pilha menorzinha. Ficou bem ergonômico.

Já faz duas horas que estou aqui de pé, editando posts e navegando na internet. E achando que está funcionando muito bem.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

E o seu guarda-roupa, como vai?

E não é que a ideia de simplificar e reduzir está chegando a (alguns) blogs de moda? Fiquei sabendo neste post do Hoje vou assim off.

Fico feliz que o pessoal esteja descobrindo que consumir muito não é receita de felicidade, nem necessariamente de elegância. É verdade que há quem ache que ter um armário-cápsula é só mais uma modinha, como tantas outras. Mas, nesse caso, é uma modinha que significa menos consumo, menos roupa guardada sem ser usada, menos tempo gasto para se vestir... só posso achar bom!

Segue minha historinha de redução do guarda-roupa (com figuras):

Minimalismo no guarda-roupa


Eu e a moda, a moda e eu








E o seu guarda-roupa, como vai?

terça-feira, 14 de julho de 2015

Montar casa, capítulo 1: o que a gente precisa e o excesso de opção

Enquanto o tempo passa e o Leo estuda, eu faço pesquisas na internet e preencho bonitas planilhas com dados e preços. Como a gente vendeu tudo antes de viajar, agora vamos precisar mobiliar a casa de novo. Sim, eu pensei nisso quando tomamos a decisão de nos livrarmos de nossos objetos. E não achei ruim - embora o principal fator do desfazimento tenha sido não me sentir psicologicamente agarrada ao Brasil por uns móveis e uns eletrodomésticos. No fim das contas a gente voltou, mas não por causa deles.

Mas como eu dizia, não achei ruim dar fim a tudo. Com o dinheiro que apuramos com as vendas, vai dar para montar casa de novo (espero). A diferença é que vamos adquirir muito menos objetos dessa vez. Já sabemos que não vamos precisar de aparadores, home theater, escritório, estantes, futon, cômoda. Até a cama de hóspedes eu vou deixar para comprar quando alguém se candidatar a me visitar -  porque já tive suítes montadíssimas para as visitas e elas quase nunca apareciam.

Fiz uma lista do que eu acho que vamos precisar e usar, me baseando na experiência dos dois apartamentos em que moramos no Brasil e todos os lugares pelos que passamos nos últimos dois anos. É uma lista muito pessoal, baseada na nossa vida, no nosso gosto e no nosso amor pelos espaços de circulação:

- cama + criados-mudos simples (nada de gavetas para encher de bagulhinhos. Ok, talvez uma)
- mesa + 4 cadeiras (tem mais gente? Senta no sofá!)
- sofá
- tevê + rack ou suporte (eu voto no suporte, o Leo vota no rack pra não fazer furo na parede do apê alugado)
- geladeira (frost free, porque descongelar geladeira ninguém merece)
- fogão (com acendimento automático, para não precisar comprar fósforo)
- forno micro-ondas (sem porta espelhada, porque eu preciso vigiar o brigadeiro subindo lá dentro)
- máquina de lavar roupa (de 8 kg dá e sobra)

E é só, pelo menos por enquanto. Achei que ia ser facinho apurar na internet produtos com bom custo/benefício e chegar a um orçamento definitivo... só que não.

Tem muita, muita opção no mercado, não só de modelos mas de lojas e de marcas. Várias eu desconheço; várias eu conheço, mas não sei se hoje em dia são de fato sinônimo de qualidade. Além disso, os preços variam nos sites, aparentemente sem muita lógica, de um dia para o outro. O Já Cotei não dá conta de acompanhar: volta e meia eu clico em um valor que ele achou e pá, na loja o preço já mudou (para mais, sempre).

Em O Paradoxo da Escolha, o Barry Schwartz fala que ter escolha é bom - até um certo ponto. 3 ou 4 opções deixam as pessoas felizes: elas observam as diferenças e decidem de qual gostam mais. Já 20 opções... além do trabalhão que analisar toda essa oferta, por mais que a pessoa pesquise fica com a sensação que talvez houvesse uma alternativa melhor.

Então é isso: estou me sentindo cercada por (e afogada em) opções. Estou tentadíssima a usar como fator definidor o menor preço, porque dá menos trabalho. Mas, como alguém que já teve que usar no trabalho as canetas fruto desse tipo de licitação, acho que se eu quero me inspirar na Administração Pública tenho que partir para o critério técnica e preço mesmo.

sábado, 27 de junho de 2015

Minimalismo pra quê?

Lá no minimalizo uma leitora falou: tá bom, tudo isso é muito bonito, mas qual é o objetivo da bagaça mesmo?

Eu respondi rapidinho que bem, tem vários, um para cada praticante. O meu foi sair viajando. Tem gente que quer ter mais tempo livre. Ou quer economizar. Ou quer consumir menos recursos naturais.

Eu sempre falei que meu minimalismo era utilitário, não um fim em si mesmo. Então, se meu período de viagens está acabando, quer dizer que eu não quero ou preciso mais buscar o menos?

Poderia até ser. Só que eu curti. Achei muito bom ter menos objetos e menos preocupações. Ganhei mais tempo e mais flexibilidade. Fiquei aberta a mais oportunidades. Descobri o que é mais significativo para mim.

Talvez o que o minimalismo me traga é simplesmente mais controle sobre a minha vida. Se preciso de menos coisas, se não faço questão de mostrar status, tenho mais opções. Posso morar em um apartamento menor perto do trabalho, posso pensar em mudar de carreira mesmo se for para ganhar menos, posso guardar dinheiro para um objetivo que é importante para mim, não para os outros.

Sim, minha família e meus conhecidos podem achar que eu enlouqueci. Ou que fiquei pobre, o que talvez seja tão ruim quanto. Mas é aquela coisa: depois que você deixa de corresponder às expectativas da galera e você vira "um caso perdido", as coisas se acalmam. E a vida continua.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Meu período consumista

Lá pelo ano de 2008, fiquei meio sem ter o que fazer. Estava satisfeita com o casamento e o trabalho, já tinha terminado uma especialização, na cidade onde eu morava não tinha o curso da língua que eu queria e naquela época não existia leitor digital. Aí comecei a me interessar - mais - por moda e maquiagem, a ir à manicure toda semana e a fazer luzes no cabelo.

(Gente, não estou dizendo que quem gosta dessas coisas não tem mais o que fazer. Só estou contando meu caso.)

Durante um tempo, me diverti muito visitando blogs, comprando roupas e sapatos e bolsas, aproveitando viagens para trazer maquiagens que só estavam à venda lá fora.

E aí, no final de 2009, cansei. Aquilo tudo passou a me interessar menos, porque comecei a perceber um padrão: os lançamentos não eram necessariamente originais, melhores ou mais bonitos. Eram simplesmente diferentes do que eu já tinha. No meu guarda-roupa havia roupas de todas as cores e estilos, não especialmente porque gostasse, mas porque tinham estado na moda (e olha que nunca fui a louca das tendências). Os sapatos e bolsas que eu tinha eram lindos, mas muitos eram pouco práticos, pesavam no ombro e machucavam meus pés. E os blogs e as revistas se repetiam sem parar.

Comece a achar aquilo muito chato. Vocês sabem que eu sou uma pessoa novidadeira, né? Mas as novidades desse universo me pareciam tudo mais do mesmo. Aí larguei mão. O feminismo me ajudou a ver que eu não precisava de tudo aquilo (podia, mas não precisava). Quando o minimalismo chegou, foi só correr pro abraço.

Hoje eu só uso salto baixo. No meu armário só tem as cores e as peças que eu gosto. Uso maquiagem quando me dá na telha. Corto meu próprio cabelo. Pulo as páginas de moda das revistas.

Continuo consumindo, é claro. Preciso de casa, comida, roupa, educação e diversão. Mas consumo muito menos, e muito melhor - porque tento consumir o que eu realmente acho importante, não o que me dizem que é.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Dinheiro grátis

Quando voltei ao Brasil, descobri que tinha uns de pontos na minha conta bancária e que eles podiam ser trocados por vales, objetos e passagens aéreas - e também em compras em um supermercado aqui perto de casa.

Lá me fui, toda feliz. Não era muita coisa, não, mas deu bem pra comprar uns potes de sorvete e uns chocolates. Na hora de passar no caixa, me lembro de ter dado uma risadinha e pensado: ueba, dinheiro grátis!

Não preciso dizer que eu estava redondamente enganada, né? Não existe almoço grátis - nem potes de sorvete grátis. Uns dias depois, lendo "Affluenza - when too much is never enough (quando demais nunca é suficiente)", do Clive Hamilton - um livro sobre excesso de consumo na Austrália e seus efeitos negativos -, parei pra pensar na parte que dizia que, bem, nada é de graça. Que pagamos mais caro por passagens aéreas para bancar programas de milhagem, mais caro em shoppings para financiar prêmios de fim de ano e mais caro por tudo para que os lojistas cubram as taxas pelas transações de cartão de crédito.

É óbvio, não? Eu nunca tinha pensado nisso, mas é evidente que as vantagens de programas de incentivo ao consumo e fidelização têm que ser bancadas por alguém. Ou seja, eu pago mais caro no supermercado aqui perto de casa do que em um que não dê sorvete "grátis".

E é claro que quem é mais recompensado por todos esses programas é justamente quem gasta/consome mais, isto é, quem tem mais dinheiro - e que provavelmente não precisa dos prêmios... Já o consumidor ocasional, de menor poder aquisitivo, paga a mais e não usufrui de nada.

Então, de hoje em diante, vou desconfiar dos estabelecimentos e empresas que oferecem "vantagens". Provavelmente elas vão estar embutidas no preço final.

Vantagem mesmo é pagar mais barato.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Os grandes gestos e a minha inquietude

Sou uma pessoa que gosta dos grandes gestos. Passar em um concurso! Mudar de cidade! Vender tudo e sair viajando! é comigo mesmo. Quando há um grande gesto envolvido, tenho a impressão que estou vivendo de fato e aproveitando as oportunidades. Quando não, parece que o tempo está passando e eu não estou fazendo tudo o que gostaria.

Infelizmente a vida (pelo menos a minha) não é composta só de grandes gestos. Grande parte dela é feita de rotina, preparação e providências. Neste exato momento, estou em um período assim: digerindo o sabático, me readaptando ao Brasil, planejando o futuro. 

Não vejo nisso a menor graça. Depois de mais de dois anos viajando, o dia a dia por aqui, que no início foi reconfortante, ficou monótono. Eu estava achando que tinha passado pelo sabático sem efeitos colaterais, mas olha eles aí. Na viagem, cada dia era uma novidade; hoje, um parece igual ao outro. Aí eu fico impaciente e inquieta. 

Mas agora não é hora para grandes gestos. É hora para os pequenos, aqueles repetitivos, rotineiros, sem glamour. É hora de ficar quietinha, de manter o foco, de estudar. É um período de recolhimento e trabalho - necessário para recolher os resultados depois. 

Para mim, isso não é fácil. Fáceis são os grandes gestos, as rupturas e as novidades. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

A fila (dos concursos) anda

Uma das razões de voltarmos para o Brasil foi o fato de que o concurso que o Leo queria fazer havia sido autorizado. O edital tinha seis meses para sair e... isso acaba de acontecer, na tábua da beirada, na última semana do prazo. Isto é, mais de três meses depois da nossa volta.

Tudo bem que ele ficou estudando enquanto isso. Mas, como o edital veio com um monte de matérias novas, todo aquele direito constitucional e administrativo não vai servir para nada (só para a satisfação pessoal, né). Enfim, já que que todos os outros concorrentes também foram pegos de surpresa, no final das contas tá tudo bem.

Semana passada saiu... a autorização para o concurso que eu quero fazer. Só que a experiência do concurso do Leo está me deixando com o pé atrás. Estou desconfiada que: 1) o edital vai demorar a sair; e 2) as matérias vão vir todas diferentes, até porque o último concurso foi em 2008.

Então estou aflita e sem saber o que fazer. Estou imaginando um cenário sombrio, no qual vou gastar meio ano da minha licença estudando, com o edital saindo só em dezembro, cheio de matérias que eu não tinha nem cogitado. E aí, bem na hora de pegar firme nos estudos, vou ter que voltar a trabalhar.

Tá fácil não.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Meu lugar no mundo

Acho que tem gente que dá sorte. Que nasce em lugares que têm tudo a ver com sua personalidade e seu jeito de ser. Todo mundo tem problemas, claro. Mas tenho a impressão de que se as suas características são valorizadas na sociedade em que você vive, seu nível de - conforto? aceitação? bem-estar? - é maior.

No Brasil, eu tenho minhas limitações. Não gosto de carnaval, nem de pagode, nem de televisão, nem de praia, nem de cerveja. Óbvio que o Brasil é muito mais que isso, mas não consigo deixar de pensar que quem curte essas coisas se diverte mais.

E a solução nem é mudar de país (ainda que fosse fácil, né). Uma vez, a irmã I, que estava morando em Frankfurt, disse:  "Não é que eu queira ser alemã. O que eu queria é que meus pais, minhas irmãs, meus amigos tivessem nascido aqui". Quer dizer, você pode até deixar sua terra natal, mas uns pedacinhos seus vão sempre ficar pra trás.

Faz como, então?

Se organiza para passar um tempo aqui e um tempo lá. (Eu sei a que Lina, do Conexão Paris, faz assim.) É fácil? Claro que não. É impossível? Também não.

Tem alguns caminhos. Um deles é arrumar emprego em uma empresa internacional que esteja disposta a te mandar para onde você quer morar. Outro é trabalhar à distância - e aí, em tese, dá pra ir e voltar. E um terceiro, de longuíssimo prazo, é esperar a aposentadoria (e torcer para o dólar não disparar demais).

E não precisa nem dizer, mas digo mesmo assim: se a gente não tiver uma montanha de objetos, nem um custo de vida altíssimo, tudo isso fica menos difícil, né?

O mundo nas mãos.

domingo, 7 de junho de 2015

Pergunta, Mila!

Quando viajei com meus pais para a Espanha em 2007, minha mãe queria saber tudo, do conteúdo da salada verde à utilidade do prédio vizinho à prefeitura. Como eu tinha prometido que serviria de intérprete, toda hora eu escutava: "Pergunta, Mila!"

Na época, isso me deixava meio irritada porque 1) o meu espanhol era pra lá de marromeno e 2) eu achava que ia incomodar as pessoas com as dúvidas maternas (que, convenhamos, não eram das mais relevantes).

(Obs: é claro que o bordão virou parte da mitologia da série. O Leo se diverte muito - e me faz rir - lascando um "Pergunta, Mila!" em locais como o interior da Bulgária ou da China.)

Hoje, estou convencida de que minha mãe estava certa. Posso adotar "Pergunta, Mila!" como meu lema pessoal. De maneira geral, as pessoas não se importam de responder a perguntas. Na maioria das vezes, elas gostam de compartilhar o que sabem. E, de vez em quando, uma pergunta pode não só resolver o seu problema como o dos outros também!

Desde que cheguei ao Brasil, estou pensando em comprar uma bicicleta ergométrica ou uma esteira. Primeiro enrolei porque eventualmente vou me mudar para Brasília, depois achei que os preços estavam altos... E então, conversando com uma das minhas tias, ela disse que tem uma ergométrica encostada e que está doida pra se livrar dela. Ela mora a poucos quarteirões da casa dos meus pais. É só passar e buscar.

Ou seja, eu podia estar pedalando alegremente a meses. Imagina se o "Pergunta, Mila" tivesse sido aplicado antes!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Decoração para pessoas introvertidas

Uma das diferenças entre introvertidos e extrovertidos é que os primeiros preferem um nível de estímulo menor (bar lotado com música altíssima? É o horror). Então, faz sentido que a gente goste de viver em lugares visualmente limpos, com cores relaxantes e poucos detalhes.



Sempre apreciei o estilo nórdico de decoração (muito branco, muita luz, madeira clara, linhas simples), mas foi a pouco tempo que descobri que os escandinavos são um povo introvertido. Pronto, tá explicado! É por isso que eu me sinto tão confortável nesses ambientes (e porque eu gosto tanto dos móveis da Ikea).


É engraçado como o autoconhecimento pode se refletir em muitas coisas - inclusive no jeito em que a gente mora. Eu acho bonito quartos coloridos e enfeitados, mas eles começam me cansar depois de um tempo. E eu não entendia isso direito - até agora.

Talvez uma das razões pelas quais eu tenha abraçado o minimalismo com tanto entusiasmo seja isso: para uma pessoa introvertida, "menos" (menos coisas, menos estímulos) realmente é mais.

(Fotos daqui.)

sábado, 30 de maio de 2015

Preguiça X Ambição

Eu sempre fui uma trabalhadora exemplar, empolgada e pró-ativa. Mas, no sabático, descobri que, no meu tempo livre, ando bem preguiçosinha. Antes de fazer qualquer coisa, penso se vale a pena, se não é muito esforço, se não é melhor ficar deitada na caminha, se dá pra deixar pra depois e por aí vai.

Considerando que eu não tenho filhos nem bicho de estimação e que cumpro minha parte (que é a menor, confesso) dos afazeres domésticos, aparentemente ninguém é prejudicado pela minha indolência. Eu tenho emprego, pago minhas contas, não dou trabalho pros outros e, portanto, tô livre pra deitar na rede e ver o tempo passar.

Então tá tudo resolvido e é só aproveitar - só que não. Depois de um tempo preguiçosando eu começo a pensar nas coisas que podia fazer se eu tivesse mais animação. Aí leio uns livros de motivação.

Adianta nada.

Tá faltando objetivo na minha vida. Até tentei arrumar umas metas que racionalmente faziam sentido, mas a disciplina não durou mais do que alguns dias.

A verdade é que eu nem cheguei aos 40 e meio que já fiz tudo que queria nessa vida. É uma sensação bem bizarra.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

59 segundos para mudar

Eu adoro livros de pesquisadores que aplicam estudos à vida prática. Mas confesso que muitos deles sofrem da síndrome da inflação de páginas. Isto é, a editora pede para o autor 300 páginas, porque quer publicar um livro, e o escritor enche o manuscrito de historinha pra fazer o negócio render.

No começo, achei uma técnica válida. Mas, depois de um tempo, comecei a me impacientar com as anedotas e episódios autobiográficos (até porque eles passam a se repetir). Aí começou a rolar uma leitura dinâmica com foco na conclusão.

Outra solução possível é o livro "59 seconds: think a little, change a lot", do Richard Wiseman (em português, "59 segundos - pense um pouco, mude muito", da editora Record). Para responder à pergunta de uma amiga, que queria maneiras de mudar para melhor baseadas na ciência e de rápida - rapidíssima! - aplicação, o autor fez um apanhado de estudos em diversas áreas do comportamento cujos resultados geraram dicas práticas e imediatamente eficientes.

(Obs: eu gosto de botar links para a Amazon porque geralmente cada livro tem um monte de resenhas, classificadas conforme o número de estrelas (de 1 a 5). Dá para ter uma ideia bem razoável se o livro interessa ou não, principalmente se a gente começa lendo as críticas mais duras.)

Então o livro tem duas vantagens: a primeira é condensar as conclusões de várias obras numa só (aí, quem quiser saber mais sobre algum(ns) dos estudos que ele menciona pode ir atrás do livro ou artigo correspondente). A segunda é apresentar estratégias de mudança bem ágeis.

Ah, tem o livro na Estante Virtual a partir de 12 reais. Bom, né?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Dicas práticas para quem quer gastar menos do que ganha

Acho que ninguém discorda que viver abaixo de seus meios é uma ótima ideia. Mas falar é mais fácil do que fazer, né? Muita gente tem dificuldade com isso. E não necessariamente porque ganha pouco: conheço várias pessoas que têm ótimos salários - muito maiores que o meu! - e não conseguem se manter no azul.

Então vamos lá: para gastar menos do que se ganha a receita é...

Passo 1) raio X da situação financeira

Para isso, são necessários duas apurações:

I) saber exatamente quanto entra todo mês. Isto é, salário líquido + rendimentos em geral (ganhos em aplicações, aluguéis etc.)

Alerta importante: cheque especial e limite do cartão de crédito não entram nessa conta! Só porque o dinheiro está disponível não quer dizer que ele seja nosso. Muito antes pelo contrário; os juros desses recursos são altíssimos. O privilégio de usá-los custa muito caro no fim do mês.

Já 13º, 1/3 de férias e restituição de imposto de renda entram na conta, sim. Mas é bom lembrar que eles só ficam disponíveis em momentos determinados e, portanto, não devem ser empregados antecipadamente (alguns bancos adiantam a restituição, mas eles cobram - caro - por isso.

II) saber exatamente quanto sai todo mês. Saber mesmo, na ponta do lápis. "Ter uma ideia" não é suficiente.

Não precisa de muita tecnologia. Um caderninho e uma caneta resolvem. Planilhas no computador e programas de gerenciamento financeiro são ótimos, mas se for complicar a vida, e melhor deixar pra lá (ou para um segundo momento).

O objetivo é saber exatamente quais gastos estão sendo feitos. É legal dividi-los em categorias. Por exemplo:

- gastos fixos: aluguel/financiamento, condomínio, água, luz, internet, mensalidades de escola/faculdade, curso de línguas, natação;

- gastos variáveis: alimentação, supermercado, gasolina, farmácia, saídas, presentes;

- gastos anuais: IPVA, IPTU, matrículas.

Depois de uns dois meses anotando, dá pra ter uma ideia bastante boa da situação financeira. Aí é hora do

Passo 2) análise da situação financeira

Nossos rendimentos são maiores do que nossos gastos? Ótimo. São parecidos? Muito bom, mas arriscado - um imprevisto pode atrapalhar o equilíbrio. São menores? Precisamos agir imediatamente.

Há duas maneiras de equilibrar a equação: uma é ganhando mais, outra é gastando menos.

Mas se dedicar só à primeira não resolve: tem gente que, quanto mais ganha, mais gasta. Então, manter o controle das despesas é essencial.

Então, vamos nos fazer duas perguntas:

- dá pra ganhar mais? Às vezes não é tão difícil: tirar o dinheirinho que está na poupança e aplicar na renda fixa, nesse momento, é uma boa. Dá pra fazer hora extra? Pedir aumento de salário? Mudar de emprego? Cabem muitas reflexões nessa hora, inclusive a eterna "o que é mais importante para mim, tempo ou dinheiro"?

- dá pra gastar menos? Esse lado da equação é mais fácil de manipular, porque está principalmente em nossas mãos. Conseguir um aumento depende de um terceiro, o chefe; diminuir o número de saídas - ou preferir restaurantes mais baratos -, não.

É também mais doloroso. Afinal, significa basicamente questionar nosso modo de vida. As pessoas tendem a achar que todos os nossos gastos são essenciais, e de fato são - para a maneira como a gente se vê, como definimos conforto, como definimos sucesso. Mas não, obviamente, para nossa sobrevivência.

Vamos ser sinceros: precisar, precisar mesmo, a gente precisa é de um teto, água encanada, energia elétrica, alimentação e roupa. Transporte, para chegar ao trabalho. Escola para as criança, para quem tem. E, vá lá, internet.

O resto, gente, é conforto, alegria e satisfação, mas necessidade não é. Sim, nem só de pão vive o ser humano, mas estamos falando do mínimo, né (sem nem entrar na questão de que existe muita gente que nem esse mínimo tem).

(E mesmo o mínimo é gerenciável. Dá para procurar um aluguel mais barato, economizar energia, tomar banhos mais curtos, gastar menos com roupa - o que pode significar comprar menos peças de roupas mais caras e que durem mais -, ter um carro econômico ou usar transporte público...)

Se em vez de pensar em cortar do nosso total, fizermos a conta do mínimo necessário e depois irmos acrescentando "agrados", talvez fique mais fácil montar o orçamento. Diminui aquela sensação de perda, sabe?

Passo 3) ação

Porque não adianta fazer os melhores controles e análises do mundo deixar de colocar as decisões em prática, né?

Enfim, o assunto é complexo e rende um monte de posts. Para mim, é muito interessante conversar sobre o tema porque daqui uns meses eu começo "a vida normal" (morar em Brasília, voltar a trabalhar) e aí vou ter de fazer todas essas opções: morar de aluguel ou financiar um imóvel? Escolher um apartamento mais bonito ou mais econômico? Quanto dinheiro estou disposta a gastar para mobiliar o novo lar? Vou andar de carro ou de ônibus? Se carro, novo ou usado, popular ou sofisticado? Que porcentagem do salário reservar para a diversão? Quanto quero guardar para o próximo projeto/aventura?

É como se eu estivesse começando minha vida de casada de novo. Só que agora eu estou mais esperta...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A melhor dica financeira do mundo

Se o assunto é educação financeira e eu pensar em todos os livros, artigos e blogs que li, conversas que tive e conselhos que recebi, a ideia mais legal e mais eficiente é:

Viva abaixo de seus meios

ou 

Gaste menos do que ganha

Não tem conversa: para investir, empreender, ter tranquilidade financeira, o primeiro passo é esse. Não adianta ganhar milhões se gastamos esses milhões. Não adianta aumentar a renda se o consumo aumenta junto. Não adianta saber tudo sobre o mercado de ações se não sobra dinheiro no fim do mês para aplicar. 

Como diz meu pai, 

Você não fica rica com o que ganha, você fica rica com o que guarda. 

Quem tem gastos mensais iguais ao salário está lascado: qualquer imprevisto é suficiente para deixar a pessoa endividada. Sem falar nas épocas de vacas magras: desde que chegamos ao Brasil, tem gente dizendo que a coisa não tá pra peixe. Se você vive abaixo de seus meios, não precisa mudar seu estilo de vida e sofrer quando a renda cai. Você passa a economizar menos, é tudo. 

Eu sempre vivi abaixo dos meus meios (é, não gastava tudo do meu salarinho de estagiária). Fazia isso porque era pão-dura mesmo, mas hoje vejo que foi um ótimo hábito a ser adquirido. 

Isso não quer dizer que eu não gasto nada, nunca. Ao contrário: gastei um bocado viajando. Mas só consegui juntar essa grana... vivendo abaixo de meus meios. 

(E digo mais: limites que a gente mesmo se impõe estimulam a criatividade que é uma beleza.) 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sofisticação

Meu sobrinho, brincando com blocos de madeira:

- Nesta garagem aqui vão ficar os carros finos.

Eu (para mim mesma):

- Nossa, meu afilhado tem 4 anos e é um conhecedor de automóveis. De um lado ele vai colocar os veículos sofisticados e...

Meu sobrinho:

- E nesta aqui vão ficar os carros grossos.

A questão era a largura dos carros, né.

Resumo da ópera: às vezes a gente acha que está escutando "Analisando essa cadeira, ela é de praia", mas é "Analisando essa cadeia hereditária" mesmo...


sábado, 2 de maio de 2015

O emprego que eu nasci pra ter

Depois de passar por várias experiências profissionais e de explorar profundamente minha alma, descobri o que eu nasci pra ser: life coach.

"Conte-me seus problemas. Vou
resolvê-los todos."
Life coach é o nome metido a besta para a pessoa que você paga pra te dizer como viver sua vida.

Eu já sou uma life coach - isto é, sei muito melhor do que a/o indivíduo o que ela/e devia fazer - informal. Isso me traz duas dificuldades:

1) não ganho nada com isso (além de inimizades) e;

2) as pessoas não me obedecem.

Formalizado o metiê, não só receberei uns trocados como terei a imensa satisfação de ver o povo seguindo minhas sábias instruções.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A pegadinha do eu passado

Há uns dias falei da pegadinha do eu futuro (a mania que a gente tem de empurrarmos atitudes que precisamos tomar para depois, na esperança que nossos eus futuros tenham mais disposição - e sim, tem tudo a ver com procrastinação).

Aí fiquei pensando que às vezes as pessoas também avaliam mal seus eus passado. Isto é, ficam pensando que podiam ter se esforçado mais, ou tomado decisões diferentes, ou, ou...

Em outras palavras, imaginam que o eu passado tinha mais tempo, mais informação ou mais sabedoria que o eu de hoje - e não tomaram a decisão "certa" porque fizeram corpo mole ou não quiseram parar pra pensar. E não é verdade, né?

É claro que a gente comete erros e é legal ter consciência deles, até para corrigi-los. O que não dá é pra julgar o nosso eu de um ou vários anos atrás com o conhecimento e a experiência que temos hoje. Porque naquela época, claro, a gente não tinha!

(Sem falar que o universo é um brincalhão. Restrições que pareciam sensatas no momento podem acabar se revelando desnecessárias, e grandes riscos podem compensar - assim como tudo pode dar errado.)

Então, acho que o melhor é considerar que os "eus passados" fizeram o melhor que podiam naquelas circunstâncias. E parar de prestar atenção demais na imagem do retrovisor. (Eu sei, é brega. Mas foi a imagem que eu achei. Literal e metaforicamente.)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O caso do casamento

Há duas semanas passada fui a um casamento com o Leo e meus pais. Fui por causa da festa, né, e da vontade de interagir.

(Interessante isso aí: desde que voltei da viagem tenho topado todo evento social que me aparece, de festa de criança a almoço na casa da avó. Acho que é para compensar os meses de viagem, nos quais acabei não tendo tanto contato com as pessoas. Engraçado é que o Leo não teve essa reação, não. Ele está indo, mas meio arrastado - por mim. Mas depois que vai ele gosta.)

Fui com meu vestido preto longo.  E de sapatilhas. Minha mãe queria porque queria que eu colocasse um salto, mas não dei bola. Ela foi de salto alto e bico fino, e no final da festa reclamou que os pés estavam doendo (me contive e nem tripudiei - muito).  Ela também perguntou se eu queria que marcasse hora para mim no salão para fazer as unhas, e eu recusei alegremente. Continuo com as unhas curtinhas e sem esmalte.

É verdade que usei maquiagem. E também fiz a maquiagem da minha mãe. Quando me desfiz de quase tudo que eu tinha, os pincéis e os produtos mais sofisticados sobreviveram, porque eu achei que podia querer um dia sair colorindo pessoas por aí.

Não preciso nem dizer, porque é o óbvio ululante, que ninguém apontou o dedo ou fez cara de horror porque eu estava sem salto e sem esmalte. Sinceramente? Acho que ninguém nem reparou. Às vezes a gente acha que o mundo gira em torno do nosso umbigo, mas, né - gira não. Tava todo mundo muito mais preocupado com o espumante.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Interesses da última semana

Startups. Bel Pasce, a menina do Vale (do Silício). Que tal um Tinder pra fazer amigos em vez de pra arrumar peguetes? Já tem um (vamos ver se pega. E chega no Brasil). As estratégias da indústria alimentar para fazer as pessoas comerem mais do que elas querem (em suma: açúcar, gordura e sal nos deixam muito loucos. Não é questão de força de vontade, não). Sete princípios para o casamento dar certo (finalmente um livro de relacionamentos baseado em ciência. Eu quero estapear o fulano que escreveu "Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus"). O Kindle It (programinha que transfere páginas de internet pro leitor digital) virou Push to Kindle. Assinei a Marie Claire francesa (e tive acesso imediato à versão digital. Muito amor pela tecnologia). As revistas femininas francesas não acham que feminismo é palavrão, acham que é fato consumado. Descobri a Academia Khan. Quero fazer um curso de HTML. Todos esses assuntos davam post - mas né, a vida é curta e eu estou tentando descobrir como se faz dinheiro com blog sem estimular o consumo de bens materiais. Resposta: não faz.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Faz um blog!

Eu já achei que a solução para (quase) todos os problemas era fazer um blog. E olha, a ideia não é tão estapafúrdia quanto parece, viu? Ando me divertindo com livros sobre psicologia, comportamento e motivação e vários concordam sobre a importância de certos comportamentos. Fazer um blog inclui um monte deles!

1) Escrever: ajuda a organizar os pensamentos. Ponto positivo 1: é um desabafo. Ponto positivo 2: ao colocar as palavras no papel (ou na tela), percebemos que uma situação que parece terrível ou extrema não é beeem assim, não.

2) Contar para os outros os nossos objetivos (economizar, estudar mais, se organizar, ficar um tempo sem comprar): faz com que pensemos duas vezes antes de sair da linha. Já que falamos que íamos fazer, sentimos que temos que "prestar contas" e isso é um incentivo a mais. (Falando em prestar contas, sabe aqueles 15 minutos de exercício por dia? Não rolou. Mas os objetivos "me importar com as pessoas", "passar mais tempo com os sobrinhos" e "caber nas roupas de trabalho"? Check, check e check.)

3) Encontrar a nossa turma: às vezes a gente se sente sozinho com certas ideias e metas. Aí entra a internet, onde a chance de localizar quem pensa parecido conosco é muito maior do que no nosso bairro. Quem tem blog acaba fazendo conhecidos - e amigos! - que por vezes sabem mais da gente do que o coleguinha de trabalho.

4) Entrar em fluxo: o povo da psicologia positiva ama o estado de fluxo (dizem até que passar bastante tempo nele faz parte da receita da felicidade). Ele é provocado por atividades na qual a gente usa nossas capacidades e talentos, são desafiantes mas não impossíveis e nos absorvem tanto que nem vemos o tempo passar. É verdade que tem vezes que a gente mais xinga o Blogger (ou o Wordpress) que se diverte, mas eu passo muitos momentos felizes aqui.

Fiquei contente em ver a comprovação prática do meu palpite.

Faz um blog! (E toma chá.)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A pegadinha do eu futuro

Tem muita informação legal no "The Willpower Instinct" (O Instinto da Força de Vontade), da Kelly McGonigal. Inclusive a de que gostamos de deixar as coisas para depois porque achamos nosso "eu futuro" vai dar conta do que a gente está com preguiça ou sem vontade de fazer hoje.

Então, é difícil para as pessoas se livrarem de maus hábitos agora (como gastar tudo o que ganham ou se alimentarem mal) porque elas acham que "depois" elas terão mais tempo e disposição para lidar por isso. Isto é, a gente imagina que nosso eu futuro vai ser mais disciplinado, mais animado e mais persistente.

É por isso que muita gente adora marcar o início da dieta ou do programa de estudos para a próxima segunda-feira, para o mês que vem ou para o primeiro dia do ano. Porque aí não só tomamos uma decisão ("olha, no dia tal eu começo" - o que nos dá a impressão de que estamos lidando com o problema, embora na prática não tenhamos feito nada ainda), como empurramos a chatice/desgaste/sacrifícios para "outra pessoa" - o nosso eu futuro.

A solução? Ter em mente de que o eu futuro é a gente mesmo. Se não estamos a fim de tomar certas atitudes agora, é pouco provável que fiquemos depois. Aí fica mais fácil decidir largar mão do projeto (e gastar o tempo e a energia em algo que empolgue mais) ou criar um sistema de recompensas (e se ele for bom mesmo é provável que a gente comece a agir agora mesmo).

Para mim, a carapuça serviu. Me enxerguei totalmente nessa pessoa feliz que faz lindos projetos para o depois e, quando chega lá, descobre com grande surpresa que o ânimo continua pouco (ou inexistente). Ah, ser humano, seu danadinho.

(Obs: no Brasil o livro foi publicado pela Editora Fontanar, com o título "Os Desafios à Força de Vontade".)