quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Planos de Ano Novo

Minha mãe perguntou o que eu ia fazer na virada do ano. Respondi que ia passar com o Leo, em casa, comendo e bebendo delícias, fazendo o balanço de 2016 e planejando 2017. Ao que ela respondeu, com a franqueza costumeira: "Mas isso é um jeito muito ruim de passar o Ano Novo".

Eu ri, claro, e disse que discordava. Minha mãe gosta de festas, mas eu sou diferente. Sim, fomos convidados para eventos. Não, não aceitamos os convites. Não é toda celebração que nos atrai. Muita gente, música alta, barulheira? Preferimos ficar juntos na nossa casinha, fazendo um jantarzinho romântico e altos planos para o futuro.

Gosto é gosto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Como uma águia

Não sei se já falei aqui, mas eu enxergo como uma águia. Fiz cirurgia para miopia há mais de 15 anos e, desde então, vejo tudo perfeitamente. Uma beleza.

Quer dizer, via. Há uns dias achei que a visão da águia estava meio embaçada. Fui ao olftamologista e recebi a notícia: a miopia está querendo voltar. Timidamente - 0,5 em um olho, 0,75 em outro -, mas está.

Pensei em comprar uns óculos hipster (pronunciado em francês: ips-tér, gente), mas me lembrei de como eu esquecia/quebrava/me sentava sobre os meus naquele passado distante em que eu os usava. Perguntei ao médico se, assim como a miopia tinha surgido (possivelmente por excesso de leitura - ha), ela também podia sumir. Ele respondeu que não existiam estudos a respeito, mas que em tese era possível acontecer.

Então é isso: passarei uns tempos sem óculos para ver se meus olhos se comportam e voltam ao normal. Eu ainda enxergo bem, portanto não me tornarei nenhum perigo para a humanidade. Mas preferia enxergar como uma águia.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A sumida

Sim, eu sumi. Andei chateada, reclamenta e ansiosa, com aquele sentimento que a vida está parada. Fiz minhas listinhas de gratidão, tentei meditar, comi mais chocolate e dormi mais, mas todas essas providências não tiveram um efeito duradouro (embora tenham sido boas enquanto duraram, nhão).

Meu pai fez 70 anos e viajei com ele e minha mãe para comemorar. Foi ótimo, fora as saudades que senti do Leo, e o fato de que terminou.

Então estamos aí, de volta, resmungando como sempre, mas lembrando que escrever no blog me dá grande alegria e que, meses depois, ler o que andei caraminholando naquela época também. E tentando viver o momento presente sem revirar os olhos e de um lugar de não-julgamento e aceitação.

Acabo de revirar os olhos. Me julguem.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Minha verdade sobre o minimalismo

Vejo blogs sobre minimalismo em que as pessoas são serenas, gratas, tiram fotos em preto-e-branco, meditam e fazem yoga. Acho lindo, mas infelizmente não é minha praia. Tenho bem pouca coisa, comparando com pessoas com o mesmo poder aquisitivo; me livrei de muitas obrigações que não faziam sentido para mim, inclusive dar presentes de natal para adultos e passar esmalte na unha; e até medito de vez em quando. Mas continuo meio doida, continuo fazendo uns mimimis e continuo me indignando quando a vida não corre do jeito que eu quero. 

Ou seja, minimalismo não é só para almas elevadas, e também não é o remédio para todos os males. Ele ajuda a deixar a vida mais leve e me dá mais tempo para ler meus livros, mas infelizmente não curou todas as minhas angústias (só algumas). Nem me deixa em um estado de êxtase constante. 

O que o minimalismo fez, e continua fazendo, foi me dar mais oportunidades. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O crachá provisório

Dia desses me dei conta de que ainda estava usando um crachá provisório no trabalho. O permanente ficou pronto em janeiro, mas como tem de buscar em um prédio longe, primeiro enrolei e depois esqueci. 

Ou, basicamente, queria tanto passar no concurso de oficial de chancelaria que me recusei a ver o emprego atual como permanente.

Ou a vida atual como permanente. Desde que chegamos a Brasília, a ideia foi morar em um apê pequeno/comprar poucos móveis/não ter carro/não criar compromissos de longo prazo, porque Brasília é provisória: daqui a pouquinho vamos embora.

Só que o daqui a pouquinho virou um daqui a poucão. Em dois de setembro, completamos um ano na capital. Ainda estou esperando a nomeação. E, mesmo depois que eu for nomeada, serão dois anos antes de sair do país. Isso se não atrasar e os dois anos se tornaram dois anos e meio, três anos...

Ou seja: tenho de encarar a realidade. A estadia em Brasília não é provisória. Não é só um intervalo rápido entre o sabático e o primeiro ciclo de remoções (10 anos no exterior, oba). Vai ser uma parte razoavelmente longa da minha vida. Tenho de dar um jeito de vivê-la da melhor maneira possível, em vez de encarar tudo que acontece como provisório.

E, como só percebi isso hoje, ainda não sei como fazer, não.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game of Thrones

Este fim de semana, finalmente decidi ler Game of Thrones. Todo mundo já leu os livros e já assistiu ao seriado, mas eu vinha resistindo, com o plano de só começar depois que o autor terminasse de escrever tudo. Vai que esse cara morre e deixa os leitores na mão? Aí vão contratar um escritor meia-boca para terminar a história e vai ser horrível e decepcionante. Pode ser que o fim original seja horrível e decepcionante mesmo, mas pelo menos vai ser o fim original.

Estou achando surpreendentemente bom. Eu esperava algo à Senhor dos Anéis, mas o George R. R. Martin é um autor contemporâneo e, portanto, tem um estilo mais moderno: escreve cenas mais curtas, alterna mais entre os personagens e termina os capítulos em momentos mais emocionantes. Além disso, ele não se preocupa em desenvolver línguas novas, criar poemas e canções e fazer descrições geográfica detalhadíssimas (o que é decerto valorizadíssimo pelos fãs, mas meio chato para o leitor casual).

A parte ruim é que já sei um monte de coisas (eu e a torcida do Galo). Já me contaram que uma galera vai morrer (então não é prático se apegar a nenhum personagem), que o Jon Snow não só vai morrer como vai ressuscitar, que a Daenerys Targaryen vai arrumar uns dragões e começar a dominar a joça toda. 

Ainda não resolvi se e quando vou assistir ao seriado. Provavelmente sim, depois que terminar os livros, porque os episódios já avançaram mais que os cinco volumes publicados. Por enquanto, tenho 3.640 páginas para me divertir. 

Por enquanto não avancei muito porque também resolvi ler uns livros sobre futebol americano. A temporada de jogos começou e achei que, se entendesse mais do babado, também acharia mais interessante. E, de fato, é um esporte mais complicado e mais divertido do que me pareceu à primeira vista. 

Gosto principalmente das pausas para comer cachorro-quente. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A velhinha doida

Definitivamente serei uma dessas velhinhas doidas que saem conversando com completos desconhecidos na maior tranquilidade.

Hoje, puxei conversa com uma pessoa diferente em cada ônibus que peguei e com dois amigos que vinham caminhando pela Esplanada. E continuei batendo papo, bem contente, até a hora de saltar do ônibus ou de entrar no prédio. 

Acho que eu estava precisando socializar.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um segundo leitor digital

Amo profundamento meu Kindle 4.0, uma versão maravilhosa com teclas que nem vende mais. Eu o tenho desde 2011 e ele já viajou bastante e sofreu um bocado de quedas, mas continua firme e forte. O único sinal de uso é a moldura desgastada pelas minhas mãozinhas sequiosas. 

No entanto, sei que um dia ele vai pifar. Tenho lançado olhares cobiçosos para o Kindle do Leo, que é do mesmo modelo, mas foi comprado depois e está mais conservado, porque o Leo divide seu interesse em aparelhos digitais entre o leitor digital, o tablet e o esporte na televisão. Obviamente não vou poder simplesmente tomá-lo dele, mas substitui-lo por uma versão mais moderna e sem graça (comigo é assim: dureza).

Estavam as coisas nesse pé, quando um cartão de crédito que o Leo tem há anos, até então gratuito, decidiu cobrar-lhe uma anuidade milionária. Antes de cancelar o cartão, o Leo verificou que tinha pontos no programa de recompensas. Esses pontos poderiam ser trocados por uma variedade  incrível de badulaques. Nada nos interessou, fora um belo Kindle Paperwhite por metade dos pontos habituais. Considerando o tanto que a gente usa os leitores digitais (eu esqueço a carteira em casa, mas não esqueço o Kindle), achamos um boa ideia ter um reserva.

Ele chegou pelo correio a alguns dias, bem na hora em que o laptop agonizava (este logo se recuperou. Deve ter sentido que não ia fazer falta e decidiu se comportar). O Kindle Paperwhite é bem bonito e aveludado, mas sofre da terrível e incurável condição de não possuir teclas. Ou seja, ainda não conseguiu minha aprovação incondicional.

A principal vantagem brinquedo novo é ter luz própria. Eu e o Leo gostamos de ler antes de dormir, e volta e meia ele apaga enquanto eu prossigo com meu abajur ligado. Agora, não vou mais incomodá-lo: lerei noite adentro sob a iluminação discretíssima do leitor digital.

Quem sabe com o tempo não me adapto à condição teclaless do Paperwhite? A capacidade de armazenamento dele (4 GB) é o dobro da do antigo. Dá pra enfiar muito mais PDFs dentro. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Decide, Jesus!

Antes de ontem meu laptop pifou por algumas horas. Quando ele voltou, corri para fazer backup.

Ontem meu laptop pegou um vírus. (Sim, eu baixo itens indevidos na internet, como o pdf falso de um livro de francês impossível de achar em sebos - Objectif Diplomatie 2, caso alguém queira saber. E tenha. E queira me emprestar.) Com a serenidade no olhar de quem tem backup, corri para pedir ajuda pro Leo, que nos salvou (a mim e ao note).

Eu não acredito em sinais, mas se acreditasse, poderia concluir:
- que Jesus quer que eu pare de estudar; ou
- que Jesus quer que eu fique esperta e estude com mais intensidade, porque a oportunidade de estudar pode desaparecer a qualquer instante; ou
- que Jesus é um gozador.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O que Jesus quer para mim

Quando fiz uma pós em direito do trabalho (longa história), a melhor parte eram as colegas. Uma dela gostava de dizer, diante de imprevistos: "Jesus não queria isso para mim".

Sou firmemente ateia, mas achei a ideia fofa. Que serenidade essa, de justificar os obstáculos e revezes com a vontade de Jesus. Uma certeza deveras reconfortante.

Ontem meu laptop piscou e apresentou uma tela azul com letras pré-históricas. Diagnóstico do Leo: o aparelho não está conseguindo ler o próprio HD. Sim, você provavelmente perdeu tudo.

Pensei nos resumos e anotações de aula. Pensei nos artigos e capítulos em pdf. Pensei nos PowerPoints baixados e organizados com títulos explicativos. Pensei nos áudios gravados em tempo real. Tudo evaporado, como em um passe de mágica.

E o que fiz? Dei um suspiro. E só. Pode ser o remédio para labirintite que estou tomando ou o monte de livros que tenho lido sobre a tolice de lutar contra o que não podemos mudar. De qualquer forma, não me irritei. Talvez tenha até sentido um microalívio, uma permissão implícita para passar uns dias sem estudar.

O Leo decidiu telefonar para a assistência técnica da marca e, enquanto esperava ser atendido por uma pessoa de verdade, o laptop voltou à vida. Foi até engraçado.

Então, se os materiais dizimados significavam que Jesus não queria isso para mim, os materiais trazidos de volta à vida querem dizer que Jesus quer que eu estude muitão?

Me lasquei.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Stranger than fiction

Sempre gostei muitíssimo de ficção, mas de uns anos para cá tenho preferido a não: divulgação científica, política internacional, psicologia, história e biografias, muitas biografias.

Tanto evento real tão mais bizarro que ficção.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Murphy engraçadão

Queria viajar em abril ou maio para comemorar meu aniversário. Por causa do concurso, fiquei em Brasília, imaginando que podia ser chamada a qualquer momento. Fui chamada? Não.

Pensei em fazer um curso de línguas no exterior em junho, julho ou agosto. Por causa do concurso, fiquei em Brasília, imaginando que podia ser chamada a qualquer momento. Fui chamada? Não.

Tirei o edredom grosso da cama e me preparei para a chegada do verão. Ele chegou? Não. A temperatura deve ter caído uns 15 graus do dia daquele post para hoje.


* * *

Atualização: esta semana, colega estudante no Instagram diz que perdeu todos os arquivos do computador. Penso: puxa, preciso fazer um backup. Faço um backup? Não. O que o laptop faz? Pifa.

Por algumas horas. Sim, ele se recuperou. Murphy foi meu amigo desta vez.

Sim, estou fazendo backup. Neste exato momento.

sábado, 20 de agosto de 2016

Que venha o verão!

É, eu sei que estamos em agosto ainda. Mas em Brasília as coisas são diferentes: assim como Coronel Fabriciano (será que é sina?), a cidade tem só duas estações: inverno e inferno. E o inverno dura bem pouquinho (em Brasília mais que em Fabriciano, o que já é vantagem). Ou seja, mesmo que no calendário oficial nem a primavera tenha começado, hoje foi meu primeiro dia de verão de 2016.

O que marcou a data? Fácil: tomei banho no meio do dia e fui obrigada a desligar o chuveiro elétrico, de tão quente que a tarde e a água estavam. Aproveitamos e tiramos o edredom gordo da cama (já tinha umas noites em que a gente mais o chutava do que ficava debaixo dele). Também abrimos todas as janelas do apê (fazia um tempo que isso não era necessário) e checamos todas as telinhas (eu já disse que a gente mora cercado de árvore, né?).

Decidi que, este ano, não vou sofrer tanto quanto em 2015. Chegamos a Bsb em 2 de setembro e senti muitíssimo calor durante vários meses. Alugar apartamento, montar casa e nos instalarmos na cidade sem carro não foi fácil. Além disso, eu tinha um horário bizarro no trabalho, o que fazia que volta e meia eu almoçasse perto de casa, sob o sol impiedoso, e pegasse o ônibus para a Esplanada quase meio-dia, de roupa social e sapatos fechados. 

Dessa vez, vou fazer de tudo para escapar desse horário e ficar no trabalho (que tem ar-condicionado!) durante as horas mais quentes do dia. Também não vou pensar duas vezes antes de ligar o circulador de ar em casa. Além disso, vou trocar o chazinho quente que eu tomo o dia todo (já que não gosto de café) por água, suco ou chá gelados. Outra coisa é substituir as calças de caminhada por shorts. E usar a banheira do apartamento como uma piscininha.

Mas o plano maior para sofrer menos é instalar ar-condicionado no quarto. Em muitos lugares, à noite a temperatura cai. Em Bsb, nem sempre. O calor é tanto que fica até difícil dormir. 

Quando resolvemos viver de maneira mais simples, também combinamos que não íamos deixar a (minha) pão-durice nos privar de alguns confortos. Um aparelho de ar-condicionado não é barato, mas também não vai quebrar o banco. O mais chato e complicado vai ser a instalação mas, considerando que o frio só volta em junho do ano que vem, acho que vai valer a pena.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A pergunta de um milhão de reais

Um colega de trabalho do Leo perguntou para os outros o que eles fariam se ganhassem um milhão de reais. A resposta quase unânime foi: "Um milhão? É muito pouco! Não dá para fazer nada! É só comprar um apartamento maior e um carro bom que o dinheiro acaba!". 

Na vez do Leo, ele respondeu: "não tenho vontade de comprar apartamento nem carro. Com um milhão, o que eu faria é não aparecer mais aqui no trabalho."

Parece uma boa parte das pessoas acha que um prêmio ou uma herança inesperada vão trazer felicidade se forem usadas para adquirir mais bens. "Mudar de vida" é morar em um lugar mais chique e dirigir um veículo mais caro. Na prática, a rotina da pessoa não muda. Depois que as exclamações de admiração dos amigos e da família terminarem, restará pagar um IPVA e um IPTU mais pesados.

Segundo um amigo nosso economista, esse um milhão bem investido proporcionaria um retorno real (isto é, descontada a inflação) de 0,5%. Ou seja, 5 mil reais livrinhos todo mês para serem usados como a pessoa quiser.  Ou acumulados para um projeto mais ambicioso.

Acho que, mais que comprar bens, investir em experiências, em saúde, em educação e em relacionamentos é que proporcionaria a verdadeira mudança de vida. Eu e o Leo sugeriríamos um sabático (que, aliás, custou muito menos que um milhão). Há quem queira abrir um negócio próprio. Há quem prefira parar de trabalhar para se dedicar a atividades não lucrativas. Moral da história: consumir não é a única resposta.

PS: estamos falando de gente de classe média pra cima. Quem passa dificuldade para pagar o aluguel provavelmente vai ficar muito feliz adquirindo a casa própria. Mas essa pessoa não entra na nossa amostragem: ela jamais diria que um milhão "é muito pouco".

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O emburramento

Andei meio emburrada, que é o termo que dou para quando estou desanimada, insatisfeita e achando tudo besta. Para completar, fico me sentindo uma mal-agradecida, já que minha vida está joia e não tenho do que reclamar. 

Aí me dei conta que o problema não é o presente, que tá tranquilo, tá favorável. O problema é o passado e o futuro. O passado foi um período sabático fantástico; o futuro promete altas aventuras. Comparativamente, o presente ficou sem graça e cinzento, coitado. Um vale entre dois picos. 

Eu seeeei que a turma do "aproveite o momento presente" vai dizer que eu sou uma bobona e que é exatamente isso o que devo fazer: aproveitar o momento presente. E eu estou tentando, gente, mas tá difícil.

Estou partindo para a solução fácil mesmo: sorvete e Netflix. Dizem que lá na Coreia do Norte a internet não é boa mesmo. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Caminhar é preciso

Minha rotina mudou. Perdi a companhia. Passamos mais de uma semana em BH. No fim das contas, passei mais de um mês sem caminhar diariamente. 

Aí fiquei melancólica e desanimada. Achei até que estava ficando deprimida. Mas só percebi isso tudo na segunda-feira, quando decidi fazer uma caminhada pela manhã, sozinha mesmo, e passei o resto do dia muito mais feliz. 

Os médicos dizem mesmo que, se houvesse um remédio com os resultados do exercício físico, eles prescreveriam para todo mundo. Como não tem, o jeito é botar um tênis e ir passear. 

Eu, particularmente, detesto academia (menos a Real das Ciências da Suécia, que dá o prêmio Nobel). Então, faço meu exercício por conta própria. Em Belo Horizonte, onde não havia lugar para caminhar perto de casa, eu tinha uma bicicletinha ergométrica, que eu usava religiosamente. Aqui em Brasília, moro em uma superquadra, o que significa muita árvore, muito verde e muitas calçadas largas. Além de ser plana, a região é bonita. 

Confesso que às vezes fico com preguiça de trocar de roupa, passar protetor solar e sair. Mas, depois que ponho o pé na rua, sempre acho bom. 

Sei que o recomendado é não só exercício aeróbico, mas com pesos também. Pois bem: faço o meu carregando as compras de supermercado até em casa (são 700 metros!), e subindo três andares com elas. Talvez um dia eu tenha de me render à academia (aguardo ansiosamente o meu Nobel), mas por enquanto estou me virando bem sozinha, obrigada.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Anticlímax

O primeiro semestre foi cheio de emoções. Teve prova, recursos, subida de posições, concurso de formação. O resultado final saiu no DOU em maio. Consegui uma licença-capacitação no trabalho no começo de junho e saí de lá achando que ela ia durar pouco, porque o MRE ia chamar para a posse dali uns dias.

Aí, silêncio. Sem sinal de vida do Itamaraty - nem mesmo a lista de exames médicos. Geralmente os aprovados não são nomeados imediatamente, é verdade, mas os professores do curso de formação juraram que eles estavam precisando muitíssimo de gente. E já passaram quase três meses.

Não estou preocupada, porque sei que uma hora vão chamar. Estou só achando que a licença vai acabar, vou ter de voltar ao trabalho e, como me despedi dos colegas em triunfo, isso vai ser muito anticlimático.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Escaneadora com ascendente em aleatoriedades

Como disse minha irmã mais nova, "Foi o pior livro bom que eu já li". Estou falando de Refuse to Choose, da Barbara Sher (pelo jeito sem tradução para português), que fala de um tipo de gente  diferente: scanners, ou escaneadores - um povo que pula de um interesse para outro, alegremente, sem se comprometer para sempre com nada. 

Eu e a irmã nos identificamos. Queremos saber e fazer um monte de coisas, mas ficamos satisfeitas depois de um certo tempo. Não sentimos necessidade de nos concentrar no mesmo tema durante anos e anos. Depois que a gente absorve o que quer, damos tchau. E partimos para a próxima. Isso, claro, tem seu preço. Em um mundo que valoriza especialistas, somos generalistas aleatórias.

O lado ruim do livro é que a autora trata a si mesma e aos escaneadores como gênios incompreendidos. E enche as páginas de historinhas repetitivas nas quais ela REVELA às pessoas sua VERDADEIRA natureza. Aí as pessoas ficam absolutamente chocadas, porque jamais, em toda a vida, tinham pensado naquilo/visto as coisas por aquele ângulo. O que nos faz desconfiar que esses escaneadores não são tão brilhantes assim, certo? Mas achei bacana ter um nome para o que eu sou que não fosse "sem foco", "desorganizada" ou "randômica". 

A autora diz que não temos que terminar o que começamos - aliás, ela recomenda que a gente não termine a maioria absoluta dos nossos projetos! Mas, no fim do livro, dá o braço a torcer: fala que não precisamos terminar todos os projetos, mas que precisamos saber terminar.  

Fiquei pensando em como aplicar esse novo conhecimento na prática. Por um lado, estou feliz por entender meu fôlego curto (muita iniciativa, pouca acabativa). Por outro, sei que alguns objetivos dessa vida só são alcançados com um esforço contínuo e prolongado - algo que vai contra minha tendência escaneadora. O que fazer? 

Tentar domar minha tendência escaneadora, né? Não por toda minha existência, porque isso seria muito sofrido. Mas por um período determinado (provavelmente mais longo do que eu gostaria). Estou pensando numas estratégias aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

#Enveja

Dia desses tive uma crise de inveja de gente que pode ficar só estudando. Afinal, trabalho toma tempo e desgasta. Fiquei pensando como seria bom ter o dia inteiro para ler livros e ver vídeo-aulas.

Aí tive vários dias de folga, que decidi dedicar ao estudo. Pronto. Foi o suficiente para me lembrar que a vida do estudante integral não é tão boa assim. É preciso ter disciplina, paciência, atenção. Lutar contra a preguiça, o autoengano, as redes sociais. E isso porque eu gosto das matérias!

Digo me lembrar porque, depois que me graduei em direito, estudei para concursos públicos. Morava com meus pais, eles pagavam cursinho e materiais, e eu ainda reclamava, porque achava que eles me perturbavam! O caso é que eu fazia uma segunda graduação, estudava só quando me dava na telha (e depois que saía um edital que me interessava), e eles achavam que não era uma boa estratégia. Por sorte (e pelo acúmulo de períodos variados de estudo), fui aprovada alguns meses depois que me formei... pela segunda vez.

Resumindo: não tá fácil pra ninguém. Mas um chocolatinho sempre ajuda.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Por que eu não fiz isso antes?


Porque faltou tempo.

Porque faltou grana.

Porque faltou ânimo.

Porque me distraí.

Porque fui fazer outras coisas mais importantes.

Porque fui fazer outras coisas mais urgentes.

Porque eu não sabia que isso existia. 

Porque eu não sabia que eu queria isso antes.

* * *

Vale pra quase tudo.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Segundo semestre: a decisão da pessoa

Pessoa infernizou amigos e família por meses sobre o concurso de oficial de chancelaria. Pessoa estudou sofrendo, chorando e rangendo os dentes. Pessoa passou no concurso. E agora, o que a pessoa faz? Arruma outra coisa pra estudar, claro.

Mas a culpa não é da pessoa, pessoas. A culpa é do tempo livre que a vida simples proporciona e da demora para nomearem a pessoa. Se a pessoa estivesse trabalhando de 9 às 19 no Itamaraty, estaria ocupada e feliz. Como não está...

Como não está, pessoa decide estudar as matérias do concurso de diplomacia. Vejam bem: pessoa não vai estudar para passar no concurso de diplomacia. Pessoa quer é ler livros, fazer aulas e participar de grupos de discussão na internet sobre temas palpitantes.

Pessoa não está sendo falsamente modesta. Modesta a pessoa nunca foi. Mas a pessoa sabe que o concurso é muito difícil, que são poucas vagas, que todo anos tem 500 candidatos realmente preparados para 30 vagas. Também sabe que as pessoas costumam levar 3, 4 anos para serem aprovadas (quando são) e que seu fôlego para estudos tem se mostrado, até agora, curto.

Ou seja, a chance de pessoa se distrair no meio do processo e ir fazer outra coisa é muito grande. Então, pessoa não quer se comprometer com a meta da aprovação. Não quer nem se comprometer em ir fazer a prova! Quer é estudar história, geografia, economia e política internacional, tudo muito útil para quem vai fazer parte do Serviço Exterior Brasileiro.

E muito mais divertido que contabilidade pública, vamos combinar. 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Homenagem aos sapatos confortáveis

Durante muito tempo na vida eu achei que era muito normal sapatos apertarem, machucarem, pressionarem, espremerem. Eles eram bonitos e eu queria ser bonita e achava isso muito normal. 

Um dia vi a luz: eu não precisa ser bonita (até podia, mas não precisava). Logo, também não precisava usar sapatos bonitos e machucadores. Nunca. 

Minha vida mudou (mesmo). Meu humor melhorou. Eu vou a pé pra qualquer lado, agora. Eu pego ônibus sem pensar duas vezes, agora. Eu não me preocupo se meu salto vai afundar na grama ou agarrar em um buraco da calçada ou me fazer tropeçar, agora. E no trabalho, quando preciso chegar ao fim de corredores longos arrastando cadeiras ou carregando banners, eu  nem pisco o olho.

Isso ficou tão normal que eu até me esqueço da libertação que foi. Só me lembro quando uma colega pergunta: "Mas você nunca usa salto? Isso não é radical?" E eu fico sem palavras pra responder. Porque eu nem concebo um mundo onde eu me submeta a incômodos outros do que os absolutamente necessários. Porque hoje me parece tão óbvio que sapatos apertarem, machucarem, pressionarem e espremerem não é normal. Porque já fui essa colega.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O novo projeto

Diz a turma da psicologia positiva que, para ser feliz, a gente tem que eliminar ou gerenciar o que nos deixa infelizes (dívidas, doenças, relacionamentos ruins, trabalho chato), mas não é só isso não. Temos também que fazer o que nos nos dê um sentimento de engajamento e propósito. E quanto mais tempo passarmos em "flow" (aquela situação em que estamos tão entretidos, usando nossas habilidades no nível máximo, que nem vemos o tempo passar), melhor.

Apesar de eu ter resmungado muito a respeito dos meus estudos para o concurso (não tenho tempo! não me deram férias! não sei mais estudar!), eu gosto bastante de ler e aprender (e quem não gosta, quando o assunto interessa?). Então decidi que, em vez de continuar absorvendo casualmente o que em chama a atenção, vou escolher um tema e fazer um plano, com horários marcados, metas a alcançar e bonitas planilhas. 


Vamos ver quanto tempo dura essa disposição.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Pego mas não me apego

Estou indo trabalhar achando que são meus últimos dias no setor, no prédio e na instituição. Caminho lentamente pelos corredores, tentando sentir a melancolia do adeus. E quer saber? Tô nem aí.

Tem gente que geme, chora e se descabela quando termina um curso, troca de emprego ou faz uma mudança. Fiquei pensando no meu passado e percebi que passei por três escolas, duas faculdades, três cidades e vários grupos de colegas (de estudo, de trabalho) sem derramar uma lágrima, soltar um suspiro ou lançar um olhar pra trás.

Os (poucos e bons) amigos que fiz continuaram em minha vida mesmo depois que a convivência obrigatória terminou. As outras pessoas? Ficarei feliz em reencontrá-las (ok, nem todas), mas se não acontecer, não vou me incomodar nem um pouquinho.

Os fatos indicam um coração perigosamente peludo, mas acho que é uma boa característica para quem gosta de ficar se mudando por aí. Talvez seja até uma das razões pelas quais eu gosto de me mudar por aí! Afinal, se toda vez que eu deixasse pra trás pessoas e lugares familiares eu sofresse horrivelmente, provavelmente estaria morando em Minas Gerais até hoje.

Na casa dos meus pais.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

As vantagens dos 40

Mal acabei de fazer 40 e já estou vendo grandes vantagens. Deve ser porque fiz concurso e estou convivendo com gente de diversas idades, inclusive os recém-formados. 

É um pessoal que vai sair pela primeira vez da casa dos pais. Alguns ficarão apertados até o primeiro salário entrar. Outros terão que comprar utensílios e móveis. Vários se preocupam com o que morar fora fará com seus relacionamentos. E os atrasos no pagamento no exterior que têm ocorrido no exterior deixam a turma de cabelo em pé. 

Acho fantástico um pessoal tão novo já estar entrando em uma carreira tão legal. Por outro lado, do alto dos meus 40, tudo é muito mais fácil. Estou casada e acostumada a morar longe da família; minha casa já está montada; tenho economias, e portanto não me preocupo com alugueis atrasados ou em ter de pagar adiantado as consultas no plano de saúde internacional. 

É claro que não é todo mundo que tem 40 que está bem de vida - em todos os sentidos -, mas a tendência é que as pessoas acumulem dinheiro, bens e experiências. Minha sensação é que a gente vai aprendendo as regras do jogo, acumulando fichas, descobrindo as estratégias que funcionam... e tudo vai ficando mais simples. 

O truque, é claro, é tentar só acumular coisas boas. Para quê ficar remoendo brigas, fracassos e conflitos? Não é muito melhor considerar os problemas do passado como uma forma de aprendizagem e focar em boas lembranças, momentos de carinho e pequenas (e grandes) vitórias? E isso também serve para os bens materiais, né. 

Em suma, desapego sempre.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vitória no brechó

Hoje saí mais cedo do que eu esperava de um compromisso e, enquanto matava o tempo, vi a placa de um brechó desconhecido e decidi investigar. 

Se da outra vez eu saí do Peça Rara com as mãos abanando, dessa vez eu deixei o Rouparia com uma sacolinha recheada: seis peças no total. 

Se a pessoa não sabe o que quer, brechó deve dar um pouco de pânico porque, afinal, as possibilidades são praticamente ilimitadas. Tem roupa de tudo quanto é cor e modelo, e não tem uma coleção ou um lançamento pra direcionar as escolhas. Mas eu, que já sei qual é o meu estilo, procuro basicamente calças e camisas nas minhas cores preferidas, então fica tudo mais fácil. E como Brasília é uma cidade de mulheres profissionais, o que não falta são roupas adultas de etiquetas idem.  

Não faço questão de marca, mas sou obrigada a concordar com minha mãe em um ponto: em lojas mais carinhas a gente tem mais chance de encontrar tecidos naturais e estampas diferentes. Comprei três camisas, todas 100% algodão, todas com padronagens bacanas, e uma é tão macia que estou com vontade de transformar em pijama.

Já nas calças eu posso ter me excedido: eu tinha quatro calças pretas para trabalhar, e agora tenho seis calças pretas para trabalhar. Os modelos são ligeiramente diferentes, mas, no fim das contas, são calças pretas para trabalhar. É bem verdade que duas das calças que eu tinha estavam meio largas (minha mãe disse que eu tinha de aposentá-las), então talvez seja só questão de reorganizar o armário. Já a terceira calça não é para trabalhar, é para brincar.

Mas o povo quer é ver, né? Aí vão as minhas aquisições. 


E o povo quer é saber: quanto é que ficou? Sei que é complicado falar de dinheiro, e sempre tem gente que vai achar caro e gente que vai achar barato, mas para ser objetiva na defesa da vida simples e do minimalismo, tenho de fornecer os dados, né?

Então eu conto: as seis peças ficaram por 270 reais. Na hora de pegar, a atendente simpática disse que, no cacau, tinha 30% de desconto. Não tive dúvida: saí pra sacar dinheiro (por sorte tinha banco pertinho) e no fim das contas paguei 190 dinheiros.  

Fiquei contente e meu bolso também.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A consumidora infeliz

Além de pão-dura, eu sou uma pessoa, digamos, exigente. Isso significa que minhas aquisições materiais, além de me fazem tirar dinheiro do bolso, o que nunca é motivo de alegria, correm o grande risco de não estar à altura das minhas expectativas. Antes que me acusem de má-vontade, deixem-me relatar alguns episódios:

Evidência número 1: as cortinas da discórdia.
As janelas da sala cobrem uma parede toda. Resultado: uma vista linda de árvores e verdes, mas um sol inclemente que bate sem dó de 6 da manhã até as 2 da tarde. Solução: uma cortina cara, de qualidade, de uma loja igualmente cara (mas de qualidade duvidosa, como me dei conta depois). 

Encomendei bonitos bandôs enroláveis. O vendedor garantiu que eles resolveriam meu problema. Resolveram? Que nada. Deixavam praticamente toda a claridade entrar. Depois de longas negociações com a loja, instalaram uma segundo cortina na frente, essa em blackout (não de graça: a preço de custo). Resolvido? Que nada. A segunda cortina veio toda amassada e com a bainha enrugada. Outras longas negociações se seguiram. No fim, confesso que fui vencida pelo cansaço e fiquei com essa cortina mesmo. (Perceba, Ivair, a enrolância do cavalo: eles mataram dois funcionários, em duas ocasiões diferentes, como desculpa para não vir nos horários marcados.) 

Evidência número 2: as telinhas do rancor.
Moramos no meio de árvores e verdes. O que é lindo, inclusive segundo vários tipos de bichos voadores. Para nos protegermos dos mesmos, instalamos duas telas nas grandes janelas do banheiro (e também foi caro. Tudo em Brasília é caro). 

A loja colocou as telas, percebeu que elas não ficariam perfeitamente encostadas nos cantos (nas janelas tem umas molduras de madeira que terminam uns dois dedos antes de começar o mármore) e sabe o que fizeram? Disseram pro Leo: "Tampa com Bombril". Sério, gente. Você paga 4 dígitos 3 dígitos em duas telas mosquiteiras e o povo te diz pra tampar com Bombril. Liguei lá, pedi para eles virem dar um jeito. Depois de umas quatro ligações, eles vieram, olharam, disseram que dariam um jeito. E nunca mais voltaram. Vencida pelo cansaço, desisti de reclamar. Pelo menos essa loja não matou ninguém. 

Evidência número 3: o cachecol da cizânia. 
Encantada com sua felposidade, comprei um cachecol de cor duvidosa. Tive então a brilhante ideia de mandar tingi-lo. Levei-o à uma lavanderia e perguntei se eles tingiam. Sim, disse a velhinha fofa que me atendeu. "Vou usar tinta sintética e vai ficar ótimo." 

Quando fui buscar o cachecol cor-de-burro quando foge, ele tinha virado marrom-escuro-quando-foge, e o burro tinha adquirido uma doença dermatológica, i.e., estava todo manchado. Apontei o fato para a velhinha fofa, que imediatamente prometeu comprar outra tinta, essa sim adequada ao material, e deixar o cachecol pretinho. 

Na semana seguinte, fui buscar o cachecol, que estava... exatamente igual. (Aparentemente, essa é uma tática largamente difundida no comércio local. O povo das cortinas da discórdia também fez isso: buscou as cortinas amassadas de bainha enrugada para consertar e passar e devolveu exatamente as mesmas cortinas, só que mais amassadas pelo transporte). 

Vencida pela exaustão (e pelo fato que o serviço custou apenas 20 reais), resolvi não brigar com a velhinha fofa, para evitar que ela matasse alguém da família. Fui para casa imaginando a maneira mais rápida de me livrar da abominação que o cachecol se tornou. 

Tem uma moral nessa história, mas no momento não estamos conseguindo encontrá-la. Vocês entendem: faleceu uma pessoa aqui do bairro e estamos todos muito abalados...

sábado, 28 de maio de 2016

Aproveitar os nãos

Não é sempre que a gente consegue tudo que quer na vida. Aliás, acho que o que mais acontece é não conseguir, né? Mas, em vez de ficar emburrado, a gente pode aproveitar o não.

Quando passei em meu primeiro concurso, tive que mudar de cidade para tomar posse. Até chorei quando fiquei sabendo. A cidade nova NÃO era Belo Horizonte, e NÃO tinha família, amigos ou  vida cultural. Mas era barata, segura e tranquila. Aproveitei para me associar ao clube, fazer uma pós, juntar dinheiro, viajar e curtir a vida de recém-casada.

Eu e o Leo NÃO temos filhos (foi decisão conjunta, mas também podíamos não ter conseguido). Depois que batemos o martelo, olhamos um para o outro e nos perguntamos: já que não temos filhos, o que vamos fazer de bacana? Resposta número 1: vender tudo e sair viajando. Resposta número 2: embarcar em uma carreira internacional. (Sim, dá pra fazer tudo isso com rebentos, mas é mais complicadinho.)

Eu NÃO sei dirigir. Tenho carteira e tudo, mas faz muito tempo que parei e não sei mais como faz. Dirigir é uma ótima habilidade? Com certeza. Alguém morre por não saber dirigir? Claro que não. Então eu ando de ônibus (o que é ecológico e saudável, porque caminho de casa até o ponto, do ponto até o trabalho, e vice-versa), ando de carona (o que desenvolve minhas capacidades sociais) e ando de táxi e de Uber (o que, no fim das contas, fica mais econômico do que ter carro).

Eu NÃO um monte de coisas. Mas NÃO deixo de ser feliz por isso.

PS: Eu NÃO sei assobiar. Mas aqui ainda não vi vantagem.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vigilância constante

Já trabalhei em vários lugares diferentes. Em nenhum deles enfrentei o que acontece hoje, um fenômeno que batizei de "vigilância constante". Não passa um dia sem que uma das mulheres da sala faça um comentário, em alto e bom som, sobre a aparência de uma das outras: 

"Você está com cara de cansada!"
"Emagreceu?"
"Essa saia é nova, hein!"
"Passou delineador hoje?" 
"Cortou o cabelo!"
"Por que você não faz umas luzes?" 

E, claro, sobre o que se come ou o que se deixa de comer: 

"Você vai repetir?"
"Nossa, seu prato é tão pequeno!" 
"Este cookie diet é ótimo!"
"Eu evito laticínios."
"Vou fazer um detox antes da festa."
"Hoje eu vou fechar a boca."

Talvez, para algumas pessoas, funcione como uma demonstração de cuidado e carinho. Para mim, estabelece um clima de policiamento. O que é sinto é que todas se vigiam para não saírem de um padrão determinado de beleza, juventude e magreza. Me dá uma preguiça imensa. Minha sorte me acostumei a usar o que quero (tipo roupa adequada e confortável) e dispensar o que não quero (tipo salto e esmalte) em um ambiente menos opressor. Então, mesmo quando a patrulha está especialmente atuante (tipo hoje), não me abalo. 

Só me irrito. 

* * * 

A minha política é não fazer comentários sobre a aparência e o regime alimentar de ninguém. Já basta a mídia (e as colegas!) fazendo isso. 

Acho que as pessoas devem usar o que quiserem. Esse não é o ponto. O ponto é existir um ideal estrito de beleza e comportamento, nem especialmente saudável nem especialmente vantajoso, que muitas pessoas - ok, muitas mulheres - internalizam e, não satisfeitas de seguirem, insistem que as outras sigam também. #milarga, pô.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Saiu o resultado do concurso!

E eu passei!

Estou muito feliz, e o Leo também.

Isso quer dizer que as horas de estudo, os momentos de ansiedade brava, a ameaça de início de gastrite e a viagem de aniversário cancelada valeram a pena.

Isso quer dizer que fiz 40 anos e minha vida mudou, do jeito que eu queria e imaginava (eu estava torcendo para o resultado sair antes de 30 de abril, mas um pouquinho depois também está valendo).

Estou sentindo alegria e alívio e gratidão.

Mais detalhes? Aqui.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Esse tal de nomadismo digital

Faz muito tempo que eu me interesso pela possibilidade de ser nômade digital. Que é basicamente  trabalhar a distância e sair pelo mundo, já que não precisa bater cartão no mesmo ponto físico todo dia.

A vantagem é que a pessoinha tem liberdade para morar onde quiser, pelo tempo que quiser. 

Ou seja, pode optar por uma cidade interessante com custo de vida baixo, conhecer um monte de lugares, pessoas e culturas, passar seis meses com vista para o mar e outros seis com vista para a montanha. As desvantagens? São o outro lado da moeda: o nômade, como o próprio nome diz, não tem morada fixa, não sabe onde vai estar dali a um ano e tem de encarar as saudades e a falta de convivência com a família e os amigos.

Pelo que sei, a ideia começou com os americanos e muitos deles se instalaram no sudeste asiático, que tem uma boa estrutura e preços baixos.

Nomadismo digital tem muito a ver com simplicidade e minimalismo.

Se a ideia é pipocar de um lugar que te atrai para um lugar que te atrai mais, não faz sentido montar casa e gastar os tubos transportando um monte de objetos toda vez que trocar de cidade ou país. Além disso, quanto mais baixo for seu custo de vida e quanto menos você consumir, menos horas você tem de gastar fazendo trabalho remunerado.

Em suma, não é todo mundo que topa (ou vê vantagem em) ser nômade digital. Os valores de quem adota o nomadismo são diferentes dos da maioria das pessoas que eu conheço (sem julgamento de valor: se não estiver prejudicando os outros, que cada um viva do jeito que achar melhor). Já eu gosto muitíssimo da ideia: acho que ela dá muita liberdade (uma das coisas que a gente mais sentiu falta quando voltou do sabático) e muita diversão. 

Quando saímos viajando, pensei em experimentar essa vida. 

Comecei a pesquisar e dei de cara com a dura realidade: em geral, nômades digitais trabalham pra caramba. Não tem essa do expediente terminar às 5 da tarde. Quando se é autônomo, antes de começar o trabalho é necessário caçar o trabalho: fazer propostas, buscar empregadores, arrumar frilas. Até fazer seu nome no mercado, se gasta tempo e muitas vezes se trabalha por valores pequenos.

Hoje, os nômades digitais que conheço recomendam que o candidato já saia do Brasil com o trabalho à distância consolidado e uma certa renda garantida, em vez de tentar conseguir isso na estrada, o que pode ser angustiante e demorado. E dar errado. 

No meu caso, a habilidade que poderia me dar algum dinheiro seria jornalismo de viagem. Só que viajar por prazer e viajar jornalisticamente é beeeem diferente. Então pensei bem, conversei com o Leo e decidimos que, como a proposta inicial do sabático era passear e se divertir e a gente tinha juntado dinheiro pra isso, era isso que íamos fazer. 

De qualquer forma, acho a proposta interessante.

Vejo bastante gente querendo sair dos moldes tradicionais do trabalho: 
horário fixo, cinco dias por semana, onze meses por ano. 

O trabalho remoto já é revolucionário: permite escapar do trânsito, trabalhar nos horários de maior produtividade, receber pelo resultado e não pelas horas sentado no escritório. E aí quem quiser pode morar onde bem entender - seja em uma cidade menor, com custo de vida mais baixo e mais perto da família, seja uma metrópole com muita oferta de cultura e diversão. 

Existem alguns nômades digitais brasileiros e vejo muitas dicas interessantes nos blogs deles. No entanto, tem dois aspectos que me deixam incomodada:

1) Vários ganham dinheiro ensinando as pessoas a... serem nômades digitais. É o clássico esquema de pirâmide e uma hora ele vai ruir, porque não vai ter sobrado ninguém interessado em ser nômade digital.

2) Justamente por ser novidade, o modelo não está consolidado ainda. Funciona agora, mas ninguém sabe como vai ser no futuro. Perguntado a respeito de aposentadoria, um casal responde que são empreendedores e, portanto, não pretendem se aposentar; outro, mais jovem, garante que planeja guardar dinheiro para o futuro, mas até agora só conseguiu fazer isso um ou dois meses.

Estou acompanhando essa novela e aguardo ansiosamente os próximos capítulos. 

* * * 

Para quem se interessou, alguns blogs de nômades digitais brasileiros: 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Neeext!

Sabem o resultado daquele concurso? Pois é, eu também não. Como não tem nada que eu possa fazer a respeito, e como de qualquer forma empregos só ocupam 8 horas do meu dia, já estou pensando no próximo desafio.

Não quero pensar muito, não: quero decidir logo e começar. Se tem algo que aprendi nessa vida é que não escolher já é uma escolha, geralmente não muito boa. Eu fico naquela ânsia de querer fazer tudo, não começo nada porque afinal se eu fizer isso eu não faço aquilo, e no fim das contas o tempo passou e eu não fiz isso nem aquilo. 

Fico dividida entre duas atividades: uma que envolva estudar muito, voltada para a área profissional, porque no fim das contas estudar é algo que eu sei fazer; e outra em que eu use a imaginação.

(A culpa é dos coleguinhas que diziam que eu era "muito criativa" e que "estava desperdiçada". Mas talvez eles estejam errados. Talvez eu seja muito criativa para a área jurídica (e quem não é? Me desculpem os amigos, mas direito é um troço meio chato), mas não o suficiente para realmente me encontrar em uma atividade artística.)

Dá pra fazer as duas coisas? Não sei. Ambas exigiriam várias horas todos os dias, e se eu alocar metade das horas para cada uma delas, isso quer dizer que cada uma vai gastar o dobro do tempo em dias para ser terminada. E, sinceridade? Meu fôlego para projetos não é dos maiores. A chance de eu me cansar e largar pela metade é bem grande. 

Acho que vou decidir no cara ou coroa.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Na contramão das redes sociais

Como boa introvertida, sempre fui muito desconfiada de grupos, atividades coletivas e, claro, redes sociais. Minhas tecnologias preferidas são leitor digital e e-mail. Comprei um espertofone há poucos meses e criei meu perfil no rede do tio Mark há pouquíssimo tempo. 

Para minha grande surpresa, estou achando Whatsapp e Facebook muito úteis. Entrei no esquema para fazer parte de grupos de discussão de colegas de concurso e, portanto, estou interessadíssima na maioria absoluta das informações que circula. Outra surpresa é que outra das razões para eu começar a usar as redes foi não ficar muito pra trás nas tecnologias, como meus pais - só que elas são facílimas e intuitivas. Quando eu era adolescente, os programas ficavam cada vez mais complicados; hoje, é exatamente o contrário. 

O mais interessante é que tenho visto vários textos sobre desintoxicação eletrônica e sabáticos tecnológicos. Eu tô entrando e o povo tá saindo, ou pelo menos tentando diminuir. É verdade que o Leo já estava conectado há muito tempo, e em caso de necessidade eu me servia dos contatos dele. Mas, de maneira geral, resisti o quanto pude. Aí, quando finalmente decido participar, já tem gente caindo fora?

Pois eu, que não sou boba nada, leio os textos e aprendo com os gatos escaldados. Não preciso passar pela experiência de me viciar nas redes, obrigada. Nem passar (muita) raiva: já sei usar o botão "deixar de seguir" e desativar notificações no Whatsapp.

sábado, 30 de abril de 2016

Passeio no brechó

Hoje eu decidi comprar roupa, porque não faço isso há muito tempo e minhas calças de trabalho estão começando a querer serem substituídas. Decidi ir a um brechó, para não sofrer muito com o choque de reentrada  (o Leo diz que minha concepção de valores está congelada na época da faculdade, época em que se comprava uma bota com cinquenta reais. Tudo que custa mais de cinquenta reais eu acho "muito caro"). 

Para minha alegria de pessoa desmotorizada, descobri que o Peça Rara, o brechó de Brasília com que já fiz muitos negócios no passado, abriu uma filial na Asa Norte, a 2 quilômetros e meio planos e na sombra da minha casa. E lá me fui. 

O Peça Rara é bem bonito e organizado, mais bacana que muita loja a que já fui. Eles separam as peças por cor e por tipo, mas mesmo assim era tanta roupa que eu fiquei meio desorientada. 

Logo percebi que só me interessei por modelos e cores parecidos com os que já tenho. O que me deixou muito contente: tenho um estilo! Sei do que eu gosto! Fiquei olhando uma arara de calças das padronagens mais bizarras (Onça! Zebra! Folhagens tropicais!) e pensando: quem é que usa isso? Pois é, quem usa isso é quem acredita no dito "tem de variar" (eu já acreditei, então não culpo ninguém).

A única peça que me interessou foi uma sapatilha de verniz imitando cobra, tão nova que a sola estava praticamente perfeita. Infelizmente o tamanho disponível era 34 e eu uso 35. De fato, brechó tem essa limitação. 

Sai de lá com as mãos abanando, mas contente com a ideia de ter um estilo. Posso ignorar totalmente a moda (o que já faço mesmo) e usar só o que eu gosto. Ganha-ganha!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A verdade sobre a vida

Uma das coisas mais legais de me desfazer de um monte de coisas e sair viajando foi a sensação de liberdade. Que beleza, posso fazer o que eu quiser! (Com disciplina e responsabilidade financeira, claro.) E a expectativa: agora, com tempo e liberdade, vou descobrir o meu verdadeiro eu, aquilo que eu nasci pra fazer, o significado da vida etc. etc.

Tô esperando até agora.

* * * 

Ok, não é verdade: no fim das contas, eu cheguei às respostas - pelo menos às minhas respostas - , sim. Só que é muito sem glamour. Querem saber? É simples: meu verdadeiro eu é o que faço todos os dias; nasci pra fazer o que eu escolher, dentro de limites razoáveis de tempo e espaço; o sentido da vida é o que a gente constrói.

Cadê o insight? A iluminação? O final de O Sexto Sentido? Tem nada disso não, fofas. Tem é trabalho, esforço e escolhas mesmo.

sábado, 16 de abril de 2016

Contentona

Após um curso de formação bacana e puxado, acabo de fazer a prova final do concurso de Oficial de Chancelaria.

Estou contente. Contentíssima. Alegre porque estou achando que vai dar pra ficar entre as vagas (o resultado sai semana que vem); feliz da vida mesmo porque, independentemente do resultado, foi um projeto que levei até o fim.

Várias vezes nessa vida, comecei e não terminei. Sou daquelas pessoas que têm muita iniciativa e pouca acabativa. Dessa vez, eu quis fazer diferente. Decidi focar pra valer. Pra isso, conscientemente, deixei várias coisas de lado. Faz cinco meses que estou, basicamente, por conta.

O processo teve seus altos e baixos: momentos de alegria e de desânimo, choro e ranger de dentes, um bocado de horas de estudo, frio na barriga constante, um tanto de mimimi. Mas cheguei do outro lado, e é isso que importa.

Quer dizer, passar importa também. Mas que eu estou toda-toda de ter chegado até aqui, isso estou.

* * *

Atualização em 10 de maio: já passou quase um mês... e o resultado ainda não saiu. Por isso ainda não tem post comemorativo ou fúnebre no blog.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Outono da vida?

Como vou fazer 40 anos, comecei a me interessar pelas alegrias e dilemas da meia-idade. Tecnicamente, a definição de "meia-idade" varia, mas é razoável supor que ela vai dos 40 ao 60 anos. Ou dos 45 aos 65, que é a idade em que a pessoa se torna legalmente idosa no Brasil. De qualquer forma, ela está chegando, e eu estou me preparando alegremente para recebê-la. Até porque não tem como evitá-la: a única maneira de não envelhecer é morrer jovem. 

A boa notícia é que a amígdala cerebral, que é centro das emoções, fica mais tranquila depois dos 40. Então, em tese, ficamos todos menos ansiosos e angustiados, o que é sempre bom. A notícia não tão boa é que a felicidade das pessoas, estatisticamente, tende a seguir a forma de U invertido: vai diminuindo um pouquinho a partir dos 18 até os 40 anos, e aí fica no ponto mais baixo até os 55, quando volta a subir. A teoria é que, dos 40 aos 55, a maior parte das pessoas passa pelo período mais atribulado de suas vidas: cuida dos filhos, cuida dos pais, enfrenta muita responsabilidade no trabalho... Depois a coisa melhora, mas pode ser um período conturbado. 

No meu caso, que não tenho filhos e cujos pais são completamente independentes, não tenho percebido essa diminuição de felicidade. Tenho percebido é uma diminuição de expectativas. E isso é bom! Fiquei mais realista e, consequentemente, meus objetivos ficaram mais fáceis de alcançar. Esse realismo também me ajudou a ver que algumas metas que eu achava necessárias para ser feliz não eram verdadeiramente minhas, mas vinham da família/sociedade. Foi e continua sendo muito libertador parar de seguir o programa "dos outros" e ir atrás do que de fato acho importante.

Toda essa introdução foi para falar de um livro bem interessante: Life Reimagined: The Science, Art and Opportunity of Midlife (A Vida Reimaginada: a Ciência, Arte e Oportunidade da meia-idade), da Barbara Bradley Hagerty. Ela é jornalista e, aos cinquenta e poucos anos, diante de um problema de saúde, decide investigar... as alegrias e dilemas da meia-idade.

Barbara começa dizendo que 1) existem poucas pesquisas voltadas para a turma dos 40-60 (geralmente os cientistas se interessam pela infância e pela velhice) e 2) a tal crise de meia-idade é mesmo uma lenda.

Revisando as pesquisas que existem e entrevistando com cientistas e psicólogos (além de conversar com contemporâneos), a autora chegou a algumas conclusões interessantes:

- depois dos 40, as pessoas continuam capazes de aprender tudo (mesmo instrumentos musicais e línguas estrangeiras). O truque é persistir.

- uma maneira de fortalecer os relacionamentos? Fazer coisas novas juntos.

- em vez de ir atrás da felicidade, buscar significado/propósito faz com que a felicidade surja como consequência.

- exercícios aeróbicos são realmente excelentes para o corpo... e para o cérebro também.

- o conceito de sucesso merece ser redefinido. O que realmente é importante para cada um não é necessariamente o que "os outros" acham.

Nada muito revolucionário, mas tudo interessante e útil. E, o que eu acho mais importante, não é achismo: está tudo baseado em pesquisas e conclusões científicas. A ciência evolui e muda, é claro, mas não é tão bom seguir conselhos que partem de indícios razoáveis?

Outono da vida? Agora é que tá ficando bom! 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O macacão estampado

Quando decidi simplificar minha vida, minhas posses e meu guarda-roupa, me desfiz de um monte de peças. Guardei só as que...

- eu gostava (não sei se sou só eu - #diferentona -, mas eu tinha umas roupas de que nem era muito fã, mas usava porque minha mãe/uma amiga/a revista dizia que eram lindas);

- era confortáveis (eu tinha blusas que pinicavam e sapatos que me mastigavam, mas, de novo, usava porque minha mãe/uma amiga/a revista dizia que era lindo);

- estavam dentro minha cartela de cores (que também são minhas cores preferidas): preto, branco, cinza, azul, vermelho, bordô;

- combinavam umas com as outras. 

Fiquei com um armário de peças básicas, sóbrias e confortáveis, e achei ótimo. De vez em quando eu lia, ou me diziam, que isso não dava certo para todo mundo, porque muitas pessoas se expressam por meio do que vestem. O que eu achava uma grande bobagem, porque, afinal de contas, as pessoas se expressam é por seus atos e suas palavras (e seus blogs), né não? E a maioria dos homens que eu conheço usa calça-bermuda-camisa-camiseta a vida toda, e nunca ouvi nenhum deles reclamando que não estava conseguindo se comunicar. 

Aí minha mãe me deu um macacão (!) estampado (!!). (Parênteses: minha mãe geralmente acerta, isto é, me dá roupas que cumprem os requisitos ali de cima. Dessa vez acho que ela quis ampliar meus horizontes.) Frente única. Pantalona. Loucamente estampado. Algo que eu jamais compraria para mim mesma. 

Mas como era presente, escolhido com carinho, achei que o mínimo que eu devia fazer era usar pra ver se eu gostava. A gente tem de ficar aberto a novas experiências, né? Uma das finalidades do meu minimalismo é justamente essa. 

Botei o macacão e saí para almoçar. O macacão era bonito, gente. Caiu bem. Era fresco. Confortável. 

E eu odiei. Me senti fantasiada. Me senti esquisita. Cheguei em casa e tirei correndo. E dei o braço a torcer: só porque eu gosto de roupas básicas, sóbrias e confortáveis (que sorte!), não quer dizer que todo mundo vai se sentir bem com elas também. O jeito de se vestir pode ser, sim, uma maneira de se colocar no mundo. Não é a única, nem é obrigatória, mas é uma uma delas. E, no fim das contas, buscar o minimalismo ou uma vida mais simples é diferente pra cada um. É possível ter um guarda-roupa enxuto de peças coloridas ou estampadas, ora. Meu método é prático, mas não é necessariamente universal.

Dito isso, eu sugiro que as pessoas experimentem esse método por umas semanas (incluindo a parte dos sapatos confortáveis!). Aposto que elas vão gostar. Dito isso, continuo achando que as mulheres devem ficar espertas com o tanto de tempo, dinheiro e energia que gastam com a aparência. De repente esses recursos podem ser usados de maneiras que tragam mais felicidade, né. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Filosofia de ponto de ônibus, parte II

Dia desses, voltando do trabalho, peguei o ônibus errado. É que tem vários que fazem o trajeto casa - serviço e outros tantos quem fazem o contrário. Os números são parecidíssimos. Então, se eu me distraio, isso acontece.

Mas, assim que o ônibus saiu da rota habitual, percebi o engano e desci. Aí tive que andar um pouco até chegar a um ponto em que passa a linha correta, e enquanto isso fui desenvolvendo mais um pedaço da minha filosofia de ponto de ônibus.

Vejam bem: eu só peguei o ônibus errado porque, no meu ponto, passam muitos. As oportunidades também são assim: às vezes, aparecem tantas que fica difícil escolher. Subi naquele que achei que era o certo e lá me fui. Só depois é que percebi que estava indo pro lado errado. Idem para as oportunidades: volta e meia a gente acha que está se dando bem, e precisamos de um tempo para nos dar conta que não é bem aquele caminho que queremos seguir.

Mas não tem problema: é só dar sinal e descer. De preferência, mais perto do objetivo final do que a gente estava originalmente.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Mudança de foco

Nos últimos anos, eu tenho sido a pessoas das metas, do planejamento, dos planos B, C e D. O que, por um lado, é muito bom - se a gente não sabe onde quer chegar, nenhum caminho serve -, mas, por outro, me deixa sempre focada no futuro, sacrificando o hoje pelo amanhã e acreditando que quando X ou Y chegarem/acontecerem, aí sim eu estarei contente/realizada/feliz. 

O que é uma grande bobagem, claro. Primeiro que X ou Y podem não se realizar, já que tanta coisa nessa vida não depende só da gente. Segundo que o melhor momento pra ser feliz não é depois disso ou daquilo - é aqui e agora. 

Mas como é que faz pra conciliar as duas visões? Como viver o hoje sem deixar de pensar no amanhã?

Eu acho que só tem um jeito: mudando o foco, periodicamente. Não dá pra pensar no presente e no futuro ao mesmo tempo. Então, precisamos de um momento específico pra concentrar em cada um. 

Na maior parte das horas do dia, a gente tem de pensar é no hoje mesmo: nas pessoas com que convivemos, nas tarefas que temos de cumprir, nas pequenas alegrias cotidianas. E, uma vez por dia (ou semana, ou mês), a gente acerta o visor e foca no futuro: estou caminhando na direção que quero? Estou fazendo o que me comprometi a fazer para alcançar meus objetivos?

Porque se a pessoa senta pra estudar e começar a pensar na quantidade de horas de leitura e exercícios que a separam do concurso, ou resolve fazer dieta e se concentra nas semanas e  meses de disciplina, fica muito difícil continuar. E nos coloca naquela situação: só lá "depois" é que a coisa vai ficar boa. 

Mas se a gente pensa só no hoje e no que queremos hoje - só nessas poucas horas de estudo e nessas três refeições saudáveis - no que está acontecendo de bom e de divertido neste momento -, aí tudo é mais fácil. Lembra quando a gente era criança e ia pro colégio? Ninguém passava o primeiro dia de aula pensando nos 179 dias letivos seguinte - até porque, depois daquela série, a gente ainda ia enfrentar muitos outros anos escolares.

Sempre tive dificuldade com o dilema presente versus futuro, satisfação x ambição. Vamos ver se com esse método a questão se resolve!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Só acaba quando termina (ou notícias do concurso)

Finalmente saiu o resultado definitivo da primeira etapa do concurso de Oficial de Chancelaria. Teve choro e ranger de dentes, mandado de segurança, prazos de recursos reabertos, posições alteradas. Em suma: muita emoção. 

A notícia boa é que eu fui aprovada nessa fase (ueba!). A notícia não tão boa é que a fase seguinte é um curso de formação seguido de prova que, tecnicamente, vale pontos suficientes para avacalhar toda a classificação e me tirar de dentro do número de vagas. 

Isso não quer dizer que a gente não tenha ficado feliz, comemorado e contado pros amigos a cada resultado parcial. Isso não quer dizer que eu não esteja confiante (estou, só não demais). Isso só quer dizer que, como boa mineira desconfiada, prefiro não contar com a vitória antes do apito final. 

Só acaba quando termina. 

* * * 

Por outro lado, é impossível não começar a fazer planos. O Leo ficou nas discursivas, mas a gente já tinha combinado que, se um passasse, o outro acompanharia quando fosse a hora de ir pra fora do país. Então estamos pesquisando Namíbia, Timor-Leste e Malásia e nos divertindo horrores. Se der uma zebra, tivemos horas e horas de alegria!

* * * 

Sim, a vida fica meio suspensa enquanto se faz recursos, aguarda resultados e estuda legislação consular para a última fase. Viagens, projetos, cursos, comemorações de aniversário - está tudo na geladeira, e vão continuar lá até uma possível posse.  Às vezes me sinto meio à toa, mas no passado misturei viagens e concursos e deu tudo errado. Dessa vez, é foco total.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Inquietude perpétua

Como (quase?) todo mundo, eu sou uma pessoa contraditória. Por um lado, minha vida é toda organizada, pontual e tranquila. Por outro, minha cabeça está em constante ebulição.

Dia desses tive um daqueles insights óbvios: minha insatisfação, minha inquietude, vem de dentro, não das circunstâncias externas. Não importa o emprego que eu eu tiver ou a cidade em que eu morar - sempre vai ter um bichinho interior querendo mais. Ou diferente.

Acho legal tentar mudar e aprender. Não tão legal é isso vir acompanhado de uma angústia difusa.

O problema é que, na minha cabecinha, eu não consigo separar a insatisfação da ação. Fico achando que, se eu estiver feliz e satisfeita, não vou ter vontade de avançar em nada. Ficarei eternamente confortável e acomodada. (E isso é ruim? Tem muita gente que funciona assim e parece bem contente. Mas eu sou chatonilda, né.)

Este é o dilema: continuar mudando, mas de um lugar de paz e gratidão. Pode isso, Arnaldo?

segunda-feira, 14 de março de 2016

Azunha

Tenho uma colega de trabalho que mora em outra cidade. Sempre que pode, ela pega um avião e vai pra lá. 

Então ela estava contando que, no dia seguinte ao que chega, ela vai ao salão fazer as unhas. É caro e toma tempo - que ela podia estar passando com a família, com os amigos e com o noivo -, mas ela faz. 

Perguntei gentilmente se ela já tinha ouvido falar de gente que não tirava a cutícula (e que aí até passava esmalte, mas escapava do salão). Que tinha tutoriais na internet e tudo. E ela disse que sim, mas pra ela não dava, porque tinha muita cutícula. 

Gente, eu juro que não estou criticando minha colega. Entendo perfeitamente que, nos círculos dela, todo mundo faça a unha. E que o povo ache até que é "questão de higiene", como dizem por aí (e que me mata: cutícula protege e unha curta não acumula sujeira, mas enfim). 

O que eu queria muito mesmo é que, nesse período da vida dela em que está morando em outra cidade, em que tem de pegar avião pra voltar pra casa, em que o tempo que ela tem com as pessoas que ama é limitado, ela pudesse optar por fazer ou deixar de fazer as unhas sem se sentir "descuidada", e que ninguém tivesse nada a ver com isso. 

terça-feira, 1 de março de 2016

Filosofia de ponto de ônibus

O ponto de ônibus é pertinho da minha casa e eu sei os horários em que os meus passam. No entanto, às vezes o ônibus que devia chegar naquela hora é engolido por um buraco negro e eu fico 10, 15, 20 minutos esperando o próximo.

O que não é problema. Quem tem leitor eletrônico (e sai cedo de casa) não se aperta. Saco o meu e avanço uns capítulos enquanto o “ons" (como nós mineiros dizemos) não chega.

Hoje fiquei pensando em como essa situação e a vida são parecidas. Imagine que os ônibus são oportunidades: pessoas interessantes, vagas de emprego, convites para eventos, concursos públicos. A gente sabe mais ou menos o lugar e a hora em que eles vão aparecer, mas na prática nada é garantido. Às vezes aquela viagem, aquele presente, aquele resultado simplesmente não dão as caras.

Quando eu era mais jovem, ficava muito irritada quando o ônibus demorava a passar. Só faltava sapatear de raiva. Hoje, mais experiente e madura (e com um Kindle debaixo do braço), não me aflijo.

É claro que é mais difícil aplicar essa lição em relação às oportunidades. Afinal, a gente quer muito o estágio, o curso, o aumento. A gente chegou na hora certa. A gente está no lugar certo. Mas as oportunidades, como os ônibus, são caprichosas e volúveis. Às vezes elas vêm quando deviam. Às vezes não. O problema é que, no ponto, esperamos minutos. Na vida, são semanas, meses, anos.

Mas isso não é motivo para desânimo. Tanto o ponto quanto a vida têm uma grande vantagem: se perdermos aquele ônibus, aquela oportunidade, uma hora passa outro. Pode demorar, e pode ser uma linha parecida que leva a gente para perto de onde queríamos chegar, e não exatamente para onde queríamos chegar. Mas que passa, passa.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O primeiro ano do resto de minha vida

Em abril, faço 40 anos. Levando em consideração a expectativa de vida das brasileiras e o fato de que meus avós são longevos, existe uma boa possibilidade de que eu chegue aos 80, em estado razoável de saúde física e mental.

A fase mais difícil da vida, a primeira metade, um período de crescimento acelerado e por vezes acidentado, passou. E terminou em grande estilo, com um sabático viajento que durou mais de dois anos. A experiência não só foi espetacular, como também veio com um bônus: a libertadora sensação de autonomia. Era um grande projeto, que tinha lá suas dificuldades, mas não nos intimidamos: decidimos, executamos e vivemos para contar a história.

A segunda fase vai começar daqui a pouco. Ao contrário dos jogos de computador, em que tudo vai ficando cada vez mais difícil, posso escolher o modo "tranquilidade" e ir descansar sobre a graça alcançada.  Tenho emprego, saúde, marido, todas essas coisas que o povo acha importante.

Seria sábio buscar a serenidade a partir de agora. Contentamento, tranquilidade, paz interior. Evolução em vez de revolução. Em um filme, eu caminharia por uma praia deserta em direção ao por do sol. Fade out.

Só que sabedoria passa longe do meu ser. Serenidade não é meu forte. Eu até tento: organizo minha vida para evitar conflitos e dificuldades, arrumo uma rotina confortável, aparo as arestas da realidade. Acho bom por dois minutos, e aí começo a me inquietar.

Então é isso: estou pronta para o próximo grande projeto. A diferença é que, quando eu tinha 20 anos, eu pensava dois minutos no próximo grande projeto e já ia me jogando, sem refletir se eu tinha fôlego, paciência ou persistência, ou se o esforço dispendido ia gerar um resultado compensador. Hoje, do alto da minha parca maturidade, pretendo pensar bem antes de me comprometer.

Eu tinha achado que, no ano em que eu completaria 40, eu faria viagens comemorativas, tiraria longas e relaxantes férias e pensaria na vida. Agora já estou achando que as viagens serão adiadas, que as férias serão cheias de atividades e que a vida vai acontecer enquanto estou ocupada fazendo outros planos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Euforia pós-concurso

Minha cabecinha anda cheia de ideias e planos. Concursos têm esse efeito sobre mim: depois que eu faço um, lembro como é legal e quero estudar para outro. Da última vez que isso aconteceu, lá em idos de dois mil e poucos, a euforia pós-concurso acabou me levando a fazer uma especialização em direito (!) do trabalho (!!). Sendo que eu não gosto nem de direito nem de trabalho, né.

Aí minha irmã mais velha me deu o conselho ótimo a respeito dos estudos: "Esse negócio de começar a estudar só depois que sai o edital não leva a lugar nenhum. Pega firme ou larga mão."  O que fiz? Larguei mão. Até aparecer outro concurso que de fato me interessou: Oficial de Chancelaria. E o que eu fiz? Comecei a estudar depois que saiu o edital.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Dois meses e meio de estudos pra concurso: o que aprendi com a experiência

Resmunguei adoidado aqui no blog a respeito dos estudos (como era difícil, como era sofrido, como eu não tinha tempo), mas confesso que no final já estava gostando. Aprender é muito legal, e com um pouco (ok, um muito) de persistência a gente convence o corpo de que estudar três horas seguidas (com pequenas pausas, claro) não é tão impossível assim.

Foram dois meses e meio de luta e, ao fim deles, eu fazia exercícios e ficava surpreendida ao verificar o quanto eu havia aprendido sobre assuntos que antes eram grego para mim (estou falando de você, Administração Financeira e Orçamentária).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Para beber vinho na xícara de chá, primeiro você tem de jogar o chá fora

Estou prontinha para embarcar nos projetos de 2016. Mas, antes de começar coisas novas, quero fechar o ciclo de 2015 e tirar da casa, do armário e do computador aquilo de que não preciso mais.

Parece óbvio, mas nem é. Às vezes a gente vai acumulando objetos e restos de atividades que perderam a importância sem nem perceber.

(O que me faz notar outra vantagem de viver em ambientes minimalistas: os excessos saltam aos olhos, em vez de ficarem misturados - e camuflados - pelo monte de outras coisas que a gente já tem.)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Bem-vindo, 2016!

Meu 2016 começou um pouco atrasado, é verdade. Mas, considerando que 2015 foi um ano que passou rápido como um raio, é até coerente que o atual tenha só 11 meses.

2015 terminou em 31 de janeiro, com a prova do concurso e duas taças de vinho à noite pra comemorar (o fim do ano e o fim da prova). Já dei um pitizinho no blog (por causa da demora do resultado) e já levei puxão de orelha nos comentários (merecido). Então é isso, 2016 chegou!

A retrospectiva de 2015 eu fiz aqui. Agora é hora de traçar metas para o ano que começa.  Uma coisa os sofridos dois meses de estudo me ensinaram: disciplina e persistência funcionam. Trabalhar em um objetivo, ainda que seja um pouco só por dia, se for todo dia, levam a gente longe. Muito melhor do que fazer um esforço hercúleo durante uma semana e depois largar mão.

Em 2016, eu gostaria...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Uma longa e tenebrosa espera

Eu estava achando que depois de fazer a prova eu ia ficar tranquila, né? Que boba!

Minha intenção original, de fato, era esquecer do concurso até o resultado e ir cuidar da vida nesse intervalo. Só que, aparentemente, não é a melhor estratégia. Segundo artigos (em sites de cursos preparatórios, claro), a coisa só acaba quando termina. Isto é, a gente tem de ir acompanhando o processo, recorrendo de questões sempre que possível - para os concorrentes não passarem na nossa frente -, vigiando a banca para ela não fazer bobagem...

Isto é, a prova passou e eu não estou tranquila. Primeiro me afligi esperando o gabarito provisório; agora vou me afligir esperando o definitivo (que vai demorar um mês).

domingo, 31 de janeiro de 2016

Dever cumprido

Hoje eu e Leo fizemos o concurso para Oficial de Chancelaria. Foi uma maratona: quatro horas de manhã e quatro horas de tarde, um monte de questões objetivas e outro tanto de discursivas em português e inglês.

Fizemos o melhor que pudemos. Saímos cedo de casa, chegamos adiantados, levamos água e vários lanchinhos, usamos roupas confortáveis. Demos o sangue na prova.

E eu sofri.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Acaba, 2015!

Já perdi a paciência. Só quero que o domingo chegue, que eu faça a prova o melhor que eu conseguir e fique livre desse concurso, da obrigação de estudar todo dia e da necessidade de deixar tudo para fevereiro.

Doidinha pro meu 2016 começar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O melhor truque de beleza de todos os tempos

Semana passada uma colega de trabalho bateu na porta da minha sala uma emergência (nas palavras dela mesma). Ela tinha saído de casa correndo, sem maquiagem, e estava precisando de pó, base, batom, qualquer coisa - qualquer produto que uniformizasse a pele e colorisse os lábios e a deixasse mais bonita.

Olha, eu entendo. Entendo mesmo. Inclusive emprestei batom. Mas o que eu devia ter feito era ter contado pra ela o melhor truque de beleza de todos os tempos:

Nunca fique a menos de dois palmos do espelho.


Porque, na prática, quase ninguém fica mais perto de você do que isso. Ninguém fica prestando atenção nos seus poros, sardas, vermelhinhos, o que for. ( Ninguém fica mais perto de você do que isso, a não ser que a pessoa esteja te beijando - e aí ela também não vai estar prestando atenção nisso, né. Supõe-se que ela esteja de olhos fechados, inclusive.)

domingo, 24 de janeiro de 2016

Reta final

Estou me sentindo melhor do resfriado e conseguindo cumprir direitinho o cronograma de estudos desde sexta-feira. Se tudo der certo, vou estudar quase tantas horas nos últimos dez dias quanto estudei em todo o período anterior.

Ainda não decidi se isso é uma boa ou uma má notícia.

* * *

Já estudei para um monte de concursos nesta vida. Uma vez, um tempo depois que eu tinha sido aprovada para o cargo que ocupo hoje - mas continuava estudando meia-bocamente para uns outros -, minha irmã mais velha me deu uma excelente sugestão: "pega firme ou então larga mão".

Larguei mão, alegremente.

Mas é um troço meio viciante. A questão é que sempre tem uma vaga que parece melhor que a sua. E não necessariamente por causa de um salário maior. A atração pode ser a atividade, o ambiente, a possibilidade de morar em outras cidades.

Ou outros países.

* * *

No fim das contas, se estamos falando de maus hábitos, estudar pra concursos aleatórios não é dos piores. Não é o mais barato dos passatempos, mas pelo menos não incomoda os vizinhos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Free at last!

... e gripadésima, espirrando loucamente, toda congestionada, com a cabeça doendo e sem conseguir nem descansar direito, porque é botar a cabeça na horizontal para os olhos encherem d'água e o nariz idem.

Uma colega de pós diria que Jesus não quer essa aprovação na minha vida.

Ainda bem que eu não sou religiosa.

Mas acho que tô precisando benzer, viu.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Contagem regressiva

Hoje foi meu penúltimo dia substituindo a chefe que está de férias. Mal posso esperar para o expediente acabar amanhã e eu sair da sala exclamando: "Free at last! Free at last!"

Sempre gostei dos trabalhos que tive: de uns mais, de outros menos, mas sempre levei numa boa. Dessa vez eu pude experimentar como é a situação de quem acaba fazendo o que não tem rigorosamente nada a ver com sua personalidade. Eu achava que, com esforço e boa-vontade, tudo era possível. Descobri que não é beeeeem assim, não.

Em fevereiro (início de 2016, vocês sabem), vou tentar abocanhar os projetos e atividades do setor que têm começo, meio e fim e que eu possa fazer sozinha, sem depender (muito) dos outros. Acho que não vai ser difícil, porque são justamente as coisas que ninguém quer. Aparentemente, a maior parte das pessoas gosta de compartilhar tarefas, de fazer atendimento, de um dia a dia dinâmico e surpreendente.

Eu não.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Atualização: como cometer um assassinato e sair impune

Comecei a assistir a How to Get Away with Murder ontem e já estou no sétimo capítulo.

Pergunta 1) Como é que as pessoas viviam antes da internet? Quando elas seguiam um seriado, tinham de se contentar com um episódio por semana? Pobrezinhas.

Pergunta 2) Grey's Anatomy está para a medicina assim como How to Get Away with Murder está para o direito? Isto é, é uma versão altamente romantizada e vagamente improvável do que de fato acontece em um hospital/tribunal? Porque de saúde eu não saco nada, mas de direito eu entendo mais, e mesmo sendo o sistema americano, que é bem diferente, tem umas cenas claramente inverossímeis.

Pergunta 3) Será que eu devia gostar mais dos personagens? Fora a Annalise Keating, a personagem principal, e o Connor, um dos estudantes de direito que estagiam no escritório dela, achei todo mundo insípido. Isso quando não são francamente desagradáveis, como o marido da Annalise e a tal da Rebeca, representada por uma das atrizes mais inexpressivas dos últimos tempos.

Pergunta 4) Eu não deveria estar estudando?

Pergunta 5) Estou gostando do seriado, apesar dos poréns? Pra essa pergunta eu tenho a resposta, pras outras não: siiiim!

* * *
Atualização em 21/1: pronto, terminei a primeira temporada! Não se preocupem, são só 15 capitulinhos.

Os personagens ficam mais legais do meio pra frente da temporada. Acho que é porque o roteiro começa a mostrar mais detalhes da vida e da personalidade de cada um. Só o Sam e a Rebecca que eu continuo achando chatonildos.

Aprovei muitíssimo o seriado e recomendo.

Já tem a segunda temporada aí no mundo, mas está no meio e agora eu estou mal-acostumada: só quero ver depois que todos os capítulos estiverem disponíveis, uai.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Quarentona

Este ano eu faço 40. Estou muito empolgada. Como eu já escrevi aqui, estou esperando ansiosamente pela minha crise de meia-idade, sendo que por "crise" entendam aquele momento da vida em que se faz um grande balanço e corrige a rota, se necessário for.

Não sei como uma pessoa deve se sentir aos 40, mas eu não me sinto com 40. Fiquei muito tempo na faculdade e comecei a trabalhar tarde, então não estou farta da minha carreira (e muito menos no ápice dela). Decidi não ter filhos, então não dá para marcar a passagem do tempo pelo crescimento das crianças. E moro longe da família, então também não tem como comparar com os primos de idade parecida.

Só sei que meu aniversário é em abril e que bom mesmo é passar viajando.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

TGIF

Hoje eu fiquei muito irritada com várias coisas bobas que normalmente não me afetariam. Como o ônibus demorar 20 minutos pra passar (é janeiro e o transporte público diminuiu); o motorista fechar a porta em cima de mim enquanto eu descia (guinchei e ele abriu de novo, mas aí eu já tinha tomado a pancada); a portaria principal do trabalho estar fechada e eu ter de dar uma volta enorme (sério, são uns dez minutos a mais de caminhada, escada, caminhada, rampa, elevador); o elevador próximo à entrada secundária não estar funcionando e eu ter de andar mais um tanto para pegar outro. Sabe quando parece que nada dá certo? E isso tudo antes das 8 da manhã.

Geralmente eu estou escutando música ou lendo (sim, desenvolvi toda uma tecnologia para ler e caminhar ao mesmo tempo. Mas não atravessando a rua, gente) e não me importo com esses pequenos inconvenientes do dia a dia. O que quer dizer que o trabalho, nos últimos tempos (desde a última semana de dezembro), com suas crises e dificuldades, de fato está me estressando.

Thank god it's Friday (ainda bem que é sexta-feira).


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Consolo

O que me consola é que nesta vida é tudo passageiro (menos motorista e cobrador).

* * *

Leo foi fazer exame de sangue para tomar posse. Espero que ele tire notas altas.

* * *

Descobri que sou sistemática. Volta e meia os colegas pedem para que eu mude o horário de trabalho (chegando e saindo mais tarde, por exemplo), pelas mais variadas razões, e eu digo que sim de cara boa para contribuir para o clima geral de boa-vontade, mas na verdade detesto e a cara boa é fingida.

* * *

Andei me estranhando com os chocolates do mercado, e aí achei um que eu tolero: o de Ovomaltine. Tem mais gosto de Ovomaltine do que de chocolate. Deve ser por isso.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vida e morte

Eu penso muito na vida. Às vezes, na morte. Ela não me assusta - talvez porque eu seja jovem e saudável, né.

Na minha cabeça, não há vida depois da morte. Há apenas um longo e profundo sono. E, como eu gosto de dormir, não só não me assusto como acho que vai ser bacana.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ludmimimila

Ando num mimimi danado a respeito dos estudos, da prova, do trabalho, das férias que não me deram, da chefia a que me obrigaram - enfim, numa reclamação sem fim sobre como o mundo devia ser e do absurdo que é o fato de o mundo não ser como eu acho que devia ser.

Aí li este livro aqui. A ficha caiu.

Deixa eu usar o tempo que eu reclamo de como não tenho tempo para estudar para, efetivamente, estudar.