quarta-feira, 24 de junho de 2026

No meio do caminho

Na correria desde o meio de maio, quando voltei para a Suíça do Brasil. A gente já tinha adiantado muitas providências da mudança para a China, mas tem muita atividade que só dá para fazer à medida que a data final vem chegando: finalizar contratos, fechar a conta do banco, terminar projetos no trabalho, doar o que não vai nem fica para o amigo que nos substituiu, limpar o apartamento, embalar a mudança e se despedir de Zurique. 

Completamos 4 anos, 5 meses e 19 dias na maior cidade pequena do mundo. Gostei? Gostei. Já deu? Já deu. O Leo vai sentir mais falta, porque ele é completamente apaixonado pela tranquilidade, a beleza, a organização e o transporte férreo do país. Já eu acho que fiz o que fui fazer (morar na Europa, viajar muito, tomar vinho, aprender toda uma área nova no serviço) e estou pronta para partir para um lugar mais quente e mais animado. 

Tenho uns dias entre a saída de um posto e a chegada a outro. Em 2019, para ir do Brasil para as Filipinas, tive a brilhante a ideia de passar esses dias no Canadá. O passeio foi bom, mas a diferença de fuso horário entre os dois países é de 13 horas (!). Cheguei a Manila tarde da noite para trabalhar no dia seguinte. O jet lag (mais a mudança de país e de vida) me pegou demais: fiquei dias quase sem dormir e sem comer, tive uma bruta crise de ansiedade e fui parar no médico (enquanto fingia no trabalho que estava tudo bem). Não recomendo. 

Dessa vez, o Leo sugeriu que a gente passasse o intervalo em um destino próximo a Guangzhou e fosse se acostumando com o fuso, o calor e a comida, sem objetivo de conhecer nada, só relaxando e descansando. Batemos o martelo em Kuala Lumpur, na Malásia, o primeiro lugar que conhecemos no sudeste asiático, lá em 2013. 

Está sendo bom demais: o Leo encontrou um apartamento bacana, com acesso a piscina, perto das Petronas Towers, um dos cartões-postais da cidade. Minhas únicas obrigações são comer quando estou com fome e dormir quando estou com sono, além de acompanhar a Copa do Mundo pelas mídias sociais, o que tem sido divertidíssimo. Na rua é muito quente e muito úmido, mas quase todos os ambientes têm ar-condicionado e estamos concentrando nossos passeios no começo na manhã e a partir da noite. Já fomos ao cinema duas vezes (ver As ovelhas detetives e O dia da revelação) e a vários restaurantes, que são muito baratos se comparados à Suíça e onde nem piscam o olho se peço para embalarem o que não dei conta de consumir.

Estou animadíssima para começar vida nova da China, mas não me importaria se esse período de descanso durasse um pouco mais. 

Tipo um mês. 


Eu e as torres gêmeas de 450 m.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

50tão!

Cinquentei em alto estilo no Brasil semana passada. Meus pais me deram uma festa linda, a irmã mais velha montou os arranjos de flor, a irmã mais nova organizou a lista de músicas e fomos felizes para sempre.

Decoração em vermelho porque vermelho é a cor da China! (E do amorrrr) 

Conforme prometido (ou ameaçado), segue a lista de algumas observações que fiz neste último meio século:

- "Conhece-te a si mesmo" é o segredo da vida. O diabo é que às vezes a gente só se conhece por tentativa e erro.

- Dito isso, o "eu" não só se descobre como se constrói. 

- Fui e sou privilegiada em muitos níveis. Tento não me esquecer disso.

- O que é um déficit/problema em um momento da vida pode se revelar um trunfo em outro momento. 

- Ter escolhas é tudo. O que parece privação ou dificuldade para as outras pessoas é leve (e positivo) se for minha opção. Vide "minimalismo". Vide "vida sem carro". 

- Às vezes não é competência e não é esforço. É sorte mesmo. 

- Tendo a ser egoísta e só pensar no meu umbigo. Por um lado, sou autossuficiente e não encho o saco dos outros. Por outro, o que é viver se não for em comum?

- Um pouco de vista cansada/miopia é bom (o mundo fica mais bonito). Um pouco mais de vista cansada/miopia não é bom. Uma hora é necessário ceder aos óculos.

- A segunda mamografia é menos traumática que a primeira. Tomar um paracetamol 1 hora antes ajuda.

- Quando fiz 40 anos, avaliei que estava na metade da vida e se eu morresse aos 80 estava bom. Com 50, ficam faltando só 30. Tô achando pouco. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

"Do alto dessas pirâmides,

quarenta séculos vos contemplam", disse Napoleão a seus soldados em 1798. O general francês não conseguiu conquistar o Egito, mas a aventura militar rendeu obras como esta: 

 Óleo sobre tela, Jean-Léon Gérôme, 1886

Também não consegui conquistar o Egito. Muito antes pelo contrário: saí totalmente conquistada pela beleza, tamanho e antiguidade dos monumentos. Foi uma viagem sensacional, que recomendo fortemente. Decidi que vai ser "a" viagem dos meus cinquenta anos, porque vai ser difícil encontrar outro destino tão impactante. 

Desenterraram a Esfinge

* * * 

Uma amiga conheceu o Egito em excursão: amou. Outro foi por conta própria: detestou. Nós também fizemos tudo sozinhos, e confesso que o assédio aos turistas é intenso e constante. Entendo que faz parte, que o viajante que está passeando tem mais grana que o local, mas nunca fui a um lugar onde o povo (99% homens) fosse tão insistente.    

Minha recomendação: chegar ao Cairo, ficar em um hotel próximo às pirâmides (que agora estão organizadíssimas, com uma bela entrada e mini-ônibus incluído no ingresso circulando o tempo todo), passar um dia nas pirâmides, passar outro dia no GEM (o Grande Museu Egípcio) e pegar um barco para descer o Nilo até Luxor (não fizemos porque as datas não batiam, mas todo mundo gosta). Em Luxor, visitar o Vale dos Reis e os belíssimos templos. Dá uns 8-10 dias memoráveis.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A hora da mudança

Estou começando aquela fase que muitos colegas detestam, mas eu adoro: a mudança e seus preparativos.

É hora de abrir os armários e gavetas e começar a selecionar o que vai e o que fica. Ainda faltam meses para a partida e vamos receber umas quatro visitas até lá, mas nada melhor do que fazer as coisas com antecedência e calma. 

Tem dois aspectos positivos nessa mudança: 1) talvez um amigo receba o apartamento e 2) estamos planejando ficar em um apart-hotel em Cantão. 

O número 1 é fácil entender: ele está interessado em vários móveis e eletrodomésticos, o que vai facilitar a vida, pois não é moleza se livrar de objetos na Suíça. Se tudo der certo, poderemos deixar para trás lâmpadas, produtos de limpeza, aparelhos com tomada suíça s e itens que geralmente a empresa de mudança se recusa a levar, como o robô-aspirador (por causa da bateria de lítio) e garrafas de bebida, mesmo fechadas. 

O 2 é mais complexo: apart-hoteis são mobiliados, mas depois da temporada na China é obrigatório voltar para o Brasil e passar pelo menos um ano (que acabam sendo quase dois, por questões práticas). Vamos alugar um apartamento e é bom já ter o básico dos móveis, né? Então estou pensando em levar uma cama, o sofá da sala, cadeiras (a mesa não, porque é muito comprida). Vão ficar para trás a cama do quarto de hóspedes, o sofá-cama, a ilha da cozinha... isto é, meu amigo vai poder chegar e morar. Todos ficam felizes. 

O Leo é muito desapegado e por ele gente partia só com roupas e documentos. Mas eu tento equilibrar o minimalismo com um dos meus lemas, "quem guarda tem", e manter o que vamos precisar em um futuro mais ou menos próximo. 

Vai ter mundo até lá? Não sei. Mas, se tiver, estarei recostada em meu belo sofá de couro laranja. 

Não é bonitão?

Cadeiras SEM tecido para manchar ou descascar!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Bora, time! OU Nihao, Império do Meio

Na madrugada da viagem para Egito e Jordânia (acabei de chegar!) saiu o resultado da remoção: tô indo pra China! Especificamente, para Guangzhou, conhecida no Brasil como Cantão. 

Eu e o Leo estamos animadíssimos. O bordão aqui em casa é "A China é o futuro!" *. O Leo me mostra vídeos sensacionais e eu comecei a ler sobre cultura e história. Ambiciono aprender mandarim? Ambiciono aprender mandarim. Mas, depois da malsucedida aventura com o alemão, vou me contentar em saber ler os sinogramas mais comuns e usar o tradutor do celular para resolver a vida. 

* Em 2019, eu ia trabalhar em Moscou. Houve uma reviravolta e o destino acabou sendo Manila. Quando contei pro colega de seção, ele disse: "Mas isso é ótimo! A Ásia é o futuro!". Ele estava certo. 

Foto noturna de Cantão (www.bne.com.au)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Suicismos bancários

Nos filmes, a pessoa entra em um banco suíço com uma mala de dinheiro, vai com o gerente para a sala dos cofres, recebe um número de conta e uma chave e adeus. Para tirar a grana, basta saber o número do cofre e ter a chave. 

Depois de muita briga e acordos internacionais sobre lavagem de divisas, o cenário mudou. Agora abrir uma conta na Suíça é muito mais complicado. Depois de encontrar o gerente e entregar uma grande quantidade de documentos e promessas de não se envolver em tráfico de pessoas e/ou de drogas, você recebe um e-mail do banco dizendo que está enviando o contrato. 

Você responde: "seu gerente, o senhor esqueceu de anexar ao e-mail o arquivo do contrato". Ele diz: "Nãããão, o contrato vai pelo correio. Você assina e devolve... também pelo correio". A conta? Demora mais uns 10 dias para ser aberta. 

Outro interessante aspecto do sistema bancário é a instituição cartão de crédito suíço. O gerente pergunta se você quer. Você responde: "Sim". O gerente: "Com que limite?" Você: "5 mil francos?". O gerente: "Então você vai depositar 5 mil francos nessa conta especial". Você: "Mas isso é CONTRÁRIO de um cartão de crédito". O gerente: "É pegar ou largar". 

Você: "À medida que vou gastando dinheiro no cartão, esse dinheiro na conta é usado para pagar a conta, certo?". Gerente: "Nããão, você tem de pagar a conta mensal do cartão com OUTRO dinheiro". 

E aí chega o momento que você sabe que vai se mudar da Suíça para outro país e decide transferir metade do dinheiro da conta especial do cartão de crédito para conta corrente (para não ter de trazer mais dinheiros de fora e pagar variadas taxas). 

Você manda um e-mail para seu gerente. Ele não responde. Você manda outro e-mail para seu gerente. Ele também não responde. Você desconfia que ele foi despedido e ninguém te avisou. Você pede pelo aplicativo. O banco diz que faz, sim, mas vai custar 20 francos. Você diz pra irem em frente. Nada ocore feijoada. Você manda outra mensagem. Respondem que a DIMINUIÇÃO do seu limite de crédito no cartão tem de ser analisada pela equipe financeira, e que em 10 dias vão te dar uma resposta. 

15 dias depois, não te deram uma resposta. Você vai à sua agência - em horário comercial. Não tem ninguém na sua agência. Não tem sequer um botão pelo qual você possa pedir a presença de alguém na sua agência. 

Você fuça no aplicativo e descobre que seu setor de atendimento fica em Berna. Você imagina que o setor de atendimento dos clientes de Berna fique em Zurique (o que parece ser uma bela estratégia anti-barracos na porta da agência. Embora não haja ninguém na agência para testemunhar o barraco).  

Mas seu setor de atendimento em Berna tem um número de telefone. Você liga e é atendida por um suíço educadíssimo. Ele te informa que seu limite de cartão de crédito já foi reduzido. Você diz: "Ok, mas onde estão os 3 mil francos que saíram da conta do cartão de crédito? Vão cair na minha conta corrente?". Ele: "Nããão, eles foram bloqueados. Vão ser usados caso você não pague sua conta do cartão de crédito". 

Você (engasgando): "Mas o dinheiro da conta do cartão de crédito já serve pra isso". O suíço educadíssimo (caindo em si): "Vou investigar". Você fica ouvindo uma musiquinha de elevador durante dez minutos até ele retornar. Ele diz: "Liguei para o setor do cartão de crédito. Ninguém sabe o que aconteceu. Vou mandar um e-mail para eles explicando o caso. A senhora deve receber uma resposta em poucos dias". 

Você: "E se eu não receber? Esse atendimento tem um código de identificação que eu possa anotar?". Ele: "Nããão. Mas se a senhora não receber uma resposta, pode ligar de novo para este número. NO FIM DA SEMANA QUE VEM". 

Guarde seu dinheiro na Suíça, eles diziam. A Suíça é segura, eles diziam. E é mesmo. Ninguém põe a mão no seu dinheiro. 

Nem você. 

Os coloridos francos suíços. Observe que o design desse lado é vertical
- porque a gente conta dinheiro com as notas em pé. 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Suicismos

Curiosos hábitos das terras helvéticas:

- cada saco de lixo doméstico de 35 l custa 2,20 francos suíços (13,30 reais). Tem pouquíssimas lixeiras públicas. Então...

- ...todos os objetos que são vagamente reutilizáveis são colocados em murinhos na rua para quem quiser levar. Já catei muita coisa interessante: uma luminária, duas garrafas de vinho (uma maravilhosa, a outro em estado vinagre), uma oncinha de madeira. A última foi uma latinha em formato de árvore de Natal. 

- no transporte público, não há roletas ou máquinas para validar o bilhete. De vez em quando pintam fiscais. Nunca vi ninguém ser pego sem passagem, exceto um jovem - suíço - em um ônibus (o fiscal pediu uma identidade dele para emitir a multa de 100 francos e ele sacou o passaporte vermelho).

- falando em passaporte: a Suíça emite passaportes para bebês com validade de 5 anos. A criança está quase entrando na faculdade e circula por aí com um documento com foto de recém-nascido.

- até bem pouco tempo, a mulher que se casava na Suíça obrigatoriamente perdia seu(s) sobrenome(s) e tinha que adotar o sobrenome do marido (eles só usam um). Os filhos recebiam o sobrenome do marido e ponto. Agora ela pode manter o sobrenome dela e o marido pode adotar esse sobrenome também, mas somar os dois não pode.  

- as geladeiras e congeladores são minúsculos, porque o suíço gosta de fazer compras com frequência e se alimentar de produtos frescos. Só que...

- ... tudo fecha no fim da tarde. Supermercados fecham no fim-de-semana (exceto na estação de trem e no aeroporto) e nos feriados. 

- o suíço ama fazer trilha, subir montanha, andar de bicicleta. Não tem tempo ruim: pode estar chovendo ou nevando, vai ter um suíço correndo ou levando as crianças (com suas pequenas galochas e seus mini-chapéus de chuva) para passear na floresta.

- cães são educados para não incomodarem e não interagirem. Aí de quem quiser passar a mão num doguinho: ele não vai dar bola e o dono vai fazer cara feia. Já gatos costumam ser amigáveis: como podem sair de casa e passear na rua (nunca vi uma janela/varanda com rede e há muitas escadinhas para felinos), não têm medo de humanos e gostam bem de uns carinhos. 

Levei a onça pro trabalho.

domingo, 30 de novembro de 2025

O ano acabô, gente

Incrível: segunda-feira já é dezembro. 2025 está no finzinho. Quem fez fez; quem não fez pode correr pra ver se ainda faz, mas por que deixar para amanhã o que você pode deixar pro ano que vem?

A palavra do ano foi "aceitação". Passei a aceitar mais que o mundo é assim, que as pessoas são assim, que muito está fora do meu controle (especialmente no trabalho) e é assim. Que eu sou assim. É um pouco Gabriela? ("Eu nasci assim/eu cresci assim/vou ser sempre assim.") Sim. Buscar, perseguir, ambicionar, correr atrás tem seu valor, mas uma hora dá, não dá? Até porque a vida muda a nossa vida com frequência, sem nem perguntar. Vem embutido no programa. Ainda mais no meu, que escolhi uma carreira...assim. 

A frase do ano foi  "Bora viajar?". Em janeiro fui para Brescia, na Itália, para fugir do escuro do inverno em Zurique, e para Atenas, encontrar irmã mais velha e família. Em março, à Málaga e a Madri, de onde saía o melhor voo para Belo Horizonte, onde a mesma irmã deu um festão de 50 anos. No fim de abril, Roma (de novo, de onde saía o melhor voo, dessa vez pra Xangai). A Etihad avacalhou as passagens e acabei passando o aniversário em Abu Dhabi em vez de com os amigos, mas foi legal (hotel com prainha e mais um país pra lista) e não atrapalhou em nada as duas semanas no Japão. Em maio, uns diazinhos com irmã mais velha e marido em Avignon, na França. Em julho, meu afilhado de 14 anos veio nos visitar e passou duas semanas aproveitando o verão na Suíça. Em setembro, o destino foi Rimini, na Itália, e em Amsterdã, para ver a Lu, a Lê e a Lari. Em outubro, um fim-de-semana na Eurodisney decorada para Halloween com a Fê, amiga que fez Disney College Program comigo lá em 2002, e uma semana em Londres, Cardiff e Winchester. 

A decepção literária do ano foi "Rose Field", do Philip Pullman. Phil é o autor da sensacional trilogia de fantasia "As Fronteiras do Universo" (His Dark Materials): A Bússola Dourada,  A Faca Sutil e a Luneta Âmbar. Pois bem, quase 20 anos depois ele decidiu escrever outra trilogia para complementar a primeira, com resultados no mínimo duvidosos. Ele publicou La Belle Sauvage em 2017, The Secret Commonwealth em 2019 e eu fiquei esperando impacientemente até 2025 para que ele lançasse The Rose Field, o último livro da sextologia, cuja função seria reabilitar magicamente os dois anteriores. Infelizmente, isso não aconteceu. The Rose Field é longo, chato, detalhista quando não precisa e, pior de tudo, avacalha os princípios da trilogia original (exatamente como Gladiator 2 fez com o primeiro Gladiador. Só que As Fronteiras do Universo me é muito mais querido que Gladiador, então eu senti muito mais). 

Em compensação, este ano fiz duas descobertas literárias: Tana French, que apesar do nome é irlandesa, e escreve policiais psicológicos interessantíssimos; e R. F. Kuang, escritora sino-americana jovem e produtiva (ela não tem nem 30 anos e já publicou seis livros, em diferentes estilos). Fico contentíssima com o fato de que elas ainda têm muitos anos de carreira pela frente. Da TF, sugiro começar com O Bosque da Memória (In the woods); da RFK, meu preferido é Babel - Uma História Arcana. 

Para 2025 terminar de verdade ainda temos dezembro pela frente, de fato. Mas vai passar voando: três semaninhas e estaremos quase no Natal. Aí emenda com o Ano-Novo... e já era.  

Suíça? Que nada. Shiragawa-go, a Suíça... do Japão

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

O saga do vestidinho florido

Eu tento ter só roupas confortáveis e (que eu ache) bonitas, mas mesmo assim tenho umas preferidas, e essas eu uso à exaustão. Durante anos. Até a roupa acabar. 

Pois bem, eu tinha um vestidinho florido que pretendia usar até acabar. Ele era amplo, longo, lindo, não amassava (porque já é amassado) e, o mais importante, tinha BOLSOS (nós mulheres somos muito privadas de bolsos, então quando a roupa vem com eles eu fico deslumbrada). 

No entanto, fui privada da intenção de usá-lo até acabar pelo destino. Um belo dia, voltando de viagem, coloquei o vestidinho florido na tampa de fora da mala, porque ele estava usado, e embarquei em um voo da EasyJet. Grande erro. O vestidinho florido desapareceu. 

Decidi reclamar com a EasyJet, o que é uma luta. É difícil encontrar os contatos, a plataforma de reclamações, acessar as respostas, tudo. Mas achei que valia a pena porque, na minha cabecinha iludida, a EasyJet ia pegar as gravações das áreas de bagagem, descobrir quem tinha surrupiado o vestidinho florido, exigir de volta e me entregar. 

Claro que isso não aconteceu. Depois de um longo processo de comprovação de propriedade do vestidinho florido (que incluiu fotos minhas usando o vestidinho florido e durante o qual tentei bravamente recuperar o recibo da compra no site filipino da Uniqlo, com zero sucesso, apesar da grande boa vontade deles, e tive que enviar para a EasyJet comprovantes de compras online, sendo que justamente o do vestidinho florido não tinha foto), a EasyJet não me entregou o vestidinho florido mas, farta da minha insistência, ofereceu um tanto de milhas ou vinte dólares. 

Enxuguei uma lágrima e aceitei os vinte dólares, porque as milhas oferecidas não poderiam ser usadas no site deles, mas apenas em compras telefônicas (?). E me lancei ao mar dos brechós digitais, porque o vestidinho florido era uma edição especial que a Uniqlo não vendia mais. 

Depois de muito buscar, achei, não da numeração certa. Pensei em comprar mesmo assim e reformar, mas decidi confiar que uma hora o vestidinho floral do meu tamanho ia surgir no mar de brechós digitais. 

E, um ano e meio depois, quando eu estava limpando uns links pouco usados e fiz uma última busca, ele apareceu!!!

Em um site britânico, que não faz entregas na Suíça, mas quem tem amigo não morre pagão: uma colega que mora em Londres vai receber pra mim, uma hora a gente vai se visitar, e o vestidinho florido voltará para minhas mãos sequiosas. 

E querem saber mais? A compra + entrega custou... vinte dólares. 

Bolsos! Bolsos!

sábado, 8 de novembro de 2025

São muitas (r)emoções

Aêêê! Estamos de volta àquele emocionante período que define de que maneira minha vida vai mudar. Porque minha vida muda sempre, a cada punhado de anos (o que eu acho sensacional). O que está em minhas mãos, na medida do possível, é qual será o próximo destino. 

O emocionante período é composto por vários etapas: inscrição no mecanismo de remoção, lista de vagas disponíveis, oferta de vagas, seleção de vagas, resultado do mecanismo. Isso dura dois meses. Depois é esperar a autorização para partir, e aí tenho 90 dias para puxar o carro. 

Desta vez muitas das datas não estão definidas. Mas uma, muito importante, está: 30 de junho de 2026 é o prazo final de partida. Provavelmente partirei nele, mesmo querendo ir embora antes, porque uma das peculiaridades do cantão de Zurique é que só se pode terminar um contrato de aluguel em três dias do ano: 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro. E tem de avisar o locador com três meses de antecedência. Como é impossível que a autorização para partir saia em dezembro, o jeito é ter paciência e se programar para junho mesmo. 

Em suma, toda essa conversa para dizer que siiim, estou partindo para um novo e emocionante país, mas só daqui a 8 meses. 

Que anticlímax.