domingo, 10 de novembro de 2019

Desde o maternal

Estava colocando papéis em ordem e encontrei os relatórios das professoras do maternal e do primeiro período.

"Na sala, trabalha com independência, preferindo sempre trabalhar sozinha."

"Aprende com facilidade o que é ensinado, gosta de desenhos livres, de ficar vendo livros de história."

"Lancha raramente."

"Expressa seus sentimentos com clareza, através de sua expressão facial."

5 anos de idade e a personalidade da criatura já estava formada. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Minha música oficial de Natal

Aqui nas Filipinas as pessoas adoram o Natal. No meio de outubro começam a aparecer árvores e enfeites natalinos nas lojas. Em novembro a cidade fica iluminada. O que dá a sensação de que o ano está acabando, mas ainda faltam dois meses!

As lojas também tocam músicas natalinas, claro. Numa dessas escutei uma que adorei, mas não consegui pegar nem um pedacinho da letra para jogar no Google. Dias se passaram, voltei lá e aí sim, descobri. 

Não conhecia a música, nem a artista, e me surpreendi ao verificar que, na verdade, é um conjunto a capella.

Recomendo!  



domingo, 3 de novembro de 2019

Trabalhar no exterior

A irmã I. trabalha com tecnologia e basicamente fez carreira fora do Brasil. Ela morou nos Estados Unidos, na Alemanha e agora está na Espanha.

A irmã I sempre disse: "trabalhar no exterior é diferente de passear no exterior". Eu sempre respondi: "claro, claro", não totalmente convencida. Podia até ser, para os outros, mas EU tinha experiência de viver fora. Alugar apartamento, fazer compras, lavar roupa? Tá dominado.

Preciso dizer que a irmã I estava certa? Trabalhar no exterior é MUITO diferente de passear ou de morar no exterior. Alugar apartamento, fazer compras, lavar roupa é só uma parte da equação.

Quando se trabalha, o foco passa a ser produzir e mostrar serviço, e não conhecer a região, andar pelas ruas e pesquisar a cultura. Não só as horas para essas atividades divertidas ficam muito reduzidas, como quando eu saio do escritório estou cansada e quero é comer, dormir, agarrar nos livros e ver seriados - experiências familiares que não causam estresse.

Porque, na prática, quase tudo dá trabalho. Posso confiar na faixa de pedestres? Como devo me dirigir às pessoas? Que comida é essa? Como é que pede a conta? Etc.etc. Tento relevar minhas gafes culturais sorrindo muito. A sorte é que funciona nas Filipinas, porque na Rússia o povo ia achar que eu era meio boba.

Em suma, é muito mais desafiador e muito menos turístico do que eu tinha imaginado. Não estou reclamando (muito), só constatando.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

2 meses

Esta semana fez 2 meses que chegamos a Manila. É até difícil acreditar, de tão rápido que passou.

Tive uma recaída na ansiedade, mas persisti com remedinho + tentativas toscas de meditar e estou melhor de novo. Estou achando que, graficamente, a adaptação é uma linha que vai subindo, mas não linearmente. Tem  altos e baixos enquanto não chega o platô (que aguardo ardentemente).

Tem muita coisa acontecendo, mas está difícil escrever. Estou me sentindo meio fora do ar, sabe? A mudança deu uma grande sacudida na minha vida. Não sei mais direito quem eu sou. É uma sensação bastante bizarra. O jeito é ter calma e paciência e esperar as peças irem se encaixando - até porque não vejo alternativa. Prefiro não surtar.

Na segunda-feira nos mudaremos para o apartamento definitivo. Foi divertido morar em hotéis, mas ter uma base permanente vai ser muito bom: vou conseguir estabelecer uma rotina e tomar decisões de longo (ou pelo menos médio) prazo. No momento, mal consigo visualizar a semana seguinte. 

Outra notícia boa é que o navio com a mudança atracou. Agora é aguardar os trâmites burocráticos, que podem demorar até três semanas. Ficamos felizes de termos alugado um apartamento mobiliado, porque vamos habitá-lo com razoável conforto até nossos objetos chegarem.

A mudança é pequena, mas vou ficar feliz de reencontrar remanescentes da minha vida passada. Quem sabe eu reencontre a mim mesma?

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Desculpem a sumida, estava ocupada ali sofrendo

.. mas acho que estamos de volta à programação normal.

Estamos gostando muito da região onde estamos morando, Makati. É bem bonita, moderna e segura. Primeiro ficamos um mês em um aparthotel ótimo: o Fraser, que fechou. Aí arrumamos um apê bacaninha, também perto do trabalho, mas precisamos sair dele na segunda-feira, porque o dono volta (o bobo). Vamos terminar com duas semanas em outro aparthotel, e finalmente nos mudar para o apartamento definitivo. Ufa!

Entre a primeira e a segunda estadia, deixamos metade da bagagem na casa de um colega prestativo (e que está de férias). Sim, porque a pessoa supostamente minimalista que vos fala arrastou quatro malas de Brasília até Manila, passando por Montreal. Sim, são dois meses esperando a mudança chegar, e tem roupa do Leo na jogada, mas acho que errei a mão. Na próxima remoção quero levar 50% disso, se tanto.

Makati é cheio de restaurantes gostosinhos, que estamos explorando alegremente. É o que tem pra fazer - isso e ir aos muitos shoppings, que são arrumados e têm ar-condicionado, então vale para esticar as pernas. Continuamos não sendo muito amigos das compras, embora nossa impressão é de que aqui a oferta de produtos é maior do que no Brasil - e os preços são iguais ou menores.

No trabalho as coisas vão se ajeitando. Vou fazendo e aprendendo, e não me importo de ficar depois do expediente para colocar o trabalho em dia. Acho que no começo é assim mesmo - depois vou ficar mais ágil e vai ser tudo mais fácil.

Enquanto isso, vou passando por experiências novas, como um terremoto (5,5 no epicentro, a 150 km daqui. O prédio tremeu, as cortinas balançaram, e ficou nisso), churrasco coreano, sopa de cebola, restaurante japonês, barra de chocolate de M&M, sorvete de caramelo, pizza com molho doce.

Tô curtindo.

sábado, 7 de setembro de 2019

And... exhale

As últimas semanas foram MUITO difíceis.

A mudança de país e de trabalho geraram muita ansiedade. Dias e dias com um nó no estômago e uma sensação de aflição generalizada. Foi ruim, viu.

Não demorei para parar no médico e pedir uma medicação para controlar tanta ansiedade. A questão é que o remedinho não faz efeito imediato. No meu caso, foi um mês para começar a me sentir melhor.

Não estou ainda 100%, mas já estou aliviada (e mais adaptada). É como se eu estivesse sufocada esse tempo todo e agora consigo, finalmente, respirar.

Nos primeiros dias, se tivessem me oferecido voltar para o Brasil, eu provavelmente aceitaria. Depois, o sentimento virou "vou ficar, custe o que custar. Uma hora vai melhorar". Aquela combinação perfeita: choro, ranger de dentes (literalmente: estava tão tensa que os dentes doíam) e teimosia.

E olha, melhorou.

* * *

Como sempre, toda vez que eu passo por um período difícil, aprendo a ser um pouco mais humilde (ou menos metida). Eu não entendia os colegas que não se adaptavam ao - ou não gostavam do - exterior. 

Agora eu entendo, perfeitamente.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Dias incríveis

Despedidas em Brasília. Despedidas em BH. Lagriminhas no adeus a meus pais. Três voos para chegar ao Canadá. Acolhida pelas amigas em Montreal. Visita a Quebec. Visita a Ottawa. Risadas, sol, calor, bares, restaurantes, parques, museus.

Três voos para chegar a Manila. 12 horas de diferença de fuso. Hotel bonito, piscina, academia. Apartamento grande, dois quartos, sala, cozinha. Região surpreendente, limpa, moderna, lojas e restaurantes. 150 metros entre casa e trabalho.

Jet lag. Jet lag. Jet lag. Sem sono, sem fome.

Colegas simpáticos, gentis, solícitos. Shoppings e mais shoppings. Supermercados completos. Túneis para atravessar avenidas, com escadas rolantes. Visitas com a corretora. Apartamentos gigantes.

Jet lag. Ansiedade. Poucas horas de sono por noite.

Repartição pública, para acertar o visto. Oito quilômetros de distância, uma hora para ir, outra para voltar.

Fim de semana, que bom.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Penúltimo dia antes de zarpar

Hoje é quinta-feira, quatro de julho. Amanhã, dia 5, despachamos a mudança (eles vêm de manhã), entregamos o apartamento (eles vêm de tarde) e embarcamos para Belo Horizonte.

Os últimos dias foram uma roda-vida. Cursos no trabalho, compras de remédios, colega de férias. Despedidas muitas. Empacotamentos vários. Já estávamos sem sofá, sem rack e sem buffet; a partir de ontem, ficamos também sem geladeira e fogão. A máquina de lavar vai embora daqui a pouco.

A ansiedade melhorou depois que conversei com a psicóloga do trabalho e fiz umas sessões de meditação. Também ajudou contar para colegas, que em resumo disseram que vai dar tudo certo.

Hoje vamos a um happy hour de despedida dos amigos do ministério. Amanhã eu trabalho, mas vou tentar voltar pra casa o mais cedo possível para ajudar o Leo nos preparativos finais.

Apesar de tudo, a ficha ainda não caiu.

Acho que só vai cair depois de um mês em Manila.

O apelido da minha turma de concurso? Babychans

sábado, 29 de junho de 2019

Quando quero não me deixam

Nunca quero comprar nada (o trabalho! O custo! O entulhamento!), mas de vez em quando me convenço que uma nova aquisição vai facilitar minha vida e vou em frente.

As calças jeans que possuo estão em duas situações: largas ou apertadas. Então saí de casa com uma missão simples: comprar uma calça jeans escura e reta.

(Antes fui ao brechó Peça Rara, que é aqui perto de casa, e para meu grande despontamento eles tinham fechado a unidade na Asa Norte. Então fui ao shopping mesmo.)

Entrei em QUATRO lojas diferentes e elas só tinham modelos skinny (que eu já tenho), cigarrete (que eu não curto) ou flare (sempre preciso fazer bainha e o flare fica pela metade).

Na quinta loja, encontrei o tipo que eu queria: escuro e reto. As costuras não eram das mais certas e o preço não era dos melhores (99 reais), mas tudo bem. Catei a 40 e a 38 e fui experimentar.

A 40 ficou larga. A 38 ficou larga. Botei uma na frente da outra e vi que elas tinham exatamente o mesmo tamanho.

Fui buscar uma 38 verdadeira. Não tinha. O que tinha era uma 36 exatamente do mesmo tamanho da 38 e da 40.

Depois de muito procurar, encontrei uma 36 verdadeira. Lógico que ficou apertada. E calça jeans apertada eu já tenho.

Saí do shopping com as mãos abanando e bem frustrada. O jeito vai ser emagrecer ou engordar.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Montanha-russa de emoções

Eu me considero uma pessoa calma, mas ando desconfiada que não sou, não. Andei relendo o blog e vi que estou sempre passando por um ou outro momento de aflição.

Como vocês podem imaginar,  não tenho estado muito tranquila. Estou muito contente com a remoção, mas a ansiedade tem chegado junto. Será que vou gostar do trabalho? Será que vou me sair bem? Será que vou me adaptar à comida? Será que vamos conseguir um apê legal?

Tudo indica que as respostas serão positivas, mas, para pessoas ansiosas, a realidade não importa muito. Importante mesmo são razões imaginárias para arrancar os cabelos.

* * *

Primeiro li um monte de livros sobre morte, depois sobre velhice. Passei para os de crise de meia-idade, e agora estou lendo memórias sobre menopausa.

Eventualmente chegarei a livros sobre a minha idade, ou minha idade chegará aos livros.