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domingo, 26 de março de 2023

Entra: primavera. Sai: máscara.

Março de 2020 marcou o início da quarentena em Manila. Posso considerar, então, que faz dois anos que uso máscara para sair de casa (mesmo que tenha deixado de ser uma exigência em Zurique desde abril do ano passado). 

Semana passada eu propus e o Leo concordou que, levando em conta nossas cinco doses de vacina, que a gente parasse de usar. 

Me dá muita alegria não ter de sacar a máscara da bolsa toda vez de entrar no tram. 

Enquanto isso, em Zurique: 






domingo, 12 de março de 2023

Igual mas diferente

Adoro ler blog de quem saiu do Brasil. Me identifico com um monte de coisa e me sinto acompanhada nessa aventura que é morar fora da terra natal. 

Maaas ando me dando conta que minha situação é um pouco diferente. Geralmente, o pessoal sai para se estabelecer indefinidamente (ou talvez para sempre) em outro país. Já eu tenho prazo de validade em cada lugar. Além disso, trabalho com colegas brasileiros (se não todos, pelo menos alguns). Assim, tenho de fazer menos esforço para me adaptar. Se por um lado é mais simples (não diria que é fácil), por outro é uma experiência menos imersiva (embora também seja rica). 

Sim, no passado imaginei que me integraria onde quer que eu fosse. Mas, na prática, vou verificando que continuo uma grande introvertida (e o Leo também). Então, não sinto a necessidade de fazer um monte de amigos. Socializo no trabalho, de vez em quando saímos com colegas simpáticos e está muito bom. E recebemos amigos pré-existentes aqui em casa quando eles passam uns dias na Suíça, o que é ótimo! 

Em suma, meu esquema está sendo morar aqui, aproveitar muito, viajar bastante e aprender o que for possível. 

Observação importante: obviamente, a(s) língua(s) (alemão! Alemão suíço!) não ajuda(m) em nada. Talvez um idioma amigo me deixasse mais à vontade. De qualquer forma, não temam: testaremos essa tese nos próximos postos.  

sexta-feira, 3 de março de 2023

Em pleno processo de hibernação

Voltei do Brasil no começo de fevereiro e desde então ando com uma fome louca e uma preguiça danada. Primeiro me rebelei, mas depois decidi aceitar os comandos da natureza e me render aos três lanchinhos noturnos e a reality shows de qualidade pra lá de duvidosa. 

Também tenho me divertido caçando blogs que ainda estejam na ativa (ou não, mas com arquivos disponíveis). Até atualizei o blogroll ("Ando lendo", ali à direita). E hoje encontrei o Blogueiros Raiz, que tem uma grande lista de blogs recentemente atualizados. Prevejo diversão para dias.  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Roupinha nova

Minhas irmãs, minha mãe, minhas tias e eu temos o tamanho parecido e a filosofia de que uma hora toda tendência volta. O resultado é uma grande circulação de roupas, inclusive porque a gente passa as peças pra frente e não raro encontra com elas de novo lá na frente. 

A guardiã desse pool é minha mãe, que guarda nos amplos armários de seu apartamento roupas de quase meio século (como um vestido que ela usava quando estava grávida... de mim!) e sempre tem algo a oferecer quando passamos por lá. 

Já faz um tempo que deixei de acompanhar as modas (desde 2010). Desde então, só uso o que acho bonito e confortável, nas cores que eu gosto: preto, branco, azul-marinho, vermelho, vinho (e azul e verde intensos). O bom é que tudo combina com tudo e eu fico feliz com todas as minhas roupas. 

Dessa vez voltei de BH com três vestidos curtos, dois vestidos longos, uma blusa de um ombro só, uma camisa de manga curta e uma calça de ginástica. Pronto, estou equipada para o verão (menos a calça de ginástica, que é pra ser usada já. Se eu queria um sinal do universo que estou precisando desenferrujar os músculos, olha ele aí. Na verdade, é o segundo sinal do universo, porque o primeiro foi...

... andar a cavalo no Brasil (meus pais têm um sítio, no sítio tem um cavalinho). Achei ótimo, mas  subir no cavalinho foi uma dificuldade).

Verde e e azul


domingo, 5 de fevereiro de 2023

O mau humor

O último post foi bem mal-humorado, e a culpa nem foi toda de BH, coitada. É que eu e o Leo, quando reencontramos as famílias por tanto tempo, ficamos aflitos. Acho que nos acostumamos a ficar na nossa casinha, tranquilos e contentes, e passar quase duas semanas morando com os pais, que têm seus próprios hábitos e para quem nunca crescemos de verdade, nos deixa desorientados. Para completar, no quarto que a gente fica o wi-fi não funcionava, então nem nos esconder para ver Netflix foi uma opção. 

Por outro lado, foi uma viagem muito útil: fizemos exame médico para renovar carteira de motorista, desbloqueamos cartão de crédito, tomamos a quinta dose da vacina de Covid. Revimos amigos e parentes, comemos pão-de-queijo, empada e mandioca frita, tomamos Mate Couro, Guarapan e Grapete. E ainda voltei com um monte de roupa nova, mas aí é caso para outro post. 

Vista de BH da varanda do meu padrinho

Para mim essa viagem lembrou muito uma época em que estava na segunda faculdade, deprimida (de verdade) e meio perdida na vida. Estava doida para arrumar emprego e sair da casa dos meus pais, e isso demorou mais do que eu queria para acontecer. A parte boa, claro, é que esse tipo de recordação faz perceber como tudo mudou para muito melhor. No final, tudo dá certo - se ainda não deu certo, é porque não chegou ao final. 

Em retrospectiva, planejamos mal: devíamos ter tratado como outra viagem de férias. Ou seja, marcado passeios, feito listinha de restaurantes e confeitarias, ido à Brasília, São Paulo e Uberlândia ver pessoas queridas. 

Fica para a próxima. Que, se tudo der certo, será em seis anos e meio, quando eu for obrigada a voltar a trabalhar no Brasil. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Olá, Brasil

Em junho de 2019 embarcamos para as Filipinas e, desde então, não demos as caras no Brasil. O plano do Leo era ficar dez anos fora e só voltar quando eu fosse obrigada (depois desse tempo, preciso trabalhar no Brasil por pelo menos um ano antes de sair de novo). Ele até trouxe a mãe dele para passear aqui em Zurique (em retrospectiva, uma ideia ruim), e queríamos que meus pais viessem também. Mas eles ficaram enrolando, e eu concluí que não ia ter jeito: se eu quisesse vê-los, ia ter de ir visitá-los. Aproveitei que neste janeiro eles vão fazer 50 anos de casamento e marquei as passagens (o Leo relutou, mas foi convencido a ir também). 

Ou seja, são quase quatro anos longe da pátria (marromeno) amada. Estou curiosa e tensa com o reencontro. A sensação é que a situação piorou, e não foi pouco, na minha ausência. Estou otimista com o novo governo, mas acho que vai demorar um tanto para as coisas entrarem nos eixos. 

Dizem que quem mora fora se sente um pouco estrangeiro quando volta. Acho que é verdade, mas não sei bem como vai funcionar comigo. Não é como se eu tivesse emigrado para um outro país: eu emigrei para outroS paísES. Primeiro Filipinas, agora Suíça, e só deus sabe qual será o próximo posto (tenho planos, mas nem Filipinas nem Suíça estava nos planos, então já vi que na minha carreira os planos não adiantam muito). 

Pela lógica, esse fato deveria reafirmar minha identidade brasileira, né? É o fator em comum em todas essas aventuras (passadas e futuras). No entanto, já faz um tempo que não tenho muita paciência com o Brasil. Até fiz concurso para ficar longe dele.

Vamovê como vai ser. 

domingo, 27 de novembro de 2022

Eu ontem fui à França

No sábado eu e o Leo acordamos cedo (ele, como sempre) e decidimos dar um pulinho em um país vizinho. Temos um passe de viagem na Suíça que nos levou até a Basileia, na tríplice fronteira (Suíça, França e Alemanha). De lá compramos uma passagem de trem até Mulhouse, uma cidadezinha francesa cujo nome lembra o amigo do Bart Simpson. 

Basileia (ou Basel, ou Bale, em francês) é muito bonita. Fiquei impressionada. Acho que é influência da França, viu. 

Spalantor, um dos portais da antiga muralha de Basel

Mulhouse é bem pequena, mas tem um centrinho histórico arrumado, tomado pelo mercado de Natal. Compramos belas nhá-bentas (que na França se chama guimauve) de diversos sabores e eu tomei uma cerveja quente com aroma de cereja. Sim, é tão ruim quanto o nome sugere. 

Com estamos no fim do outono, tem anoitecido bem cedo: às cinco e pouco da tarde já está escuro e o meu corpo acha que são oito da noite. A vantagem é que vimos a decoração de luzes de Natal de Mulhouse antes de pegar o trem de volta para casa! 

Feira e iluminação de Natal em Mulhouse

domingo, 16 de outubro de 2022

A trilha de outono

No sábado um casal de amigos nos convidou para fazermos uma trilha perto de Zurique. Tanto eles quanto nós somos fãs do site Swiss Family Fun, que sugere um monte de trilhas e passeios e dá todas as dicas e detalhes. Eles escolheram a trilha Wasserfallen Chellechöpfli, nós topamos, e lá nos fomos. 

Uma hora e pouco de carro para chegar ao ponto de partida; depois, 9 km e meio a pé, por subidas e descidas muito razoáveis. O que atrapalhou um pouco foram as chuvas dos últimos dias, que resultaram em barro e folhas encharcadas e escorregadias em alguns trechos. Sim, os tênis voltaram imundos, mas temos tanque na lavanderia do prédio e já resolvemos o problema (depois de esperarmos a lama secar e escovar os sapatos vigorosamente no lixo). 

No começo da trilha, toda valente

Encalorada e cansada

As lindas cores de outono

Almoço: batata rosti e ovos "espelhados"

No banco gigante aleatório (instalado por um banco - de dinheiro - em seus 150 anos)

Gostei da experiência. Foi um pouco cansativo (quase 10 quilômetros), mas recompensador. Vi paisagens lindas e bati muito papo. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021

Fui olhar minha lista de leituras e checar o histórico da Netflix para ver como passei momentos de lazer este ano. Infelizmente, sou obrigada a confessar que li e vi muita porcaria: livros, séries e filmes dos quais nem me lembro direito, e que não me acrescentaram muito, fora razões para reclamar. 

Pior que isso, passei muito tempo lendo notícias e navegando em redes sociais nada interessantes, só porque estavam à mão. Acho que a gente se acostuma com a facilidade (e o cérebro, com os centros de recompensa sendo estimulados). 

Enquanto isso, as aulas de alemão ficaram esquecidas, coitadinhas. É mais fácil olhar o Instagram do que aprender mais um substantivo (e seu artigo, e seu plural, e seu antônimo). 

Não estou me recriminando. 2021 foi um ano pandêmico - ter chegado ao fim dele sem ter me contaminado, nem ficado deprimida, é uma vitória. Mas, a partir de agora, vou tentar me desconectar um pouco, ficar à toa, sentir um tédio até. 

Viver mais o presente, em vez de me distrair. 

domingo, 21 de novembro de 2021

Manila Bulletin

As restrições têm melhorado bastante em Manila. Esta semana, para nossa grande alegria, caiu a exigência de usar o maldito face shield, a placa de plástico que não protege contra a Covid, aperta atrás das orelhas e embaça a vista. O Leo ameaçou fazer uma fogueira com os exemplares que ainda temos em casa mas, prudentemente, preferimos guardá-los por alguns dias (vai que o governo muda de ideia). 

Embora a máscara continue obrigatória (e eu usaria mesmo se não fosse), os vacinados agora podem entrar em restaurantes (que continuam servindo só uma parcela da capacidade máxima) e em cinemas (com 40% de lotação - prefiro não, obrigada). O melhor é que, depois de 18 meses, finalmente as crianças podem ser de casa. Agora elas estão nas ruas, numa alegria só. 

Outra liberação bacana é a da piscina no prédio. Não precisa mais marcar hora! Podemos brincar na água a qualquer momento. Claro que, justamente por isso, estamos nadando menos. É o paradoxo da disponibilidade. 

O que estamos fazendo é aproveitar para frequentar lugares que não conhecíamos e voltar aos mais legais. Como em Manila os bares e restaurantes são razoavelmente baratos, o plano é ir a vários... porque no próximo posto vai ser complicado. Sem falar que precisamos fazer o que quisermos na cidade de uma vez, porque não temos muito tempo pela frente.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Spoilers

O Leo estava vendo o seriado coreano Level Six (ou Squid Game). Vi um pedaço do segundo episódio com ele e declarei: o velhinho é o vilão, óbvio. 

Assistimos ao filme Kate, também no Netflix. Na primeira cena em que o Woody Harrelson aparece, virei pro Leo e disse: este cara é o vilão, óbvio. 

Chamei o Leo para ver Intrusion, outra produção netflíxica. Na segunda aparição do marido, não hesitei: este moço é o vilão, óbvio. 

Acertei em todos os casos. Isso só quer dizer uma coisa: já vi filmes de suspense demais nesta vida. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Boletim de notícias

Estou de férias até o fim da semana que vem. Amanhã começa mais um lockdown de 15 dias. O colega/vizinho/amigo que chegou em Manila uma semana depois da gente voltou com a família para o Brasil.

O Leo está vendo as Olimpíadas na tv e em dois laptops ao mesmo tempo, cada um em um esporte diferente. Eu aproveito que estou de férias e corro lá toda vez que aparece um evento interessante. 

Finalmente compramos cadeiras e mesinhas para a varanda. Ontem chamamos um casal de amigos, também vacinados, para inaugurar: espaço aberto, distância social. 

Cortei meu próprio cabelo de novo. Estou vendo duas temporadas de RuPaul's Drag Race ao mesmo tempo. Estamos indo à piscina todos os dias (mas a partir de amanhã não pode, por causa do lockdown). 

A temporada de lançamento de livros está fraca. Definitivamente estou sem paciência para ficção. 

Fiquem ligadas para mais notícias cotidianas de uma vida normal em tempos de pandemia. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Feriazinhas

Saímos de Manila por uns dias na hora certa: hoje já não pode mais deixar a cidade e semana que vem vai ter mais um lockdown, dessa vez por duas semanas.  

Fomos para Boracay, uma das muitas ilhas paradisíacas das Filipinas, no domingo. Voltamos ontem, bronzeados e descansados. 

Verdade que choveu durante grande parte do tempo. No entanto, volta e meia o sol aparecia. Logo no primeiro dia, descobrimos que a piscina infinita (e funda: 2 metros e 10) não só ficava vazia como tinha uma parte coberta, que usamos alegremente para nos proteger tanto dos raios solares quanto da chuva tropical. Que pode ser forte, mas não é fria. Aliás, tanto a água do mar quanto a das piscinas tinham temperaturas agradabilíssimas. 

A chuva atrapalhou foi a exploração marítima. O mar estava revolto, isso significou bandeirinha vermelha ("proibido nadar") constante. Ou seja, nada de andar de caiaque, fazer stand up paddle ou praticar snorkel, que eram atividades incluídas nas diárias do hotel e que eu estava confiante que ia aproveitar. Não sou nada esportiva, mas sendo "de graça"... No fim das contas não deu. O lado positivo é que posso ficar na ilusão de que teria me saído bem.  

Não posso deixar de comentar que nos esbaldamos na comida. Café da manhã de hotel bacana, sabe como é. Tinha sushi, ramen, ovos benedict, croissants. Também tomamos drinques, cada dia um diferente, com vista para o mar, todos gostosamente parecidos e com pouco álcool, como costuma ser por aqui. 

O melhor mesmo foi ver o horizonte, o céu, o mar e um monte de verde. E andar sem máscara, né, quando estávamos nas áreas abertas. 

Para terminar, uma fotinha que prova que o mar filipino é bonito mesmo (e eu rindo porque tinha me sentado artisticamente nos degraus mais baixos e as ondas quase me levaram): 

domingo, 4 de julho de 2021

Ideias rocambolescas

Faz um tempo que não me reconheço. Cadê a pessoa das ideias rocambolescas, dos projetos nada práticos, dos planos megalomaníacos?

Posso botar a culpa na pandemia, mas nada melhor que uma quarentena forçada para colocar em prática objetivos aleatórios como ver todos os filmes de Hollywood dos anos 50 ou jejuar por 48 horas, só pra ver de qualé. 

Acho que por um tempo fiquei preocupada só em sobreviver - à ansiedade, ao trabalho, à Covid. Agora as coisas estão se ajeitando, felizmente, e estou ficando animada de novo. 

Uma vontade que sumiu (e disso eu gostei) foi a de estudar para concurso. Ela me persegue desde que eu me formei (no fim do milênio passada). Mesmo depois de aprovada, sempre achei que tinha "outro melhor". Agora, finalmente, não acho que haja outro melhor (melhor para mim. Neste momento).  

Venham, ideias rocambolescas. Estou esperando vocês. 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

São tantas remoções

Em tese, todo semestre tem plano de remoção no trabalho, e as pessoas podem se inscrever para mudar de  posto (cumprido o mínimo de 2 e o máximo de 5 anos). Por posto entenda-se embaixadas, consulados e missões brasileiras pelo mundo. 

Digo em tese porque no ano passado, por exemplo, só teve um plano de remoção, no começo do ano. A pandemia avacalhou mil coisas, e uma delas foi a programação normal - e o segundo plano de 2020. 

Já o primeiro de 2021 foi realizado direitinho. Só vou poder me inscrever no próximo, mas acompanhar o processo é legal mesmo assim. Sempre tem um monte de amigos indo de cá pra lá, ou vice-versa, e é muito bacana ver todo mundo feliz e cheio de expectativas com seus destinos. 

Tão legal quanto é verificar que a vaga que estou ambicionando não foi ocupada. Assim, pelo jeito vai dar tudo certo no segundo semestre. 

Acho muito interessante essa vida de sucessivas mudanças. Adoro não saber onde estarei daqui a 6, 8, 12 anos (só sei que, completando 10 no exterior, é obrigatório voltar ao Brasil e passar ao menos 12 meses). Lembro-me que gostei muito de morar no interior de Minas, mas depois de uns anos o tédio bateu (e aí decidimos ir para Brasília). Agora as mudanças estão embutidas na carreira.

Sim, esse fato dificulta o planejamento a longo prazo. Mas estou mesmo querendo largar mão da minha mania de tentar botar a vida na planilha o tempo todo e viver mais o presente.

Vou planejar só as visitas aos amiguinhos quando a pandemia acabar. 

sábado, 1 de maio de 2021

45

Ontem fiz aniversário. 

45 anos de idade. 

Quando meus pais tinham 45, eu achava que eles estavam avançados em anos. Não imaginava que um dia estaria no mesmo lugar. 

É claro que esse dia chegaria, se eu não morresse pelo caminho. Mas acho que minha imaginação não dava conta de pensar em um futuro que passasse dos vinte e poucos. 

Aos 45 anos, meus pais tinham três filhas, carro, casa, sítio. Acho que eles eram felizes assim. 

Hoje, aos 45, eu me sinto na segunda década dos 30. Decidi não ter filhos, decidi morar fora do país, decidi trabalhar enquanto meu marido me acompanha. Tudo diferente dos meus pais, e sou feliz assim. 

Posso dizer que, com a passagem do tempo, as coisas ficam cada vez melhores. Só preciso descontar meu surtinho de ansiedade quando cheguei a Manila. Acho que dá para considerar que o gráfico tem uma tendência fortemente positiva, com algumas quedas inevitáveis. Faz parte da vida.

Pode ser o efeito do prosecco, pois as comemorações estão se estendo pelo fim de semana, mas estou serena e contente. Não tem outro lugar onde eu estaria estar, em todos os sentidos. 

Que venham mais 45! 

(Ou mais 35: o plano é fazer 80 e, se a saúde estiver cada vez pior, rumar alegremente para um país de eutanásia. Se bem que, só para fazer pirraça no Guedes, posso decidir viver até os 100.) 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Dias de folga

Estou tendo uns dias de folga no trabalho. Fico trancadinha em casa, porque os números de casos aumentaram por aqui. Pedimos para entregar comida e compras, e até as idas ao Ayala Triangle (não é bem um parque, é um espaço aberto com grama, algumas árvores e muitos gatos) deixamos de lado por enquanto.   

Não estou reclamando: pedimos comida taiwanesa num dia, libanesa no outro e sempre temos a piscininha e o piscinão para sair de dentro do apartamento. 

A piscininha e o piscinão ficam no nono andar. É um espaço aberto entre andares, na sombra. A parte boa é que não precisa passar protetor solar; a parte ruim é que água do piscinão fica muito fria. Já a da piscininha tende a ser mais agradável. E tem bolhas! É só pedir que o pessoal da portaria liga, por um mecanismo misterioso (se fosse óbvio eu mesma ligava e desligava, claro). Também é possível pedir calor na piscininha, mas tem de ser com quatro horas de antecedência, que é o tempo necessário para a água esquentar. Ultimamente não tem precisado, mas no pico do inverno (em janeiro!) era bem bom. 

Então é isso: casa, piscininha, livros, filmes, séries, drinques e muitas sonecas. Fora a raiva diária com Twitter e sites de notícias do Brasil, a sensação de impotência e a culpa/alívio por estar longe, está tudo muito bem, obrigada. 

domingo, 14 de março de 2021

Umbiguices

Sabe o tênis branco? Depois de mantê-lo imaculadamente limpo por vários dias, saí usando com a base de borracha sujinha mesmo, e não deu nada. O pessoal aqui anda na rua com seus tênis impecavelmente alvos, e acho lindo, mas não o suficiente para limpar todo dia. 

* * * 

Perdi peso durante a pandemia. Desconfio que uma parte foi em músculos. E foi mesmo: a balança nova que mede composição corporal (a antiga completou 6 anos, estragou, era brasileira, não tinha como consertar) me contou que minha porcentagem de músculos não é nem baixa, é insuficiente. Só porque eu só saio de casa para ir para o trabalho e fico sentada a maior parte do tempo? Sacanági. 

* * * 

Por outro lado, resgatei do fundo do armário (eu sempre digo, pode desapegar sem dó, o que for importante não vai embora) calças cinza que voltaram a servir. Elas foram feitas em um alfaiate (indicado pelo Rotary, que exigiu que a turma que ia fazer intercâmbio profissional da Autrália por 5 semanas adquirisse um traje formal), e mesmo assim ficaram compridas, porque o diabo do alfaiate deixou um tanto a mais para o salto. Eu avisei que não usava salto. Mas ele é que sabia, né. 

* * * 

O Leo começou a estudar alemão. Quero começar também, mas estou com preguiça, e aí tive a brilhante ideia de fazer primeiro umas aulas de língua de alfabeto não-fonético, para em comparação o alemão parecer facinho. 

Eu sei, eu sei. Descobri este curso aqui: "Kit de contato em línguas orientais: chinês", e estou achando bacaníssimo. É online, gratuito, e ainda pratico um pouco o francês. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Aos poucos

Faz dois dias que não acompanho as notícias do Brasil na internet, nem abro o Twitter, e meu humor já melhorou um bocado. Um pouco porque as notícias do Brasil têm sido bem ruins; outro tanto devido ao fato de que redes sociais e sites são viciantes, e eu gastava bastante tempo neles. Agora uso esse tempo para frequentar a piscina do prédio, ver RuPaul's Drag Race UK, e ler pedaços de livros no Kindle (não sinto a menor obrigação de ler um livro por inteiro: às vezes a introdução e a conclusão já resolvem).

Sim, o prédio tem piscina, e desde que a pandemia começou (março de 2020), é necessário marcar hora para nadar. O lado bom é que eu e o Leo ficamos com o espaço só para nós; o ruim é que cada apartamento tem direito a apenas 60 minutos, agendados no dia anterior ou no próprio dia. Não dá para sentir uma vontade espontânea de mergulhar. Mas, como a cada dia que passa mais horários vagos aparecem, não é difícil pegar o interfone e conseguir um horário dali a um tempinho. 

Pode ser isso, pode ser o remedinho mágico fazendo efeito. Só sei que estou me sentindo mais eu mesma, e fico muito feliz por isso. Acho que o pior de uma crise de ansiedade ou depressão é não se reconhecer, e não conseguir acreditar que a situação vai mudar, nunca. É bizarro para quem nunca teve a (péssima) experiência, mas para mim funciona assim. 

É verdade que a pandemia não ajudou em nada. Sem quarentena, eu teria viagens, encontros com os amigos, idas a restaurantes e cinemas etc. Quer dizer, atividades legais que ajudariam a me distrair e me divertir. O começo do isolamento foi tranquilo, e acho que para mim foi menos difícil do que para muitos, mas uma hora a gente cansa. 

Enfim. Vamos indo, um dia de cada vez, uma semana de cada vez, um mês de cada vez. Uma hora as coisas vão melhorar. 

sábado, 16 de janeiro de 2021

2021

Geralmente gosto de fazer retrospectivas e perspectivas na virada do ano, mas dessa vez estou com a impressão de que a mudança foi só no calendário, não na vida real. A rotina continua a mesma e a (falta de) expectativas, também. Até porque os eventos que costumam marcar períodos (natal e ano novo, por exemplo) foram basicamente cancelados. 

Não estou com paciência para tirar lições da pandemia, nem para me dedicar a projetos e "aproveitar" esses meses. Vamos tocando da maneira que dá, vendo muitos seriados de qualidade duvidosa (Too Hot to Handle, Love Island, Love is Blind. Soltos em Floripa não deu para encarar) e passando raiva lendo jornais. 

O Leo me lembrou que 2020 nos decepcionou porque tínhamos muitos planos, viagens e visitas na agenda. Já de 2021 não esperamos nada, então o que vier é lucro. 

Mentira: esperamos sim. No fim do ano, completaremos nosso período nas Filipinas e poderemos sair para o próximo posto.

Ai de 2021 se me tomar essa única alegria.