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sábado, 23 de outubro de 2021

Smells like business class

Já contei que eu fui aquela pessoa que, na hora de fazer o check-in em qualquer voo, arrumava o cabelo, passava batom e sorria brilhantemente, né? Certa de que, em algum momento, ia aparecer a oportunidade de um upgrade grátis para uma classe superior.  

Nunca funcionou. 

O sonho de escapar da classe econômica foi realizado por amigos; pela irmã mais nova, várias vezes; pelo Leo (!), a única vez em que ele viajou sem mim. Conclusão: eu é que estava atrapalhando as pessoas. 

Eis que, depois de decidirmos que a Espanha seria o destino das férias, o Leo descobriu que o preço da passagem na executiva da Emirates Airlines era 30% mais cara do que na econômica, e não o dobro ou o triplo, como costuma ser. 

É claro que retorci as mãos e rangi os dentes, mas o Leo me convenceu com o argumento de que, de Manila a Barcelona, são dois voos longos, um de 8 horas e meia e outro de quase 8. Se alguma viagem merecia o upgrade, era essa.

E lá nos fomos. 

O que posso dizer é que a classe executiva dá:

- comida e bebida. No lounge antes de embarcar, depois que você entra no avião, durante todo o voo, no lounge na conexão, no voo seguinte.

- espaço: dá para esticar as pernas, os braços, o corpo todo. É a melhor parte. A comida é um bônus (e bem-vindo), mas com o espaço eu não me importaria de levar meu próprio piquenique. 

Não deu para dormir, mesmo com a poltrona estendida quase 180 graus. Mas chegamos ao destino muito mais descansados do que o habitual. 

O diabo é que agora vou sofrer muito mais quando viajar de econômica. 

*  *  * 

A executiva da Emirates também dá, no voo noturno, uma linda nécèssaire com creminhos e perfuminhos. Não tinha o modelo de moça no nosso voo, então ganhei um de moço mesmo. 

Os cheiros são deliciosos. Estou usando e não quero nem saber. 

sábado, 28 de julho de 2018

A bicicletinha

Aprendi a andar de bicicleta tarde, lá pelos 12, 13 anos - em uma Caloi Ceci que minha irmã mais velha ganhou quando completou 7. (Por que ela aprendeu aos 7 e eu, que tinha 6 na época, gastei quase o dobro disso pra começar? Mistério. Jamais saberemos). 

Ou seja, aprendi em uma bike pequena e não cresci muito a partir de então. E pedalei pouquíssimas vezes nessa vida (dá pra contar nos dedos de uma mão. Sério). Quando surge uma oportunidade, é sempre em uma bicicleta imensa e pesada, o que não ajuda em nada, e eu desisto logo (ou antes mesmo de começar). 

Minha tese é que eu preciso de uma bicicleta do meu tamanho para recomeçar. E minha tese se provou correta: semana passada, ao caminhar no Eixão, encontrei uma bicicleta pequena para alugar - e aluguei. Aí rolou! Pedalei loucamente de lá pra cá. Bufei, me cansei, fiquei vermelhíssima, mas me senti realizada. É verdade: andar de bicicleta a gente nunca esquece. Memória muscular é um negócio incrível. 

Contei pros amigos minhas aventuras, e um deles ofereceu uma bicicletinha dobrável emprestada. Aceitei na hora. Hoje, eu e o Leo fomos caminhando até a casa dele e voltamos pra nossa pedalando (aqui em Brasília tem aquelas bicicletas grátis da rua, e o Leo gosta bastante delas). 

Foi ótimo. No plano piloto tem ciclovia, e ela é muito bacana: razoavelmente plana, margeada por árvores (várias floridas!) e bem-sinalizada. Para completar, é sábado e ela estava vazia. 

A prova do crime
Adorei. Quero repetir, um monte de vezes.

Obs: não quer dizer que eu ande de bicicleta bem - muito antes pelo contrário. Mas o Leo garante que é só praticar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A velhinha doida

Definitivamente serei uma dessas velhinhas doidas que saem conversando com completos desconhecidos na maior tranquilidade.

Hoje, puxei conversa com uma pessoa diferente em cada ônibus que peguei e com dois amigos que vinham caminhando pela Esplanada. E continuei batendo papo, bem contente, até a hora de saltar do ônibus ou de entrar no prédio. 

Acho que eu estava precisando socializar.


sábado, 19 de dezembro de 2015

As vantagens de viver sem carro

As vantagens de viver COM carro todo mundo sabe: a publicidade te conta o tempo todo. Mas viver sem carro também tem suas vantagens. Andar por aí a pé e de transporte público faz bem:

- à saúde: pego ônibus em pontos próximos ao trabalho e à minha casa, mas mesmo assim ando uns bons metros para chegar a eles. Parece pouco, mas como é todo dia, duas vezes por dia, acaba fazendo diferença. E ainda tem o supermercado (o mais próximo fica a 500 m).  Resultado: eu e o Leo estamos mais bem dispostos (e mais magros).

- à cabeça: não ter de se preocupar com a troca do óleo, com a rotação dos pneus e com o trânsito é uma maravilha. Sem precisar dirigir, dá pra ler ou olhar a paisagem. Chego ao trabalho (ou em casa) tranquilinha.

- ao bolso: não precisa nem falar. Usar ônibus, táxi e os próprios pés costuma sair muito mais em conta do que manter um carro (a não ser que você ande de táxi com muita frequência, claro).

- ao orçamento: ir ao shopping é mais demorado sem carro. Então, a não ser que a gente precise muito de alguma coisa, damos aquela enrolada e acabamos dispensando - ou esquecendo.

- ao comércio local: tudo que a gente puder resolver perto de casa a gente resolve perto de casa.

- ao trânsito: hoje tem um carro a menos nas ruas de Brasília!

domingo, 20 de setembro de 2015

Diários de Brasília, setembro

Pegamos uns dias loucamente quentes em Brasília. A boa notícia é que a partir daqui só melhora. E que instalamos telas mosquiteiros em várias janelas, então tem ventinho bom refrescando a casa

* * *

Eu e o transporte público: uma beleza. O ponto é pertinho de casa. O ônibus para na frente do trabalho. Gasto 18 minutos para ir e 10 para voltar (porque na ida ele passa pela Esplanada toda, e na volta ele cai direto na Asa).

* * *

Aguarrás, sabão de coco e cera líquida são meus novos melhores amigos. Nunca limpei, lavei e esfreguei tanto. E com alegria, o que é uma grande mudança para quem sempre detestou serviço doméstico.

* * *

No trabalho: fazendo um monte de coisas diferentes, fora da zona de conforto, e me esforçando para experimentar de boa vontade antes de sentenciar que não gosto, não quero e não rola.

* * *

Muito ocupada com o presente para pensar no futuro.

domingo, 13 de setembro de 2015

O discurso e a prática (da simplicidade)

Voltei do sabático decidida a continuar vivendo com menos. Menos posses, menos despesas. Menos manutenção, menos preocupação. Mais tempo, mais tranquilidade.

E rolou um choque de realidade, confesso. Continuo achando que não ter carro é uma boa, mas não é a melhor coisa do mundo quando você acaba de chegar a uma cidade e tem de visitar apartamentos para alugar, comprar mobília, botar chip no telefone, ir trabalhar. Tudo isso num calor de 35 graus e num sol de matar. E olha que uma amiga não só nos hospedou quanto nos emprestou o carro dela um montão de vezes.

Ainda assim, tivemos nossos desentendimentos com ônibus que demoravam muito a passar (depois de 50 minutos, desistimos de esperar) e com um circular cujo motorista esqueceu de mudar a direção no painel (e eu fui pro lado errado, claro). Acabamos pegando táxi algumas vezes, o que já era parte do plano, mas ficamos um pouco frustrados, porque queríamos mesmo usar o transporte público.

E aí veio o apartamento. Queríamos um apê menor do que o que tínhamos antes, com um aluguel mais baixo, com o condomínio idem. Obviamente, isso significa menos espaço, menos luxo e prédios mais simples. Visitamos apartamentos nos quais não cabia uma cama de casal no quarto (juro!), ou então só encostada na parede e debaixo da janela. E tem as cozinhas e banheiros antigões, reformados nos anos 80 e - tcharam! - sem janela. E as eternas "dependências completas de empregada", que são medonhas - e inúteis. Se eu contratar uma faxineira, ela vai usar o banheiro da casa, uai.

Demos a sorte (e o esforço - foram semanas nos sites de apartamentos, gente) de encontrar algo dentro das nossas especificações, do nosso orçamento E que não fosse medonho. O prédio não tem porteiro, nem elevador. Seus corredores bem que mereciam mais uma camada de tinta. Mas o apartamento está todo reformado, tem luz natural em todos os cômodos (pois é, isso não é regra em Brasília) e veio mobiliado: cozinha montada, cama, sofá, tevê. E fica numa quadra ótima.

Vou falar a verdade, com a mão no coração: durante o processo, teve hora que deu vontade de chutar o balde e ir visitar apartamentos lindos e caros. E entrar numa concessionária e comprar um carro (usado, claro). Mas respirei fundo e continuei com o plano. Não dá pra mudar de ideia diante dos primeiros obstáculos. Lidar com as frustrações, isso é ser adulto, né.

* * *

E não acho que simplicidade tenha que ser sinônimo de desconforto. Os móveis do apartamento, por exemplo. Seriam bons para uma temporada curta. No entanto, já que eu vou ficar muito tempo aqui, quero, sim, ficar bem-acomodada. Já basta ter de trabalhar todo dia (o que é assunto para outro post). Então vamos comprar uma cama excelente (já compramos, aliás). E um sofá maior e mais macio. E uma mesa grande, boa para estudar. E cadeiras mais ergonômicas.

Em resumo: tudo em equilíbrio. Apartamento pequeno, sim. E arrumado E gostoso de morar E pronto para receber os amigos (pufes ou tamboretes empilháveis?).

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O sonho do apartamento mobiliado: virou realidade!

No final deu tudo certo: fiz marcação cerrada no dono do apartamento reformado e mobiliado no qual estávamos interessados. Conhecemos o apartamento na quinta-feira. Na sexta, assinamos o contrato.

Primeira alegria: não ter de lidar com as imobiliárias enrolonas. Segunda alegria: nada de fiador, só caução. Terceira alegria: na sexta-feira mesmo nos mudamos para lá.

Aí as alegrias deram uma pausa. Pra começar, o dono queria instalar armários, pintar e faxinar antes de entregar ao locatário, mas a gente insistiu para se mudar de uma vez. Então o apartamento estava beeem sujo (quem conhece a poeira vermelha de Brasília vai me entender) quando chegamos. Fizemos uma limpeza (o apê tinha vassoura, rodo, balde e pano de chão), mas confesso que não é a nossa especialidade.

Para continuar, não desfizemos as bagagens. Um armário vai ser instalado e o outro precisa de pintura, e isso vai ser feito esta semana. Enquanto isso, as roupas ficam nas malas e as malas ficam no chão. Isso é bem chato.

Para completar, nos últimos dias fez um calor insuportável. Desses que nem abrir todas as janelas resolve (e olha que o apê tem um tantão de janelas, de um lado a outra da parede). Desses que você sai do banho e começa a suar. Desses que nos sentimos obrigados a pegar um táxi, ir ao Conjunto Nacional e comprar um climatizador (que estava em promoção, para minha grande alegria. Pagou o táxi e ainda sobrou).

Então ainda não posso dizer que estamos instalados. Faltam os armários, a pintura, a faxina profissional. Falta desfazer as malas. Falta receber a mini-mudança de BH (aquelas poucas caixas que ficaram na casa dos meus pais). Falta botar nossos porta-retratos na estante.

Mas olha, é coisa rápida. Mais uma semana ou duas, e vai estar tudo bem.

A sala. Adoro: os tijolinhos na parede. Detesto: os fios aparentes.
Vai mudar: a mobília. Aguardem. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Ter ou não ter (carro)?

Eu costumo dizer que meu minimalismo é bem instrumental - vendemos tudo porque queríamos sair viajando, oras. Mas a simplicidade faz a gente ver as coisas de um jeito meio diferente e refletir sobre as decisões que a gente toma.

Na prática, isso significa que percebemos que várias das nossas escolhas "sobravam": a gente tinha mais carro, mais casa e mais coisas do que precisava - e usava (porque às vezes você não precisa precisa, mas usa e gosta, então está valendo).

Quando falo que nossas escolhas "sobravam", não estou usando como base de comparação o mínimo necessário, não (passei por essa fase, mas saí dela, rs). A minha base é uma vida legal, confortável e significativa, que faça sentido para nós, nossas personalidades e preferências.

A mudança - Assim, voltamos de viagem decididos a morar em um apartamento menor e a dirigir um carro mais econômico. E não é por falta de grana, não - embora, se fosse, não seria vergonha nenhuma. Ao contrário, seria inteligência (primeira regra da educação financeira: viva abaixo de seus meios). É porque de fato constatamos que é mais barato e mais fácil adquirir e manter uma casa e um carro mais simples.

Parênteses: sim, sabemos que é um privilégio poder optar por menos. Muita gente não pode se dar a esse luxo. E sim, morar longe da família facilita esse tipo de escolha - não tem a comparação diária com o carro do ano da prima fulana e o espertofone novo do tio sicrano. Fecha parênteses.

O fato de que vamos para Brasília ajuda, é claro: é possível morar razoavelmente perto do trabalho e a cidade é totalmente plana, então um motor 1.0 dá conta. Aí, de novo, não estou falando do mínimo necessário: quero um apartamento pequeno, mas com banheiro e cozinha reformados, porque as monstruosidades dos anos 60 ninguém merece; e o carro vai ter ar-condicionado, porque em Brasília faz um calor de lascar.

O carro - Conversamos com gente que entende de carro. Escutamos: "carro barato e econômico? HB20, não tem erro!". Explicamos que não achávamos que 40 mil era barato. No fim das contas, as opiniões convergiram no Palio 1.0, usado - porque preço de carro cai assim que ele sai da concessionária.

E aí toca a procurar carro (nem preciso dizer que é difícil achar o que queremos comprar pelo preço que estamos dispostos a pagar). E a botar na ponta do lápis os custos com IPVA, DPVAT, seguro e gasolina. E a lembrar da chatice das manutenções, das trocas de pneus, dos problemas mecânicos que às vezes aparecem...

A alternativa - Então a gente pensa na outra possibilidade: que tal não ter carro? Não temos filhos, nem dificuldades de locomoção. Como ainda vamos nos instalar na cidade onde vamos trabalhar, podemos nos organizar, isto é, tentar morar perto do emprego, perto do comércio, perto do transporte público.

Também estamos dispostos a não ficar pão-durando na hora de pegar táxi, seja para ir a um lugar mais distante, seja porque está chovendo. Este site calcula quanto custa manter um carro. Segundo ele, se comprássemos um Paliozinho usado por 20 mil, gastaríamos, hoje, 8 mil reais por ano com a teteia. Conforme nossos controles financeiros, antes de viajarmos, gastávamos quase 6 mil reais por ano. Então daria pra andar bem de táxi, né?

A decisão - Afinal, ter ou não ter (carro)? Não conseguimos nos decidir. Então, o que fazer? Um experimento prático, claro. Nos primeiros tempos em Brasília, vamos ficar a pé (e de ônibus, e de táxi, e de carona). Depois de algumas semanas, teremos dados suficientes para confrontarmos os pós e contras... e bater o martelo.

Será a zebrinha nossa futura melhor amiga?
Foto daqui.