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sábado, 5 de junho de 2021

A louca da Uniqlo

A Uniqlo é uma loja japonesa de roupas com filiais no mundo todo, com peças minimalistas e materiais de boa qualidade. Tem filiais no mundo todo, inclusive em Manila (várias). 

A Uniqlo é bem bonita e não muito cara (mentira, acho cara. Mas eu também acho tudo caro). Só que, como descobri há duas semanas, ela faz promoções com belos descontos. 

Tudo começou inocentemente, com uma ida casual à loja para comprar uma blusinha fresca. Usei e gostei tanto que pesquisei na internet se havia outras cores. Havia, e no site elas custavam 25% mais barato! Aí comprei mais duas, né? Então vi um vestidinho florido lindo, do jeito que eu estava almejando, na promoção. E um suéter de cashmere por um terço do preço. Comprei, comprei. 

Voltei à loja para pegar as compras. Pra quê. Arrematei um sapatinho "de menino" (com desconto) e a barganha do século: um vestido preto de seda, que originalmente custava 140 dólares, por 12.   


As blusas e o sapato serão usados imediatamente, para trabalhar (meu primeiro "sapato de menino" foi comprado em Brasília em 2011, passou por vários consertos e está querendo se aposentar, tadinho). Já  o suéter e o vestido de manga comprida vão ficar para o próximo posto, já que em Manila a sensação térmica tem chegado a 45º C. Mas eu achei que a oportunidade (uma de minhas palavras favoritas) de adquirir peças de materiais bons e duráveis a preços reduzidos não podia ser perdida. 

Agora é marchar para o guarda-roupa e tirar o mesmo tanto de peças de lá. 

* * * 

Detalhe: são as primeiras compras de roupa que faço este ano. 

Detalhe 2: demorei. Devia ter comprado roupas mais fresquinhas assim que cheguei aqui. 

* * * 

Descobri que uma das razões de minha alegria ao comprar em promoções e brechós é muito simples: um número menor de opções. Hoje em dia, existem tantos produtos que eu, particularmente, fico tonta. Diante de uma seção de desconto ou de uma loja de segunda mão, as possibilidades diminuem. Fica mais fácil chegar a uma decisão. 

Isso não quer dizer que eu me sinta obrigada a adquirir alguma peça só porque o preço é sedutor. Saio de mãos abanando numa boa. 

domingo, 13 de dezembro de 2020

A bolsa definitiva

Uso uma única bolsa: preta, básica, cruzada no corpo. Ela combina com tudo, é leve e confortável, e nunca perco tempo trocando conteúdos para uma outra. 

Ela só tem um problema: até o momento, os modelos que encontrei (e que estive disposta a adquirir) que correspondiam a essa descrição eram de couro ecológico. Depois de uns dois anos, elas começam a descascar, justo quando estou bem apegada a seus bolsinhos e zíperes, e não tem canetinha preta que disfarce.

Como aconteceu pela terceira vez, decidi abrir a mão e comprar uma bolsa mais duradoura. Convoquei o Leo e lá nos fomos para os shoppings, de máscara, face shield e bem na hora que eles abrem, quando estão quase vazios. 

Como sempre, a variedade na oferta de produtos femininos é de endoidar. Descartei de cara os couros sintéticos e os modelos coloridos. Fiquei de olhos nas de tecido impermeável e materiais naturais, como as leitoras deste blog recomendaram em um post antigo. 

No segundo shopping, o Leo logo achou uma bolsa bonitinha, bem a minha cara (vide abaixo). Coloquei e fui me admirar no espelho. Era de couro verdadeiro, mas fininho - logo, leve. Consultei a etiqueta: 64 dólares. Fiquei na maior dúvida. Embora a bolsa parecesse de boa qualidade, será que valeria tantos dólares?


Nessa hora o Leo me alertou que a gente estava viajando na conversão: não eram 64 dólares, ERAM 640 DÓLARES. Pelo menos resolveu a minha dúvida: não vale! 

Continuamos na labuta e mais um vez o Leo brilhou: em outra loja, achamos essa simpática bolsa: 


Ela é levíssima, tem um monte de zíperes e bolsinhos, alça regulável (a bolsa atual prestes-a-ser-aposentada tem um belo nó na alça, porque foi o jeito de acertar o comprimento), interior de tecido claro (aí dá para enxergar o que está lá dentro) e garantia de 2 anos. Ou seja, botei fé que vai durar para sempre. 

E custou menos que 64 dólares. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Quem guarda tem

Um lema da minha vida, aprendido com minha mamãe, é "Quem guarda tem". Adoro sacar triunfante uma embalagem para embrulhar um presente ou uma caneta marcadora para disfarçar um arranhão. 

Dito isso, eu sou minimalista. Então só guardo o que tenho muita certeza de que realmente vou usar um dia. Se não for muito grande. E nem muito fácil de repor. E que eu goste muito. 

Tipo um par de botinhas forradas, de sola alta de borracha, que comprei para uma viagem onde ia encarar muito frio e talvez neve. Isso foi em 2009. Nunca mais usei. Mas também não me desfiz, porque tinha confiança e fé que um dia eu iria voltar a um lugar tão frio quanto. 

11 anos se passaram. Pessoa está em quarentena. Pessoa está sonhando com o próximo endereço (2022 na melhor das hipóteses, mas mimdeixa). Pessoa vê vídeos de países frios. Pessoa vê vídeos de roupas para países frios! Pessoa se lembra que tem botinhas forradas. Pessoa saca triunfante as botinhas forradas. Pessoa exclama: "Quem guarda tem!". 

Pessoa sai andando pela casa toda-toda, sem se dar conta de que a borracha da sola alta está em decomposição. Pessoa deixa rastro de destruição na forma de incontáveis grumos de borracha preta que grudam implacavelmente no chão de madeira do apartamento alugado, mesmo com a dedicada aplicação do aspirador. 

O Leo quase teve um troço com a sujeira. Eu fiquei indignada com o produto. Botas com míseros 11 anos de idade e três meses cozinhando em um contêiner se desfazem assim? Isso só pode ser obsolescência programada! 

Quanto à limpeza, não me abalei. Eu lembrava da dica que a Carol Z. deu aqui no blog para recuperar a borracha de trás do Kindle quando ela fica grudenta: álcool isopropílico. Saquei triunfante a garrafinha (quem guarda tem!) e eliminei as manchas horrorosas em dois tempos.  

As botinhas foram imediatamente para o lixo, sem possibilidade de resgate, pois as solas são de um formato muito específico. Suspirei vendo meus sonhos de um futuro frio e distante temporariamente desfeito e...

Saquei triunfante um segundo par de botinhas forradas, de sola alta de borracha, essas compradas no sabático, quando fomos à Finlândia e as primeiras tinham ficado no Brasil.

Termino esse post com mais um ditado, esse de meu pai: "Quem tem dois tem um; quem tem um não tem nenhum". 

* * * 

Juro que botinhas forradas de sola alta de borracha são o único item aleatório que possuo (possuía) em duplicata. Sim, eu devia ter me livrado de um deles na última mudança. Mas veja bem, quem tem dois...

sábado, 7 de novembro de 2020

Sapatinhos de cristal

Agora sou a orgulhosa proprietária de um par de tênis branquinhos. 

Sei que a moda de usar tênis branco com todo tipo de roupa existe há anos, mas eu nunca aderi. Primeiro que achava difícil de manter limpo (vocês conhecem Brasília e sua famosa poeira vermelha?). Segundo que, adolescente, tive um estilo Keds muito desconfortável. Para começar, não era tênis direito, era mais um sapato de lona com cadarços: não tinha palmilha, nada. Para completar, mastigava meu tendão do pé e eu, muito besta, usava assim mesmo. 

Pois bem, aqui um monte de lojas entrou em promoção em outubro. Eu e o Leo fomos comprar tênis para ele (porque os dois que ele tinha estavam se desmanchando. Não deu nem para doar: joguei fora com muita satisfação) e acabei vendo os branquinhos em vários lugares. Decidi experimentar um que fosse tênis de verdade - acolchoado e tudo. Pedi para o vendedor dois pares, ele só achou um. Ficou bom. Perguntei a mim mesma porque eu não tinha sido a primeira defensora de uma tendência tão prática E confortável. Levei.  

É verdade que, por alguns momentos, considerei ir a mais algumas lojas antes de fechar negócio. Mas o tênis que estava no meu pé era bonitinho, macio, sem logomarca evidente e, na minha opinião, em conta. O preço original era 24 dólares; com o desconto, caiu para 18. (Sim, sei que 1 dólar vai estar valendo 10 reais no Brasil daqui a pouco, mas se eu fizer essas contas deixo até de comer.)

É claro que, a primeira vez que saí com ele, meus dedinhos foram apertados e eu xinguei muito no meu Twitter imaginário. Mas, da segunda vez, ele se comportou, e nem precisei de usar aquela manha de enrolar em plástico e deixar uma noite no congelador. 

Como vocês sabem, eu não uso sapatos desconfortáveis, ponto (nem salto alto, que para mim é sinônimo). Até dou uma chance, tento duas ou três vezes, mas se não resolver, adeus. 

Ou seja, eu não daria certo como Cinderela. Mas quem quer se casar com um moço que não é capaz de te reconhecer olhando na sua cara? 

Ou não. Diz a lenda que, originalmente, o sapatinho não era de verre (vidro), mas de vair (pelo). A pronúncia das duas palavras francesas é igual.

Faz sentido, e com certeza sapatinhos de pelo (sintético, é claro - a Cinderela não era amiga dos bichinhos?) são muito melhores do que de cristal. Mas o príncipe... esse continua um bobão.  

sábado, 19 de setembro de 2020

Originais x cópias x genéricos

Existem os originais (com seus preços desmedidos), as cópias (com sua qualidade dúbia e sua intrínseca cafonice) e os "inspired" (que eu chamo de genéricos).

Estou falando de objetos em geral, principalmente itens de vestuário (bolsas, roupas, sapatos). 

Na internet, vi calorosas defesas dos direitos do designer. Se ele não for devidamente remunerado, que incentivo terá para criar? Logo, falsificações deveriam ser severamente combatidas, o que faz certo sentido. Mas não demorei para perceber que marcas caras, como as Arezzos da vida, copiam descaradamente os lançamentos europeus (sem dar crédito algum, claro) e vendem seus artigos a preços elevados (não tão exorbitantes quanto os originais, mas bem longe do alcance da maioria da população). Ou seja, as próprias corporações imitam umas às outras na cara dura. 

Aí, faz como? A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Boas soluções de design não deviam ficar restritas a uma parcela mínima da população (os ricos), nem financiar crime organizado e poluir o meio ambiente (as falsificações). 

Então vamos de genéricos, uai! Boas ideias reproduzidas por outros fabricantes, sem a horrorosa logomarca. Meu All Star não é da Converse e meus óculos aviador não são da Ray-Ban. Gosto do estilo, mas não faço propaganda gratuita por aí. E paguei o preço normal para um par de tênis de lona e para óculos escuros sem grau. 

* * * 

Pirataria cultural: aprovo. Cabe aí uma longa discussão sobre autores e editoras/produtoras de menor porte. Desses eu acho que vale a pena adquirir. 

* * * 

Eu, Etiqueta

            Carlos Drummond de Andrade, 1984


Em minha calça está grudado um nome

que não é meu de batismo ou de cartório,

um nome… estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

que jamais pus na boca, nesta vida.

Em minha camiseta, a marca de cigarro

que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produto

que nunca experimentei

mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

de alguma coisa não provada

por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

minha gravata e cinto e escova e pente,

meu copo, minha xícara,

minha toalha de banho e sabonete,

meu isso, meu aquilo,

desde a cabeça ao bico dos sapatos,

são mensagens,

letras falantes,

gritos visuais,

ordens de uso, abuso, reincidência,

costume, hábito, premência,

indispensabilidade,

e fazem de mim homem-anúncio itinerante,

escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É doce estar na moda, ainda que a moda

seja negar minha identidade,

trocá-la por mil, açambarcando

todas as marcas registradas,

todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

eu que antes era e me sabia

tão diverso de outros, tão mim-mesmo,

ser pensante, sentinte e solidário

com outros seres diversos e conscientes

de sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio,

ora vulgar ora bizarro,

em língua nacional ou em qualquer língua

(qualquer, principalmente).

E nisto me comprazo, tiro glória

de minha anulação.

Não sou – vê lá – anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

para anunciar, para vender

em bares festas praias pérgulas piscinas,

e bem à vista exibo esta etiqueta

global no corpo que desiste

de ser veste e sandália de uma essência

tão viva, independente,

que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

minhas idiossincrasias tão pessoais,

tão minhas que no rosto se espelhavam,

e cada gesto, cada olhar,

cada vinco da roupa

resumia uma estética?

Hoje sou costurado, sou tecido,

sou gravado de forma universal,

saio da estamparia, não de casa,

da vitrina me tiram, recolocam,

objeto pulsante mas objeto

que se oferece como signo de outros

objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

de ser não eu, mas artigo industrial,

peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Tia Patinhas

O assunto consumo tem estado em alta aqui no blog. Parte da culpa é da pandemia e da eterna quarentena em Manila, mas é verdade que meu relacionamento com as compras tem se alterado um pouco nos últimos tempos. 

Pessoalmente, adoro ser pão-dura. Não só utilizo a criatividade para resolver as coisas em vez de adquirir um bem novo, como, quando preciso comprar, simplifico minha vida optando pelo mais barato. 

No entanto, esse modus operandi deixou de ter um objetivo e se tornou um fim em si mesmo. Virei Tia Patinhas total. 

Depois da remoção, o Leo foi me convencendo que gastar parte do nosso próprio dinheiro em bens que nos trouxessem conforto não era pecado, nem ia nos arruinar. 

No começo, foi difícil. Acho que tinha desaprendido a comprar. Sofria mais com a grana gasta do que aproveitava a aquisição. Ano passado, houve um episódio lendário em que fomos a quatro shoppings procurando itens de casa e saímos de mãos abanando. Nesse dia até o Leo, esse santo homem, perdeu a paciência. 

Pouco a pouco, vou me reacostumando. Começo até a achar divertidinho. Mas não esqueço as questões que me ajudaram a eliminar o consumo: não preciso nem quero estar bonita/arrumada sempre, nem tenho de acumular desnecessidades.

Livre e feliz, essa é a ideia. 

Morri e fui pro céu

Descobri que posso ir ao duty free shop do aeroporto de Manila mostrando a identidade diplomática. E mais - que ele anda deserto e em promoção, conforme um colega que esteve por lá. 

Assim sendo, achamos que seria razoavelmente seguro. Planejamos a ida para domingo, o único dia da semana em que o trânsito flui na cidade. Tomamos todos os cuidados: máscara, face shield, Grab com separação de plástico entre o motorista e os passageiros, janelas um tanto abertas para ventilar. É a primeira vez andamos de táxi desde o meio de março - foi até emocionante!

O duty free estava, de fato, às moscas (metaforicamente). Isso eu já esperava - e, se não estivesse, a gente voltava pra trás. A surpresa foi com os preços: altos pra burro! O Baileys, por exemplo, custava o dobro do que... no supermercado perto de casa. 

É bem verdade que, além do original, vi o Baileys Caramel Salé, que não encontro no supermercado perto de casa, e quis me atracar com ele. O Leo teve de me convencer que era uma compra que não valia a pena (foi inusitado: geralmente eu me convenço sozinha).

Os chocolates também estavam caros. Mas, conforme prometido, com lindos descontos: um monte de opções por -70%! Nunca vi isso, gente. Fiquei me sentindo no paraíso: duas coisas que aprecio muitíssimo, chocolate e promoção, de uma tacada só! 

E ainda achei um potinho de crème de caramel à la fleur de sel. Vou misturar no Baileys original que tenho em casa e transformá-lo magicamente naquele que não comprei. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O terceiro Kindle

 Sou a feliz possuidora de mais um Kindle de teclas. 

Comprei na OLX filipina, que se chama Carousell, pela metade do preço de um novo. O que foi um negoção: para mim, ele é muito mais precioso que um novo, porque é a versão 4, que foi lançada em 2011 e saiu de linha há tempos. Sua grande vantagem é não ser touch: como eu carrego meu(s) Kindle(s) pra todo lado, a tela sensível fazia com eu mudasse de página (ou de livro!) sem querer com frequência. 

A moldura da nova aquisição é preta, o que quer dizer que ela não vai começar a perder a cobertura cinza nos pontos de maior uso, que é que aconteceu com os dois primeiros. Por outro lado, a parte de trás, emborrachada, fica grudenta com o passar do tempo. Este chegou assim, da mesma forma de outro que comprei para meu pai (que também adorou as teclas) no Brasil. Sem problema: cobri de papel contact preto e ficou perfeito. 

Ele foi bem pouco usado, o que dá para reconhecer pelas teclas: não emitem absolutamente nenhum som ao serem acionadas. O Kindle número 1 e o Kindle número 2 fazem um "tec" simpaticíssimo. E exigem uma minúscula fração de força a mais para funcionarem, o 1 mais do que 2. Particularmente, acho sensacional, porque me lembra a experiência de passar páginas em um livro físico. 

Sempre hesito em comprar mais de um exemplar de algo que eu goste, porque em tese a tecnologia avança e versões futuras serão melhores/mais baratas/mais eficientes. No entanto, para meu gosto, isso não se concretizou com os Kindles: cada lançamento é mais semelhante a um celular, mais diferente de um livro de papel. Pode ser ótimo para quem nasceu na era dos dispositivos, mas para mim o Kindle 4 é amor eterno, amor verdeiro. 

É por isso que faço meu estoquinho. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Rhyka

Comprei maquiagem chique pela internet (na promoção, evidentemente) e fiquei me sentindo muito rhyka. 

Quase uma semana depois, nenhuma notícia da entrega. Concluí: "cancelaram minha compra. Vão me devolver o dinheiro".

Melhor situação: sentir-se rhyka sem gastar nada. 

* * *

No dia seguinte, os produtos chegaram. 

São bonitos e parecem bons, mas duvido que valham o preço cheio. Como aproveitei o desconto, senti-me rhyka e esperta. 

* * * 

Faz bastante tempo que não compro maquiagem além do meu básico: base em pó com protetor e batom universal. No episódio de hoje, foram adquiridos um refil da base... e dois batons ligeiramente diferentes do universal. 

Mas vejam bem, eles têm nomes como VisionAiry Gel e Modern Matte. Como resistir?

E eles estavam na promoção, gente. Na promoção! 

sábado, 29 de junho de 2019

Quando quero não me deixam

Nunca quero comprar nada (o trabalho! O custo! O entulhamento!), mas de vez em quando me convenço que uma nova aquisição vai facilitar minha vida e vou em frente.

As calças jeans que possuo estão em duas situações: largas ou apertadas. Então saí de casa com uma missão simples: comprar uma calça jeans escura e reta.

(Antes fui ao brechó Peça Rara, que é aqui perto de casa, e para meu grande despontamento eles tinham fechado a unidade na Asa Norte. Então fui ao shopping mesmo.)

Entrei em QUATRO lojas diferentes e elas só tinham modelos skinny (que eu já tenho), cigarrete (que eu não curto) ou flare (sempre preciso fazer bainha e o flare fica pela metade).

Na quinta loja, encontrei o tipo que eu queria: escuro e reto. As costuras não eram das mais certas e o preço não era dos melhores (99 reais), mas tudo bem. Catei a 40 e a 38 e fui experimentar.

A 40 ficou larga. A 38 ficou larga. Botei uma na frente da outra e vi que elas tinham exatamente o mesmo tamanho.

Fui buscar uma 38 verdadeira. Não tinha. O que tinha era uma 36 exatamente do mesmo tamanho da 38 e da 40.

Depois de muito procurar, encontrei uma 36 verdadeira. Lógico que ficou apertada. E calça jeans apertada eu já tenho.

Saí do shopping com as mãos abanando e bem frustrada. O jeito vai ser emagrecer ou engordar.

domingo, 26 de maio de 2019

O tênis roxo congelado

Meu último tênis foi comprado na Netshoes, numa bela promoção, no fim de 2017. Chegou rápido, serviu direitinho, fiquei satisfeita.

Usei o tênis até acabar. Até levei ao sapateiro para colar uma parte que estava desmanchando, o que lhe deu uma sobrevida de uns meses, mas infelizmente a hora da aposentadoria chegou.

Fui de novo ao site do Netshoes, achei uma bela promoção, comprei. Queria um azul-turquesa como o último, mas não tinha: só azul-marinho. A descrição dizia "roxo", mas era claramente um tênis azul-marinho.

O tênis chegou. Era roxo.

Mas um roxo bem bonito, então não me importei. Me importei com o fato de ele apertar meu segundo dedinho.

(Existem dois tipos de pés, o romano e o grego. O romano tem o segundo dedo menor do que o dedão; o grego, maior. Na minha família, dizem que o segundo dedo maior é de mulher que manda no marido. Coincidência ou não, as mulheres mais mandonas da família de fato tem esse dedinho.)

O diabo é que esse é o tipo da coisa que só se percebe quando você já saiu de casa com o tênis e sujou a sola. Assim sendo, lancei-me ao Google pra ver se tinha jeito de resolver.

E tinha. Recomendação: embalar bem embaladinho o sapato em um saco plástico e deixar passar a noite no freezer. Colocar três meias. Tirar o tênis do freezer, botar no pé e caminhar com ele até descongelar.

Assim o fiz. Achei divertidíssimo usar o tênis congelado. Mesmo com as meias, dá para sentir o geladinho.

E sabem que aparentemente funcionou? Saí para caminhar com ele hoje e nenhum dedinho foi apertado. Desconfio que as meias sejam as verdadeiras heroínas da história, mas mal o freezer não fez.

* * *

Atualização: não, não funcionou. Talvez na hora em que calcei o tênis, o frio contraiu meus dedinhos (ou congelou as terminações nervosas). Afe.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Marcas e grifes

Quando eu era adolescente e estudava em um colégio de pessoas riquinhas, era muito importante ter a mochila e o tênis de uma marca determinada (era Company, se os curiosos fizerem questão de saber). Fiquei feliz da vida quando finalmente ganhei uma mochilinha igual à de todo mundo.

Confesso que já ambicionei ter uma bolsa Chanel. Pesquisei seriamente, escolhi o modelo, a cor e o material (2.55, preta, de couro de cordeiro). Aí me dei conta que minha vida não comportava uma bolsa Chanel. (O que foi uma sábia decisão, por causa do Efeito Diderot: uma aquisição muito acima do nível de consumo habitual pode deixar a pessoa insatisfeita com tudo que ela já tem - e querendo substituir esse tudo por versões muito mais caras e sofisticadas. Resultado: frustração + gastos exagerados e desnecessários. Melhor não.)

Ou seja, já achei grifes e marcas muito importantes, sim. Mas deixei de achar. Primeiro porque passei por algumas experiências decepcionantes com itens que custaram caro mas deixaram a desejar. Segundo porque não preciso ficando mostrando para os outros o meu poder econômico (aí economizo e tenho mais poder econômico!). Então evito. Até por não querer fazer propaganda gratuita pros outros.  

domingo, 21 de janeiro de 2018

Tão ricos

Um amigo nosso nos explicou para o tio de um jeito que achei lindo: "eles são tão ricos que não têm carro nem apartamento".

Eu me sinto muito rica mesmo. Não só de amor e de saúde, mas de dinheiro também. Simplesmente porque ganho mais do que preciso.

Para chegar a essa posição, o negócio é ganhar muito... ou precisar de pouco.

Ok, sei que sou privilegiada e que meu "pouco" seria bom demais para muita gente. Mas considerando colegas e amigos e família, que têm automóveis e casa própria e armários cheios e móveis e acessórios, estamos no lado dos simplesinhos na escala.

Não foi do dia pra noite que a gente chegou aqui. Foi todo um processo. E entendo que tenha quem queira viver de um jeito diferente.

Mas gosto do meu jeito e acho um vantajão.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Como NÃO fazer uma torta de Nutella e Negresco

1. Ache essa receita linda na internet;

2. Pergunte para os amigos cozinheiros o que é queijo creme e natas batidas;

3. Descubra que se trata de cream cheese e chantilly. Ah, a ironia de entender o que são os ingredientes nas suas línguas originais, mas não em português;

4. Investigue em mais de um supermercado se dá para comprar pronto cream cheese e chantilly;

5. Leve pra casa de uma vez a Nutella e biscoitos Negresco;

6. Hesite entre o chantilly e o creme de leite fresco (que também te falaram que funciona) e não compre nenhum;

7. Decida experimentar a Nutella com um Negresco para ver se funciona;

8. Faça diversas combinações: recheie um Negresco de Nutella, recubra um Negresco com Nutella, faça palha italiana com Negresco e Nutella;

9. Não consiga decidir que combinação fica melhor;

9. Coma todo o Negresco e toda a Nutella.

FIM

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O caso da casa nova

A gente se mudou. A casa nova é maior, mais fresca, mais perto do trabalho. Só tem um ponto negativo: é mais barulhenta, porque fica ao lado de uma via movimentada. Por outro lado, os ônibus que eu pego passam nessa via, então agora moro grudadinha no ponto de ônibus. Quase dá pra espiar ele vindo da janela e descer correndo.

Ontem saí de casa cedo para trabalhar e já voltei para o apê novo. O Leo tirou o dia para tomar conta da mudança. Mais uma vez vimos como é bom ter pouca coisa: a mudança de uns amigos nossos, para mais ou menos a mesma distância, custou 50% a mais. E com certeza foi mais demorada.

E mais uma vez vimos que a gente tem mais coisa do que imagina. Começamos a abrir caixas e a nos surpreender com roupas e objetos que nem lembrávamos que possuíamos. Vai rolar mais um desfazimento? Com certeza.

Só que tem o seguinte: temos altos equipamentos para climas frios. Botas forradas com solas de borracha, roupa de baixo térmica, casacões grossos. Em Brasília faz um calor danado. Estamos usando? Claro que não.

Mas tenho fé que um dia morarei em algum lugar frio-gelado-abaixo-de-zero. Aí sim, vai ser tudo muito útil.

Basicamente, vivo tentando alcançar o equilíbrio entre não acumular inutilidades e não me livrar do que um dia é quase certo que vou precisar.

domingo, 3 de setembro de 2017

Tia Patinhas

Minha irmã mais nova tem a tese de que decidimos por ideologias/estilos de vida não só racionalmente, mas também e sobretudo porque eles batem com o que somos. 

Vejam o minimalismo. Para mim, que sou pão-dura e meio preguiçosa, ele é perfeito. Comprar menos, ou parar de comprar (que é o que prefiro), dá muito menos trabalho, não só para adquirir as coisas mas para conservá-las. E, evidentemente, não se gasta quase nada, o que muito me alegra. 

No entanto, ando me perguntando se não ando levando o apego a meu rico dinheirinho longe demais. O custo das coisas é sempre minha primeira preocupação, mas deveria ser, sei lá, a segunda ou a terceira. Porque não estou quitando dívidas, nem pagando escola para um punhado de crianças, né? 

Às vezes acho que o problema é que a inflação galopa na frente da minha coragem. Eu estava pensando, por exemplo, em comprar um segundo par dos meus sapatos preferidos, oxfords que uso para trabalhar e que são muito confortáveis. Só que, claro, eles não existem mais: agora a moda são oxfords de plataforma (!), com sola branca (!!) e cores metálicas (!!!). 

Após profunda introspecção, decidi que, se eu achasse um par do jeito que eu queria, eu encarava pagar até uns 200 golpinhos. Mas o que eu achei para comprar? Sapatos de 400 REAIS! 

Não dá, gente. Não dá. 

domingo, 27 de agosto de 2017

Novo endereço

Estamos animadíssimos: vamos mudar de apartamento. Aliás, estamos percebendo uma constante em nossas vidas, desde 2010: de dois em dois anos (um pouco mais ou menos), a gente muda (de endereço, de cidade ou de país). É, gostamos de uma novidade.

Para a casa nova, vamos precisar de eletrodomésticos novos, porque a antiga tinha vindo com eles. Como sempre, a gente não se aperta: compramos na OLX geladeira, máquina de lavar e televisão, gentilmente usadas, pela metade do preço, ou quase.

Tem gente que fica horrorizada com isso. Eu já acho uma medida esperta. Está tudo em ótimo estado. A tevê estava na caixa, com as folhas de plástico protetoras grudadas ainda. A geladeira é tão boa que o moço que contratamos para fazer o frete tentou recomprá-la do Leo. E a máquina de lavar não só foi entregue como instalada pelo antigo dono, que ainda deu altas dicas de utilização.

O Leo está se revelando um ótimo mestre de obras. Descobriu que o zelador fazia pequenos serviços e o contratou para pintar paredes, trocar registros, arrancar a bancada da cozinha. O mais legal é que o moço não pode sumir, como já aconteceu com outros profissionais: ele trabalha no prédio!

Vamos mudar sem pressa porque o contrato atual ainda vale por um mês. Enquanto isso, vamos arrumando o apê novo, visualizando onde ficarão os móveis, planejando onde colocar as cortinas que a gente já tem, se despedindo da antiga vizinhança.

Principalmente dos bares, restaurantes e food trucks. Isto é, da comida. Prioridades, gente. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ei, mãe, quero uma bike ergométrica

(Cantar no ritmo de Terra de Gigantes, do Engenheiros do Havaí. Na letra original eles queriam uma guitarra elétrica, mas salvou-se a rima, e é isso que importa.)

Faz uns dias que comprei uma bicicleta ergométrica. Eu sei, aparelhos de ginástica doméstica são onde os sonhos de boa forma vão para morrer, mas a minha experiência é boa. Há muitos anos, quando eu ainda morava com meus pais, minha mãe comprou uma bicicleta ergométrica, e no fim das contas eu era a única pessoa que usava. Quando saí de casa para casar, eu e o Leo também tínhamos uma. Quando viemos para Brasília, a deixamos para trás, e aqui a gente se exercitava caminhando pelas superquadras.

O problema é que a cidade a cidade é muito, muito quente. Tem dias que o cristão não tem ânimo de sair de casa. Aí a solução é pedalar na bicicletinha, com o circulador de ar de um lado, a garrafinha de água gelada do outro, e um livro ou um filme na frente.

É verdade que eu pedalo no peso um (não tem peso zero). É verdade que eu me canso rápido. Mas quando estou instalada na bicicleta, não estou comendo nem dormindo, e é isso que importa.

sábado, 20 de agosto de 2016

Que venha o verão!

É, eu sei que estamos em agosto ainda. Mas em Brasília as coisas são diferentes: assim como Coronel Fabriciano (será que é sina?), a cidade tem só duas estações: inverno e inferno. E o inverno dura bem pouquinho (em Brasília mais que em Fabriciano, o que já é vantagem). Ou seja, mesmo que no calendário oficial nem a primavera tenha começado, hoje foi meu primeiro dia de verão de 2016.

O que marcou a data? Fácil: tomei banho no meio do dia e fui obrigada a desligar o chuveiro elétrico, de tão quente que a tarde e a água estavam. Aproveitamos e tiramos o edredom gordo da cama (já tinha umas noites em que a gente mais o chutava do que ficava debaixo dele). Também abrimos todas as janelas do apê (fazia um tempo que isso não era necessário) e checamos todas as telinhas (eu já disse que a gente mora cercado de árvore, né?).

Decidi que, este ano, não vou sofrer tanto quanto em 2015. Chegamos a Bsb em 2 de setembro e senti muitíssimo calor durante vários meses. Alugar apartamento, montar casa e nos instalarmos na cidade sem carro não foi fácil. Além disso, eu tinha um horário bizarro no trabalho, o que fazia que volta e meia eu almoçasse perto de casa, sob o sol impiedoso, e pegasse o ônibus para a Esplanada quase meio-dia, de roupa social e sapatos fechados. 

Dessa vez, vou fazer de tudo para escapar desse horário e ficar no trabalho (que tem ar-condicionado!) durante as horas mais quentes do dia. Também não vou pensar duas vezes antes de ligar o circulador de ar em casa. Além disso, vou trocar o chazinho quente que eu tomo o dia todo (já que não gosto de café) por água, suco ou chá gelados. Outra coisa é substituir as calças de caminhada por shorts. E usar a banheira do apartamento como uma piscininha.

Mas o plano maior para sofrer menos é instalar ar-condicionado no quarto. Em muitos lugares, à noite a temperatura cai. Em Bsb, nem sempre. O calor é tanto que fica até difícil dormir. 

Quando resolvemos viver de maneira mais simples, também combinamos que não íamos deixar a (minha) pão-durice nos privar de alguns confortos. Um aparelho de ar-condicionado não é barato, mas também não vai quebrar o banco. O mais chato e complicado vai ser a instalação mas, considerando que o frio só volta em junho do ano que vem, acho que vai valer a pena.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A pergunta de um milhão de reais

Um colega de trabalho do Leo perguntou para os outros o que eles fariam se ganhassem um milhão de reais. A resposta quase unânime foi: "Um milhão? É muito pouco! Não dá para fazer nada! É só comprar um apartamento maior e um carro bom que o dinheiro acaba!". 

Na vez do Leo, ele respondeu: "não tenho vontade de comprar apartamento nem carro. Com um milhão, o que eu faria é não aparecer mais aqui no trabalho."

Parece uma boa parte das pessoas acha que um prêmio ou uma herança inesperada vão trazer felicidade se forem usadas para adquirir mais bens. "Mudar de vida" é morar em um lugar mais chique e dirigir um veículo mais caro. Na prática, a rotina da pessoa não muda. Depois que as exclamações de admiração dos amigos e da família terminarem, restará pagar um IPVA e um IPTU mais pesados.

Segundo um amigo nosso economista, esse um milhão bem investido proporcionaria um retorno real (isto é, descontada a inflação) de 0,5%. Ou seja, 5 mil reais livrinhos todo mês para serem usados como a pessoa quiser.  Ou acumulados para um projeto mais ambicioso.

Acho que, mais que comprar bens, investir em experiências, em saúde, em educação e em relacionamentos é que proporcionaria a verdadeira mudança de vida. Eu e o Leo sugeriríamos um sabático (que, aliás, custou muito menos que um milhão). Há quem queira abrir um negócio próprio. Há quem prefira parar de trabalhar para se dedicar a atividades não lucrativas. Moral da história: consumir não é a única resposta.

PS: estamos falando de gente de classe média pra cima. Quem passa dificuldade para pagar o aluguel provavelmente vai ficar muito feliz adquirindo a casa própria. Mas essa pessoa não entra na nossa amostragem: ela jamais diria que um milhão "é muito pouco".