Mostrando postagens com marcador Filipinas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filipinas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

O último dia

O resultado do PCR saiu às 8 da manhã: negativo! Dançamos alegremente pela a sala, nos lançamos às tarefas do dia e...

... só agora, as 4 da tarde, é que conseguimos dar uma parada. Entre diversas providências burocráticas, um último acerto no trabalho e a vistoria para a devolução do apartamento, foi uma correria. E eu, a boba, achando que estava tudo adiantado e que hoje seria tranquilo. Imagina se não estivesse adiantado!

A parte boa é que com tanta agitação a gente se distrai. 

* * * 

Demos uma parada nada. Ainda corri no trabalho para deixar as identidades locais e uma lembrança para um amigo. No momento, estou juntando forças para tomar banho e fechar definitivamente as malas. Daqui a 2 horas saímos para o aeroporto. 

Acho que só lá vai dar tempo de respirar e sentir o peso da despedida. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Contagem regressiva

Hoje, terça-feira, a equipe da mudança veio embalar as nossas coisinhas. Eram 5 pessoas e uma manhã foi suficiente. Eles estavam de máscara, nós estávamos de máscara, e esperamos que ninguém tenha contaminado ninguém. 

Olhaí outra vantagem do apartamento mobiliado: a mudança foi retirada, mas ainda temos cama, mesa e sofá. Vamos ficar bem acomodados até partirmos, na noite da quinta-feira 13, ou seja, não vamos precisar ir para um hotel. 

Amanhã cedo: teste de Covid em casa. Eu gostaria de estar mais tranquila a respeito, mas ontem o terceiro colega de trabalho deu positivo. E, com ele, eu tinha muito mais contato. Sim, usávamos máscaras. Mas não dá para afirmar com 100% de certeza que elas estavam perfeitamente ajustadas o tempo todo. Só nos resta torcer. 

Também tem o fato de que todos os laboratórios de testes em Manila estão assoberbados. Fomos espertos e marcamos nosso horário no começo da semana passada. Mesmo assim, os resultados estão demorando a sair. De novo, fomos espertos e marcamos o teste para o começo do dia anterior ao voo, com resultados em 24 horas. Ou seja, pode atrasar 12 horas que ainda dá tempo de a gente embarcar. 

Não pode é dar positivo. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Choque de cultura

Não, não estou falando do programa com os maiores nomes do transporte alternativo, mas do fenômeno que atinge quem muda de país. Também é conhecido como choque cultural e o quadro abaixo, como fases da adaptação cultural (ou curva do expatriado). 


A teoria é que nos primeiros meses é só alegria e a felicidade chega lá no alto. Depois, a pessoa começa a ver os defeitos do novo lar: fica rabugenta e passa a reclamar de tudo, além de comparar com o país natal (ou anterior). Na terceira fase ela vai se adaptando. Na quarta, se ajusta à nova realidade, e o nível de satisfação sobe novamente. 

Pra mim foi um pouco diferente. A crise (de ansiedade) bateu assim que cheguei. Quando melhorei, começou a pandemia, avacalhando a curva e atrapalhando a adaptação. De qualquer forma, foi um período muito interessante. Tédio não passei: a cada dia uma aventura!

E tem o fato de a estada nas Filipinas ser temporária, o que é uma vantagem grande. Dois anos e meio uma hora passam, como de fato passaram. Isso ajuda a gente a focar no que é legal e não ligar muito para o que não é. 

Estou curiosa para ver como vai ser a minha experiência na Suíça. É um país mais bem-estruturado e mais próximo do Brasil, tanto geográfica quanto culturalmente. Por outro lado, as expectativas são bem altas.  

Não percam as cenas dos próximos capítulos. 

* * * 

O Leo comentou que acha as Filipinas mais parecidas culturalmente com o Brasil do que a Suíça: também foram colonizados por país latino, são majoritariamente cristãos, são muito influenciados pelos Estados Unidos, sofrem com a corrupção e democracia é recente. Já eu estava pensando em termos de Oriente/Ocidente, relações com a China e senso de comunidade. 

Veremos que tem razão. 

sábado, 25 de dezembro de 2021

Então é Natal...

... O que você fez?

Além de deixar todo mundo com a música chata da Simone na cabeça, você quer dizer? 

Olha, 2021 foi bem melhor do que 2020. Fui vacinada e tomei meu booster (antes de ontem!); viajei para  Bohol, Boracay e para a Espanha; fui removida para a cidade que eu queria. Também fiz o curso e a prova que são requisitos para a promoção e passei; está dando tudo certo com os preparativos da mudança. Ou seja, não posso reclamar! 

As expectativas para 2022 são altas. País novo, trabalho novo, clima totalmente novo. Acho que vai ser divertidíssimo morar em um lugar onde neva, mas não garanto que eu não venha daqui a uns meses dizer que odeio frio e que mal posso esperar para me mudar para um lugar tropical. A gente chegar à Suíça no ápice do inverno tem a sua graça: a partir daí, as temperaturas vão só subir. 

Enquanto o dia da partida não chega, vamos organizando a casa, tirando o mofo dos casacos (literalmente!) e lavando travesseiros, doando o que não precisamos mais e nos despedindo de Manila. 

Feliz Natal, pessoal! 

* * * 


Já que o post vai atrasado, aproveito para fazer uma atualização, porque quem tem amigos não morre pagão: passamos 24 e 25 na casa de pessoas queridas com comidinhas deliciosas e muita alegria. Muito diferente de 2020, pré-vacinas, quando cada família comemorou o Natal separada. 

2022 promete! 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Invasão das fotos - Parte III

Fotos agora do barangay (bairro) Poblacion, um bairro de Makati e que é um pouco mais normal para padrões de Manila.

Quem não ama Poblacion? É bagunçado mas tem seu charme

Típica rua por aqui. Nada de calçadas

Isso é muito mais Filipinas do que as outras fotos de Makati

Museu da cidade de Makati. Enfeitado para natal porque aqui sempre é natal

Poblacion tem alguns prédios altos, como esse de onde a foto foi tirada. Mas o normal são as casas baixas. Antes do rio é Poblacion; do outro lado já não só é outro bairro como outra cidade, Mandaluyong.

Que bom para vocês que foto não registra cheiro!

Beira do rio Pasig. Bem melhor depois que passou por um processo de limpeza. Pesquisem na internet fotos do antes - é de assustar!  

Mandaluyong do lado esquerdo, expansão habitacional em Poblacion do lado direito 


Igreja de São Pedro e São Paulo. Mais de 400 anos de idade

Poblacion tem a região boêmia da cidade, a rua da luz vermelha e tudo mais de exótico, incluindo as casas de show de boxe como essa da foto. Detalhe, não sobreviveram à pandemia

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Invasão das fotos - Parte II

Makati é o centro financeiro das Filipinas. É uma cidade de aproximadamente 650 mil habitantes em uma área bem pequena, sendo a cidade número 41 do mundo em densidade demográfica. Agora imaginem essa cidade durante os dias de semana quando praticamente mais um milhão de pessoas visita por motivos de trabalho.

Disclamer: Makati não é Manila. Makati é um mundo à parte. Tem sim suas partes mais pobres, mas mesmo elas são absurdamente melhores que o resto da cidade. E em comparação com o país então, nem se fala. Não sei se está disponível na Netflix brasileira, mas um retrato bem fiel do país e da cidade pode ser visto no filme MetroManila. Makati aparece no filme sempre como imagem do paraíso. Tem inclusive um trecho do filme em que um personagem pergunta para o outro se seria o céu. Quem tiver acesso assista. Não vai se arrepender. 


Típica manhã de segunda em tempos pré-pandemia. Muito trânsito e muita gente

Avenida Ayala, uma das duas principais vias do país

A outra principal avenida leva o nome da cidade. Esse cruzamento com a Avenida Ayala é um dos pontos mais nobres daqui

Avenida Ayala em época de lockdown

Avenida Makati também durante um dos lockdowns mais severos. Que diferença

Essas duas avenidas tem as melhores calçadas que já vimos por aqui. São avenidas bem largas. Para atravessar, só usando passarelas subterrâneas 

Essa é o Passeo de Roxas. Junto com as duas principais avenidas, forma um triângulo, onde fica o principal parque da cidade, o Ayala Triangle Gardens. Pena que um pedaço bem grande do parque foi fechado para construção de mais um conjunto de prédios enormes

Vista da casa de um dos amigos 

O que não falta em Makati são shoppings. Tem um complexo gigante de 4 shoppings, interligados por passarelas. Glorietta é um deles

 A fonte do Hotel Peninsula é um dos cartões postais da cidade. Fica na esquina das duas principais avenidas

Gostamos muito dessa parte modernosa da cidade. Dá para caminhar quase 1,5km por plataformas suspensas, evitando cruzamentos

Avenida Ayala ao lado do Hotel Peninsula. Essas árvores ajudam a proteger um pouco do calor Mas imagina andar no sol com sensação térmica por volta de 40 graus, com umidade bem alta

Tem muitos prédios bem altos em Makati. Para quem vem de Brasília, é outro mundo

O parque Ayala Triangle Gardens. Ao fundo o novo complexo já no fim da construção

O parque é pequeno mas muito bem cuidado

Nele fica a antiga sede da bolsa de valores do país, que se mudou para a cidade de BGC

Antigo prédio da bolsa de valores no parque

No parque costuma ter bastante gente. Essas fotos vazias são de períodos da pandemia. Em alguns dias até o parque era fechado. Vai entender! Tinha que ser o único lugar a não fechar

Esse é o mais chique shopping de Makati, o Greenbelt. 5 prédios rodeando uma gostosa área verde

Todos os shoppings aqui têm uma igreja. Essa é a igreja do Greenbelt

Com certeza o shopping mais agradável de passear por causa do seu jardim

Sim, isso é dentro do shopping

Mais uma do Greenbelt

Lateral do Greenbelt em um belo entardecer

Entrada da passagem subterrânea que permite atravessar a Avenida Ayala

Foto de mais um parquinho, o Washington Sycip. Rivaliza com o que fica em frente da nossa casa como um dos bons destinos para curtir um pouco de verde na cidade

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Boletim de notícias

Estou de férias até o fim da semana que vem. Amanhã começa mais um lockdown de 15 dias. O colega/vizinho/amigo que chegou em Manila uma semana depois da gente voltou com a família para o Brasil.

O Leo está vendo as Olimpíadas na tv e em dois laptops ao mesmo tempo, cada um em um esporte diferente. Eu aproveito que estou de férias e corro lá toda vez que aparece um evento interessante. 

Finalmente compramos cadeiras e mesinhas para a varanda. Ontem chamamos um casal de amigos, também vacinados, para inaugurar: espaço aberto, distância social. 

Cortei meu próprio cabelo de novo. Estou vendo duas temporadas de RuPaul's Drag Race ao mesmo tempo. Estamos indo à piscina todos os dias (mas a partir de amanhã não pode, por causa do lockdown). 

A temporada de lançamento de livros está fraca. Definitivamente estou sem paciência para ficção. 

Fiquem ligadas para mais notícias cotidianas de uma vida normal em tempos de pandemia. 

Aniversário de 2 anos

Nem acredito que mês passado fez dois anos que saí do Brasil. A pandemia definitivamente atrapalhou a sensação de passagem do tempo: às vezes acho que foi muito menos, às vezes acho que foi muito mais. De qualquer forma, sinto um pouco que "não valeu". 

Usar o português no trabalho, tanto com os colegas quanto na maioria dos documentos, também faz com que a impressão de estar no exterior diminua. E, com a quarentena eterna, a maior parte da minha vida passou a girar em torno do escritório.

O trabalho foi mais difícil do que eu tinha imaginado. Gosto muito de teoria e acabei na área dos contratos e supervisão de serviços. Tenho de lidar diariamente com uma cultura diferente, o que é desafiante e às vezes frustrante. Por outro lado, não posso me queixar de tédio: cada momento é uma novidade.  

A cidade foi mais fácil do que eu tinha imaginado. Muita gente fala inglês, a cultura é bem ocidentalizada, no supermercado tem quase tudo que tinha no Brasil e conseguimos um apartamento pertinho do trabalho, o que me livra do trânsito insano a maior parte do tempo. 

Talvez eu só consiga avaliar direito este período nas Filipinas depois que eu sair daqui. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Feriazinhas

Saímos de Manila por uns dias na hora certa: hoje já não pode mais deixar a cidade e semana que vem vai ter mais um lockdown, dessa vez por duas semanas.  

Fomos para Boracay, uma das muitas ilhas paradisíacas das Filipinas, no domingo. Voltamos ontem, bronzeados e descansados. 

Verdade que choveu durante grande parte do tempo. No entanto, volta e meia o sol aparecia. Logo no primeiro dia, descobrimos que a piscina infinita (e funda: 2 metros e 10) não só ficava vazia como tinha uma parte coberta, que usamos alegremente para nos proteger tanto dos raios solares quanto da chuva tropical. Que pode ser forte, mas não é fria. Aliás, tanto a água do mar quanto a das piscinas tinham temperaturas agradabilíssimas. 

A chuva atrapalhou foi a exploração marítima. O mar estava revolto, isso significou bandeirinha vermelha ("proibido nadar") constante. Ou seja, nada de andar de caiaque, fazer stand up paddle ou praticar snorkel, que eram atividades incluídas nas diárias do hotel e que eu estava confiante que ia aproveitar. Não sou nada esportiva, mas sendo "de graça"... No fim das contas não deu. O lado positivo é que posso ficar na ilusão de que teria me saído bem.  

Não posso deixar de comentar que nos esbaldamos na comida. Café da manhã de hotel bacana, sabe como é. Tinha sushi, ramen, ovos benedict, croissants. Também tomamos drinques, cada dia um diferente, com vista para o mar, todos gostosamente parecidos e com pouco álcool, como costuma ser por aqui. 

O melhor mesmo foi ver o horizonte, o céu, o mar e um monte de verde. E andar sem máscara, né, quando estávamos nas áreas abertas. 

Para terminar, uma fotinha que prova que o mar filipino é bonito mesmo (e eu rindo porque tinha me sentado artisticamente nos degraus mais baixos e as ondas quase me levaram): 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Testando, testando

No começo do ano fiz o teste de Covid em que enfiam um cotonete pelo nariz e praticamente cutucam o cérebro. Deu uma vontade louca de espirrar, mas não foi tão ruim quanto eu imaginava. Mesmo assim, fiquei contente quando soube que dessa vez, eu podia fazer o teste de saliva. 

Achei que era dar uma cuspidinha e pronto. Que nada! Tem de encher metade de um tubinho. E é claro que nessa hora a boca fica seca. 

Tentei pensar em pratos gostosos (para dar água na boca). Pedi dicas para a atendente (que disse para eu massagear os lados do rosto). Procurei vídeo na internet (para descobrir uma massagem mais eficaz). No fim das contas, precisei de uns 20 minutos para fornecer a amostra.

O Leo também sofreu. Acho que com a idade a gente vai ficando menos hidratado. Da última vez que fui à oftalmologista, ela disse que eu tinha desenvolvido a síndrome dos olhos secos e me receitou colírios, um diurno e um noturno. Até que usei, mas eles acabaram e eu nunca mais recomprei. Então ando por aí com meus olhos secos. O mundo está árido mesmo.  

* * * 

O teste não é porque tivemos contato com pessoas infectadas: é para voar para a ilha de Aklan. Aqui nas Filipinas a situação está bem organizada - você pode viajar internamente, mas tem de mostrar o teste de Covid negativo. 

E como vamos viajar, tem um tufão se aproximando das Filipinas e causando chuvas torrenciais. Torço fortemente para que ele mude de trajetória e a gente possa curtir uns dias de praia com um mínimo de sol. 

Mas aceito na chuva mesmo. Uma das vantagens daqui é que, como o clima é bem quente, a chuva não faz a gente passar frio, mesmo que você esteja debaixo dela. 

Só de ver mar e horizonte já fico feliz. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Só alegria

Em breve eu e o Leo estaremos performando imunizados com Caetano ao fundo em uma bela praia filipina. 

Mais exatamente daqui a duas semanas, porque tomei a segunda dose de Coronavac hoje! 

(Não quer dizer que vamos sair lambendo corrimão. Máscara, lugares abertos, distanciamento social, tudo isso continua. Mas vamos nos permitir um voo curto para Boracay.)

Queríamos estar lá no aniversário do Leo, que é dia 19 de julho, mas tudo bem. Dia 25 também é aniversário: dois anos em Manila! 

Este início de semestre está saindo melhor do que a encomenda. 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Pero nada me hará tan feliz como dos margaritas

Um fato curioso das Filipinas é que os drinques, em geral, contém muito pouco álcool. Não sei se é porque muitos asiáticos têm dificuldade em metabolizar a substância ou porque os filipinos, em geral, não são grandes. Só sei que é assim. 

Andei tomando umas margaritas - até em restaurante mexicano - e me frustrando muito. Aí aprendi a fazer em casa e fiquei feliz da vida. Vou até anotar a receita, para o caso de me esquecer no futuro:

- 1 dose de tequila

- 1 dose de suco de limão

- 1/2 dose de triple sec

- muito gelo

Para a versão frozen, tem de ter a manha com o liquidificador: primeiro dar uns pulsos para quebrar o gelo, depois ir aumentando a potência gradativamente. Confesso que ainda não acertei completamente a textura, mas tenho fé que dá próxima vez chegarei lá. 

Molhar as bordas do copo e passar no sal faz parte da receita, mas mesmo sem fica bom, podem confiar. 

Para minha alegria, o triple sec é um licor de laranja docinho e delicioso. Dá até para tomar sozinho. Já para a tequila ainda não achei função melhor do que fazer margaritas.  

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Mila em Manila

Queria falar de Manila e das Filipinas, mas tenho medo de sair bobagem. Me sinto muito protetora do país - que tem seus problemas e dificuldades, foi colonizado igual ao Brasil etc. etc. Uma hora vou servir em país europeu e aí tenho certeza que vou reclamar de um monte de coisa com tranquilidade. 

Os filipinos são adoráveis. Claro que estou generalizando, mas eles são gentis e amigáveis. Gostam: de estrangeiros. Não gostam: de dizer não. Então às vezes eles falam sim para não desagradar, mas não tem/não é/não vai rolar. 

Tenho a impressão que as Filipinas são o país mais ocidentalizado da Ásia. Primeiro veio a Espanha, de 1521 a 1898. Depois os Estados Unidos, de 1899 a 1946. O resultado é que mais 80% dos filipinos são católicos, e uma das línguas oficiais é o inglês. Isso facilita muito a vida: como diz o Leo, a gente não ofende ninguém inadvertidamente (como na Tailândia, onde não se deve tocar a cabeça das pessoas). Se ofendermos é porque queremos mesmo.

Até o momento não foi necessário. 

sábado, 30 de janeiro de 2021

As férias de 4 dias

Nossa viagenzinha foi breve e tranquila. Nos sentimos muito seguros: absolutamente todo mundo usando máscara e face shield, exame de PCR negativo até para entrar no aeroporto, aplicativo federal e local para saber onde a gente estava andando, além de vários formulários em papel, tudo para garantir o sucesso de um eventual rastreamento. 

O hotel estava bem vazio. Para grande sorte deles, praticamente todas as construções (exceto os quartos) são vazadas. Bar, restaurante, recepção: tudo aberto e ventilado. 

Chegamos a debater se valia o risco contratar um guia de viagem para nos levar para ver os társios (um dos menores mamíferos do mundo) e as Colinas de Chocolate (uma formação geológica diferentona). Aí o Leo deu um mau jeito nas costas e precisou de repouso. Pronto, foi decidido por nós: não vamos. 

Foram dias muito relaxantes e serenos. As atividades se resumiam a entrar no mar e na piscina, andar na praia, contemplar o horizonte, acompanhar o nascer e o por do sol, tomar o café da manhã gigante (não era bufê, era um pratão feito na hora com opções) e repetir os itens acima até a hora do jantar. 

Dito isso, não colocamos fotos nem fizemos alarde nas mídias sociais. Não queremos incentivar viagens nesses tempos pandêmicos, a não ser que seja com segurança - e segurança está difícil. 

Mas que estou feliz de ter conseguido dar uma escapadinha da selva de pedra - e trânsito - de Manila, isso estou. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Tomando fôlego

Estamos em quarentena, em diversos níveis de isolamento, há 10 meses. Esta semana, depois de muito pensarmos e pesarmos bem os riscos, decidimos passar uns dias em uma praia filipina. 

Os números da Covid estão razoavelmente estáveis. Desde o meio de novembro de 2020, são menos de 2 mil casos diários. O número total de mortes é pouco mais de 10 mil. Muito bom, se compararmos com o Brasil, com seus 214 mil óbitos: os 106 milhões de filipinos são praticamente metade da população brasileira.

As ilhas estão se reabrindo aos poucos para o turismo. O controle é grande: há um aplicativo de rastreio para entrar no aeroporto, outro ao chegar no destino. Tem de ter um teste de Covid negativo antes de embarcar. 

(Falando nisso: tomamos nossa primeira cotonetada no nariz na quinta-feira. É bastante aflitivo, mas foi menos pior do que eu imaginava. O técnico do laboratório veio em casa, justamente para evitarmos um ambiente cheio de pessoas possivelmente infectadas.)

Aí dá-lhe preencher formulário na internet, receber código de rastreio, baixar aplicativo, registrar com o número que o Departamento de Turismo enviou. O Leo quase teve um troço. 

Aparentemente, agora está tudo certo. No domingo, embarcaremos em um voo curto e bem vazio (20 assentos marcados em um avião com 100 lugares); o plano é usar máscara N-95 (e face shield) do momento em que sairmos de casa até chegarmos ao hotel. Que também está cheio de quartos vagos, e fica em uma praia particular. 

Ou seja, tomaremos todos os cuidados. 

A saúde deve ficar intacta. A superioridade moral de quarentemados eternos é que será arranhada. 

sábado, 12 de dezembro de 2020

A (longa) reta final

Como a quarentena começou em março em Manila, estamos completando 9 meses cheios de restrições. Pelo menos não foi comprovada nenhuma contaminação por Covid por meio de superfícies, o que nos encorajou hoje a almoçar na mesinha de fora de um restaurante bem vazio (sendo que a única mesa próxima permaneceu desocupada). 

Há 9 meses nossa temperatura é tirada toda vez que entramos e saímos do nosso prédio e de qualquer supermercado; há 9 meses usamos máscara toda o tempo que saímos de casa (face shield: 8 meses); há 9 meses só encontramos os amigos em ocasiões ultraplanejadas, no parque, ao ar livre; há 9 meses não cogitamos sair de Manila, quem dirá das Filipinas. 

Todos esses cuidados funcionaram e estão funcionando: não pegamos Covid, nem tivemos suspeita de termos pegado. Para minha grande sorte, estive de férias bem na época em que a esposa de um colega testou positivo. Quando voltei ao trabalho ele já estava quarentenado. Ou seja, até agora escapamos de fazer o teste do cotonete que cutuca o cérebro. 

Enquanto isso, em vários lugares do mundo as pessoas se comportam como se a pandemia já tivesse acabado. Não estou falando de gente que precisa trabalhar para viver, mas a turma dos passeios, barzinhos e aglomerações. Dá vontade de copiar? Dá. Vamos imitar? Não. 

Pensamos a longo prazo. A longo prazo, ainda vamos viver muitos anos. Não vale a pena perder a paciência logo agora, quando as vacinas estão surgindo, correr o risco de nos contaminarmos e sofrermos sequelas imprevisíveis (a esposa do colega se recuperou, mas tudo ela que põe na boca está gosto de metal, inclusive pasta de dente. E isso é o de menos. Imagina ficar com pulmão comprometido? Eu só tenho um).

Mesmo com as vacinas surgindo, há um longo caminho pela frente. Vai demorar para ela ser aplicada maciçamente na população. Ou seja, estamos projetando mais 9 meses de quarentena, e imaginando que a próxima vez que vamos pegar um avião será na remoção para outro posto, no final do ano que vem. 

Estamos felizes com isso? Não. Estamos conformados? Sim.   

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Férias em casa

O tempo voou e as férias chegaram. Ueba!

Férias já foram sinônimo de viagem, mas em 2020 não está rolando. Além de tudo quanto é país estar fechado para as Filipinas, as próprias Filipinas estão fechadas para mim. Até que posso sair da capital, com diversas autorizações, mas prefiro não arriscar. Sabe-se lá os efeitos colaterais que o coronavírus provocaria no meu único pulmão. 

Mas não seja por isso. Pretendo me divertir loucamente vendo seriados e filmes (não contente com Netflix e Amazon Prime, agora tenho HBO Go), lendo livros variados (sendo que estou tentada a organizar tematicamente minha biblioteca de livros digitais e apagar o que não presta. É uma tarefa hercúlea. Veremos), procurando uns cursos on-line para estudar (o que sempre me interessa) e fazendo travessuras na cozinha com o Leo (somos chefs iniciantes, mas a internet está aí pra isso). E tomando uns vinhos: é fácil encontrar neozelandeses e sul-africanos no supemercado. Não sei se são bons, só sei que gosto!

Também quero dar uns passeios pela cidade. A pé, de máscara, e levando o face shield na sacolinha para quando quiser entrar em um estabelecimento. Manila é plana, o que é ótimo, e muitíssimo quente, o que não é tão bom. A sensação térmica chega aos 40 fácil. Então, vamos fazer o que aprendemos em Singapura (onde fomos a um parque lindíssimo e... deserto. Depois de uns minutos, descobrimos a razão: era onze da manhã e basicamente cozinhamos). Na rua, só se for cedinho ou no fim da tarde.   

Vai ser ótimo!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Tia Patinhas

O assunto consumo tem estado em alta aqui no blog. Parte da culpa é da pandemia e da eterna quarentena em Manila, mas é verdade que meu relacionamento com as compras tem se alterado um pouco nos últimos tempos. 

Pessoalmente, adoro ser pão-dura. Não só utilizo a criatividade para resolver as coisas em vez de adquirir um bem novo, como, quando preciso comprar, simplifico minha vida optando pelo mais barato. 

No entanto, esse modus operandi deixou de ter um objetivo e se tornou um fim em si mesmo. Virei Tia Patinhas total. 

Depois da remoção, o Leo foi me convencendo que gastar parte do nosso próprio dinheiro em bens que nos trouxessem conforto não era pecado, nem ia nos arruinar. 

No começo, foi difícil. Acho que tinha desaprendido a comprar. Sofria mais com a grana gasta do que aproveitava a aquisição. Ano passado, houve um episódio lendário em que fomos a quatro shoppings procurando itens de casa e saímos de mãos abanando. Nesse dia até o Leo, esse santo homem, perdeu a paciência. 

Pouco a pouco, vou me reacostumando. Começo até a achar divertidinho. Mas não esqueço as questões que me ajudaram a eliminar o consumo: não preciso nem quero estar bonita/arrumada sempre, nem tenho de acumular desnecessidades.

Livre e feliz, essa é a ideia. 

Morri e fui pro céu

Descobri que posso ir ao duty free shop do aeroporto de Manila mostrando a identidade diplomática. E mais - que ele anda deserto e em promoção, conforme um colega que esteve por lá. 

Assim sendo, achamos que seria razoavelmente seguro. Planejamos a ida para domingo, o único dia da semana em que o trânsito flui na cidade. Tomamos todos os cuidados: máscara, face shield, Grab com separação de plástico entre o motorista e os passageiros, janelas um tanto abertas para ventilar. É a primeira vez andamos de táxi desde o meio de março - foi até emocionante!

O duty free estava, de fato, às moscas (metaforicamente). Isso eu já esperava - e, se não estivesse, a gente voltava pra trás. A surpresa foi com os preços: altos pra burro! O Baileys, por exemplo, custava o dobro do que... no supermercado perto de casa. 

É bem verdade que, além do original, vi o Baileys Caramel Salé, que não encontro no supermercado perto de casa, e quis me atracar com ele. O Leo teve de me convencer que era uma compra que não valia a pena (foi inusitado: geralmente eu me convenço sozinha).

Os chocolates também estavam caros. Mas, conforme prometido, com lindos descontos: um monte de opções por -70%! Nunca vi isso, gente. Fiquei me sentindo no paraíso: duas coisas que aprecio muitíssimo, chocolate e promoção, de uma tacada só! 

E ainda achei um potinho de crème de caramel à la fleur de sel. Vou misturar no Baileys original que tenho em casa e transformá-lo magicamente naquele que não comprei. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O terceiro Kindle

 Sou a feliz possuidora de mais um Kindle de teclas. 

Comprei na OLX filipina, que se chama Carousell, pela metade do preço de um novo. O que foi um negoção: para mim, ele é muito mais precioso que um novo, porque é a versão 4, que foi lançada em 2011 e saiu de linha há tempos. Sua grande vantagem é não ser touch: como eu carrego meu(s) Kindle(s) pra todo lado, a tela sensível fazia com eu mudasse de página (ou de livro!) sem querer com frequência. 

A moldura da nova aquisição é preta, o que quer dizer que ela não vai começar a perder a cobertura cinza nos pontos de maior uso, que é que aconteceu com os dois primeiros. Por outro lado, a parte de trás, emborrachada, fica grudenta com o passar do tempo. Este chegou assim, da mesma forma de outro que comprei para meu pai (que também adorou as teclas) no Brasil. Sem problema: cobri de papel contact preto e ficou perfeito. 

Ele foi bem pouco usado, o que dá para reconhecer pelas teclas: não emitem absolutamente nenhum som ao serem acionadas. O Kindle número 1 e o Kindle número 2 fazem um "tec" simpaticíssimo. E exigem uma minúscula fração de força a mais para funcionarem, o 1 mais do que 2. Particularmente, acho sensacional, porque me lembra a experiência de passar páginas em um livro físico. 

Sempre hesito em comprar mais de um exemplar de algo que eu goste, porque em tese a tecnologia avança e versões futuras serão melhores/mais baratas/mais eficientes. No entanto, para meu gosto, isso não se concretizou com os Kindles: cada lançamento é mais semelhante a um celular, mais diferente de um livro de papel. Pode ser ótimo para quem nasceu na era dos dispositivos, mas para mim o Kindle 4 é amor eterno, amor verdeiro. 

É por isso que faço meu estoquinho.