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domingo, 28 de março de 2021

Guia minimalista de moda

 O minimalismo na moda se baseia em um único pilar: 

"Pode repetir, sim."

Esqueça o que sua  mãe, suas tias e as revistas de moda sempre te disseram. "Tendências" são um negócio milionário que serve para te convencer a gastar seu dinheiro em roupas novas, sendo que as antigas estavam perfeitamente boas. Sem falar da poluição e do trabalho escravo, né. 

Já que pode repetir, sim, você pode se livrar de todas as suas roupas (e sapatos):

- que incomodam;

- que apertam;

- que impedem movimentos; 

- que você tem de ficar arrumando o tempo todo; 

- que você não gosta, simplesmente. 

Adotar uma cartela de cores também ajuda. Passei a ter só roupas que combinam todas umas com as outras, e elimino de cara qualquer opção que esteja fora dessa seleção - o que também facilita as (poucas) compras. A minha cartela, por exemplo, é preto, branco, cinza, azul e vermelho. Estampas, só listras e poás. 

Em suma, o objetivo não é se privar: é descobrir e se concentrar no que mais gosta e que te deixa confortável. E então, como você gosta de todas as suas roupas, sempre vai ter o que vestir. 

Só vantagens. 

quinta-feira, 25 de março de 2021

Guia minimalista de beleza, parte II

Faça o mínimo. 

Pronto, é isso. 

* * * 

O ponto de partida são os cuidados básicos: tomar banho, lavar o cabelo, cortar as unhas, escovar os dentes. Ou seja, higiene. A partir daí, é tudo opcional. Não é incrível?

Quando me dei conta disso, parei com tudo mesmo. Foi ótimo. Ninguém morreu. Minha mãe reparou e criticou, claro. Ignorei solenemente. Depois voltei a usar batom (um batom! Uma única cor!) e esconder as olheiras de vez em quando. E a usar condicionador. 

Não consegui me livrar da depilação, mas hoje eu não tenho aquela neura. 

Na prática, o caminho é muito pessoal. Uma amiga minimalista tem uma lista de produtos para os cachos. Outra demorou para parar o esmalte. Não tem regra, é o que você achar melhor. 

E a ideia não é sofreeeer. Muito antes pelo contrário: a ideia é se reafirmar como indivíduo, ter consciência das exigências sociais, exercer a própria autonomia. 

Para mim, tem sido muito bom, gratificante e lucrativo (um real economizado é um real ganho!)

No próximo post, Guia minimalista de moda. 

domingo, 21 de março de 2021

Guia minimalista de beleza, parte I

1) Dê-se conta de que você pode ser bonita, mas você não precisa ser bonita. Você é um ser humano; isso basta. 

2) Pense nos seus objetivos de vida e no tempo/dinheiro/energia que você dedica a eles. Talvez seja uma questão de reorganizá-los? Se eu cuidasse mais da minha beleza, teria menos tempo para tirar sonequinhas, por exemplo. Um dos seus objetivos de vida é ser bela? Volte ao número 1. 

3) Reflita sobre o que as exigências ditas femininas te impedem de fazer, como correr atrás do ônibus (salto), pular na piscina sem pensar duas vezes (escova), digitar ou escrever furiosamente (unhas); mover-se com conforto (o modelito não deixa). 

4) Deixe de acompanhar moda e maquiagem em mídias sociais e revistas. Tente destreinar o olhar, tão acostumado a padrões de beleza uniformes (e que, coincidentemente, dão dinheiro para tantas empresas). Faça uma lista de mulheres que você admira por razões outras que a aparência. 

5) (Opcional) Mude-se para longe de sua família. 

Essa é base teórica do guia minimalista de beleza. A parte prática vem no próximo post. 

sábado, 20 de março de 2021

Minimalismo: uma historinha

Uma leitora pediu para eu me falar como me tornei minimalista. Tem posts a respeito nos blogues anteriores, mas está tudo junto e misturado. Então vamos lá, sucintamente: 

Em 2010, eu tinha 34 anos e me tornei uma feminista prática. Isto é, passei do discurso para... a prática. Deixei de usar maquiagem, roupas justas, curtas e decotadas, e salto alto; de pintar o cabelo e as unhas, de seguir a moda. 

Foi lindo e libertador. Depois voltei a esconder as olheiras e a usar batom (um cor só!) e, de vez em quando, vestidos. Sou muito feliz com o tempo/energia/dinheiro que não gasto com os ditos "cuidados femininos".  Apoio as irmãs, não faço comentários sobre corpos alheios, adoro ter chefe mulher e tento desmontar os discursos machistas. Meu marido parou de trabalhar para me acompanhar no exterior e nós dois achamos que fazemos um ótimo time: eu ganho dinheiro, ele cuida da casa. 

Mas estou me adiantando. Em 2011, eu e marido batemos o martelo: realmente não queríamos ter filhos. E aí pensamos - o que queremos fazer de diferente? A gente bem que podia tirar uma licença sem salário e sair viajando pelo mundo, hein. 

Como somos organizados, botamos tudo na ponta do lápis e concluímos que para manter uma casa montada no Brasil e viajar ao mesmo tempo ia custar dinheiro demais. Então descobrimos o pulo do gato, que muito estrangeiro estava fazendo (e registrando em blogues):  junte dinheiro, venda tudo e ponha o pé na estrada. 

Foi aí que descobri o minimalismo. Foi o pulo da mãe do gato: existe uma maneira de viver que permite que você concentre seus recursos e energias no que é mais importante para você. Isso ressoou muito com o feminismo prático, que é o mesmo raciocínio focado em um ponto específico. 

As duas coisas começaram a andar juntas. Juro para você: tem mulher que gostaria de viajar por períodos prolongados mas se angustia com a manutenção do cabelo, da unha, da depilação. Sem falar que fica mais difícil juntar dinheiro se você tem um monte de despesa no salão. E olha, eu super entendo. É uma barreira a superar.

Planos feitos, começamos a economizar fortemente no fim de 2011. O objetivo era sair do Brasil em 1º de janeiro de 2013. Tentávamos só gastar em comida, itens de limpeza e remédios. Ao mesmo tempo, fui me desfazendo do meu imenso guarda-roupa (eu não era  consumista, mas nunca jogava nada fora). Um tanto vendi em brechó, outro tanto doei. 

No julho de 2012, nos mudamos para um apê de um quarto, o que fez a despesa aluguel cair para menos de metade; aproveitamos que estávamos deixando o apartamento grande e fizemos um "Família vende tudo". Ficou só um enxoval-cápsula, que guardei na casa dos meus pais. 

Tudo isso foi feito com muita empolgação e alegria. Faz toda diferença do mundo deixar de fazer/comprar um monte de coisas se a decisão é sua. No fim de 2012, passamos o Natal com a família, nos despedimos dos amigos e pegamos um avião sem chaves no bolso. 

Foram 2 anos e 2 meses viajando pelo mundo, e essa é uma outra história. Mas posso dizer que o minimalismo foi essencial para o sucesso do projeto. Não compramos um único souvenir (ok, o Leo comprou ímãs para o irmão, que faz coleção). Embarcávamos com a menor mala possível (demos a sorte de minha irmã estar na Alemanha nesse período e nos emprestar o porão dela para guardar as roupas de inverno/verão). E às vezes ficávamos em apartamentos do AirBnb não muito confortáveis, mas faz parte. 

Voltamos para o Brasil em março de 2015. Levamos o minimalismo para a vida. Alugamos um apê pequeno e mobiliado. Não (re)compramos carro. Limpávamos a casa nós mesmos. Tirávamos os sapatos na porta. 

E, quando deixei o cargo de analista da Receita Federal para o de oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, meu salário caiu pela metade. E tudo bem, porque a gente já vivia bem abaixo dos nossos meios mesmo. 

(Obs: sim, temos inteira noção do quanto somos privilegiados. Não é todo mundo que pode viver abaixo de seus meios, ainda mais no Brasil. Faz muita diferença também viver longe da família: não fica aquela comparação com o carro novo do primo fulano, ou a cobertura que a prima sicrana financiou.)

Hoje eu moro em Manila, nas Filipinas. Não tinha ideia de que um dia iria parar aqui. Também não imaginava que uma pandemia nos deixaria presos em nossas casas e cidades. Mas vamos que vamos, um dia de cada vez. 

* * * 

Quero agradecer à leitora anônima que pediu para contar sobre como foi meu caminho para o minimalismo. É um ótimo tema para abordar no blog. Continuo minimalista, continuo feminista prática, e nesse período tão turbulento, talvez seja um alento falar a respeito. 

Para quem quiser conhecer alguém que se tornou minimalista de forma menos rocambolesca, recomendo: 

Minimalizo, da Fernanda; 

Viver sem Pressa, da Yuka. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Quem guarda tem

Um lema da minha vida, aprendido com minha mamãe, é "Quem guarda tem". Adoro sacar triunfante uma embalagem para embrulhar um presente ou uma caneta marcadora para disfarçar um arranhão. 

Dito isso, eu sou minimalista. Então só guardo o que tenho muita certeza de que realmente vou usar um dia. Se não for muito grande. E nem muito fácil de repor. E que eu goste muito. 

Tipo um par de botinhas forradas, de sola alta de borracha, que comprei para uma viagem onde ia encarar muito frio e talvez neve. Isso foi em 2009. Nunca mais usei. Mas também não me desfiz, porque tinha confiança e fé que um dia eu iria voltar a um lugar tão frio quanto. 

11 anos se passaram. Pessoa está em quarentena. Pessoa está sonhando com o próximo endereço (2022 na melhor das hipóteses, mas mimdeixa). Pessoa vê vídeos de países frios. Pessoa vê vídeos de roupas para países frios! Pessoa se lembra que tem botinhas forradas. Pessoa saca triunfante as botinhas forradas. Pessoa exclama: "Quem guarda tem!". 

Pessoa sai andando pela casa toda-toda, sem se dar conta de que a borracha da sola alta está em decomposição. Pessoa deixa rastro de destruição na forma de incontáveis grumos de borracha preta que grudam implacavelmente no chão de madeira do apartamento alugado, mesmo com a dedicada aplicação do aspirador. 

O Leo quase teve um troço com a sujeira. Eu fiquei indignada com o produto. Botas com míseros 11 anos de idade e três meses cozinhando em um contêiner se desfazem assim? Isso só pode ser obsolescência programada! 

Quanto à limpeza, não me abalei. Eu lembrava da dica que a Carol Z. deu aqui no blog para recuperar a borracha de trás do Kindle quando ela fica grudenta: álcool isopropílico. Saquei triunfante a garrafinha (quem guarda tem!) e eliminei as manchas horrorosas em dois tempos.  

As botinhas foram imediatamente para o lixo, sem possibilidade de resgate, pois as solas são de um formato muito específico. Suspirei vendo meus sonhos de um futuro frio e distante temporariamente desfeito e...

Saquei triunfante um segundo par de botinhas forradas, de sola alta de borracha, essas compradas no sabático, quando fomos à Finlândia e as primeiras tinham ficado no Brasil.

Termino esse post com mais um ditado, esse de meu pai: "Quem tem dois tem um; quem tem um não tem nenhum". 

* * * 

Juro que botinhas forradas de sola alta de borracha são o único item aleatório que possuo (possuía) em duplicata. Sim, eu devia ter me livrado de um deles na última mudança. Mas veja bem, quem tem dois...

domingo, 8 de novembro de 2020

Vidas alternativas

Uma diversão que eu e o Leo temos é imaginar o que teria acontecido conosco se tivéssemos tomado decisões diferentes em momentos-chave da vida. 

E se nunca tivéssemos saído de Belo Horizonte? E se tivéssemos comprado um apartamento no interior de Minas? E se tivéssemos decidido ter filhos? 

E se tivéssemos passado no concurso de oficial de chancelaria... em 2008? Foi o que abriu antes do último, que teve edital em 2015, prova em 2016 e posse em 2017.  

(Falo "tivéssemos" porque somos um time e essa carreira é um projeto conjunto. Estudamos juntos, planejamos juntos e curtimos juntos. As tarefas são divididas. Nós dois trabalhamos: eu na embaixada, o Leo se ocupando da casa e de todas as burocracias. 

Sem falar que, na véspera do concurso, o Leo insistiu em me ensinar a tabela verdade, que ele jurava que ia cair. Eu não tinha estudado raciocínio lógico, porque me acho ótima em matemática (eu sei, eu sei). Só que o Leo não deixava de ter razão: foram duas questões de tabela verdade, e graças à aulinha da véspera eu acertei as duas. Resultado da prova de raciocínio lógico: 10/10.)

Se tivéssemos passado no concurso de oficial de chancelaria em 2008, estaríamos no exterior há uma década. Por outro lado, será que teríamos estrutura para isso?

Em 2008, ainda éramos muito mimadinhos. Não tínhamos tanta consciência dos nossos privilégios. Achávamos muito natural sobrar carro e casa, ter faxineira duas vezes por semana. Se tivéssemos ido para o exterior lááá atrás, provavelmente iríamos querer replicar nosso estilo de vida, e isso ia ser sofrido, porque cada lugar é um lugar. Naquela época, ainda não tínhamos aderido ao minimalismo e à vida simples, e eu não era uma feminista prática (só teórica, o que já é alguma coisa, né). 

Digo isso porque vejo os colegas reagindo às remoções cada um dia um jeito. É muito natural que cada pessoa tenha suas dificuldades (eu também tive as minhas!). Mas percebo que há que lide melhor com as mudanças, e há quem passe um perrengue danado, principalmente quando tenta repetir sua vida no Brasil. 

Pode ser uma questão de experiência: eu recebi o resultado do concurso alguns dias depois do meu aniversário de 40 anos. Já tinha saído viajando e desapegado de objetos e aprendido a cortar meu próprio cabelo. O Leo, além de tudo isso, já tinha trabalhado 20 anos com TI e estava pronto para partir pra outra (ser "conjechan", cônjuge de ofchan).

Talvez a diferença seja achar se mudar de país a cada 3, 4, 5 anos um vantajão - ou um grande problema. 

No fim das contas, o importante é que deu tudo certo. Se tivéssemos passado no concurso em 2008, estaríamos voltando para o Brasil. Como fizemos o de 2015, temos é um bocado de tempo de exterior pela frente. Oba! 

terça-feira, 11 de junho de 2019

A agitação da mudança

Desde que voltamos das férias, em fim de maio e com a remoção confirmada (o resultado saiu na véspera do meu aniversário!), eu e o Leo estamos em polvorosa. Há muitas providências a serem tomadas e a gente gosta de fazer tudo com antecedência, então já viu. Temos belas listas em Excel e um calendário gigante desenhado a giz na parede da sala.

E olha que montamos nossa vida em Brasília já na expectativa da mudança. Não compramos casa nem carro. Nossos móveis são quase todos de segunda mão, porque sabíamos que íamos vendê-los todos depois. Tentamos não acumular objetos. Não temos animais de estimação. E, mesmo assim, há uma quantidade enorme de coisas a fazer.

Começamos com as consultas médicas. Elas se estendem por semanas, porque implicam em exames e retornos. Concomitantemente, vamos providenciando os "nada consta" do condomínio e da prefeitura, trocando os endereços dos bancos, atualizando as procurações. Esta semana começamos a vender os móveis, colocando anúncios na intratec do trabalho, no Facebook e na OLX. Falta pelo menos um mês para a nossa partida, mas o Leo já está negociando o sofá, o rack e a tevê. O micro-ondas já foi.

Uma mudança é sempre uma oportunidade para fazer um destralhamento maroto, mesmo para quem não é minimalista. Mais de um colega experiente disse que não é para levar tralha no contêiner: só te dá desespero na hora de abrir aquele monte de caixa, e você ainda tem de se livrar dela no destino.

Dito isso, eu já fui mais hardcore. Hoje tento equilibrar o desfazimento imediato com as necessidades futuras. Não acho que faz sentido vender o liquidificador, a batedeira e o aspirador aqui para comprar outros lá (aparentemente, eles vão funcionar nas Filipinas - se não, seria outra história). E vamos carregar os casacos pesados e botas de neve conosco, mesmo indo morar em um país tropical, porque o próximo posto pode muito bem ser Moscou ou Helsinki!

Achamos todo esse processo divertidíssimo. Afinal, estamos realizando o sonho de morar no exterior. Tem uns momentos de estresse, é verdade, mas geralmente estamos nos congratulando mutuamente e dando risadinhas de alegria.

Talvez haja até dancinhas envolvidas.

domingo, 31 de março de 2019

Minimalismo e mudança e Marie Kondo

Às vezes ter pouca coisa tem seus inconvenientes: um amigo me deu uma tulipa de madeira e eu não tinha um mísero vaso para colocar (aí improvisei com uma garrafa de vidro e deu tudo certo, não temam). Mas, em outros momentos, o minimalismo brilha. Um desses momentos é uma mudança.

Está tudo encaminhado, mas 100% de certeza de que vamos sair do país, só no fim de abril. Mas somos ágeis (ou ansiosos) e já estamos nos organizando.

Está tranquilo: para começar, não temos carro para vender. Então, não temos de correr atrás de comprador, negociar, transferir documento. Para continuar, temos poucos móveis, e a maioria deles vai ser deixada para trás (o plano é alugar um apartamento mobiliado no destino). Para completar, como quase todos eles são de segunda mão, não vamos nos afligir se não conseguirmos vender tudo. O que não rolar a gente doa, e ainda faz uma boa ação.

Entendo perfeitamente quem faz questão de levar todo o conteúdo da casa quando muda de endereço, e ainda mais de país. Psicologicamente, é reconfortante estar rodeado de objetos familiares. Um desraizamento, por mais desejado que seja, é uma fonte de stress. No meu caso, estou confiando que algumas coisinhas estratégicas (e o mais importante, o maridinho) sejam suficientes.

Como ainda vou morar em muitos lugares diferentes, pode ser que uma hora eu mude de ideia. Por enquanto, estou querendo é muita praticidade e pouco trabalho mesmo.

* * *

E o que mais uma mudança é? Uma oportunidade! De dar uma boa avaliada em tudo que se possui e despachar o que não está sendo mais usado ou apreciado. No meu caso, isso se reflete principalmente no armário. Mesmo evitando comprar, ganho roupinhas da família e de vez adquiro alguma coisa em viagens. Aí já viu.

Por coincidência, uma amiga perguntou se alguém tinha o livro da Marie Kondo (A mágica da arrumação, lembram?) para emprestar e eu estou aproveitando para reler. Eu implico um pouco com o estilo dela de escrever, apesar de saber que é um manual de instruções e não uma obra de literatura, mas gosto das das ideias.

Fiquei inspirada e arrumei minha gaveta de blusas de frio. De fato, é muito melhor colocar as roupas dobradinhas de pé, como ela orienta, em vez de em pilhas, porque dá pra ver tudo que está guardado - e cabe mais também! (Sei que ela manda tirar todas as roupas das gavetas e fazer uma triagem geral, mas eu sou rebelde.)

Agora é partir para as próximas gavetas.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Minimalismo, um balanço

Sou minimalista desde 2011. No início, eu não tinha ambições à uma conversão permanente: resolvi adotar esse estilo de vida porque era o mais prático no momento, tanto para juntar dinheiro quanto para sair viajando. Quando voltei ao Brasil, achei uma boa continuar, não só porque eu tinha me adaptado muito bem a ele, mas também porque seria útil para refazer o patrimônio. E porque meu objetivo final era eventualmente morar de novo fora do país, então quanto menos objetos para me desfazer antes da mudança, melhor.

Papo vai, papo vem, são oito anos de minimalismo. Convenhamos que é uma quantidade de tempo respeitável. O que não quer dizer que eu esteja pronta a me comprometer para o resto da vida, porque a gente nunca sabe o que pode acontecer. Mas, por enquanto, continua funcionando bem. Com ele, eu e o marido conseguimos trabalhar menos e ter mais tempo para o que gostamos de fazer. Nos preocupamos menos em guardar e cuidar de bens. E também não ficamos competindo com os outros (tipo "Quem tem o carro mais legal?" A gente nem tem carro).

Ser minimalista me trouxe muitas coisas boas: mais oportunidades, mais criatividade, mais coragem, mais dinheiro guardado. Mas, para ser sincera, também incentivou umas características não tão bonitas: egoísmo, pão-durismo. Faço as coisas do meu jeito, sem me importar com as outras pessoas. Às vezes, economizar é mais importante do que sair com os amigos. A ideia de parar de dar presentes físicos para a família, substituindo por experiências (um jantar, um passeio) se perdeu no meio do caminho; agora ninguém ganha nada (só as crianças).

Ou seja, nem tudo é perfeito-lindo-maravilhoso. Mas que o saldo é muito positivo, isso é.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Vida nova, parte II

Hoje eram cinco da tarde e eu já tinha trabalhado, ido à academia, tomado banho e feito umas mudanças em casa: troquei roupa de cama e capas de almofadas e mudei a mesa de lugar para fazer refeições olhando a árvore que tem do lado de fora da janela.

Acho que a animação é resultado do expediente reduzido, dos exercícios físicos e do fato que tenho tentado evitar chegar em casa e grudar no computador (porque aí o tempo passa, o dia acaba e tenho a impressão não fiz nada de útil).

Em relação à decoração, meu apartamento é bem sóbrio. Já veio com as paredes pintadas de cinza (um mais claro, outro mais escuro); nossos móveis são pretos ou brancos. Até a bicicleta ergométrica, que de vez em quando aparece na sala, obedece a esse esquema tonal.

Eu gosto, e acho relaxante: é um ambiente bem limpo, beirando o minimalista. Só que de uns tempos para cá estou sentindo falta de cor.

Não que eu vá pendurar um Ronaldo Fraga na parede. Mas acho que umas almofadas mais coloridas, uma toalha menos escura, uma caneca um pouco diferente vão deixar a sala mais alegre e meus dias mais leves.

Minha louça é branca, minhas canecas (de chá, não de café, que ninguém toma aqui em casa) são pretas. Fica lindo em cima da minha toalha preta com desenhos geométricos em cinza. Mas, como eu disse, uma hora tanta sobriedade deixou de ser estimulante e passou a ser entendiante.

Aí andei pelo casa botando cor onde era fácil; coloquei a mesa paralela à janela para ver o verde; e até abri a mão - comprei uma caneca nova. Ela é azul-turquesa por fora e amarelo-limão por dentro. Como tomo chá o dia todo, a impressão que eu tenho é que estou bebendo cores.

Ah, e desenterrei o diário da gratidão.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Retrospectiva 2018

Trabalhei muito. Achei o trabalho chato. Mesmo assim, como sou caxias, trabalhei bem e fui reconhecida. Encontrei amigos. Li de montão. Comecei a estudar russo e voltei a estudar espanhol. Fiz minha primeira missão no exterior. Senti a ansiedade voltar. Fiz jejum intermitente, experimentei baixos carboidratos. Mudei de setor. Viajei para Espanha e França nas férias. Viajei para a Alemanha a trabalho. Andei de bicicleta (duas vezes). Fiz 25 anos de relacionamento. Fui ao aniversário de 100 anos de minha avó. Emagreci. Engordei. Perdi tempo nas redes sociais.  Emburrei. Desemburrei.

Financeiramente, a receita de salários diminuiu e a grana nas aplicações rendeu menos, mas como eu e marido somos minimalistas-econômicos-frugais e vivemos abaixo dos nossos meios, a vida não mudou - e ainda conseguimos guardar 40% das entradas (após impostos).

2018 foi um ano misturado: vários momentos bons, umas notícias ruins e alguns desapontamentos. Foi um daqueles anos-recheio, espremido entre outros muito mais interessantes: em 2017 comecei no emprego atual, em 2019 (se tudo der certo) serei removida pra fora do país. Morro de preguiça desses anos intermediários, em que nada de realmente emocionante acontece.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Pode confiar

Já fui aquela pessoa que não jogava nada fora, nunca. Vivia pelo lema "Quem guarda tem". Depois que me tornei minimalista, lá em 2011, o jogo virou: tenho poucas coisas e me esforço para continuar assim. Quando ganho um presente ou, mais raramente, compro alguma coisa, tento logo doar ou me desfazer do similar.

Confesso que, quando comecei, me preocupei com a possibilidade de me livrar de um objeto de que, eventualmente, poderia precisar ou querer. Mas isso não aconteceu. Muito de vez em quando, me lembro de algo que eu bem que podia usar. Pois bem: vou investigar no armário e, na maioria das vezes, lá está ele.

Isso não quer dizer que eu não jogue nada fora, nunca: quer dizer que a minha experiência é que a gente sabe avaliar bem o que vale a pena guardar. O último exemplo foram calças pretas sociais que herdei. Na época, elas ficaram um pouco largas. Mas, depois do período na Alemanha, fiquei pensando que ela viriam bem a calhar. Fui procurá-las, crente que tinha me desfeito delas, e voilà: estavam bonitinhas no cabide.

O segredo, obviamente, é só manter as coisas que fazem sentido. Sempre preciso de calças pretas para trabalhar. Vestido colorido ou blusa estampada? Nem tanto.

Então é isso: quer se livrar dos excessos? Vá em frente. Você sabe do que precisa. Pode confiar.

domingo, 25 de novembro de 2018

Pra cá e pra lá (com muita ou pouca bagagem)

Uma das maneiras mais fáceis e recompensadoras de embarcar no minimalismo é imediatamente antes de uma mudança. Se for para um lugar menor, melhor ainda. Fazer uma seleção do que realmente importa não só facilita o transporte dos objetos como a mudança de cenário faz com que você nem sinta a falta deles. Casa nova, vida nova!

Logo, imaginei que pessoas para as quais a mudança de endereço é um estilo de vida (isto é, meus colegas de trabalho) seriam craques nisso. Se de tantos em tantos anos você tem de empacotar tudo e partir para um destino totalmente diferente, não é prático carregar pouca coisa? Tanto para não se preocupar com atrasos na mudança e com danos nos móveis como para ter espaço, na casa e na alma, para novos hábitos e estilos de vida. Móveis de varanda não serão muito usados na Sibéria. Equipamento de esqui vai ficar encostado na Índia. Eletro-eletrônicos provavelmente vão exigir tomadas e voltagens diferentes. E por aí vai.

Perguntei a uma colega que cuidava de transporte de bagagem se os contêineres da galera iam ficando menores à medida em que a carreira progredia. Para minha surpresa, ela disse que não. Ao contrário: quanto mais anos de trabalho, mais coisa a pessoa juntava.

Fiquei sem entender até que, um dia, tive um insight: se a pessoa está cada par de anos em um país, ter em torno de si objetos familiares pode dar um sentido de continuidade e segurança. Principalmente para cônjuge e filhos, porque o servidor do serviço exterior tem pelo menos sua carreira para se agarrar psicologicamente. O acompanhante tem de se virar para (re)encontrar sua identidade a cada novo posto.

Dito isso, acho que existe uma grande distância entre possuir apenas 50 objetos e acumular pilhas de bens. Imagino que seja muito fácil adquirir obras de arte, artesanato, louça, roupa e equipamentos toda vez que a pessoa se instala em um território diferente. Tanta novidade! Tudo tão bonito e colorido! Mas imaginem o trabalho e a dor de cabeça a cada realocação.

É verdade que, de 2013 a 2015, ficamos sem casa por 26 meses, então eu não podia juntar coisas, ponto. Minha próxima mudança vai ser diferente: iremos para um lugar fixo onde ficaremos por pelo menos dois anos. Ou seja, vai ser possível (e até fácil!) me deixar seduzir pelo consumo e pela acumulação.

Mas acho que não vai acontecer, viu? Voltamos para Brasília e mantivemos nosso estilo de vida simples e desapegado. Pensamos seriamente em, quando formos removidos, alugarmos um apartamento mobiliado e levarmos pouquíssima coisa do Brasil.

Só paçoquinhas e cachaça.

sábado, 12 de maio de 2018

Minimalismo fashion

Estou supercontente porque tem um monte de blogueiras de moda entrando na onda do consumo consciente. O esquema dos armários-cápsula já data de algum tempo, mas agora parece que finalmente caiu a ficha de muita gente que comprar compulsivamente não é construtivo, nem para as pessoas (porque não tem fim, sempre tem uma novidade), nem para o meio ambiente.

Pode ser modinha, o hype do momento? Pode. Eu ligo pra isso? Não. O importante é o resultado. Se o povo der uma pausa na obrigação de fazer o "look do dia" com roupa nova sempre, já fico contente. E acho bem possível que muitas percebam que repetir peça é bacana. Primeiro porque é um exercício de criatividade. Segundo porque abre espaço para a individualidade (não tem graça nenhuma todo mundo usando os mesmos lançamentinhos sempre). E terceiro porque gera economia, né? Talvez não para as profissionais que vivem (e lucrem!) exclusivamente com isso e recebem muitos produtos de patrocinadores, mas para a turma que só se diverte com isso, com certeza.

Não, eu não acompanho sites e blogs e revistas femininos. Foi uma das coisas que cortei quando me dei conta de que eles promoviam ideais absolutamente inalcançáveis de beleza e felicidade. Logo depois decidi parar de comprar e pronto, jamais voltei (já que eles também promovem consumo desenfreado). Mas de vez em quando dou uma olhadinha, para ver se estou perdendo alguma coisas (conclusão: não estou. Uma colega de trabalho me contou que a modinha do momento é bota vermelha (!!!) e  muito me ri) ou um post sobre comprar menos aparece na minha timeline.

sábado, 3 de março de 2018

A batalha dos livros

Tenho um monte de amigos e conhecidos que olham desconfiados para meu leitor digital, que eu carrego pra todo lado, e dizem que preferem ler no papel. Antes eu ficava indignada e tentava explicar que uma tela de computador, tablet ou celular é muito diferente da experiência de um eletrônico exclusivamente dedicado à leitura, mas hoje eu só sorrio e falo: o bom é que fica dentro da bolsa e eu posso ler a qualquer momento (do que se infere: leio muito mais que você, mané). 

Verdade seja dita, quem gosta de ler lê em qualquer suporte, como já me disse uma bibliotecária portuguesa. Mas há os apalpadores de lombadas, os cheiradores de páginas (entre os quais eu me incluo) e os fetichistas de volumes. E quem acha que importante mesmo é possuir o livro (se vão ler ou não já é outra história. Seriam as estantes um precursor do Instagram?). 

Mas não acirremos os ânimos. Assim como o cinema e a tevê, a orquestra e o rádio, o concerto e o cd (será que ainda existem cds?), livros digitais e físicos podem conviver alegremente, sem que um tire o lugar do outro, o resultado sendo que tudo mundo leia muito mais. Ainda adoro bibliotecas e belas sequências de livros enfileirados (e aproveito para reclamar: decoradores que organizam livros pela cor, WTF?), mas prefiro vê-las, não tê-las. Na minha casa não há livros de papel (mentira, tem sim, uns de estudo, escondidos no aparador da sala), mas nunca possuí tantas obras (passaram de centenas para os milhares, com a diferença que jamais ocuparam tão pouco espaço). Também me tornei mais exigente: comecei o livro e não gostei, não prestou? Apago do Kindle, devolvo pra loja (na Amazon você tem 7 dias) e se bobear deleto do HD também. 

Só digo uma coisa: eu e você, no portão de embarque, a companhia aérea avisa que o voo vai atrasar 7 horas (já aconteceu). A 80 km/h, quem você acha que tem mais garrafa vazia pra vender?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Malinha

Falta um mês para a próxima viagem e já estou separando roupas para a mala. Sou dessas.

É que eu me divirto. Acho que o planejamento faz parte da viagem. Já começo a curtir agora.

A ideia é levar uma mala pequetita, com roupa para uma semana. Como vamos ficar em apartamentos com máquina de lavar, não tem necessidade que mais do que isso. As peças mais pesadas e volumosas vão no corpo: botas sem salto e casaco de frio.

Olha que dessa vez estou querendo caprichar: vou levar um coletinho preto para usar em cima das camisas (que não precisam ser passadas), um segundo par de sapatos confortáveis e três, TRÊS cachecóis! (Ok, dois lenços e um cachecol.)

Vai ser praticamente um desfile de moda.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Tão ricos

Um amigo nosso nos explicou para o tio de um jeito que achei lindo: "eles são tão ricos que não têm carro nem apartamento".

Eu me sinto muito rica mesmo. Não só de amor e de saúde, mas de dinheiro também. Simplesmente porque ganho mais do que preciso.

Para chegar a essa posição, o negócio é ganhar muito... ou precisar de pouco.

Ok, sei que sou privilegiada e que meu "pouco" seria bom demais para muita gente. Mas considerando colegas e amigos e família, que têm automóveis e casa própria e armários cheios e móveis e acessórios, estamos no lado dos simplesinhos na escala.

Não foi do dia pra noite que a gente chegou aqui. Foi todo um processo. E entendo que tenha quem queira viver de um jeito diferente.

Mas gosto do meu jeito e acho um vantajão.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Brechó + lista mental

Hoje passei na frente de um brechó que gosto, o Peça Rara, e aproveitei dar uma olhadinha, já que a última visita me rendeu uma botinha nova em folha, sem salto, exatamente como eu queria, por um terço do preço da loja. 

O brechó é muito organizado e bacana. Mas não é como uma loja: tem muita roupa, sapatos e acessórios, que ficam cada um em seu lugarzinho, mas não expostos como obras de arte sob luz embelezadora em coleções harmoniosas. Ou seja, eles se parecem como ficarão quando você levá-los para casa, longe da beleza das vitrines, do cintilar dos espelhos e das sugestões dos vendedores. 

Ou seja, outra vantagem dos brechós: eles não te iludem. 

No fim das contas, não achei nada que estivesse na minha lista mental permanente de coisas que ambiciono. Essa lista é bem pequena e ultimamente tem tido só itens de reposição. Eu falo das belezas de ter 40 anos, e uma delas é que você já tem no armário as tais peças básicas, de qualidade, que de fato são úteis, tipo jaqueta de couro, casacão de frio e vestidinho preto.

E eu não enjoo de usar as mesmas roupas? Não. Adoro! Aliás, fico triste quando uma acaba e tenho de comprar um substituto.

Porque aí não tem preocupação, gente. Eu já fui fashion e seguia tendências e acompanhava lançamentos, mas agora só tenho roupa que eu gosto/me deixa bonita/combinam umas com as outras.

Acho que o nome disso é estilo. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Gentilmente usados

Ontem o Leo comentou, e eu concordei, surpreendida, que todos os nossos móveis e eletrodomésticos grandes são de segunda mão. Única exceção: a cama. Confesso que fiquei orgulhosa. 

Temos uma casa lindinha, com móveis branquinhos que combinam, um sofá bacana, uma mesa preta bonitona, um rack com pés palito, uma cozinha preto-e-branco. Demos a maior sorte porque as paredes do apartamento já estavam pintadas em tons (só dois, não cinquenta!) de cinza. Deu certinho com as nossas coisas. 

Não foi tudo baratésimo, não. Mas acho que dá pra dizer que desembolsamos uma média de 60% do que pagaríamos se tívessemos comprado tudo novo. E não acho que, nesse caso, a casa estaria mais bem equipada ou decorada!

Com a mudança, vi que a opção por móveis versáteis realmente funciona. O carrinho de aço, que servia para colocar toalhas no banheiro, migrou para sala e virou apoio para copos e taças. O pufe- baú deixou de guardar panos de prato e jogos americanos, foi para perto da porta e agora é sapateira. O aparador que servia de rack e estava cheio de livros passou a ser... um aparador de verdade. E um movelzinho baixo que compramos para a cozinha perdeu a vez assim que arranjamos um armário alto, muito mais fácil para pegar pratos e copos. Foi para a área de serviço e virou a casa dos aleatórios, como guarda-chuvas e ferramentas. 

E continuamos minimalistas, só que agora temos mais espaço. 

domingo, 3 de setembro de 2017

Tia Patinhas

Minha irmã mais nova tem a tese de que decidimos por ideologias/estilos de vida não só racionalmente, mas também e sobretudo porque eles batem com o que somos. 

Vejam o minimalismo. Para mim, que sou pão-dura e meio preguiçosa, ele é perfeito. Comprar menos, ou parar de comprar (que é o que prefiro), dá muito menos trabalho, não só para adquirir as coisas mas para conservá-las. E, evidentemente, não se gasta quase nada, o que muito me alegra. 

No entanto, ando me perguntando se não ando levando o apego a meu rico dinheirinho longe demais. O custo das coisas é sempre minha primeira preocupação, mas deveria ser, sei lá, a segunda ou a terceira. Porque não estou quitando dívidas, nem pagando escola para um punhado de crianças, né? 

Às vezes acho que o problema é que a inflação galopa na frente da minha coragem. Eu estava pensando, por exemplo, em comprar um segundo par dos meus sapatos preferidos, oxfords que uso para trabalhar e que são muito confortáveis. Só que, claro, eles não existem mais: agora a moda são oxfords de plataforma (!), com sola branca (!!) e cores metálicas (!!!). 

Após profunda introspecção, decidi que, se eu achasse um par do jeito que eu queria, eu encarava pagar até uns 200 golpinhos. Mas o que eu achei para comprar? Sapatos de 400 REAIS! 

Não dá, gente. Não dá.