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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Licença pra ser chata

Então eu li "Silêncio - O Poder dos Introvertidos num Mundo Que Não Pára de Falar de Susan Cain" e aprendi muito sobre os introvertidos. Basicamente os introvertidos apreciam menos estímulos do que os extrovertidos, vivem muito internamente, precisam de tempo para se recuperar depois de eventos e gostam tanto de pessoas quanto os extrovertidos, mas em doses menores. 

O livro defende a tese de que ambas as maneiras de ser são importantes, mas existe um culto aos extrovertidos, principalmente nos Estados Unidos, e isso faz com que, muitas vezes, os introvertidos sejam considerados chatos e esquisitos e acusados de não saberem se divertir. 

Como introvertida de carteirinha, me senti vingada. Não, eu não curto carnaval, micareta, aglomeração, e até shows me deixam cansada. Não sou tímida - na escola, eu participava do coral e do grupo de teatro -, mas não tenho muita paciência com pessoas. Sim, eu era aquela aluna que passava o recreio grudada em um livro. Em certos momentos, tive grupos legais de amigos, mas só quando o santo batia. 

(Acho ótimo ter leitoras no blog. Tenho tempo de ler os comentários com calma, pensar e responder. Lembro com saudade da época de ouro dos blog, antes de as redes sociais tomarem conta da internet.)

Resumindo, eu não sou chata, eu sou só introvertida. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Demais

Minha cabecinha funciona de um jeito esquisito. É assim: eu posso ser feliz, mas não muito. 

É um sistema de freios e contrapesos. O sabático, por exemplo, foi maravilhoso, mas paguei por ele fazendo uma série de sacrifícios (e valeu muito a pena, recomendo). Já meu emprego atual me permite morar no exterior e ainda me remunera por isso? Não dou conta. 

Talvez seja a educação católica, que acha tão bonitinho sofrer. Talvez meus pais tenham sido muito comedidos com alegrias na minha infância e adolescência: "churrasco à tarde e festa à noite no mesmo dia? Não pode, é demais". Talvez todas as heroínas dos meus livros preferidos tenham que passar por muitos perrengues para alcançarem seus objetivos. 

Enfim. O primeiro passo é descobrir meus mecanismos malucos. O segundo é me convencer que minha vida não precisa ser uma obra de literatura, repleta de tensões e tragédias. Pode ser uma novelinha alegre, com muitas partes boas. 

Uma historinha feliz. 

domingo, 21 de junho de 2020

É uma bruta ansiedade

O único porém da minha estadia nas Filipinas é uma ansiedade terrível. Às vezes melhora (nas férias e nos fins de semana, principalmente), às vezes piora, mas está presente em quase 100% do tempo. 

Um dia conto essa história toda de depressão e ansiedade (ela é longa e, na soma final, mais positiva do que negativa), mas o que temos para hoje é o fato de que o trabalho me deixa muito tensa. 

Racionalmente, sei que não há razão para tal. Sou atenta, cuidadosa, comprometida e "de fácil trato". Só recebi elogios de todos os chefes até hoje. Tiro 100 nas avaliações e ainda ganho observações congratulatórias. 

E é aí que mora o perigo. Quero fazer o melhor possível sempre. E, se não consigo, sofro, me angustio e e me agito. Só que esse comportamento não ajuda necessariamente a conseguir os melhores resultados. Além de me atormentar, também é um tiro pé.  

Meu psiquiatra (sim, tenho um psiquiatra em Manila, e ele é ótimo), me disse que a dificuldade de diminuir o perfeccionismo é que a resposta dos outros a ele é muito positiva. Os colegas de trabalho acham ótimo que eu seja tão dedicada. O Leo volta e meia agradece eu ter passado no concurso do Itamaraty. Ou seja, é um mau hábito reforçado a cada instante. 

Pessoas razoáveis dirão: mas você pode ser uma boa funcionária sem sofrer. E podia ter sido sido aprovada em último lugar das vagas, pois não faria diferença prática. Mas para mim é difícil aceitar isso. Na minha cabecinha, só há duas possibilidades: ser a melhor possível ou não me preocupar - o que equivale a chutar o balde total. 

E tem mais: a minha personalidade está toda construída em torno do fato de ser caxias. Não foi tão difícil largar mão das preocupações com a beleza e passar para o mínimo porque, afinal, eu me acho competente. Com o consumismo foi a mesma coisa.

O que quer dizer é que o plano é reconstruir a minha identidade. Como? Não tenho ideia. 

Mas estou certa de que será a melhor reconstrução de identidade de todas. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Coincidências

Voltei de Munique trazendo um documento, perdido no aeroporto, de uma pessoa que mora em Brasília. Ontem o moço me ligou para combinarmos a entrega e me perguntou, para minha grande surpresa, se não havíamos sido colegas de faculdade.

Não reconheci nem a foto nem o nome no documento, mas, quando joguei os dados na internet e espremi os neurônios, resgatei umas lembranças do fundo do baú. Não é que estudamos juntos mesmo?

Aí fui calcular há quanto tempo isso aconteceu. Pois bem, nossa turma se formou há 20 anos. Duas décadas! E tem outra: depois da formatura mudei de área, de cidade(s) e de emprego. Perdi totalmente o contato com a turma da faculdade. Não é à toa que não liguei o nome à pessoa (ou me lembrei, do nome ou da pessoa).

Mas achei uma coincidência legal. É muito interessante encontrar pessoas do passado. Fico curiosa para saber como a vida delas seguiu. Deu tudo certo? Estão onde gostariam de estar? Curtem trabalhar na área? Houve surpresas na jornada?

Tem um elemento de caminho não tomado, sim. Se eu tivesse seguindo aquele roteiro, como eu estaria hoje? Mais ou menos feliz? Mais avançada na carreira, isso com certeza (pelo menos não mais em estágio probatório!).

Cá pra nós? Desconfio que meu nível de satisfação seria parecido. Há pesquisas mostrando que as pessoas têm um ponto mais ou menos fixo de felicidade e tendem a retornar para ele, mesmo quando coisas muito boas (ganhar na loteria) ou muito ruins (sofrer um acidente) acontecem. A gente vira pra lá e pra cá e tenta tomar as melhores decisões, mas na maioria das vezes não escolhemos entre uma opção desastrosa e uma sensacional, mas entre possibilidades razoáveis, cada uma com suas vantagens e desvantagens.

Amanhã reencontro o ex-colega para devolver o documento. Vamos ver o que ele diz do rumo que tomou.

* * *

O ex-colega não estava exuberantemente feliz, mas me pareceu tranquilo e alegre. Tem um ótimo emprego, uma esposa, duas filhas. Contou que passou da fase "vou fazer do Brasil um lugar melhor" para a fase "faço meu trabalho com dedicação, mas sem ilusões".

Fiquei contente de saber que ele está bem.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Aula de russo (ou de humildade)

Como estava em missão, perdi as 3 primeiras aulas do curso de russo básico. Estudei o alfabeto cirílico por conta própria e cheguei toda pimpona, crente que ia abafar.

Só que não. Aprendi (mais ou menos) o alfabeto cirílico em letra de forma, e a professora só usa cursiva. Passo metade da aula tentando decifrar que diabos está escrito no quadro-negro, e a outra metade anotando desesperadamente o som das palavras que ela fala. Chega uma hora que basicamente ergo os braços para o céu e desisto de ambas as coisas. Enquanto isso, a professora começa a ensinar conjugações (!!!).

Para completar, um dos colegas leva muito jeito e/ou já estudou russo antes, ou seja, responde todas as perguntas da professora enquanto eu arregalo os olhos. Reclamei com o Leo que o moço makes the rest of us look bad, e o Leo riu. E acrescentou: "bem-vinda a como a maioria de nós se sente."

Confesso que costumo ser a queridinha do professor nas aulas de línguas. Gosto de idiomas e sou caxias, então faço os exercícios, pratico em casa, entrego as redações. Aí acabo me saindo melhor do que alunos que têm menos interesse. Mas, nesse curso, nem dever de casa tem! Vocês podem imaginar a minha frustração.

Outro colega também perdeu o começo do curso. Ele foi a uma aula e depois não apareceu mais. Pelo jeito percebeu que ia ser muito sofrimento.

E é. Sinto vontade de desistir também? Sinto. Mas cheguei à conclusão de que continuar frequentando as aulas vai ser bom para mim. Além de aprender um pouquinho de russo (mais do que aprenderia se não fosse!), espero introjetar o fato de que não ser uma das melhores alunas da sala não mata ninguém.

Só de raiva.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Como fazer amigos e influenciar pessoas

Sou meio fraca para fazer amizades. Deve ser porque passei minha infância com o nariz enfiado em livros, então não desenvolvi habilidades sociais. Acho que até me saio bem quando sou apresentada a alguém, principalmente se temos interesses em comum, mas tenho dificuldade para desenvolver. Trocar contatos? Combinar programas? Construir um relacionamento? Aí lascou.

Geralmente não ligo muito para isso, mas logo vou mudar de emprego e encontrar uma turma nova. Pelo que vejo nos encontros em barzinho e papos no Whatsapp, são todos muito legais. Resultado: estou ansiosa para que gostem de mim.

O problema é que, além de não saber direito como transformar conhecidos em amigos, eu sou meio chata. Não consigo evitar a revirada os olhos quando escuto uma bobagem (e considero bobagem uma série de coisas). As pessoas têm medo de jogar Imagem & Ação comigo porque faço caretas de indignação quando ninguém acerta a mímica. E também sou convencida: gosto de falar dos cursos que fiz, das línguas que falo, dos países que conheço (viram? Viram? É fogo).

O jeito é tentar pensar menos no meu umbigo e me interessar mais pelo umbigo dos outros, né? E confiar que trabalhar no mesmo local vai deixar todo mundo em contato constante. Quem sabe com o tempo consigo convencer os colegas de que eu sou chata, mas tenho bom coração.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma ameaça eficaz

O Leo disse que eu estava muito chatonilda e que ia parar de me mimar por um mês para ver se eu aprendia a dar valor às coisas (mas foi de um jeito bem fofinho, não se preocupem). 

De fato, andei reclamando da vida e me angustiando com o futuro. Mas a perspectiva de ter de preparar meu próprio café da manhã e fazer a maior parte das tarefas domésticas (hoje é o Leo que se encarrega de tudo isso, além do controle financeiro) me livrou da resmunguice rapidinho. 

Hoje sou uma pessoa feliz, que lê muitos livros, vê muitos seriados, dorme um bocado e aproveita fase tranquila no trabalho para não me estressar. Afinal, quando eu for nomeada, vou ter muito a aprender e provavelmente me lembrarei dessa época com saudades. 

* * * 

E os estudos? Bem, descobri que o que eu gosto mesmo é de juntar material, ver vídeos de motivação, achar livros da bibliografia nos pontos de ônibus, ler sobre técnicas de estudos, visitar o instagram de pessoas que estudam e perguntar a opinião dos outros. Ou seja, fico a maior tempo na fase preparatória. 

Mas estudo um pouquinho. Semana passada fiquei competindo com um colega de trabalho a respeito de quem sabia mais a respeito de presidentes brasileiros. 

Enfim, é o que eu digo: há hobbies piores.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Escaneadora com ascendente em aleatoriedades

Como disse minha irmã mais nova, "Foi o pior livro bom que eu já li". Estou falando de Refuse to Choose, da Barbara Sher (pelo jeito sem tradução para português), que fala de um tipo de gente  diferente: scanners, ou escaneadores - um povo que pula de um interesse para outro, alegremente, sem se comprometer para sempre com nada. 

Eu e a irmã nos identificamos. Queremos saber e fazer um monte de coisas, mas ficamos satisfeitas depois de um certo tempo. Não sentimos necessidade de nos concentrar no mesmo tema durante anos e anos. Depois que a gente absorve o que quer, damos tchau. E partimos para a próxima. Isso, claro, tem seu preço. Em um mundo que valoriza especialistas, somos generalistas aleatórias.

O lado ruim do livro é que a autora trata a si mesma e aos escaneadores como gênios incompreendidos. E enche as páginas de historinhas repetitivas nas quais ela REVELA às pessoas sua VERDADEIRA natureza. Aí as pessoas ficam absolutamente chocadas, porque jamais, em toda a vida, tinham pensado naquilo/visto as coisas por aquele ângulo. O que nos faz desconfiar que esses escaneadores não são tão brilhantes assim, certo? Mas achei bacana ter um nome para o que eu sou que não fosse "sem foco", "desorganizada" ou "randômica". 

A autora diz que não temos que terminar o que começamos - aliás, ela recomenda que a gente não termine a maioria absoluta dos nossos projetos! Mas, no fim do livro, dá o braço a torcer: fala que não precisamos terminar todos os projetos, mas que precisamos saber terminar.  

Fiquei pensando em como aplicar esse novo conhecimento na prática. Por um lado, estou feliz por entender meu fôlego curto (muita iniciativa, pouca acabativa). Por outro, sei que alguns objetivos dessa vida só são alcançados com um esforço contínuo e prolongado - algo que vai contra minha tendência escaneadora. O que fazer? 

Tentar domar minha tendência escaneadora, né? Não por toda minha existência, porque isso seria muito sofrido. Mas por um período determinado (provavelmente mais longo do que eu gostaria). Estou pensando numas estratégias aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Pego mas não me apego

Estou indo trabalhar achando que são meus últimos dias no setor, no prédio e na instituição. Caminho lentamente pelos corredores, tentando sentir a melancolia do adeus. E quer saber? Tô nem aí.

Tem gente que geme, chora e se descabela quando termina um curso, troca de emprego ou faz uma mudança. Fiquei pensando no meu passado e percebi que passei por três escolas, duas faculdades, três cidades e vários grupos de colegas (de estudo, de trabalho) sem derramar uma lágrima, soltar um suspiro ou lançar um olhar pra trás.

Os (poucos e bons) amigos que fiz continuaram em minha vida mesmo depois que a convivência obrigatória terminou. As outras pessoas? Ficarei feliz em reencontrá-las (ok, nem todas), mas se não acontecer, não vou me incomodar nem um pouquinho.

Os fatos indicam um coração perigosamente peludo, mas acho que é uma boa característica para quem gosta de ficar se mudando por aí. Talvez seja até uma das razões pelas quais eu gosto de me mudar por aí! Afinal, se toda vez que eu deixasse pra trás pessoas e lugares familiares eu sofresse horrivelmente, provavelmente estaria morando em Minas Gerais até hoje.

Na casa dos meus pais.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Mudança de foco

Nos últimos anos, eu tenho sido a pessoas das metas, do planejamento, dos planos B, C e D. O que, por um lado, é muito bom - se a gente não sabe onde quer chegar, nenhum caminho serve -, mas, por outro, me deixa sempre focada no futuro, sacrificando o hoje pelo amanhã e acreditando que quando X ou Y chegarem/acontecerem, aí sim eu estarei contente/realizada/feliz. 

O que é uma grande bobagem, claro. Primeiro que X ou Y podem não se realizar, já que tanta coisa nessa vida não depende só da gente. Segundo que o melhor momento pra ser feliz não é depois disso ou daquilo - é aqui e agora. 

Mas como é que faz pra conciliar as duas visões? Como viver o hoje sem deixar de pensar no amanhã?

Eu acho que só tem um jeito: mudando o foco, periodicamente. Não dá pra pensar no presente e no futuro ao mesmo tempo. Então, precisamos de um momento específico pra concentrar em cada um. 

Na maior parte das horas do dia, a gente tem de pensar é no hoje mesmo: nas pessoas com que convivemos, nas tarefas que temos de cumprir, nas pequenas alegrias cotidianas. E, uma vez por dia (ou semana, ou mês), a gente acerta o visor e foca no futuro: estou caminhando na direção que quero? Estou fazendo o que me comprometi a fazer para alcançar meus objetivos?

Porque se a pessoa senta pra estudar e começar a pensar na quantidade de horas de leitura e exercícios que a separam do concurso, ou resolve fazer dieta e se concentra nas semanas e  meses de disciplina, fica muito difícil continuar. E nos coloca naquela situação: só lá "depois" é que a coisa vai ficar boa. 

Mas se a gente pensa só no hoje e no que queremos hoje - só nessas poucas horas de estudo e nessas três refeições saudáveis - no que está acontecendo de bom e de divertido neste momento -, aí tudo é mais fácil. Lembra quando a gente era criança e ia pro colégio? Ninguém passava o primeiro dia de aula pensando nos 179 dias letivos seguinte - até porque, depois daquela série, a gente ainda ia enfrentar muitos outros anos escolares.

Sempre tive dificuldade com o dilema presente versus futuro, satisfação x ambição. Vamos ver se com esse método a questão se resolve!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Inquietude perpétua

Como (quase?) todo mundo, eu sou uma pessoa contraditória. Por um lado, minha vida é toda organizada, pontual e tranquila. Por outro, minha cabeça está em constante ebulição.

Dia desses tive um daqueles insights óbvios: minha insatisfação, minha inquietude, vem de dentro, não das circunstâncias externas. Não importa o emprego que eu eu tiver ou a cidade em que eu morar - sempre vai ter um bichinho interior querendo mais. Ou diferente.

Acho legal tentar mudar e aprender. Não tão legal é isso vir acompanhado de uma angústia difusa.

O problema é que, na minha cabecinha, eu não consigo separar a insatisfação da ação. Fico achando que, se eu estiver feliz e satisfeita, não vou ter vontade de avançar em nada. Ficarei eternamente confortável e acomodada. (E isso é ruim? Tem muita gente que funciona assim e parece bem contente. Mas eu sou chatonilda, né.)

Este é o dilema: continuar mudando, mas de um lugar de paz e gratidão. Pode isso, Arnaldo?

domingo, 3 de janeiro de 2016

Ler e escrever

Eu leio muito. Muito mesmo. O amor que algumas pessoas têm por seriados, por filmes, por academia, eu sinto por livros.

De 2013 até hoje eu li 751 livros. Sim, eu tenho uma lista, e ela começou no meio de 2013. Não, eu não me lembro de cada palavra de cada um deles. Sim, no sabático eu tinha mais tempo pra ler do que tenho hoje. Sim, na verdade eu li mais do que isso porque às vezes esqueço da anotar um livro na lista.

* * *

Eu tenho muito medo de realizar sonhos. Lido muito melhor com aquilo que considero de menor importância. Deve ser por isso que estou tendo esse bloqueio todo em estudar pra Ofchan. (É isso ou preguiça. Escolham.)

Os livros de motivação dizem que o primeiro passo é visualizar a vida que a gente deseja. Quando começo a criar um cenário em que uma das minhas principais ocupações seja escrever, eu travo. Frio na barriga à décima potência. Sério, não consigo nem imaginar.

Então, não imaginemos, escrevamos.

* * *

Resolução de 2016: escrever muito. Muito. Muito.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Comece agora!

Nas minhas leituras sobre comportamento humano, aprendi que as resoluções futuras podem ser uma bela armadilha. Funciona assim: a gente decide começar alguma coisa na próxima segunda-feira... ou no início do ano que vem... e tem a ótima sensação que está fazendo algo a respeito, sem ter feito, na prática, absolutamente nada.

Mas a verdade é não estamos agindo. Estamos é passando a responsabilidade para nossos eus futuros, na crença de que eles (quer dizer, nós) vamos ter mais tempo, disposição ou persistência. O que não é necessariamente verdade, né?

Então o esquema é o seguinte: se eu realmente quero, devo começar agora, neste momento. Não precisa ser a todo vapor: pode ser que mês que vem eu tenha férias e, portanto, mais tempo disponível mesmo. Mas começar agora, um pouquinho todo dia, vai fazer com que, na data planejada, eu já esteja a todo vapor. E não na situação contrária, com um monte de matéria acumulada pra estudar, muitos dias sem me exercitar ou, para o povo que quer perder peso, vários quilos a mais.

Dito isso, tive uma crise de labirintite na sexta-feira e o remédio que estou tomando (e que resolveu a tontura) está me deixando sonolenta, devagar das ideias e com muita fome. Uma situação nada propícia aos estudos...

domingo, 8 de novembro de 2015

O encanto da beleza

Nos últimos anos, andei pensando muito sobre o que é importante e o que não é. Não só pensei como agi: me livrei de um monte de coisas, comportamentos e obrigações. E fui descobrindo o que fazia sentido pra mim e o que era só "o que todo mundo faz".

Durante um tempo, decretei que toda preocupação com beleza e conforto era pura futilidade. Depois repensei isso aí. Ainda que fútil fosse, nem só de utilidades práticas e de altos estudos é feita a vida. Parte da graça está no belo, no divertido e no inútil.

Dito isso, ainda acho que, quando as decisões são refletidas e conscientes, vivemos de maneira mais autêntica e feliz. No meu caso, depois de um período de total desapego, o pêndulo, que tinha ido lá para o outro lado, voltou e ficou mais próximo ao meio. Hoje, percebo que me importo sim com a beleza do ambiente em que vivo e das roupas que eu visto.

Mas meu gosto e minhas prioridades mudaram. Quero ter coisas poucas, bonitas e de qualidade. Que durem muito e que não deem trabalho para manter. Que combinem comigo e com a vida que eu levo.

Nem sei se posso dizer que me interesso por decoração e moda - porque, no fim das contas, essas palavras acabam sendo sinônimos de tendências e novidades. Hoje eu sei do que preciso e do que gosto - e não é de montes de objetos empilhados, nem da última cor do batom.

A beleza está em muitos lugares. Não necessariamente nos lançamentos.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Ter ou não ter (carro)?

Eu costumo dizer que meu minimalismo é bem instrumental - vendemos tudo porque queríamos sair viajando, oras. Mas a simplicidade faz a gente ver as coisas de um jeito meio diferente e refletir sobre as decisões que a gente toma.

Na prática, isso significa que percebemos que várias das nossas escolhas "sobravam": a gente tinha mais carro, mais casa e mais coisas do que precisava - e usava (porque às vezes você não precisa precisa, mas usa e gosta, então está valendo).

Quando falo que nossas escolhas "sobravam", não estou usando como base de comparação o mínimo necessário, não (passei por essa fase, mas saí dela, rs). A minha base é uma vida legal, confortável e significativa, que faça sentido para nós, nossas personalidades e preferências.

A mudança - Assim, voltamos de viagem decididos a morar em um apartamento menor e a dirigir um carro mais econômico. E não é por falta de grana, não - embora, se fosse, não seria vergonha nenhuma. Ao contrário, seria inteligência (primeira regra da educação financeira: viva abaixo de seus meios). É porque de fato constatamos que é mais barato e mais fácil adquirir e manter uma casa e um carro mais simples.

Parênteses: sim, sabemos que é um privilégio poder optar por menos. Muita gente não pode se dar a esse luxo. E sim, morar longe da família facilita esse tipo de escolha - não tem a comparação diária com o carro do ano da prima fulana e o espertofone novo do tio sicrano. Fecha parênteses.

O fato de que vamos para Brasília ajuda, é claro: é possível morar razoavelmente perto do trabalho e a cidade é totalmente plana, então um motor 1.0 dá conta. Aí, de novo, não estou falando do mínimo necessário: quero um apartamento pequeno, mas com banheiro e cozinha reformados, porque as monstruosidades dos anos 60 ninguém merece; e o carro vai ter ar-condicionado, porque em Brasília faz um calor de lascar.

O carro - Conversamos com gente que entende de carro. Escutamos: "carro barato e econômico? HB20, não tem erro!". Explicamos que não achávamos que 40 mil era barato. No fim das contas, as opiniões convergiram no Palio 1.0, usado - porque preço de carro cai assim que ele sai da concessionária.

E aí toca a procurar carro (nem preciso dizer que é difícil achar o que queremos comprar pelo preço que estamos dispostos a pagar). E a botar na ponta do lápis os custos com IPVA, DPVAT, seguro e gasolina. E a lembrar da chatice das manutenções, das trocas de pneus, dos problemas mecânicos que às vezes aparecem...

A alternativa - Então a gente pensa na outra possibilidade: que tal não ter carro? Não temos filhos, nem dificuldades de locomoção. Como ainda vamos nos instalar na cidade onde vamos trabalhar, podemos nos organizar, isto é, tentar morar perto do emprego, perto do comércio, perto do transporte público.

Também estamos dispostos a não ficar pão-durando na hora de pegar táxi, seja para ir a um lugar mais distante, seja porque está chovendo. Este site calcula quanto custa manter um carro. Segundo ele, se comprássemos um Paliozinho usado por 20 mil, gastaríamos, hoje, 8 mil reais por ano com a teteia. Conforme nossos controles financeiros, antes de viajarmos, gastávamos quase 6 mil reais por ano. Então daria pra andar bem de táxi, né?

A decisão - Afinal, ter ou não ter (carro)? Não conseguimos nos decidir. Então, o que fazer? Um experimento prático, claro. Nos primeiros tempos em Brasília, vamos ficar a pé (e de ônibus, e de táxi, e de carona). Depois de algumas semanas, teremos dados suficientes para confrontarmos os pós e contras... e bater o martelo.

Será a zebrinha nossa futura melhor amiga?
Foto daqui.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

E o seu guarda-roupa, como vai?

E não é que a ideia de simplificar e reduzir está chegando a (alguns) blogs de moda? Fiquei sabendo neste post do Hoje vou assim off.

Fico feliz que o pessoal esteja descobrindo que consumir muito não é receita de felicidade, nem necessariamente de elegância. É verdade que há quem ache que ter um armário-cápsula é só mais uma modinha, como tantas outras. Mas, nesse caso, é uma modinha que significa menos consumo, menos roupa guardada sem ser usada, menos tempo gasto para se vestir... só posso achar bom!

Segue minha historinha de redução do guarda-roupa (com figuras):

Minimalismo no guarda-roupa


Eu e a moda, a moda e eu








E o seu guarda-roupa, como vai?

terça-feira, 23 de junho de 2015

Meu período consumista

Lá pelo ano de 2008, fiquei meio sem ter o que fazer. Estava satisfeita com o casamento e o trabalho, já tinha terminado uma especialização, na cidade onde eu morava não tinha o curso da língua que eu queria e naquela época não existia leitor digital. Aí comecei a me interessar - mais - por moda e maquiagem, a ir à manicure toda semana e a fazer luzes no cabelo.

(Gente, não estou dizendo que quem gosta dessas coisas não tem mais o que fazer. Só estou contando meu caso.)

Durante um tempo, me diverti muito visitando blogs, comprando roupas e sapatos e bolsas, aproveitando viagens para trazer maquiagens que só estavam à venda lá fora.

E aí, no final de 2009, cansei. Aquilo tudo passou a me interessar menos, porque comecei a perceber um padrão: os lançamentos não eram necessariamente originais, melhores ou mais bonitos. Eram simplesmente diferentes do que eu já tinha. No meu guarda-roupa havia roupas de todas as cores e estilos, não especialmente porque gostasse, mas porque tinham estado na moda (e olha que nunca fui a louca das tendências). Os sapatos e bolsas que eu tinha eram lindos, mas muitos eram pouco práticos, pesavam no ombro e machucavam meus pés. E os blogs e as revistas se repetiam sem parar.

Comece a achar aquilo muito chato. Vocês sabem que eu sou uma pessoa novidadeira, né? Mas as novidades desse universo me pareciam tudo mais do mesmo. Aí larguei mão. O feminismo me ajudou a ver que eu não precisava de tudo aquilo (podia, mas não precisava). Quando o minimalismo chegou, foi só correr pro abraço.

Hoje eu só uso salto baixo. No meu armário só tem as cores e as peças que eu gosto. Uso maquiagem quando me dá na telha. Corto meu próprio cabelo. Pulo as páginas de moda das revistas.

Continuo consumindo, é claro. Preciso de casa, comida, roupa, educação e diversão. Mas consumo muito menos, e muito melhor - porque tento consumir o que eu realmente acho importante, não o que me dizem que é.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Os grandes gestos e a minha inquietude

Sou uma pessoa que gosta dos grandes gestos. Passar em um concurso! Mudar de cidade! Vender tudo e sair viajando! é comigo mesmo. Quando há um grande gesto envolvido, tenho a impressão que estou vivendo de fato e aproveitando as oportunidades. Quando não, parece que o tempo está passando e eu não estou fazendo tudo o que gostaria.

Infelizmente a vida (pelo menos a minha) não é composta só de grandes gestos. Grande parte dela é feita de rotina, preparação e providências. Neste exato momento, estou em um período assim: digerindo o sabático, me readaptando ao Brasil, planejando o futuro. 

Não vejo nisso a menor graça. Depois de mais de dois anos viajando, o dia a dia por aqui, que no início foi reconfortante, ficou monótono. Eu estava achando que tinha passado pelo sabático sem efeitos colaterais, mas olha eles aí. Na viagem, cada dia era uma novidade; hoje, um parece igual ao outro. Aí eu fico impaciente e inquieta. 

Mas agora não é hora para grandes gestos. É hora para os pequenos, aqueles repetitivos, rotineiros, sem glamour. É hora de ficar quietinha, de manter o foco, de estudar. É um período de recolhimento e trabalho - necessário para recolher os resultados depois. 

Para mim, isso não é fácil. Fáceis são os grandes gestos, as rupturas e as novidades. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Meu lugar no mundo

Acho que tem gente que dá sorte. Que nasce em lugares que têm tudo a ver com sua personalidade e seu jeito de ser. Todo mundo tem problemas, claro. Mas tenho a impressão de que se as suas características são valorizadas na sociedade em que você vive, seu nível de - conforto? aceitação? bem-estar? - é maior.

No Brasil, eu tenho minhas limitações. Não gosto de carnaval, nem de pagode, nem de televisão, nem de praia, nem de cerveja. Óbvio que o Brasil é muito mais que isso, mas não consigo deixar de pensar que quem curte essas coisas se diverte mais.

E a solução nem é mudar de país (ainda que fosse fácil, né). Uma vez, a irmã I, que estava morando em Frankfurt, disse:  "Não é que eu queira ser alemã. O que eu queria é que meus pais, minhas irmãs, meus amigos tivessem nascido aqui". Quer dizer, você pode até deixar sua terra natal, mas uns pedacinhos seus vão sempre ficar pra trás.

Faz como, então?

Se organiza para passar um tempo aqui e um tempo lá. (Eu sei a que Lina, do Conexão Paris, faz assim.) É fácil? Claro que não. É impossível? Também não.

Tem alguns caminhos. Um deles é arrumar emprego em uma empresa internacional que esteja disposta a te mandar para onde você quer morar. Outro é trabalhar à distância - e aí, em tese, dá pra ir e voltar. E um terceiro, de longuíssimo prazo, é esperar a aposentadoria (e torcer para o dólar não disparar demais).

E não precisa nem dizer, mas digo mesmo assim: se a gente não tiver uma montanha de objetos, nem um custo de vida altíssimo, tudo isso fica menos difícil, né?

O mundo nas mãos.

domingo, 7 de junho de 2015

Pergunta, Mila!

Quando viajei com meus pais para a Espanha em 2007, minha mãe queria saber tudo, do conteúdo da salada verde à utilidade do prédio vizinho à prefeitura. Como eu tinha prometido que serviria de intérprete, toda hora eu escutava: "Pergunta, Mila!"

Na época, isso me deixava meio irritada porque 1) o meu espanhol era pra lá de marromeno e 2) eu achava que ia incomodar as pessoas com as dúvidas maternas (que, convenhamos, não eram das mais relevantes).

(Obs: é claro que o bordão virou parte da mitologia da série. O Leo se diverte muito - e me faz rir - lascando um "Pergunta, Mila!" em locais como o interior da Bulgária ou da China.)

Hoje, estou convencida de que minha mãe estava certa. Posso adotar "Pergunta, Mila!" como meu lema pessoal. De maneira geral, as pessoas não se importam de responder a perguntas. Na maioria das vezes, elas gostam de compartilhar o que sabem. E, de vez em quando, uma pergunta pode não só resolver o seu problema como o dos outros também!

Desde que cheguei ao Brasil, estou pensando em comprar uma bicicleta ergométrica ou uma esteira. Primeiro enrolei porque eventualmente vou me mudar para Brasília, depois achei que os preços estavam altos... E então, conversando com uma das minhas tias, ela disse que tem uma ergométrica encostada e que está doida pra se livrar dela. Ela mora a poucos quarteirões da casa dos meus pais. É só passar e buscar.

Ou seja, eu podia estar pedalando alegremente a meses. Imagina se o "Pergunta, Mila" tivesse sido aplicado antes!