Mostrando postagens com marcador coronavírus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coronavírus. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Só alegria

Em breve eu e o Leo estaremos performando imunizados com Caetano ao fundo em uma bela praia filipina. 

Mais exatamente daqui a duas semanas, porque tomei a segunda dose de Coronavac hoje! 

(Não quer dizer que vamos sair lambendo corrimão. Máscara, lugares abertos, distanciamento social, tudo isso continua. Mas vamos nos permitir um voo curto para Boracay.)

Queríamos estar lá no aniversário do Leo, que é dia 19 de julho, mas tudo bem. Dia 25 também é aniversário: dois anos em Manila! 

Este início de semestre está saindo melhor do que a encomenda. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Perdas e ganhos da pandemia

Perdi: a oportunidade de organizar um festival de cinema, um campeonato de futebol, um estande do Brasil em uma festa de países latinos. Perdi: o outono no Japão, a visita de amigos, uma temporada com meus pais e minha irmã. Perdi: 4 kg. Perdi: cabelos. Perdi: a chance de ser júri em um concurso de fantasias infantil e de participar de eventos organizados pelas embaixadas. 

Ganhei: tempo para ver seriados e ler livros. Ganhei: pratos deliciosos preparados pelo Leo. Ganhei:  oportunidades para cochilinhos. Ganhei: espinhas. Ganhei: fios brancos. Ganhei: um novo Kindle de teclas. Ganhei: grande apreciação pela casa. Ganhei: o hábito de usar máscara e face shield. Ganhei: horas sonhando com o próximo posto. 

Não perdi: a harmonia no relacionamento. Não perdi: a paciência, por enquanto. Não perdi: a vontade de viajar, mas estou tentando não dar atenção a ela. 

No fim das contas, o resultado foi positivo.  

Entretanto, observe-se, 2020 ainda não terminou. 

domingo, 14 de junho de 2020

De volta ao trabalho presencial (Diários VI)


Desde segunda-feira passada, dia 7 de junho, voltei a trabalhar presencialmente. Quer dizer, meio período - no outro meio período, continuo em home office. 

A ideia é fazer um revezamento e menos gente se encontrar (e eventualmente se contaminar) no escritório. Mas é meio bizarro, para dizer a verdade. Minhas manhãs não rendem tanto e acabo esticando o horário presencial. Devia sair às 5 da tarde, mas ando saindo às 6. Ou 7. 

O prédio e nosso andar estão todos trabalhados nas medidas de segurança. Tapete desinfetante, álcool gel, medição de temperatura. Só 5 pessoas no elevador. Mais tapete desinfetante, mais álcool gel. Máscara o tempo todo. 

As ruas da região ainda estão bem vazias. O transporte público está voltando aos poucos, teoricamente mantendo as regras de distanciamento social. Isso quer dizer que muita gente ainda não consegue chegar aonde precisa. 

Por duas vezes, acompanhei o Leo ao supermercado (agora pode). Tentamos ir em horários que estariam vazios (e acertamos). Fizemos compras rapidinho, não fiquei cutucando os produtos (que é o que eu costumava fazer, pré-pandemia) e voltamos para casa. 

A sensação que tive era de estar voltando de uma longa viagem. O isolamento social em Manila começou em 15 de março, e desde então estive obedientemente em casa, saindo só para umas poucas e necessárias idas ao escritório para consultar documentos. Agora vejo a cidade com olhos de quem retorna. 

Não é que eu tenha sentido muita falta, pois estive bem e tranquila. Mas fiquei feliz por voltar.

* * * 

Estamos em EMGQ (quarentena reforçada modificada geral). Vamos ver se nos próximos dias passamos para a fase seguinte ou voltamos um passo atrás. 

terça-feira, 5 de maio de 2020

Fim de férias + aniversário (Diários V)

Passei duas semanas de férias maravilhosas, sem compromisso nem horário. Li livros ótimos, vi filmes e séries ótimos, tirei muitas sonequinhas, fiquei acordada até a madrugada, entrei em contato com azamiga e tomei uns bons drink. Para completar, aprendi a usar o Twitter e acompanhei o seriado "Brasil - quêquitáconteceno" em tempo praticamente real (e muito desgosto. Essa parte não foi boa).

Na quinta-feira fiz aniversário: 44 anos, uma data bem bonita. Encontrei amigos e família em reuniões virtuais, recebi um monte mensagens e recadinhos, tudo isso agarrada numa garrafa de vinho branco gelado que, apesar de esforços contínuos durante todo o o dia, não consegui terminar. Fiquei feliz da vida por tanta gente ter se lembrado de mim.

Ontem, segunda-feira, voltei ao trabalho. Durante o primeiro mês de home office, a loucura do atendimento e repatriação foi tão grande que eu não tinha hora para terminar o expediente, nem fim de semana. Agora, devidamente repousada, quero organizar direitinho a rotina e os procedimentos, porque trabalho remoto não é bagunça, muito antes pelo contrário.

* * *

A quarentena começou em 12 de março; a quarentena reforçada, 15. Vai fazer quase um mês da última vez que saí de casa. Continuo bem e tranquila. E pensando que é importante que as pessoas sejam diferentes mesmo: cada hora é um tipo que lida melhor com a situação.

E falando em situação: agora que o impacto inicial passou, já começo a querer refletir sobre o futuro. Não só o meu, pelo qual não tenho maiores temores, mas os dos outros, e o que posso fazer para cooperar.

* * *

Confesso que em uma ocasião senti muita vontade de furar o isolamento: no domingo, os vizinhos de prédio organizaram uma pequena comemoração no rooftop para um casal que tinha marcado o casamento no país do noivo e foram impedidos pela quarentena.

Fomos convidados. Fiquei doida para ir. Mas pensei um pouco e percebi que seria bem hipócrita da minha parte sair de casa sem necessidade, ainda que o risco para a saúde fosse (avaliação minha, talvez incorreta) pequeno. Me senti uma Pugliesi (falei, agora acompanho as tretas no Twitter) em potencial e recusei delicadamente.

(É, também acho que os vizinhos não deviam ter se reunido, mas o que deu para fazer foi diminuir o risco de todos com minha ausência.)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Diários do corona, parte III

Eu não acho que o coronavírus seja um recado da natureza.

Eu não acredito que a pandemia veio ensinar nada para ninguém.

Eu acho que estamos todos lascados, uns muito menos lascados que os outros (e me incluo aí).

Dito isso, o ser humano é um criador de significados e um tecedor de histórias.

Se as pessoas derem sentido um sentido ao Covid-19 que deixe a vida delas mais fácil e que as torne indivíduos melhores, sou totalmente a favor.

Dito isso, estou com o Karnal: a solidariedade deixou de ser altruísmo e passou a ser necessidade de sobrevivência. Que os privilegiados (e me incluo aí) sejam um pouco menos egoístas, ou eles vão ver o resultado.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Diários do corona, parte II

Posso falar? Adoro ficar em casa. Então, para mim, passar a quarentena quietinha no apartamento não é problema, é solução.

Sei que para muita gente ficar em casa não é uma opção; que há quem viva em lugares precários e minúsculos, ou que nem tenha onde morar. Tenho consciência do meu privilégio.

Dito isso, há quem tenha o mesmo privilégio e esteja detestando o isolamento social.

Estamos em um daqueles raros momentos em que os introvertidos se sentem realizados como pessoas (nem consigo pensar em outro, para falar a verdade). O lockdown está sendo nosso carnaval e nossa micareta. Uma curtição!

É bem verdade que somente nos últimos dias estou, de fato, aproveitando o lar. Consegui uns dias férias depois de um mês trabalhando feito doida (e sem ver o tempo passar). Agora é que poderei tirar várias sonequinhas ao dia, acordar e dormir na hora em que bem entender, ler um montão de livros e ver um montão de séries, ligar prazamiga, escrever no blog. E, talvez, começar a sentir falta da rua.

Veremos.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Diários do corona, parte I

As últimas semanas foram complicadas para todo mundo (e todo o mundo). Aqui nas Filipinas, a quarentena começou no dia 12 de março e no dia 16 já virou quarentena reforçada, com praticamente tudo fechado e transportes todos suspensos.

Só uma pessoa da família pode sair de casa, para comprar comida e remédios. Essa pessoa é o Leo, que sabe chegar aos lugares e tem força para carregar sacolas pesadas. Ele vai ao supermercado uma vez por semana. Quanto a mim, estou em casa desde então, trabalhando sem parar, atendendo os turistas brasileiros que ficaram retidos nas ilhas quando os voos domésticos foram cancelados - e muitos internacionais também. 

Não teve feriado, fim de semana ou fim de expediente. Foram muitas aventuras, que incluíram fretar um avião para resgatar os brasileiros em sete regiões diferentes e que decolou sem ter permissão para pousar nos dois últimos (sim, elas foram conseguidas durante o voo) e uma quebra de isolamento para ir ao Aeroporto Internacional de Manila embarcar 34 brasileiros (de máscara e com muito álcool gel). A sorte é que os colegas de trabalho são ótimos e estivemos todos juntos nessa empreitada. Os repatriados chegaram ao Brasil neste domingo de Páscoa, então as coisas no trabalho estão mais calmas. 

Se der tudo certo, na quinta-feira saio de férias. Como a quarentena foi estendida até 30 de abril, não vou poder sair do país, da cidade ou de casa, e vai ser ótimo. Estou precisando é de cansar de descansar. 

Em suma, eu e o Leo estamos muito bem. Temos casa confortável para nos isolar, internet, tevê a cabo, livros, dinheiro para comprar comida. Temos um ao outro. Estamos tomando muito cuidado para não nos contaminarmos, nem contaminarmos ninguém. Tentamos ajudar os entregadores de comida com gorjetas gordas, os funcionários do prédio com produtos de higiene, o Projeto Bantu com doações, os vizinhos com pequenos favores. É uma gota no oceano, mas é melhor do que nada.