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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Hibernação 2024

Se no ano passado eu estava lépida e fagueira subindo montanha e fazendo trilha com o Leo até esta época do ano (cheguei a comprar uma calça de neve), este ano eu abracei meu lado urso e tenho voltado  do trabalho pronta para me enroscar em meus lençóis de flanela, agarrar no Kindle e mastigar uns doces. 

Está sendo maravilhoso. Lençóis de flanela: recomendo fortemente. No começo eles soltavam uma grande quantidade de flocos no pijama e no chão do quarto, mas depois de algumas lavagens eles pararam com isso (ainda bem, ou eles desapareceriam, porque não ia sobrar nada). Lençóis de flanela são muito macios, mas a melhor parte é que a cama não fica gelada na hora de deitar. 

(Comprei na Zara Home. Na Itália. Na promoção. Isto é, custou um terço do preço do que custaria aqui.)

A diferença em relação à Hibernação 2022 é que, há dois anos, eu dormia bem mais tempo do que o habitual. Dessa vez, estou dormindo as horas regulamentares (que são no mínimo 8, obviamente). 

Veremos se outono que vem volto à ativa (e aí a hibernação é ano sim, ano não) ou se ano passado foi a exceção à regra e nunca mais vai acontecer. 

Aprovadíssimo.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Entrando numa fria

Lá estava eu toda valente, crente que tinha descoberto a fórmula mágica para não hibernar no frio (trilha na floresta + tô na rua enquanto tiver luz), quando me dei conta de que o inverno AINDA NEM COMEÇOU. 

Os dias vão continuar encolhendo até 22 de dezembro. O frio ainda vai piorar um bocado, e não vai melhorar até março, no mínimo. 

O pior não são as temperaturas baixas. É a chuva chatonilda que não para de cair. 

Mas não há de ser nada. Comprei bota impermeável, calça de trilha e caminho todo dia, junto com o Leo, faça sol ou faça chuva. Quando chove demais, vou de esteira. 

O exercício me deixa de bom humor, diminui o sono e a fome. Até perdi uns quilinhos. 

E saí de casa em pleno domingo nublado para ver a primeira neve do ano (que não foi na cidade de Zurique, mas em um dos morros que a cercam, o Uetliberg). 

Cores nas folhas, neve no chão

* * * 

Enquanto o inverno não chega, trato de aproveitar o outono, que tá lindão. 






segunda-feira, 29 de maio de 2023

Chove, chuva

Sabe o último post? Enganação. A primavera não chegou coisa nenhuma.

Em abril, passamos um fim-de-semana prolongado em Roma (choveu e fez frio), uma semana em Costwolds (choveu e fez frio) e meu aniversário em Turim (fez frio e choveu). Em maio, meus pais vieram nos visitar por 15 dias, junto com minhas tias que chegaram um pouco antes e foram embora um pouco depois. Sim, fez frio e choveu. 

Semana passada o sol resolveu dar as caras e tivemos alguns dias de temperatura acima dos 15º C (intercalados com outros de chuva e frio, claro). Na sexta-feira o tempo firmou e passeamos de trem no sábado e no domingo, encantados diante de tanto céu azul. 

Acho que agora vai. 

Em Andermatt

domingo, 26 de março de 2023

Entra: primavera. Sai: máscara.

Março de 2020 marcou o início da quarentena em Manila. Posso considerar, então, que faz dois anos que uso máscara para sair de casa (mesmo que tenha deixado de ser uma exigência em Zurique desde abril do ano passado). 

Semana passada eu propus e o Leo concordou que, levando em conta nossas cinco doses de vacina, que a gente parasse de usar. 

Me dá muita alegria não ter de sacar a máscara da bolsa toda vez de entrar no tram. 

Enquanto isso, em Zurique: 






sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

1 ano em Zurique

Hoje faço meu primeiro aniversário de chegada a Zurique (e estou no Brasil, olha a ironia). Confirmo que não é à toa que ela está sempre na lista das melhores cidades para se viver; é segura, bonita, limpíssima, tem um transporte público incrível e ainda é atravessada por águas verdes transparentes altamente fotogênicas. 

Impossível não comparar com Belo Horizonte, onde vim passar uns dias. Os últimos anos não foram generosos com Beagá. Eu e o Leo nos mudamos daqui em 2004 e, pelo que nos lembramos, a cidade mudou pouquíssimo. O máximo da diferença é que as bancas de jornal agora têm grandes telões na parte de trás (onde não para de passar propaganda do último filme da J. Lo).  Enquanto, pelo mundo, o urbanismo está em constante evolução, com aumento nas áreas pietonais, investimentos em transportes alternativos e melhoria dos espaços públicos, BH faz reforminhas pontuais e continua sendo inimiga não só do pedestre como também do motorista (o trânsito contina o caos, com semáforos de 200 em 200 m rigorosamente não sincronizados).

A comparação pode ser injusta por N questões, mas no momento não estou interessada em justiça.

Uma das primeiras fotos de Zurique














domingo, 16 de outubro de 2022

A trilha de outono

No sábado um casal de amigos nos convidou para fazermos uma trilha perto de Zurique. Tanto eles quanto nós somos fãs do site Swiss Family Fun, que sugere um monte de trilhas e passeios e dá todas as dicas e detalhes. Eles escolheram a trilha Wasserfallen Chellechöpfli, nós topamos, e lá nos fomos. 

Uma hora e pouco de carro para chegar ao ponto de partida; depois, 9 km e meio a pé, por subidas e descidas muito razoáveis. O que atrapalhou um pouco foram as chuvas dos últimos dias, que resultaram em barro e folhas encharcadas e escorregadias em alguns trechos. Sim, os tênis voltaram imundos, mas temos tanque na lavanderia do prédio e já resolvemos o problema (depois de esperarmos a lama secar e escovar os sapatos vigorosamente no lixo). 

No começo da trilha, toda valente

Encalorada e cansada

As lindas cores de outono

Almoço: batata rosti e ovos "espelhados"

No banco gigante aleatório (instalado por um banco - de dinheiro - em seus 150 anos)

Gostei da experiência. Foi um pouco cansativo (quase 10 quilômetros), mas recompensador. Vi paisagens lindas e bati muito papo. 

domingo, 29 de maio de 2022

Bainha de fita crepe

Consta que, em caso de necessidade, o povo faz bainha de fita crepe na calça e sai pra vida. Eu mesma nunca precisei, porque minha mãe tem dotes de costura e disposição para arrumar a roupa das filhas. Mas sim, esse dia chegou. Só que não foi pra fazer bainha de calça, foi pra fazer bainha de cortina. 

Eu explico: na Europa, muitos apartamentos têm persianas de metal, que vedam totalmente a luz (e, portanto, dispensam cortinas). Nosso apartamento, no entanto, veio com rolôs externos que, se têm a vantagem de serem abertos e fechados pelo toque de um botão, são semi-opacos e só servem para segurar um pouco o sol. À noite, até a luz da lua cheia é forte o suficiente para incomodar. 

O jeito foi comprar cortinas blackout. A Ikea vende? Vende. A Ikea faz bainha? Faz. A Ikea cobra um terço do preço das cortinas para fazer a bainha? Cobra. O escorpião no bolso se agitou todo e eu decidi que era melhor levar as cortinas para casa, experimentar na janela, ver se funcionava mesmo e se eu gostava da cor e da textura antes de me comprometer. 

Funcionaram muito bem. Aí descobri que a Ikea, além de cobrar um terço do preço das cortinas para fazer a bainha, só faz bainha de cortinas se elas estão na embalagem original. Obviamente, nessa hora a embalagem original já tinha ido para o(s) lixo(s) - papelão para a pilha de papelão, plástico para o Züri-sack, é claro.  

Sim, deve existir alguma loja em Zurique que faça esse serviço. Só que aí eu já tinha emburrado e declarado que eu mesma ia dar jeito. Que jeito? Fita crepe, oras. 

Pedi ajuda do Leo, dobrei a barra na cortina pendurada mesmo e sai pregando. E olha, funcionou. Ficou meio torto, mas funcionou. 

Por uns dois dias. 

O Leo então sugeriu que a gente usasse fita dupla face. Achei a ideia linda, inclusive porque a fita ficaria escondida dentro da dobra da cortina. Ele comprou e, num dia de disposição, tiramos as cortinas da janela, estendemos em cima da mesa, medimos certinho o tamanho da bainha (60 cm) e, com toda a calma, fizemos a bainha, bem retinha. Em ooooito cortinas, porque no meio tempo também compramos para o quarto de hóspedes. 

Ficou joíssima. Agora, a única coisa que separa as cortinas da perfeição é serem desamassadas. O fato de elas estarem dependuradas há dias não ajudou muito. O problema é que não temos ferro de passar há muitos anos. 

Vou perguntar no trabalho se alguém tem um ferro a vapor vertical para emprestar. Rá!

domingo, 22 de maio de 2022

A mudança

Depois de quatro meses em diversos navios, o contêiner com a mudança chegou. Para minha grande alegria, nada mofou e nada quebrou. 

Como não tínhamos móveis, a mudança ter demorado tanto não foi problema. Compramos móveis aqui e pronto. Na hora de ir para o próximo posto, no entanto, vamos ter de pensar se vale a pena se livrar deles e voltar a morar em apartamento mobiliado, ou se é mais negócio carregar os móveis e ficar acampado no apartamento sem mobília até o contêiner chegar. Veremos. 

O que veio foram artigos de cozinha (oi, Air Fryer!), roupas e objetos pessoais - além de uma cômoda que já foi para o quarto de hóspedes, uma esteira que compramos na pandemia e um móvel de cozinha. A esteira e o móvel foram para o keller, uma instituição suíça (e alemã) utílissima: como em geral os apartamentos são pequenos, todo mundo tem um espaço no porão do prédio para guardar o que não está usando no momento, o que inclui roupas pesadas de inverno. 

Nos livramos de bastante coisa ainda em Manila, mas é claro que botei no contêiner um monte de tralha, porque a minha tese é que a gente nunca sabe se pode precisar. Agora que sei que não vou precisar, quero me livrar delas, mas infelizmente em Zurique nada é simples de jogar no lixo.  

Você até pode, mas cada saco de lixo de 35 litros (o "Züri-sack") custa 2 francos suíços, isto é, 10 reais. Então a população separa papel e papelão (recolhidos a cada 7 dias, alternadamente); vidro e garrafas pet (tem uma lata de lixo especial na rua para deixar); roupas (idem); lixo orgânico (idem, mas tem de estar em um saco biodegradável). O resto vai no saco de lixo de 10 reais mesmo. Claro que todo mundo (a gente inclusive) quer usar o mínimo de sacos de lixo de 10 reais. 

(Isso dá um trabalhinho. Um caderno de espiral usado, por exemplo, tem de ser desmanchado: as capas vão para a pilha de papelão, as folhas para a pilha de papel, e o arame em espiral para o Züri-sack.)

A casa está finalmente ficando com cara de casa, mas confesso que eu gostava bem de ter todo aquele espaço vazio. 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

100 dias na Suíça

No domingo completei uma centena de dias nas terras helvéticas. Quer saber? Estou feliz. A adaptação foi mais fácil do que a de Manila, o trabalho é mais legal, a cidade é mais bonita. E estou adorando o clima fresquinho (como cheguei na segunda metade do inverno, não peguei temperaturas realmente baixas e dias escuros). 

A única coisa que não está andando é a aprendizagem do alemão. No escritório eu falo português; na rua, inglês; e na verdade em Zurique não se fala alemão, mas alemão suíço, um dialeto. Espero que a situação mude quando eu voltar das férias em maio e começar as aulas presenciais da língua germânica. Não vou tolerar ser a pior aluna da sala e isso vai me obrigar a estudar. 

A verdade é que eu ando tranquila e sossegada. Minhas ambições atuais são fazer bainhas nas cortinas do quarto (foi bem fácil instalar, mas sobraram na altura) e decorar as paredes de concreto do apartamento com artes de fabricação própria. Se na kitchenette de Brasília eu arrumei as cadeiras, as mesinhas, a geladeira, a porta do quarto e algumas paredes com papel contact, imaginem agora, com mais espaço e mais verba?

Cartaz do festival de cinema que organizei em Manila

sábado, 16 de abril de 2022

Aventuras na Ikea

Primeiro fomos à loja física espiar. Depois pesquisamos o site. Depois voltamos à loja física. Então fomos ao apartamento novo para tirar medidas. Depois pesquisamos de novo o site. Aí sim, voltamos à loja física e compramos cama, sofá e ilha de cozinha. 

Dias depois uma amiga nos contou que no domingo a loja estaria excepcionalmente aberta e que cada compra geraria um bônus de 20%. Corremos lá para comprar cama de hóspedes, mesa de jantar e cadeiras. E conseguimos que tudo fosse entregue junto na terça-feira. 

Pedimos ferramentas emprestadas para os amigos e montamos tudo (quer dizer, o Leo montou, a Lud ajudou). Menos a cama de casal, que achamos melhor não arriscar. O povo que veio montar demorou para entrar em contato, ligou na parte da manhã dizendo que estava chegando e só deu as caras à tarde, e ainda criou o maior caso porque o prédio não tinha número, o que, segundo eles, os fez perder muito tempo dando voltas no quarteirão até achar o endereço certo.

Sim, o prédio ainda não tem número. Mas se você chega à rua indicada, vê um prédio terminando de ser construído, descobre que o anterior é o 17 e o seguinte o 53, o que você imagina? Pois é. 

Montar os móveis da Ikea não é difícil, é trabalhoso. Depois que você começa a entender os manuais (não tem nenhuma palavra, só desenhos), a coisa flui. Infelizmente só temos um móvel de cada tipo (menos as mesas de cabeceira), porque depois que se monta o primeiro, o seguinte é moleza. 

Seguem as nossas belezinhas: a ilha de cozinha e a mesa de jantar. 


As várias idas à Ikea compensaram: ao experimentar, descobri que a mesa que eu queria comprar era alta demais e me deixava igual a um Tiranossauro Rex, com aqueles bracinhos alcançando o tampo. Troquei para a mesa acima, mais baixa e mais comprida, e estou muito satisfeita. Inclusive com as cadeiras, que são confortáveis e, como não são de tecido, facinhas de limpar. 

É verdade que tivemos que pedir ajuda a um outro amigo para terminar de montar a mesa. Mais especificamente, para virá-la de cabeça para cima depois que a estrutura estava pronta. O Leo não achou que eu daria conta (e ele estava certo). Nada que mais um par de braços fortes não resolvesse. 

A casa ainda não está com muita cara de casa, mas com o tempo vai se ajeitando. A mudança deve chegar no começo de maio, e aí teremos almofadas, toalha de mesa, edredom, essas coisas. 

E pensando onde os trens tudo de cozinha e as roupas vão caber. 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Casa nova (ou quase)

Muita coisa acontecendo por aqui, tudo em grande paz e serenidade. Temos aproveitado os fins de semana para passear de trem nas cidades próximas. Os dias estão ficando cada vez mais longos e quentes. A primavera tem dado as caras, uma flor de cada vez. 

E hoje recebemos as chaves do apartamento, ueba! Deixaram a gente entrar quatro dias antes do início do contrato. Bom demais, porque vamos poder nos mudar em etapas, em vez de nacorreriatudodeumavez. O novo lar fica a três pontos de tram de distância. Já fizemos duas viagens, de malas na mão, e ainda queremos fazer mais uma ainda hoje. O que tanto tem nessas malas? Para a surpresa de ninguém, livros. (Eu estava até contida, mas uma moça ofereceu no Facebook 100 livros + quadrinhos em francês, e aí eu não resisti.)

Além de livros, levamos uns básicos da Ikea. Abaixo a cozinha, já com um paninho de prato devidamente instalado (se fôssemos alpinistas, seria uma bandeira). 


E aqui o quarto de casal. Atrás da porta aberta tem um armário embutido espelhado (guarda as roupas e depois te mostra como elas estão - muito útil). 


E, para nossa grande alegria, o apê tem lâmpadas em todos os cômodos (sim, os sites diziam que vinha sem).

Os móveis mesmo chegam na quarta-feira. Aguardando ansiosamente. 

sábado, 5 de março de 2022

If it fits, I sleeps

Acabo de voltar de uma testagem de colchões. Eu e o Leo nos deitamos em vários e avaliamos nosso agrado de cada um. O Leo prefere colchões mais firmes. Eu? Estando em situação de horizontalidade estou bem. Tirava uma sonequinha fácil em qualquer um deles. 

Sim, estamos atrás de cama. E mesa, e sofá. A notícia boa é que finalmente conseguimos um apartamento para alugar (visitamos 18, nos candidatamos a 5, recebemos 2 nãos e finalmente um sim). A notícia não tão boa é que quase não existe apartamento mobiliado em Zurique, e este também não é, então vamos ter de comprar móveis. 

Montar casa é legal, mas não é fácil. Da primeira vez, lá em Coronel Fabriciano, havia uma única loja com móveis legais. Da segunda vez, em Brasília, me arranjei toda com o Mercado Livre. Dessa vez, temos a Ikea, o que é fantástico, mas há muitíssimas opções. Difícil escolher.

Espiamos outras lojas, para não dizer que não exploramos o mercado, e a conclusão é que elas são 1) muito mais caras e/ou 2) muito parecidas com a Ikea. Resultado: vamos de original sueca mesmo. 

O apartamento novo tem um charme, que são as paredes de concreto aparente. Estou confiando que, por causa disso, não vou precisar decorar nada: jogo uns móveis e tá pronto!

E se o apartamento não tem móveis, tem cozinha montada. Ou seja, só vamos precisar de uma cama (ou de um colchão) para nos instalarmos alegremente no dia 1º de abril.

Não é pegadinha, é a previsão de início do contrato. Que vai chegar, pelo correio, semana que vem.

 Aqui é assim.  

Namorando ilhas de cozinha na Ikea. A cozinha do apê é montada, maaas tem pouca bancada. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Amor eterno, amor verdadeiro

Lud ama livros.

Lud ama Kindle.

Lud se muda para uma cidade onde os livros de papel estão por todos os lados, inclusive nas ruas e no trabalho. 

Lud tem pego livros de papel, nas ruas e no trabalho, e tem lido desajeitadamente (ainda sabe virar as folhas, mas acha incômodo quando está lendo na cama e cai no sono e o livro, por sua vez, cai em sua cara). 

Lud devolve livros de papel, nas ruas e no trabalho, depois de ler ou quando começa a ler e não gosta. 

Lud deixa de devolver um livro de papel que pegou na rua e nota que, na rua (isto é, na estante-biblioteca que fica na esquina), os livros se multiplicam cada vez mais. 

Lud se lembra que, na Suíça, é caro jogar lixo fora.

Lud se dá conta de que, se levar um ou dois ou três livros para casa e ficar com eles, a população de Zurique não vai reclamar. Ao contrário, a população de Zurique vai ficar contente porque os livros foram tirados das ruas. 

Lud está pronta para tirar das ruas muitos livros de papel. 

Lud espera (im)pacientemente sua vez. 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

A primeira semana

Está tudo indo muitíssimo bem. 

Fomos várias vezes a vários supermercados e enchemos a casa de comidinhas gostosas. Nessa brincadeira tem até salada (pronta e limpa, uma maravilha) e pelo menos 2 quilos de chocolate. 

Passeamos muito pela cidade. Subimos suas duas montanhinhas (Zürichberg e Uetliberg). Investigamos todos os bairros próximos ao trabalho. E alguns não tão próximos, mas fáceis de alcançar de tram.  

Almoçamos em dois restaurantes, porque os colegas/amigos em potencial chamaram, e nos horrorizamos com os preços. Resolvemos que comer fora não vai ser nossa rotina. 

Já que as temperaturas, conforme esperado, estão baixas (- 2 a 7º C), estamos muito contentes com nossos casacos e sapatos de inverno, que estão dando conta de tudo, inclusive de caminhos com barro e/ou neve nas montanhas. 

Começamos a visitar apartamentos e vamos ver mais três esta semana. Estamos otimistas de que vamos encontrar algo simpático e bem-localizado. Confirmamos que a maioria absoluta  vem sem armário embutido nem lâmpadas no teto (lustre, nem se fala). Por outro lado, eles têm cozinha montada e lavadora/secadora, o que é excelente. 

Como tomamos duas doses de vacina mais booster nas Filipinas, estamos achando bom que as restrições, aqui, sejam muito menores. Ninguém nunca ouviu falar em face shield, máscara é só para lugares fechados, e quem não tem passaporte vacinação (será o nosso caso, porque a Coronavac não é aplicada na Suíça) pode entrar em supermercados e usar o transporte público. Verdade que, antes de sair de Manila, conseguimos tirar esse passaporte pela internet, mas ele só dura 30 dias. A partir de semana que vem, ou tiramos de novo (e pagamos de novo 30 francos suíços por cabeça, ui) ou vamos atrás de descobrir se rola de tomar vacinas locais (o que faremos com prazer). 

Para completar tanta alegria, na esquina aqui da casa provisória tem uma estante-biblioteca: as pessoas doam livros e pegam livros (e devolvem, ou não). São cinco prateleiras pequenas e tem sempre movimento: gente trazendo volumes para doar, gente devolvendo o que já leu, gente escolhendo o que vai levar... E até bom que muitos livros não voltem, porque senão simplesmente não caberia! Eu já peguei um de ficção, que devolvi depois de ler, e encontrei um Corso di Italiano A1 justamente no dia em que eu estava concluindo que seria muito mais fácil aprender italiano do que alemão. É um sinal!  

Estou gostando cada vez mais de Zurique. É segura, limpa, tranquila, com acesso a muito verde e a muita água. Se não tem aquele charme evidente de Paris ou Barcelona, está parecendo muito boa para morar (nem sou só eu que estou dizendo, são as pesquisas de qualidade de vida também). Eu e o Leo somos fáceis de agradar (a gente era feliz em Coronel Fabriciano, no interior de Minas), é verdade, mas Zurique? Nosso número. 

Pessoas felizes descendo a Uetliberg

sábado, 29 de janeiro de 2022

O primeiro dia de trabalho

Ontem foi meu primeiro dia de trabalho (sim, arrumei as férias para começar numa sexta-feira e ter logo um fim de semana). A primeira impressão foi ótima. Os chefes parecem ser acessíveis, e os colegas, comprometidos. Vou ter muito a aprender e bastante serviço pela frente, mas em um clima agradável e cordial. Faz toda a diferença. 

Também faz diferença o fato de não ser a primeira remoção. Agora sei mais sobre o funcionamento dos postos e da dinâmica de trabalho. E sobre a chegada, adaptação, busca do apartamento, espera pela mudança... gosto de mudar, mas o período "vida sendo ajeitada" é prolongada. Eu e o Leo combinamos que não vamos nos estressar com isso. As coisas vão acontecer no momento delas, no ritmo suíço (qualquer que seja ele).

Passeamos por Zurique na quinta, na sexta e hoje, sempre acompanhados de colegas e amigos. Foi excelente, mas confesso que prestei tanta atenção na conversa que não consegui prestar muita na cidade. Já senti que é limpa, graciosa e organizada. Mais impressões vão ter de esperar pelos próximos dias. 


Nestes primeiros tempos, estamos em um apart hotel perto do trabalho, o City Stay. São 350 metros de distância, 4 minutos a pé. O endereço definitivo provavelmente será mais longe, porque os apartamentos próximos são velhos, caros ou ambos, mas não mais do que 20 minutos de tram (espero), preferencialmente sem baldeações.