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| Óleo sobre tela, Jean-Léon Gérôme, 1886 |
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| Desenterraram a Esfinge |
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| Óleo sobre tela, Jean-Léon Gérôme, 1886 |
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| Desenterraram a Esfinge |
Incrível: segunda-feira já é dezembro. 2025 está no finzinho. Quem fez fez; quem não fez pode correr pra ver se ainda faz, mas por que deixar para amanhã o que você pode deixar pro ano que vem?
A palavra do ano foi "aceitação". Passei a aceitar mais que o mundo é assim, que as pessoas são assim, que muito está fora do meu controle (especialmente no trabalho) e é assim. Que eu sou assim. É um pouco Gabriela? ("Eu nasci assim/eu cresci assim/vou ser sempre assim.") Sim. Buscar, perseguir, ambicionar, correr atrás tem seu valor, mas uma hora dá, não dá? Até porque a vida muda a nossa vida com frequência, sem nem perguntar. Vem embutido no programa. Ainda mais no meu, que escolhi uma carreira...assim.
A frase do ano foi "Bora viajar?". Em janeiro fui para Brescia, na Itália, para fugir do escuro do inverno em Zurique, e para Atenas, encontrar irmã mais velha e família. Em março, à Málaga e a Madri, de onde saía o melhor voo para Belo Horizonte, onde a mesma irmã deu um festão de 50 anos. No fim de abril, Roma (de novo, de onde saía o melhor voo, dessa vez pra Xangai). A Etihad avacalhou as passagens e acabei passando o aniversário em Abu Dhabi em vez de com os amigos, mas foi legal (hotel com prainha e mais um país pra lista) e não atrapalhou em nada as duas semanas no Japão. Em maio, uns diazinhos com irmã mais velha e marido em Avignon, na França. Em julho, meu afilhado de 14 anos veio nos visitar e passou duas semanas aproveitando o verão na Suíça. Em setembro, o destino foi Rimini, na Itália, e em Amsterdã, para ver a Lu, a Lê e a Lari. Em outubro, um fim-de-semana na Eurodisney decorada para Halloween com a Fê, amiga que fez Disney College Program comigo lá em 2002, e uma semana em Londres, Cardiff e Winchester.
A decepção literária do ano foi "Rose Field", do Philip Pullman. Phil é o autor da sensacional trilogia de fantasia "As Fronteiras do Universo" (His Dark Materials): A Bússola Dourada, A Faca Sutil e a Luneta Âmbar. Pois bem, quase 20 anos depois ele decidiu escrever outra trilogia para complementar a primeira, com resultados no mínimo duvidosos. Ele publicou La Belle Sauvage em 2017, The Secret Commonwealth em 2019 e eu fiquei esperando impacientemente até 2025 para que ele lançasse The Rose Field, o último livro da sextologia, cuja função seria reabilitar magicamente os dois anteriores. Infelizmente, isso não aconteceu. The Rose Field é longo, chato, detalhista quando não precisa e, pior de tudo, avacalha os princípios da trilogia original (exatamente como Gladiator 2 fez com o primeiro Gladiador. Só que As Fronteiras do Universo me é muito mais querido que Gladiador, então eu senti muito mais).
Em compensação, este ano fiz duas descobertas literárias: Tana French, que apesar do nome é irlandesa, e escreve policiais psicológicos interessantíssimos; e R. F. Kuang, escritora sino-americana jovem e produtiva (ela não tem nem 30 anos e já publicou seis livros, em diferentes estilos). Fico contentíssima com o fato de que elas ainda têm muitos anos de carreira pela frente. Da TF, sugiro começar com O Bosque da Memória (In the woods); da RFK, meu preferido é Babel - Uma História Arcana.
Para 2025 terminar de verdade ainda temos dezembro pela frente, de fato. Mas vai passar voando: três semaninhas e estaremos quase no Natal. Aí emenda com o Ano-Novo... e já era.
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| Suíça? Que nada. Shiragawa-go, a Suíça... do Japão |
Passamos a penúltima semana de fevereiro em Madri, com amigos que vieram do Brasil. Eles nos avisaram que iam dar um pulinho no Marrocos (3 dias em Marrakesh) e nós falamos: "Tamo junto!".
Finalmente botei o pé no continente africano. Agora fica faltando só a Antártica (o Ártico é feito só de gelo, sem terra por baixo, então não entra na conta).
Ficamos dentro da medina (a cidade antiga cercada por muralhas), em um riad (casa tradicional com pátio interno). Foi uma experiência intensa. Dentro da medina, as ruas são estreitas, cheias de gente, barulhentas, e volta meia passa uma motinho buzinando, sem qualquer consideração pelos pedestres. Ou pelas bicicletas. Ou pelos jumentinhos.
As fotos do Leo ficaram lindas. Como sempre, fotos não capturam a poluição sonora, o calor e o desconforto. Em suma, foi um lugar ao qual adorei TER IDO, mas que não foi muito fácil enquanto eu estava lá.
No dia anterior à partida, saímos da medina e fomos passear na cidade propriamente dita. Encontramos ruas e calçadas largas, prédios mais modernos, lojas simpáticas e um Carrefour Gourmet de tirar o chapéu.
O resultado é que percebi que estou dando bobeira. É tão fácil voltar aos países europeus que conhecemos e gostamos que acabamos repetindo passeios em vez de expandir nossos horizontes viajísticos. Pois bem, vamos fazer um esforço para desbravar novos destinos.
(Botei Marrocos na lista de futuros postos? Botei Marrocos na lista de futuros postos. Sou facinha.)
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| Riad Dar El Masa |
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| Todo um visual mil e uma noites |
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| Praça Rahba Kedima |
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| O minarete da mesquista Koutoubia |
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| O Jardim Secreto, um oásis de tranquilidade no meio da medina |
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| Os souks (mercados)... |
Em 2022, usamos as férias de fim de ano para ir visitar Noruega e Polônia, para incredulidade dos vizinhos de prédio que, na festinha de confraternização, nos contaram que estavam indo para o Caribe e a América do Sul. Embora a viagem tenha sido ótima (aurora boreal! pilhas de neve!), nos demos conta do erro de cálculo: se for para viajar no inverno, que seja para um lugar mais quente e ensolarado que a Suíça, e não para um onde o frio e o escuro sejam ainda piores. Em Zurique, as baixas temperaturas duram de outubro a março. Tem a sua graça, mas uma hora cansa. Aí você percebe como o clima no Brasil é maravilhoso, como a gente não valoriza etc.
Assim sendo, em 2023 voamos para em Porto em dezembro e, agora, para a Grécia. As temperaturas estavam bem baixas (em Portugal, chegamos a pegar 0º C), mas o céu azul e os dias luminosos compensam tudo.
O céu azul, os dias luminosos e a comida, claro.
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| Começamos com três noites na ilha de Santorini. Essa é Oia, a cidadezinha mais famosa. |
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| Depois partimos para a capital. Sim, o Partenon (templo da deusa Atenas, que dá nome à cidade) está em processo de restauração. |
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| O amanhecer na varanda do hotel em Fira, Santorini |
Voltamos do Brasil no comecinho de fevereiro. A conexão foi em Lisboa e durou 7 horas. Pois não fosse por isso: guardamos as malas no maleiro ("cacifo") do aeroporto e tocamos para a cidade.
Era sábado, era cedo, o céu estava lindo e Lisboa também.
Em junho de 2019 embarcamos para as Filipinas e, desde então, não demos as caras no Brasil. O plano do Leo era ficar dez anos fora e só voltar quando eu fosse obrigada (depois desse tempo, preciso trabalhar no Brasil por pelo menos um ano antes de sair de novo). Ele até trouxe a mãe dele para passear aqui em Zurique (em retrospectiva, uma ideia ruim), e queríamos que meus pais viessem também. Mas eles ficaram enrolando, e eu concluí que não ia ter jeito: se eu quisesse vê-los, ia ter de ir visitá-los. Aproveitei que neste janeiro eles vão fazer 50 anos de casamento e marquei as passagens (o Leo relutou, mas foi convencido a ir também).
Ou seja, são quase quatro anos longe da pátria (marromeno) amada. Estou curiosa e tensa com o reencontro. A sensação é que a situação piorou, e não foi pouco, na minha ausência. Estou otimista com o novo governo, mas acho que vai demorar um tanto para as coisas entrarem nos eixos.
Dizem que quem mora fora se sente um pouco estrangeiro quando volta. Acho que é verdade, mas não sei bem como vai funcionar comigo. Não é como se eu tivesse emigrado para um outro país: eu emigrei para outroS paísES. Primeiro Filipinas, agora Suíça, e só deus sabe qual será o próximo posto (tenho planos, mas nem Filipinas nem Suíça estava nos planos, então já vi que na minha carreira os planos não adiantam muito).
Pela lógica, esse fato deveria reafirmar minha identidade brasileira, né? É o fator em comum em todas essas aventuras (passadas e futuras). No entanto, já faz um tempo que não tenho muita paciência com o Brasil. Até fiz concurso para ficar longe dele.
Vamovê como vai ser.
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| O lindo (e gelado) castelo dos Cavaleiros Teutônicos, em Malbork, Polônia. |
No sábado eu e o Leo acordamos cedo (ele, como sempre) e decidimos dar um pulinho em um país vizinho. Temos um passe de viagem na Suíça que nos levou até a Basileia, na tríplice fronteira (Suíça, França e Alemanha). De lá compramos uma passagem de trem até Mulhouse, uma cidadezinha francesa cujo nome lembra o amigo do Bart Simpson.
Basileia (ou Basel, ou Bale, em francês) é muito bonita. Fiquei impressionada. Acho que é influência da França, viu.
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| Spalantor, um dos portais da antiga muralha de Basel |
Mulhouse é bem pequena, mas tem um centrinho histórico arrumado, tomado pelo mercado de Natal. Compramos belas nhá-bentas (que na França se chama guimauve) de diversos sabores e eu tomei uma cerveja quente com aroma de cereja. Sim, é tão ruim quanto o nome sugere.
Com estamos no fim do outono, tem anoitecido bem cedo: às cinco e pouco da tarde já está escuro e o meu corpo acha que são oito da noite. A vantagem é que vimos a decoração de luzes de Natal de Mulhouse antes de pegar o trem de volta para casa!
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| Feira e iluminação de Natal em Mulhouse |
Aprendi uma palavra nova: balagan. Balagan quer dizer confusão em hebraico, e quem me ensinou foi um amigo que está morando em Tel Aviv. Andei sumida, sumidíssima, porque minha vida esteve um grande balagan.
Primeiro houve um projeto grande no trabalho que durou meses, envolveu uma grande quantidade de gente, sugou muitas horas de trabalho e botou minha ansiedade no teto por semanas (a ponto de eu perder peso porque eu estava com um nó no estômago. Sim, procurei um médico. Sim, agora estou bem).
A primeira fase do projeto foi o maior balagan. A segunda se desenrolou melhor. No fim das contas, deu tudo certo. E, 48 horas depois da entrega, eu estava de volta ao normal, o que significa, claro, que não havia razão para tanto sofrimento. Sim, eu sabia disso. Não, saber não resolveu.
Aí encaixamos uma viagem de uma semana e meia a Israel. Foi maravilhoso.
Verdade que meu planejamento de viagem foi um balagan. Confiei nas aulas de Catequese da escola e no fato de ter o lido o Exodus, do Leon Uris, na adolescência. Arrumei uns livros sobre Jerusalém e não passei do segundo capítulo. Fiz a mala de véspera e esqueci um monte de coisas: condicionador, óculos escuros, boné e, o mais importante, calcinha. Bom que chegamos a Tel Aviv no meio tarde, o comércio estava aberto e consegui comprar novas na primeira loja onde entrei.
Conhecemos Tel Aviv, Jerusalém, o Mar Morto, Narazeth, Tiberíades (às margens do Mar da Galileia). Adorei tudo Não sou religiosa, mas gostei muito de visitar os lugares santos das três religiões: Judaísmo, Cristianismo, Islamismo.
(Sim, quando se fala em Israel há toda a questão política envolvida. Foi algo sobre o que conversei bastante durante a viagem. É um tema complexo e, apesar de eu ser bastante otimista, não sei se há uma solução à vista, ainda mais com a extrema-direita subindo ao poder.)
Voltei da viagem feliz e animada. Não é à toa que antigamente, quando não existiam medicamentos para a depressão, os médicos mandavam o paciente viajar. O bom é que na segunda semana de dezembro embarcamos de novo. Não tive férias no segundo semestre e agora vou tirar a desforra.
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| Ano que vem, em Jerusalém... já estou pensando no retorno. |
Uma das razões pelas quais eu quis morar na Europa é a facilidade de passear pra lá e pra cá. A Alemanha, por exemplo, é logo ali.
No começo de setembro fomos matar a saudade de amigos em Berlim. Como compramos a passagem com antecedência numa low-cost (Easy Jet), pagamos baratinho. Como pagamos baratinho, os voos eram o último de sexta e o primeiro de segunda. Como era uma low-cost, o voo de sexta-feira atrasou mais de uma hora. E o de segunda... também!
Acordamos antes das 4 da manhã para irmos para o aeroporto (que em Berlim é longe). O horário da partida era 6:40. No fim das contas, o avião saiu às 8:40. Sorte que na segunda-feira era feriado em Zurique e eu não tinha de trabalhar!
Em Berlim, passeamos muito a pé, comemos, bebemos e conversamos. Nossos amigos moram no Sony Center, um marco arquitetônico de Berlim. É um complexo de lojas, restaurantes e apartamentos, com essa grande flor, ou guarda-chuva, como cobertura.
No fim de semana seguinte, fomos a Baden-Baden conhecer pessoalmente a Rafaela, que estava fazendo aniversário. Amizade feita na internet, pelo meu blog e pelo dela! Finalmente conseguimos nos encontrar ao vivo.
Dessa vez foi um bate-e-volta (fomos e voltamos de trem no mesmo dia). Assim que saímos da estação de trem, começou a chover. Lá pelo meio do caminho, depois que estávamos molhados, o sol resolveu dar as caras... e um arco-íris também! Presente de aniversário pra ela, né.
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| De dia. |
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| De noite. |
Interlaken, 15 de janeiro de 2022.
Depois de dois voos bem longos (9 horas e 7 horas, respectivamente) e 3 horas de trem, chegamos ontem ao nosso destino: Interlaken, uma cidadezinha suíça de mais ou menos 6 mil habitantes situada em uma região linda, com muitos passeios a fazer.
Pousamos empolgados: inclusive combinamos e descemos o último degrau da escada de desembarque ao mesmo tempo para pisarmos no solo helvético juntos. Depois foi uma correria para tentar pegar o trem que saía dali a pouco. Deu tudo certo e entramos no vagão com dois minutos para o trem partir.
O tempo estava ótimo: céu azul e sol. Temperaturas bem baixas (em torno de zero), que é o que a gente esperava mesmo. Arrastamos as malas da estação de trem para o apartamento e demos uma voltinha básica (passando no supermercado Coop, com direito a todos os derivados do leite que encontramos - nas Filipinas iogurtes, queijos e afins são poucos e caros) antes de voltar pra casa, tomar banho e apagar.
Hoje acordamos cedinho, antes do sol nascer (mas também, o sol está nascendo depois das 7) e passeamos um bocado. O tempo esteve nublado e com névoa, o que dá um charme.
Estou encarando os dias que vamos passar em Interlaken como férias. Ainda não estou pronta para lidar com o fato de que vamos morar neste país por uns bons anos. É muita alegria de uma vez só.
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| Vendo a Suíça do alto. |
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| Vendo a Suíça do trem. |
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| Interlaken cedinho. |
Exceto pela escalada da Ômicron, que impediu todo e qualquer evento de despedida, está tudo indo bem. Hoje fizemos a pré-vistoria do apartamento, amanhã termino mais um projeto no trabalho.
Estou muito contente com o fato de que, embora estejamos próximos ao uma mudança, eu esteja tranquila. Em 2019, eu estava muito aflita, feliz mas apreensiva com a perspectiva da primeira remoção. Até fiz umas sessões de terapia, mas foram poucas, porque faltavam semanas para a minha partida.
Aí cheguei às Filipinas e tive meu surto de ansiedade. Dei sorte de encontrar rapidinho um psiquiatra que falava bem inglês. Estou me sentindo ótima há vários meses, mas decidi continuar com o remedinho por um tempo na Suíça. Depois vou diminuindo a dose até parar de vez.
Quando vim para Manila, estava achando que dava conta de gerenciar o nervosismo. Não sei se fui confiante demais ou se minha tolerância ao sofrimento é maior do que devia (em vez de buscar ajuda, sempre quero resolver sozinha). Só sei que, embora as circunstâncias agora sejam um pouco diferentes, não vou cometer o mesmo erro.
Até porque vamos chegar ao novo país em um momento meio delicado: pico do inverno, com restrições da pandemia. Estamos bem conscientes dessas condições; assim, não vamos nos frustrar. E teremos uma vantagem: uns dias de férias antes de começar a trabalhar. Vou poder me adaptar um pouco ao país antes de pegar no batente. Em 2019, voei mais de 20 horas, cheguei quase meia-noite às Filipinas e fui para o trabalho no dia seguinte, com o pior jet-lag da vida.
O que temos feito, então, é planejar, com muita alegria, esses dias de férias. Vai ser ótimo!
A gente ia aproveitar que o voo para a Suíça faz conexão em Abu Dhabi para passar uns dias por lá, maaaas os números de infectados pela Covid, e as restrições, subiram demais nos últimos tempos. Então, resolvemos não arriscar ficarmos presos e/ou quarentenados pelo caminho e ir direto para as terras helvéticas.
Como não conhecemos o Oriente Médio, teria sido uma o p o r t u n i d a d e, uma das minhas palavras (e ideias) favoritas. No entanto, em tempos de pandemia não dá para dar chance ao azar.
Confesso que pesou na decisão um resfriado violento, desses que derrubam por vários dias, que o Leo pegou, e eu logo depois. No ano passado, passamos o Natal sozinhos, mas este ano, estando todos os adultos vacinados e a situação em Manila, boa, decidimos celebrar com alguns amigos. Não deu outra: na segunda-feira o Leo já estava espirrando e tossindo e eu, depois de muito gabar minha imunidade, fiquei de molho a partir da quinta.
O PCR deu negativo, ainda bem. Mas o episódio serviu para nos lembrar como doenças respiratórias se propagam com facilidade. Basta um descuido e já era. Então, não é dessa vez que vamos visitar uma exposição mundial, suspiro.
Por outro lado, nossa vida foi facilitada. Não temos mais de colocar roupas para calor nas malas. Na Suíça vai estar muito é frio.
Costumo viajar com pouca bagagem, mas dessa vez vou ter de levar trajes de trabalho que durem até a mudança chegar, dois ou três meses depois. Ou seja, não vai rolar só a malinha de bordo.
Tem sempre aquela solução, vestir um monte de roupa de frio e "levar no corpo". Pena que Manila, com seus mais de 30 graus de média de temperatura, não colabore com esse plano.
Decolamos em Barcelona e, 22 horas e 32 minutos depois, estávamos em casa. Agora vão ser 10 dias de quarentena, e eu volto a trabalhar - a distância - amanhã mesmo.
Foi ótimo. Encontramos amigos, andamos a pé loucamente (em torno de 20 mil passos por dia, o que para mim são mais de 13 km), bebemos e comemos como se não houvesse amanhã. Continuo tendo como missão pessoal experimentar todo caramel salé que me apareça pela frente (original e derivados). E pegamos dias lindos de outono, ensolarados e frescos. Sem falar das belas folhas amarelas - e às vezes vermelhas - da vegetação.
Sempre volto de viagens animada, cheia de energia e entusiasmo. Eu me esqueço de como tirar férias e mudar de ares faz bem.
Dessa vez a animação é dobrada, porque podemos começar os preparativos para a próxima mudança. Europa, nos aguarde!
Já contei que eu fui aquela pessoa que, na hora de fazer o check-in em qualquer voo, arrumava o cabelo, passava batom e sorria brilhantemente, né? Certa de que, em algum momento, ia aparecer a oportunidade de um upgrade grátis para uma classe superior.
Nunca funcionou.
O sonho de escapar da classe econômica foi realizado por amigos; pela irmã mais nova, várias vezes; pelo Leo (!), a única vez em que ele viajou sem mim. Conclusão: eu é que estava atrapalhando as pessoas.
Eis que, depois de decidirmos que a Espanha seria o destino das férias, o Leo descobriu que o preço da passagem na executiva da Emirates Airlines era 30% mais cara do que na econômica, e não o dobro ou o triplo, como costuma ser.
É claro que retorci as mãos e rangi os dentes, mas o Leo me convenceu com o argumento de que, de Manila a Barcelona, são dois voos longos, um de 8 horas e meia e outro de quase 8. Se alguma viagem merecia o upgrade, era essa.
E lá nos fomos.
O que posso dizer é que a classe executiva dá:
- comida e bebida. No lounge antes de embarcar, depois que você entra no avião, durante todo o voo, no lounge na conexão, no voo seguinte.
- espaço: dá para esticar as pernas, os braços, o corpo todo. É a melhor parte. A comida é um bônus (e bem-vindo), mas com o espaço eu não me importaria de levar meu próprio piquenique.
Não deu para dormir, mesmo com a poltrona estendida quase 180 graus. Mas chegamos ao destino muito mais descansados do que o habitual.
O diabo é que agora vou sofrer muito mais quando viajar de econômica.
* * *
A executiva da Emirates também dá, no voo noturno, uma linda nécèssaire com creminhos e perfuminhos. Não tinha o modelo de moça no nosso voo, então ganhei um de moço mesmo.
Os cheiros são deliciosos. Estou usando e não quero nem saber.
Comecei a ter labirintite aos trinta e poucos anos, quando morava no interior de Minas. Ela sempre dava as caras alguns dias antes de viagens longas. O otorrino até já sabia.
Depois de sessões de fisioterapia vestibular, passei um bom tempo sem ela. Mas de uns anos pra cá ela resolveu reaparecer. Verdade que são episódios leves, e eu nem me preocupo: tomo uns Vertizines, Dramin se estou enjoada, ando com o pescoço esticado por uns dias (não pode balançar a cabeça, senão tudo roda!) e pronto.
O diabo é que vou viajar amanhã à noite, e minha receita infalível para dormir no avião é o vinho no jantar + remedinho contra enjoo. Em crise de labirintite, álcool não é recomendado, justamente porque prejudica o equilíbrio.
O jeito é tomar o Vertizine com um golinho de bebida, né?
* * *
As malas estão quase prontas há uns dias. Embarcamos amanhã.
Vamos com uma mala de mão e uma mochila pra cada um. Somos craques em bagagem reduzida e em alugar apartamentos com máquina de lavar.
Sim, eu já fui daquelas que levavam várias roupas e sapatos em viagem pra ficar bonitinha nas fotos. Hoje levo muito menos e acho que continuo bonitinha nas fotos. Se bobear, até mais: as (poucas) roupas combinam entre si e nunca estou de cara feita por causa de sapato machucador. Sem falar que é fácil se arrumar: duas calças (uma no corpo!), um vestido, umas blusinhas, uns suéteres. Um casaco só. E dois pares de tênis muito bons para caminhar (sendo que um vai nos pés).
Um deles é um All Star genérico maravilhoso. Já tive um All Star legítimo que era um inferno: troquei o tamanho, botei palmilha de silicone, nada resolveu. Usei pouquíssimo e acabei doando. O atual foi barato e é superconfortável, principalmente depois que lasquei um palmilha de tênis dentro dele.
* * *
Estou emocionada com a perspectiva de viajar. Até a parte de pegar um voo longo, trocar de avião e pegar outro voão me deixa animada.
Espero que dê tudo certo, que não nos barrem em algum lugar, que as malas cheguem direitinho etc. etc.
Estou realizada como pessoa: ontem compramos passagens e, depois de mais de 600 dias em solo filipino, vamos passar as férias (de 2020!) na Espanha.
Não foi fácil bater o martelo. Primeiro porque, obviamente, faz muito mais sentido viajar pela Ásia. Só que ninguém está nos aceitando por aqui. Segundo porque não só muitos países, mesmo fora da Ásia, têm limitações de entrada, como as próprias Filipinas, que têm uma lista vermelha de lugares de onde ela não recebe ninguém. Detalhe: a lista é flexível e dinâmica e os países mudam a cada semana.
Como a Espanha não está na lista vermelha, e os números da Covid estão muito bons por lá, são grandes as chances de continuar assim. Oremos.
Óbvio que continuaremos com as precauções de praxe contra o corona. Maiores de idade, vacinados e cuidadosos.
* * *
O que a gente quer mesmo é andar na rua sem rumo em cidades bonitinhas, sem buzina de motoca, nem tráfego pesado, barulho de construção, poluição constante, umidade altíssima e calor acima dos 35º. O resto é lucro.
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Só sei que estamos contentíssimos pesquisando cidades, montando roteiros, escolhendo passagens de trem, separando as malas e tirando as roupas de viagem do armário. Olé!