Mostrando postagens com marcador decoração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador decoração. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Luxo e sedução

Aqui em Manila está rolando toda uma opulência. O mais importante na moradia era a proximidade do trabalho, e no fim das contas alugamos um apê grande e chique a 300 metros do escritório. Eu queria um lugarzinho menor, mas 1) só tinha muito menor -  ou maior ainda; e 2) happy spouse, happy house. O Leo gostou desse, e como a manutenção da casa é com ele, batemos o martelo.

O lado bom é que o apartamento é novinho (somos os primeiros moradores) e veio todo mobiliado, com cortinas e lustres e máquina de lavar. O lado ruim é que são muitos metros quadrados para limpar, mas se o Leo não está reclamando, quem sou eu para fazê-lo.

O diabo é que as poucas coisinhas que trouxemos, como escorredor de prato, porta-detergente e lixeira, ficaram feias e pequenas diante de tanto esplendor. Aí toca a ir ao shopping para adquirir novos e bonitos, o que foi bastante frustrante no começo, porque eu não queria gastar muito (ou nada, ponto).

Com o tempo, fui me convencendo que podia abrir um pouco a mão, inclusive porque objetos de melhor qualidade vão durar mais tempo. Mas, mesmo assim, tinha horas que eu batia o pé: todos os acessórios de pia que a gente via eram caríssimos, então enrolei até acharmos lindas latinhas, que cumprem muito bem a função por um décimo do preço. E o Leo ficou encantado com as lojas de decoração e queria objetos para preencher as muitas estantes, mas consegui convencê-lo a fazer isso com porta-retratos e lembrancinhas de viagem que a gente já tinha (sim, eu me livrei de muitos souvenirs, mas alguns ninguém quis comprar na garage sale, e como eram pequetitos guardei).

A última aquisição foi um belo conjunto de panelas (Tramontina!). Valeu a pena, porque o Leo tem cozinhado assiduamente: estrogonofe, macarrão à bolonhesa, porquinho com molho de mostarda e mel. E sanduíches maravilhosos.

Confesso que ainda estou me adaptando à nova realidade. Acho que tenho uma tendência católica a achar bonito me privar das coisas (e uma tendência particular a adorar juntar dinheiro). Mas o Leo tem me convencido que gastar (moderadamente, é claro) em conforto é um bom uso de recursos.

Em conforto e em comida, claro.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Vida nova, parte II

Hoje eram cinco da tarde e eu já tinha trabalhado, ido à academia, tomado banho e feito umas mudanças em casa: troquei roupa de cama e capas de almofadas e mudei a mesa de lugar para fazer refeições olhando a árvore que tem do lado de fora da janela.

Acho que a animação é resultado do expediente reduzido, dos exercícios físicos e do fato que tenho tentado evitar chegar em casa e grudar no computador (porque aí o tempo passa, o dia acaba e tenho a impressão não fiz nada de útil).

Em relação à decoração, meu apartamento é bem sóbrio. Já veio com as paredes pintadas de cinza (um mais claro, outro mais escuro); nossos móveis são pretos ou brancos. Até a bicicleta ergométrica, que de vez em quando aparece na sala, obedece a esse esquema tonal.

Eu gosto, e acho relaxante: é um ambiente bem limpo, beirando o minimalista. Só que de uns tempos para cá estou sentindo falta de cor.

Não que eu vá pendurar um Ronaldo Fraga na parede. Mas acho que umas almofadas mais coloridas, uma toalha menos escura, uma caneca um pouco diferente vão deixar a sala mais alegre e meus dias mais leves.

Minha louça é branca, minhas canecas (de chá, não de café, que ninguém toma aqui em casa) são pretas. Fica lindo em cima da minha toalha preta com desenhos geométricos em cinza. Mas, como eu disse, uma hora tanta sobriedade deixou de ser estimulante e passou a ser entendiante.

Aí andei pelo casa botando cor onde era fácil; coloquei a mesa paralela à janela para ver o verde; e até abri a mão - comprei uma caneca nova. Ela é azul-turquesa por fora e amarelo-limão por dentro. Como tomo chá o dia todo, a impressão que eu tenho é que estou bebendo cores.

Ah, e desenterrei o diário da gratidão.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A consumidora infeliz

Além de pão-dura, eu sou uma pessoa, digamos, exigente. Isso significa que minhas aquisições materiais, além de me fazem tirar dinheiro do bolso, o que nunca é motivo de alegria, correm o grande risco de não estar à altura das minhas expectativas. Antes que me acusem de má-vontade, deixem-me relatar alguns episódios:

Evidência número 1: as cortinas da discórdia.
As janelas da sala cobrem uma parede toda. Resultado: uma vista linda de árvores e verdes, mas um sol inclemente que bate sem dó de 6 da manhã até as 2 da tarde. Solução: uma cortina cara, de qualidade, de uma loja igualmente cara (mas de qualidade duvidosa, como me dei conta depois). 

Encomendei bonitos bandôs enroláveis. O vendedor garantiu que eles resolveriam meu problema. Resolveram? Que nada. Deixavam praticamente toda a claridade entrar. Depois de longas negociações com a loja, instalaram uma segundo cortina na frente, essa em blackout (não de graça: a preço de custo). Resolvido? Que nada. A segunda cortina veio toda amassada e com a bainha enrugada. Outras longas negociações se seguiram. No fim, confesso que fui vencida pelo cansaço e fiquei com essa cortina mesmo. (Perceba, Ivair, a enrolância do cavalo: eles mataram dois funcionários, em duas ocasiões diferentes, como desculpa para não vir nos horários marcados.) 

Evidência número 2: as telinhas do rancor.
Moramos no meio de árvores e verdes. O que é lindo, inclusive segundo vários tipos de bichos voadores. Para nos protegermos dos mesmos, instalamos duas telas nas grandes janelas do banheiro (e também foi caro. Tudo em Brasília é caro). 

A loja colocou as telas, percebeu que elas não ficariam perfeitamente encostadas nos cantos (nas janelas tem umas molduras de madeira que terminam uns dois dedos antes de começar o mármore) e sabe o que fizeram? Disseram pro Leo: "Tampa com Bombril". Sério, gente. Você paga 4 dígitos 3 dígitos em duas telas mosquiteiras e o povo te diz pra tampar com Bombril. Liguei lá, pedi para eles virem dar um jeito. Depois de umas quatro ligações, eles vieram, olharam, disseram que dariam um jeito. E nunca mais voltaram. Vencida pelo cansaço, desisti de reclamar. Pelo menos essa loja não matou ninguém. 

Evidência número 3: o cachecol da cizânia. 
Encantada com sua felposidade, comprei um cachecol de cor duvidosa. Tive então a brilhante ideia de mandar tingi-lo. Levei-o à uma lavanderia e perguntei se eles tingiam. Sim, disse a velhinha fofa que me atendeu. "Vou usar tinta sintética e vai ficar ótimo." 

Quando fui buscar o cachecol cor-de-burro quando foge, ele tinha virado marrom-escuro-quando-foge, e o burro tinha adquirido uma doença dermatológica, i.e., estava todo manchado. Apontei o fato para a velhinha fofa, que imediatamente prometeu comprar outra tinta, essa sim adequada ao material, e deixar o cachecol pretinho. 

Na semana seguinte, fui buscar o cachecol, que estava... exatamente igual. (Aparentemente, essa é uma tática largamente difundida no comércio local. O povo das cortinas da discórdia também fez isso: buscou as cortinas amassadas de bainha enrugada para consertar e passar e devolveu exatamente as mesmas cortinas, só que mais amassadas pelo transporte). 

Vencida pela exaustão (e pelo fato que o serviço custou apenas 20 reais), resolvi não brigar com a velhinha fofa, para evitar que ela matasse alguém da família. Fui para casa imaginando a maneira mais rápida de me livrar da abominação que o cachecol se tornou. 

Tem uma moral nessa história, mas no momento não estamos conseguindo encontrá-la. Vocês entendem: faleceu uma pessoa aqui do bairro e estamos todos muito abalados...

domingo, 8 de novembro de 2015

O encanto da beleza

Nos últimos anos, andei pensando muito sobre o que é importante e o que não é. Não só pensei como agi: me livrei de um monte de coisas, comportamentos e obrigações. E fui descobrindo o que fazia sentido pra mim e o que era só "o que todo mundo faz".

Durante um tempo, decretei que toda preocupação com beleza e conforto era pura futilidade. Depois repensei isso aí. Ainda que fútil fosse, nem só de utilidades práticas e de altos estudos é feita a vida. Parte da graça está no belo, no divertido e no inútil.

Dito isso, ainda acho que, quando as decisões são refletidas e conscientes, vivemos de maneira mais autêntica e feliz. No meu caso, depois de um período de total desapego, o pêndulo, que tinha ido lá para o outro lado, voltou e ficou mais próximo ao meio. Hoje, percebo que me importo sim com a beleza do ambiente em que vivo e das roupas que eu visto.

Mas meu gosto e minhas prioridades mudaram. Quero ter coisas poucas, bonitas e de qualidade. Que durem muito e que não deem trabalho para manter. Que combinem comigo e com a vida que eu levo.

Nem sei se posso dizer que me interesso por decoração e moda - porque, no fim das contas, essas palavras acabam sendo sinônimos de tendências e novidades. Hoje eu sei do que preciso e do que gosto - e não é de montes de objetos empilhados, nem da última cor do batom.

A beleza está em muitos lugares. Não necessariamente nos lançamentos.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O antes e depois da sala

O apê já tinha móveis, mas eles eram pequenos e desconfortáveis. Então decidimos comprar outros, do jeito que a gente queria.

(O que reafirmou a sabedoria de ter vendido tudo antes de viajar. Sabe os móveis que a gente tinha? Eles simplesmente não caberiam neste apartamento.)

Como agora somos donos-de-casa experientes (e passamos por muitas casas nos últimos tempos), acho que fizemos boas escolhas. O sofá, por exemplo: não quisemos nem clarinho (que suja), nem escuro (que desbota). Fechamos no cinza médio. O tecido? Suede está na moda e é uma delícia, mas também é quente - e eu traumatizei depois de derrubar torta de limão no sofá novinho do apartamento que alugamos em Paris (passei dias esfregando vodka na camurça). Então fomos de linhão.

Mesa: já tive tampo de vidro e não quero ter nunca mais. É lindo, moderno e visualmente leve, maaas suja só de olhar (ok, só de tocar). Quisemos uma mesa de madeira. E as cadeiras pretas, revestidas de um tal de couríssimo, são moleza de limpar (e são da mesma cor da mesa, mas a textura é diferente, o que eu acho bacana).

O Leo teve a ótima ideia de comprar um buffet em vez de um rack. Ele esconde os fios da tevê, do telefone e da internet, tem lugar para guardar umas taças e travessas e, mais importante, não tem partes abertas para a poeira vermelha de Brasília se instalar.

Mas melhor que falar é mostrar, né?



O interessante é que os móveis que temos agora são, bem, mais modernos e confortáveis do que os que a gente tinha - aqueles que compramos quando nos casamos e vendemos em 2012. Eles eram bonitos mas, como foram adquiridos lááá em 2004, hoje estariam um pouco desatualizados.

O que não quer dizer que eu incentive as pessoas a saírem por aí trocando os móveis. É só pra falar que, às vezes, quando a gente abre mão de alguma coisa, pode ser que surja algo ainda melhor no futuro.

* * *

Todos os móveis da sala foram comprados pela metade do preço no OLX. Deu um trabalhinho, mas eu curti. Gostei de visitar blogs de decoração (principalmente os de gente-como-a-gente, os de faça-você-mesmo e os morando-em-lugares-pequenos), pensar nas cores e pedir dicas para a amiga arquiteta. E fiquei muito feliz toda vez que uma coisa nova chegava. Isto é, foram semanas de alegria.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Decoração para pessoas introvertidas

Uma das diferenças entre introvertidos e extrovertidos é que os primeiros preferem um nível de estímulo menor (bar lotado com música altíssima? É o horror). Então, faz sentido que a gente goste de viver em lugares visualmente limpos, com cores relaxantes e poucos detalhes.



Sempre apreciei o estilo nórdico de decoração (muito branco, muita luz, madeira clara, linhas simples), mas foi a pouco tempo que descobri que os escandinavos são um povo introvertido. Pronto, tá explicado! É por isso que eu me sinto tão confortável nesses ambientes (e porque eu gosto tanto dos móveis da Ikea).


É engraçado como o autoconhecimento pode se refletir em muitas coisas - inclusive no jeito em que a gente mora. Eu acho bonito quartos coloridos e enfeitados, mas eles começam me cansar depois de um tempo. E eu não entendia isso direito - até agora.

Talvez uma das razões pelas quais eu tenha abraçado o minimalismo com tanto entusiasmo seja isso: para uma pessoa introvertida, "menos" (menos coisas, menos estímulos) realmente é mais.

(Fotos daqui.)