terça-feira, 18 de agosto de 2026

De um cantão pra Cantão

Mais especificamente, do cantão de Zurique à cidade chinesa de Cantão. Dois lugares muito diferentes e, ainda assim, foi a remoção mais tranquila que já vivi. Chame de sorte ou de experiência - provavelmente os dois -, só sei que está tudo dando certo e estou em plena lua-de-mel. 

Os colegas foram gentilíssimos, oferecendo apoio, ajuda e informação. O Leo pesquisou muito e veio todo preparado para lidar com as limitações da internet, as formas de pagamento e o acesso bancário. Reservamos um apart-hotel online para ficarmos nos primeiros tempos e semana que vem já nos mudamos para o definitivo. Estou e vou continuar pertíssimo do trabalho - gasto menos de 10 minutos da porta de casa até estar sentada na frente do computador, e isso quando o elevador demora. 

Cantão é quente, é muito quente, é quentíssimo. E úmido. É tão úmido que o suor não evapora e parece que tem uma camada de cola em cima da pele. E à noite a temperatura não cai. 

A boa notícia é que chegamos bem no pico do calor. A partir do meio de outubro melhora bastante, e tem até um inverninho, de dezembro a janeiro, em que o termômetro desce para menos de 10º C. 

Ó só

A segunda boa notícia é que tem ar-condicionado em casa, no trabalho, no metrô e em todo ambiente fechado. O apartamento é ligado a um complexo de shoppings no qual dá para andar quilômetros, literalmente, sem pegar o sol escaldante ou a chuva torrencial. 

A terceira boa notícia é que dá para pedir tudo, ou quase tudo, por aplicativo. A encomenda chega no prédio e um robô vem ao apartamento entregar! 



Sim, é bem fácil se acostumar com essa vida boa. 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

No meio do caminho

Na correria desde o meio de maio, quando voltei para a Suíça do Brasil. A gente já tinha adiantado muitas providências da mudança para a China, mas tem muita atividade que só dá para fazer à medida que a data final vem chegando: finalizar contratos, fechar a conta do banco, terminar projetos no trabalho, doar o que não vai nem fica para o amigo que nos substituiu, limpar o apartamento, embalar a mudança e se despedir de Zurique. 

Completamos 4 anos, 5 meses e 19 dias na maior cidade pequena do mundo. Gostei? Gostei. Já deu? Já deu. O Leo vai sentir mais falta, porque ele é completamente apaixonado pela tranquilidade, a beleza, a organização e o transporte férreo do país. Já eu acho que fiz o que fui fazer (morar na Europa, viajar muito, tomar vinho, aprender toda uma área nova no serviço) e estou pronta para partir para um lugar mais quente e mais animado. 

Tenho uns dias entre a saída de um posto e a chegada a outro. Em 2019, para ir do Brasil para as Filipinas, tive a brilhante a ideia de passar esses dias no Canadá. O passeio foi bom, mas a diferença de fuso horário entre os dois países é de 13 horas (!). Cheguei a Manila tarde da noite para trabalhar no dia seguinte. O jet lag (mais a mudança de país e de vida) me pegou demais: fiquei dias quase sem dormir e sem comer, tive uma bruta crise de ansiedade e fui parar no médico (enquanto fingia no trabalho que estava tudo bem). Não recomendo. 

Dessa vez, o Leo sugeriu que a gente passasse o intervalo em um destino próximo a Guangzhou e fosse se acostumando com o fuso, o calor e a comida, sem objetivo de conhecer nada, só relaxando e descansando. Batemos o martelo em Kuala Lumpur, na Malásia, o primeiro lugar que conhecemos no sudeste asiático, lá em 2013. 

Está sendo bom demais: o Leo encontrou um apartamento bacana, com acesso a piscina, perto das Petronas Towers, um dos cartões-postais da cidade. Minhas únicas obrigações são comer quando estou com fome e dormir quando estou com sono, além de acompanhar a Copa do Mundo pelas mídias sociais, o que tem sido divertidíssimo. Na rua é muito quente e muito úmido, mas quase todos os ambientes têm ar-condicionado e estamos concentrando nossos passeios no começo na manhã e a partir da noite. Já fomos ao cinema duas vezes (ver As ovelhas detetives e O dia da revelação) e a vários restaurantes, que são muito baratos se comparados à Suíça e onde nem piscam o olho se peço para embalarem o que não dei conta de consumir.

Estou animadíssima para começar vida nova da China, mas não me importaria se esse período de descanso durasse um pouco mais. 

Tipo um mês. 


Eu e as torres gêmeas de 450 m.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

50tão!

Cinquentei em alto estilo no Brasil semana passada. Meus pais me deram uma festa linda, a irmã mais velha montou os arranjos de flor, a irmã mais nova organizou a lista de músicas e fomos felizes para sempre.

Decoração em vermelho porque vermelho é a cor da China! (E do amorrrr) 

Conforme prometido (ou ameaçado), segue a lista de algumas observações que fiz neste último meio século:

- "Conhece-te a si mesmo" é o segredo da vida. O diabo é que às vezes a gente só se conhece por tentativa e erro.

- Dito isso, o "eu" não só se descobre como se constrói. 

- Fui e sou privilegiada em muitos níveis. Tento não me esquecer disso.

- O que é um déficit/problema em um momento da vida pode se revelar um trunfo em outro momento. 

- Ter escolhas é tudo. O que parece privação ou dificuldade para as outras pessoas é leve (e positivo) se for minha opção. Vide "minimalismo". Vide "vida sem carro". 

- Às vezes não é competência e não é esforço. É sorte mesmo. 

- Tendo a ser egoísta e só pensar no meu umbigo. Por um lado, sou autossuficiente e não encho o saco dos outros. Por outro, o que é viver se não for em comum?

- Um pouco de vista cansada/miopia é bom (o mundo fica mais bonito). Um pouco mais de vista cansada/miopia não é bom. Uma hora é necessário ceder aos óculos.

- A segunda mamografia é menos traumática que a primeira. Tomar um paracetamol 1 hora antes ajuda.

- Quando fiz 40 anos, avaliei que estava na metade da vida e se eu morresse aos 80 estava bom. Com 50, ficam faltando só 30. Tô achando pouco. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

"Do alto dessas pirâmides,

quarenta séculos vos contemplam", disse Napoleão a seus soldados em 1798. O general francês não conseguiu conquistar o Egito, mas a aventura militar rendeu obras como esta: 

 Óleo sobre tela, Jean-Léon Gérôme, 1886

Também não consegui conquistar o Egito. Muito antes pelo contrário: saí totalmente conquistada pela beleza, tamanho e antiguidade dos monumentos. Foi uma viagem sensacional, que recomendo fortemente. Decidi que vai ser "a" viagem dos meus cinquenta anos, porque vai ser difícil encontrar outro destino tão impactante. 

Desenterraram a Esfinge

* * * 

Uma amiga conheceu o Egito em excursão: amou. Outro foi por conta própria: detestou. Nós também fizemos tudo sozinhos, e confesso que o assédio aos turistas é intenso e constante. Entendo que faz parte, que o viajante que está passeando tem mais grana que o local, mas nunca fui a um lugar onde o povo (99% homens) fosse tão insistente.    

Minha recomendação: chegar ao Cairo, ficar em um hotel próximo às pirâmides (que agora estão organizadíssimas, com uma bela entrada e mini-ônibus incluído no ingresso circulando o tempo todo), passar um dia nas pirâmides, passar outro dia no GEM (o Grande Museu Egípcio) e pegar um barco para descer o Nilo até Luxor (não fizemos porque as datas não batiam, mas todo mundo gosta). Em Luxor, visitar o Vale dos Reis e os belíssimos templos. Dá uns 8-10 dias memoráveis.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A hora da mudança

Estou começando aquela fase que muitos colegas detestam, mas eu adoro: a mudança e seus preparativos.

É hora de abrir os armários e gavetas e começar a selecionar o que vai e o que fica. Ainda faltam meses para a partida e vamos receber umas quatro visitas até lá, mas nada melhor do que fazer as coisas com antecedência e calma. 

Tem dois aspectos positivos nessa mudança: 1) talvez um amigo receba o apartamento e 2) estamos planejando ficar em um apart-hotel em Cantão. 

O número 1 é fácil entender: ele está interessado em vários móveis e eletrodomésticos, o que vai facilitar a vida, pois não é moleza se livrar de objetos na Suíça. Se tudo der certo, poderemos deixar para trás lâmpadas, produtos de limpeza, aparelhos com tomada suíça s e itens que geralmente a empresa de mudança se recusa a levar, como o robô-aspirador (por causa da bateria de lítio) e garrafas de bebida, mesmo fechadas. 

O 2 é mais complexo: apart-hoteis são mobiliados, mas depois da temporada na China é obrigatório voltar para o Brasil e passar pelo menos um ano (que acabam sendo quase dois, por questões práticas). Vamos alugar um apartamento e é bom já ter o básico dos móveis, né? Então estou pensando em levar uma cama, o sofá da sala, cadeiras (a mesa não, porque é muito comprida). Vão ficar para trás a cama do quarto de hóspedes, o sofá-cama, a ilha da cozinha... isto é, meu amigo vai poder chegar e morar. Todos ficam felizes. 

O Leo é muito desapegado e por ele gente partia só com roupas e documentos. Mas eu tento equilibrar o minimalismo com um dos meus lemas, "quem guarda tem", e manter o que vamos precisar em um futuro mais ou menos próximo. 

Vai ter mundo até lá? Não sei. Mas, se tiver, estarei recostada em meu belo sofá de couro laranja. 

Não é bonitão?

Cadeiras SEM tecido para manchar ou descascar!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Bora, time! OU Nihao, Império do Meio

Na madrugada da viagem para Egito e Jordânia (acabei de chegar!) saiu o resultado da remoção: tô indo pra China! Especificamente, para Guangzhou, conhecida no Brasil como Cantão. 

Eu e o Leo estamos animadíssimos. O bordão aqui em casa é "A China é o futuro!" *. O Leo me mostra vídeos sensacionais e eu comecei a ler sobre cultura e história. Ambiciono aprender mandarim? Ambiciono aprender mandarim. Mas, depois da malsucedida aventura com o alemão, vou me contentar em saber ler os sinogramas mais comuns e usar o tradutor do celular para resolver a vida. 

* Em 2019, eu ia trabalhar em Moscou. Houve uma reviravolta e o destino acabou sendo Manila. Quando contei pro colega de seção, ele disse: "Mas isso é ótimo! A Ásia é o futuro!". Ele estava certo. 

Foto noturna de Cantão (www.bne.com.au)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Suicismos bancários

Nos filmes, a pessoa entra em um banco suíço com uma mala de dinheiro, vai com o gerente para a sala dos cofres, recebe um número de conta e uma chave e adeus. Para tirar a grana, basta saber o número do cofre e ter a chave. 

Depois de muita briga e acordos internacionais sobre lavagem de divisas, o cenário mudou. Agora abrir uma conta na Suíça é muito mais complicado. Depois de encontrar o gerente e entregar uma grande quantidade de documentos e promessas de não se envolver em tráfico de pessoas e/ou de drogas, você recebe um e-mail do banco dizendo que está enviando o contrato. 

Você responde: "seu gerente, o senhor esqueceu de anexar ao e-mail o arquivo do contrato". Ele diz: "Nãããão, o contrato vai pelo correio. Você assina e devolve... também pelo correio". A conta? Demora mais uns 10 dias para ser aberta. 

Outro interessante aspecto do sistema bancário é a instituição cartão de crédito suíço. O gerente pergunta se você quer. Você responde: "Sim". O gerente: "Com que limite?" Você: "5 mil francos?". O gerente: "Então você vai depositar 5 mil francos nessa conta especial". Você: "Mas isso é CONTRÁRIO de um cartão de crédito". O gerente: "É pegar ou largar". 

Você: "À medida que vou gastando dinheiro no cartão, esse dinheiro na conta é usado para pagar a conta, certo?". Gerente: "Nããão, você tem de pagar a conta mensal do cartão com OUTRO dinheiro". 

E aí chega o momento que você sabe que vai se mudar da Suíça para outro país e decide transferir metade do dinheiro da conta especial do cartão de crédito para conta corrente (para não ter de trazer mais dinheiros de fora e pagar variadas taxas). 

Você manda um e-mail para seu gerente. Ele não responde. Você manda outro e-mail para seu gerente. Ele também não responde. Você desconfia que ele foi despedido e ninguém te avisou. Você pede pelo aplicativo. O banco diz que faz, sim, mas vai custar 20 francos. Você diz pra irem em frente. Nada ocore feijoada. Você manda outra mensagem. Respondem que a DIMINUIÇÃO do seu limite de crédito no cartão tem de ser analisada pela equipe financeira, e que em 10 dias vão te dar uma resposta. 

15 dias depois, não te deram uma resposta. Você vai à sua agência - em horário comercial. Não tem ninguém na sua agência. Não tem sequer um botão pelo qual você possa pedir a presença de alguém na sua agência. 

Você fuça no aplicativo e descobre que seu setor de atendimento fica em Berna. Você imagina que o setor de atendimento dos clientes de Berna fique em Zurique (o que parece ser uma bela estratégia anti-barracos na porta da agência. Embora não haja ninguém na agência para testemunhar o barraco).  

Mas seu setor de atendimento em Berna tem um número de telefone. Você liga e é atendida por um suíço educadíssimo. Ele te informa que seu limite de cartão de crédito já foi reduzido. Você diz: "Ok, mas onde estão os 3 mil francos que saíram da conta do cartão de crédito? Vão cair na minha conta corrente?". Ele: "Nããão, eles foram bloqueados. Vão ser usados caso você não pague sua conta do cartão de crédito". 

Você (engasgando): "Mas o dinheiro da conta do cartão de crédito já serve pra isso". O suíço educadíssimo (caindo em si): "Vou investigar". Você fica ouvindo uma musiquinha de elevador durante dez minutos até ele retornar. Ele diz: "Liguei para o setor do cartão de crédito. Ninguém sabe o que aconteceu. Vou mandar um e-mail para eles explicando o caso. A senhora deve receber uma resposta em poucos dias". 

Você: "E se eu não receber? Esse atendimento tem um código de identificação que eu possa anotar?". Ele: "Nããão. Mas se a senhora não receber uma resposta, pode ligar de novo para este número. NO FIM DA SEMANA QUE VEM". 

Guarde seu dinheiro na Suíça, eles diziam. A Suíça é segura, eles diziam. E é mesmo. Ninguém põe a mão no seu dinheiro. 

Nem você. 

Os coloridos francos suíços. Observe que o design desse lado é vertical
- porque a gente conta dinheiro com as notas em pé. 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Suicismos

Curiosos hábitos das terras helvéticas:

- cada saco de lixo doméstico de 35 l custa 2,20 francos suíços (13,30 reais). Tem pouquíssimas lixeiras públicas. Então...

- ...todos os objetos que são vagamente reutilizáveis são colocados em murinhos na rua para quem quiser levar. Já catei muita coisa interessante: uma luminária, duas garrafas de vinho (uma maravilhosa, a outro em estado vinagre), uma oncinha de madeira. A última foi uma latinha em formato de árvore de Natal. 

- no transporte público, não há roletas ou máquinas para validar o bilhete. De vez em quando pintam fiscais. Nunca vi ninguém ser pego sem passagem, exceto um jovem - suíço - em um ônibus (o fiscal pediu uma identidade dele para emitir a multa de 100 francos e ele sacou o passaporte vermelho).

- falando em passaporte: a Suíça emite passaportes para bebês com validade de 5 anos. A criança está quase entrando na faculdade e circula por aí com um documento com foto de recém-nascido.

- até bem pouco tempo, a mulher que se casava na Suíça obrigatoriamente perdia seu(s) sobrenome(s) e tinha que adotar o sobrenome do marido (eles só usam um). Os filhos recebiam o sobrenome do marido e ponto. Agora ela pode manter o sobrenome dela e o marido pode adotar esse sobrenome também, mas somar os dois não pode.  

- as geladeiras e congeladores são minúsculos, porque o suíço gosta de fazer compras com frequência e se alimentar de produtos frescos. Só que...

- ... tudo fecha no fim da tarde. Supermercados fecham no fim-de-semana (exceto na estação de trem e no aeroporto) e nos feriados. 

- o suíço ama fazer trilha, subir montanha, andar de bicicleta. Não tem tempo ruim: pode estar chovendo ou nevando, vai ter um suíço correndo ou levando as crianças (com suas pequenas galochas e seus mini-chapéus de chuva) para passear na floresta.

- cães são educados para não incomodarem e não interagirem. Aí de quem quiser passar a mão num doguinho: ele não vai dar bola e o dono vai fazer cara feia. Já gatos costumam ser amigáveis: como podem sair de casa e passear na rua (nunca vi uma janela/varanda com rede e há muitas escadinhas para felinos), não têm medo de humanos e gostam bem de uns carinhos. 

Levei a onça pro trabalho.

domingo, 30 de novembro de 2025

O ano acabô, gente

Incrível: segunda-feira já é dezembro. 2025 está no finzinho. Quem fez fez; quem não fez pode correr pra ver se ainda faz, mas por que deixar para amanhã o que você pode deixar pro ano que vem?

A palavra do ano foi "aceitação". Passei a aceitar mais que o mundo é assim, que as pessoas são assim, que muito está fora do meu controle (especialmente no trabalho) e é assim. Que eu sou assim. É um pouco Gabriela? ("Eu nasci assim/eu cresci assim/vou ser sempre assim.") Sim. Buscar, perseguir, ambicionar, correr atrás tem seu valor, mas uma hora dá, não dá? Até porque a vida muda a nossa vida com frequência, sem nem perguntar. Vem embutido no programa. Ainda mais no meu, que escolhi uma carreira...assim. 

A frase do ano foi  "Bora viajar?". Em janeiro fui para Brescia, na Itália, para fugir do escuro do inverno em Zurique, e para Atenas, encontrar irmã mais velha e família. Em março, à Málaga e a Madri, de onde saía o melhor voo para Belo Horizonte, onde a mesma irmã deu um festão de 50 anos. No fim de abril, Roma (de novo, de onde saía o melhor voo, dessa vez pra Xangai). A Etihad avacalhou as passagens e acabei passando o aniversário em Abu Dhabi em vez de com os amigos, mas foi legal (hotel com prainha e mais um país pra lista) e não atrapalhou em nada as duas semanas no Japão. Em maio, uns diazinhos com irmã mais velha e marido em Avignon, na França. Em julho, meu afilhado de 14 anos veio nos visitar e passou duas semanas aproveitando o verão na Suíça. Em setembro, o destino foi Rimini, na Itália, e em Amsterdã, para ver a Lu, a Lê e a Lari. Em outubro, um fim-de-semana na Eurodisney decorada para Halloween com a Fê, amiga que fez Disney College Program comigo lá em 2002, e uma semana em Londres, Cardiff e Winchester. 

A decepção literária do ano foi "Rose Field", do Philip Pullman. Phil é o autor da sensacional trilogia de fantasia "As Fronteiras do Universo" (His Dark Materials): A Bússola Dourada,  A Faca Sutil e a Luneta Âmbar. Pois bem, quase 20 anos depois ele decidiu escrever outra trilogia para complementar a primeira, com resultados no mínimo duvidosos. Ele publicou La Belle Sauvage em 2017, The Secret Commonwealth em 2019 e eu fiquei esperando impacientemente até 2025 para que ele lançasse The Rose Field, o último livro da sextologia, cuja função seria reabilitar magicamente os dois anteriores. Infelizmente, isso não aconteceu. The Rose Field é longo, chato, detalhista quando não precisa e, pior de tudo, avacalha os princípios da trilogia original (exatamente como Gladiator 2 fez com o primeiro Gladiador. Só que As Fronteiras do Universo me é muito mais querido que Gladiador, então eu senti muito mais). 

Em compensação, este ano fiz duas descobertas literárias: Tana French, que apesar do nome é irlandesa, e escreve policiais psicológicos interessantíssimos; e R. F. Kuang, escritora sino-americana jovem e produtiva (ela não tem nem 30 anos e já publicou seis livros, em diferentes estilos). Fico contentíssima com o fato de que elas ainda têm muitos anos de carreira pela frente. Da TF, sugiro começar com O Bosque da Memória (In the woods); da RFK, meu preferido é Babel - Uma História Arcana. 

Para 2025 terminar de verdade ainda temos dezembro pela frente, de fato. Mas vai passar voando: três semaninhas e estaremos quase no Natal. Aí emenda com o Ano-Novo... e já era.  

Suíça? Que nada. Shiragawa-go, a Suíça... do Japão

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

O saga do vestidinho florido

Eu tento ter só roupas confortáveis e (que eu ache) bonitas, mas mesmo assim tenho umas preferidas, e essas eu uso à exaustão. Durante anos. Até a roupa acabar. 

Pois bem, eu tinha um vestidinho florido que pretendia usar até acabar. Ele era amplo, longo, lindo, não amassava (porque já é amassado) e, o mais importante, tinha BOLSOS (nós mulheres somos muito privadas de bolsos, então quando a roupa vem com eles eu fico deslumbrada). 

No entanto, fui privada da intenção de usá-lo até acabar pelo destino. Um belo dia, voltando de viagem, coloquei o vestidinho florido na tampa de fora da mala, porque ele estava usado, e embarquei em um voo da EasyJet. Grande erro. O vestidinho florido desapareceu. 

Decidi reclamar com a EasyJet, o que é uma luta. É difícil encontrar os contatos, a plataforma de reclamações, acessar as respostas, tudo. Mas achei que valia a pena porque, na minha cabecinha iludida, a EasyJet ia pegar as gravações das áreas de bagagem, descobrir quem tinha surrupiado o vestidinho florido, exigir de volta e me entregar. 

Claro que isso não aconteceu. Depois de um longo processo de comprovação de propriedade do vestidinho florido (que incluiu fotos minhas usando o vestidinho florido e durante o qual tentei bravamente recuperar o recibo da compra no site filipino da Uniqlo, com zero sucesso, apesar da grande boa vontade deles, e tive que enviar para a EasyJet comprovantes de compras online, sendo que justamente o do vestidinho florido não tinha foto), a EasyJet não me entregou o vestidinho florido mas, farta da minha insistência, ofereceu um tanto de milhas ou vinte dólares. 

Enxuguei uma lágrima e aceitei os vinte dólares, porque as milhas oferecidas não poderiam ser usadas no site deles, mas apenas em compras telefônicas (?). E me lancei ao mar dos brechós digitais, porque o vestidinho florido era uma edição especial que a Uniqlo não vendia mais. 

Depois de muito buscar, achei, não da numeração certa. Pensei em comprar mesmo assim e reformar, mas decidi confiar que uma hora o vestidinho floral do meu tamanho ia surgir no mar de brechós digitais. 

E, um ano e meio depois, quando eu estava limpando uns links pouco usados e fiz uma última busca, ele apareceu!!!

Em um site britânico, que não faz entregas na Suíça, mas quem tem amigo não morre pagão: uma colega que mora em Londres vai receber pra mim, uma hora a gente vai se visitar, e o vestidinho florido voltará para minhas mãos sequiosas. 

E querem saber mais? A compra + entrega custou... vinte dólares. 

Bolsos! Bolsos!

sábado, 8 de novembro de 2025

São muitas (r)emoções

Aêêê! Estamos de volta àquele emocionante período que define de que maneira minha vida vai mudar. Porque minha vida muda sempre, a cada punhado de anos (o que eu acho sensacional). O que está em minhas mãos, na medida do possível, é qual será o próximo destino. 

O emocionante período é composto por vários etapas: inscrição no mecanismo de remoção, lista de vagas disponíveis, oferta de vagas, seleção de vagas, resultado do mecanismo. Isso dura dois meses. Depois é esperar a autorização para partir, e aí tenho 90 dias para puxar o carro. 

Desta vez muitas das datas não estão definidas. Mas uma, muito importante, está: 30 de junho de 2026 é o prazo final de partida. Provavelmente partirei nele, mesmo querendo ir embora antes, porque uma das peculiaridades do cantão de Zurique é que só se pode terminar um contrato de aluguel em três dias do ano: 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro. E tem de avisar o locador com três meses de antecedência. Como é impossível que a autorização para partir saia em dezembro, o jeito é ter paciência e se programar para junho mesmo. 

Em suma, toda essa conversa para dizer que siiim, estou partindo para um novo e emocionante país, mas só daqui a 8 meses. 

Que anticlímax. 

domingo, 2 de novembro de 2025

Kaos

O mundo está o caos. Me sinto no último baile da Ilha Fiscal, tomando champã enquanto o Império rui ao meu redor. Imagino museus do futuro, em que arqueólogos discutirão quem ocupou a maior extensão territorial no pré-apocalipse, os romanos ou o MacDonalds. Fui ver a Távola Redonda e descobri que o Henrique VIII (o das 6 esposas) mandou retocar a pintura em 1522 e pintar o rei Arthur... com sua própria cara. 

* * *

Jane Austen, uma dos meus escritores favoritos (sim, a concordância é essa), fez 250 anos este ano. O Leo planejou uma belíssima viagem outonal ao Reino Unido, com paradas em Londres, Cardiff (capital de Gales - país 73, ueba) e Chawton, onde Austen viveu de 1809 a 1817, seus anos mais produtivos, quando reescreveu três livros e criou outros três. A casa virou um museuzinho caprichado, e a entrada vale por um ano, o que quer dizer que já estou planejando um retorno. 

* * * 

Voltei a tomar o remedinho mágico (escitalopram) em julho do ano passado e estou muito bem. Não é que eu não fique brava ou chateada quando as coisas não dão certo, é que consigo colocar os problemas em seu devido lugar (que é "daqui a 50 anos vamos estar todos mortos mesmo. Talvez antes"). Agora é continuar a ser usuária constante desse milagre da farmacologia e torcer para ele não parar de funcionar de repente (acontece).

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Retrospectiva 2024 em tópicos aleatórios

Melhor gelato: pistache salgado (Atenas)

Pior gelato: bacon defumado (Lyon)

Ponto mais baixo: minha mãe teve um AVC (e ficou um mês no hospital)

Ponto mais alto: minha mãe não teve sequelas do AVC 

Idas ao Brasil: 2

Países novos visitados: 6

Datas festivas: minha mãe fez 80 anos (no CTI); o Leo fez 50 (em casa); meu casamento fez 20 (no Chipre)

Idiomas estudados: francês (28 horas de aula); alemão (2 horas de aula, que me fizeram desistir de vez)

Terapia: 14 sessões online

Custo da caixa de escitalopram: 32 francos suíços na Suíça, 16 euros na Itália, 5 euros na França

Melhor Pizza Hut: Luxemburgo (com vinho branco)

Pior Pizza Hut: Baku (com molho barbecue)

Melhor drinque: Alexander (Roma). Achava que nem faziam mais

Melhor jantar: restaurante georgiano em Yerevan (que é a capital da Armênia, então sim, é irônico)

Melhor trilha: Eichhörnliweg (Arosa). Os esquilos pegam nozes na mão da gente!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Hibernação 2024

Se no ano passado eu estava lépida e fagueira subindo montanha e fazendo trilha com o Leo até esta época do ano (cheguei a comprar uma calça de neve), este ano eu abracei meu lado urso e tenho voltado  do trabalho pronta para me enroscar em meus lençóis de flanela, agarrar no Kindle e mastigar uns doces. 

Está sendo maravilhoso. Lençóis de flanela: recomendo fortemente. No começo eles soltavam uma grande quantidade de flocos no pijama e no chão do quarto, mas depois de algumas lavagens eles pararam com isso (ainda bem, ou eles desapareceriam, porque não ia sobrar nada). Lençóis de flanela são muito macios, mas a melhor parte é que a cama não fica gelada na hora de deitar. 

(Comprei na Zara Home. Na Itália. Na promoção. Isto é, custou um terço do preço do que custaria aqui.)

A diferença em relação à Hibernação 2022 é que, há dois anos, eu dormia bem mais tempo do que o habitual. Dessa vez, estou dormindo as horas regulamentares (que são no mínimo 8, obviamente). 

Veremos se outono que vem volto à ativa (e aí a hibernação é ano sim, ano não) ou se ano passado foi a exceção à regra e nunca mais vai acontecer. 

Aprovadíssimo.

sábado, 2 de novembro de 2024

O remedinho mágico

Na internet é fácil encontrar um monte de gente que tomou antidepressivo e odiou: teve efeitos colaterais horríveis e perda total de emoções, sem falar nos casos em que simplesmente não fez efeito. 

Já eu me dou muito bem com o escitalopram. Não é que seja tudo uma maravilha: nas primeiras semanas, perco o sono, perco a fome e ainda acordo de boca seca. A ansiedade aumenta antes de diminuir. Mas, no período regulamentar, ele começa a fazer efeito e dá jeito na praga do combinado ansiedade e depressão. Sim, parece mágica. Terapia ajuda, exercício ajuda, mas pra mim o divisor de água é mesmo o antidepressivo. 

O diabo é que é um remédio caro e chato de comprar, porque precisa de prescrição médica. Então, quando estou me sentindo bem há vários meses e o médico fazedor de receitas ficou no último país em que morei,  as receitas que ele dá não são aceitas no país atual, e está difícil arrumar um novo médico no país atual, me dou alta por conta própria (não recomendo! Crianças, não tentem fazer isso em casa) e vou diminuindo a dose pouco a pouco, até parar. Claro que só faço isso porque já tive a experiência de retirar a medicação várias vezes com acompanhamento médico, do jeito que tem que ser. E sempre na esperança de que essa foi a última vez que precisei. 

Pois é, a esperança não tem se confirmado. Acho que tenho de me conformar com o fato de que tenho um transtorno crônico e ficar feliz de que existe um remedinho pra isso. 

terça-feira, 2 de julho de 2024

De repente 48

A última data que teve um peso maior na minha vida foram os 40 anos. É aquela coisa, "Vai fazer 40? Tá na hora de uma crise de meia-idade". Só que alguns dias (onze, para ser exata) depois do meu aniversário saiu o resultado do concurso, e eu passei. Aí esquece crise, esquece tudo, o importante é que eu vou morar fora do Brasil com emprego garantido. 

E entre a longa demora para a posse (mais de um ano), os primeiros dois anos do trabalho em Brasília, a primeira remoção (Manila), a pandemia, a segunda remoção (Zurique), o tempo voou. Estou sinceramente surpreendida com os 48. Mas já? 

No meu aniversário, em abril. Festival das Tulipas, Morges.

E mais, daqui a pouco serão 50. Vou começando a pensar em umas palavras de sabedoria para compartilhar quando eu chegar ao meio século.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Falsiane

Estamos em plena primavera, e:

- antes de ontem nevou;

- as temperaturas têm chegado perto de zero. 

Quer saber? A primavera é a pior época do ano. Ela PROMETE que o tempo vai melhorar e bota um monte de flores pra fora, mas na hora do vamovê chove e faz frio (até ligaram o aquecimento do prédio de novo). O que não seria tão ruim se não fosse depois de SEIS MESES de frião. 



Enfim, estou muito aborrecida com essa estação que finge que o tempo vai melhorar, mas é só falsidade e traição. 

Fica aqui registrado meu protesto. 

domingo, 10 de março de 2024

Pra lá de Marrakesh

Passamos a penúltima semana de fevereiro em Madri, com amigos que vieram do Brasil. Eles nos avisaram que iam dar um pulinho no Marrocos (3 dias em Marrakesh) e nós falamos: "Tamo junto!". 

Finalmente botei o pé no continente africano. Agora fica faltando só a Antártica (o Ártico é feito só de gelo, sem terra por baixo, então não entra na conta). 

Ficamos dentro da medina (a cidade antiga cercada por muralhas), em um riad (casa tradicional com pátio interno). Foi uma experiência intensa. Dentro da medina, as ruas são estreitas, cheias de gente, barulhentas, e volta meia passa uma motinho buzinando, sem qualquer consideração pelos pedestres. Ou pelas bicicletas. Ou pelos jumentinhos. 

As fotos do Leo ficaram lindas. Como sempre, fotos não capturam a poluição sonora, o calor e o desconforto. Em suma, foi um lugar ao qual adorei TER IDO, mas que não foi muito fácil enquanto eu estava lá. 

No dia anterior à partida, saímos da medina e fomos passear na cidade propriamente dita. Encontramos  ruas e calçadas largas, prédios mais modernos, lojas simpáticas e um Carrefour Gourmet de tirar o chapéu. 

O resultado é que percebi que estou dando bobeira. É tão fácil voltar aos países europeus que  conhecemos e gostamos que acabamos repetindo passeios em vez de expandir  nossos horizontes viajísticos. Pois bem, vamos fazer um esforço para desbravar novos destinos. 

(Botei Marrocos na lista de futuros postos? Botei Marrocos na lista de futuros postos. Sou facinha.)

Riad Dar El Masa

Todo um visual mil e uma noites

Praça Rahba Kedima

O minarete da mesquista Koutoubia


O Jardim Secreto, um oásis de tranquilidade no meio da medina


Os souks (mercados)...


.. e suas incontáveis lojinhas 


Madrassa (escola religiosa muçulmana) Ali Ben Youssef


Palácio Bahia

Marrakesh fora das muralhas

Um belo Carrefour

sábado, 10 de fevereiro de 2024

A aurora de dedos rosados

Em 2022, usamos as férias de fim de ano para ir visitar Noruega e Polônia, para incredulidade dos vizinhos de prédio que, na festinha de confraternização, nos contaram que estavam indo para o Caribe e a América do Sul. Embora a viagem tenha sido ótima (aurora boreal! pilhas de neve!), nos demos conta do erro de cálculo: se for para viajar no inverno, que seja para um lugar mais quente e ensolarado que a Suíça, e não para um onde o frio e o escuro sejam ainda piores. Em Zurique, as baixas temperaturas duram de outubro a março. Tem a sua graça, mas uma hora cansa. Aí você percebe como o clima no Brasil é maravilhoso, como a gente não valoriza etc. 

Assim sendo, em 2023 voamos para em Porto em dezembro e, agora, para a Grécia. As temperaturas estavam bem baixas (em Portugal, chegamos a pegar 0º C), mas o céu azul e os dias luminosos compensam tudo. 

O céu azul, os dias luminosos e a comida, claro. 

Começamos com três noites na ilha de Santorini. Essa é Oia, a cidadezinha mais famosa.

Depois partimos para a capital. Sim, o Partenon (templo da deusa Atenas,
que dá nome à cidade) está em processo de restauração. 

Mãozinha na água do Mediterrâneo em Flisvos, Atenas
* * * 

Quando criança, aprendi mitologia grega com a Enciclopédia Disney (volume 4, Grandes Aventuras e Mitologia. Na minha casa não tinha, mas na casa de uma tia em Ouro Preto tinha. Ela comprova belas coleções de livros e os três filhos não gostavam de ler. Pois bem, eu aproveitava muito as belas coleções de livros) e com Monteiro Lobato (o Minotauro e os Doze Trabalhos de Hércules. Também não tinha na minha casa, tinha na casa de um primo filho único a quem os pais davam tudo que o dinheiro podia comprar. Pelo menos esse primo não desgostava da leitura). 

Mais recentemente, li Circe, da Madeleine Miller, um releitura de vários mitos gregos da perspectiva da própria Circe, uma feiticeira imortal, e Stone Blind (traduzido como "O Olhar da Medusa" no Brasil), da Natalie Haynes, que conta a história da criatura que transformava seres vivos em pedra de um ponto de vista diferente (o dela própria). Ambos são muitos bons, mas o segundo é meio deprê, porque as mulheres (não importa se mortais, imortais, deusas ou monstros) se ferram demais. 

* * * 

Em Santorini, fizemos algo que não fazíamos há muito tempo: alugar carro (a última vez foi em 2018, quando trabalhei dois meses em Munique e quisemos aproveitar um feriado para explorar a Baviera). Em geral, somos adeptos do transporte público, até em lugares como a Provença, que fizemos alegremente usando os ônibus locais. Mas, como fevereiro é baixa temporada na Grécia, a frequência das linhas é baixíssima. Acabou sendo a melhor decisão, porque ganhamos tempo e pudemos explorar a ilha de norte a sul. 

Também foi bom para o Leo não perder a prática da direção (inclusive impressionou muito o moço do hotel com suas rés na subida e suas manobras para estacionar). Eu continuo sendo uma péssima navegadora, mas o Google Maps com voz ajuda demais. 

* * * 

Santorini é uma graça, mas estava parecendo uma ilha fantasma: 90% dos estabelecimentos fechados e ruas praticamente desertas (verdade que tinha muita obra rolando). 15 mil pessoas são residentes permanentes, e DOIS MILHÕES visitam todo ano. Ou seja, a alta temporada deve ser um inferno. Mas aposto que a média (primavera/outono) é ótima. 

(E por que fomos pra lá  na baixa temporada? Porque os preços despencam: pagamos 25% do preço do quarto de hotel com vista para a caldeira e uma piscina aquecida só para nós.)

A gerente do hotel me contou que a ilha tem várias escolas para as crianças, mas só uma escola técnica e nenhuma universidade. Ela mesma nasceu em Atenas e se mudou para lá quando se casou com um local. 

Achei um lugar bem curioso para se viver. Este blog é de uma moça que se mudou para Santorini depois de viver em Roma, Milão e Londres: One Quarter Greek

* * * 

Falando em se viver: Atenas tem embaixada? Teeeem. Então eu vou olhando tudo pensando que é possível um dia morar ali. 

Atenas é uma cidade grande: mais de três milhões de habitantes (um terço dos gregos mora lá). Tem o centro histórico lindíssimo e bairros normais, onde as pessoas vivem de verdade. Comparada com Zurique, ela perde nos quesitos trânsito, poluição e baguncinha. E ganha nos conceitos charme, comida e alegria de viver. Nenhum lugar é perfeito, a questão é escolher. 

Eu e o Leo adoramos bater perna na rua e conhecer bairros fora do circuito turístico, e em Atenas não foi diferente. Encontrei uma cidade muito parecida com Belo Horizonte (ruas e calçadas estreitas, subidas e descidas, predinhos estilo anos 80). A diferença é que Atenas é mais limpa e mais segura. 



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Em A Odisseia, o poema épico de Homero que é um dos textos fundadores da literatura ocidental, a madrugada (personificada na deusa Eos) aparece umas 20 vezes, e todas as vezes ela é descrita como "a aurora de dedos rosados". 

Pois bem, assisti a uns nasceres do sol na Grécia e Homero tinha razão: todos eles foram bem róseos.

O amanhecer na varanda do hotel em Fira, Santorini

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Morte d'um Kindle

Eu sou a alucinada do Kindle de tecla. Desde dezembro de 2011, quando adquiri meu primeiro, depois de uma viagem na qual gastei metade do valor dele comprando livros, é um dos meus bens meus preciosos. 

Em 2012 o Leo comprou um para ele também. O que foi ótimo, porque eventualmente a Amazon parou de fabricar o Kindle de tecla e passou a produzir os detestáveis Kindle touch screen. Tenta andar pela rua, pegar tram, subir escada com Kindle touch screen. Você olha pra ele torto e pronto, sai tudo do lugar. Até o livro que você estava lendo vira outro. Ou seja, alguns anos depois dei para o Leo um desses e tomei o de teclas. 

Durante os últimos anos, não perdi a chance de aumentar o meu stash. Meu pai me deu o dele depois de confessar que preferia os livros de papel. Outro comprei no Carousell, o Mercado Livre das Filipinas. Um terceiro (um Kindle 2, a segunda versão fabricada) ganhei no Free Your Stuff Zurich, um grupo de Facebook local. E o último, a pérola da minha coleção, é um Kindle DX, lançado em 2009, com uma tela de quase 24 cm de diagonal e caixa de som, perfeito para ler PDF, que achei na Amazon americana e que foi entregue na Suíça pela DLH. 

Isso quer dizer que sou a orgulhosa possuidora de seis deles. Ou melhor, cinco, porque aquele que eu tomei do Leo decidiu não ligar nunca mais após 11 e meio valorosos anos de serviço. Aconteceu em novembro do ano passado e eu fique na esperança que ele ressuscitasse, mas em vão. 

O que demonstra que estou certa em ter um estoque. Um dia todos eles vão pifar. Desejo ardentemente que, quando isso acontecer, a tecnologia do livro digital tenha evoluído para projeção em lente de contato e passagem de página com uma piscada forte. 

Oremos.  

Minha preciosa coleção. O mais gasto, em cima, à direita, é o primeirão.