quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Caso do Curso Intensivo de Francês

Sendo uma pessoa empolgada, corri para me inscrever no curso de inverno da Aliança Francesa. É um intensivão um-semestre-em-quatro-semanas, com aulas de três horas de segunda à sexta-feira. 

As aulas começaram nesta segunda. Antes da terceira aula eu já estava exausta. Na internet, o povo fala muito bem dos intensivos de francês: dizem que rende muito e que vale a pena. Mas eu estava achando corrido pra caramba. Não dava tempo de fazer o dever de casa! O professor ia pulando pelas atividades do livro conforme lhe dava na telha! Não sobrava hora pra ler os livros e revistas em francês da mediateca!

Então, quando ontem me avisaram que a turma ia ser cancelada - porque eram só três alunos, eu inclusa -, fiquei até aliviada. E olha que eu gosto de estudar francês. E que meu plano era fazer este curso de inverno, e depois o semi-intensivo no segundo semestre: um ano em seis meses!

Deve ser muito útil para quem precisa aprender a língua rápido rápido. Pra mim, não funcionou. Curto o esquema de duas vezes por semana: dá pra passar na mediateca depois da aula, namorar as novidades, pegar as revistas que acabaram de chegar, escolher um escritor clássico e um moderno. Eu acho que aprender um idioma é abrir uma porta para toda uma nova cultura: preciso de tempo para explorar a nova cultura, senão perde a graça! No esquema curso de férias + semi-intensivo, dá pra se formar na Aliança em dois anos. Mas e o tempo para a diversão? 

Agora que o curso foi cancelado, tive tempo pra botar a leitura mais ou menos em dia. Ando apaixonada pela Amélie Nothomb, uma escritora belga fantástica. Recomendo fortemente. 

domingo, 22 de maio de 2011

O Caso do Vampiro Burro

Tá passando "Crepúsculo" na tevê e o Edward acaba de dizer que ele não dorme, nunca. Considerando que ele foi transformado no início do século XX, e o resultado é que o hômi teve um bocado de tempo livre na vida. Que ele usou... pra nada, aparentemente, porque ele tem o desenvolvimento emocional de uma siriema.


Pois é: uma coisa que me intriga nas ficções em que as personagens vivem muito ou para sempre é que, que eu me lembre, a passagem dos anos não os torna mais reflexivos ou mais cultos. No máximo eles decidem que não vai mais se alimentar de humanos ou destruí-los (se esse for o caso) e fica por aí. Gente, se eu não dormisse, quantas faculdades noturnas eu ia fazer! Uma hora dessas eu era pós-doutorada.

sábado, 7 de maio de 2011

O Caso do Trabalho

Sempre gostei de trabalhar: talvez porque eu tenha ficado muito tempo na faculdade e, portanto, quando finalmente pude produzir - e ganhar dinheiro! -, adorei. Trabalho intelectual, seja dito: trabalho manual, fora colorir, eu detesto. Provavelmente por causa da minha falta completa de coordenação motora (e no entanto eu consigo desenhar e dançar. Talvez seja má-vontade mesmo).

Mas agora eu realmente gosto de trabalhar. Por uma dessas reviravoltas do universo (um ambiente caótico e fractal, o que quer dizer que eventualmente as coisas vão ficar boas pro seu lado - estatística, povo!), caí em um lugar da empresa em que minhas diversas e aleatórias habilidades são valorizadas. (E olha que eu não queria ir pra área de comunicação interna; eu fiz de tudo pra ficar na área de relações internacionais!)

Eu gosto dos meus colegas, do meu chefe, do meu dia a dia, e gosto de trabalhar na sede: de repente eu passei do fim da cadeia alimentar para alguém que vai a eventos de cúpula fazer matérias pro jornal interno. E que tem ideias. E que dá palpites (quero dizer, opiniões balizadas em estudos e experiências). E cujos palpites são ouvidos, olha que coisa fantástica! Valeu, universo!

E olha, tenho que dizer que o meu feminismo prático tem muito a ver com isso. Porque agora eu tenho total consciência que não tenho obrigação de ser enfeite, e só de ser competente, e portanto não perco tempo em belas e insinuantes combinações, e não me intimido com os executivos-cuja-média-de-idade-é-cinquenta-anos-e-usam-terno-e-gravata-todo-dia, e se ponho esforço no meu guarda-roupa é justamente para NÃO surpreender ninguém. Porque eu não quero que gastem um minuto considerando minhas pernas/meu decote/meu estilo, e sim minhas ideias. E eu ando achando que, se a ideia é ousada mas a voz é firme e o terninho é cinza, os executivos-cuja-média-de-idade-é-cinquenta-anos-e-usam-terno-e-gravata-todo-dia discutem a ideia, e não a pessoa que a emitiu.

E nem vem dizer que estou sufocando a minha feminilidade em prol de um ideal masculino que domina os ambientes de trabalho hoje. Continuo tendo útero, tá. Eu só acho que me também distrairia com um colega de trabalho bronzeado e sarado que andasse de bermuda e regata. A não ser que a gente trabalhasse na Google, claro. Mas a chance de ter um colega de trabalho na Google que fosse bronzeado e sarado... enfim.

Confesso que, como almoço com o Maridinho quase todo dia, às vezes eu uso um vestidinho (reto) ou ponho uma saia (no joelho). E aí o pessoal que trabalha na minha sala até brinca que eu fui vestida de fêmea. Mas no dia seguinte eu estou lá firme e forte, de camisa-social-calça-social-sapato-baixo.

Feliz da vida, confortável e eficiente. Tenho certeza de que, se meus pés não doem, a minha cabeça funciona melhor.

domingo, 3 de abril de 2011

O Caso do Casamento

O Maridinho e eu sempre fomos grudadíssimos - aquele tipo de casal que faz tudo junto e chega a desistir de um programa se o outro não está a fim, pela simples razão que, sem a cara-metade, não tem graça.

Só que, depois de quase sete anos de casamento, estamos descobrindo que, às vezes, é preciso dividir para conquistar. Ele tem família grande, eu também, moramos em outro estado e o tempo é limitado. Então tem horas que o jeito é ele visitar os avós dele e eu, minha avó. O mesmo para os irmãos (as minhas estão cada uma em uma cidade diferente) e os amigos (também espalhados aqui e acolá).

E não é que é possível que, mesmo sem a cara-metade, o programa que ela/ele não gosta tenha graça? Aliás, até mais graça, já que não temos que nos preocupar se o outro está se divertindo ou achando tudo um tédio total?

E a gente ainda volta cheios de histórias pra contar.


quinta-feira, 24 de março de 2011

O Caso do Show

A última vez que fui a um show foi na década de 90 - no começo dela. Isto é, antes mesmo da aula de francês. Mas no último fim de semana a Shakira esteve em São Paulo, e a irmã I., que adora shows, comprou o ingresso, me deu a passagem de avião e me hospedou na casa dela. Aí eu fui. E foi fantástico.

Saímos de casa às três da tarde e voltamos às cinco do dia seguinte. Porque, vejam bem, a irmã I. tem mestrado e doutorado na ciência da diversão. Eu me diverti adoidado, dançando, cantando, pulando, tomando chuva, andando quilômetros, pegando ônibus lotadíssimo depois do show, cantando músicas da Shakira com a galera no ônibus lotadíssimo depois do show, terminando a noite num inferninho na rua Augusta. Sabe o que me incomodou? Nada. Porque eu estava de tênis e jeans, cara lavada e rabo de cavalo.

No show tinha umas meninas arrumadas, de bota de salto alto e maquiagem. E eu achei graça porque, um tempo atrás, eu provavelmente estaria assim. E provavelmente meus pés começariam a doer lá pelo começo da noite, e eu não teria pulado tanto, ou dançado tanto, ou ficado em altas filas com tanto bom-humor. (Mas essa sou eu: de repente as meninas arrumadas não tinham nervos nos pés e aproveitaram de montão.)

Enfim, a moral da história é: conforto é o que há. E olha que eu não estou falando de conforto como em "deitada numa cama de plumas sendo abanada com folhas de palmeira", mas como simples ausência de desconforto, ou de roupas que apertam, sapatos que machucam, bolsa que pesa etc. etc.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Caso do Francês e da Falta de Noção

(Porque vocês sabem, eu acho que eu sei alguma coisa de francês. Estudei quando era adolescente, assinei revista francesa e gosto de assistir ao TV5 de vez em quando - eu disse assistir, não entender.)

Pois bem. Agora que eu moro em uma capital e tenho vááárias opções de escolas de idiomas, fui bem pimpona me matricular na Alliance Française (no horário econômico, é claro). No final da primeira aula - Básico 2 -, na qual me comportei exatamente como a Hermione, corri na professora para dizer que a matéria era muito fácil e que ela devia me passar no mínimo para o Básico 3 (estudei em duas escolas de inglês e sempre fazia me pularem pra turma seguinte àquela em achavam que eu devia ficar).

A professora até que não se opunha a cooperar. O problema é que o único tempo verbal que eu sei em francês é o presente e aparentemente o Básico 2 é justamente o lugar para aprender os seguintes.

Aí botei o rabinho entre as pernas e decidi ficar no Básico 2 mesmo. Estou calculando que, como os colegas são (bem) mais contidos do que eu em sala, vai ficar fácil monopolizar a professora e tirar as minhas dúvidas mais estapafúrdias (gargalhada maléfica). Se bobear, daqui a um mês é ela que vai estar implorando para que eu passe ao Básico 3.

Hoje eu estava separando uns materiais e achei um caderno antigo. Eu tinha a impressão de que estudado francês por um bom tempo, mas descobri que fiz um único semestre (aí a turma fechou). Acho que me confundi com a irmã D.

E sabem quando foi esse semestre? Em 94! Há quase 20 anos!

Então, pensando bem, terem me colocado no Básico 2 foi até uma vitória.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Caso do Livro do Bebê

Então eu fui comprar um livro do bebê pro meu primeiro sobrinho. É claro que tinha o de capa rosa e o de capa azul, mas considerando que na parte de dentro ambos eram iguais - cheios de bichinhos fofoluchos e páginas em tons pastéis - não me senti muito ofendida: comprei o azul (pensando que, se o sobrinho fosse sobrinha, ia ganhar azul também, porque estava muito mais bonito) e lá me fui, bem satisfeita, pensando que afilhado ia ser devidamente exposto a desenhinhos meigos.

Quando cheguei em casa e fui mostrar ao Maridinho a brilhante aquisição, percebi que o álbum também era decorado com figuras de bebês. E a maioria esmagadora delas, mas esmagadora mesmo, eram nenéns brancos, louros e de olhos azuis. I kid (hihihi) you not. Sério, nem na Noruega deve ter tanta criança nórdica. Tive a pachorra de contar: 34 bebês ilustrados, e um único bebezinho negro.

É uma falta de representação chocante. Não só do meu sobrinho (que nem é louro de olho azul), mas da sociedade brasileira. E o pior é que, entre fabricantes e compradores do livro, quase ninguém deve ter notado alguma coisa errada.

Aí eu apelei, né? Pro lápis de cor. Agora, o livro do bebê tem neném branco, negro, oriental, aborígene e índio; tem cabelo preto, castanho, ruivo, louro, liso, cacheado e crespo; tem criança lambuzada de geléia, suja de chocolate, queimada de sol, com sarda e sarampo.

Agora o sobrinho vai ser devidamente exposto a desenhinhos meigos E à diversidade.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Caso da Tia Lud

E não é que eu virei tia?

Não foi exatamente surpresa, já que a irmã D. estava grávida há nove meses. Surpresa foi o bebê V. vir no dia do aniversário da irmã I. E o sentimento inexplicável de amor que a gente sente quando bota o sobrinho no colo. Olha que ele nem parece comigo - só na capacidade impressionante de dormir longas horas nas mais diversas posições.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Caso das Caronas

Olha, eu acho que dirigir é uma coisa muito ótima. Tanto que até fiz um tratamento para ansiedade, e uma das razões era a aflição ao volante. Na prática o que aconteceu que, ao invés de perder o medo de dirigir, eu deixei de ligar de ter medo de dirigir, e continuei a pé. (Verdade seja dita: o Maridinho me leva pra tudo quanto é lado, com a maior boa vontade, mas agora ele voltou a trabalhar, e nossos horários nem sempre batem.)

Então eu caminho, pego ônibus, ando de táxi e peço caronas com uma cara de pau medonha. Basta você ter um adesivo da UnB no seu carro para virar minha vítima, como minha vizinha de prédio bem sabe. Ou ser um/a colegas de trabalho motorizado. Desmotorizado também serve: divido táxis na maior alegria.

O interessante é que eu conheço muita gente legal desse jeito. Lembra que as minhas palavras preferidas eram oportunidade, promoção e aumento? Agora tenho mais uma: "pessoas".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Caso da Pão-Durice Elegante

Continuo firme e forte na minha decisão que aparência é só superfície e que, portanto, não é a parte mais importante das pessoas. Por outro lado, sou perfeitamente capaz de compreender que há códigos não-verbais culturamente construídos nessa vida, e tento gerenciá-los de modo a chegar a meus objetivos (poder e cobiça, menos a cobiça) sem sacrificar meus ideais (um mundo melhor). Isto é: salto alto não, esmalte não, maquiagem não. Calças e camisas sociais sim, broche na lapela sim (igual a Madeleine Albright!).

Em outras palavras: os melhores amigos da poupançuda que acha que uma roupinha boa e limpinha não ajuda a avançar na carreira, mas pelo menos não atrapalha são 1) as lojas de departamentos, 2) a irmã que é do mesmo tamanho e empresta terninhos novos em folha, porque ela não os está usando, 3) os brechós!

Eu nunca havia encontrado um brechó decente na vida, mas aqui em Brasília tem. Ele parece uma loja de verdade, é bonito, bem-decorado, iluminado, e as peças ficam separadas por estilo e cor. Comprei três camisas muito bonitas por 40 reais cada, e a vantagem é que não tive que cortar a barra de nenhuma. E se alguém quiser saber, não, eu não ligo a mínima de usar roupa que já foi de outra pessoa: até eu deixar de morar com os meus pais sempre rolou um troca-troca medonho entre irmãs, tias e mãe, e ninguém morreu por causa disso, muito antes pelo contrário. Sem falar que quase todo mundo que eu conheço doa roupa usada para os menos favorecidos, e aí? Os menos favorecidos podem usar, mas a bonita não? Menos, né?

* * *

A Tania pediu nos comentários, então aí vai: o brechó se chama Peça Rara (hihihi) e fica na SCLS 307, bloco C, loja 3. Isso quer dizer que ele fica na Asa Sul, entre as superquadras 307 e 308. A loja fica no meio do quarteirão. Eles têm site, mas desconsiderem as fotos de gosto duvidoso: o que tem no brechó mesmo é muito mais legal. Só tem de dar um pouco de sorte, pra ter o que você gosta, e no seu tamanho.