Eu e o Leo estamos na casa dos meus pais, onde temos um quarto só pra nós, comida e roupa lavada. É muito mimo e, por isso, estamos tentando não abusar. Deixamos o quarto arrumado e tentamos participar das atividades domésticas: tirar e por a mesa, lavar a louça, essas coisas.
Temos carro também, porque meu pai empresta o dele. Mas queremos nos virar sozinhos sempre que é possível. Quando visitamos uma amiga na semana passada, pegamos uma carona pra ir e planejamos voltar de ônibus. Como era perto (só 2 km!), acabamos vindo a pé.
Com certeza tem muita gente que já faz isso tudo normalmente. Eu e o Leo éramos mal-acostumados mesmo (e temos um monte de amigos que também eram ou são).
E aí é impossível deixar de pensar como em certos países as pessoas são mais autônomas e responsáveis. E fico imaginando se arrumar a própria casa, limpar o próprio banheiro, não tem tudo a ver com não jogar lixo na rua e respeitar os espaços públicos.
segunda-feira, 16 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
O caso da nova meta
Então está confirmado: eu sou uma pessoa que precisa de metas, objetivos e estratégias, ou fico resmunguenta e boba. A última foi sair viajando pelo mundo. Check.
A minha nova meta é ser uma pessoa melhorrrr. Porque neste sabático eu descobri uns defeitos que eu não sabia que tinha. E não gostei deles, não.
Então tenho tentado ter paciência e carinho com as pessoas, me esforçado para ser sincera em vez de me manter na superficialidade e procurado ajudar quando vejo a oportunidade.
Pelo jeito tem dado certo. Amanhã faz uma semana que chegamos ao Brasil e os encontros com a família foram (praticamente) todos muito bons. Quando a gente expressa o que é importante para nós, ficamos mais vulneráveis, mas as pessoas correspondem, sabe?
Estou me sentindo positivamente surpresa.
* * *
Ah, tem outra meta: caber de novo nas roupas de trabalho, para não ter de comprar outras. Fiquei emburrada quando decidi comer menos, refletindo que ser magra é uma imposição social
e que são as roupas que devem se adaptar a mim, e não o contrário. Mas, por outro lado, concluí que dá mais trabalho adquirir novas calças e camisas sociais (desaprendi a comprar, gente!) do que evitar os doces. E verdade que o povo confunde beleza com saúde, mas isso não quer dizer que não posso fazer o básico: tentar comer verduras e frutas e fazer uns exercícios.
Mas essa é a minha opção, claro. Também acho que cada um sabe de sua vida, que magreza não é atestado de saúde e que ninguém tem obrigação de ser bela(o) para ser amado e respeitado.
A minha nova meta é ser uma pessoa melhorrrr. Porque neste sabático eu descobri uns defeitos que eu não sabia que tinha. E não gostei deles, não.
Então tenho tentado ter paciência e carinho com as pessoas, me esforçado para ser sincera em vez de me manter na superficialidade e procurado ajudar quando vejo a oportunidade.
Pelo jeito tem dado certo. Amanhã faz uma semana que chegamos ao Brasil e os encontros com a família foram (praticamente) todos muito bons. Quando a gente expressa o que é importante para nós, ficamos mais vulneráveis, mas as pessoas correspondem, sabe?
Estou me sentindo positivamente surpresa.
* * *
Ah, tem outra meta: caber de novo nas roupas de trabalho, para não ter de comprar outras. Fiquei emburrada quando decidi comer menos, refletindo que ser magra é uma imposição social
e que são as roupas que devem se adaptar a mim, e não o contrário. Mas, por outro lado, concluí que dá mais trabalho adquirir novas calças e camisas sociais (desaprendi a comprar, gente!) do que evitar os doces. E verdade que o povo confunde beleza com saúde, mas isso não quer dizer que não posso fazer o básico: tentar comer verduras e frutas e fazer uns exercícios.
Mas essa é a minha opção, claro. Também acho que cada um sabe de sua vida, que magreza não é atestado de saúde e que ninguém tem obrigação de ser bela(o) para ser amado e respeitado.
quinta-feira, 5 de março de 2015
O caso das três portas de armário
Chegamos ontem ao Brasil. Já comi pão-de-queijo (duas vezes), tomei Mate Couro e visitei minha vovó.
Também dei de cara com três portas (grandes) de armário, cheias de coisinhas minhas e do Leo.
Durante o sabático, achei que ia ficar toda contente de reencontrar esses objetos, a versão editada de tudo que possuí durante todos os anos de vida anteriores. Qual não foi minha surpresa ao verificar que minha reação foi:
1) nossa, é muita coisa! (Tem roupa de trabalho, roupa de cama, sapatos, ferramentas, livros.)
2) nossa, são só coisas! (Não fiquei radiante como imaginava, sentindo que havia reencontrado minha identidade. Talvez porque minha identidade tenha se alterado nesses dois anos e dois meses. Talvez porque, bem, sejam só coisas mesmo.)
Eu acho que, quando voltarmos à vida normal (ainda estamos meio no limbo, pensando sobre o que faremos durante 2015), vou ficar satisfeita de ter conservado todos esses objetos, que serão úteis na hora de montar uma casa. Isto é, teremos menos trabalho e menos despesa. Mas, no momento, só consigo olhar para as três portas de armário e pensar: "como é que eu carrego isso tudo pra Brasília? Não vai caber em duas malas, não!"
Também dei de cara com três portas (grandes) de armário, cheias de coisinhas minhas e do Leo.
Durante o sabático, achei que ia ficar toda contente de reencontrar esses objetos, a versão editada de tudo que possuí durante todos os anos de vida anteriores. Qual não foi minha surpresa ao verificar que minha reação foi:
1) nossa, é muita coisa! (Tem roupa de trabalho, roupa de cama, sapatos, ferramentas, livros.)
2) nossa, são só coisas! (Não fiquei radiante como imaginava, sentindo que havia reencontrado minha identidade. Talvez porque minha identidade tenha se alterado nesses dois anos e dois meses. Talvez porque, bem, sejam só coisas mesmo.)
Eu acho que, quando voltarmos à vida normal (ainda estamos meio no limbo, pensando sobre o que faremos durante 2015), vou ficar satisfeita de ter conservado todos esses objetos, que serão úteis na hora de montar uma casa. Isto é, teremos menos trabalho e menos despesa. Mas, no momento, só consigo olhar para as três portas de armário e pensar: "como é que eu carrego isso tudo pra Brasília? Não vai caber em duas malas, não!"
segunda-feira, 2 de março de 2015
O caso do burnout (ou esgotamento) de viagem
Li em vários blogs de pessoas que viajam por longos períodos que é comum, depois de um tempo, a gente ficar exausto. Não acontece com todo mundo, mas é um negócio que existe, sim.
É claro que eu não achei que ia rolar comigo. Primeiro porque tentamos ficar sempre em casas e apartamentos, em vez de albergues e hotéis impessoais; depois porque alternamos períodos mais puxados, com várias cidades por semana, com estadias mais longas e tranquilas.
Mesmo assim, depois de quase dois anos de viagem, bateu.
O Leo sugeriu passarmos dois meses em Paris, em um apezinho confortável. Segundo os blogs, parar em um lugar e estabelecer uma rotina é o melhor remédio para o burnout.
Os dois meses foram ótimos (a gente adora a França!), mas infelizmente não funcionou. Continuei sem vontade de viajar mais. Resultado: compramos a passagem para o Brasil.
Eu queria entender o que aconteceu, tanto para aconselhar futuros viajantes quanto para tentar fazer diferente na próxima vez (é claro que vai ter uma próxima vez! Ainda que seja depois que eu me aposentar).
Por enquanto, a hipótese nais promissora é que eu sou chata mesmo.
É claro que eu não achei que ia rolar comigo. Primeiro porque tentamos ficar sempre em casas e apartamentos, em vez de albergues e hotéis impessoais; depois porque alternamos períodos mais puxados, com várias cidades por semana, com estadias mais longas e tranquilas.
Mesmo assim, depois de quase dois anos de viagem, bateu.
O Leo sugeriu passarmos dois meses em Paris, em um apezinho confortável. Segundo os blogs, parar em um lugar e estabelecer uma rotina é o melhor remédio para o burnout.
Os dois meses foram ótimos (a gente adora a França!), mas infelizmente não funcionou. Continuei sem vontade de viajar mais. Resultado: compramos a passagem para o Brasil.
Eu queria entender o que aconteceu, tanto para aconselhar futuros viajantes quanto para tentar fazer diferente na próxima vez (é claro que vai ter uma próxima vez! Ainda que seja depois que eu me aposentar).
Por enquanto, a hipótese nais promissora é que eu sou chata mesmo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
O caso da blogoterapia
Eu tenho blog por um monte de razões: para dar notícia para quem está longe; para registrar o que aconteceu e poder ler depois; para escrever, que eu gosto muito; para fazer amigas (efeito inesperado e muito bem-vindo).
Além disso, o blog me ajuda a organizar as ideias. Quando boto meus sentimentos e decisões em palavras, entendo melhor de onde vieram e pra onde vão. Às vezes tenho insights no meio de posts. E os comentários ótimos e inspirados? Blog é praticamente uma terapia, gente!
O que é muito útil neste momento, em que estou me sentindo perdidinha. Acho que já fiz o luto pelo fim do sabático (em Paris! Tomando vinho nacional!); agora falta organizar o que aprendi sobre o mundo e sobre mim mesma, e o quero para o amanhã.
As únicas certezas que eu tenho é que continuo gostando do Leo, dos livros e de chocolate.
Além disso, o blog me ajuda a organizar as ideias. Quando boto meus sentimentos e decisões em palavras, entendo melhor de onde vieram e pra onde vão. Às vezes tenho insights no meio de posts. E os comentários ótimos e inspirados? Blog é praticamente uma terapia, gente!
O que é muito útil neste momento, em que estou me sentindo perdidinha. Acho que já fiz o luto pelo fim do sabático (em Paris! Tomando vinho nacional!); agora falta organizar o que aprendi sobre o mundo e sobre mim mesma, e o quero para o amanhã.
As únicas certezas que eu tenho é que continuo gostando do Leo, dos livros e de chocolate.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
De volta! (ao blog e ao Brasil)
Depois de mais de dois anos viajando alegremente pelo mundo, achei que estava bom. Já o Leo, se ganhasse na loteria, continuava pelo resto da vida. Mas ele concordou que eu não estava curtindo tanto e decidimos retornar.
O difícil, claro, foi assumir para mim mesma que já tinha dado. Porque foi todo um longo e trabalhoso processo tirar o sabático, né? Além disso, eu acreditei mesmo que tinha encontrado a receita da felicidade: viajar por aí, sem ter rotina ou obrigações, conhecendo lugares lindos, com todo tempo do mundo.
E foi maravilhoso - até que deixou de ser. E eu não sei muito bem explicar o porquê. Só sei que fiquei cansada. Chegou uma hora que eu não dava conta de processar mais uma paisagem, mais uma igreja, mais um museu. E viajar, que sempre tinha sido um prazer, uma alegria, uma renovação, passou a ser uma obrigação.
Só sei que, quando decidimos voltar, senti alívio e alegria.
* * *
A primeira ideia era voltar para Brasília e pro trabalho. Mas eu, que não sou boba nada, sei que a chance de conseguir outra licença é, no mínimo, remota. Então decidimos ficar um tempo na casa de nossos pais, em BH, e sentir o drama. A licença termina em 31 de dezembro deste ano; quem sabe 2015 não é o ano de passear pelas Américas?
* * *
Eu podia ter inventado umas desculpas e dizer que estava voltando porque o euro subiu, porque o dinheiro acabou, porque o Leo não podia ficar mais na Europa. Mas, né? Sinceridade: trabalhamos. (Ou pelo menos tentamos.)
O difícil, claro, foi assumir para mim mesma que já tinha dado. Porque foi todo um longo e trabalhoso processo tirar o sabático, né? Além disso, eu acreditei mesmo que tinha encontrado a receita da felicidade: viajar por aí, sem ter rotina ou obrigações, conhecendo lugares lindos, com todo tempo do mundo.
E foi maravilhoso - até que deixou de ser. E eu não sei muito bem explicar o porquê. Só sei que fiquei cansada. Chegou uma hora que eu não dava conta de processar mais uma paisagem, mais uma igreja, mais um museu. E viajar, que sempre tinha sido um prazer, uma alegria, uma renovação, passou a ser uma obrigação.
Só sei que, quando decidimos voltar, senti alívio e alegria.
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A primeira ideia era voltar para Brasília e pro trabalho. Mas eu, que não sou boba nada, sei que a chance de conseguir outra licença é, no mínimo, remota. Então decidimos ficar um tempo na casa de nossos pais, em BH, e sentir o drama. A licença termina em 31 de dezembro deste ano; quem sabe 2015 não é o ano de passear pelas Américas?
* * *
Eu podia ter inventado umas desculpas e dizer que estava voltando porque o euro subiu, porque o dinheiro acabou, porque o Leo não podia ficar mais na Europa. Mas, né? Sinceridade: trabalhamos. (Ou pelo menos tentamos.)
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O Caso do Novo Blogue
Ano novo, vida nova! E blogue novo para acompanhar.
Em 2012, economia, minimalismo e francês intensivo. Onde? Lá em Lud & Leo Reloaded!
Em 2012, economia, minimalismo e francês intensivo. Onde? Lá em Lud & Leo Reloaded!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O Caso do Kindle
Eu amo bibliotecas, livrarias e sebos. Nas vezes em que me mudei, minha primeira preocupação era separar e embalar os livros. Sempre torci o nariz para os leitores digitais e mostrei a língua para quem profetizava o fim dos volumes em papel. No entanto...
Comprei um Kindle.
E estamos em lua de mel.
Eu explico. Sempre tive muito orgulho de minhas estantes repletas de obras. Depois que resolvi me tornar uma pessoa minimalista, percebi que, de fato, livros tomam um bocado de espaço (um quarto na minha casa serve só pra guardá-los). Tudo bem - se livros são a minha paixão, estou disposta a rever esse aspecto do meu minimalismo por eles. Só que... eu não preciso! Existe um simpático dispositivo que é leve, prático, bem bonito, não muito caro, de ótima "leiturabilidade" e capacidade de estocar mais de mil livros digitais em seu corpinho. O nome dele é Kindle e, sim, tudo de bom que dizem sobre ele é verdade.
O Kindle não significa o fim dos livros de papel, assim como o videocassete não representou o fim do cinema. Eles podem conviver alegremente, numa boa.
E a mais alegre de todos sou eu.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
O Caso da Carreira
No âmbito carreira, eu sou a pessoa mais sem noção do mundo. Eu sou esforçada e espertinha, mas tenho a maior dificuldade em focar em uma coisa só. É só eu dominar marromeno um assunto que já quero passar para o próximo. Um horror.
Nos últimos dias cheguei à brilhante conclusão que o meu erro é ficar navegando apenas nos mares de Humanas. Só porque eu gosto de ler e escrever não significa que eu não possa explorar outras áreas, né? Lembrei que eu fui uma ótima aluna de matemática, física e química na escola (ok, eu fui uma ótima aluna em todas as matérias, porque eu era caxias e não tinha vida social, mas isso não vem ao caso). E li um livro ótimo chamado "A música do números primos". E uma matéria sobre o número reduzido de mulheres nos altos escalões da Tecnologia de Informação. Aí, pronto, resolvi - vou aprender programação!
Sem noção, eu sei. E megalomaníaca - já convidei a irmã I. e o Maridinho, que são os especialistas em TI, para abrirmos uma consultoria internacional daqui a uns anos. Eles concordaram para me apaziguar. Mas bem que percebi umas reviradas de olhos.
A irmã I., que é esperta, me indicou rápido aulas online grátis oferecidas pela Universidade de Stanford. Enquanto estudo, não fico aporrinhando os ouvidos dela com as descrições de nossos futuros escritórios em NY e Paris.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
O Caso do Oi
Passei aqui para dar notícia da vida como vai. Ela vai muito bem, obrigada!
1) Fui promovida: agora sou chefe da divisão. Eu queria muito e me esforcei para conseguir, mas devo confessar que chefia não é só glamour, poder e sedução. Às vezes é bem chato mesmo. Pelo menos a gente ganha uns tostões a mais.
2) Continuo me desfazendo dos objetos que não uso. E é incrível como tem na minha casa objetos que eu não uso. Deixo a dica: caso você resolva fazer a mesma coisa, NÃO comece pela gaveta de sacolas. Porque você vai precisar muito delas para transportar os tais objetos que você não usa para fora de sua casa.
3) Acho que é definitivo e não tem volta: nunca mais usei salto alto, nem em festas e eventos (sapatilha preta taí pra isso). Nunca mais usei condicionador (meu cabelo é liso e fino, condicionador pra quê?). Nunca mais fiz as unhas (corto bem curto duas vezes por semana e passo uns creminhos nas cutículas). Nunca mais fiz as sobrancelhas (modéstia à parte, elas são ótimas em estado natural). Nunca mais cheguei perto de pensar em considerar a hipótese de me inscrever em uma academia (odeio academia com todas as forças). Com o tempo que sobrou, estudei francês, li um montão de livros e dormi (eu acho dormir uma ocupação nobre e necessária).
4) Viajei para Itália e Barcelona com o Maridinho, por 22 noites, com uma única mala (pequena) e uma bolsa de viagem (muito pequena). Estou linda como sempre (hihi) nas fotos. O segredo do nosso sucesso? Lavamos roupa duas vezes nas lavanderias de rua. É rápido (pouco mais de uma hora), fácil (é só apertar botões) e barato (13 euros, no total, para lavar e secar, duas vezes, todas as nossas roupas sujas).
Sim, a vida continua, cheia de emoções e alegrias, literatura e chocolate. Minha única reclamação é que a gente podia ter a mesma jornada de trabalho dos franceses: 35 horas semanais e 40 dias ÚTEIS de férias.
Fora isso, tudo bem.
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