sábado, 18 de abril de 2015

Balanço de um mês e meio no Brasil

Na terça vou completar seis semanas de volta ao Brasil. Foi - e está sendo - muito tranquilo e gostoso. Reencontrar a família e os amigos é ótimo. Contar casos de viagem, idem. Saborear as comidinhas brasileiras, então, nem se fala (só estou frustrada por não ter encontrado Freshen up de canela em Belo Horizonte. Aliás, nesta cidade não tem Freshen up de sabor nenhum). Para completar, estou alcançando minhas metas de encontrar pessoas e dar mais atenção aos meus (quatro) sobrinhos.

Em suma, está tudo bem. Sem choque de reentrada nem nada do gênero. (Minto: tive um choque, sim - com o preço dos vinhos no supermercado. Ou seja, vou voltar a tomar guaraná.)

Mas estou percebendo um troço esquisito: eu, que sempre quis fazer mais mais uma faculdade, mais um concurso e mais uma língua, me vejo, no momento, inteiramente sem ambições. Estou sossegada e satisfeita, e achando isso muito bizarro.

Cheguei a ligar para uma escola de francês e para outra de hidroginástica para pegar informações, é verdade. E parei aí. Entre visitas e passeios, eu organizo materiais de estudo para o Leo, dou umas dormidinhas e fico agarrada no Kindle. Andei lendo livros sobre motivação e força de vontade, para ver se eu me animava com uns objetivos, mas todos eles partem do pressuposto que você já sabe o que quer. E eu não sei, não.

Antes, eu não sabia porque muitas opções me interessavam e eu não conseguia escolher. Hoje, eu não sei porque não sei, mesmo.

De repente eu atingi o nirvana e nem percebi.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O caso no passeio no shopping

Minha mãe me chamou para acompanhá-la numa expedição de compras. Ou melhor, de comprA. Ela queria um conjunto resistente à chuva e confortável para viajar.

Lá nos fomos para o BH Shopping, que foi o primeiro a ser inaugurado em Belo Horizonte. Quando eu era adolescente, passei horas divertidas naqueles corredores. A graça era combinar com as amigas de ir ao cinema. Antes de entrar na sala, a gente passava na Lojas Americanas e comprava umas guloseimas. Mais divertido ainda era cruzar com colegas da escola e ignorá-los solenemente (sim, eu desenvolvi habilidades sociais meio tarde).

Apesar das lembranças boas, fiquei impaciente logo. Shopping é um troço meio artificial, né? Não tem janela, não tem luz natural, é todo reluzente e brilhante e... quer saber? Todos eles são meio parecidos entre si.

Eu já gostei de ver vitrines, mas não ligo mais. Até porque as três portas de armário que eu e o Leo temos na casa dos meus pais estão bem cheias, então a nossa sensação é de fartura e saciedade.

E também tem outra: eu sempre tive desejos (de fazer um outro curso, de aprender uma outra língua, e de comprar uma coisa ou outra), mas ultimamente não tenho ambicionado nada.

Ainda não decidi se isso é bom ou preocupante. Mas isso é assunto para um outro post.

PS: não, minha mãe não encontrou o que ela queria no shopping. E olha que eu tive a maior paciência e entrei com ela em um monte de lojas. Aliás, achei os vendedores muito simpáticos.  Talvez porque fosse 10 da manhã, o shopping estivesse vazio e nós fôssemos praticamente as únicas clientes...

quarta-feira, 25 de março de 2015

Adeus, vestido de formatura

Quando as filhas saíram de casa, cada uma para uma cidade diferente, minha mãe centralizou na casa dela duas coisas:
- roupas de festa
- roupas de viagem
porque basicamente a gente ia a mais festas em BH mesmo, e quando viajávamos saíamos do aeroporto idem. Sem falar que sempre rolaram empréstimos e trocas legais entre todo mundo.

Virei minimalista e reduzi minhas posses a uma fração, mas naquela época não consegui convencer minha mãe que a gente devia se livrar de uns itens em excesso. Deixei quieto e agora, uns três anos depois, ela estava pronta para o processo.

Foram para a pilha de descartáveis (entre outros itens menos retumbantes):
- o vestido de renda nude que usei no baile de formatura da minha irmã mais velha (em 1997!)
- o vestido prata que usei no baile da minha formatura em direito (em 1998!)
- o vestido prata velho que usei quando fui madrinha no casamento do irmão do Leo (em 2000!)

Os vestidos trazem belas lembranças, mas tenho fotos de todos eles que servem ao mesmo propósito. Eles ficavam é ocupando espaço no armário, por diversos motivos: não gosto mais do estilo, descobri que a cor não é minha favorita (nude? Sério?), ficaram apertados...

Minha mãe vai oferecê-los à família, para ver se alguém se interessa. Se não, a ideia é doa-los a uma instituição que faça bazares. É muito melhor que eles saiam da gaveta e vão frequentar festas (ou montagens de peças passadas nos anos 90!) por aí, não é?

Adorei meu vestido de formatura, mas acho que a cor não rola nem em casamentos nem em festas de quinze anos. Além disso, ele não é dos mais confortáveis (a sustentação de um tomara que caia geralmente é feita com barbatanas - ele fica justo na altura das costelas - mas o meu se sustentava, bem, no meu corpo mesmo).

terça-feira, 17 de março de 2015

O caso do teste de personalidade

A irmã I. descobriu e me mandou: um teste de personalidade baseado em perguntas simples, que pode ser feito em 10 minutos e cujos resultados são assustadoramente pertinentes.

Dá pra fazer aqui em português ou aqui em inglês. A diferença é que, na versão em inglês, os resultados são dados com mais detalhes.

Meu resultado ficou entre "comandante" e "arquiteto", porque o teste ficou na dúvida se eu sou extrovertida ou introvertida (não sou muito sociável, mas gosto de ser o centro das atenções. Fui oradora da turma, por exemplo). Ambos os perfis são de gente analítica, crítica e objetiva. O lado ruim é que também podem ser arrogantes e impacientes.

Nenhuma novidade, né? De fato, mais de uma pessoa já me disse que eu intimido os outros. Mas aí eu fico pensando se, vindo de um moço, esse traço seria visto como autoconfiança e não como metideza. Porque, afinal, nossa sociedade espera que as moças sejam boazinhas, queridas e humildes. É até um problema que as mulheres enfrentam no ambiente de trabalho: no papel de chefes, se mostram características consideradas femininas, como empatia e delicadeza, são umas fracas; se mostram características consideradas masculinas, como firmeza e assertividade, são umas bruxas.

segunda-feira, 16 de março de 2015

O caso da vida mansa no Brasil

Eu e o Leo estamos na casa dos meus pais, onde temos um quarto só pra nós, comida e roupa lavada. É muito mimo e, por isso, estamos tentando não abusar. Deixamos o quarto arrumado e tentamos participar das atividades domésticas: tirar e por a mesa, lavar a louça, essas coisas.

Temos carro também, porque meu pai empresta o dele. Mas queremos nos virar sozinhos sempre que é possível. Quando visitamos uma amiga na semana passada, pegamos uma carona pra ir e planejamos voltar de ônibus. Como era perto (só 2 km!), acabamos vindo a pé.

Com certeza tem muita gente que já faz isso tudo normalmente. Eu e o Leo éramos mal-acostumados mesmo (e temos um monte de amigos que também eram ou são).

E aí é impossível deixar de pensar como em certos países as pessoas são mais autônomas e responsáveis. E fico imaginando se arrumar a própria casa, limpar o próprio banheiro, não tem tudo a ver com  não jogar lixo na rua e respeitar os espaços públicos.

terça-feira, 10 de março de 2015

O caso da nova meta

Então está confirmado: eu sou uma pessoa que precisa de metas, objetivos e estratégias, ou fico resmunguenta e boba. A última foi sair viajando pelo mundo. Check.

A minha nova meta é ser uma pessoa melhorrrr. Porque neste sabático eu descobri uns defeitos que eu não sabia que tinha. E não gostei deles, não.

Então tenho tentado ter paciência e carinho com as pessoas, me esforçado para ser sincera em vez de me manter na superficialidade e procurado ajudar quando vejo a oportunidade.

Pelo jeito tem dado certo. Amanhã faz uma semana que chegamos ao Brasil e os encontros com a família foram (praticamente) todos muito bons. Quando a gente expressa o que é importante para nós, ficamos mais vulneráveis, mas as pessoas correspondem, sabe?

Estou me sentindo positivamente surpresa.

* * *

Ah, tem outra meta: caber de novo nas roupas de trabalho, para não ter de comprar outras. Fiquei emburrada quando decidi comer menos, refletindo que ser magra é uma imposição social
e que são as roupas que devem se adaptar a mim, e não o contrário. Mas, por outro lado, concluí que dá mais trabalho adquirir novas calças e camisas sociais (desaprendi a comprar, gente!) do que evitar os doces. E verdade que o povo confunde beleza com saúde, mas isso não quer dizer que não posso fazer o básico: tentar comer verduras e frutas e fazer uns exercícios.

Mas essa é a minha opção, claro. Também acho que cada um sabe de sua vida, que magreza não é atestado de saúde e que ninguém tem obrigação de ser bela(o) para ser amado e respeitado.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O caso das três portas de armário

Chegamos ontem ao Brasil. Já comi pão-de-queijo (duas vezes), tomei Mate Couro e visitei minha vovó.

Também dei de cara com três portas (grandes) de armário, cheias de coisinhas minhas e do Leo.

Durante o sabático, achei que ia ficar toda contente de reencontrar esses objetos, a versão editada de tudo que possuí durante todos os anos de vida anteriores. Qual não foi minha surpresa ao verificar que minha reação foi:

1) nossa, é muita coisa! (Tem roupa de trabalho, roupa de cama, sapatos, ferramentas, livros.)

2) nossa, são só coisas! (Não fiquei radiante como imaginava, sentindo que havia reencontrado minha identidade. Talvez porque minha identidade tenha se alterado nesses dois anos e dois meses. Talvez porque, bem, sejam só coisas mesmo.)

Eu acho que, quando voltarmos à vida normal (ainda estamos meio no limbo, pensando sobre o que faremos durante 2015), vou ficar satisfeita de ter conservado todos esses objetos, que serão úteis na hora de montar uma casa. Isto é, teremos menos trabalho e menos despesa. Mas, no momento, só consigo olhar para as três portas de armário e pensar: "como é que eu carrego isso tudo pra Brasília? Não vai caber em duas malas, não!"

segunda-feira, 2 de março de 2015

O caso do burnout (ou esgotamento) de viagem

Li em vários blogs de pessoas que viajam por longos períodos que é comum, depois de um tempo, a gente ficar exausto. Não acontece com todo mundo, mas é um negócio que existe, sim.

É claro que eu não achei que ia rolar comigo. Primeiro porque tentamos ficar sempre em casas e apartamentos, em vez de albergues e hotéis impessoais; depois porque alternamos períodos mais puxados, com várias cidades por semana, com estadias mais longas e tranquilas.

Mesmo assim, depois de quase dois anos de viagem, bateu.

O Leo sugeriu passarmos dois meses em Paris, em um apezinho confortável. Segundo os blogs, parar em um lugar e estabelecer uma rotina é o melhor remédio para o burnout.

Os dois meses foram ótimos (a gente adora a França!), mas infelizmente não funcionou. Continuei sem vontade de viajar mais. Resultado: compramos a passagem para o Brasil.

Eu queria entender o que aconteceu, tanto para aconselhar futuros viajantes quanto para tentar fazer diferente na próxima vez (é claro que vai ter uma próxima vez! Ainda que seja depois que eu me aposentar).

Por enquanto, a hipótese nais promissora é que eu sou chata mesmo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O caso da blogoterapia

Eu tenho blog por um monte de razões: para dar notícia para quem está longe; para registrar o que aconteceu e poder ler depois; para escrever, que eu gosto muito; para fazer amigas (efeito inesperado e muito bem-vindo).

Além disso, o blog me ajuda a organizar as ideias. Quando boto meus sentimentos e decisões em palavras, entendo melhor de onde vieram e pra onde vão. Às vezes tenho insights no meio de posts. E os comentários ótimos e inspirados? Blog é praticamente uma terapia, gente!

O que é muito útil neste momento, em que estou me sentindo perdidinha. Acho que já fiz o luto pelo fim do sabático (em Paris! Tomando vinho nacional!); agora falta organizar o que aprendi sobre o mundo e sobre mim mesma, e o quero para o amanhã.

As únicas certezas que eu tenho é que continuo gostando do Leo, dos livros e de chocolate.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

De volta! (ao blog e ao Brasil)

Depois de mais de dois anos viajando alegremente pelo mundo, achei que estava bom. Já o Leo, se ganhasse na loteria, continuava pelo resto da vida. Mas ele concordou que eu não estava curtindo tanto e decidimos retornar.

O difícil, claro, foi assumir para mim mesma que já tinha dado. Porque foi todo um longo e trabalhoso processo tirar o sabático, né? Além disso, eu acreditei mesmo que tinha encontrado a receita da felicidade: viajar por aí, sem ter rotina ou obrigações, conhecendo lugares lindos, com todo tempo do mundo.

E foi maravilhoso - até que deixou de ser. E eu não sei muito bem explicar o porquê. Só sei que fiquei cansada. Chegou uma hora que eu não dava conta de processar mais uma paisagem, mais uma igreja, mais um museu. E viajar, que sempre tinha sido um prazer, uma alegria, uma renovação, passou a ser uma obrigação.

Só sei que, quando decidimos voltar, senti alívio e alegria.

* * *

A primeira ideia era voltar para Brasília e pro trabalho. Mas eu, que não sou boba nada, sei que a chance de conseguir outra licença é, no mínimo, remota. Então decidimos ficar um tempo na casa de nossos pais, em BH, e sentir o drama. A licença termina em 31 de dezembro deste ano; quem sabe 2015 não é o ano de passear pelas Américas?  

* * *

Eu podia ter inventado umas desculpas e dizer que estava voltando porque o euro subiu, porque o dinheiro acabou, porque o Leo não podia ficar mais na Europa. Mas, né? Sinceridade: trabalhamos. (Ou pelo menos tentamos.)