segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Caso dos Casos

No fim de semana, fui a uma festa de batizado da filha de uma amiga e saí de lá achando que só tinha gente velha. Aí caiu a ficha: eu sou gente velha. 
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Hoje faz um ano que Maridinho e eu saímos de BH bem cedinho, com o carro cheio, a caminho da capital. Eu estava otimista, mas não sabia que morar em Brasília ia ser tão bom. 
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Minha nova mania é ler tudo o que posso em francês. Incluindo blogues. E livros, um montão de livros. Agatha Christie é ótimo, facinho de entender. Mas o que eu preciso mesmo é de uma lista dos clássicos imperdíveis. 
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Aí eu fico treinando meu francês capenga com o Maridinho, que obviamente não entende lhufas, tadinho. Apesar de que ele já fala "Mon Dieu!" "C'est pas possible!" direitinho.   

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Caso da Seleção

Não, eu não sei fazer as coisas "um pouquinho". Ou me jogo ou enrolo e não faço nada. Não acho que isso seja uma qualidade: acho que é um excesso de entusiasmo juvenil. Mas, poxa, é tão divertido o entusiasmo juvenil. 

Então estou em pleno processo de me livrar de um monte de coisas. Por exemplo: a gaveta de sacolas. É, eu tenho uma gaveta de sacolas, igual à da minha mãe. (Não estou falando das sacolinhas de supermercado, que funcionam otimamente como saquinhos de lixo: estou falando das sacolas, geralmente de papel e tão bonitinhas!, que você ganha quando faz compras.) Concordo que é útil possuir algumas. Elas são boas pra carregar coisas. Mas alguém precisa de uma GAVETA DE  SACOLAS? 

Aí fiz uma sacola de sacolas pra deixar do lado das latas de lixo do prédio. Porque eu acredito piamente que alguém pode se interessar por aquelas sacolas tão bonitas, de todas as cores e tamanhos, e querer ficar com elas (ou pelo menos com algumas delas). 

Deixei umas poucas para trás. Sim, eu posso precisar. Mas, da próxima vez que eu ganhar uma, vou mandá-la direto para o lixo (seco - eu separo, claro. Embora na minha cidade não haja coleta seletiva), ao invés de guardá-la... na gaveta. 

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Apesar de ter despachado bastante coisa na mudança, eu ainda tenho uns hidratantes, que ganhei ou comprei (não sei por que - eu morro de preguiça de passar), guardadinhos no armário. Nesse caso, foi bom não me livrar de todos: Brasília de fato é uma cidade muito, muito seca, e embora minhas vias respiratórias estejam se comportando mais ou menos bem, minha pele normalmente oleosa resolveu se ressecar. Estou usando um monte de hidratante na maior alegria. Vocês não imaginam como fico feliz de chegar ao fim de um produto que tenho há anos e jogar a embalagem fora. 

Sim, eu ainda acredito que, tirando maionese e antibiótico, data de validade não passa de sugestão. 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Caso da Nova Ambição

Minha ambição atual é me tornar uma pessoa minimalista. Tem tudo a ver com o meu momento atual de desapego. E muito a ver com minha pão-durice constante. 

Não totalmente, porque o meu poupancismo é ligado à máxima "quem guarda tem" e ao grande acumúlo de objetos "que um dia eu posso precisar". A ideia agora é parar com essa bobagem. 

Estou aqui pensando que é toda uma evolução. Começou sete anos atrás, com o Maridinho me convencendo a jogar fora a pilha de caixas (vazias) dos presentes de casamento. Foi uma luta interior, mas eu me orgulho de ser uma pessoa racional mais do que de ser uma pessoa econômica. Os argumentos do Maridinho venceram e o quarto ficou habitável novamente. 

Quando nos mudamos do interior da Minas para a capital do país, há um ano, deixamos bastante coisa para trás. Os eletrodomésticos que não iam funcionar em Brasília, por causa da voltagem, foram vendidos a preços módicos. A cama de solteiro a faxineira ganhou. A mesa de vidro quadrada e os móveis do escritório foram para a mãe do Maridinho. E um monte de bagulhinhos foram para o lixo (ofereci para a faxineira, mas ela não quis. Ela tem muito mais bom gosto do que eu). 

Quando voltei do passeio da Alemanha, com umas camisas xadrezes da H&M debaixo do braço, achei logo que devia desocupar o armário para as roupas novas e bonitas caberem. Resultado: enchi uma mala. E o pior é que nem deu tanta diferença assim. As gavetas não ficaram vazias nem nada. 

E olha que eu não sou uma pessoa consumista, juro. As pessoas se admiram com a pouca frequência com que faço compras. O negócio é que não jogo nada fora, nunca. Eu tenho roupas da época da faculdade. A primeira faculdade.

Tudo bem com as calças que uso ainda hoje pra trabalhar. Nada bem com as roupas que eu não uso, como um jeans desbotada pega-frango (= na canela), que eu não jogava fora porque ficava esperando o modelo cigarrete voltar à moda. O diabo é que o jeans da calça é aquele antigo, duro e áspero. Pensando bem, eu herdei essa calça de alguém, provavelmente da minha mãe. Já estava na hora de ela circular. 

Então a técnica agora é esta: eu não quero comprar mais coisas, e também quero ir me desfazendo do que não uso e/ou não preciso. 

Conclusão: se alguém quiser me dar presentes, pense em coisas consumíveis. Como chocolate.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Caso do Chapelão

Aqui em Brasília faz muito, muito sol, inclusive no inverno. É céu que não acaba mais, prédios baixos e longes um dos outros, avenidas imensas. Ou seja, não tem sombra pra onde correr.

Eu morro de preguiça de passar protetor solar e sempre esqueço os óculos escuros. Resultado: bochechas tostadas, geralmente uma mais que a outra, olhos espremidos contra a luz, uma chatice. Aí resolvi apelar para uma solução prática e rápida: comprei um chapelão.

Parêntese: eu sempre me pergunto porque as pessoas não usam chapéu no Brasil. Bem de veeez em quando a gente vê alguém com a cabeça protegida, e costuma ser 1) um velhinho de chapéu panamá; 2) meu pai, que é branco-alemão e careca. E velhinho. Fim do parêntese.

O chapéu tem lindas abas largas e moles, que podem ser ajeitadas pra proteger a cara do lado do qual vem o sol. Eu amarro um lenço em torno da copa, pra ter menos cara de praia e mais cara de trabalho, e lá me vou serelepe pela rua.

As moças da portaria do serviço do Maridinho acharam engraçado (e riram na minha cara). O Maridinho achou ótimo, porque consegue me localizar de longe. O pessoal do serviço achou... interessante. E um taxista, ontem, me achou madame: correu pra abrir a porta do táxi e perguntou se "a senhora" queria que ligasse o ar (depois de gastar uns segundos procurando "a senhora", eu disse que sim, bem feliz).

E tem toda uma etiqueta do chapéu, né? Tem lugar em que você tem de estar com a cabeça descoberta (tipo igreja) ; tem lugar que você tem de estar com a cabeça coberta (tipo sinagoga); tem lugar que não é bom tampar a visão da pessoa que está atrás (tipo teatro).

Estou aprendendo.
O meu chapelão é exatamente assim, só que sem as tiras claras.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Caso do Curso Intensivo de Francês

Sendo uma pessoa empolgada, corri para me inscrever no curso de inverno da Aliança Francesa. É um intensivão um-semestre-em-quatro-semanas, com aulas de três horas de segunda à sexta-feira. 

As aulas começaram nesta segunda. Antes da terceira aula eu já estava exausta. Na internet, o povo fala muito bem dos intensivos de francês: dizem que rende muito e que vale a pena. Mas eu estava achando corrido pra caramba. Não dava tempo de fazer o dever de casa! O professor ia pulando pelas atividades do livro conforme lhe dava na telha! Não sobrava hora pra ler os livros e revistas em francês da mediateca!

Então, quando ontem me avisaram que a turma ia ser cancelada - porque eram só três alunos, eu inclusa -, fiquei até aliviada. E olha que eu gosto de estudar francês. E que meu plano era fazer este curso de inverno, e depois o semi-intensivo no segundo semestre: um ano em seis meses!

Deve ser muito útil para quem precisa aprender a língua rápido rápido. Pra mim, não funcionou. Curto o esquema de duas vezes por semana: dá pra passar na mediateca depois da aula, namorar as novidades, pegar as revistas que acabaram de chegar, escolher um escritor clássico e um moderno. Eu acho que aprender um idioma é abrir uma porta para toda uma nova cultura: preciso de tempo para explorar a nova cultura, senão perde a graça! No esquema curso de férias + semi-intensivo, dá pra se formar na Aliança em dois anos. Mas e o tempo para a diversão? 

Agora que o curso foi cancelado, tive tempo pra botar a leitura mais ou menos em dia. Ando apaixonada pela Amélie Nothomb, uma escritora belga fantástica. Recomendo fortemente. 

domingo, 22 de maio de 2011

O Caso do Vampiro Burro

Tá passando "Crepúsculo" na tevê e o Edward acaba de dizer que ele não dorme, nunca. Considerando que ele foi transformado no início do século XX, e o resultado é que o hômi teve um bocado de tempo livre na vida. Que ele usou... pra nada, aparentemente, porque ele tem o desenvolvimento emocional de uma siriema.


Pois é: uma coisa que me intriga nas ficções em que as personagens vivem muito ou para sempre é que, que eu me lembre, a passagem dos anos não os torna mais reflexivos ou mais cultos. No máximo eles decidem que não vai mais se alimentar de humanos ou destruí-los (se esse for o caso) e fica por aí. Gente, se eu não dormisse, quantas faculdades noturnas eu ia fazer! Uma hora dessas eu era pós-doutorada.

sábado, 7 de maio de 2011

O Caso do Trabalho

Sempre gostei de trabalhar: talvez porque eu tenha ficado muito tempo na faculdade e, portanto, quando finalmente pude produzir - e ganhar dinheiro! -, adorei. Trabalho intelectual, seja dito: trabalho manual, fora colorir, eu detesto. Provavelmente por causa da minha falta completa de coordenação motora (e no entanto eu consigo desenhar e dançar. Talvez seja má-vontade mesmo).

Mas agora eu realmente gosto de trabalhar. Por uma dessas reviravoltas do universo (um ambiente caótico e fractal, o que quer dizer que eventualmente as coisas vão ficar boas pro seu lado - estatística, povo!), caí em um lugar da empresa em que minhas diversas e aleatórias habilidades são valorizadas. (E olha que eu não queria ir pra área de comunicação interna; eu fiz de tudo pra ficar na área de relações internacionais!)

Eu gosto dos meus colegas, do meu chefe, do meu dia a dia, e gosto de trabalhar na sede: de repente eu passei do fim da cadeia alimentar para alguém que vai a eventos de cúpula fazer matérias pro jornal interno. E que tem ideias. E que dá palpites (quero dizer, opiniões balizadas em estudos e experiências). E cujos palpites são ouvidos, olha que coisa fantástica! Valeu, universo!

E olha, tenho que dizer que o meu feminismo prático tem muito a ver com isso. Porque agora eu tenho total consciência que não tenho obrigação de ser enfeite, e só de ser competente, e portanto não perco tempo em belas e insinuantes combinações, e não me intimido com os executivos-cuja-média-de-idade-é-cinquenta-anos-e-usam-terno-e-gravata-todo-dia, e se ponho esforço no meu guarda-roupa é justamente para NÃO surpreender ninguém. Porque eu não quero que gastem um minuto considerando minhas pernas/meu decote/meu estilo, e sim minhas ideias. E eu ando achando que, se a ideia é ousada mas a voz é firme e o terninho é cinza, os executivos-cuja-média-de-idade-é-cinquenta-anos-e-usam-terno-e-gravata-todo-dia discutem a ideia, e não a pessoa que a emitiu.

E nem vem dizer que estou sufocando a minha feminilidade em prol de um ideal masculino que domina os ambientes de trabalho hoje. Continuo tendo útero, tá. Eu só acho que me também distrairia com um colega de trabalho bronzeado e sarado que andasse de bermuda e regata. A não ser que a gente trabalhasse na Google, claro. Mas a chance de ter um colega de trabalho na Google que fosse bronzeado e sarado... enfim.

Confesso que, como almoço com o Maridinho quase todo dia, às vezes eu uso um vestidinho (reto) ou ponho uma saia (no joelho). E aí o pessoal que trabalha na minha sala até brinca que eu fui vestida de fêmea. Mas no dia seguinte eu estou lá firme e forte, de camisa-social-calça-social-sapato-baixo.

Feliz da vida, confortável e eficiente. Tenho certeza de que, se meus pés não doem, a minha cabeça funciona melhor.

domingo, 3 de abril de 2011

O Caso do Casamento

O Maridinho e eu sempre fomos grudadíssimos - aquele tipo de casal que faz tudo junto e chega a desistir de um programa se o outro não está a fim, pela simples razão que, sem a cara-metade, não tem graça.

Só que, depois de quase sete anos de casamento, estamos descobrindo que, às vezes, é preciso dividir para conquistar. Ele tem família grande, eu também, moramos em outro estado e o tempo é limitado. Então tem horas que o jeito é ele visitar os avós dele e eu, minha avó. O mesmo para os irmãos (as minhas estão cada uma em uma cidade diferente) e os amigos (também espalhados aqui e acolá).

E não é que é possível que, mesmo sem a cara-metade, o programa que ela/ele não gosta tenha graça? Aliás, até mais graça, já que não temos que nos preocupar se o outro está se divertindo ou achando tudo um tédio total?

E a gente ainda volta cheios de histórias pra contar.


quinta-feira, 24 de março de 2011

O Caso do Show

A última vez que fui a um show foi na década de 90 - no começo dela. Isto é, antes mesmo da aula de francês. Mas no último fim de semana a Shakira esteve em São Paulo, e a irmã I., que adora shows, comprou o ingresso, me deu a passagem de avião e me hospedou na casa dela. Aí eu fui. E foi fantástico.

Saímos de casa às três da tarde e voltamos às cinco do dia seguinte. Porque, vejam bem, a irmã I. tem mestrado e doutorado na ciência da diversão. Eu me diverti adoidado, dançando, cantando, pulando, tomando chuva, andando quilômetros, pegando ônibus lotadíssimo depois do show, cantando músicas da Shakira com a galera no ônibus lotadíssimo depois do show, terminando a noite num inferninho na rua Augusta. Sabe o que me incomodou? Nada. Porque eu estava de tênis e jeans, cara lavada e rabo de cavalo.

No show tinha umas meninas arrumadas, de bota de salto alto e maquiagem. E eu achei graça porque, um tempo atrás, eu provavelmente estaria assim. E provavelmente meus pés começariam a doer lá pelo começo da noite, e eu não teria pulado tanto, ou dançado tanto, ou ficado em altas filas com tanto bom-humor. (Mas essa sou eu: de repente as meninas arrumadas não tinham nervos nos pés e aproveitaram de montão.)

Enfim, a moral da história é: conforto é o que há. E olha que eu não estou falando de conforto como em "deitada numa cama de plumas sendo abanada com folhas de palmeira", mas como simples ausência de desconforto, ou de roupas que apertam, sapatos que machucam, bolsa que pesa etc. etc.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Caso do Francês e da Falta de Noção

(Porque vocês sabem, eu acho que eu sei alguma coisa de francês. Estudei quando era adolescente, assinei revista francesa e gosto de assistir ao TV5 de vez em quando - eu disse assistir, não entender.)

Pois bem. Agora que eu moro em uma capital e tenho vááárias opções de escolas de idiomas, fui bem pimpona me matricular na Alliance Française (no horário econômico, é claro). No final da primeira aula - Básico 2 -, na qual me comportei exatamente como a Hermione, corri na professora para dizer que a matéria era muito fácil e que ela devia me passar no mínimo para o Básico 3 (estudei em duas escolas de inglês e sempre fazia me pularem pra turma seguinte àquela em achavam que eu devia ficar).

A professora até que não se opunha a cooperar. O problema é que o único tempo verbal que eu sei em francês é o presente e aparentemente o Básico 2 é justamente o lugar para aprender os seguintes.

Aí botei o rabinho entre as pernas e decidi ficar no Básico 2 mesmo. Estou calculando que, como os colegas são (bem) mais contidos do que eu em sala, vai ficar fácil monopolizar a professora e tirar as minhas dúvidas mais estapafúrdias (gargalhada maléfica). Se bobear, daqui a um mês é ela que vai estar implorando para que eu passe ao Básico 3.

Hoje eu estava separando uns materiais e achei um caderno antigo. Eu tinha a impressão de que estudado francês por um bom tempo, mas descobri que fiz um único semestre (aí a turma fechou). Acho que me confundi com a irmã D.

E sabem quando foi esse semestre? Em 94! Há quase 20 anos!

Então, pensando bem, terem me colocado no Básico 2 foi até uma vitória.