quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Minha verdade sobre o minimalismo

Vejo blogs sobre minimalismo em que as pessoas são serenas, gratas, tiram fotos em preto-e-branco, meditam e fazem yoga. Acho lindo, mas infelizmente não é minha praia. Tenho bem pouca coisa, comparando com pessoas com o mesmo poder aquisitivo; me livrei de muitas obrigações que não faziam sentido para mim, inclusive dar presentes de natal para adultos e passar esmalte na unha; e até medito de vez em quando. Mas continuo meio doida, continuo fazendo uns mimimis e continuo me indignando quando a vida não corre do jeito que eu quero. 

Ou seja, minimalismo não é só para almas elevadas, e também não é o remédio para todos os males. Ele ajuda a deixar a vida mais leve e me dá mais tempo para ler meus livros, mas infelizmente não curou todas as minhas angústias (só algumas). Nem me deixa em um estado de êxtase constante. 

O que o minimalismo fez, e continua fazendo, foi me dar mais oportunidades. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O crachá provisório

Dia desses me dei conta de que ainda estava usando um crachá provisório no trabalho. O permanente ficou pronto em janeiro, mas como tem de buscar em um prédio longe, primeiro enrolei e depois esqueci. 

Ou, basicamente, queria tanto passar no concurso de oficial de chancelaria que me recusei a ver o emprego atual como permanente.

Ou a vida atual como permanente. Desde que chegamos a Brasília, a ideia foi morar em um apê pequeno/comprar poucos móveis/não ter carro/não criar compromissos de longo prazo, porque Brasília é provisória: daqui a pouquinho vamos embora.

Só que o daqui a pouquinho virou um daqui a poucão. Em dois de setembro, completamos um ano na capital. Ainda estou esperando a nomeação. E, mesmo depois que eu for nomeada, serão dois anos antes de sair do país. Isso se não atrasar e os dois anos se tornaram dois anos e meio, três anos...

Ou seja: tenho de encarar a realidade. A estadia em Brasília não é provisória. Não é só um intervalo rápido entre o sabático e o primeiro ciclo de remoções (10 anos no exterior, oba). Vai ser uma parte razoavelmente longa da minha vida. Tenho de dar um jeito de vivê-la da melhor maneira possível, em vez de encarar tudo que acontece como provisório.

E, como só percebi isso hoje, ainda não sei como fazer, não.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game of Thrones

Este fim de semana, finalmente decidi ler Game of Thrones. Todo mundo já leu os livros e já assistiu ao seriado, mas eu vinha resistindo, com o plano de só começar depois que o autor terminasse de escrever tudo. Vai que esse cara morre e deixa os leitores na mão? Aí vão contratar um escritor meia-boca para terminar a história e vai ser horrível e decepcionante. Pode ser que o fim original seja horrível e decepcionante mesmo, mas pelo menos vai ser o fim original.

Estou achando surpreendentemente bom. Eu esperava algo à Senhor dos Anéis, mas o George R. R. Martin é um autor contemporâneo e, portanto, tem um estilo mais moderno: escreve cenas mais curtas, alterna mais entre os personagens e termina os capítulos em momentos mais emocionantes. Além disso, ele não se preocupa em desenvolver línguas novas, criar poemas e canções e fazer descrições geográfica detalhadíssimas (o que é decerto valorizadíssimo pelos fãs, mas meio chato para o leitor casual).

A parte ruim é que já sei um monte de coisas (eu e a torcida do Galo). Já me contaram que uma galera vai morrer (então não é prático se apegar a nenhum personagem), que o Jon Snow não só vai morrer como vai ressuscitar, que a Daenerys Targaryen vai arrumar uns dragões e começar a dominar a joça toda. 

Ainda não resolvi se e quando vou assistir ao seriado. Provavelmente sim, depois que terminar os livros, porque os episódios já avançaram mais que os cinco volumes publicados. Por enquanto, tenho 3.640 páginas para me divertir. 

Por enquanto não avancei muito porque também resolvi ler uns livros sobre futebol americano. A temporada de jogos começou e achei que, se entendesse mais do babado, também acharia mais interessante. E, de fato, é um esporte mais complicado e mais divertido do que me pareceu à primeira vista. 

Gosto principalmente das pausas para comer cachorro-quente. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A velhinha doida

Definitivamente serei uma dessas velhinhas doidas que saem conversando com completos desconhecidos na maior tranquilidade.

Hoje, puxei conversa com uma pessoa diferente em cada ônibus que peguei e com dois amigos que vinham caminhando pela Esplanada. E continuei batendo papo, bem contente, até a hora de saltar do ônibus ou de entrar no prédio. 

Acho que eu estava precisando socializar.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um segundo leitor digital

Amo profundamento meu Kindle 4.0, uma versão maravilhosa com teclas que nem vende mais. Eu o tenho desde 2011 e ele já viajou bastante e sofreu um bocado de quedas, mas continua firme e forte. O único sinal de uso é a moldura desgastada pelas minhas mãozinhas sequiosas. 

No entanto, sei que um dia ele vai pifar. Tenho lançado olhares cobiçosos para o Kindle do Leo, que é do mesmo modelo, mas foi comprado depois e está mais conservado, porque o Leo divide seu interesse em aparelhos digitais entre o leitor digital, o tablet e o esporte na televisão. Obviamente não vou poder simplesmente tomá-lo dele, mas substitui-lo por uma versão mais moderna e sem graça (comigo é assim: dureza).

Estavam as coisas nesse pé, quando um cartão de crédito que o Leo tem há anos, até então gratuito, decidiu cobrar-lhe uma anuidade milionária. Antes de cancelar o cartão, o Leo verificou que tinha pontos no programa de recompensas. Esses pontos poderiam ser trocados por uma variedade  incrível de badulaques. Nada nos interessou, fora um belo Kindle Paperwhite por metade dos pontos habituais. Considerando o tanto que a gente usa os leitores digitais (eu esqueço a carteira em casa, mas não esqueço o Kindle), achamos um boa ideia ter um reserva.

Ele chegou pelo correio a alguns dias, bem na hora em que o laptop agonizava (este logo se recuperou. Deve ter sentido que não ia fazer falta e decidiu se comportar). O Kindle Paperwhite é bem bonito e aveludado, mas sofre da terrível e incurável condição de não possuir teclas. Ou seja, ainda não conseguiu minha aprovação incondicional.

A principal vantagem brinquedo novo é ter luz própria. Eu e o Leo gostamos de ler antes de dormir, e volta e meia ele apaga enquanto eu prossigo com meu abajur ligado. Agora, não vou mais incomodá-lo: lerei noite adentro sob a iluminação discretíssima do leitor digital.

Quem sabe com o tempo não me adapto à condição teclaless do Paperwhite? A capacidade de armazenamento dele (4 GB) é o dobro da do antigo. Dá pra enfiar muito mais PDFs dentro. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Decide, Jesus!

Antes de ontem meu laptop pifou por algumas horas. Quando ele voltou, corri para fazer backup.

Ontem meu laptop pegou um vírus. (Sim, eu baixo itens indevidos na internet, como o pdf falso de um livro de francês impossível de achar em sebos - Objectif Diplomatie 2, caso alguém queira saber. E tenha. E queira me emprestar.) Com a serenidade no olhar de quem tem backup, corri para pedir ajuda pro Leo, que nos salvou (a mim e ao note).

Eu não acredito em sinais, mas se acreditasse, poderia concluir:
- que Jesus quer que eu pare de estudar; ou
- que Jesus quer que eu fique esperta e estude com mais intensidade, porque a oportunidade de estudar pode desaparecer a qualquer instante; ou
- que Jesus é um gozador.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O que Jesus quer para mim

Quando fiz uma pós em direito do trabalho (longa história), a melhor parte eram as colegas. Uma dela gostava de dizer, diante de imprevistos: "Jesus não queria isso para mim".

Sou firmemente ateia, mas achei a ideia fofa. Que serenidade essa, de justificar os obstáculos e revezes com a vontade de Jesus. Uma certeza deveras reconfortante.

Ontem meu laptop piscou e apresentou uma tela azul com letras pré-históricas. Diagnóstico do Leo: o aparelho não está conseguindo ler o próprio HD. Sim, você provavelmente perdeu tudo.

Pensei nos resumos e anotações de aula. Pensei nos artigos e capítulos em pdf. Pensei nos PowerPoints baixados e organizados com títulos explicativos. Pensei nos áudios gravados em tempo real. Tudo evaporado, como em um passe de mágica.

E o que fiz? Dei um suspiro. E só. Pode ser o remédio para labirintite que estou tomando ou o monte de livros que tenho lido sobre a tolice de lutar contra o que não podemos mudar. De qualquer forma, não me irritei. Talvez tenha até sentido um microalívio, uma permissão implícita para passar uns dias sem estudar.

O Leo decidiu telefonar para a assistência técnica da marca e, enquanto esperava ser atendido por uma pessoa de verdade, o laptop voltou à vida. Foi até engraçado.

Então, se os materiais dizimados significavam que Jesus não queria isso para mim, os materiais trazidos de volta à vida querem dizer que Jesus quer que eu estude muitão?

Me lasquei.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Stranger than fiction

Sempre gostei muitíssimo de ficção, mas de uns anos para cá tenho preferido a não: divulgação científica, política internacional, psicologia, história e biografias, muitas biografias.

Tanto evento real tão mais bizarro que ficção.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Murphy engraçadão

Queria viajar em abril ou maio para comemorar meu aniversário. Por causa do concurso, fiquei em Brasília, imaginando que podia ser chamada a qualquer momento. Fui chamada? Não.

Pensei em fazer um curso de línguas no exterior em junho, julho ou agosto. Por causa do concurso, fiquei em Brasília, imaginando que podia ser chamada a qualquer momento. Fui chamada? Não.

Tirei o edredom grosso da cama e me preparei para a chegada do verão. Ele chegou? Não. A temperatura deve ter caído uns 15 graus do dia daquele post para hoje.


* * *

Atualização: esta semana, colega estudante no Instagram diz que perdeu todos os arquivos do computador. Penso: puxa, preciso fazer um backup. Faço um backup? Não. O que o laptop faz? Pifa.

Por algumas horas. Sim, ele se recuperou. Murphy foi meu amigo desta vez.

Sim, estou fazendo backup. Neste exato momento.

sábado, 20 de agosto de 2016

Que venha o verão!

É, eu sei que estamos em agosto ainda. Mas em Brasília as coisas são diferentes: assim como Coronel Fabriciano (será que é sina?), a cidade tem só duas estações: inverno e inferno. E o inverno dura bem pouquinho (em Brasília mais que em Fabriciano, o que já é vantagem). Ou seja, mesmo que no calendário oficial nem a primavera tenha começado, hoje foi meu primeiro dia de verão de 2016.

O que marcou a data? Fácil: tomei banho no meio do dia e fui obrigada a desligar o chuveiro elétrico, de tão quente que a tarde e a água estavam. Aproveitamos e tiramos o edredom gordo da cama (já tinha umas noites em que a gente mais o chutava do que ficava debaixo dele). Também abrimos todas as janelas do apê (fazia um tempo que isso não era necessário) e checamos todas as telinhas (eu já disse que a gente mora cercado de árvore, né?).

Decidi que, este ano, não vou sofrer tanto quanto em 2015. Chegamos a Bsb em 2 de setembro e senti muitíssimo calor durante vários meses. Alugar apartamento, montar casa e nos instalarmos na cidade sem carro não foi fácil. Além disso, eu tinha um horário bizarro no trabalho, o que fazia que volta e meia eu almoçasse perto de casa, sob o sol impiedoso, e pegasse o ônibus para a Esplanada quase meio-dia, de roupa social e sapatos fechados. 

Dessa vez, vou fazer de tudo para escapar desse horário e ficar no trabalho (que tem ar-condicionado!) durante as horas mais quentes do dia. Também não vou pensar duas vezes antes de ligar o circulador de ar em casa. Além disso, vou trocar o chazinho quente que eu tomo o dia todo (já que não gosto de café) por água, suco ou chá gelados. Outra coisa é substituir as calças de caminhada por shorts. E usar a banheira do apartamento como uma piscininha.

Mas o plano maior para sofrer menos é instalar ar-condicionado no quarto. Em muitos lugares, à noite a temperatura cai. Em Bsb, nem sempre. O calor é tanto que fica até difícil dormir. 

Quando resolvemos viver de maneira mais simples, também combinamos que não íamos deixar a (minha) pão-durice nos privar de alguns confortos. Um aparelho de ar-condicionado não é barato, mas também não vai quebrar o banco. O mais chato e complicado vai ser a instalação mas, considerando que o frio só volta em junho do ano que vem, acho que vai valer a pena.