Queria viajar em abril ou maio para comemorar meu aniversário. Por causa do concurso, fiquei em Brasília, imaginando que podia ser chamada a qualquer momento. Fui chamada? Não.
Pensei em fazer um curso de línguas no exterior em junho, julho ou agosto. Por causa do concurso, fiquei em Brasília, imaginando que podia ser chamada a qualquer momento. Fui chamada? Não.
Tirei o edredom grosso da cama e me preparei para a chegada do verão. Ele chegou? Não. A temperatura deve ter caído uns 15 graus do dia daquele post para hoje.
* * *
Atualização: esta semana, colega estudante no Instagram diz que perdeu todos os arquivos do computador. Penso: puxa, preciso fazer um backup. Faço um backup? Não. O que o laptop faz? Pifa.
Por algumas horas. Sim, ele se recuperou. Murphy foi meu amigo desta vez.
Sim, estou fazendo backup. Neste exato momento.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
sábado, 20 de agosto de 2016
Que venha o verão!
É, eu sei que estamos em agosto ainda. Mas em Brasília as coisas são diferentes: assim como Coronel Fabriciano (será que é sina?), a cidade tem só duas estações: inverno e inferno. E o inverno dura bem pouquinho (em Brasília mais que em Fabriciano, o que já é vantagem). Ou seja, mesmo que no calendário oficial nem a primavera tenha começado, hoje foi meu primeiro dia de verão de 2016.
O que marcou a data? Fácil: tomei banho no meio do dia e fui obrigada a desligar o chuveiro elétrico, de tão quente que a tarde e a água estavam. Aproveitamos e tiramos o edredom gordo da cama (já tinha umas noites em que a gente mais o chutava do que ficava debaixo dele). Também abrimos todas as janelas do apê (fazia um tempo que isso não era necessário) e checamos todas as telinhas (eu já disse que a gente mora cercado de árvore, né?).
Decidi que, este ano, não vou sofrer tanto quanto em 2015. Chegamos a Bsb em 2 de setembro e senti muitíssimo calor durante vários meses. Alugar apartamento, montar casa e nos instalarmos na cidade sem carro não foi fácil. Além disso, eu tinha um horário bizarro no trabalho, o que fazia que volta e meia eu almoçasse perto de casa, sob o sol impiedoso, e pegasse o ônibus para a Esplanada quase meio-dia, de roupa social e sapatos fechados.
Dessa vez, vou fazer de tudo para escapar desse horário e ficar no trabalho (que tem ar-condicionado!) durante as horas mais quentes do dia. Também não vou pensar duas vezes antes de ligar o circulador de ar em casa. Além disso, vou trocar o chazinho quente que eu tomo o dia todo (já que não gosto de café) por água, suco ou chá gelados. Outra coisa é substituir as calças de caminhada por shorts. E usar a banheira do apartamento como uma piscininha.
Mas o plano maior para sofrer menos é instalar ar-condicionado no quarto. Em muitos lugares, à noite a temperatura cai. Em Bsb, nem sempre. O calor é tanto que fica até difícil dormir.
Quando resolvemos viver de maneira mais simples, também combinamos que não íamos deixar a (minha) pão-durice nos privar de alguns confortos. Um aparelho de ar-condicionado não é barato, mas também não vai quebrar o banco. O mais chato e complicado vai ser a instalação mas, considerando que o frio só volta em junho do ano que vem, acho que vai valer a pena.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
A pergunta de um milhão de reais
Um colega de trabalho do Leo perguntou para os outros o que eles fariam se ganhassem um milhão de reais. A resposta quase unânime foi: "Um milhão? É muito pouco! Não dá para fazer nada! É só comprar um apartamento maior e um carro bom que o dinheiro acaba!".
Na vez do Leo, ele respondeu: "não tenho vontade de comprar apartamento nem carro. Com um milhão, o que eu faria é não aparecer mais aqui no trabalho."
Parece uma boa parte das pessoas acha que um prêmio ou uma herança inesperada vão trazer felicidade se forem usadas para adquirir mais bens. "Mudar de vida" é morar em um lugar mais chique e dirigir um veículo mais caro. Na prática, a rotina da pessoa não muda. Depois que as exclamações de admiração dos amigos e da família terminarem, restará pagar um IPVA e um IPTU mais pesados.
Segundo um amigo nosso economista, esse um milhão bem investido proporcionaria um retorno real (isto é, descontada a inflação) de 0,5%. Ou seja, 5 mil reais livrinhos todo mês para serem usados como a pessoa quiser. Ou acumulados para um projeto mais ambicioso.
Acho que, mais que comprar bens, investir em experiências, em saúde, em educação e em relacionamentos é que proporcionaria a verdadeira mudança de vida. Eu e o Leo sugeriríamos um sabático (que, aliás, custou muito menos que um milhão). Há quem queira abrir um negócio próprio. Há quem prefira parar de trabalhar para se dedicar a atividades não lucrativas. Moral da história: consumir não é a única resposta.
PS: estamos falando de gente de classe média pra cima. Quem passa dificuldade para pagar o aluguel provavelmente vai ficar muito feliz adquirindo a casa própria. Mas essa pessoa não entra na nossa amostragem: ela jamais diria que um milhão "é muito pouco".
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
O emburramento
Andei meio emburrada, que é o termo que dou para quando estou desanimada, insatisfeita e achando tudo besta. Para completar, fico me sentindo uma mal-agradecida, já que minha vida está joia e não tenho do que reclamar.
Aí me dei conta que o problema não é o presente, que tá tranquilo, tá favorável. O problema é o passado e o futuro. O passado foi um período sabático fantástico; o futuro promete altas aventuras. Comparativamente, o presente ficou sem graça e cinzento, coitado. Um vale entre dois picos.
Eu seeeei que a turma do "aproveite o momento presente" vai dizer que eu sou uma bobona e que é exatamente isso o que devo fazer: aproveitar o momento presente. E eu estou tentando, gente, mas tá difícil.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Caminhar é preciso
Minha rotina mudou. Perdi a companhia. Passamos mais de uma semana em BH. No fim das contas, passei mais de um mês sem caminhar diariamente.
Aí fiquei melancólica e desanimada. Achei até que estava ficando deprimida. Mas só percebi isso tudo na segunda-feira, quando decidi fazer uma caminhada pela manhã, sozinha mesmo, e passei o resto do dia muito mais feliz.
Os médicos dizem mesmo que, se houvesse um remédio com os resultados do exercício físico, eles prescreveriam para todo mundo. Como não tem, o jeito é botar um tênis e ir passear.
Eu, particularmente, detesto academia (menos a Real das Ciências da Suécia, que dá o prêmio Nobel). Então, faço meu exercício por conta própria. Em Belo Horizonte, onde não havia lugar para caminhar perto de casa, eu tinha uma bicicletinha ergométrica, que eu usava religiosamente. Aqui em Brasília, moro em uma superquadra, o que significa muita árvore, muito verde e muitas calçadas largas. Além de ser plana, a região é bonita.
Confesso que às vezes fico com preguiça de trocar de roupa, passar protetor solar e sair. Mas, depois que ponho o pé na rua, sempre acho bom.
Sei que o recomendado é não só exercício aeróbico, mas com pesos também. Pois bem: faço o meu carregando as compras de supermercado até em casa (são 700 metros!), e subindo três andares com elas. Talvez um dia eu tenha de me render à academia (aguardo ansiosamente o meu Nobel), mas por enquanto estou me virando bem sozinha, obrigada.
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Anticlímax
O
primeiro semestre foi cheio de emoções. Teve prova, recursos, subida de
posições, concurso de formação. O resultado final saiu no DOU em maio.
Consegui uma licença-capacitação no trabalho no começo de junho e saí de
lá achando que ela ia durar pouco, porque o MRE ia chamar para a posse
dali uns dias.
Aí,
silêncio. Sem sinal de vida do Itamaraty - nem mesmo a lista de exames
médicos. Geralmente os aprovados não são nomeados imediatamente, é
verdade, mas os professores do curso de formação juraram que eles
estavam precisando muitíssimo de gente. E já passaram quase três meses.
terça-feira, 19 de julho de 2016
Escaneadora com ascendente em aleatoriedades
Como disse minha irmã mais nova, "Foi o pior livro bom que eu já li". Estou falando de Refuse to Choose, da Barbara Sher (pelo jeito sem tradução para português), que fala de um tipo de gente diferente: scanners, ou escaneadores - um povo que pula de um interesse para outro, alegremente, sem se comprometer para sempre com nada.
Eu e a irmã nos identificamos. Queremos saber e fazer um monte de coisas, mas ficamos satisfeitas depois de um certo tempo. Não sentimos necessidade de nos concentrar no mesmo tema durante anos e anos. Depois que a gente absorve o que quer, damos tchau. E partimos para a próxima. Isso, claro, tem seu preço. Em um mundo que valoriza especialistas, somos generalistas aleatórias.
O lado ruim do livro é que a autora trata a si mesma e aos escaneadores como gênios incompreendidos. E enche as páginas de historinhas repetitivas nas quais ela REVELA às pessoas sua VERDADEIRA natureza. Aí as pessoas ficam absolutamente chocadas, porque jamais, em toda a vida, tinham pensado naquilo/visto as coisas por aquele ângulo. O que nos faz desconfiar que esses escaneadores não são tão brilhantes assim, certo? Mas achei bacana ter um nome para o que eu sou que não fosse "sem foco", "desorganizada" ou "randômica".
A autora diz que não temos que terminar o que começamos - aliás, ela recomenda que a gente não termine a maioria absoluta dos nossos projetos! Mas, no fim do livro, dá o braço a torcer: fala que não precisamos terminar todos os projetos, mas que precisamos saber terminar.
Fiquei pensando em como aplicar esse novo conhecimento na prática. Por um lado, estou feliz por entender meu fôlego curto (muita iniciativa, pouca acabativa). Por outro, sei que alguns objetivos dessa vida só são alcançados com um esforço contínuo e prolongado - algo que vai contra minha tendência escaneadora. O que fazer?
Tentar domar minha tendência escaneadora, né? Não por toda minha existência, porque isso seria muito sofrido. Mas por um período determinado (provavelmente mais longo do que eu gostaria). Estou pensando numas estratégias aqui.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
#Enveja
Dia desses tive uma crise de inveja de gente que pode ficar só estudando. Afinal, trabalho toma tempo e desgasta. Fiquei pensando como seria bom ter o dia inteiro para ler livros e ver vídeo-aulas.
Aí tive vários dias de folga, que decidi dedicar ao estudo. Pronto. Foi o suficiente para me lembrar que a vida do estudante integral não é tão boa assim. É preciso ter disciplina, paciência, atenção. Lutar contra a preguiça, o autoengano, as redes sociais. E isso porque eu gosto das matérias!
Digo me lembrar porque, depois que me graduei em direito, estudei para concursos públicos. Morava com meus pais, eles pagavam cursinho e materiais, e eu ainda reclamava, porque achava que eles me perturbavam! O caso é que eu fazia uma segunda graduação, estudava só quando me dava na telha (e depois que saía um edital que me interessava), e eles achavam que não era uma boa estratégia. Por sorte (e pelo acúmulo de períodos variados de estudo), fui aprovada alguns meses depois que me formei... pela segunda vez.
Resumindo: não tá fácil pra ninguém. Mas um chocolatinho sempre ajuda.
Aí tive vários dias de folga, que decidi dedicar ao estudo. Pronto. Foi o suficiente para me lembrar que a vida do estudante integral não é tão boa assim. É preciso ter disciplina, paciência, atenção. Lutar contra a preguiça, o autoengano, as redes sociais. E isso porque eu gosto das matérias!
Digo me lembrar porque, depois que me graduei em direito, estudei para concursos públicos. Morava com meus pais, eles pagavam cursinho e materiais, e eu ainda reclamava, porque achava que eles me perturbavam! O caso é que eu fazia uma segunda graduação, estudava só quando me dava na telha (e depois que saía um edital que me interessava), e eles achavam que não era uma boa estratégia. Por sorte (e pelo acúmulo de períodos variados de estudo), fui aprovada alguns meses depois que me formei... pela segunda vez.
Resumindo: não tá fácil pra ninguém. Mas um chocolatinho sempre ajuda.
terça-feira, 12 de julho de 2016
Por que eu não fiz isso antes?
Porque faltou tempo.
Porque faltou grana.
Porque faltou ânimo.
Porque me distraí.
Porque fui fazer outras coisas mais importantes.
Porque fui fazer outras coisas mais urgentes.
Porque eu não sabia que isso existia.
Porque eu não sabia que eu queria isso antes.
* * *
Vale pra quase tudo.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Segundo semestre: a decisão da pessoa
Pessoa infernizou amigos e família por meses sobre o concurso de oficial de chancelaria. Pessoa estudou sofrendo, chorando e rangendo os dentes. Pessoa passou no concurso. E agora, o que a pessoa faz? Arruma outra coisa pra estudar, claro.
Mas a culpa não é da pessoa, pessoas. A culpa é do tempo livre que a vida simples proporciona e da demora para nomearem a pessoa. Se a pessoa estivesse trabalhando de 9 às 19 no Itamaraty, estaria ocupada e feliz. Como não está...
Como não está, pessoa decide estudar as matérias do concurso de diplomacia. Vejam bem: pessoa não vai estudar para passar no concurso de diplomacia. Pessoa quer é ler livros, fazer aulas e participar de grupos de discussão na internet sobre temas palpitantes.
Pessoa não está sendo falsamente modesta. Modesta a pessoa nunca foi. Mas a pessoa sabe que o concurso é muito difícil, que são poucas vagas, que todo anos tem 500 candidatos realmente preparados para 30 vagas. Também sabe que as pessoas costumam levar 3, 4 anos para serem aprovadas (quando são) e que seu fôlego para estudos tem se mostrado, até agora, curto.
Ou seja, a chance de pessoa se distrair no meio do processo e ir fazer outra coisa é muito grande. Então, pessoa não quer se comprometer com a meta da aprovação. Não quer nem se comprometer em ir fazer a prova! Quer é estudar história, geografia, economia e política internacional, tudo muito útil para quem vai fazer parte do Serviço Exterior Brasileiro.
E muito mais divertido que contabilidade pública, vamos combinar.
Mas a culpa não é da pessoa, pessoas. A culpa é do tempo livre que a vida simples proporciona e da demora para nomearem a pessoa. Se a pessoa estivesse trabalhando de 9 às 19 no Itamaraty, estaria ocupada e feliz. Como não está...
Como não está, pessoa decide estudar as matérias do concurso de diplomacia. Vejam bem: pessoa não vai estudar para passar no concurso de diplomacia. Pessoa quer é ler livros, fazer aulas e participar de grupos de discussão na internet sobre temas palpitantes.
Pessoa não está sendo falsamente modesta. Modesta a pessoa nunca foi. Mas a pessoa sabe que o concurso é muito difícil, que são poucas vagas, que todo anos tem 500 candidatos realmente preparados para 30 vagas. Também sabe que as pessoas costumam levar 3, 4 anos para serem aprovadas (quando são) e que seu fôlego para estudos tem se mostrado, até agora, curto.
Ou seja, a chance de pessoa se distrair no meio do processo e ir fazer outra coisa é muito grande. Então, pessoa não quer se comprometer com a meta da aprovação. Não quer nem se comprometer em ir fazer a prova! Quer é estudar história, geografia, economia e política internacional, tudo muito útil para quem vai fazer parte do Serviço Exterior Brasileiro.
E muito mais divertido que contabilidade pública, vamos combinar.
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