quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Caso das Caronas

Olha, eu acho que dirigir é uma coisa muito ótima. Tanto que até fiz um tratamento para ansiedade, e uma das razões era a aflição ao volante. Na prática o que aconteceu que, ao invés de perder o medo de dirigir, eu deixei de ligar de ter medo de dirigir, e continuei a pé. (Verdade seja dita: o Maridinho me leva pra tudo quanto é lado, com a maior boa vontade, mas agora ele voltou a trabalhar, e nossos horários nem sempre batem.)

Então eu caminho, pego ônibus, ando de táxi e peço caronas com uma cara de pau medonha. Basta você ter um adesivo da UnB no seu carro para virar minha vítima, como minha vizinha de prédio bem sabe. Ou ser um/a colegas de trabalho motorizado. Desmotorizado também serve: divido táxis na maior alegria.

O interessante é que eu conheço muita gente legal desse jeito. Lembra que as minhas palavras preferidas eram oportunidade, promoção e aumento? Agora tenho mais uma: "pessoas".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Caso da Pão-Durice Elegante

Continuo firme e forte na minha decisão que aparência é só superfície e que, portanto, não é a parte mais importante das pessoas. Por outro lado, sou perfeitamente capaz de compreender que há códigos não-verbais culturamente construídos nessa vida, e tento gerenciá-los de modo a chegar a meus objetivos (poder e cobiça, menos a cobiça) sem sacrificar meus ideais (um mundo melhor). Isto é: salto alto não, esmalte não, maquiagem não. Calças e camisas sociais sim, broche na lapela sim (igual a Madeleine Albright!).

Em outras palavras: os melhores amigos da poupançuda que acha que uma roupinha boa e limpinha não ajuda a avançar na carreira, mas pelo menos não atrapalha são 1) as lojas de departamentos, 2) a irmã que é do mesmo tamanho e empresta terninhos novos em folha, porque ela não os está usando, 3) os brechós!

Eu nunca havia encontrado um brechó decente na vida, mas aqui em Brasília tem. Ele parece uma loja de verdade, é bonito, bem-decorado, iluminado, e as peças ficam separadas por estilo e cor. Comprei três camisas muito bonitas por 40 reais cada, e a vantagem é que não tive que cortar a barra de nenhuma. E se alguém quiser saber, não, eu não ligo a mínima de usar roupa que já foi de outra pessoa: até eu deixar de morar com os meus pais sempre rolou um troca-troca medonho entre irmãs, tias e mãe, e ninguém morreu por causa disso, muito antes pelo contrário. Sem falar que quase todo mundo que eu conheço doa roupa usada para os menos favorecidos, e aí? Os menos favorecidos podem usar, mas a bonita não? Menos, né?

* * *

A Tania pediu nos comentários, então aí vai: o brechó se chama Peça Rara (hihihi) e fica na SCLS 307, bloco C, loja 3. Isso quer dizer que ele fica na Asa Sul, entre as superquadras 307 e 308. A loja fica no meio do quarteirão. Eles têm site, mas desconsiderem as fotos de gosto duvidoso: o que tem no brechó mesmo é muito mais legal. Só tem de dar um pouco de sorte, pra ter o que você gosta, e no seu tamanho.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Caso da Aparência de Poder

Descobri: o que ofusca a minha estagicara, isto é, minha cara de estagiária, é a terceira peça. O casaco. A jaqueta. O blazer. De preferência da mesma cor da calça. Porque, vejam bem, num país tropical, abençoado por deus, terceira peça é coisa de quem está acima dos meros mortais e de coisas desprezíveis como o calor. Alguém aí já viu os cotovelos da rainha da Inglaterra?

Com o Maridinho, o resultado é impressionante. Nunca ninguém achou que ele fosse estagiário, mas você bota o Maridinho num terno e ele vira "otoridade". Já lhe deram parabéns pela conquista na posse de uma amiga juíza, tentaram levá-lo à força para o embarque internacional de primeira classe e, na última festa da empresa, ele foi pegar uma cadeira emprestada em outra mesa e de lá saltaram o presidente e o vice da firma para cumprimentá-lo.

Já eu, de terno e gravata, fico parecendo o Harry Potter. Por isso é que eu não uso gravata. Nessa terra de trouxas ninguém acredita nos meus poderes mágicos, mesmo.

* * *

E então você percebe que a vida é efêmera e todas as glórias, ilusão: nasceu uma espinha na ponta do meu nariz.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Caso das Ótimas Dicas

Gente, muito obrigada pelas ideias no último post. Vou adotar todas! Menos as saias e os saltos, que eu acho elegantes, mas desconfortáveis e limitadores de movimentos (tenta atravessar a rua correndo com eles, tenta. Ou sentar em cima das pernas, o que eu adoro fazer). Além de perigosos: a Sarah acaba de levar um tombão cinematográfico por conta do salto alto.

No mesmo tema de roupas de trabalho, olhem só que interessante: quando o Maridinho voltou a trabalhar, ele comprou uma calça social, cinco camisas igualmente sociais e pronto, resolvido. Inspirada por ele (vocês sabem, a Kate Moss perdeu o post de ícone de moda e beleza para o Maridinho), voltei na loja em que ele havia comprado camisas bonitas e em conta (a Riachuelo), pronta para adquirir o equivalente "de moça".

Que não encontrei. A única camisa feminina social disponível era, claro, justa, com elastano e ficava mal-enjambrada no corpo, além de custar 70 reais. Enquanto as camisas do Maridinho eram 100% algodão, vinham em bonitas cores e listras, e saíram 30% mais baratas.

Não tive dúvida: marchei para o outro lado da loja, escolhi uma camisa masculina no menor tamanho disponível e comprei.

Tive que cortar um pedaço no comprimento, é verdade. Mas o resultado final foi muito positivo: a camisa é linda, é muito confortável e, apesar das mangas longas, é fresca. Puro algodão, sabe como é.

Recomendo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Caso do Novo Posto

Descobri que tenho estagicara, isto é, cara de estagiária. Deve ser porque fui estagiária durante tanto tempo (dez anos na faculdade!) que grudou.

Brincadeira. Acho que é porque sou feliz e sorridente e trato bem todo mundo. O que não é nada de mais. Só que os executivos da empresa andam de cara fechada e não dão mole para os simples mortais.

Não quero nem saber. Me recuso a ser babaca só para mostrar que não estou na base da cadeia alimentar. Aliás, não teria a menor importância acharem que eu sou estagiária se eu não estivesse na comunicação interna e tivesse que lidar com frequência com os tais executivos (que, nem é preciso dizer, não querem conversa com estagiários).

O jeito, então, é usar terninho todo santo dia. Porque salto alto, bolsa de marca e bijoux douradas eu me recuso.

* * *

E aí começa a questã. Homem troca a camisa e a gravata e usa o mesmo terno a semana toda; mulher tem de trocar o terno. Ou não? Então alguém me explique a existência de terninhos vermelho-sangue, azul-fusquinha e rosa-bebê.

Eu tenho dois ternos bonitos e confortáveis: um preto e um cinza. Em tese, eu poderia usar os meus dois terninhos todo dia, só trocando a camisa, não é? Não é ?!?

Preciso de um substituto para gravata urgente.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Caso da Aflição

É muito bom ler livros e blogs e artigos e ter espírito crítico e perceber que o mundo não é justo e votar em partidos que eu acho que tentam resolver o problema. Mas, além disso, o que mais que a gente FAZ?

Ajudar as pessoas, dar roupas e objetos, doar dinheiro para organizações é muito bom e eu faço, mas não RESOLVE. Aliás, uma das minhas birras com a igreja católica é tal da caridade, porque alivia uma dificuldade de momento mas incentiva o status quo, a situação como está. E a grande problema É a situação como está.

Aí eu me sento na sala do meu apartamento no plano-piloto da capital e, no meu laptop, vejo textos sobre desigualdade social e concordo plenamente, enquanto tomo sorvete de creme com petit gateau de chocolate. Tem alguma coisa errada aí ou só eu que estou achando?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Caso do Segredo do Sucesso

Eu acho que conhecimento (teórico), experiência (prática) e dedicação são essenciais para se dar bem no mundo profissional. Ultimamente, entretanto, ando achando que a diferença entre as pessoas preparadas e bem-sucedidas e as preparadas e não tão bem-sucedidas seja um item que escola nenhuma ensina: cara-de-pau.

Por cara-de-pau entenda-se a prática constante da máxima "perguntar (e sugerir) não ofende". Ou um saudável desrespeito a regras tolas não-escritas (dos quais um bom exemplo é hierarquia, se você não está no exército).

De vez em quando a gente escuta uns nãos e vê umas caretas. Normal. Como dizia o boizinho, o importante é não se deixar abater.

domingo, 31 de outubro de 2010

O Caso do Dia D (de Dilma)

Eu e Maridinho fomos votar cedinho. Vestimos nossas camisas vermelhas, botamos nossos adesivos no peito (manifestação silenciosa pode) e nos mandamos para o colégio eleitoral da turma do voto em trânsito.

Na saída encontramos uma mãe e uma bebê que estavam de vermelho e de adesivo (só a mãe) também. E eu fiquei pensando que, se a Dilma for eleita, pra essa menininha vai ser a coisa mais natural do mundo responder "presidenta!" quando perguntarem a ela o que quer ser quando crescer.

Que orgulho, sô.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Caso da Fofura

Tem um ditado em inglês que diz que "um tolo e seu dinheiro logo se separam". Segundo essa lógica, eu sou espertíssima, porque eu e meu dinheiro andamos agarradinhos. Nem o fato de morar ao lado da "Rua da Moda" aqui de Brasília (é, tem placa e tudo) me tentou. Até porque, depois que decidi usar só sapatos e roupas confortáveis e me lixar para as tendências, a moda perdeu grande parte do seu encanto pra mim.

Não é que eu não ache as vitrines bonitas. Acho. Mas fico olhando com distanciamento, como se estivesse apreciando uma instalação cubista. Nunca fui consumista (tirando uma rápida fase Becky Bloom) e agora não tenho vontade mesmo de possuir aqueles curiosos objetos de tortura para os pés.

Hoje foi uma exceção: fui com o Maridinho trocar uma camisa dele e achei um par de sapatilhas lilás de couro de verdade por um preço aceitável. E comprei. Sim, eu já disse que sapatilhas são obras do demo e todas mastigam meus tendões, mas acho que os fabricantes de sapatos escutaram a minha dor e decidiram reformular seus conceitos. Essa é macia mesmo, juro.

Além de ser lilás, ela tem laço na frente. E eu estava correndo de peças que não fossem mais ou menos unissex. Mas aí me deu um estalo: se os homens não "podem" usar lilás e laços de fita, eles estão perdendo. Sério. Aliás, aos moços em geral nega-se entrada ao reino da fofura, né?

E o reino da fofura é tão legal.

Alguém aí viu A Família do Futuro (Os Robinsons)? Pois é: Yagoobian, o pérfido vilão, gosta de milkshake e tem um fichário do Meu Querido Pônei.

Um cara que sabe se divertir.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Caso do Sebinho

Ontem a gente foi ao Sebinho. Pelo nome, imaginei que se tratava de um esquema Edifício Maletta, no qual os sebos são basicamente corredores com prateleiras no meio. Ou seja, em duas horas você sai de lá com a sensação triunfante que viu tudo e descobriu todas as pérolas do lugar.

Ledo (ou lido) engano. O Sebinho é um sebão. Tem vários ambientes, subsolo, restaurante. Seção de livros em inglês, francês, japonês. Vende cd, dvd, mangá, sorvete. É praticamente uma atração turística.

Saí de lá com quatro livros sobre jornalismo, A Insustentável Leveza do Ser e uma dor de cabeça. Xingando as editoras, que não decidem se põem o título na lombada de cima pra baixo ou de baixo pra cima (resultado: torcidas de pescoço intermináveis na frente das estantes). E me perguntando por que diabos eu não fiz faculdade em Brasília e arrumei um emprego de meio horário no Sebinho, poxa.