domingo, 3 de abril de 2011

O Caso do Casamento

O Maridinho e eu sempre fomos grudadíssimos - aquele tipo de casal que faz tudo junto e chega a desistir de um programa se o outro não está a fim, pela simples razão que, sem a cara-metade, não tem graça.

Só que, depois de quase sete anos de casamento, estamos descobrindo que, às vezes, é preciso dividir para conquistar. Ele tem família grande, eu também, moramos em outro estado e o tempo é limitado. Então tem horas que o jeito é ele visitar os avós dele e eu, minha avó. O mesmo para os irmãos (as minhas estão cada uma em uma cidade diferente) e os amigos (também espalhados aqui e acolá).

E não é que é possível que, mesmo sem a cara-metade, o programa que ela/ele não gosta tenha graça? Aliás, até mais graça, já que não temos que nos preocupar se o outro está se divertindo ou achando tudo um tédio total?

E a gente ainda volta cheios de histórias pra contar.


quinta-feira, 24 de março de 2011

O Caso do Show

A última vez que fui a um show foi na década de 90 - no começo dela. Isto é, antes mesmo da aula de francês. Mas no último fim de semana a Shakira esteve em São Paulo, e a irmã I., que adora shows, comprou o ingresso, me deu a passagem de avião e me hospedou na casa dela. Aí eu fui. E foi fantástico.

Saímos de casa às três da tarde e voltamos às cinco do dia seguinte. Porque, vejam bem, a irmã I. tem mestrado e doutorado na ciência da diversão. Eu me diverti adoidado, dançando, cantando, pulando, tomando chuva, andando quilômetros, pegando ônibus lotadíssimo depois do show, cantando músicas da Shakira com a galera no ônibus lotadíssimo depois do show, terminando a noite num inferninho na rua Augusta. Sabe o que me incomodou? Nada. Porque eu estava de tênis e jeans, cara lavada e rabo de cavalo.

No show tinha umas meninas arrumadas, de bota de salto alto e maquiagem. E eu achei graça porque, um tempo atrás, eu provavelmente estaria assim. E provavelmente meus pés começariam a doer lá pelo começo da noite, e eu não teria pulado tanto, ou dançado tanto, ou ficado em altas filas com tanto bom-humor. (Mas essa sou eu: de repente as meninas arrumadas não tinham nervos nos pés e aproveitaram de montão.)

Enfim, a moral da história é: conforto é o que há. E olha que eu não estou falando de conforto como em "deitada numa cama de plumas sendo abanada com folhas de palmeira", mas como simples ausência de desconforto, ou de roupas que apertam, sapatos que machucam, bolsa que pesa etc. etc.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Caso do Francês e da Falta de Noção

(Porque vocês sabem, eu acho que eu sei alguma coisa de francês. Estudei quando era adolescente, assinei revista francesa e gosto de assistir ao TV5 de vez em quando - eu disse assistir, não entender.)

Pois bem. Agora que eu moro em uma capital e tenho vááárias opções de escolas de idiomas, fui bem pimpona me matricular na Alliance Française (no horário econômico, é claro). No final da primeira aula - Básico 2 -, na qual me comportei exatamente como a Hermione, corri na professora para dizer que a matéria era muito fácil e que ela devia me passar no mínimo para o Básico 3 (estudei em duas escolas de inglês e sempre fazia me pularem pra turma seguinte àquela em achavam que eu devia ficar).

A professora até que não se opunha a cooperar. O problema é que o único tempo verbal que eu sei em francês é o presente e aparentemente o Básico 2 é justamente o lugar para aprender os seguintes.

Aí botei o rabinho entre as pernas e decidi ficar no Básico 2 mesmo. Estou calculando que, como os colegas são (bem) mais contidos do que eu em sala, vai ficar fácil monopolizar a professora e tirar as minhas dúvidas mais estapafúrdias (gargalhada maléfica). Se bobear, daqui a um mês é ela que vai estar implorando para que eu passe ao Básico 3.

Hoje eu estava separando uns materiais e achei um caderno antigo. Eu tinha a impressão de que estudado francês por um bom tempo, mas descobri que fiz um único semestre (aí a turma fechou). Acho que me confundi com a irmã D.

E sabem quando foi esse semestre? Em 94! Há quase 20 anos!

Então, pensando bem, terem me colocado no Básico 2 foi até uma vitória.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Caso do Livro do Bebê

Então eu fui comprar um livro do bebê pro meu primeiro sobrinho. É claro que tinha o de capa rosa e o de capa azul, mas considerando que na parte de dentro ambos eram iguais - cheios de bichinhos fofoluchos e páginas em tons pastéis - não me senti muito ofendida: comprei o azul (pensando que, se o sobrinho fosse sobrinha, ia ganhar azul também, porque estava muito mais bonito) e lá me fui, bem satisfeita, pensando que afilhado ia ser devidamente exposto a desenhinhos meigos.

Quando cheguei em casa e fui mostrar ao Maridinho a brilhante aquisição, percebi que o álbum também era decorado com figuras de bebês. E a maioria esmagadora delas, mas esmagadora mesmo, eram nenéns brancos, louros e de olhos azuis. I kid (hihihi) you not. Sério, nem na Noruega deve ter tanta criança nórdica. Tive a pachorra de contar: 34 bebês ilustrados, e um único bebezinho negro.

É uma falta de representação chocante. Não só do meu sobrinho (que nem é louro de olho azul), mas da sociedade brasileira. E o pior é que, entre fabricantes e compradores do livro, quase ninguém deve ter notado alguma coisa errada.

Aí eu apelei, né? Pro lápis de cor. Agora, o livro do bebê tem neném branco, negro, oriental, aborígene e índio; tem cabelo preto, castanho, ruivo, louro, liso, cacheado e crespo; tem criança lambuzada de geléia, suja de chocolate, queimada de sol, com sarda e sarampo.

Agora o sobrinho vai ser devidamente exposto a desenhinhos meigos E à diversidade.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Caso da Tia Lud

E não é que eu virei tia?

Não foi exatamente surpresa, já que a irmã D. estava grávida há nove meses. Surpresa foi o bebê V. vir no dia do aniversário da irmã I. E o sentimento inexplicável de amor que a gente sente quando bota o sobrinho no colo. Olha que ele nem parece comigo - só na capacidade impressionante de dormir longas horas nas mais diversas posições.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Caso das Caronas

Olha, eu acho que dirigir é uma coisa muito ótima. Tanto que até fiz um tratamento para ansiedade, e uma das razões era a aflição ao volante. Na prática o que aconteceu que, ao invés de perder o medo de dirigir, eu deixei de ligar de ter medo de dirigir, e continuei a pé. (Verdade seja dita: o Maridinho me leva pra tudo quanto é lado, com a maior boa vontade, mas agora ele voltou a trabalhar, e nossos horários nem sempre batem.)

Então eu caminho, pego ônibus, ando de táxi e peço caronas com uma cara de pau medonha. Basta você ter um adesivo da UnB no seu carro para virar minha vítima, como minha vizinha de prédio bem sabe. Ou ser um/a colegas de trabalho motorizado. Desmotorizado também serve: divido táxis na maior alegria.

O interessante é que eu conheço muita gente legal desse jeito. Lembra que as minhas palavras preferidas eram oportunidade, promoção e aumento? Agora tenho mais uma: "pessoas".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Caso da Pão-Durice Elegante

Continuo firme e forte na minha decisão que aparência é só superfície e que, portanto, não é a parte mais importante das pessoas. Por outro lado, sou perfeitamente capaz de compreender que há códigos não-verbais culturamente construídos nessa vida, e tento gerenciá-los de modo a chegar a meus objetivos (poder e cobiça, menos a cobiça) sem sacrificar meus ideais (um mundo melhor). Isto é: salto alto não, esmalte não, maquiagem não. Calças e camisas sociais sim, broche na lapela sim (igual a Madeleine Albright!).

Em outras palavras: os melhores amigos da poupançuda que acha que uma roupinha boa e limpinha não ajuda a avançar na carreira, mas pelo menos não atrapalha são 1) as lojas de departamentos, 2) a irmã que é do mesmo tamanho e empresta terninhos novos em folha, porque ela não os está usando, 3) os brechós!

Eu nunca havia encontrado um brechó decente na vida, mas aqui em Brasília tem. Ele parece uma loja de verdade, é bonito, bem-decorado, iluminado, e as peças ficam separadas por estilo e cor. Comprei três camisas muito bonitas por 40 reais cada, e a vantagem é que não tive que cortar a barra de nenhuma. E se alguém quiser saber, não, eu não ligo a mínima de usar roupa que já foi de outra pessoa: até eu deixar de morar com os meus pais sempre rolou um troca-troca medonho entre irmãs, tias e mãe, e ninguém morreu por causa disso, muito antes pelo contrário. Sem falar que quase todo mundo que eu conheço doa roupa usada para os menos favorecidos, e aí? Os menos favorecidos podem usar, mas a bonita não? Menos, né?

* * *

A Tania pediu nos comentários, então aí vai: o brechó se chama Peça Rara (hihihi) e fica na SCLS 307, bloco C, loja 3. Isso quer dizer que ele fica na Asa Sul, entre as superquadras 307 e 308. A loja fica no meio do quarteirão. Eles têm site, mas desconsiderem as fotos de gosto duvidoso: o que tem no brechó mesmo é muito mais legal. Só tem de dar um pouco de sorte, pra ter o que você gosta, e no seu tamanho.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Caso da Aparência de Poder

Descobri: o que ofusca a minha estagicara, isto é, minha cara de estagiária, é a terceira peça. O casaco. A jaqueta. O blazer. De preferência da mesma cor da calça. Porque, vejam bem, num país tropical, abençoado por deus, terceira peça é coisa de quem está acima dos meros mortais e de coisas desprezíveis como o calor. Alguém aí já viu os cotovelos da rainha da Inglaterra?

Com o Maridinho, o resultado é impressionante. Nunca ninguém achou que ele fosse estagiário, mas você bota o Maridinho num terno e ele vira "otoridade". Já lhe deram parabéns pela conquista na posse de uma amiga juíza, tentaram levá-lo à força para o embarque internacional de primeira classe e, na última festa da empresa, ele foi pegar uma cadeira emprestada em outra mesa e de lá saltaram o presidente e o vice da firma para cumprimentá-lo.

Já eu, de terno e gravata, fico parecendo o Harry Potter. Por isso é que eu não uso gravata. Nessa terra de trouxas ninguém acredita nos meus poderes mágicos, mesmo.

* * *

E então você percebe que a vida é efêmera e todas as glórias, ilusão: nasceu uma espinha na ponta do meu nariz.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Caso das Ótimas Dicas

Gente, muito obrigada pelas ideias no último post. Vou adotar todas! Menos as saias e os saltos, que eu acho elegantes, mas desconfortáveis e limitadores de movimentos (tenta atravessar a rua correndo com eles, tenta. Ou sentar em cima das pernas, o que eu adoro fazer). Além de perigosos: a Sarah acaba de levar um tombão cinematográfico por conta do salto alto.

No mesmo tema de roupas de trabalho, olhem só que interessante: quando o Maridinho voltou a trabalhar, ele comprou uma calça social, cinco camisas igualmente sociais e pronto, resolvido. Inspirada por ele (vocês sabem, a Kate Moss perdeu o post de ícone de moda e beleza para o Maridinho), voltei na loja em que ele havia comprado camisas bonitas e em conta (a Riachuelo), pronta para adquirir o equivalente "de moça".

Que não encontrei. A única camisa feminina social disponível era, claro, justa, com elastano e ficava mal-enjambrada no corpo, além de custar 70 reais. Enquanto as camisas do Maridinho eram 100% algodão, vinham em bonitas cores e listras, e saíram 30% mais baratas.

Não tive dúvida: marchei para o outro lado da loja, escolhi uma camisa masculina no menor tamanho disponível e comprei.

Tive que cortar um pedaço no comprimento, é verdade. Mas o resultado final foi muito positivo: a camisa é linda, é muito confortável e, apesar das mangas longas, é fresca. Puro algodão, sabe como é.

Recomendo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Caso do Novo Posto

Descobri que tenho estagicara, isto é, cara de estagiária. Deve ser porque fui estagiária durante tanto tempo (dez anos na faculdade!) que grudou.

Brincadeira. Acho que é porque sou feliz e sorridente e trato bem todo mundo. O que não é nada de mais. Só que os executivos da empresa andam de cara fechada e não dão mole para os simples mortais.

Não quero nem saber. Me recuso a ser babaca só para mostrar que não estou na base da cadeia alimentar. Aliás, não teria a menor importância acharem que eu sou estagiária se eu não estivesse na comunicação interna e tivesse que lidar com frequência com os tais executivos (que, nem é preciso dizer, não querem conversa com estagiários).

O jeito, então, é usar terninho todo santo dia. Porque salto alto, bolsa de marca e bijoux douradas eu me recuso.

* * *

E aí começa a questã. Homem troca a camisa e a gravata e usa o mesmo terno a semana toda; mulher tem de trocar o terno. Ou não? Então alguém me explique a existência de terninhos vermelho-sangue, azul-fusquinha e rosa-bebê.

Eu tenho dois ternos bonitos e confortáveis: um preto e um cinza. Em tese, eu poderia usar os meus dois terninhos todo dia, só trocando a camisa, não é? Não é ?!?

Preciso de um substituto para gravata urgente.