quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma ameaça eficaz

O Leo disse que eu estava muito chatonilda e que ia parar de me mimar por um mês para ver se eu aprendia a dar valor às coisas (mas foi de um jeito bem fofinho, não se preocupem). 

De fato, andei reclamando da vida e me angustiando com o futuro. Mas a perspectiva de ter de preparar meu próprio café da manhã e fazer a maior parte das tarefas domésticas (hoje é o Leo que se encarrega de tudo isso, além do controle financeiro) me livrou da resmunguice rapidinho. 

Hoje sou uma pessoa feliz, que lê muitos livros, vê muitos seriados, dorme um bocado e aproveita fase tranquila no trabalho para não me estressar. Afinal, quando eu for nomeada, vou ter muito a aprender e provavelmente me lembrarei dessa época com saudades. 

* * * 

E os estudos? Bem, descobri que o que eu gosto mesmo é de juntar material, ver vídeos de motivação, achar livros da bibliografia nos pontos de ônibus, ler sobre técnicas de estudos, visitar o instagram de pessoas que estudam e perguntar a opinião dos outros. Ou seja, fico a maior tempo na fase preparatória. 

Mas estudo um pouquinho. Semana passada fiquei competindo com um colega de trabalho a respeito de quem sabia mais a respeito de presidentes brasileiros. 

Enfim, é o que eu digo: há hobbies piores.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Planos de Ano Novo

Minha mãe perguntou o que eu ia fazer na virada do ano. Respondi que ia passar com o Leo, em casa, comendo e bebendo delícias, fazendo o balanço de 2016 e planejando 2017. Ao que ela respondeu, com a franqueza costumeira: "Mas isso é um jeito muito ruim de passar o Ano Novo".

Eu ri, claro, e disse que discordava. Minha mãe gosta de festas, mas eu sou diferente. Sim, fomos convidados para eventos. Não, não aceitamos os convites. Não é toda celebração que nos atrai. Muita gente, música alta, barulheira? Preferimos ficar juntos na nossa casinha, fazendo um jantarzinho romântico e altos planos para o futuro.

Gosto é gosto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Como uma águia

Não sei se já falei aqui, mas eu enxergo como uma águia. Fiz cirurgia para miopia há mais de 15 anos e, desde então, vejo tudo perfeitamente. Uma beleza.

Quer dizer, via. Há uns dias achei que a visão da águia estava meio embaçada. Fui ao olftamologista e recebi a notícia: a miopia está querendo voltar. Timidamente - 0,5 em um olho, 0,75 em outro -, mas está.

Pensei em comprar uns óculos hipster (pronunciado em francês: ips-tér, gente), mas me lembrei de como eu esquecia/quebrava/me sentava sobre os meus naquele passado distante em que eu os usava. Perguntei ao médico se, assim como a miopia tinha surgido (possivelmente por excesso de leitura - ha), ela também podia sumir. Ele respondeu que não existiam estudos a respeito, mas que em tese era possível acontecer.

Então é isso: passarei uns tempos sem óculos para ver se meus olhos se comportam e voltam ao normal. Eu ainda enxergo bem, portanto não me tornarei nenhum perigo para a humanidade. Mas preferia enxergar como uma águia.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A sumida

Sim, eu sumi. Andei chateada, reclamenta e ansiosa, com aquele sentimento que a vida está parada. Fiz minhas listinhas de gratidão, tentei meditar, comi mais chocolate e dormi mais, mas todas essas providências não tiveram um efeito duradouro (embora tenham sido boas enquanto duraram, nhão).

Meu pai fez 70 anos e viajei com ele e minha mãe para comemorar. Foi ótimo, fora as saudades que senti do Leo, e o fato de que terminou.

Então estamos aí, de volta, resmungando como sempre, mas lembrando que escrever no blog me dá grande alegria e que, meses depois, ler o que andei caraminholando naquela época também. E tentando viver o momento presente sem revirar os olhos e de um lugar de não-julgamento e aceitação.

Acabo de revirar os olhos. Me julguem.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Minha verdade sobre o minimalismo

Vejo blogs sobre minimalismo em que as pessoas são serenas, gratas, tiram fotos em preto-e-branco, meditam e fazem yoga. Acho lindo, mas infelizmente não é minha praia. Tenho bem pouca coisa, comparando com pessoas com o mesmo poder aquisitivo; me livrei de muitas obrigações que não faziam sentido para mim, inclusive dar presentes de natal para adultos e passar esmalte na unha; e até medito de vez em quando. Mas continuo meio doida, continuo fazendo uns mimimis e continuo me indignando quando a vida não corre do jeito que eu quero. 

Ou seja, minimalismo não é só para almas elevadas, e também não é o remédio para todos os males. Ele ajuda a deixar a vida mais leve e me dá mais tempo para ler meus livros, mas infelizmente não curou todas as minhas angústias (só algumas). Nem me deixa em um estado de êxtase constante. 

O que o minimalismo fez, e continua fazendo, foi me dar mais oportunidades. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O crachá provisório

Dia desses me dei conta de que ainda estava usando um crachá provisório no trabalho. O permanente ficou pronto em janeiro, mas como tem de buscar em um prédio longe, primeiro enrolei e depois esqueci. 

Ou, basicamente, queria tanto passar no concurso de oficial de chancelaria que me recusei a ver o emprego atual como permanente.

Ou a vida atual como permanente. Desde que chegamos a Brasília, a ideia foi morar em um apê pequeno/comprar poucos móveis/não ter carro/não criar compromissos de longo prazo, porque Brasília é provisória: daqui a pouquinho vamos embora.

Só que o daqui a pouquinho virou um daqui a poucão. Em dois de setembro, completamos um ano na capital. Ainda estou esperando a nomeação. E, mesmo depois que eu for nomeada, serão dois anos antes de sair do país. Isso se não atrasar e os dois anos se tornaram dois anos e meio, três anos...

Ou seja: tenho de encarar a realidade. A estadia em Brasília não é provisória. Não é só um intervalo rápido entre o sabático e o primeiro ciclo de remoções (10 anos no exterior, oba). Vai ser uma parte razoavelmente longa da minha vida. Tenho de dar um jeito de vivê-la da melhor maneira possível, em vez de encarar tudo que acontece como provisório.

E, como só percebi isso hoje, ainda não sei como fazer, não.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game of Thrones

Este fim de semana, finalmente decidi ler Game of Thrones. Todo mundo já leu os livros e já assistiu ao seriado, mas eu vinha resistindo, com o plano de só começar depois que o autor terminasse de escrever tudo. Vai que esse cara morre e deixa os leitores na mão? Aí vão contratar um escritor meia-boca para terminar a história e vai ser horrível e decepcionante. Pode ser que o fim original seja horrível e decepcionante mesmo, mas pelo menos vai ser o fim original.

Estou achando surpreendentemente bom. Eu esperava algo à Senhor dos Anéis, mas o George R. R. Martin é um autor contemporâneo e, portanto, tem um estilo mais moderno: escreve cenas mais curtas, alterna mais entre os personagens e termina os capítulos em momentos mais emocionantes. Além disso, ele não se preocupa em desenvolver línguas novas, criar poemas e canções e fazer descrições geográfica detalhadíssimas (o que é decerto valorizadíssimo pelos fãs, mas meio chato para o leitor casual).

A parte ruim é que já sei um monte de coisas (eu e a torcida do Galo). Já me contaram que uma galera vai morrer (então não é prático se apegar a nenhum personagem), que o Jon Snow não só vai morrer como vai ressuscitar, que a Daenerys Targaryen vai arrumar uns dragões e começar a dominar a joça toda. 

Ainda não resolvi se e quando vou assistir ao seriado. Provavelmente sim, depois que terminar os livros, porque os episódios já avançaram mais que os cinco volumes publicados. Por enquanto, tenho 3.640 páginas para me divertir. 

Por enquanto não avancei muito porque também resolvi ler uns livros sobre futebol americano. A temporada de jogos começou e achei que, se entendesse mais do babado, também acharia mais interessante. E, de fato, é um esporte mais complicado e mais divertido do que me pareceu à primeira vista. 

Gosto principalmente das pausas para comer cachorro-quente. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A velhinha doida

Definitivamente serei uma dessas velhinhas doidas que saem conversando com completos desconhecidos na maior tranquilidade.

Hoje, puxei conversa com uma pessoa diferente em cada ônibus que peguei e com dois amigos que vinham caminhando pela Esplanada. E continuei batendo papo, bem contente, até a hora de saltar do ônibus ou de entrar no prédio. 

Acho que eu estava precisando socializar.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um segundo leitor digital

Amo profundamento meu Kindle 4.0, uma versão maravilhosa com teclas que nem vende mais. Eu o tenho desde 2011 e ele já viajou bastante e sofreu um bocado de quedas, mas continua firme e forte. O único sinal de uso é a moldura desgastada pelas minhas mãozinhas sequiosas. 

No entanto, sei que um dia ele vai pifar. Tenho lançado olhares cobiçosos para o Kindle do Leo, que é do mesmo modelo, mas foi comprado depois e está mais conservado, porque o Leo divide seu interesse em aparelhos digitais entre o leitor digital, o tablet e o esporte na televisão. Obviamente não vou poder simplesmente tomá-lo dele, mas substitui-lo por uma versão mais moderna e sem graça (comigo é assim: dureza).

Estavam as coisas nesse pé, quando um cartão de crédito que o Leo tem há anos, até então gratuito, decidiu cobrar-lhe uma anuidade milionária. Antes de cancelar o cartão, o Leo verificou que tinha pontos no programa de recompensas. Esses pontos poderiam ser trocados por uma variedade  incrível de badulaques. Nada nos interessou, fora um belo Kindle Paperwhite por metade dos pontos habituais. Considerando o tanto que a gente usa os leitores digitais (eu esqueço a carteira em casa, mas não esqueço o Kindle), achamos um boa ideia ter um reserva.

Ele chegou pelo correio a alguns dias, bem na hora em que o laptop agonizava (este logo se recuperou. Deve ter sentido que não ia fazer falta e decidiu se comportar). O Kindle Paperwhite é bem bonito e aveludado, mas sofre da terrível e incurável condição de não possuir teclas. Ou seja, ainda não conseguiu minha aprovação incondicional.

A principal vantagem brinquedo novo é ter luz própria. Eu e o Leo gostamos de ler antes de dormir, e volta e meia ele apaga enquanto eu prossigo com meu abajur ligado. Agora, não vou mais incomodá-lo: lerei noite adentro sob a iluminação discretíssima do leitor digital.

Quem sabe com o tempo não me adapto à condição teclaless do Paperwhite? A capacidade de armazenamento dele (4 GB) é o dobro da do antigo. Dá pra enfiar muito mais PDFs dentro. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Decide, Jesus!

Antes de ontem meu laptop pifou por algumas horas. Quando ele voltou, corri para fazer backup.

Ontem meu laptop pegou um vírus. (Sim, eu baixo itens indevidos na internet, como o pdf falso de um livro de francês impossível de achar em sebos - Objectif Diplomatie 2, caso alguém queira saber. E tenha. E queira me emprestar.) Com a serenidade no olhar de quem tem backup, corri para pedir ajuda pro Leo, que nos salvou (a mim e ao note).

Eu não acredito em sinais, mas se acreditasse, poderia concluir:
- que Jesus quer que eu pare de estudar; ou
- que Jesus quer que eu fique esperta e estude com mais intensidade, porque a oportunidade de estudar pode desaparecer a qualquer instante; ou
- que Jesus é um gozador.