domingo, 11 de abril de 2010

O Caso das Australianas

Achei o relacionamento das australianas com a aparência bem diferente do nosso (modo generalização ativo).

Um monte de mulheres não usa maquiagem e/ou faz as unhas. As mais jovens são mais chegadas nessas coisas (acho que é influência americana), mas mesmo assim elas saem descabeladas e descalças (descalças, juro!) quando lhes dá na telha. Existem revistas de celebridades e revistas femininas, mas não muitas.

Nas cidades grandes em que estive - Melbourne e Sydney -, o pessoal usa as roupas do jeito que bem quer (incluindo os homens). O que significa muitas combinações e cabelos que umas das meninas que estavam comigo achou hor-rí-veis, e que eu adorei, porque o povo não se preocupa em "estar na moda". Acho que tem um cuidado com o visual, sim, mas a idéia é mais "se expressar" do que seguir um padrão.

Nas cidades do interior, não tinha ninguém de cabelo rosa, mas vi montes e montes de cabelos brancos/curtos entre as mulheres de 40/50/60. Uma das mulheres que me hospedou estava na casa dos 60 e pintava o cabelo de castanho-escuro, com altas mechas vermelho-sangue. Liberdade total.

E o pessoal definitivamente valoriza o conforto, mesmo nas ocasiões formais. Sapatos baixos pra tudo quanto é lado, poucos decotes e, engraçado, algumas moças de saias e shorts curtíssimos. Mas sem o menor apelo sensual (eu pelo menos achei).

As australianas são menos "bonitas" do que as brasileiras (pelos nossos padrões)? São. Mas elas não me pareceram ser menos felizes por causa disso. Nem ter mais dificuldades em relacionamentos (os quais muitas vezes elas tomam a frente para iniciar). Tem desigualdade entre os gêneros na Austrália (salários menores, menor representação política)? Tem. Mas as pessoas têm consciência disso e o governo banca programas para combatê-los. E as mulheres me pareceram muito independentes (pra sair da casa dos pais, para escolher carreiras, para abrir negócios - mais de 30% das pequenas empresas australianas são comandadas por mulheres).

Existe uma ligação direta entre a menor preocupação com a aparência das australianas e sua situação na sociedade (que me pareceu melhor do que a das mulheres brasileiras em geral)? Será que a segunda é causa da primeira? Será que a primeira acaba retroalimentando a segunda? Será que a beleza brasileira é uma estratégia de sobrevivência em um país machista e em desenvolvimento?

Eu só sei que a mulher australiana gasta menos tempo, dinheiro e neurônios com o visual. E ninguém morreu por causa disso.

10 comentários:

  1. sair descalça de casa! adorei!!!

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  2. Eu tenho nojo do sair descalça. Mas taí uma sociedade que valoriza mais o ser do que o parecer, pelo menos acho. É isso mesmo Ludmila? E Bela, você comentou em outro post a respeito de cachos. Concordo com você, moça cacheada. Mas, agora, pergunto: porque cargas d'água implicam comigo dizendo que seria mais bonita se fizesse uma escova? Aposto que as mulheres que estavam contigo Lud, as que criticaram as combinações que você citou, partilham da mesma idéia que uma descabelada precisa apenas de um secador e uma escova.
    Talvez você não percebeu esse estigma porque seu joãozinho é liso.

    Ada

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  3. outro dia vi em genebra uma velhinha com uma mexa no cabelo bem vermelha, cor de fogo! velhinhas e mexas verelhas nao sao bem a combinacao brasileira. eu adorei!

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  4. Acho engraçado que a idéia de beleza aqui, frequentemente, resulta mais em uma deturpação da beleza do que no bonito propriamente dito. Ou seja: "cabelo bonito é loiro, liso e comprimido" resulta em cabelos secos, maltrados, sem corte, pontas acabadas. Quando o bonito deveria ser a aparência de saudável, bem tratado e prático (seja de qualquer textura ou cor). A tentativa de alcançar o que é considerado ideal distancia ainda mais as pessoas de uma beleza real. Isso vale para cabelos e muitas outras coisas.
    Ludmila, a pergunta pode parecer boba, mas fiquei curiosa: você aboliu também itens (que não são só de beleza, mas de cuidado) como protetor solar, hidratante para pele e cabelo?
    Também estou tentando simplificar minha vida - bem, não pretendo abrir mão de algumas coisas como rímel, e outras ainda me são indispensáveis como pó para controlar brilho da pele: mesmo que eu saia simples de casa não quero sair com a cara oleosa, já dá uma impressão de falta de higiene, entende? E itens de cuidado com o corpo não considero supérfluos, mas quero simplificar o uso.

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  5. Bela,
    descalça ou usando chinelinho. Havaianas bombam por lá.

    Ada,
    eu fiquei bem com essa impressão.
    Quanto às moças que estavam comigo, elas não suportavam nem o próprio cabelo (que nem era ondulado, mas também não era liso escorrido) sem escova. Quanto mais o dos outros =).
    O que eu acho mais engraçado é as pessoas terem o topete de te falar na cara que você ia ficar "mais bonita" assim ou assado. Responda "nossa, eu também acho que você ia ficar muito mais bonita/o com um nariz menor!". Vamos ver se eles captam a mensagem.

    Luci,
    também vi em Sydney uma velhinha de cabelo azul-turquesa e outra de cabelo rosa. Cabelo branco deve se prestar muito bem a cores radicais, né?

    Lis,
    Descobri que não só posso dispensar condicionador, como também o cabelo fica menos liso-escorrido-que-a-vaca-lambeu. Minha pele é oleosa, então eu não sinto que precise de hidratante (embora uma vez a editora da Nova tenha me ligado em casa para sentenciar que pele oleosa não pode ficar sem hidratante, porque óleo não tem nada a ver com hidratação, pois hidratação é água, entendeu? Pois é, nem eu). Quanto ao protetor solar, parei de usar pra ver o que acontecia, já que eu fico exposta ao sol durante pouquíssimos momentos do dia. E percebi que a maior "ameaça" à minha pele é a luz do computador com o qual eu trabalho, que pode causar - gasp! - manchas. Resultado, larguei total. Mas uso quando sei que vou ficar algum tempo no sol, claro.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Corajosa! Admitiu que você não usa mais protetor solar. Com histórico de câncer de pele na minha família, eu não me arrisco, particularmente. Não uso shampoo também, poucas pessoas no mundo sabem como lavo o cabelo, hohoho. Nesses momento as unhas estão rendadas. Eu fui para o caminho que a Lis comentou, a simplificação, não tanto radical quanto a sua, Ludmila. Mas está sendo difícil. Amanhã serei madrinha de um casamento e comprei algumas maquiagens. Tô arrependida, foi o olho da cara da mão-de-vaca. Lembrei até do episódio quando você estava em dúvida se você ia maquiada ou não, se lavava o rosto após a cerimônia, etc. É 'contra' o regulamento estar de cara lavada, mas lá no altar, serei eu, e não uma barbie. Com sombra, rímel, e tudo, ou nem tudo.

    PS: master adoraria sair pra qualquer lugar de havaianas

    beijo

    ADA

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  8. Oi, Ada!
    Quem tem câncer de pele na família não pode bobear mesmo. Mas eu não tenho e, como disse, fico pouquíssimo tempo exposta ao sol (atravesso a calçada para ir do carro ao trabalho e do trabalho ao carro).
    Que bom que você está simplificando! Estou achando uma experiência ótima.
    Quanto a ser madrinha em casamento, entendo perfeitamente a pressão para usar maquiagem. No meu caso, a solução que encontrei foi usar três produtos ao invés de dez (sério, eu contei). Delineador pretão no olho faz o maior efeito.

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  9. Oi Ludmila. Atualização pós-casamento: maquiadíssima (existe essa palavra?), por uma amiga profissional, mas com cara de quem nem estava tão maquiada assim. Poderia até colocar foto no blog, mas não. hahaha
    Depois da festa, fiquei pensando muito sobre isso, de verdade. Uma vez a Rita (uma doçura de blogueira) disse que continuaria usando seu blush sem 'culpa'. Um dos problemas de quem quer simplificar é justamente isso, a culpa que sente em alimentar o sistema ao satisfazer um desejo pessoal em beleza ou moda, por exemplo. Mas quem é bem-resolvida (eu não), pelo menos, fica um tanto mais aliviada.
    O casamento foi lindo, e eu fui a menos preocupada em reparar nas outras, porque nos outros homens, a gente não repara né?
    Desde então que eu estou parando com a mania da culpa e elegendo meus itens 'culpa zero'. E o resto que comprei para usar no casamento, sei lá, acho que vai pra doação.
    E sua experiência com os terninhos? Estou tentando implantar isso aqui na empresa (apesar do ambiente não ser formal).
    Abs
    ADA

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  10. Oi gostaria de saber ,vejo em várias postagens que as australianas q partem p cima dos homens .Eu gostaria de saber elas respeitam homens casados?,ou nem querem saber?,

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