Desde criança sou doida com chocolate. Como lá em casa minha mãe era adepta da alimentação saudável, chocolate só aparecia de vez em quando. É lendário o caso de umas férias no sítio em que, depois do almoço, eu e minha irmã ganhávamos dois Bis. Dois! Desenvolvi toda uma técnica para separar as quatro camadas do Bis e degustá-las separadamente, deixando as das extremidades (que tinha chocolate por fora e recheio por dentro) para o final.
Uma das maneiras com que o Leo me conquistou foi me dando chocolates. E com ele não tinha miséria: nada de dois Bis! Eram barras de 200 g (sim, naquela época elas ainda existiam) ou caixas de bombons. Na Páscoa, vários ovos, dos grandes. Uma maravilha. O mais legal é que, hoje, o Leo continua me dando chocolates. Comentei isso com ele, que respondeu, sorrindo: "Em time que está ganhando não se mexe". Quem sou eu para discordar.
Falando em Páscoa, outro episódio marcante da minha infância foi de um tio que esteve hospedado em nossa casa e, ao partir, deixou um ovo de chocolate de 1 kg, bem na época em que eles começavam a ser lançados. Me lembro até hoje da grossura da casa. Claro que ele foi consumido em doses módicas, tipo um pedacinho por dia.
Um dos meus sonhos de criança era ser adulta para comer chocolate até cansar. Eis um sonho que foi plenamente realizado. Às vezes, depois de comer um tantão, olho melancolicamente para o resto da barra e declaro: "Acho que não gosto tanto de chocolate mais." Claro que essa sensação só dura até o dia seguinte.
Tudo isso não quer dizer que eu seja uma refinada apreciadora de chocolate amargo com mais de 70% de cacau. Não recuso, mas gosto mesmo é de chocolate ao leite - e suas variações e recheios.
Quando descobri a existência da Suíça, brincava que queria morar lá por causa dos chocolates. E não é que, mais de 30 anos depois, estou indo mesmo?
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