quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

O último dia

O resultado do PCR saiu às 8 da manhã: negativo! Dançamos alegremente pela a sala, nos lançamos às tarefas do dia e...

... só agora, as 4 da tarde, é que conseguimos dar uma parada. Entre diversas providências burocráticas, um último acerto no trabalho e a vistoria para a devolução do apartamento, foi uma correria. E eu, a boba, achando que estava tudo adiantado e que hoje seria tranquilo. Imagina se não estivesse adiantado!

A parte boa é que com tanta agitação a gente se distrai. 

* * * 

Demos uma parada nada. Ainda corri no trabalho para deixar as identidades locais e uma lembrança para um amigo. No momento, estou juntando forças para tomar banho e fechar definitivamente as malas. Daqui a 2 horas saímos para o aeroporto. 

Acho que só lá vai dar tempo de respirar e sentir o peso da despedida. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Contagem regressiva

Hoje, terça-feira, a equipe da mudança veio embalar as nossas coisinhas. Eram 5 pessoas e uma manhã foi suficiente. Eles estavam de máscara, nós estávamos de máscara, e esperamos que ninguém tenha contaminado ninguém. 

Olhaí outra vantagem do apartamento mobiliado: a mudança foi retirada, mas ainda temos cama, mesa e sofá. Vamos ficar bem acomodados até partirmos, na noite da quinta-feira 13, ou seja, não vamos precisar ir para um hotel. 

Amanhã cedo: teste de Covid em casa. Eu gostaria de estar mais tranquila a respeito, mas ontem o terceiro colega de trabalho deu positivo. E, com ele, eu tinha muito mais contato. Sim, usávamos máscaras. Mas não dá para afirmar com 100% de certeza que elas estavam perfeitamente ajustadas o tempo todo. Só nos resta torcer. 

Também tem o fato de que todos os laboratórios de testes em Manila estão assoberbados. Fomos espertos e marcamos nosso horário no começo da semana passada. Mesmo assim, os resultados estão demorando a sair. De novo, fomos espertos e marcamos o teste para o começo do dia anterior ao voo, com resultados em 24 horas. Ou seja, pode atrasar 12 horas que ainda dá tempo de a gente embarcar. 

Não pode é dar positivo. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Choque de cultura

Não, não estou falando do programa com os maiores nomes do transporte alternativo, mas do fenômeno que atinge quem muda de país. Também é conhecido como choque cultural e o quadro abaixo, como fases da adaptação cultural (ou curva do expatriado). 


A teoria é que nos primeiros meses é só alegria e a felicidade chega lá no alto. Depois, a pessoa começa a ver os defeitos do novo lar: fica rabugenta e passa a reclamar de tudo, além de comparar com o país natal (ou anterior). Na terceira fase ela vai se adaptando. Na quarta, se ajusta à nova realidade, e o nível de satisfação sobe novamente. 

Pra mim foi um pouco diferente. A crise (de ansiedade) bateu assim que cheguei. Quando melhorei, começou a pandemia, avacalhando a curva e atrapalhando a adaptação. De qualquer forma, foi um período muito interessante. Tédio não passei: a cada dia uma aventura!

E tem o fato de a estada nas Filipinas ser temporária, o que é uma vantagem grande. Dois anos e meio uma hora passam, como de fato passaram. Isso ajuda a gente a focar no que é legal e não ligar muito para o que não é. 

Estou curiosa para ver como vai ser a minha experiência na Suíça. É um país mais bem-estruturado e mais próximo do Brasil, tanto geográfica quanto culturalmente. Por outro lado, as expectativas são bem altas.  

Não percam as cenas dos próximos capítulos. 

* * * 

O Leo comentou que acha as Filipinas mais parecidas culturalmente com o Brasil do que a Suíça: também foram colonizados por país latino, são majoritariamente cristãos, são muito influenciados pelos Estados Unidos, sofrem com a corrupção e democracia é recente. Já eu estava pensando em termos de Oriente/Ocidente, relações com a China e senso de comunidade. 

Veremos que tem razão. 

sábado, 8 de janeiro de 2022

Adeus, apê rico

Estou me despedindo do apartamento mais rico que já morei ou morarei. 

Fomos os primeiros habitantes e ele veio mobiliado e decorado. Com lustres grandes, móveis pesados, projeto de iluminação, amplos tapetes, amortecimento em cada gaveta. A cama é king size. A mesa de jantar é para dez pessoas.  

Gostei de morar aqui? Sim. Vou sentir falta? Nenhuma. 

O apartamento é grande e chique e bonito. E não parece nada comigo. 

Tem a questão de os móveis não serem meus, claro. Mas não é só isso. Sobra espaço nele. O corredor é longo demais. Há bege até onde a vista alcança. E, por causa do papel de parede, nunca penduramos nada. 

A próxima casa vai ser menor, mais simples e vou querer torná-la mais minha.

Gosto de menor e mais simples. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O cerco se fecha

Primeiro foi a notícia de vários contaminados nos prédios dos colegas; antes de ontem, chegou aqui o aviso que um vizinho estava infectado no nosso prédio também. 

Hoje um colega de trabalho fez o teste e deu positivo. Outro, que estava de férias, avisou que o mesmo aconteceu com ele. 

Eu conversei com o primeiro no escritório, de longe e de máscara, três vezes esta semana. Tomara que o contato não tenha sido o suficiente para eu me contaminar. 

Como eu e o Leo tomamos duas doses de vacina + booster, estou tranquila em relação à saúde. O problema é o teste PCR que vamos fazer um dia antes de embarcar, porque a vacina impede os sintomas piores, mas não impede a infecção. Se ele der positivo, vamos ter de adiar o voo em pelo menos duas semanas, resolver onde morar nesse período, desmarcar reservas... 

Não estou me afligindo antecipadamente: estou pensando em um plano C (sim, já estamos no plano B, pois cancelamos as férias no Oriente Médio, que eram o plano A). 

O Leo disse para a gente nem esquentar a cabeça, porque pandemia é assim mesmo. Atrasos e cancelamentos fazem parte do pacote. Ficar com raiva não adianta. Se os lindos dias de férias em Interlaken, que estamos aguardando ansiosamente, floparem, paciência. 

A gente come uns chocolates nacionais para se consolar. 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Felizinha

Exceto pela escalada da Ômicron, que impediu todo e qualquer evento de despedida, está tudo indo bem. Hoje fizemos a pré-vistoria do apartamento, amanhã termino mais um projeto no trabalho. 

Estou muito contente com o fato de que, embora estejamos próximos ao uma mudança, eu esteja tranquila. Em 2019, eu estava muito aflita, feliz mas apreensiva com a perspectiva da primeira remoção. Até fiz umas sessões de terapia, mas foram poucas, porque faltavam semanas para a minha partida. 

Aí cheguei às Filipinas e tive meu surto de ansiedade. Dei sorte de encontrar rapidinho um psiquiatra que falava bem inglês. Estou me sentindo ótima há vários meses, mas decidi continuar com o remedinho por um tempo na Suíça. Depois vou diminuindo a dose até parar de vez.  

Quando vim para Manila, estava achando que dava conta de gerenciar o nervosismo. Não sei se fui confiante demais ou se minha tolerância ao sofrimento é maior do que devia (em vez de buscar ajuda, sempre quero resolver sozinha). Só sei que, embora as circunstâncias agora sejam um pouco diferentes, não vou cometer o mesmo erro.

Até porque vamos chegar ao novo país em um momento meio delicado: pico do inverno, com restrições da pandemia. Estamos bem conscientes dessas condições; assim, não vamos nos frustrar. E teremos uma vantagem: uns dias de férias antes de começar a trabalhar. Vou poder me adaptar um pouco ao país antes de pegar no batente. Em 2019, voei mais de 20 horas, cheguei quase meia-noite às Filipinas e fui para o trabalho no dia seguinte, com o pior jet-lag da vida. 

O que temos feito, então, é planejar, com muita alegria, esses dias de férias. Vai ser ótimo! 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Mudança de planos

A gente ia aproveitar que o voo para a Suíça faz conexão em Abu Dhabi para passar uns dias por lá, maaaas os números de infectados pela Covid, e as restrições, subiram demais nos últimos tempos. Então, resolvemos não arriscar ficarmos presos e/ou quarentenados pelo caminho e ir direto para as terras helvéticas. 

Como não conhecemos o Oriente Médio, teria sido uma o p o r t u n i d a d e, uma das minhas palavras (e ideias) favoritas. No entanto, em tempos de pandemia não dá para dar chance ao azar. 

Confesso que pesou na decisão um resfriado violento, desses que derrubam por vários dias, que o Leo pegou, e eu logo depois. No ano passado, passamos o Natal sozinhos, mas este ano, estando todos os adultos vacinados e a situação em Manila, boa, decidimos celebrar com alguns amigos. Não deu outra: na segunda-feira o Leo já estava espirrando e tossindo e eu, depois de muito gabar minha imunidade, fiquei de molho a partir da quinta. 

O PCR deu negativo, ainda bem. Mas o episódio serviu para nos lembrar como doenças respiratórias se propagam com facilidade. Basta um descuido e já era. Então, não é dessa vez que vamos visitar uma exposição mundial, suspiro. 

Por outro lado, nossa vida foi facilitada. Não temos mais de colocar roupas para calor nas malas. Na Suíça vai estar muito é frio. 

Costumo viajar com pouca bagagem, mas dessa vez vou ter de levar trajes de trabalho que durem até a mudança chegar, dois ou três meses depois. Ou seja, não vai rolar só a malinha de bordo. 

Tem sempre aquela solução, vestir um monte de roupa de frio e "levar no corpo". Pena que Manila, com seus mais de 30 graus de média de temperatura, não colabore com esse plano. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021

Fui olhar minha lista de leituras e checar o histórico da Netflix para ver como passei momentos de lazer este ano. Infelizmente, sou obrigada a confessar que li e vi muita porcaria: livros, séries e filmes dos quais nem me lembro direito, e que não me acrescentaram muito, fora razões para reclamar. 

Pior que isso, passei muito tempo lendo notícias e navegando em redes sociais nada interessantes, só porque estavam à mão. Acho que a gente se acostuma com a facilidade (e o cérebro, com os centros de recompensa sendo estimulados). 

Enquanto isso, as aulas de alemão ficaram esquecidas, coitadinhas. É mais fácil olhar o Instagram do que aprender mais um substantivo (e seu artigo, e seu plural, e seu antônimo). 

Não estou me recriminando. 2021 foi um ano pandêmico - ter chegado ao fim dele sem ter me contaminado, nem ficado deprimida, é uma vitória. Mas, a partir de agora, vou tentar me desconectar um pouco, ficar à toa, sentir um tédio até. 

Viver mais o presente, em vez de me distrair. 

sábado, 25 de dezembro de 2021

Então é Natal...

... O que você fez?

Além de deixar todo mundo com a música chata da Simone na cabeça, você quer dizer? 

Olha, 2021 foi bem melhor do que 2020. Fui vacinada e tomei meu booster (antes de ontem!); viajei para  Bohol, Boracay e para a Espanha; fui removida para a cidade que eu queria. Também fiz o curso e a prova que são requisitos para a promoção e passei; está dando tudo certo com os preparativos da mudança. Ou seja, não posso reclamar! 

As expectativas para 2022 são altas. País novo, trabalho novo, clima totalmente novo. Acho que vai ser divertidíssimo morar em um lugar onde neva, mas não garanto que eu não venha daqui a uns meses dizer que odeio frio e que mal posso esperar para me mudar para um lugar tropical. A gente chegar à Suíça no ápice do inverno tem a sua graça: a partir daí, as temperaturas vão só subir. 

Enquanto o dia da partida não chega, vamos organizando a casa, tirando o mofo dos casacos (literalmente!) e lavando travesseiros, doando o que não precisamos mais e nos despedindo de Manila. 

Feliz Natal, pessoal! 

* * * 


Já que o post vai atrasado, aproveito para fazer uma atualização, porque quem tem amigos não morre pagão: passamos 24 e 25 na casa de pessoas queridas com comidinhas deliciosas e muita alegria. Muito diferente de 2020, pré-vacinas, quando cada família comemorou o Natal separada. 

2022 promete! 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Invasão das fotos - Parte III

Fotos agora do barangay (bairro) Poblacion, um bairro de Makati e que é um pouco mais normal para padrões de Manila.

Quem não ama Poblacion? É bagunçado mas tem seu charme

Típica rua por aqui. Nada de calçadas

Isso é muito mais Filipinas do que as outras fotos de Makati

Museu da cidade de Makati. Enfeitado para natal porque aqui sempre é natal

Poblacion tem alguns prédios altos, como esse de onde a foto foi tirada. Mas o normal são as casas baixas. Antes do rio é Poblacion; do outro lado já não só é outro bairro como outra cidade, Mandaluyong.

Que bom para vocês que foto não registra cheiro!

Beira do rio Pasig. Bem melhor depois que passou por um processo de limpeza. Pesquisem na internet fotos do antes - é de assustar!  

Mandaluyong do lado esquerdo, expansão habitacional em Poblacion do lado direito 


Igreja de São Pedro e São Paulo. Mais de 400 anos de idade

Poblacion tem a região boêmia da cidade, a rua da luz vermelha e tudo mais de exótico, incluindo as casas de show de boxe como essa da foto. Detalhe, não sobreviveram à pandemia