quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Caso dos Adornos

Como eu já disse aqui, não acho que haja nada intrinsecamente errado com moda e os cosméticos. Nas mais diferentes culturas, presentes e passadas, as pessoas (mulheres e homens) se adornaram e se adornam para a guerra, para a religião, para as comemorações. Isso tem um valor simbólico e reinforça valores. É uma forma de expressão. Tem todo um significado positivo.

O meu problema com a moda e os cosméticos é que as mulheres da sociedade ocidental atual são encorajadas a encará-los como um fim em si mesmos. E mais, como atributos inerentes à feminilidade – logo, às suas personalidades. (Acho que é por isso que muitas mulheres relutam fortemente em abrir mão deles e me olham com espanto/terror quando eu digo que eu não mexo mais com essas coisas, não.)

Como fim em si mesmo, moda e cosméticos não me parecem produtivos. Não levam a lugar nenhum. E também não sei se aumentam a auto-estima, como a mídia adora dizer. Ao contrário: acho que ficar se embelezando constantemente obriga a pessoa a ficar se examinando à procura de defeitos (reais ou imaginários) para corrigi-los. E aí ela encontra, claro. (Eu não falei que, agora que me olho no espelho a uma distância de três palmos, estou me achando?) A auto-estima não faria você gostar de si mesmo independentemente da situação? Não vejo vantagem nenhuma em gostar de mim mesma quando estou em forma, maquiada, bem-vestida, de salto alto e bolsa de marca. É fácil demais.

Não é que eu discorde do popular “quem se ama se cuida”. Eu só discordo do significado que dão ao “se cuidar”. Não tem lógica que seja diferente para mulheres e homens. Se cuidar é se alimentar bem, se exercitar, evitar o stress, não fumar, ter amigos, fazer coisas que gosta. Não acho que se cuidar precise englobar escovas definitivas de formol e unhas permanentemente feitas (exigências exclusivamente femininas).

Já me disseram que moda e cosméticos são formas de auto-expressão, e aí reside seu valor. Eu acho até que eles têm potencial para isso, mas, na nossa sociedade brasileira atual, não vejo auto-expressividade nenhuma. A maior parte das mulheres segue o padrãozinho que a mídia apresenta. E somos as primeiras a criticar (mea culpa, mas estou eliminando esse hábito) se alguém sai fora do padrão.

Ando tentando usar minhas roupas para me expressar. E estou expressando que minha aparência é um dado neutro, não-importante. Que o importante é o que eu penso, digo, decido.

E estou gostando muito.

4 comentários:

  1. Não sei se vc viu que a Denise, do Síndrome de Estocolmo, escreveu um post interessante sobre isso. Se cuidar hoje em dia inclui... cirurgia cosmética vaginal, dá pra acreditar?! Não basta a nossa cara e nosso corpo aparentarem sempre uma aparência de 20 anos. Agora a nossa vagina precisa ter uma carinha eterna de doze!

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  2. mas falando de sapatos!... pode pegar o que você achar lá em casa. tenho muita, muita roupa de trabalhar que não é enfeite, é sóbria e comportada. isso inclui partes de cima, calças e saias (todas no joelho ou abaixo) e muitos sapatos. e só precisa preocupar em devolver em janeiro, e mesmo assim só o que for de frio e os sapatos fechados. o que for aberto e fresquinho pode ficar na sua casa até lá pra março =)

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  3. E pensar que muitas mulheres ainda não conhecem o que há debaixo da máscara que vestem todos os dias.
    Lamentável.

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  4. Mais uma coisa que eu super concordo com você! Outro dia ouvi que vc deve se vestir profissionalmente como deseja ser visto no mercado. E eu pensei: eu já faço isso. Só que não do jeito que esperam ou gostariam que eu fizesse. Com o que eu visto, mostro que não ligo pra aparências e não me encaixo em nenhum modelo. Estou sempre limpa, sempre tenho algo interessante pra falar ou pra mostrar. É assim que eu quero ser vista, e não como alguém que aperta seus pés em sapatos desconfortáveis ou perde uma hora por dia se arrumando.
    Tenho pensado em radicalizar um pouco no meu visual pra reforçar isso de "não me encaixar". Pq penso que muita gente ainda me olha e não percebe que eu não sou igual ao resto. E eu quero mostrar qu4e ser diferente é possível! Mas estou pensando, não cheguei a uma conclusão sobre isso ainda.

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