Eu costumo dizer que meu minimalismo é bem instrumental - vendemos tudo porque queríamos sair viajando, oras. Mas a simplicidade faz a gente ver as coisas de um jeito meio diferente e refletir sobre as decisões que a gente toma.
Na prática, isso significa que percebemos que várias das nossas escolhas "sobravam": a gente tinha mais carro, mais casa e mais coisas do que precisava - e usava (porque às vezes você não precisa precisa, mas usa e gosta, então está valendo).
Quando falo que nossas escolhas "sobravam", não estou usando como base de comparação o mínimo necessário, não (passei por essa fase, mas saí dela, rs). A minha base é uma vida legal, confortável e significativa, que faça sentido para nós, nossas personalidades e preferências.
A mudança - Assim, voltamos de viagem decididos a morar em um apartamento menor e a dirigir um carro mais econômico. E não é por falta de grana, não - embora, se fosse, não seria vergonha nenhuma. Ao contrário, seria inteligência (primeira regra da educação financeira: viva abaixo de seus meios). É porque de fato constatamos que é mais barato e mais fácil adquirir e manter uma casa e um carro mais simples.
Parênteses: sim, sabemos que é um privilégio poder optar por menos. Muita gente não pode se dar a esse luxo. E sim, morar longe da família facilita esse tipo de escolha - não tem a comparação diária com o carro do ano da prima fulana e o espertofone novo do tio sicrano. Fecha parênteses.
O fato de que vamos para Brasília ajuda, é claro: é possível morar razoavelmente perto do trabalho e a cidade é totalmente plana, então um motor 1.0 dá conta. Aí, de novo, não estou falando do mínimo necessário: quero um apartamento pequeno, mas com banheiro e cozinha reformados, porque as monstruosidades dos anos 60 ninguém merece; e o carro vai ter ar-condicionado, porque em Brasília faz um calor de lascar.
O carro - Conversamos com gente que entende de carro. Escutamos: "carro barato e econômico? HB20, não tem erro!". Explicamos que não achávamos que 40 mil era barato. No fim das contas, as opiniões convergiram no Palio 1.0, usado - porque preço de carro cai assim que ele sai da concessionária.
E aí toca a procurar carro (nem preciso dizer que é difícil achar o que queremos comprar pelo preço que estamos dispostos a pagar). E a botar na ponta do lápis os custos com IPVA, DPVAT, seguro e gasolina. E a lembrar da chatice das manutenções, das trocas de pneus, dos problemas mecânicos que às vezes aparecem...
A alternativa - Então a gente pensa na outra possibilidade: que tal não ter carro? Não temos filhos, nem dificuldades de locomoção. Como ainda vamos nos instalar na cidade onde vamos trabalhar, podemos nos organizar, isto é, tentar morar perto do emprego, perto do comércio, perto do transporte público.
Também estamos dispostos a não ficar pão-durando na hora de pegar táxi, seja para ir a um lugar mais distante, seja porque está chovendo.
Este site calcula quanto custa manter um carro. Segundo ele, se comprássemos um Paliozinho usado por 20 mil, gastaríamos, hoje, 8 mil reais por ano com a teteia. Conforme nossos controles financeiros, antes de viajarmos, gastávamos quase 6 mil reais por ano. Então daria pra andar bem de táxi, né?
A decisão - Afinal, ter ou não ter (carro)? Não conseguimos nos decidir. Então, o que fazer? Um experimento prático, claro. Nos primeiros tempos em Brasília, vamos ficar a pé (e de ônibus, e de táxi, e de carona). Depois de algumas semanas, teremos dados suficientes para confrontarmos os pós e contras... e bater o martelo.
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| Será a zebrinha nossa futura melhor amiga? |
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daqui.