domingo, 18 de outubro de 2015

A mudança chegou OU o fim do minimalismo?


- O enxoval -


Lembram do enxoval-cápsula, que ficou guardado na casa dos meus pais enquanto a gente dava uns pinotes por aí? Pois é, na terça-feira ele chegou aqui em Brasília. Por sorte, exatamente nesse dia o marceneiro tinha vindo instalar os armários que faltavam (não que eles tenha ajudado muito: são branquinhos, lindinhos e bem-feitinhos mas, como os adjetivos que estou usando indicam, pequenininhos).

Foram 15 caixas pequenas. Dentro delas, um monte de roupas, meu arquivo morto (convites de formatura, revistas com matérias que escrevi, uma pilha de comprovantes e certificados), roupa de cama, mesa e banho, pratos e copos e utensílios de cozinha.

- O minimalismo - 


Resultado: não me sinto mais uma pessoa minimalista. O armário do quarto está cheio de roupa e sapato (eu e o Leo dividimos o espaço, mas as minhas coisas ocupam mais gavetas e mais cabides). No buffet tem taças de cristal e uma bandeja de prata. E no banheiro tem três tipos de xampu (ok, um é do Leo).

- A referência - 


Só que talvez eu esteja usando as referências erradas. Talvez a comparação ideal não seja com o período do sabático (quando tudo o que eu tinha estava dentro de uma mala), mas com a minha vida pré-viagem, época na qual de fato eu possuía muito mais de tudo - e muita coisa que não usava.

- Simplicidade - 


Olhando por esse ângulo, hoje é tudo mais simples. Não temos xícaras, porque não usamos xícaras, nem pratos fundos, pela mesma razão. Cadeiras? Quatro em vez das seis de praxe. Dois quartos em vez de quatro, um banheiro em vez de três, ônibus e táxi em vez de carro.

E, puxa, é bom. Não sei se é bom pra todo mundo, mas funciona pra nós.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A experiência de comprar de segunda mão

Quando nos desfizemos do que tínhamos para viajar, vendemos e doamos tudo. Agora estou do outro lado da experiência: comprando e ganhando objetos do lar. (Por ganhando, entenda-se que eu e o Leo aproveitamos as datas festivas para pedir de presente panos de prato e chaleira elétrica. E, se alguém está se livrando de uma panela, a gente aceita com alegria.)

A parte de comprar é um pouco mais complicada. Eu contava em frequentar um monte de vendas de garagem, todas elas oferecendo coisas tão bonitas quanto as que eu vendi, mas a falta de carro atrapalhou um pouco esse plano. A ideia era pegar táxi quando fosse necessário, mas o escorpião no bolso se agita todo com a perspectiva de ir parar lá no fim da outra asa e não encontrar nada interessante.

Então fico de olho nos sites. Comecei com o Mercado Livre, sem muito resultado; aí uma tia que tinha acabado de se mudar comentou que a nora tinha vendido o que eles não queriam mais no OLX e pronto, descobri a mina de ouro.

A seção de móveis da OLX de Brasília é bem interessante. Tem bastante opção, de todos os valores. Desde conjuntos de jantar de milhares de reais a objetos bem baratinhos. Aqui sempre tem gente chegando - para trabalhar, estudar, assumir postos diplomáticos ou comissionados - e partindo - quando o curso acaba e o emprego idem.

Pela minha experiência, se dar bem nesse mercado não é difícil. São são necessárias duas coisas: paciência e um plano.

A paciência é porque a oferta de bens é limitada. Não é todo dia que a gente encontra o que quer comprar. E às vezes a gente encontra, mas alguém passa na frente, faz uma oferta antes e leva embora. Aconteceu comigo e eu fiquei bem frustrada (e era só cabides de portas, rs).

O plano é porque, sem ter uma ideia boa do que se quer, é fácil sair comprando objetos atraentes e aleatórios e e entulhar a casa. É verdade que é necessário ter um pouco de flexibilidade: ficar esperando a peça X da marca Y é meio arriscado. Mas dá pra, digamos, escolher o tamanho, duas ou três cores e ver o que aparece.

Como alugamos um apartamento mobiliado, deu pra esperar com calma e até negociar. Até agora, compramos uma mesa e quatro cadeiras, praticamente novas, por metade do preço; um sofá do jeitinho que eu queria, encomendado na fábrica pela primeira dona, com menos de um ano e por um valor ótimo; e um pufe baú em capitonê bem em conta e que o dono ainda entregou a domicílio. Ah, e um buffet que serve de rack (fica encostado na parede da tevê, que é grudada na parede e, como é um móvel alto e largo, esconde todos os fios. Muita felicidade) também pela metade do preço da loja.

Pufe baú preto (à esquerda), buffet e um pedacinho do sofá cinza (o outro pufe já estava no apartamento). 

É verdade que o OLX tem lá seus inconvenientes: às vezes você manda e-mail e o vendedor não responde. Quando responde, aí tem de negociar um horário para ir ver o bem (embora eu só vá quando o valor é mais alto. Senão, confio nas fotos). E, depois que o negócio é fechado, vem a parte do frete.

O frete é praticamente uma segunda compra: você descobre alguém que faz, de preferência indicado por alguém (obrigada, Ilka!). Aí você conta o que quer buscar, a distância entre os endereços e o número de andares (porque não é sempre que os prédios têm elevador). O fretista te dá um preço, você pede para ele baixar um pouquinho, e por aí vamos.

Estou achando a experiência bem interessante. Ok, confesso: desconfio que estou ficando viciada no OLX, porque dou uma olhadinha todo dia pra ver se surgiu algo legal. O Leo até brinca que vou ficar triste quando terminar de arrumar a casa.

domingo, 27 de setembro de 2015

Montar a casa, um processo divertido... e longo

Da outra vez que nos mudamos para Brasília, gastamos dez dias para fechar o contrato de aluguel. Dessa vez, gastamos dois. É que dessa vez a gente já conhecia a cidade, tinha a manhã e assediou os proprietário do apartamento sem dó.

Só que, naquela ocasião, recebemos a mudança rapidinho e os acertos no apartamento foram poucos: praticamente só instalar telas mosquiteiro. Agora... digamos que estamos aqui há mais de três semanas e as coisas estão se acertando, mas devagar.

Várias providências já foram tomadas, mas falta instalar os armários da cozinha e do banheiro. E dar um jeito na infiltração no teto da cozinha que apareceu ontem. E vir alguém para fazer uma boa faxina.

Nada disso depende da gente. O que podíamos fazer (limpar a casa, apertar parafusos das janelas, instalar internet, lustrar a porta, tirar pingos de tinta, colocar telas, substituir móveis), nós fizemos. Estou feliz de já ter comprado cama, mesa e sofá confortáveis. O plano inicial era fazer isso só depois que tudo na casa estivesse acertado. Ainda bem que mudamos de ideia.

Mas ainda nos resta uma quantidade razoável de decisões a tomar. Depois que os armários estiverem prontos, vamos trazer o que ficou em Belo Horizonte. Aí conseguiremos avaliar se precisaremos de mais espaço de armazenagem, e quanto. Temos bem pouca coisa, mas o apartamento tem menos armário ainda.

domingo, 20 de setembro de 2015

Diários de Brasília, setembro

Pegamos uns dias loucamente quentes em Brasília. A boa notícia é que a partir daqui só melhora. E que instalamos telas mosquiteiros em várias janelas, então tem ventinho bom refrescando a casa

* * *

Eu e o transporte público: uma beleza. O ponto é pertinho de casa. O ônibus para na frente do trabalho. Gasto 18 minutos para ir e 10 para voltar (porque na ida ele passa pela Esplanada toda, e na volta ele cai direto na Asa).

* * *

Aguarrás, sabão de coco e cera líquida são meus novos melhores amigos. Nunca limpei, lavei e esfreguei tanto. E com alegria, o que é uma grande mudança para quem sempre detestou serviço doméstico.

* * *

No trabalho: fazendo um monte de coisas diferentes, fora da zona de conforto, e me esforçando para experimentar de boa vontade antes de sentenciar que não gosto, não quero e não rola.

* * *

Muito ocupada com o presente para pensar no futuro.

domingo, 13 de setembro de 2015

O discurso e a prática (da simplicidade)

Voltei do sabático decidida a continuar vivendo com menos. Menos posses, menos despesas. Menos manutenção, menos preocupação. Mais tempo, mais tranquilidade.

E rolou um choque de realidade, confesso. Continuo achando que não ter carro é uma boa, mas não é a melhor coisa do mundo quando você acaba de chegar a uma cidade e tem de visitar apartamentos para alugar, comprar mobília, botar chip no telefone, ir trabalhar. Tudo isso num calor de 35 graus e num sol de matar. E olha que uma amiga não só nos hospedou quanto nos emprestou o carro dela um montão de vezes.

Ainda assim, tivemos nossos desentendimentos com ônibus que demoravam muito a passar (depois de 50 minutos, desistimos de esperar) e com um circular cujo motorista esqueceu de mudar a direção no painel (e eu fui pro lado errado, claro). Acabamos pegando táxi algumas vezes, o que já era parte do plano, mas ficamos um pouco frustrados, porque queríamos mesmo usar o transporte público.

E aí veio o apartamento. Queríamos um apê menor do que o que tínhamos antes, com um aluguel mais baixo, com o condomínio idem. Obviamente, isso significa menos espaço, menos luxo e prédios mais simples. Visitamos apartamentos nos quais não cabia uma cama de casal no quarto (juro!), ou então só encostada na parede e debaixo da janela. E tem as cozinhas e banheiros antigões, reformados nos anos 80 e - tcharam! - sem janela. E as eternas "dependências completas de empregada", que são medonhas - e inúteis. Se eu contratar uma faxineira, ela vai usar o banheiro da casa, uai.

Demos a sorte (e o esforço - foram semanas nos sites de apartamentos, gente) de encontrar algo dentro das nossas especificações, do nosso orçamento E que não fosse medonho. O prédio não tem porteiro, nem elevador. Seus corredores bem que mereciam mais uma camada de tinta. Mas o apartamento está todo reformado, tem luz natural em todos os cômodos (pois é, isso não é regra em Brasília) e veio mobiliado: cozinha montada, cama, sofá, tevê. E fica numa quadra ótima.

Vou falar a verdade, com a mão no coração: durante o processo, teve hora que deu vontade de chutar o balde e ir visitar apartamentos lindos e caros. E entrar numa concessionária e comprar um carro (usado, claro). Mas respirei fundo e continuei com o plano. Não dá pra mudar de ideia diante dos primeiros obstáculos. Lidar com as frustrações, isso é ser adulto, né.

* * *

E não acho que simplicidade tenha que ser sinônimo de desconforto. Os móveis do apartamento, por exemplo. Seriam bons para uma temporada curta. No entanto, já que eu vou ficar muito tempo aqui, quero, sim, ficar bem-acomodada. Já basta ter de trabalhar todo dia (o que é assunto para outro post). Então vamos comprar uma cama excelente (já compramos, aliás). E um sofá maior e mais macio. E uma mesa grande, boa para estudar. E cadeiras mais ergonômicas.

Em resumo: tudo em equilíbrio. Apartamento pequeno, sim. E arrumado E gostoso de morar E pronto para receber os amigos (pufes ou tamboretes empilháveis?).

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O sonho do apartamento mobiliado: virou realidade!

No final deu tudo certo: fiz marcação cerrada no dono do apartamento reformado e mobiliado no qual estávamos interessados. Conhecemos o apartamento na quinta-feira. Na sexta, assinamos o contrato.

Primeira alegria: não ter de lidar com as imobiliárias enrolonas. Segunda alegria: nada de fiador, só caução. Terceira alegria: na sexta-feira mesmo nos mudamos para lá.

Aí as alegrias deram uma pausa. Pra começar, o dono queria instalar armários, pintar e faxinar antes de entregar ao locatário, mas a gente insistiu para se mudar de uma vez. Então o apartamento estava beeem sujo (quem conhece a poeira vermelha de Brasília vai me entender) quando chegamos. Fizemos uma limpeza (o apê tinha vassoura, rodo, balde e pano de chão), mas confesso que não é a nossa especialidade.

Para continuar, não desfizemos as bagagens. Um armário vai ser instalado e o outro precisa de pintura, e isso vai ser feito esta semana. Enquanto isso, as roupas ficam nas malas e as malas ficam no chão. Isso é bem chato.

Para completar, nos últimos dias fez um calor insuportável. Desses que nem abrir todas as janelas resolve (e olha que o apê tem um tantão de janelas, de um lado a outra da parede). Desses que você sai do banho e começa a suar. Desses que nos sentimos obrigados a pegar um táxi, ir ao Conjunto Nacional e comprar um climatizador (que estava em promoção, para minha grande alegria. Pagou o táxi e ainda sobrou).

Então ainda não posso dizer que estamos instalados. Faltam os armários, a pintura, a faxina profissional. Falta desfazer as malas. Falta receber a mini-mudança de BH (aquelas poucas caixas que ficaram na casa dos meus pais). Falta botar nossos porta-retratos na estante.

Mas olha, é coisa rápida. Mais uma semana ou duas, e vai estar tudo bem.

A sala. Adoro: os tijolinhos na parede. Detesto: os fios aparentes.
Vai mudar: a mobília. Aguardem. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O que fazer com objetos de valor afetivo?

Estou contentíssima com o fato de quem em primeiro de setembro a gente vai para Brasília. Foi ótimo ficar na casa dos meus pais, mas estou doida para recomeçar: voltar a trabalhar, alugar um apartamento, arrumar a casa e organizar a vida.

Então, além de fazer planilhas de imóveis a alugar e móveis a comprar, andei remexendo nas caixas que deixei aqui em BH. Minha mãe me ajudou a abrir tudo, separar o que eu não queria (ainda tinha o que doar, acreditam?) e reorganizar os objetos em categorias: cama, mesa, cozinha.

E me deparei com um problema: peças que eu jamais usei, mas que têm grande valor afetivo. Que minha mãe e minha avó foram me dando, durante anos, para meu enxoval. E que jamais saíram das gavetas...

Toalhas de bordado filé. Colchas de crochê. Jogos americanos com barra. Lençóis de linho. Toalhas de lavabo. Panos de bandeja. Caminhos de mesa.

Os panos de bandeja são úteis, embora hoje em dia eu só tenha uma (bandeja). Mas tudo que é crochetado é vazado, então tanto a cama quanto a mesa não ficam protegidos - de pó ou de migalhas. Toalhas de lavabo? Nunca tive um lavabo. E caminhos de mesa saíram de moda, né? Não conheço ninguém com menos de 50 anos que use.

Dito isso, minha avó tem 97 anos. Tudo que ela me deu foi feito - por ela mesma - com muitíssimo carinho. O que não é de crochê veio da minha mãe. Muitas das peças ela trouxe de viagens, e não custaram barato. Então, como é que eu vou me desfazer delas?

A única solução que me ocorreu até agora, bem meia-boca, é pedir para minha mãe me deixar guardá-las... na casa dela. Mas aí eu acho que é sacanagem. Ser minimalista às custas dos outros é trapaça.

Preciso pensar mais sobre o assunto.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O sonho do apartamento mobiliado

Eu tenho várias bonitas planilhas. Uma delas é de móveis disponíveis para alugar em Brasília. Outra é de móveis e eletrodomésticos que a gente vai precisar.

Aí, navegando por sites de anúncios variados, descobri duas maravilhas. Uma é a possibilidade de alugar diretamente do dono, me livrando da chatice e incompetência das imobiliárias brasilienses (se você conhece uma que é bacana, pode me contar. Estou ansiosa por conhecer). Outra é a existência de apartamentos mobiliados. Não estou falando de flats, apart-hotéis ou kitinettes (todos eles têm seus méritos, mas a maioria absoluta não tem fogão e/ou máquina de lavar roupa, além de serem pequetitos com força), não. Estou falando de apartamentos de verdade, de mais de 40 metros quadrados, prontinhos para morar.

Seria perfeito para mim e para o Leo: a gente poderia chegar à cidade e se instalar, sem ocupar os quartos dos amigos (porque para se mudar para um apartamento não-mobiliado você tem de comprar pelo menos cama e geladeira, e as lojas nem sempre entregam no dia seguinte) e sem gastar tempo e trabalho comprando móveis.

Só que ainda faltavam quase três semanas para irmos para Brasília. Achei dois apartamentos mobiliados legais e bem localizados e entrei em contato, mas dei com os burros n'água. Um deles, de dois quartos, foi alugado por um candidato ágil que foi pessoalmente ao local assim que os locatários antigos desocuparam o apartamento. O outro, o dono queria alugar por um ano e eu queria alugar por um mês antes de fechar um contrato longo, para ver se a gente se adaptava ao espaço reduzido (1 quarto só). Não rolou. Ou seja, é difícil fazer negócio à distância, ainda que eu tenha uma amiga em Bsb que se prontificou a dar uma olhada nos apartamentos pra gente.

Neste momento, não existe nenhum apartamento mobiliado no mercado que obedeça aos meus requisitos: 1) ser perto do trabalho; 2) ter 2 quartos; 3) ser pagável; 4) não ser medonho. Então abri de novo minhas planilhas de móveis e imóveis. O sonho do apartamento mobiliado durou pouco.


É querer muito? Foto daqui.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A mágica da arrumação, parte I

Quando ouvi falar do livro A mágica da arrumação, da Marie Kondo, torci o nariz. Não sou muito ligada em organização: sou partidária daquela tese que, se você tiver poucas coisas, elas praticamente se arrumam sozinhas. Ok, a tese é meio furada, mas me incomoda a ideia de que tudo bem ter um montão de tralha, contanto que tudo esteja em seus devidos lugares (sem falar que é uma boa desculpa para comprar mais, só que dessa vez são aquivos, caixas, latas, organizadores...).

Torci o nariz mas decidi ler, porque, se todo mundo está falando de alguma coisa quero dar meu palpite também, né? E a dona Marie me ganhou fácil, logo no segundo parágrafo do prefácio. Foi com a seguinte frase:

"Comece descartando coisas". 


É das minhas. Deixa eu ir ler o resto do livro que depois eu conto o que achei.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Ter ou não ter (carro)?

Eu costumo dizer que meu minimalismo é bem instrumental - vendemos tudo porque queríamos sair viajando, oras. Mas a simplicidade faz a gente ver as coisas de um jeito meio diferente e refletir sobre as decisões que a gente toma.

Na prática, isso significa que percebemos que várias das nossas escolhas "sobravam": a gente tinha mais carro, mais casa e mais coisas do que precisava - e usava (porque às vezes você não precisa precisa, mas usa e gosta, então está valendo).

Quando falo que nossas escolhas "sobravam", não estou usando como base de comparação o mínimo necessário, não (passei por essa fase, mas saí dela, rs). A minha base é uma vida legal, confortável e significativa, que faça sentido para nós, nossas personalidades e preferências.

A mudança - Assim, voltamos de viagem decididos a morar em um apartamento menor e a dirigir um carro mais econômico. E não é por falta de grana, não - embora, se fosse, não seria vergonha nenhuma. Ao contrário, seria inteligência (primeira regra da educação financeira: viva abaixo de seus meios). É porque de fato constatamos que é mais barato e mais fácil adquirir e manter uma casa e um carro mais simples.

Parênteses: sim, sabemos que é um privilégio poder optar por menos. Muita gente não pode se dar a esse luxo. E sim, morar longe da família facilita esse tipo de escolha - não tem a comparação diária com o carro do ano da prima fulana e o espertofone novo do tio sicrano. Fecha parênteses.

O fato de que vamos para Brasília ajuda, é claro: é possível morar razoavelmente perto do trabalho e a cidade é totalmente plana, então um motor 1.0 dá conta. Aí, de novo, não estou falando do mínimo necessário: quero um apartamento pequeno, mas com banheiro e cozinha reformados, porque as monstruosidades dos anos 60 ninguém merece; e o carro vai ter ar-condicionado, porque em Brasília faz um calor de lascar.

O carro - Conversamos com gente que entende de carro. Escutamos: "carro barato e econômico? HB20, não tem erro!". Explicamos que não achávamos que 40 mil era barato. No fim das contas, as opiniões convergiram no Palio 1.0, usado - porque preço de carro cai assim que ele sai da concessionária.

E aí toca a procurar carro (nem preciso dizer que é difícil achar o que queremos comprar pelo preço que estamos dispostos a pagar). E a botar na ponta do lápis os custos com IPVA, DPVAT, seguro e gasolina. E a lembrar da chatice das manutenções, das trocas de pneus, dos problemas mecânicos que às vezes aparecem...

A alternativa - Então a gente pensa na outra possibilidade: que tal não ter carro? Não temos filhos, nem dificuldades de locomoção. Como ainda vamos nos instalar na cidade onde vamos trabalhar, podemos nos organizar, isto é, tentar morar perto do emprego, perto do comércio, perto do transporte público.

Também estamos dispostos a não ficar pão-durando na hora de pegar táxi, seja para ir a um lugar mais distante, seja porque está chovendo. Este site calcula quanto custa manter um carro. Segundo ele, se comprássemos um Paliozinho usado por 20 mil, gastaríamos, hoje, 8 mil reais por ano com a teteia. Conforme nossos controles financeiros, antes de viajarmos, gastávamos quase 6 mil reais por ano. Então daria pra andar bem de táxi, né?

A decisão - Afinal, ter ou não ter (carro)? Não conseguimos nos decidir. Então, o que fazer? Um experimento prático, claro. Nos primeiros tempos em Brasília, vamos ficar a pé (e de ônibus, e de táxi, e de carona). Depois de algumas semanas, teremos dados suficientes para confrontarmos os pós e contras... e bater o martelo.

Será a zebrinha nossa futura melhor amiga?
Foto daqui.