quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Praticidades

O colega/amigo/vizinho de prédio voltou para o Brasil este mês porque completou o prazo máximo de exterior, 12 anos. Ele e a família moraram em quatro países diferentes.

Depois de a mobília ter sido empacotada, ele olhou para as 200 caixas e declarou: no próximo ciclo, vou fazer como vocês - alugar apartamento mobiliado e levar só o básico. 

Aplaudimos as boas intenções dele. A gente acompanha as mudanças dos amigos e vê que tudo pode acontecer: do contêiner cair no mar até a bagagem mofar. Sem falar dos atrasos - a pessoa fecha o contrato de aluguel e fica acampada com fogão e geladeira até a mobília chegar.

Aqui em Manila há muitos apartamentos mobiliados disponíveis. Escolhemos um deles, o mais próximo ao trabalho. É uma  maravilha: os móveis são adaptados aos espaços (não são grandes nem pequenos demais); dá para ficar confortável até o dia de mudar (com roupa de cama emprestada);  não tivemos trabalho nenhum (até lustres e cortinas já estavam instalados). 

Ou seja, aconselhamos fortemente essa opção: despachar só roupa, objetos pessoais e documentos. Se dependesse de nós, assim continuaríamos.

Só que a próxima cidade onde ambicionamos viver basicamente não oferece residências mobiliados. Maldita realidade e sua mania de se intrometer em meus planos! 

O jeito vai ser montar casa, né. Comprar cama, mesa, sofá. Cadeiras, cortina, abajur. E decidir se a partir daí nos tornamos caramujos (e passamos a carregar a casa nas costas, quer dizer, na mudança) ou continuamos livres, leves e soltos.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Os meus cabelos brancos

Parece que, com a pandemia, e consequente dificuldade de ir ao salão de beleza - ou com a reordenação das prioridades, sendo que pintar o cabelo não está não está no alto da lista - os cabelos brancos ganharam força entre as mulheres. 

Acho ótimo. Não tenho muitos fios brancos, mas tenho alguns. Como nunca pintei depois que eles começaram a aparecer, não tive que passar pela transição. Acho que eles funcionam como luzes prateadas. Não é ótimo?  

Exceto que não é bem assim. Agora que tenho 45 anos, entendo melhor alguns "tabus" e "tradições", do tipo "quem tem mais de quarenta deve usar cabelo curto". No meu caso, tenho menos cabelo do que tinha antes, e ele é mais fino e mais claro também. Os fios brancos são espetados e rebeldes. Os que têm cor são opacos e rebeldes. 

Comprei uns xampus diferentes, passei uns óleos. Melhorou, mas não ficou como antes. Porque antes eles eram cabelos xóvens! Espessos, lustrosos, resistentes. 

E agora eles não são mais assim. 

O diabo é que, em muitos lugares (sendo o Brasil um dos principais), é importantíssimo para as mulheres parecerem jovens (e belas). O que é muito irritante. 

Mas, à medida em que mais mulheres forem deixando os cabelos brancos, é bem possível que as pessoas se acostumem com isso (como na Europa). Ainda que eles sejam mais fininhos e menos brilhantes do que eram antes. 

É só não acabar a pandemia e todo mundo ir correndo pro salão. 

sábado, 7 de agosto de 2021

Deutsch

Faz uns meses que estou flertando com o alemão. Quer dizer, com a língua alemã. Achei uns cursos gratuitos na internet, arrumei umas gramáticas, reclamei que o Goethe Institut que tem do lado de casa está fechado desde o início da pandemia e basicamente não avancei nada. 

Até agora. Porque agora descobri um curso de alemão online que parece bacaníssimo. Não é gratuito, e para mim isso acaba sendo positivo, porque tendo botado dinheiro na jogada me sinto mais comprometida. O plano era fazer uma semana de teste para ver se era bom mesmo, mas na hora de cancelar (e me inscrever pra valer em setembro ou outubro), senti vontade de continuar a fazer as aulas. E estou fazendo. 

O fato de a professora ser minha xará não tem nada a ver com isso, imagina. 

* * * 

Lembram que comecei a estudar russo e vim parar nas Filipinas? Pois é. Então interpretem como quiserem esse interesse no alemão. Se o padrão se repetir, talvez o próximo posto seja a Coreia do Sul, hein. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Boletim de notícias

Estou de férias até o fim da semana que vem. Amanhã começa mais um lockdown de 15 dias. O colega/vizinho/amigo que chegou em Manila uma semana depois da gente voltou com a família para o Brasil.

O Leo está vendo as Olimpíadas na tv e em dois laptops ao mesmo tempo, cada um em um esporte diferente. Eu aproveito que estou de férias e corro lá toda vez que aparece um evento interessante. 

Finalmente compramos cadeiras e mesinhas para a varanda. Ontem chamamos um casal de amigos, também vacinados, para inaugurar: espaço aberto, distância social. 

Cortei meu próprio cabelo de novo. Estou vendo duas temporadas de RuPaul's Drag Race ao mesmo tempo. Estamos indo à piscina todos os dias (mas a partir de amanhã não pode, por causa do lockdown). 

A temporada de lançamento de livros está fraca. Definitivamente estou sem paciência para ficção. 

Fiquem ligadas para mais notícias cotidianas de uma vida normal em tempos de pandemia. 

Aniversário de 2 anos

Nem acredito que mês passado fez dois anos que saí do Brasil. A pandemia definitivamente atrapalhou a sensação de passagem do tempo: às vezes acho que foi muito menos, às vezes acho que foi muito mais. De qualquer forma, sinto um pouco que "não valeu". 

Usar o português no trabalho, tanto com os colegas quanto na maioria dos documentos, também faz com que a impressão de estar no exterior diminua. E, com a quarentena eterna, a maior parte da minha vida passou a girar em torno do escritório.

O trabalho foi mais difícil do que eu tinha imaginado. Gosto muito de teoria e acabei na área dos contratos e supervisão de serviços. Tenho de lidar diariamente com uma cultura diferente, o que é desafiante e às vezes frustrante. Por outro lado, não posso me queixar de tédio: cada momento é uma novidade.  

A cidade foi mais fácil do que eu tinha imaginado. Muita gente fala inglês, a cultura é bem ocidentalizada, no supermercado tem quase tudo que tinha no Brasil e conseguimos um apartamento pertinho do trabalho, o que me livra do trânsito insano a maior parte do tempo. 

Talvez eu só consiga avaliar direito este período nas Filipinas depois que eu sair daqui. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Sociedades utópicas

Achei "Better To Have Gone: Love, Death and the Quest for Utopia in Auroville", de Akash Kapur, interessantíssimo. Eu nunca tinha ouvido falar em Auroville, uma comunidade fundada em 1968 na Índia por Mirra Alfasa, uma guru francesa, com o objetivo de promover "a união da humanidade, acima de todas as crenças, políticas e nacionalidades".  Auroville ("cidade do amanhã") existe até hoje, com pouco mais de 2 mil habitantes de 54 nacionalidades.

Experiências de criação de novas sociedades são fascinantes. A ideia de que é possível que pessoas se organizem de maneira diferente e consigam resolver problemas como miséria, opressão e guerra é muito atraente. Infelizmente, as sociedades novas são formadas por seres humanos imperfeitos, como as antigas. Dito isso, se me chamarem para participar de uma delas... provavelmente vou querer ir. (Se irei mesmo é outra história.)

O autor de Better To Have Gone e a esposa, Auralice, nasceram e se criaram em Auroville e foram estudar nos Estados Unidos. Quando decidem voltar, um dos objetivos é apurar o que realmente aconteceu na trágica morte dos pais dela - um americano de família rica e uma belga profundamente mística. 

(Pois bem, o que aconteceu é que eles ficaram doentes e recusaram socorro médico, acreditando que a força da crença iria curá-los. Não curou.)

Auroville deu certo? Há divergências. Por um lado, ela completa 53 anos em 2021. Por outro, nunca conseguiu ser autossuficiente financeiramente. Tem seus admiradores e seus críticos. 

E tem um website também. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Feriazinhas

Saímos de Manila por uns dias na hora certa: hoje já não pode mais deixar a cidade e semana que vem vai ter mais um lockdown, dessa vez por duas semanas.  

Fomos para Boracay, uma das muitas ilhas paradisíacas das Filipinas, no domingo. Voltamos ontem, bronzeados e descansados. 

Verdade que choveu durante grande parte do tempo. No entanto, volta e meia o sol aparecia. Logo no primeiro dia, descobrimos que a piscina infinita (e funda: 2 metros e 10) não só ficava vazia como tinha uma parte coberta, que usamos alegremente para nos proteger tanto dos raios solares quanto da chuva tropical. Que pode ser forte, mas não é fria. Aliás, tanto a água do mar quanto a das piscinas tinham temperaturas agradabilíssimas. 

A chuva atrapalhou foi a exploração marítima. O mar estava revolto, isso significou bandeirinha vermelha ("proibido nadar") constante. Ou seja, nada de andar de caiaque, fazer stand up paddle ou praticar snorkel, que eram atividades incluídas nas diárias do hotel e que eu estava confiante que ia aproveitar. Não sou nada esportiva, mas sendo "de graça"... No fim das contas não deu. O lado positivo é que posso ficar na ilusão de que teria me saído bem.  

Não posso deixar de comentar que nos esbaldamos na comida. Café da manhã de hotel bacana, sabe como é. Tinha sushi, ramen, ovos benedict, croissants. Também tomamos drinques, cada dia um diferente, com vista para o mar, todos gostosamente parecidos e com pouco álcool, como costuma ser por aqui. 

O melhor mesmo foi ver o horizonte, o céu, o mar e um monte de verde. E andar sem máscara, né, quando estávamos nas áreas abertas. 

Para terminar, uma fotinha que prova que o mar filipino é bonito mesmo (e eu rindo porque tinha me sentado artisticamente nos degraus mais baixos e as ondas quase me levaram): 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Testando, testando

No começo do ano fiz o teste de Covid em que enfiam um cotonete pelo nariz e praticamente cutucam o cérebro. Deu uma vontade louca de espirrar, mas não foi tão ruim quanto eu imaginava. Mesmo assim, fiquei contente quando soube que dessa vez, eu podia fazer o teste de saliva. 

Achei que era dar uma cuspidinha e pronto. Que nada! Tem de encher metade de um tubinho. E é claro que nessa hora a boca fica seca. 

Tentei pensar em pratos gostosos (para dar água na boca). Pedi dicas para a atendente (que disse para eu massagear os lados do rosto). Procurei vídeo na internet (para descobrir uma massagem mais eficaz). No fim das contas, precisei de uns 20 minutos para fornecer a amostra.

O Leo também sofreu. Acho que com a idade a gente vai ficando menos hidratado. Da última vez que fui à oftalmologista, ela disse que eu tinha desenvolvido a síndrome dos olhos secos e me receitou colírios, um diurno e um noturno. Até que usei, mas eles acabaram e eu nunca mais recomprei. Então ando por aí com meus olhos secos. O mundo está árido mesmo.  

* * * 

O teste não é porque tivemos contato com pessoas infectadas: é para voar para a ilha de Aklan. Aqui nas Filipinas a situação está bem organizada - você pode viajar internamente, mas tem de mostrar o teste de Covid negativo. 

E como vamos viajar, tem um tufão se aproximando das Filipinas e causando chuvas torrenciais. Torço fortemente para que ele mude de trajetória e a gente possa curtir uns dias de praia com um mínimo de sol. 

Mas aceito na chuva mesmo. Uma das vantagens daqui é que, como o clima é bem quente, a chuva não faz a gente passar frio, mesmo que você esteja debaixo dela. 

Só de ver mar e horizonte já fico feliz. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Só alegria

Em breve eu e o Leo estaremos performando imunizados com Caetano ao fundo em uma bela praia filipina. 

Mais exatamente daqui a duas semanas, porque tomei a segunda dose de Coronavac hoje! 

(Não quer dizer que vamos sair lambendo corrimão. Máscara, lugares abertos, distanciamento social, tudo isso continua. Mas vamos nos permitir um voo curto para Boracay.)

Queríamos estar lá no aniversário do Leo, que é dia 19 de julho, mas tudo bem. Dia 25 também é aniversário: dois anos em Manila! 

Este início de semestre está saindo melhor do que a encomenda. 

domingo, 4 de julho de 2021

Ideias rocambolescas

Faz um tempo que não me reconheço. Cadê a pessoa das ideias rocambolescas, dos projetos nada práticos, dos planos megalomaníacos?

Posso botar a culpa na pandemia, mas nada melhor que uma quarentena forçada para colocar em prática objetivos aleatórios como ver todos os filmes de Hollywood dos anos 50 ou jejuar por 48 horas, só pra ver de qualé. 

Acho que por um tempo fiquei preocupada só em sobreviver - à ansiedade, ao trabalho, à Covid. Agora as coisas estão se ajeitando, felizmente, e estou ficando animada de novo. 

Uma vontade que sumiu (e disso eu gostei) foi a de estudar para concurso. Ela me persegue desde que eu me formei (no fim do milênio passada). Mesmo depois de aprovada, sempre achei que tinha "outro melhor". Agora, finalmente, não acho que haja outro melhor (melhor para mim. Neste momento).  

Venham, ideias rocambolescas. Estou esperando vocês.