segunda-feira, 25 de julho de 2022

Logo ali em Annecy

Faz um tempão que quero conhecer Annecy, uma cidade fofolucha que é - adivinhem! - a "Veneza da França". Se até na Veneza de Manila eu já fui (é um shopping, o Grand Canal Mall), imagina se a francesa ia me escapar. 


Na sexta-feira vamos pegar um trem para Genebra, ainda na Suíça, e de lá terminar de chegar a Annecy de ônibus. É uma cidade bem pequena (50 mil habitantes!) e toda charmosa. 

Vamos ficar três noites (segunda-feira é feriado: é o Dia Nacional da Suíça. Que passarei em outro país), embora a maioria das pessoas ache que dia em Annecy seja suficiente. Mas elas provavelmente não têm o meu amor por todas as coisas francesas, que faz com que qualquer boulangerie seja um evento e qualquer cartaz seja lido com emoção (olha! Eu entendo! Eu entendo!). 

Voltarei com fotos. 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Braço a torcer

Depois de quase dois meses piorando e melhorando da labirintite, dei o braço a torcer: marquei um otorrino para semana que vem. 

Depois de meses achando sorvete muito caro na Suíça. dei o braço a torcer: aproveitei uma promoção e comprei logo três potes de Ben&Jerry's. 

Depois de uma quinta-feira na qual não consegui trabalhar de tanta tontura, dei o braço a torcer: nada de bate-e-volta na França para almoçar e ir ao supermercado. Mas o Leo vai, com a lista de compras. 

* * * 

Atualização: o Leo foi, passeou, viu amigos e se divertiu. Fiquei quietinha em casa e me diverti também, lendo, vendo seriado e tirando sonequinhas. Ele voltou com saudades e muitas delícias francesas! Inclusive pastilhas de hortelã Vichy, que servem pra matar as saudades das pastilhas de hortelã Garoto. São bem parecidas - só o formato que é diferente. 

domingo, 26 de junho de 2022

Verão

Junho foi agitado: três visitas diferentes, uma crise de labirintite que durou quase dez dias e duas semanas substituindo o colega que atende diretamente o público. O mês está acabando, o colega voltou das férias, as visitas e a labirintite foram embora e estamos de volta à programação normal, o que deve incluir viagenzinhas de fim de semana e muitas visitas à bibliotequinha da esquina. 

Meus pais estavam pensando em me visitar em agosto, mas estão enrolados porque estão reformando a casa na fazendinha que era dos meus avós. Ou seja: provavelmente virão em setembro. Ou outubro. Ou ano que vem.

Enquanto isso, vamos aproveitar os dias longuíssimos (o sol está se levantando às 5:30 e se pondo às 9:30). A ideia é nos planejar para comprar passagens com antecedência, o que garante belos descontos. Hoje fechamos uns dias em Annecy, "a Veneza dos Alpes", e em Berlim. 

Para minha grande tristeza, perdi três dias do curso de alemão  por causa da labirintite. Fiz (a maioria dos) exercícios do livro em casa e apareci toda pimpona na aula seguinte. Que, obviamente, começou com diálogos em dupla sobre substantivos e expressões ensinado na aula anterior. Lá me fui, aos trancos e barrancos, mas sem sofrer demais, porque "o ótimo é inimigo do bom" e "feito é melhor que perfeito". 

E sigo na minha vidinha suíça. 

domingo, 12 de junho de 2022

Alemão ao vivo

As aulas que eu faço online são excelentes, mas eu fico assistindo aos cursos de alemão instrumental e aos vídeos de técnicas de aprendizagem em vez de seguir o programa de estudos. Então, e como o trabalho ofereceu, comecei a frequentar um curso presencial. 

Cada módulo são dez semanas, com aulas de duas horas todas as terças e quintas. Esta semana fiz minhas primeiras aulas e, claro, me diverti muito. Como já sei um pouquinho, a dificuldade foi na medida certa: acompanhei e aprendi sem me sentir massacrada (como acontecia na bendita aula de russo). 

Sempre acho que, em curso de línguas, a gente deve tentar ficar na turma mais avançada possível. Nesse caso, comecei no A1.1 mesmo, porque alemão é todo um novo universo e eu tenho muito poucas referências. E, ok, porque não quero ser a pior aluna da turma. 

A  Ludmila Fonseca, minha professora online, explicou que crianças aprendem línguas por absorção e adultos, por comparação (com as linguagens que já sabem). O curso que estou fazendo é daqueles que ensinam alemão em alemão, para atender a alunos do mundo todo. Ou seja, a comparação vai ficar por minha conta. 

Alguns colegas são totalmente iniciantes e estavam bem perdidos na aula. Desconfio que o método de ensinar alemão em alemão só funcione bem para quem sabe holandês, que é uma língua próxima. Só sei que vou mostrar os vídeos em que minha xará ensinar a pronunciar as letras e palavras para os coleguinhas brasileiros, portugueses e hispano hablantes. São ótimos e aposto que vão ajudar muito, mesmo se eles não entenderem tudo que a Lud está falando. 

Agora, a colega afegã que só fala persa ainda não sei como ajudar. 

domingo, 29 de maio de 2022

Bainha de fita crepe

Consta que, em caso de necessidade, o povo faz bainha de fita crepe na calça e sai pra vida. Eu mesma nunca precisei, porque minha mãe tem dotes de costura e disposição para arrumar a roupa das filhas. Mas sim, esse dia chegou. Só que não foi pra fazer bainha de calça, foi pra fazer bainha de cortina. 

Eu explico: na Europa, muitos apartamentos têm persianas de metal, que vedam totalmente a luz (e, portanto, dispensam cortinas). Nosso apartamento, no entanto, veio com rolôs externos que, se têm a vantagem de serem abertos e fechados pelo toque de um botão, são semi-opacos e só servem para segurar um pouco o sol. À noite, até a luz da lua cheia é forte o suficiente para incomodar. 

O jeito foi comprar cortinas blackout. A Ikea vende? Vende. A Ikea faz bainha? Faz. A Ikea cobra um terço do preço das cortinas para fazer a bainha? Cobra. O escorpião no bolso se agitou todo e eu decidi que era melhor levar as cortinas para casa, experimentar na janela, ver se funcionava mesmo e se eu gostava da cor e da textura antes de me comprometer. 

Funcionaram muito bem. Aí descobri que a Ikea, além de cobrar um terço do preço das cortinas para fazer a bainha, só faz bainha de cortinas se elas estão na embalagem original. Obviamente, nessa hora a embalagem original já tinha ido para o(s) lixo(s) - papelão para a pilha de papelão, plástico para o Züri-sack, é claro.  

Sim, deve existir alguma loja em Zurique que faça esse serviço. Só que aí eu já tinha emburrado e declarado que eu mesma ia dar jeito. Que jeito? Fita crepe, oras. 

Pedi ajuda do Leo, dobrei a barra na cortina pendurada mesmo e sai pregando. E olha, funcionou. Ficou meio torto, mas funcionou. 

Por uns dois dias. 

O Leo então sugeriu que a gente usasse fita dupla face. Achei a ideia linda, inclusive porque a fita ficaria escondida dentro da dobra da cortina. Ele comprou e, num dia de disposição, tiramos as cortinas da janela, estendemos em cima da mesa, medimos certinho o tamanho da bainha (60 cm) e, com toda a calma, fizemos a bainha, bem retinha. Em ooooito cortinas, porque no meio tempo também compramos para o quarto de hóspedes. 

Ficou joíssima. Agora, a única coisa que separa as cortinas da perfeição é serem desamassadas. O fato de elas estarem dependuradas há dias não ajudou muito. O problema é que não temos ferro de passar há muitos anos. 

Vou perguntar no trabalho se alguém tem um ferro a vapor vertical para emprestar. Rá!

domingo, 22 de maio de 2022

A mudança

Depois de quatro meses em diversos navios, o contêiner com a mudança chegou. Para minha grande alegria, nada mofou e nada quebrou. 

Como não tínhamos móveis, a mudança ter demorado tanto não foi problema. Compramos móveis aqui e pronto. Na hora de ir para o próximo posto, no entanto, vamos ter de pensar se vale a pena se livrar deles e voltar a morar em apartamento mobiliado, ou se é mais negócio carregar os móveis e ficar acampado no apartamento sem mobília até o contêiner chegar. Veremos. 

O que veio foram artigos de cozinha (oi, Air Fryer!), roupas e objetos pessoais - além de uma cômoda que já foi para o quarto de hóspedes, uma esteira que compramos na pandemia e um móvel de cozinha. A esteira e o móvel foram para o keller, uma instituição suíça (e alemã) utílissima: como em geral os apartamentos são pequenos, todo mundo tem um espaço no porão do prédio para guardar o que não está usando no momento, o que inclui roupas pesadas de inverno. 

Nos livramos de bastante coisa ainda em Manila, mas é claro que botei no contêiner um monte de tralha, porque a minha tese é que a gente nunca sabe se pode precisar. Agora que sei que não vou precisar, quero me livrar delas, mas infelizmente em Zurique nada é simples de jogar no lixo.  

Você até pode, mas cada saco de lixo de 35 litros (o "Züri-sack") custa 2 francos suíços, isto é, 10 reais. Então a população separa papel e papelão (recolhidos a cada 7 dias, alternadamente); vidro e garrafas pet (tem uma lata de lixo especial na rua para deixar); roupas (idem); lixo orgânico (idem, mas tem de estar em um saco biodegradável). O resto vai no saco de lixo de 10 reais mesmo. Claro que todo mundo (a gente inclusive) quer usar o mínimo de sacos de lixo de 10 reais. 

(Isso dá um trabalhinho. Um caderno de espiral usado, por exemplo, tem de ser desmanchado: as capas vão para a pilha de papelão, as folhas para a pilha de papel, e o arame em espiral para o Züri-sack.)

A casa está finalmente ficando com cara de casa, mas confesso que eu gostava bem de ter todo aquele espaço vazio. 

sexta-feira, 20 de maio de 2022

London London

Posso dizer que passei quatro dias de férias em Londres e voltei completamente apaixonada? 

Que cidade bonita. Que ruas largas. Que parques lindos. Que tanto de evento, show, peça e exposição acontecendo. 

É verdade que entender a língua. os pôsteres e os avisos no metrô ajuda muito, e que a Suíça é tão cara que os preços em libras nem me assustaram muito. Sem falar que ficamos na casa de uma amiga e que o quarto tinha uma vista incrível. 

De dia. 


De noite.

Confesso que cheguei a me questionar se não teria sido melhor ir para Londres em vez de Zurique. Mas logo me lembrei que não vou ficar a vida toda na Suíça: no próximo ciclo de remoção, posso muito bem me candidatar à Inglaterra. 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Viajandinho

Aniversário + férias: Colmar, Besançon, Paris, Bruxelas, Londres. 

Melhor de tudo: entender a língua.

Melhor de tudo: bater perna o dia inteiro, sem obrigação de ver ponto turístico nenhum.

Melhor de tudo: rever um monte de amigos.

Melhor de tudo: comer, beber, conversar. 

Melhor de tudo: ir de trem pra tudo quanto é lado, e pegar um único voo de 2 horas para voltar. 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

100 dias na Suíça

No domingo completei uma centena de dias nas terras helvéticas. Quer saber? Estou feliz. A adaptação foi mais fácil do que a de Manila, o trabalho é mais legal, a cidade é mais bonita. E estou adorando o clima fresquinho (como cheguei na segunda metade do inverno, não peguei temperaturas realmente baixas e dias escuros). 

A única coisa que não está andando é a aprendizagem do alemão. No escritório eu falo português; na rua, inglês; e na verdade em Zurique não se fala alemão, mas alemão suíço, um dialeto. Espero que a situação mude quando eu voltar das férias em maio e começar as aulas presenciais da língua germânica. Não vou tolerar ser a pior aluna da sala e isso vai me obrigar a estudar. 

A verdade é que eu ando tranquila e sossegada. Minhas ambições atuais são fazer bainhas nas cortinas do quarto (foi bem fácil instalar, mas sobraram na altura) e decorar as paredes de concreto do apartamento com artes de fabricação própria. Se na kitchenette de Brasília eu arrumei as cadeiras, as mesinhas, a geladeira, a porta do quarto e algumas paredes com papel contact, imaginem agora, com mais espaço e mais verba?

Cartaz do festival de cinema que organizei em Manila

sábado, 16 de abril de 2022

Aventuras na Ikea

Primeiro fomos à loja física espiar. Depois pesquisamos o site. Depois voltamos à loja física. Então fomos ao apartamento novo para tirar medidas. Depois pesquisamos de novo o site. Aí sim, voltamos à loja física e compramos cama, sofá e ilha de cozinha. 

Dias depois uma amiga nos contou que no domingo a loja estaria excepcionalmente aberta e que cada compra geraria um bônus de 20%. Corremos lá para comprar cama de hóspedes, mesa de jantar e cadeiras. E conseguimos que tudo fosse entregue junto na terça-feira. 

Pedimos ferramentas emprestadas para os amigos e montamos tudo (quer dizer, o Leo montou, a Lud ajudou). Menos a cama de casal, que achamos melhor não arriscar. O povo que veio montar demorou para entrar em contato, ligou na parte da manhã dizendo que estava chegando e só deu as caras à tarde, e ainda criou o maior caso porque o prédio não tinha número, o que, segundo eles, os fez perder muito tempo dando voltas no quarteirão até achar o endereço certo.

Sim, o prédio ainda não tem número. Mas se você chega à rua indicada, vê um prédio terminando de ser construído, descobre que o anterior é o 17 e o seguinte o 53, o que você imagina? Pois é. 

Montar os móveis da Ikea não é difícil, é trabalhoso. Depois que você começa a entender os manuais (não tem nenhuma palavra, só desenhos), a coisa flui. Infelizmente só temos um móvel de cada tipo (menos as mesas de cabeceira), porque depois que se monta o primeiro, o seguinte é moleza. 

Seguem as nossas belezinhas: a ilha de cozinha e a mesa de jantar. 


As várias idas à Ikea compensaram: ao experimentar, descobri que a mesa que eu queria comprar era alta demais e me deixava igual a um Tiranossauro Rex, com aqueles bracinhos alcançando o tampo. Troquei para a mesa acima, mais baixa e mais comprida, e estou muito satisfeita. Inclusive com as cadeiras, que são confortáveis e, como não são de tecido, facinhas de limpar. 

É verdade que tivemos que pedir ajuda a um outro amigo para terminar de montar a mesa. Mais especificamente, para virá-la de cabeça para cima depois que a estrutura estava pronta. O Leo não achou que eu daria conta (e ele estava certo). Nada que mais um par de braços fortes não resolvesse. 

A casa ainda não está com muita cara de casa, mas com o tempo vai se ajeitando. A mudança deve chegar no começo de maio, e aí teremos almofadas, toalha de mesa, edredom, essas coisas. 

E pensando onde os trens tudo de cozinha e as roupas vão caber.