Quando me mudei para Coronel Fabriciano, qualquer coisinha era razão para correr para o pronto-atendimento. Crise de labirinte. Dedo apertado na porta do carro. Gripão.
Acho que foi porque eu não tinha mais minha mãe para tomar conta da minha saúde. Então, por via das dúvidas, eu me encaminhava para a doutora mais próxima. Isso e o fato de morar ao lado de um centro médico.
Depois que vim para Brasília, em 2010, nunca mais fui parar no pronto-atendimento. Até quinta de madrugada, quando essa virose terrível que anda por aí me pegou de jeito.
Nem lembro a última vez em que não fui ao trabalho. Pois fiquei dois dias de atestado, passando mal pra burro, acumulando caixas de remédio e amaldiçoando meu sistema digestivo. Cheguei a voltar ao hospital para tomar soro e antiemético na veia. Muito desagradável.
A sorte é que eu tinha o Leo para cuidar de mim e minha mãe para dar recomendações por telefone. Ficar doente sozinha deve ser horrível, principalmente quando você passa três dias tão enjoada que não quer sair da posição horizontal.
Agora estou recuperada e feliz. E, pela primeira vez na vida, concordando com aquela tia que sempre deseja saúde no aniversário.
domingo, 27 de janeiro de 2019
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
#10yearchallenge
A Cenas do Rio fez um #10yearchallenge em palavras, e eu gostei da ideia.
Em 2009, eu morava em Coronel Fabriciano, interior de Minas. Em 2019, eu moro em Brasília, capital do país.
Em 2009, eu trabalhava na Receita Federal. Em 2019, eu trabalho no Ministério das Relações Exteriores.
Em 2009, eu viajei para Las Vegas, Washington e Nova York. Em 2019, espero me mudar para fora do Brasil.
Em 2009, eu falava bem inglês e tinha feito um semestre de francês. Em 2019, falo bem inglês, razoavelmente francês, um pouco de espanhol e umas palavras de russo.
Em 2009, eu comprei uma jaqueta de couro nos Estados Unidos e passei mal na hora de pagar. Custou uns 200 dólares (e na época o dólar era bem mais barato). Em 2019, eu ainda uso essa jaqueta (e também vou passar mal na hora de pagar se eu for comprar uma roupa de 200 dólares).
Em 2009, não existia Kindle e eu tinha um montão de livros de papel. Em 2019, eu tenho 2 Kindles! e quase nenhum livro em papel. Eu 2009 eu lia muito, mas em 2019 eu leio ainda mais.
Em 2009, eu me preocupava muito com minha pele, meu cabelo, minhas roupas. Em 2019, eu me preocupo muitíssimo menos (embora tenha comprado uns produtos pro cabelo aê).
Em 2009, eu descobri o batom perfeito. Em 2019, eu uso o mesmo batom (é perfeito mesmo).
Em 2009, eu tinha uma grande quantidade de objetos. Em 2019, eu sou minimalista.
Em 2009, eu era uma feminista teórica. Em 2019, eu sou uma feminista prática.
Em 2009, eu tomava leite. Em 2019, eu tomo chá.
Em 2009, eu comia muito chocolate. Em 2019, eu como muito chocolate.
Em 2009, eu estava casada com o Leo há 5 anos. Em 2019 eu estou casada com o Leo há 15 anos. Continuo achando que foi uma ótima ideia.
Em 2009, eu morava em Coronel Fabriciano, interior de Minas. Em 2019, eu moro em Brasília, capital do país.
Em 2009, eu trabalhava na Receita Federal. Em 2019, eu trabalho no Ministério das Relações Exteriores.
Em 2009, eu viajei para Las Vegas, Washington e Nova York. Em 2019, espero me mudar para fora do Brasil.
Em 2009, eu falava bem inglês e tinha feito um semestre de francês. Em 2019, falo bem inglês, razoavelmente francês, um pouco de espanhol e umas palavras de russo.
Em 2009, eu comprei uma jaqueta de couro nos Estados Unidos e passei mal na hora de pagar. Custou uns 200 dólares (e na época o dólar era bem mais barato). Em 2019, eu ainda uso essa jaqueta (e também vou passar mal na hora de pagar se eu for comprar uma roupa de 200 dólares).
Em 2009, não existia Kindle e eu tinha um montão de livros de papel. Em 2019, eu tenho 2 Kindles! e quase nenhum livro em papel. Eu 2009 eu lia muito, mas em 2019 eu leio ainda mais.
Em 2009, eu me preocupava muito com minha pele, meu cabelo, minhas roupas. Em 2019, eu me preocupo muitíssimo menos (embora tenha comprado uns produtos pro cabelo aê).
Em 2009, eu descobri o batom perfeito. Em 2019, eu uso o mesmo batom (é perfeito mesmo).
Em 2009, eu tinha uma grande quantidade de objetos. Em 2019, eu sou minimalista.
Em 2009, eu era uma feminista teórica. Em 2019, eu sou uma feminista prática.
Em 2009, eu tomava leite. Em 2019, eu tomo chá.
Em 2009, eu comia muito chocolate. Em 2019, eu como muito chocolate.
Em 2009, eu estava casada com o Leo há 5 anos. Em 2019 eu estou casada com o Leo há 15 anos. Continuo achando que foi uma ótima ideia.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Rápido exercício
Acho que todo mundo que tem a ambição de escrever já se deparou com o conselho: "Escreva todo dia". E quanto não te ocorre um assunto sobre o qual escrever? Aí você escreve sobre o conselho, oras.
Particularmente, acho mais fácil fazer uma coisa todo dia do que algumas vezes por semana. Então vejo lógica na recomendação.
* * *
Pela primeira vez na vida, frequento uma aula de línguas em que todos os alunos estão interessados. Achei surpreendente. Aí me lembrei de que é um curso intensivo de verão, com aulas todos os dias, e o simples fato de ser um curso intensivo de verão, com aulas todos dias, seleciona automaticamente quem se matricula - isto é, pessoas interessadas.
* * *
Minha psicóloga acha que não dou vazão a meus sentimentos e que estou contendo minha agressividade. Segundo ela, isso é porque quero que as pessoas gostem de mim. Fiquei danada e dei vazão à minha agressividade: "mas eu nem gosto das pessoas!".
Particularmente, acho mais fácil fazer uma coisa todo dia do que algumas vezes por semana. Então vejo lógica na recomendação.
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Pela primeira vez na vida, frequento uma aula de línguas em que todos os alunos estão interessados. Achei surpreendente. Aí me lembrei de que é um curso intensivo de verão, com aulas todos os dias, e o simples fato de ser um curso intensivo de verão, com aulas todos dias, seleciona automaticamente quem se matricula - isto é, pessoas interessadas.
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Minha psicóloga acha que não dou vazão a meus sentimentos e que estou contendo minha agressividade. Segundo ela, isso é porque quero que as pessoas gostem de mim. Fiquei danada e dei vazão à minha agressividade: "mas eu nem gosto das pessoas!".
sábado, 19 de janeiro de 2019
Brusinhas et al
Aqui em Brasília tem um calor terrível, e estou sofrendo com minhas camisas sociais de trabalho. Saio pra almoçar com uma turma de amigos (também conhecida como "o bonde") e a gente camela debaixo do sol até chegar ao restaurante de ministério que nos apetece no dia. Às 18 horas vou para aula de espanhol na UnB, que é um pavilhão novo e bonitinho mas que não tem sequer ventilador de teto, quem dirá ar condicionado. Como ainda estamos em horário de verão, aquele sol do almoço continua inclemente entrando pelos janelões da sala, agora um pouco mais inclinado mas não menos quente.
Então fui ao brechó ver se achava umas brusinhas mais frescas para trabalhar. Experimentei um monte e gostei de duas. Saí da loja com elas e a certeza de que não tenho mais ideia do que as pessoas andam usando. O que está na moda está totalmente fora do meu radar. Quase não vejo televisão, não leio revistas femininas, não acompanho blogs ou perfis na internet sobre o assunto. Resultado: uso camisa e calça sociais na firma, ando de jeans e all star genérico por aí, e está valendo. Pelo menos o brechó que frequento trabalha com roupas atuais, então não pareço estar - ainda - vivendo na década passada.
* * *
Vi O Rei do Show. É um filme que tem músicas ótimas, tem Wolverine, tem a Michelle Williams, tem figurino bacana, tem cenas de circo legais, e consegue ser péssimo. Achei tão ruim que assisti aos pulinhos, adiantando.
Gostei muito mais de Nasce uma Estrela. Nunca tive a menor simpatia pelo Bradley Cooper, mas o achei ótimo no filme (que ele também dirigiu). A primeira metade é ótima, a segunda nem tanto: o final é meio apelão. Mas me tornei mais uma das viciadas na música Shallow, que a Ally, a personagem da Lady Gaga, canta junto com o Jackson Maine.
* * *
Fui a última pessoa a entrar no Facebook, a ter conta no Instagram, a ler tuítes. Desde semana passada, sou a última a assinar o Spotify.
Curtindo muito.
Então fui ao brechó ver se achava umas brusinhas mais frescas para trabalhar. Experimentei um monte e gostei de duas. Saí da loja com elas e a certeza de que não tenho mais ideia do que as pessoas andam usando. O que está na moda está totalmente fora do meu radar. Quase não vejo televisão, não leio revistas femininas, não acompanho blogs ou perfis na internet sobre o assunto. Resultado: uso camisa e calça sociais na firma, ando de jeans e all star genérico por aí, e está valendo. Pelo menos o brechó que frequento trabalha com roupas atuais, então não pareço estar - ainda - vivendo na década passada.
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Vi O Rei do Show. É um filme que tem músicas ótimas, tem Wolverine, tem a Michelle Williams, tem figurino bacana, tem cenas de circo legais, e consegue ser péssimo. Achei tão ruim que assisti aos pulinhos, adiantando.
Gostei muito mais de Nasce uma Estrela. Nunca tive a menor simpatia pelo Bradley Cooper, mas o achei ótimo no filme (que ele também dirigiu). A primeira metade é ótima, a segunda nem tanto: o final é meio apelão. Mas me tornei mais uma das viciadas na música Shallow, que a Ally, a personagem da Lady Gaga, canta junto com o Jackson Maine.
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Fui a última pessoa a entrar no Facebook, a ter conta no Instagram, a ler tuítes. Desde semana passada, sou a última a assinar o Spotify.
Curtindo muito.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Tudo ao mesmo tempo agora
Como sempre, vem tudo junto: horas-extras todo dia no trabalho, crise de labirintite, duas horas e meia de espanhol diárias de segunda a sexta. Previsão do tempo: as condições climáticas se manterão pelo menos pelas próximas três semanas. Por um lado, não posso dizer que minha vida não tem emoções; por outro, estou ficando bem cansada. Minha esperança é me acostumar com o ritmo e daqui a uns dias estar reclamando do excesso de tempo livre.
* * *
On a brighter note, tomei o Kindle de teclas do Leo para dar para meu pai, mas consegui comprar outro igual no Mercado Livre. Custou 80 reais e está novíssimo. Detalhe: o Leo não se importou muito, porque tem outro Kindle touch screen com luz, mas eu fiquei aflita, porque quando meu original de teclas morresse, eu ia ficar sem um backup à altura. Agora está tudo bem no reino da Lud&Leolândia.
Meu pai também está contente: ele já tinha tinha um Kindle, mas era um touch screen complicadinho de usar. O que dei pra ele tem uns poucos botões e dicionário, o que ele adorou (o anterior também tinha, mas o comando não era tão óbvio).
E aí, para manter o número de Kindles na família estável, minha irmã mais nova perdeu o dela no avião.
* * *
On a brighter note, tomei o Kindle de teclas do Leo para dar para meu pai, mas consegui comprar outro igual no Mercado Livre. Custou 80 reais e está novíssimo. Detalhe: o Leo não se importou muito, porque tem outro Kindle touch screen com luz, mas eu fiquei aflita, porque quando meu original de teclas morresse, eu ia ficar sem um backup à altura. Agora está tudo bem no reino da Lud&Leolândia.
Meu pai também está contente: ele já tinha tinha um Kindle, mas era um touch screen complicadinho de usar. O que dei pra ele tem uns poucos botões e dicionário, o que ele adorou (o anterior também tinha, mas o comando não era tão óbvio).
E aí, para manter o número de Kindles na família estável, minha irmã mais nova perdeu o dela no avião.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Retrospectiva 2018
Trabalhei muito. Achei o trabalho chato. Mesmo assim, como sou caxias, trabalhei bem e fui reconhecida. Encontrei amigos. Li de montão. Comecei a estudar russo e voltei a estudar espanhol. Fiz minha primeira missão no exterior. Senti a ansiedade voltar. Fiz jejum intermitente, experimentei baixos carboidratos. Mudei de setor. Viajei para Espanha e França nas férias. Viajei para a Alemanha a trabalho. Andei de bicicleta (duas vezes). Fiz 25 anos de relacionamento. Fui ao aniversário de 100 anos de minha avó. Emagreci. Engordei. Perdi tempo nas redes sociais. Emburrei. Desemburrei.
Financeiramente, a receita de salários diminuiu e a grana nas aplicações rendeu menos, mas como eu e marido somos minimalistas-econômicos-frugais e vivemos abaixo dos nossos meios, a vida não mudou - e ainda conseguimos guardar 40% das entradas (após impostos).
2018 foi um ano misturado: vários momentos bons, umas notícias ruins e alguns desapontamentos. Foi um daqueles anos-recheio, espremido entre outros muito mais interessantes: em 2017 comecei no emprego atual, em 2019 (se tudo der certo) serei removida pra fora do país. Morro de preguiça desses anos intermediários, em que nada de realmente emocionante acontece.
Financeiramente, a receita de salários diminuiu e a grana nas aplicações rendeu menos, mas como eu e marido somos minimalistas-econômicos-frugais e vivemos abaixo dos nossos meios, a vida não mudou - e ainda conseguimos guardar 40% das entradas (após impostos).
2018 foi um ano misturado: vários momentos bons, umas notícias ruins e alguns desapontamentos. Foi um daqueles anos-recheio, espremido entre outros muito mais interessantes: em 2017 comecei no emprego atual, em 2019 (se tudo der certo) serei removida pra fora do país. Morro de preguiça desses anos intermediários, em que nada de realmente emocionante acontece.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Gostar eu gosto mesmo
Gostar eu gosto mesmo é de ler livros e comer chocolate e mastigar umas pipocas o dia inteiro. Gostar eu gosto mesmo é de ficar em casa, almoçar sozinha e recusar convites. Gostar eu gosto mesmo é de não ter horários, obrigações ou agenda. Gostar eu gosto mesmo é de dar uma dormidinha em vez de me exercitar.
Mas quando eu faço só o que eu gosto, gosto mesmo, acabo emburrada e entediada e levemente deprimida. Infelizmente eu preciso de outras fontes nutricionais, de outros tipos de diversão, de contato com as pessoas, de objetivos e metas. Acho isso detestável, porque eu me esforço justamente para chegar ao lugar onde eu posso fazer o que eu gosto, gosto mesmo, mas quando chego lá, me aborreço profundamente.
O jeito é fazer um monte de coisas que não tenho vontade - pelo menos no começo. Depois que começo a socializar, caminhar, fazer listinhas de onde quero chegar, aí pego embalo e fico toda animada.
Segundo uns livros que já li (desculpem, não me lembro mais quais), um bom truque para fazer atividades que fazem bem, em vez de aquelas que a gente gosta, gosta mesmo, é preparar o ambiente adequadamente. Eu, que me perco no buraco negro internet + redes sociais, tirei o notebook de cima da mesa e guardei dentro de um gaveta no quarto - assim, não é automático grudar nele toda vez que chego em casa. Meus queridos chocolates? Foram para as profundezas do armário. Dormidinhas? Agora a regra é não ler na cama, só sentada, a não ser que já seja hora de dormir. E os tênis ficam bem à vista, para me lembrar que, chegando do trabalho, é hora de ir caminhar.
Acho que o que mais tem feito diferença é mesmo o laptop. É muito fácil se distrair com a imensa riqueza da internet. Sem ele, eu me divirto estudando um idioma, escutando música ou lendo um livro com atenção (sim, às vezes eu leio e navego ao mesmo tempo. Não presta).
Para fechar, é exatamente aquilo que um dos livros que já li diz: o ser humano não sabe o que o faz feliz. Ele acha que é ler livros e comer chocolate e mastigar umas pipocas o dia inteiro (ou tomar todas ou trabalhar demais), mas nem é. Rola uma satisfação, sim, mas ela é passageira.
Mas quando eu faço só o que eu gosto, gosto mesmo, acabo emburrada e entediada e levemente deprimida. Infelizmente eu preciso de outras fontes nutricionais, de outros tipos de diversão, de contato com as pessoas, de objetivos e metas. Acho isso detestável, porque eu me esforço justamente para chegar ao lugar onde eu posso fazer o que eu gosto, gosto mesmo, mas quando chego lá, me aborreço profundamente.
O jeito é fazer um monte de coisas que não tenho vontade - pelo menos no começo. Depois que começo a socializar, caminhar, fazer listinhas de onde quero chegar, aí pego embalo e fico toda animada.
Segundo uns livros que já li (desculpem, não me lembro mais quais), um bom truque para fazer atividades que fazem bem, em vez de aquelas que a gente gosta, gosta mesmo, é preparar o ambiente adequadamente. Eu, que me perco no buraco negro internet + redes sociais, tirei o notebook de cima da mesa e guardei dentro de um gaveta no quarto - assim, não é automático grudar nele toda vez que chego em casa. Meus queridos chocolates? Foram para as profundezas do armário. Dormidinhas? Agora a regra é não ler na cama, só sentada, a não ser que já seja hora de dormir. E os tênis ficam bem à vista, para me lembrar que, chegando do trabalho, é hora de ir caminhar.
Acho que o que mais tem feito diferença é mesmo o laptop. É muito fácil se distrair com a imensa riqueza da internet. Sem ele, eu me divirto estudando um idioma, escutando música ou lendo um livro com atenção (sim, às vezes eu leio e navego ao mesmo tempo. Não presta).
Para fechar, é exatamente aquilo que um dos livros que já li diz: o ser humano não sabe o que o faz feliz. Ele acha que é ler livros e comer chocolate e mastigar umas pipocas o dia inteiro (ou tomar todas ou trabalhar demais), mas nem é. Rola uma satisfação, sim, mas ela é passageira.
sábado, 15 de dezembro de 2018
Pode confiar
Já fui aquela pessoa que não jogava nada fora, nunca. Vivia pelo lema "Quem guarda tem". Depois que me tornei minimalista, lá em 2011, o jogo virou: tenho poucas coisas e me esforço para continuar assim. Quando ganho um presente ou, mais raramente, compro alguma coisa, tento logo doar ou me desfazer do similar.
Confesso que, quando comecei, me preocupei com a possibilidade de me livrar de um objeto de que, eventualmente, poderia precisar ou querer. Mas isso não aconteceu. Muito de vez em quando, me lembro de algo que eu bem que podia usar. Pois bem: vou investigar no armário e, na maioria das vezes, lá está ele.
Isso não quer dizer que eu não jogue nada fora, nunca: quer dizer que a minha experiência é que a gente sabe avaliar bem o que vale a pena guardar. O último exemplo foram calças pretas sociais que herdei. Na época, elas ficaram um pouco largas. Mas, depois do período na Alemanha, fiquei pensando que ela viriam bem a calhar. Fui procurá-las, crente que tinha me desfeito delas, e voilà: estavam bonitinhas no cabide.
O segredo, obviamente, é só manter as coisas que fazem sentido. Sempre preciso de calças pretas para trabalhar. Vestido colorido ou blusa estampada? Nem tanto.
Então é isso: quer se livrar dos excessos? Vá em frente. Você sabe do que precisa. Pode confiar.
Confesso que, quando comecei, me preocupei com a possibilidade de me livrar de um objeto de que, eventualmente, poderia precisar ou querer. Mas isso não aconteceu. Muito de vez em quando, me lembro de algo que eu bem que podia usar. Pois bem: vou investigar no armário e, na maioria das vezes, lá está ele.
Isso não quer dizer que eu não jogue nada fora, nunca: quer dizer que a minha experiência é que a gente sabe avaliar bem o que vale a pena guardar. O último exemplo foram calças pretas sociais que herdei. Na época, elas ficaram um pouco largas. Mas, depois do período na Alemanha, fiquei pensando que ela viriam bem a calhar. Fui procurá-las, crente que tinha me desfeito delas, e voilà: estavam bonitinhas no cabide.
O segredo, obviamente, é só manter as coisas que fazem sentido. Sempre preciso de calças pretas para trabalhar. Vestido colorido ou blusa estampada? Nem tanto.
Então é isso: quer se livrar dos excessos? Vá em frente. Você sabe do que precisa. Pode confiar.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Y ahora? Español
Lembram que em junho fiz prova de nivelamento de francês? Pois então, naquela época aproveitei e fiz de espanhol também.
Estudei espanhol durante uns meses em 2003, em um curso daqueles que se ganhava por telefone. (Ligavam para sua casa, diziam que você tinha sido sorteado e que só tinha que pagar o material. Achei que era golpe, mas estou tentando descobrir a pegadinha até hoje: de fato só paguei o material, e de fato teve aula.)
Depois não fiz outros cursos, por pura teimosia: quando morei em Coronel Fabriciano, no interior de Minas, havia uma escola de idiomas a um quarteirão da minha casa. Eles ameaçavam abrir turmas de francês a cada semestre e nunca abriam, mas espanhol sempre tinha. Só que eu não queria espanhol, queria francês. No fim das contas não estudei nenhuma das duas. Que boba.
Mas a gente sempre tem um pouco de contato com a língua espanhola, né? Desde então, li livros, escutei música (Shakira, Shakira), passeei em países hispânicos e, no teste de nivelamento, blefei o suficiente para me colocarem no nível intermediário 1.
Fazer o teste veio bem a calhar: vai ter curso intensivo no começo do ano (aulas todos os dias, do meio de janeiro até o início de fevereiro), e só vai poder se inscrever quem já fez o nivelamento.
Meu nível de espanhol não é beeeem o intermediário, pero no hay problema: tenho até o meio de janeiro para estudar, oras.
Depois do russo, vai ser um alívio.
Estudei espanhol durante uns meses em 2003, em um curso daqueles que se ganhava por telefone. (Ligavam para sua casa, diziam que você tinha sido sorteado e que só tinha que pagar o material. Achei que era golpe, mas estou tentando descobrir a pegadinha até hoje: de fato só paguei o material, e de fato teve aula.)
Depois não fiz outros cursos, por pura teimosia: quando morei em Coronel Fabriciano, no interior de Minas, havia uma escola de idiomas a um quarteirão da minha casa. Eles ameaçavam abrir turmas de francês a cada semestre e nunca abriam, mas espanhol sempre tinha. Só que eu não queria espanhol, queria francês. No fim das contas não estudei nenhuma das duas. Que boba.
Mas a gente sempre tem um pouco de contato com a língua espanhola, né? Desde então, li livros, escutei música (Shakira, Shakira), passeei em países hispânicos e, no teste de nivelamento, blefei o suficiente para me colocarem no nível intermediário 1.
Fazer o teste veio bem a calhar: vai ter curso intensivo no começo do ano (aulas todos os dias, do meio de janeiro até o início de fevereiro), e só vai poder se inscrever quem já fez o nivelamento.
Meu nível de espanhol não é beeeem o intermediário, pero no hay problema: tenho até o meio de janeiro para estudar, oras.
Depois do russo, vai ser um alívio.
sábado, 8 de dezembro de 2018
A loucura dos livros
Desde criança eu sou a doida da leitura. Passava todos os dias na biblioteca do colégio para pegar um livro, e no dia seguinte já estava trocando. Aproveitava e lia também os que minha irmã mais velha pegava. O resultado é que liquidei todo o acervo da biblioteca. Isso não foi muito bom para minha vida social, mas ótimo para minhas notas.
Quando entrei na faculdade de direito, confesso que não achava a biblioteca jurídica lá muito atraente. Logo descobri uma livraria próxima à faculdade que vendia livros e revistas estrangeiras a preços módicos (áureos tempos da paridade com o dólar). Pronto, passei a ler em inglês também.
Não preciso dizer que, com o surgimentos dos leitores eletrônicos, a loucura dos livros foi ao ápice. Há uma quantidade incrível de livros pela internet. Um dos meus hábitos é consultar minhas fontes diariamente para ver se surgiu alguma novidade interessante. Ou vagamente interessante.
Com toda essa riqueza, fiquei muito exigente. Comecei a ler, não gostei? Apago do Kindle na hora (mas mantenho uma cópia no computador, né, porque vai que depois preciso).
Com toda essa riqueza, fiquei meio distraída. Leio vários livros ao mesmo tempo, esqueço o nome dos autores, confundo títulos. Às vezes um único capítulo me deixa satisfeita. Às vezes paro no meio e nunca mais volto.
Esse método (que método?) talvez não seja o melhor para a aquisição de conhecimento. Mas me divirto horrores.
Quando entrei na faculdade de direito, confesso que não achava a biblioteca jurídica lá muito atraente. Logo descobri uma livraria próxima à faculdade que vendia livros e revistas estrangeiras a preços módicos (áureos tempos da paridade com o dólar). Pronto, passei a ler em inglês também.
Não preciso dizer que, com o surgimentos dos leitores eletrônicos, a loucura dos livros foi ao ápice. Há uma quantidade incrível de livros pela internet. Um dos meus hábitos é consultar minhas fontes diariamente para ver se surgiu alguma novidade interessante. Ou vagamente interessante.
Com toda essa riqueza, fiquei muito exigente. Comecei a ler, não gostei? Apago do Kindle na hora (mas mantenho uma cópia no computador, né, porque vai que depois preciso).
Com toda essa riqueza, fiquei meio distraída. Leio vários livros ao mesmo tempo, esqueço o nome dos autores, confundo títulos. Às vezes um único capítulo me deixa satisfeita. Às vezes paro no meio e nunca mais volto.
Esse método (que método?) talvez não seja o melhor para a aquisição de conhecimento. Mas me divirto horrores.
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