Quando nos desfizemos do que tínhamos para viajar, vendemos e doamos tudo. Agora estou do outro lado da experiência: comprando e ganhando objetos do lar. (Por ganhando, entenda-se que eu e o Leo aproveitamos as datas festivas para pedir de presente panos de prato e chaleira elétrica. E, se alguém está se livrando de uma panela, a gente aceita com alegria.)
A parte de comprar é um pouco mais complicada. Eu contava em frequentar um monte de vendas de garagem, todas elas oferecendo coisas tão bonitas quanto as que eu vendi, mas a falta de carro atrapalhou um pouco esse plano. A ideia era pegar táxi quando fosse necessário, mas o escorpião no bolso se agita todo com a perspectiva de ir parar lá no fim da outra asa e não encontrar nada interessante.
Então fico de olho nos sites. Comecei com o Mercado Livre, sem muito resultado; aí uma tia que tinha acabado de se mudar comentou que a nora tinha vendido o que eles não queriam mais no OLX e pronto, descobri a mina de ouro.
A seção de móveis da OLX de Brasília é bem interessante. Tem bastante opção, de todos os valores. Desde conjuntos de jantar de milhares de reais a objetos bem baratinhos. Aqui sempre tem gente chegando - para trabalhar, estudar, assumir postos diplomáticos ou comissionados - e partindo - quando o curso acaba e o emprego idem.
Pela minha experiência, se dar bem nesse mercado não é difícil. São são necessárias duas coisas: paciência e um plano.
A paciência é porque a oferta de bens é limitada. Não é todo dia que a gente encontra o que quer comprar. E às vezes a gente encontra, mas alguém passa na frente, faz uma oferta antes e leva embora. Aconteceu comigo e eu fiquei bem frustrada (e era só cabides de portas, rs).
O plano é porque, sem ter uma ideia boa do que se quer, é fácil sair comprando objetos atraentes e aleatórios e e entulhar a casa. É verdade que é necessário ter um pouco de flexibilidade: ficar esperando a peça X da marca Y é meio arriscado. Mas dá pra, digamos, escolher o tamanho, duas ou três cores e ver o que aparece.
Como alugamos um apartamento mobiliado, deu pra esperar com calma e até negociar. Até agora, compramos uma mesa e quatro cadeiras, praticamente novas, por metade do preço; um sofá do jeitinho que eu queria, encomendado na fábrica pela primeira dona, com menos de um ano e por um valor ótimo; e um pufe baú em capitonê bem em conta e que o dono ainda entregou a domicílio. Ah, e um buffet que serve de rack (fica encostado na parede da tevê, que é grudada na parede e, como é um móvel alto e largo, esconde todos os fios. Muita felicidade) também pela metade do preço da loja.
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| Pufe baú preto (à esquerda), buffet e um pedacinho do sofá cinza (o outro pufe já estava no apartamento). |
É verdade que o OLX tem lá seus inconvenientes: às vezes você manda e-mail e o vendedor não responde. Quando responde, aí tem de negociar um horário para ir ver o bem (embora eu só vá quando o valor é mais alto. Senão, confio nas fotos). E, depois que o negócio é fechado, vem a parte do frete.
O frete é praticamente uma segunda compra: você descobre alguém que faz, de preferência indicado por alguém (obrigada, Ilka!). Aí você conta o que quer buscar, a distância entre os endereços e o número de andares (porque não é sempre que os prédios têm elevador). O fretista te dá um preço, você pede para ele baixar um pouquinho, e por aí vamos.
Estou achando a experiência bem interessante. Ok, confesso: desconfio que estou ficando viciada no OLX, porque dou uma olhadinha todo dia pra ver se surgiu algo legal. O Leo até brinca que vou ficar triste quando terminar de arrumar a casa.