segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Sociedades utópicas

Achei "Better To Have Gone: Love, Death and the Quest for Utopia in Auroville", de Akash Kapur, interessantíssimo. Eu nunca tinha ouvido falar em Auroville, uma comunidade fundada em 1968 na Índia por Mirra Alfasa, uma guru francesa, com o objetivo de promover "a união da humanidade, acima de todas as crenças, políticas e nacionalidades".  Auroville ("cidade do amanhã") existe até hoje, com pouco mais de 2 mil habitantes de 54 nacionalidades.

Experiências de criação de novas sociedades são fascinantes. A ideia de que é possível que pessoas se organizem de maneira diferente e consigam resolver problemas como miséria, opressão e guerra é muito atraente. Infelizmente, as sociedades novas são formadas por seres humanos imperfeitos, como as antigas. Dito isso, se me chamarem para participar de uma delas... provavelmente vou querer ir. (Se irei mesmo é outra história.)

O autor de Better To Have Gone e a esposa, Auralice, nasceram e se criaram em Auroville e foram estudar nos Estados Unidos. Quando decidem voltar, um dos objetivos é apurar o que realmente aconteceu na trágica morte dos pais dela - um americano de família rica e uma belga profundamente mística. 

(Pois bem, o que aconteceu é que eles ficaram doentes e recusaram socorro médico, acreditando que a força da crença iria curá-los. Não curou.)

Auroville deu certo? Há divergências. Por um lado, ela completa 53 anos em 2021. Por outro, nunca conseguiu ser autossuficiente financeiramente. Tem seus admiradores e seus críticos. 

E tem um website também. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Feriazinhas

Saímos de Manila por uns dias na hora certa: hoje já não pode mais deixar a cidade e semana que vem vai ter mais um lockdown, dessa vez por duas semanas.  

Fomos para Boracay, uma das muitas ilhas paradisíacas das Filipinas, no domingo. Voltamos ontem, bronzeados e descansados. 

Verdade que choveu durante grande parte do tempo. No entanto, volta e meia o sol aparecia. Logo no primeiro dia, descobrimos que a piscina infinita (e funda: 2 metros e 10) não só ficava vazia como tinha uma parte coberta, que usamos alegremente para nos proteger tanto dos raios solares quanto da chuva tropical. Que pode ser forte, mas não é fria. Aliás, tanto a água do mar quanto a das piscinas tinham temperaturas agradabilíssimas. 

A chuva atrapalhou foi a exploração marítima. O mar estava revolto, isso significou bandeirinha vermelha ("proibido nadar") constante. Ou seja, nada de andar de caiaque, fazer stand up paddle ou praticar snorkel, que eram atividades incluídas nas diárias do hotel e que eu estava confiante que ia aproveitar. Não sou nada esportiva, mas sendo "de graça"... No fim das contas não deu. O lado positivo é que posso ficar na ilusão de que teria me saído bem.  

Não posso deixar de comentar que nos esbaldamos na comida. Café da manhã de hotel bacana, sabe como é. Tinha sushi, ramen, ovos benedict, croissants. Também tomamos drinques, cada dia um diferente, com vista para o mar, todos gostosamente parecidos e com pouco álcool, como costuma ser por aqui. 

O melhor mesmo foi ver o horizonte, o céu, o mar e um monte de verde. E andar sem máscara, né, quando estávamos nas áreas abertas. 

Para terminar, uma fotinha que prova que o mar filipino é bonito mesmo (e eu rindo porque tinha me sentado artisticamente nos degraus mais baixos e as ondas quase me levaram): 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Testando, testando

No começo do ano fiz o teste de Covid em que enfiam um cotonete pelo nariz e praticamente cutucam o cérebro. Deu uma vontade louca de espirrar, mas não foi tão ruim quanto eu imaginava. Mesmo assim, fiquei contente quando soube que dessa vez, eu podia fazer o teste de saliva. 

Achei que era dar uma cuspidinha e pronto. Que nada! Tem de encher metade de um tubinho. E é claro que nessa hora a boca fica seca. 

Tentei pensar em pratos gostosos (para dar água na boca). Pedi dicas para a atendente (que disse para eu massagear os lados do rosto). Procurei vídeo na internet (para descobrir uma massagem mais eficaz). No fim das contas, precisei de uns 20 minutos para fornecer a amostra.

O Leo também sofreu. Acho que com a idade a gente vai ficando menos hidratado. Da última vez que fui à oftalmologista, ela disse que eu tinha desenvolvido a síndrome dos olhos secos e me receitou colírios, um diurno e um noturno. Até que usei, mas eles acabaram e eu nunca mais recomprei. Então ando por aí com meus olhos secos. O mundo está árido mesmo.  

* * * 

O teste não é porque tivemos contato com pessoas infectadas: é para voar para a ilha de Aklan. Aqui nas Filipinas a situação está bem organizada - você pode viajar internamente, mas tem de mostrar o teste de Covid negativo. 

E como vamos viajar, tem um tufão se aproximando das Filipinas e causando chuvas torrenciais. Torço fortemente para que ele mude de trajetória e a gente possa curtir uns dias de praia com um mínimo de sol. 

Mas aceito na chuva mesmo. Uma das vantagens daqui é que, como o clima é bem quente, a chuva não faz a gente passar frio, mesmo que você esteja debaixo dela. 

Só de ver mar e horizonte já fico feliz. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Só alegria

Em breve eu e o Leo estaremos performando imunizados com Caetano ao fundo em uma bela praia filipina. 

Mais exatamente daqui a duas semanas, porque tomei a segunda dose de Coronavac hoje! 

(Não quer dizer que vamos sair lambendo corrimão. Máscara, lugares abertos, distanciamento social, tudo isso continua. Mas vamos nos permitir um voo curto para Boracay.)

Queríamos estar lá no aniversário do Leo, que é dia 19 de julho, mas tudo bem. Dia 25 também é aniversário: dois anos em Manila! 

Este início de semestre está saindo melhor do que a encomenda. 

domingo, 4 de julho de 2021

Ideias rocambolescas

Faz um tempo que não me reconheço. Cadê a pessoa das ideias rocambolescas, dos projetos nada práticos, dos planos megalomaníacos?

Posso botar a culpa na pandemia, mas nada melhor que uma quarentena forçada para colocar em prática objetivos aleatórios como ver todos os filmes de Hollywood dos anos 50 ou jejuar por 48 horas, só pra ver de qualé. 

Acho que por um tempo fiquei preocupada só em sobreviver - à ansiedade, ao trabalho, à Covid. Agora as coisas estão se ajeitando, felizmente, e estou ficando animada de novo. 

Uma vontade que sumiu (e disso eu gostei) foi a de estudar para concurso. Ela me persegue desde que eu me formei (no fim do milênio passada). Mesmo depois de aprovada, sempre achei que tinha "outro melhor". Agora, finalmente, não acho que haja outro melhor (melhor para mim. Neste momento).  

Venham, ideias rocambolescas. Estou esperando vocês. 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

São tantas remoções

Em tese, todo semestre tem plano de remoção no trabalho, e as pessoas podem se inscrever para mudar de  posto (cumprido o mínimo de 2 e o máximo de 5 anos). Por posto entenda-se embaixadas, consulados e missões brasileiras pelo mundo. 

Digo em tese porque no ano passado, por exemplo, só teve um plano de remoção, no começo do ano. A pandemia avacalhou mil coisas, e uma delas foi a programação normal - e o segundo plano de 2020. 

Já o primeiro de 2021 foi realizado direitinho. Só vou poder me inscrever no próximo, mas acompanhar o processo é legal mesmo assim. Sempre tem um monte de amigos indo de cá pra lá, ou vice-versa, e é muito bacana ver todo mundo feliz e cheio de expectativas com seus destinos. 

Tão legal quanto é verificar que a vaga que estou ambicionando não foi ocupada. Assim, pelo jeito vai dar tudo certo no segundo semestre. 

Acho muito interessante essa vida de sucessivas mudanças. Adoro não saber onde estarei daqui a 6, 8, 12 anos (só sei que, completando 10 no exterior, é obrigatório voltar ao Brasil e passar ao menos 12 meses). Lembro-me que gostei muito de morar no interior de Minas, mas depois de uns anos o tédio bateu (e aí decidimos ir para Brasília). Agora as mudanças estão embutidas na carreira.

Sim, esse fato dificulta o planejamento a longo prazo. Mas estou mesmo querendo largar mão da minha mania de tentar botar a vida na planilha o tempo todo e viver mais o presente.

Vou planejar só as visitas aos amiguinhos quando a pandemia acabar. 

quinta-feira, 10 de junho de 2021

17 anos de cauamento

No excelente livro O Noivo da Princesa, do William Goldman (que depois virou um filme bem legal), o bispo que casa Flor de Ouro com o príncipe Humperdinck diz que "o cauamento é um suonho dentro de um suonho".  Adotamos, lógico. 

Ontem eu e o Leo fizemos 17 anos de cauamento. Precedidos por 10 anos de namoro e 1 de noivado. Ou seja, 28 anos no total. 

Sim, começamos cedo (eu tinha 17, o Leo tinha 18).  E, em vez de crescermos cada um para um lado, fomos amadurecendo juntos. 

Nosso cauamente é um suonho dentro de um suonho, e não tenho outra explicação a não ser amorrrr, sorte e o fato de que realmente gostamos de ficar um com o outro. A pandemia não foi fácil para ninguém, mas um problema que não tivemos foi o de estarmos trancados em casa juntinhos. Achamos ótimo, na verdade. 

A gente só se desentende na cozinha, porque cada um quer fazer de um jeito. O bom é que, na maior parte do tempo, o Leo se ocupa das refeições. Eu só gosto de fazer cookies. 

sábado, 5 de junho de 2021

A louca da Uniqlo

A Uniqlo é uma loja japonesa de roupas com filiais no mundo todo, com peças minimalistas e materiais de boa qualidade. Tem filiais no mundo todo, inclusive em Manila (várias). 

A Uniqlo é bem bonita e não muito cara (mentira, acho cara. Mas eu também acho tudo caro). Só que, como descobri há duas semanas, ela faz promoções com belos descontos. 

Tudo começou inocentemente, com uma ida casual à loja para comprar uma blusinha fresca. Usei e gostei tanto que pesquisei na internet se havia outras cores. Havia, e no site elas custavam 25% mais barato! Aí comprei mais duas, né? Então vi um vestidinho florido lindo, do jeito que eu estava almejando, na promoção. E um suéter de cashmere por um terço do preço. Comprei, comprei. 

Voltei à loja para pegar as compras. Pra quê. Arrematei um sapatinho "de menino" (com desconto) e a barganha do século: um vestido preto de seda, que originalmente custava 140 dólares, por 12.   


As blusas e o sapato serão usados imediatamente, para trabalhar (meu primeiro "sapato de menino" foi comprado em Brasília em 2011, passou por vários consertos e está querendo se aposentar, tadinho). Já  o suéter e o vestido de manga comprida vão ficar para o próximo posto, já que em Manila a sensação térmica tem chegado a 45º C. Mas eu achei que a oportunidade (uma de minhas palavras favoritas) de adquirir peças de materiais bons e duráveis a preços reduzidos não podia ser perdida. 

Agora é marchar para o guarda-roupa e tirar o mesmo tanto de peças de lá. 

* * * 

Detalhe: são as primeiras compras de roupa que faço este ano. 

Detalhe 2: demorei. Devia ter comprado roupas mais fresquinhas assim que cheguei aqui. 

* * * 

Descobri que uma das razões de minha alegria ao comprar em promoções e brechós é muito simples: um número menor de opções. Hoje em dia, existem tantos produtos que eu, particularmente, fico tonta. Diante de uma seção de desconto ou de uma loja de segunda mão, as possibilidades diminuem. Fica mais fácil chegar a uma decisão. 

Isso não quer dizer que eu me sinta obrigada a adquirir alguma peça só porque o preço é sedutor. Saio de mãos abanando numa boa. 

sábado, 8 de maio de 2021

Alguns livros queridos

Por exigência do público (isto é, duas ou três leitoras), deixo aqui alguns dos meus livros preferidos. A lógica da lista é simples: gostei demais deles; li mais de uma vez; recomendo para os outros. 

Conheço muitos outros livros ótimos. Estes aqui, no entanto, são os que estão guardados no meu ❤. 


Ficção: 

- As Irmãs March, Louise May Alcott

- Persuasion e Razão & Sensibilidade, Jane Austen 

- Os Três Mosqueteiros/20 anos Depois/O Visconde de Bragelonne, Alexandre Dumas

- Quadrilogia A Amiga Genial, Elena Ferrante

- Senhora, José de Alencar


Fantasia: 

- Trilogia A Bússola Dourada, Phillip Pullman

- O Noivo da Princesa, William Golding


Pós-apocalípticos: 

- Trilogia Broken Earth, N. K. Jemisin

- Trilogia MadAddam, Margaret Atwood


Memórias: 

- O diário de Annie Frank, Annie Frank

- O Último Sopro de Vida, Paul Kalanithi


Que abriram minha cabeça: 

- O Mito da Beleza, Naomi Wolf

- O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir

- Essencialismo, Greg McKeown


Instruem e divertem: 

- O Último Teorema de Fermat, Simon Singh

- Uma Breve História de Quase Tudo, Bill Bryson

- Longe da árvore, Andrew Salomon

sábado, 1 de maio de 2021

45

Ontem fiz aniversário. 

45 anos de idade. 

Quando meus pais tinham 45, eu achava que eles estavam avançados em anos. Não imaginava que um dia estaria no mesmo lugar. 

É claro que esse dia chegaria, se eu não morresse pelo caminho. Mas acho que minha imaginação não dava conta de pensar em um futuro que passasse dos vinte e poucos. 

Aos 45 anos, meus pais tinham três filhas, carro, casa, sítio. Acho que eles eram felizes assim. 

Hoje, aos 45, eu me sinto na segunda década dos 30. Decidi não ter filhos, decidi morar fora do país, decidi trabalhar enquanto meu marido me acompanha. Tudo diferente dos meus pais, e sou feliz assim. 

Posso dizer que, com a passagem do tempo, as coisas ficam cada vez melhores. Só preciso descontar meu surtinho de ansiedade quando cheguei a Manila. Acho que dá para considerar que o gráfico tem uma tendência fortemente positiva, com algumas quedas inevitáveis. Faz parte da vida.

Pode ser o efeito do prosecco, pois as comemorações estão se estendo pelo fim de semana, mas estou serena e contente. Não tem outro lugar onde eu estaria estar, em todos os sentidos. 

Que venham mais 45! 

(Ou mais 35: o plano é fazer 80 e, se a saúde estiver cada vez pior, rumar alegremente para um país de eutanásia. Se bem que, só para fazer pirraça no Guedes, posso decidir viver até os 100.)