domingo, 26 de março de 2023

Entra: primavera. Sai: máscara.

Março de 2020 marcou o início da quarentena em Manila. Posso considerar, então, que faz dois anos que uso máscara para sair de casa (mesmo que tenha deixado de ser uma exigência em Zurique desde abril do ano passado). 

Semana passada eu propus e o Leo concordou que, levando em conta nossas cinco doses de vacina, que a gente parasse de usar. 

Me dá muita alegria não ter de sacar a máscara da bolsa toda vez de entrar no tram. 

Enquanto isso, em Zurique: 






domingo, 12 de março de 2023

Igual mas diferente

Adoro ler blog de quem saiu do Brasil. Me identifico com um monte de coisa e me sinto acompanhada nessa aventura que é morar fora da terra natal. 

Maaas ando me dando conta que minha situação é um pouco diferente. Geralmente, o pessoal sai para se estabelecer indefinidamente (ou talvez para sempre) em outro país. Já eu tenho prazo de validade em cada lugar. Além disso, trabalho com colegas brasileiros (se não todos, pelo menos alguns). Assim, tenho de fazer menos esforço para me adaptar. Se por um lado é mais simples (não diria que é fácil), por outro é uma experiência menos imersiva (embora também seja rica). 

Sim, no passado imaginei que me integraria onde quer que eu fosse. Mas, na prática, vou verificando que continuo uma grande introvertida (e o Leo também). Então, não sinto a necessidade de fazer um monte de amigos. Socializo no trabalho, de vez em quando saímos com colegas simpáticos e está muito bom. E recebemos amigos pré-existentes aqui em casa quando eles passam uns dias na Suíça, o que é ótimo! 

Em suma, meu esquema está sendo morar aqui, aproveitar muito, viajar bastante e aprender o que for possível. 

Observação importante: obviamente, a(s) língua(s) (alemão! Alemão suíço!) não ajuda(m) em nada. Talvez um idioma amigo me deixasse mais à vontade. De qualquer forma, não temam: testaremos essa tese nos próximos postos.  

sexta-feira, 3 de março de 2023

Em pleno processo de hibernação

Voltei do Brasil no começo de fevereiro e desde então ando com uma fome louca e uma preguiça danada. Primeiro me rebelei, mas depois decidi aceitar os comandos da natureza e me render aos três lanchinhos noturnos e a reality shows de qualidade pra lá de duvidosa. 

Também tenho me divertido caçando blogs que ainda estejam na ativa (ou não, mas com arquivos disponíveis). Até atualizei o blogroll ("Ando lendo", ali à direita). E hoje encontrei o Blogueiros Raiz, que tem uma grande lista de blogs recentemente atualizados. Prevejo diversão para dias.  

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Paradinha em Lisboa

Voltamos do Brasil no comecinho de fevereiro. A conexão foi em Lisboa e durou 7 horas. Pois não fosse por isso: guardamos as malas no maleiro ("cacifo") do aeroporto e tocamos para a cidade. 

Era sábado, era cedo, o céu estava lindo e Lisboa também. 






quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

10 anos do sabático

Passou batido porque minha família estava aqui no Ano Novo, mas não é que 31 de dezembro de 2012 foi o aniversário de 10 anos da data em que saímos pelo mundo?

O tempo voa, meus amigos. Em 2015 voltamos para o Brasil, em 2016 fiz a prova de oficial de chancelaria , em 2017 fui nomeada, em 2018 trabalhei dois meses em Munique, em 2019 fomos para as Filipinas e hoje estamos belos e faceiros em Zurique. 

Era 2013. O lugar eu deixo vocês adivinharem. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Roupinha nova

Minhas irmãs, minha mãe, minhas tias e eu temos o tamanho parecido e a filosofia de que uma hora toda tendência volta. O resultado é uma grande circulação de roupas, inclusive porque a gente passa as peças pra frente e não raro encontra com elas de novo lá na frente. 

A guardiã desse pool é minha mãe, que guarda nos amplos armários de seu apartamento roupas de quase meio século (como um vestido que ela usava quando estava grávida... de mim!) e sempre tem algo a oferecer quando passamos por lá. 

Já faz um tempo que deixei de acompanhar as modas (desde 2010). Desde então, só uso o que acho bonito e confortável, nas cores que eu gosto: preto, branco, azul-marinho, vermelho, vinho (e azul e verde intensos). O bom é que tudo combina com tudo e eu fico feliz com todas as minhas roupas. 

Dessa vez voltei de BH com três vestidos curtos, dois vestidos longos, uma blusa de um ombro só, uma camisa de manga curta e uma calça de ginástica. Pronto, estou equipada para o verão (menos a calça de ginástica, que é pra ser usada já. Se eu queria um sinal do universo que estou precisando desenferrujar os músculos, olha ele aí. Na verdade, é o segundo sinal do universo, porque o primeiro foi...

... andar a cavalo no Brasil (meus pais têm um sítio, no sítio tem um cavalinho). Achei ótimo, mas  subir no cavalinho foi uma dificuldade).

Verde e e azul


domingo, 5 de fevereiro de 2023

O mau humor

O último post foi bem mal-humorado, e a culpa nem foi toda de BH, coitada. É que eu e o Leo, quando reencontramos as famílias por tanto tempo, ficamos aflitos. Acho que nos acostumamos a ficar na nossa casinha, tranquilos e contentes, e passar quase duas semanas morando com os pais, que têm seus próprios hábitos e para quem nunca crescemos de verdade, nos deixa desorientados. Para completar, no quarto que a gente fica o wi-fi não funcionava, então nem nos esconder para ver Netflix foi uma opção. 

Por outro lado, foi uma viagem muito útil: fizemos exame médico para renovar carteira de motorista, desbloqueamos cartão de crédito, tomamos a quinta dose da vacina de Covid. Revimos amigos e parentes, comemos pão-de-queijo, empada e mandioca frita, tomamos Mate Couro, Guarapan e Grapete. E ainda voltei com um monte de roupa nova, mas aí é caso para outro post. 

Vista de BH da varanda do meu padrinho

Para mim essa viagem lembrou muito uma época em que estava na segunda faculdade, deprimida (de verdade) e meio perdida na vida. Estava doida para arrumar emprego e sair da casa dos meus pais, e isso demorou mais do que eu queria para acontecer. A parte boa, claro, é que esse tipo de recordação faz perceber como tudo mudou para muito melhor. No final, tudo dá certo - se ainda não deu certo, é porque não chegou ao final. 

Em retrospectiva, planejamos mal: devíamos ter tratado como outra viagem de férias. Ou seja, marcado passeios, feito listinha de restaurantes e confeitarias, ido à Brasília, São Paulo e Uberlândia ver pessoas queridas. 

Fica para a próxima. Que, se tudo der certo, será em seis anos e meio, quando eu for obrigada a voltar a trabalhar no Brasil. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

1 ano em Zurique

Hoje faço meu primeiro aniversário de chegada a Zurique (e estou no Brasil, olha a ironia). Confirmo que não é à toa que ela está sempre na lista das melhores cidades para se viver; é segura, bonita, limpíssima, tem um transporte público incrível e ainda é atravessada por águas verdes transparentes altamente fotogênicas. 

Impossível não comparar com Belo Horizonte, onde vim passar uns dias. Os últimos anos não foram generosos com Beagá. Eu e o Leo nos mudamos daqui em 2004 e, pelo que nos lembramos, a cidade mudou pouquíssimo. O máximo da diferença é que as bancas de jornal agora têm grandes telões na parte de trás (onde não para de passar propaganda do último filme da J. Lo).  Enquanto, pelo mundo, o urbanismo está em constante evolução, com aumento nas áreas pietonais, investimentos em transportes alternativos e melhoria dos espaços públicos, BH faz reforminhas pontuais e continua sendo inimiga não só do pedestre como também do motorista (o trânsito contina o caos, com semáforos de 200 em 200 m rigorosamente não sincronizados).

A comparação pode ser injusta por N questões, mas no momento não estou interessada em justiça.

Uma das primeiras fotos de Zurique














domingo, 22 de janeiro de 2023

Feliz da vida (ou très contente)

Estava eu resmungando que a biblioteca pública perto aqui de casa é 1) pequena; 2) toda em alemão (a audácia desses suíços!) e 3) cara (a assinatura de um ano custa 95 CHF, isto é, mais de quinhentos reais  70 CHF, isto é, uns 400 reais), quando o Leo, que é resolvedor de problemas, escutou e disse: não seja por isso. Bora se inscrever em uma biblioteca francesa. 

Fui investigar e descobri que Mulhouse, uma das cidades francesas mais próximas (menos de 2 horas de trem) tem uma bela rede de bibliotecas. Compramos passagens para o sábado seguinte e lá nos fomos. 

Chegando à Bibliothèque Grand'Rue, a maior delas, perguntei timidamente se eu podia me associar, já que eu moro em outro país. "Pas de souci!"(sem problema) respondeu alegremente a bibliotecária. Pediu para preencher uma ficha com meus dados e mostrar um comprovante de endereço. Paguei 20 euros e pronto, sou a mais nova inscrita no Réseau des Bibliothèques de Mulhouse. São sete bibliotecas pela cidade, eu posso pegar material em qualquer uma delas, SEM LIMITE de quantidade! O que salvou a Grand'Rue é que eu moro longe e livro pesa muito, porque senão eu sairia de lá com uma pilha enorme. Saí com uma pilha modesta.  

Isso quer dizer que voltarei daqui a quatro semanas para devolver tudo. O que não é problema, porque Mulhouse é um charme, e tem várias outras atrações: supermercados e restaurantes mais baratos do que na Suíça e uma loja da Picard, os melhores congelados do mundo. Nosso congelador é pequeno (saudades da geladeira duplex de Manila!), mas dá pra fazer um estoquinho. 





quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Vamos dar um tempo/um dia a gente se vê


Quer saber, alemão? Nosso relacionamento não está dando certo. De minha parte, me esforcei: sim, eu investi em você. Comprei curso completo on-line, banquei aulas presenciais, adquiri gramática (física e digital), segui Instagrams de professores. E, ainda assim, depois de um ano, a gente não progrediu.  

Confesso que nunca me senti atraída por você. Não ligo para sua música, não curto seus escritores. A verdade é que o que busquei contigo foi segurança, não paixão. 

Então, o melhor é a gente se afastar. Foi difícil tomar essa decisão, porque tenho aulas contratadas e uma pilha de material caro. Mas não quero mais viver com essa obrigação. Vou tentar suspender o curso a distância e transferir os módulos presenciais para um colega de trabalho. Se não der, vou encarar o prejuízo e partir para outra. 

Isso não quer dizer que a gente não vá se ver nunca mais. Quem sabe em um outro momento de nossas vidas?

Mas, enquanto isso, não venha me procurar. É bem possível que você me encontre com outro. 

Francês ou italiano.