domingo, 4 de julho de 2021
Ideias rocambolescas
quarta-feira, 23 de junho de 2021
São tantas remoções
Em tese, todo semestre tem plano de remoção no trabalho, e as pessoas podem se inscrever para mudar de posto (cumprido o mínimo de 2 e o máximo de 5 anos). Por posto entenda-se embaixadas, consulados e missões brasileiras pelo mundo.
Digo em tese porque no ano passado, por exemplo, só teve um plano de remoção, no começo do ano. A pandemia avacalhou mil coisas, e uma delas foi a programação normal - e o segundo plano de 2020.
Já o primeiro de 2021 foi realizado direitinho. Só vou poder me inscrever no próximo, mas acompanhar o processo é legal mesmo assim. Sempre tem um monte de amigos indo de cá pra lá, ou vice-versa, e é muito bacana ver todo mundo feliz e cheio de expectativas com seus destinos.
Tão legal quanto é verificar que a vaga que estou ambicionando não foi ocupada. Assim, pelo jeito vai dar tudo certo no segundo semestre.
Acho muito interessante essa vida de sucessivas mudanças. Adoro não saber onde estarei daqui a 6, 8, 12 anos (só sei que, completando 10 no exterior, é obrigatório voltar ao Brasil e passar ao menos 12 meses). Lembro-me que gostei muito de morar no interior de Minas, mas depois de uns anos o tédio bateu (e aí decidimos ir para Brasília). Agora as mudanças estão embutidas na carreira.
Sim, esse fato dificulta o planejamento a longo prazo. Mas estou mesmo querendo largar mão da minha mania de tentar botar a vida na planilha o tempo todo e viver mais o presente.
Vou planejar só as visitas aos amiguinhos quando a pandemia acabar.
quinta-feira, 10 de junho de 2021
17 anos de cauamento
No excelente livro O Noivo da Princesa, do William Goldman (que depois virou um filme bem legal), o bispo que casa Flor de Ouro com o príncipe Humperdinck diz que "o cauamento é um suonho dentro de um suonho". Adotamos, lógico.
Ontem eu e o Leo fizemos 17 anos de cauamento. Precedidos por 10 anos de namoro e 1 de noivado. Ou seja, 28 anos no total.
Sim, começamos cedo (eu tinha 17, o Leo tinha 18). E, em vez de crescermos cada um para um lado, fomos amadurecendo juntos.
Nosso cauamente é um suonho dentro de um suonho, e não tenho outra explicação a não ser amorrrr, sorte e o fato de que realmente gostamos de ficar um com o outro. A pandemia não foi fácil para ninguém, mas um problema que não tivemos foi o de estarmos trancados em casa juntinhos. Achamos ótimo, na verdade.
A gente só se desentende na cozinha, porque cada um quer fazer de um jeito. O bom é que, na maior parte do tempo, o Leo se ocupa das refeições. Eu só gosto de fazer cookies.
sábado, 5 de junho de 2021
A louca da Uniqlo
A Uniqlo é uma loja japonesa de roupas com filiais no mundo todo, com peças minimalistas e materiais de boa qualidade. Tem filiais no mundo todo, inclusive em Manila (várias).
A Uniqlo é bem bonita e não muito cara (mentira, acho cara. Mas eu também acho tudo caro). Só que, como descobri há duas semanas, ela faz promoções com belos descontos.
Tudo começou inocentemente, com uma ida casual à loja para comprar uma blusinha fresca. Usei e gostei tanto que pesquisei na internet se havia outras cores. Havia, e no site elas custavam 25% mais barato! Aí comprei mais duas, né? Então vi um vestidinho florido lindo, do jeito que eu estava almejando, na promoção. E um suéter de cashmere por um terço do preço. Comprei, comprei.
Voltei à loja para pegar as compras. Pra quê. Arrematei um sapatinho "de menino" (com desconto) e a barganha do século: um vestido preto de seda, que originalmente custava 140 dólares, por 12.
As blusas e o sapato serão usados imediatamente, para trabalhar (meu primeiro "sapato de menino" foi comprado em Brasília em 2011, passou por vários consertos e está querendo se aposentar, tadinho). Já o suéter e o vestido de manga comprida vão ficar para o próximo posto, já que em Manila a sensação térmica tem chegado a 45º C. Mas eu achei que a oportunidade (uma de minhas palavras favoritas) de adquirir peças de materiais bons e duráveis a preços reduzidos não podia ser perdida.
Agora é marchar para o guarda-roupa e tirar o mesmo tanto de peças de lá.
* * *
Detalhe: são as primeiras compras de roupa que faço este ano.
Detalhe 2: demorei. Devia ter comprado roupas mais fresquinhas assim que cheguei aqui.
* * *
Descobri que uma das razões de minha alegria ao comprar em promoções e brechós é muito simples: um número menor de opções. Hoje em dia, existem tantos produtos que eu, particularmente, fico tonta. Diante de uma seção de desconto ou de uma loja de segunda mão, as possibilidades diminuem. Fica mais fácil chegar a uma decisão.
Isso não quer dizer que eu me sinta obrigada a adquirir alguma peça só porque o preço é sedutor. Saio de mãos abanando numa boa.
sábado, 8 de maio de 2021
Alguns livros queridos
Por exigência do público (isto é, duas ou três leitoras), deixo aqui alguns dos meus livros preferidos. A lógica da lista é simples: gostei demais deles; li mais de uma vez; recomendo para os outros.
Conheço muitos outros livros ótimos. Estes aqui, no entanto, são os que estão guardados no meu ❤.
Ficção:
- As Irmãs March, Louise May Alcott
- Persuasion e Razão & Sensibilidade, Jane Austen
- Os Três Mosqueteiros/20 anos Depois/O Visconde de Bragelonne, Alexandre Dumas
- Quadrilogia A Amiga Genial, Elena Ferrante
- Senhora, José de Alencar
Fantasia:
- Trilogia A Bússola Dourada, Phillip Pullman
- O Noivo da Princesa, William Golding
Pós-apocalípticos:
- Trilogia Broken Earth, N. K. Jemisin
- Trilogia MadAddam, Margaret Atwood
Memórias:
- O diário de Annie Frank, Annie Frank
- O Último Sopro de Vida, Paul Kalanithi
Que abriram minha cabeça:
- O Mito da Beleza, Naomi Wolf
- O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir
- Essencialismo, Greg McKeown
Instruem e divertem:
- O Último Teorema de Fermat, Simon Singh
- Uma Breve História de Quase Tudo, Bill Bryson
- Longe da árvore, Andrew Salomon
sábado, 1 de maio de 2021
45
Ontem fiz aniversário.
45 anos de idade.
Quando meus pais tinham 45, eu achava que eles estavam avançados em anos. Não imaginava que um dia estaria no mesmo lugar.
É claro que esse dia chegaria, se eu não morresse pelo caminho. Mas acho que minha imaginação não dava conta de pensar em um futuro que passasse dos vinte e poucos.
Aos 45 anos, meus pais tinham três filhas, carro, casa, sítio. Acho que eles eram felizes assim.
Hoje, aos 45, eu me sinto na segunda década dos 30. Decidi não ter filhos, decidi morar fora do país, decidi trabalhar enquanto meu marido me acompanha. Tudo diferente dos meus pais, e sou feliz assim.
Posso dizer que, com a passagem do tempo, as coisas ficam cada vez melhores. Só preciso descontar meu surtinho de ansiedade quando cheguei a Manila. Acho que dá para considerar que o gráfico tem uma tendência fortemente positiva, com algumas quedas inevitáveis. Faz parte da vida.
Pode ser o efeito do prosecco, pois as comemorações estão se estendo pelo fim de semana, mas estou serena e contente. Não tem outro lugar onde eu estaria estar, em todos os sentidos.
Que venham mais 45!
(Ou mais 35: o plano é fazer 80 e, se a saúde estiver cada vez pior, rumar alegremente para um país de eutanásia. Se bem que, só para fazer pirraça no Guedes, posso decidir viver até os 100.)
domingo, 25 de abril de 2021
O fetiche do lugar
Sim, eu tenho certeza de que, quando eu morar em determinada cidade/país, serei completamente feliz.
Essa certeza é fundada na razão? De jeito nenhum. Isso faz que eu a abandone? Também não.
O grande problema é que, se fosse verdade, todos os habitantes de determinada cidade/país seriam perfeitamente felizes - e a gente sabe muito bem que não são.
Fico pensando que o fato de ter nascido e morar em determinada cidade/país nos faz achar tudo muito normal e ver muito mais os defeitos do que as qualidades. Eu, por exemplo, ando bem desiludida com o Brasil. Por outro lado, há um sem número de estrangeiros que sonham em se mudar para lá. Um amigo europeu da minha irmã já perguntou o que ela foi fazer na Alemanha, uma vez que aquela terra é cheia de regras e que o Brasil é muito mais legal. Além disso, muitos colegas moraram ou moram em lugares/países considerados espetaculares e nem por isso estão realizados como pessoas.
Depois de muito quebrar a cabeça com esse dilema (e partindo do pressuposto que estou certa e que morar em determinada cidade/país me fará completamente feliz), concluí que tudo depende do que se espera de determinada cidade/país.
Quem quer família e um grande círculo de amigos próximo e for para muito longe vai ter dificuldades, sim. E quem se muda para outra cultura talvez leve muito tempo para se sentir à vontade. Fora isso, quanto mais a pessoa se conhecer, mais terá de chance de acertar: não adianta adorar carnaval e calor e se mudar para os países nórdicos.
Já minhas ambições são razoavelmente modestas: quero morar em uma cidade segura e bonita, com uma boa rede de transporte público. Se for histórica, melhor ainda. Estou acostumada com a família longe e com os amigos espalhados. Tendo Leo e Kindle (e umas bibliotecas públicas não caem mal), estou satisfeita.
(Ah, e já ia esquecendo: temperatura agradável para caminhar. Pode ser frio, porque diante do frio a gente consegue se agasalhar, mas do calor só nos resta sofrer.)
Manila é bem legal, mas as altas temperaturas e a umidade dificultam os passeios ao ar livre. E tem a pandemia, né? Nem é justo avaliar uma cidade nessas condições.
E por que estou pensando sobre o assunto? Porque o próximo posto (no fim de 2021? No meio de 2022? Ninguém sabe ainda) será, esperamos, uma cidade europeia, em um mundo pós-pandemia. Aí sim, serei perfeitamente feliz.
quinta-feira, 22 de abril de 2021
O vício
O Leo me convenceu a fazer uma lista dos livros que leio. Não ligo para produtividade nesse quesito, porque leio para me divertir (e refletir, e aprender), mas achei a ideia boa, principalmente para lembrar em que época eu estava explorando um ou outro assunto.
Ontem estava atualizando a lista me bateu a curiosidade de checar quantos livros li em 2020. Para minha surpresa, foram muitos menos do que em 2019 (25%, para ser exata). Achei esquisito. Em tese, na pandemia, não tive mais tempo para ler?
Não necessariamente: em abril de 2020, quando lockdowns e quarentenas ainda eram uma novidade, descobri o Twitter e os portais de notícia. Pronto, passei a gastar uma quantidade incrível de tempo na internet, naquela ilusão de que estava fazendo alguma coisa, mas na verdade só me frustrando com o que acontecia no mundo e, principalmente, no Brasil. Claro que foi muito importante me informar sobre a Covid-19 e tomar os devidos cuidados, mas isso não leva mais do que alguns minutos por dia.
Então, mais uma vez, me despedirei do sugadouro das mídias sociais e tentarei usar meu tempo de maneiras mais agradáveis e estimulantes. Um cochilinho, por exemplo, sempre cai bem.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
Vai passar, mas não passa
Nos últimos dias bateu a bad: todos os indícios sinalizam que não vamos poder mudar de posto tão cedo. Por tão cedo, entenda-se... este ano. Talvez só vá rolar no meio de 2022.
Até então, vínhamos vivendo como se a pandemia fosse acabar loguinho. Quando essa esperança acabou, nos agarramos à perspectiva morar em outro país, que estivesse mais avançado na vacinação e/ou cujos hospitais não estivessem sobrecarregados. Agora, essa esperança também definhou.
O jeito, se é que tem jeito, é parar de viver como se a pandemia fosse acabar loguinho (pensando só no futuro, afogando as mágoas no chocolate e no vinho) e começar a viver com o que temos para hoje.
Como, exatamente, ainda não sei.
* * *
E hoje meu chefe foi vacinado aqui em Manila, o que me encheu de alegria e esperança. Tudo bem que ele é da categoria seniores e que não vamos ser chamados semana que vem para nossa primeira dose, mas olha, está acontecendo.
Tem outra: como gostamos muito de caminhar, mas aqui está difícil - não só por causa da quarentena, mas também por causa do calor, umidade, trânsito, barulho e poluição -, compramos uma esteira. Foi o jeito de "pensar fora da caixa": jogar dinheiro no problema.
Sim, vou botar um vídeo de paisagem na tevê e caminhar olhando para a tela, tentando me convencer que estou passeando. Se meu cérebro for enganado em uns 20%, tá bom.
sábado, 3 de abril de 2021
Saia ou short
Uma vez, quando éramos ambos crianças, um primo me perguntou:
"Você prefere ser menina ou menino?"
Nem pisquei para responder:
"Prefiro ser menina. Porque eu posso usar saia e short, e você só pode usar short."
Fui bastante literal, mas hoje eu vejo toda uma sabedoria nessa resposta. O que eu estava dizendo, e isso vale até hoje, é a mulheres podem experimentar um número muito maior de vivências do que os homens.
Não que ser mulher não tenha seus problemas. Ô, se tem. Mas, enquanto as mulheres, aos trancos e barrancos, foram ocupando (ainda que devagar, ainda que minimamente) praticamente todas as áreas consideradas masculinas, o contrário praticamente não ocorreu. A razão me parece óbvia: o campo "feminino" (cuidar, educar, alimentar, gerenciar emoções) é considerado menos importante. Causa e consequência desse fato: são atividades não remuneradas.
(Obs: a OIT calcula que o trabalho de cuidado não-assalariado corresponde a 10 trilhões de dólares por ano, ou 13% do PIB mundial.)
Hoje as mulheres podem usar calças. Por que os homens não podem usar saia?
